Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Começa agora uma nova edição do "Juventude da Rádio Observador". Carla, esta terça-feira estão conosco e com o José Manuel Fernandes, a Helena Matos e também o Carlos Diogo Santos. Hoje, isto anda tudo ligado a um manifesto a pedir uma integração do Chega numa solução governativa, a um disse que disse entre Belém e André Ventura, e mais uma vez, Paulo, há problemas na contabilização dos votos da imigração.

Há problemas, os problemas de sempre. E o problema, se quisermos, é que eleição após eleição, toda gente vai tomando conta disso, toda gente faz declarações bondosas e simpáticas a dizer que temos que mudar o processo, que tem que se olhar para o processo eleitoral, para a lei eleitoral, fazer aquilo que muitas vezes são alterações relativamente consensuais, mas depois toda gente esquece isso passado uma semana ou duas, termina o processo eleitoral e nunca mais se volta a falar disso. Nós estamos há 130 dias em processo eleitoral. Cento e trinta dias, isto contado desde o dia em que o primeiro-ministro anunciou que ia demitir-se. Arrastamos, o primeiro presidente da República achou que era muito importante manipular e fazer uma gestão dos prazos para permitir a aprovação do orçamento de Estado, porque o país não podia viver em duodécimos, máxima tragédia. Depois foi preciso dar tempo, obviamente, ao PS, isso era necessário, mas quatro meses, pelo amor de Deus. Há países, mais uma vez, que resolvem isto em, não direi 15, mas em 30 dias, desde que um primeiro-ministro se demita até à tomada de posse de outro primeiro-ministro ou do mesmo, em função de resultado de eleições que ocorreram entretanto. Depois estamos há 10 dias já depois da eleição, ainda aguardamos os resultados finais, em princípio só amanhã, então com a contagem dos votos na imigração. E aqui voltamos à velha questão do costume. Não só o processo em si, que é demorado, que acaba por afastar muitos imigrantes. Estamos a falar de cerca de 20% de taxa de participação, que é superior, e ainda bem, à taxa de 2022, que foi de 15%, se não me engano.

Sim, houve uma subida de cerca de quatro pontos percentuais em relação há dois anos.

Está ali próximo dos 20 agora. Mesmo assim é muito baixa. E depois, não só a taxa de participação é baixa, como as indicações que vêm da sala de apuramento destes cerca de 400 mil votos que chegaram, é que estima-se que cerca de 40% dos votos vão ser considerados nulos. Que é uma tragédia isto. Por quê? Basicamente, o processo é este: os eleitores votam por correspondência, obviamente, aquilo tem uma série de regras para garantir o anonimato e a segurança do voto. A segurança é garantida, achamos nós, por anexar uma fotocópia do cartão de cidadão do eleitor. E o anonimato é garantido colocando o boletim de voto com o voto já, obviamente, dentro de um envelope fechado, que não é o mesmo envelope em que se coloca a fotocópia do cartão de cidadão, que é para ninguém no processo de apuramento poder associar um voto determinado, específico, num partido ou numa coligação, a um cidadão. Portanto, isto basicamente é meter o cartão de cidadão, a fotocópia fora do envelope principal, mas dentro de outro. Isto é simples. Não é complicado. Mas isto há dois anos, antes de mais, foi a causa da repetição da eleição dos imigrantes, porque depois os representantes dos partidos resolveram ali na contagem de votos, para não anularem tantos votos, que não iam ligar este detalhe, iam contabilizar aquilo tudo. Depois misturaram-se os votos todos, já não era possível saber quais eram quais. Enfim, a trapalhada do costume. Agora, nós podemos achar que isso está muito bem explicado, e eu tenho visto aqui explicações, nomeadamente nas redes sociais, de imigrantes que publicam até o folheto explicativo que a CNE envia a explicar o processo todo, o envelope verde, o envelope branco, faça assim, faça assado. Mas eu acho que tem que haver aqui um pouquinho de humildade e perceber: se 40% dos votos são nulos, significa que em 400 mil, foram 160 mil pessoas que se enganaram. Ora bem, se há 160 mil pessoas que fazem errado, então provavelmente o problema é de quem está a explicar. Digo eu, com toda a humildade. Aquilo que para nós pode ser muito fácil, é muito intuitivo, e fácil de perceber as causas e o mecanismo de fazer estas coisas com os envelopes, para outras pessoas pode ser complicado. E temos é que perceber que provavelmente, e aqui já é simpatia minha, estamos num país com elevados níveis de iliteracia funcional a vários níveis. É a iliteracia política, é a iliteracia financeira, e iliteracia funcional, muitas vezes de perceber o que é que diz um cartaz ou o que diz um anúncio num serviço público ou qualquer coisa. E portanto, se há 160 mil pessoas que fazem mal, então talvez o desenho destes processos é que tem que ser melhorado. A mesma coisa com o AD e o ADN. Se houve o quê? Oitenta, 90 mil pessoas que se enganaram, provavelmente das duas uma: ou não devíamos ter siglas tão próximas, ou então o boletim de voto tinha sido mudado. Mas mais do que estas coisas todas, é que é a enésima vez que nós vamos falando disto e daquilo. Nunca se corrige nada. Nós estamos em 2024. O homem há 55 anos que já foi à Lua e nós continuamos aqui a tentar arranjar um bom método para que os imigrantes possam votar de uma forma segura Portanto, sem fraude, de alguma maneira, ou reduzindo a possibilidade de fraude ao mínimo, de uma forma anônima, de uma forma célere, e não conseguimos. Por quê? Porque o nosso sistema eleitoral, de uma forma ou de outra, em termos de prazos, de mecanismo, está arcaico, foi desenhado em 74, 75, desde então não mudou. Temos uma comissão nacional de eleições que complica mais do que simplifica e sempre que pode arranjar um problema, ela arranja. Quem olha para a lei, nós temos o sistema mais higiênico do mundo. Prazos larguíssimos para que as pessoas votem assim e assado, para que os partidos se preparem. Temos aquele dia de reflexão, que a CNE este ano até quis alargado os Açores ao país todo, para não haver uma contaminação de uma eleição para outra. Ainda bem que ficou a falar sozinha. A CNE acha que pode impor censura ao país todo, porque basicamente há ali meia dúzia de pessoas que vivem na pré-história destas coisas todas. Olhando para estas regras todas, está tudo perfeito, mas depois na prática nada funciona. E nós aqui estamos sempre a tropeçar na regra dos 80/20. Colocamos 80% de esforço em coisas que têm 20% da importância e o contrário também.

Já que estás nos números, que nota vais pôr? Vamos lá.

Eu dou um 4, mas é à absoluta incapacidade. Os partidos, e isto aqui remete sempre aos partidos, são eles que têm que fazer as alterações legais e processuais necessárias. Um quatro para a absoluta incapacidade ou falta de vontade, não sei o que é, mas uma das duas, ou então ambas, que os partidos demonstram para fazer as mudanças que são necessárias.

Abrimos então esta ronda com um quatro atribuído pelo Paulo. O Carlos Diogo Santos quer falar de um manifesto conhecido hoje, um manifesto de sete militantes do PSD a apelar a um entendimento com o CHEGA.

É verdade. André Ventura já tinha dito ter a garantia de que alguns dentro do PSD lhe tinham dado o apoio e que ele já tinha a garantia de um acordo, isto ainda antes de conhecidos os resultados das eleições e contra o que Montenegro andou a prometer durante a campanha. E agora um pequeno grupo de militantes do PSD, com Rui Gomes da Silva à cabeça, exigem isso mesmo, que Montenegro dê o dito por não dito e faça o tal acordo com o CHEGA de que Ventura já tinha falado. O objetivo é claro, é alcançar, e vou citar, um governo estável, que coloque os interesses de Portugal em primeiro lugar. Insistem naquela narrativa de André Ventura de que se os eleitores deram uma determinada votação ao CHEGA, é porque querem que haja uma solução governativa de direita. E eu acho que só com muita criatividade se pode insistir nesta leitura. O manifesto continua a dizer que quem não quiser entender, quem não quiser dialogar, quem não quiser construir uma verdadeira alternativa não socialista para Portugal, estará a fazer o jogo da esquerda. E desse lado, dizem estes militantes, nós e muitos portugueses nunca estaremos. E continuam a dizer que os resultados eleitorais foram claros e que leem destes resultados eleitorais que os portugueses querem um acordo entre a AD e o CHEGA. Eu não consigo ter esta leitura, nem perceber que os portugueses quiseram isto. Este argumento tem várias falhas. Já fomos falando aqui ao longo do tempo, enquanto o André Ventura falou em campanha desta solução, como isto muitas vezes entrava dentro de uma falácia. A primeira falha, para mim, é que a confiança dos eleitores na Aliança Democrática para governar foi com base nas promessas feitas, incluindo o não é não ao CHEGA. E portanto, parece-me claro que um acordo como o defendido pode até respeitar o voto dos eleitores que votaram no CHEGA, mas desrespeita claramente todos aqueles que votaram na Aliança Democrática com base no pressuposto de que não haveria acordos com o partido de André Ventura. E depois, acho que fica claro que mesmo que se quisesse respeitar de forma mais alargada, como é defendido neste manifesto, para haver uma solução governativa mais estável, é tão verdade aquilo que dizem estes militantes, como dizer então que é preciso um acordo entre a Aliança Democrática e o PS, um partido, aliás, que ficou em segundo lugar e que respeitaria também esta argumentação. Seria uma solução mais alargada, respeitaria ainda um maior número de eleitores. Obviamente que isto não me parece uma boa solução, como também não me parece uma boa solução um acordo com o CHEGA, e por isso este manifesto parece-me ser apenas uma pressão, é certo, que pouco significativa e expressiva, ao líder da Aliança Democrática, Luís Montenegro. Uma pressão, aliás, que Ventura já tinha anunciado ter como certa ainda antes de conhecidos os resultados das eleições.

A tua nota então, Carlos.

Vai um cinco para este manifesto, que tem aqui a curiosidade de o ser, neste caso, que já era antes de o ser.

Exatamente, já era antes de o ser. De resto, Rui Gomes da Silva vai ser o convidado do Explicadores, portanto, daqui a pouco vamos estar com o primeiro subscritor deste manifesto a apelar ao presidente do PSD. A verdade é que, José Manuel Fernandes, o assunto continua, a relação, a presença ou não do CHEGA no governo. E queres fazer aqui uma distinção entre o que são as fontes de Belém e o que são os comunicados da Presidência da República?

Olha, nem sei o que quero dizer.

Boa sorte com isso.

Ontem o Presidente da República pôs no site um comunicado com duas linhas, meia dúzia de palavras, basicamente pra dizer que não comenta declarações de políticos, nem comenta notícias de jornais. Eu tenho a ideia que ele já fez isso tudo, não fui à procura de ver quando é que ele o fez, mas não interessa. Basicamente, o que está em causa? Está em casa que ele não queria desmentir abertamente aquilo que tinha dito André Ventura quando saiu do Palácio de Belém e também não queria comentar a notícia com fontes de Belém que saiu no Expresso na véspera das eleições e que causou muita irritação tanto no Partido Socialista como no Chega. Basicamente, uma notícia a dizer que o presidente faria tudo pra que o Chega não entrasse no governo. Ora bem, eu acho que uma coisa é o presidente preferir um governo sem Chega, outra coisa é o presidente saber que provavelmente vai ter que lidar com uma situação em que se vai conversar, negociar e chegar a acordos com o Chega, porque se não haver acordos nenhuns, dificilmente se aprova, por exemplo, o próximo orçamento de Estado. Aliás, o presidente já o fez nos Açores. O presidente apadrinhou a solução do primeiro governo de Bolieiro e esse até tinha acordos formais com o Chega dos Açores. E na altura, recordo-me que Marcelo Rebelo de Sousa, que conhecia os prazos constitucionais e estava na altura no jogo de umas circunstâncias em que em breve não poderia convocar eleições, agora não me recordo exatamente dos termos, percebeu que não tinha nada a fazer a não ser apressar a formação daquele governo, em vez de criar problemas que tornariam a situação insustentável. E eu acho que é o que ele vai fazer outra vez. Isto é, há uma coisa que é o que ele preferiria, e há outra coisa que é a realidade. E em face da realidade, Marcelo Rebelo de Sousa andou a dizer aos partidos aquilo que ele preferiria, e a André Ventura deve ter dito que segundamente, se o Chega negociar medidas no próximo orçamento de Estado, que ele não é por causa disso que vai deitar o governo abaixo. Ou seja, provavelmente quer aquilo que o presidente fez saber aos outros partidos, quer aquilo que o presidente fez saber à fonte bem informada, quer aquilo que André Ventura lhe disse que o presidente disse, está tudo certo, só que respondem a momentos diferentes do pensamento de Marcelo Rebelo de Sousa. E o comunicado de ontem era dispensável pra gente não estar a falar disso, porque Marcelo não precisa formalmente desmentir ninguém, não precisa de comentar Ventura. Todos já percebemos o que ele pensará. E isto tudo aconteceu porque ele achou que era bom ter uma interpretação do seu pensamento na véspera das eleições, e agora, naturalmente, no momento em que recebe André Ventura, André Ventura ia ter que comentar esse assunto, ia ter que falar do assunto. Portanto, eu acho que Marcelo continua a não perceber as virtudes do silêncio absoluto, não é apenas do silêncio relativo, é do silêncio dele e das fontes dele. E portanto, quando não percebe isso, acaba a fazer frases como a de ontem, que na minha perspectiva é mais uma daquelas frases absolutamente desnecessária, porque onde é que ele quer chegar? Quer desmentir André Ventura sem desmentir? Quer chamar a atenção pros recados que passou aos outros partidos pra eles virem violar o dever de confidencialidade do que se passou nas reuniões? Quer um pouco isso tudo e é Marcelo a ser Marcelo. Portanto, o melhor é nós apressarmos este processo todo e não estarmos com estes rodriguinhos. Aquela linha tem poucas palavras, eu não contei o número de palavras, deixa-me contar pra eu dar a nota, se calhar.

Está bem. Então claro.

Então será a nota com o número de palavras da frase.

Ainda assim é capaz de dar positiva.

Se contarmos esses números. Já vamos.

Não sei, aquilo é tão curtinho.

O José Manuel vai contar e depois faz o noves fora e enquanto isso o Júlio quer dar uma nota a Pedro Nuno Santos e a Luís Montenegro, por quê?

É porque têm mantido em silêncio, têm se mantido recatados, têm mantido o equilíbrio.

Pedro Nuno Santos deve falar hoje porque hoje vai ser decidido na audiência.

Já disse na noite eleitoral que assumia a derrota e que ia pra oposição. Pedro Nuno Santos não teve uma derrota estrondosa que lhe complique muito aquilo que é a sua liderança do Partido Socialista. Não sei, não creio, não faço previsões, mas não creio que haja no Partido Socialista um movimento que vise agora combater a liderança de Pedro Nuno Santos. Se tivesse tido uma derrota estrondosa, poderia acontecer. Não me parece que tenha sido isso que aconteceu. Portanto, Pedro Nuno Santos vai se manter na liderança do Partido Socialista, tem idade até pra estar lá muitos anos e estando muitos anos não tem que estar sempre a primeiro-ministro. E portanto, assumiu a oposição e desde então remeteu-se ao silêncio e tem esperado pelos calendários que são os calendários próprios de um ato eleitoral e o que segue um ato eleitoral Luís Montenegro tem estado no mesmo registo. Já disse que não é não, tem o seu percurso para fazer, vai com certeza ser investido a primeiro-ministro e depois disso tomará as medidas que deve tomar e que pensa tomar e constituir o governo que quer constituir. A verdade é que uns e outros têm sido bombardeados por correligionários dos partidos. Uns, no PS, a dizer que o PS deve governar se tiver mais votos e mais deputados, a esquerda também. Outros a dizer que não deve falar com o PSD, outros a dizer que deve. Do lado do PSD não faltam sugestões. Já vimos várias listas de ministros para o governo sem ouvirmos ainda uma palavra de quem vai formar o governo, que é Luís Montenegro. Muitos a dar palpites também de que deve falar com o Chega, que se deve entender outros com o PS. Enfim, os líderes ganharam os congressos, tomaram a liderança dos partidos, foram os dois a eleições prematuras. E agora, pelos vistos, tudo o que está à volta deles, dentro dos seus próprios partidos, parece que todos estão a indicar caminhos, que os líderes é que têm que decidir o que devem fazer.

É o fenómeno treinador de bancada.

Treinadores de bancada. E portanto, esta postura que Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro têm tido, parece-me a mais correta e por isso vai um 16 para ambos.

Um 16 para os líderes do PSD e do PS. José Manuel, já fizeste as contas?

Já fiz as contas, são 18 palavras, nós fora nada.

Ora bem. Está justificado. Helena?

Repare-se só no nível de reticências que se criou.

Helena, vamos sair da política para o mundo que está a acontecer, as escolas vão ter exames.

Não sei se nessas escolas ainda se sabe fazer a prova dos nove, que é preciso.

Eu acho que já não se ensina a prova dos nove.

Mas era ótimo para verificar.

Acho que os meus filhos não aprenderam a fazer a prova dos nove.

Pois não, os meus também não.

E a real, aprenderam?

Eu acho que também não aprendi. Estou na dúvida se aprendi na escola ou em casa, basicamente.

A prova dos nove, quando eu andei na escola, era muito mal vista. Tínhamos era de fazer tudo com a prova real. Mas pronto. É mesmo isso. Nós temos aqui um problema, isto passa também por uma notícia que está hoje no "Diário de Notícias", um apelo de pessoas ligadas às escolas e associações de diretores escolares, a propósito dos exames digitais. Não se percebe como, nem porquê, Portugal resolveu, é assim quando nós resolvemos ir à frente de toda a gente, uma coisa extraordinária, íamos nós alunos e íam todos passar a fazer exames digitalizados, não se percebendo bem qual é que é a vantagem ou não dos exames serem digitalizados. Essa é uma outra discussão, a questão das competências, como se o papel e lápis fossem uma coisa necessariamente atrasada, e então resolveu avançar-se para exames digitalizados, sendo que nós temos de perceber que quando se muda o suporte, também se muda a forma como nós nos expressamos. E logo à partida, quando se avança para exames digitalizados, pode estar a condicionar-se a forma como aqueles alunos são avaliados. Não estou a dizer se são prejudicados ou se são beneficiados, mas temos de perceber que estas coisas têm implicações. Mas não houve essa reflexão, não houve absolutamente nada disso, resolveu avançar-se. João Matheos resolveu avançar logo para a questão dos exames digitalizados, íamos digitalizar. Agora, a questão é que mesmo que não houvesse outras questões a ponderar na digitalização dos exames, nós temos de perceber o seguinte: nós não temos, e é isso que estes diretores de escola vêm agora falar, porque, sobretudo, temos aqui um problema com os exames de nono ano, cuja avaliação já conta, cujo resultado conta para a avaliação da disciplina, sobretudo em Matemática, que vai ter exame digitalizado. Mas quais são as condições para se fazer este exame digitalizado? É que nós temos um conjunto significativo de alunos que não têm computador, portanto, os computadores avariaram, outros não receberam, mas temos um número muito significativo de escolas onde se registam avarias nos computadores. Seja porque for, porque não são bem tratados pelos seus utilizadores, porque não são adequados. Bem, a verdade é que há computadores avariados e pode pensar-se: bem, então se estão avariados, vamos mandar arranjar os computadores. Mas isso não é assim tão simples, não são as escolas que mandam arranjar os computadores. O Ministério da Educação abriu um concurso para a reparação dos computadores. O problema é que não apareceu ninguém, nenhuma empresa. O concurso ficou deserto, não teve candidatos. Agora já existe um novo concurso, mas já não vai a tempo. Portanto, também quais seriam as condições desse concurso para que ele tivesse ficado deserto? É que ninguém apareceu a querer arranjar os computadores. Depois houve uma outra solução, que era passar esta responsabilidade da manutenção dos computadores para os professores de Informática. Os professores de Informática não querem essa responsabilidade, até porque uma coisa é ter essa responsabilidade para arranjar o computador ali na aula, outra é para assegurar que o computador está em condições no dia do exame, porque é toda uma operação muito mais complicada.

Aliás, Helena, desculpe, esses professores já colocaram um pré-aviso de greve para a época dos exames.

E temos de perceber que esses professores são um bem muito escasso.

Sim.

Portanto, são recursos já de si muito escassos. Uma responsabilidade de assegurar que os Tudo aquilo que está a funcionar no dia do exame já é uma outra questão. Depois temos também o problema da rede. Em muitas escolas, a ligação, a conectividade à internet é de baixa qualidade. Aliás, uma das metas do PRR era conseguir, até ao final de 2023, se não estou em erro, assegurar ligações de qualidade à internet nas escolas. Não é isso que aconteceu, ou pelo menos ainda não aconteceu. Logo, arriscamo-nos a ter exames em que a net liga, depois desliga e quem já fez exames ou acompanhou exames, o que aconteceu a muitos de nós, sabemos que, sobretudo nestas idades, qualquer questão causa uma perda de tempo durante a realização da prova e uma agitação que em nada se compadece com aquilo que é o ambiente necessário à realização do exame. Logo, surge agora este apelo ao futuro ministro da Educação, e este apelo vem da parte de Filipe de Lima, de associações de escolas, há também outros diretores a falarem nisto, que é: se ainda formos a tempo, que pelo menos no exame de Matemática do nono ano, este ano, se volte ao papel e à caneta, porque um exame que já de si é encarado por muitos alunos com alguma apreensão, e pelas suas famílias, pode não ter condições para correr bem e, por outro lado, logo à partida há alunos que estão em situações ainda mais complicadas, não por aquilo que sabem ou não sabem de Matemática, mas porque na sua escola a ligação à internet é má, porque não têm computador ou têm o seu computador avariado. E temos também esse pré-aviso de greve dos professores de Informática que não querem ser, de repente, transformados em técnicos de informática, que é uma coisa um pouco diferente. Portanto, com esta ligação à net, com os computadores avariados, com os professores em pré-aviso de greve, parece que o ministério vai mesmo para chumbo. Não sei sequer se vai a oral. Acho que não.

Fica chumbado o Ministério da Educação com o problema dos exames digitais. Amanhã regressamos com mais um "E o Vencedor É". Até amanhã.