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Está no ar o "E o Vencedor É". Hoje a análise aos protagonistas da atualidade é feita pelo Ricardo Conceição e pela Ana Sanles, que se juntam ao José Manuel Fernandes e ao Paulo Ferreira. Carla, hoje digerimos os resultados eleitorais, distribuímos fundos europeus, mas começamos a falar de salários. Falamos ainda no rescaldo do primeiro de maio, das reivindicações que se ouviram ontem, mas também das declarações do primeiro-ministro. Ana Sanles, bom dia. Quem é o teu vencedor?

Olá, bom dia. É Sanles, disseram bem. Sim, é verdade. O meu tema hoje são salários, ainda no rescaldo do primeiro de maio. É um dos temas que tem marcado a agenda, vai continuar a marcar. O governo diz que vai começar a cumprir uma promessa eleitoral de 2019. A ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, anunciou ontem que o acordo de rendimentos e competitividade vai começar a ser discutido em concertação social na próxima semana. Ainda nem começou a ser discutido e a data para ser fechado já foi adiada, o que também é curioso. Ou seja, esta era uma promessa eleitoral de 2019, depois veio a pandemia, depois tornou-se numa promessa para julho. Essa era, aliás, a expectativa das empresas, pelo menos da CIP, mas o primeiro-ministro também falou deste tema nas comemorações do primeiro de maio e já disse que antes do outono não vai haver acordo, porque a repetição das eleições no círculo da Europa alterou novamente o calendário. Enfim, isto não é sobre timings. Calendário à parte, este é um anúncio que chega numa altura importante, ainda que muito arriscada para o governo, porque abriu aqui uma porta, mas é uma altura em que há uma perda generalizada do poder de compra por via da inflação. Há muita incerteza nas empresas e este é um acordo que prevê a valorização salarial, não só por via de aumentos e do aumento do salário médio, que será certamente uma exigência das associações sindicais, mas também pela via fiscal. Pelo menos o que estava previsto no programa eleitoral era a redução das taxas de IRS para quem venha a ter aumentos e ainda, e muito importante, através de apoios às empresas, nomeadamente de ajustamentos no IRC para as empresas que subam os salários dos trabalhadores. Isto é, de facto, um sinal importante para as empresas, para as famílias, no momento em que soam apitos de todos os lados. Ainda ontem o ex-ministro Álvaro Santos Pereira veio alertar para os possíveis efeitos dramáticos da inflação. E há muita expectativa de ambas as partes. Qual é a questão aqui? Isto não vai ser uma negociação nada fácil para o governo, precisamente por causa disso, porque recusa-se a fazer uma subida em escalada dos salários, já temos falado sobre isso, não se compromete com aumentos iguais à inflação em 2023. Foi pelo menos isso que António Costa deu a entender no debate do Orçamento do Estado, e agora vem falar de valorização. Pode colocar-se aqui uma posição difícil, e eu ressalvo que já se começam a vislumbrar sinais de alguma contestação social que não existiu nos últimos anos. Ainda na aprovação do orçamento, na sexta-feira passada, houve alguns tumultos na Assembleia, gritavam-se mais salários, e isto pode ser um problema. É provável que essa contestação volte a aparecer. Vão ser meses agitados para os lados do Ministério do Trabalho e se calhar, apesar de o meu tom inicial transparecer o contrário, eu até vou dar uma nota positiva. Estou a tentar ver o copo meio cheio e vai ser um 12, não para António Costa, mas para Ana Mendes Godinho, pelo compromisso. E eu prometo que vou tentar não falar de inflação todas as semanas, mas não vai ser fácil.

Não vai ser. Percebe-se que não seja, mas para já, a Ana aqui a tentar ver o copo meio cheio, também consegues ter essa perspectiva, Paulo Ferreira, quando ouvimos a forma como se está a discutir a necessidade de aumentos salariais e a compensação da inflação?

Eu consigo ir vendo o copo meio cheio, mas nunca tão cheio como António Costa e o primeiro-ministro vai vendo sempre, para ele está sempre a transbordar o copo, e ontem deu mais um exemplo disso. O meu ponto é este: ontem foi o dia primeiro de maio, Dia do Trabalhador. É normal que os governos, os governantes e o primeiro-ministro, de alguma forma, assinalem o dia e no fundo, digam qual é o contributo que a sua governação está a dar para aquilo que é o caderno reivindicativo normal e habitual do Dia do Trabalhador, melhores condições de trabalho, mais salário, por aí fora. Agora, eu acho é que António Costa atirou-se claramente para fora de pé, se quisermos, com o tema concreto que ele escolheu para marcar ontem o primeiro de maio. Através de um tweet, o primeiro-ministro escreveu: "Festejamos hoje o Dia do Trabalhador, porque valorizamos o trabalho e ambicionamos uma sociedade mais justa. Vamos adotar a agenda do trabalho digno", a Ana acabou de falar disso, e depois continua: "E perseguir o objetivo de reforço do peso dos salários no PIB para a média europeia". Depois o tweet tem um gráfico que mostra desde 2011, os anos também não são escolhidos por acaso, até 2020, a evolução do peso dos salários no PIB, e depois um tracejado a partir de 2020, 2021 para frente, porque estamos na incógnita de saber o que é que vai acontecer no futuro, como é evidente. Qual é o problema deste tema? O problema é que António Costa vem com a conversa do peso dos salários no PIB precisamente no momento em que se desconta um orçamento, que com todos os dados disponíveis neste momento, vai acontecer o contrário este ano. O peso dos salários no PIB vai cair. Por quê? Por uma questão muito simples: nós sabemos o que é que está a acontecer aos salários e sabemos também quais são as perspectivas para o PIB Indo ao Orçamento de Estado, o que lá está, o próprio documento que está a ser discutido no Parlamento, diz-nos que o PIB em termos reais vai crescer 4,9%. A isto é preciso somar o deflator do PIB, no fundo, é descontar o efeito da inflação no PIB, que são 2,5% nas contas feitas para este indicador, o que significa que o PIB nominal, sem entrar em grandes tecnicismos, de acordo com o governo, vai aumentar 7,4%. Ora bem, para que o peso de salários na economia não caísse, tinha que crescer, no mínimo, também 7,4%. E nós sabemos que os salários nominais este ano não vão crescer estes 7,4%, na função pública são 0,9% e por aí fora. E, portanto, esse peso não vai aumentar. Isto foi tão notado que Paulo Pedroso também no Twitter veio perguntar se o primeiro-ministro tinha dispensado os economistas do seu gabinete porque aquele tweet não fazia sentido e bastaria que alguém lhe explicasse o que está a acontecer este ano, precisamente, com o PIB nominal a subir bastante. E Luís Aguiar-Conraria, que é economista e também é um dos comentadores aqui do painel do Fora do Baralho, também disse que fazer um tweet destes quando, de acordo com o Orçamento do Estado que o governo propôs na Assembleia da República, os salários vão cair brutalmente em percentagem de PIB é qualquer coisa. Portanto, não se percebe o que está a acontecer, ou melhor, percebe-se. O problema aqui não é o que o governo está a fazer. Eu acho que o governo tem boas razões de prudência e de cautela para tomar as decisões salariais que está a tomar. Eu prefiro que o governo tenha cautela agora, do que daqui a dois ou três anos estarmos novamente com uma crise orçamental e com uma crise da dívida. Portanto, o governo está a atuar bem. O problema é o que o governo está a dizer, porque esta lógica de que a narrativa, se for repetida, se substitui aos factos, que o que conta é aquilo que se diz e não o que se está a fazer, não pode ser levada a este extremo. As pessoas não são tontas e as pessoas entre um governo que toma as medidas que toma e que depois diz que está a fazer absolutamente o contrário, as pessoas percebem o que está a acontecer. Mais tarde ou mais cedo, é o descrédito. António Costa podia ter falado do desemprego, que está a cair e vai continuar a cair este ano. Podia ter falado até da subida do salário mínimo, que essa, objetivamente, foi bastante nos últimos anos. Mesmo este ano, quem ganha o salário mínimo deverá ser o segmento da população que ainda assim não perderá poder de compra. Vamos ver o que acontece aos preços até o final do ano, mas provavelmente aí não perdem, pelo menos tanto poder de compra. Mas não, preferiu falar de um indicador que este ano vai seguramente evoluir de forma contrária àquilo que o primeiro-ministro está a dizer e, portanto, a minha nota negativa aqui por esta falta de bom senso ou por esta imposição de uma narrativa, quando a narrativa está longe da verdade, olha, vem um seis.

Um seis para o primeiro-ministro, portanto, aqui metade do que a Ana Sales dá. Ana Mendes Godinho. Ora bem, continuamos a falar de números de economia. José Manuel Fernandes, por que queres destacar hoje aquilo que é a manchete do Jornal de Notícias e que nos dá conta de que no grupo dos maiores beneficiários dos fundos europeus só estão dois privados ali no top 30?

É verdade. É uma notícia que não é surpreendente, porque nós sabemos para que é que têm servido os fundos europeus. Mas não deixa de ser muito significativo que nos fundos aplicados entre 2014 e 2020-

Portanto, o Portugal 2020, ainda não é o PRR.

Ainda não é o PRR, mas o PRR vai no mesmo sentido, senão pior ainda. Esses fundos foram, sobretudo, para organismos do Estado e no Estado para, vê lá tu, o Instituto do Emprego e Formação Profissional, que aliás é o único que depois aparece no ranking europeu mais ou menos bem classificado. O que isso significa? Significa que, basicamente, o Estado, digamos, os governos, têm usado os fundos europeus para financiar o Orçamento do Estado, não têm usado os fundos europeus para aquilo que eles deviam servir. Portanto, os fundos europeus não são formas de financiar o Orçamento do Estado, não são formas de financiar o déficit, não são formas de financiar as despesas correntes da administração pública, mesmo que disfarçando isso de outras formas. Os fundos europeus deviam servir para investir em projetos reprodutivos, projetos que pudessem gerar mais riqueza no futuro. No fundo, projetos transformadores. Não se vê bem como é que gastar dinheiro, sobretudo no Instituto do Emprego e Formação Profissional, vai conseguir isso. Por exemplo, qual é a primeira empresa que aparece aqui? É a Bosch. Uma única entre 30 é a Bosch e depois a Associação do Calçado. Nós sabemos que o calçado é uma das poucas áreas onde houve nos últimos anos, enfim, agora está a passar por algumas dificuldades, mas onde houve investimento, capacidade de ganhar mercados, capacidade de crescer, capacidade de modernização. A Bosch é uma empresa que se transformou também em associação com a Universidade do Minho, com projetos extraordinariamente interessantes na área do desenvolvimento tecnológico e de novos produtos, designadamente na criação na área da informática para o automóvel. Ora bem, aqui também temos uma instituição pública, a Universidade do Minho, mas trata-se de uma das boas parcerias que houve em Portugal, com capacidade de reprodução. A natureza da Bosch, que há 20 anos era uma empresa que só produzia motores Exportava, mas exportava sobretudo produtos de baixa intensidade tecnológica. Transformou-se completamente. Hoje em dia é uma empresa multinacional, não é portuguesa, mas isso para o caso pouco interessa, porque são empregos portugueses e são empregos qualificados portugueses. Era para isso que deviam servir os fundos europeus, para muito mais Bosch, por assim dizer, ou também para muito mais investimentos como aqueles que fez a indústria do calçado, que transformaram uma indústria que era muito antiquada e que hoje está muito modernizada. Não era para financiar organismos públicos, câmaras municipais e por aí adiante, porque também há câmaras municipais que aparecem aqui muito bem classificadas. Portanto, eu tenho que dar uma nota muito negativa a essas políticas que fazem com que os fundos europeus sirvam para isto, porque isto é uma forma de fazer com que nós não alcancemos aquilo de que necessitamos, que é transformação económica, de forma que tenhamos uma economia mais produtiva e possamos crescer mais, que é aquilo que não se consegue com esta aplicação de fundos. Eu tenho que dar um chumbo direto a este balanço e penso que é aquilo que infelizmente vai poder acontecer novamente com o PRR.

Daqui a 11 anos. Aliás, nós vamos indo de última oportunidade em última oportunidade.

O PRR é a última, não é?

É a última.

Até à oportunidade final.

Isso, até à oportunidade final. E nós dizemos que agora é que vai ser, agora é a última oportunidade. O PRR agora, por uma desgraça ainda por cima, só existe porque houve uma pandemia. E portanto, até o seguro de vida quando morre alguém na família, para nós é a última oportunidade, que é basicamente o PRR. O PRR aparece por uma questão de emergência e nós achamos que aquilo agora é que está ali, de facto, estruturalmente. Ainda bem que aconteceu aquela desgraça, quase, porque senão não vinha aquele dinheiro todo. Mas se nós nos recordarmos, de sete em sete anos, cada vez que é negociado mais um pacote de fundos europeus, para nós é a última oportunidade, porque a expectativa que nós tínhamos há 30 anos era de que deixássemos a prazo de receber este montante todo, porque era suposto que o nosso PIB per capita fosse subindo e à medida que ia subindo, várias regiões do país iam deixando de estar na zona de coesão, deixávamos de precisar. Basicamente, nós estamos a fazer da nossa pobreza, relativa, obviamente, um modo de vida, que é enquanto estivermos ali abaixo de 75% de PIB per capita médio, e vamos recebendo dinheiro da União Europeia, dos contribuintes dos outros países, já agora, porque o dinheiro não cai do céu, em Bruxelas não têm lá nenhuma máquina para fabricar notas.

Paulo, só para teres uma ideia, os maiores projetos financiados por região é muito interessante, porque o maior projeto do Alentejo é um projeto público, hospital. O do Algarve é um ETAR. Ainda estamos a financiar.

São coisas que o Orçamento do Estado devia

O da Madeira é uma via rápida.

O Orçamento do Estado devia servir para isso regularmente. Isso são funções normais, naturais, nada extraordinárias. Fazer um hospital, uma ETAR e uma estrada, são funções e investimentos absolutamente banais de um Orçamento de Estado. O problema é que nós também sabemos qual é a história orçamental dos últimos cinco, seis anos e também dos últimos 10, porque com a troica cá era impossível, cortou-se tudo. Depois, quando a troica saiu e já com António Costa como primeiro-ministro, nós percebemos como é que foi feita a consolidação orçamental. Foi metendo esse tipo de investimentos na gaveta e cortando na despesa corrente através das cativações. E portanto, foram se acumulando. A gaveta dos projetos arquivados à espera de melhores dias foi enchendo e agora surgiu a tal oportunidade de pegar em dinheiro europeu e por esses projetos a andar. Agora, o problema é que nós daqui a sete anos, quando tivermos a negociar o próximo pacote de fundos, vai ser mais uma última oportunidade. Vamos continuar na pobreza relativa a receber um cheque gordo de Bruxelas, mas sem perceber por que nós continuamos assim.

Mas isso radica também numa falta de ambição do país e dos portugueses.

Sem dúvida. Não, isso é coletivo.

Acho que aqui não é só culpa do governo.

Sem dúvida.

As pessoas também não se mobilizam para crescer. Isso nós vamos assistindo, não é?

Sem dúvida.

Sim, sem dúvida. De acordo contigo.

Ricardo, então vamos ver se o Paulo e o José Manuel continuam de acordo contigo com o vencedor que tu escolheste. Tem a ver com a reunião do Bloco de Esquerda deste fim de semana.

Sim, eu tinha aqui um conselho para os militantes do Bloco de Esquerda, para se inspirarem um pouco em Mário Nogueira. E deviam seguir o exemplo do Mário Nogueira e partir uns pratos com violência, porque seria de esperar que num partido que passa a vida a dar banhos de ética ao país e às instituições, que é o grande defensor, a única voz dos fracos e oprimidos, seria de esperar que fizesse alguma coisa internamente perante o desastre eleitoral de janeiro. Mas não, o Bloco não só não avança para uma convenção nacional, é assim que se chamam os congressos no Bloco, porque a direção não deixou. Este sábado reuniu cerca de 400 militantes, estiveram juntos a discutir o futuro do partido e acabaram por dar novo impulso com 85%, 80 e tal por cento, à liderança de Catarina Martins e à direção. O Bloco promete voltar à luta, às grandes causas, olha para a geringonça como um parêntesis, uma passagem. Agora vai virar-se para as ruas, para os jovens, para as mulheres, eleitorado que está mais próximo do Bloco de Esquerda Nós, olhando para isto, sentados, olhando para o estado do Bloco de Esquerda, isto leva-nos a uma conclusão que Catarina Martins está claramente agarrada ao poder, não vai largar o poder, faz lembrar outros partidos que o Bloco tanto critica, em que não existem alternativas. E sempre que a Catarina Martins nos vem dar aquelas lições de democracia e de ética, se calhar devíamos mostrar-lhe um espelho e pensar que num partido normal, em que há um desastre eleitoral, o Bloco tem vindo a perder influência e perder capacidade. As lideranças renovam-se, os partidos renovam-se, porque afinal de contas, o partido serve para servir a sociedade e o país, e não as suas direções. Por isso eu queria dar esta sugestão aos militantes bloquistas: partam os pratos, sigam o exemplo de Mário Nogueira, da FENPROF. Já percebemos que vamos ter greves e manifestações. Agora, de repente, PCP e Bloco de Esquerda descobriram que o país estava numa miséria e que é preciso voltar à rua e à luta. Nos últimos anos não se aperceberam bem disso. Portanto, eu dou aqui talvez um sete à Catarina Martins por estar completamente agarrada ao poder e não dar mostras de querer largar esse poder.

Mas já agora, só pode ser cultural. Se repararmos os partidos mais à esquerda, tanto o Bloco de Esquerda como o PCP, as mudanças da direção são absolutamente imunes aos resultados eleitorais.

Porque a culpa é do eleitorado.

Não há uma relação direta entre lideranças e resultados.

A culpa é do eleitorado.

A culpa é do eleitorado, mas há ali qualquer coisa.

Que não entendo.

Olhe-se para a convulsão do CDS e do PSD, por exemplo, que dura anos quando têm maus resultados eleitorais, e até o PS. Nós vimos o que é que aconteceu ao PS com António Guterres e depois António Costa e as mudanças de poder quando há maus resultados eleitorais. Tiram-se consequências nesses partidos. No Bloco de Esquerda e no PCP, não. De facto, independentemente dos resultados eleitorais, há uma estabilidade de dirigentes. Enfim, não sei se é bom ou mau.

Porque a razão é sempre avançada que o eleitorado não compreendeu. Ou então os outros partidos sabotaram completamente a ação destes. Passados estes anos todos, acho que este tipo de argumento já não faz muito sentido e acho que as pessoas também já começam, para usar a metáfora dos pratos, já a não comer este tipo de argumentos.

José Manuel Lino, quis acrescentar alguma coisa?

Só queria acrescentar um elemento que acho que é extremamente interessante. É que Catarina Martins explicou que agora o governo do Partido Socialista tinha adotado o discurso da direita, o discurso do rigor nas contas. Bem, eu não sei bem em que país é que ela viveu nos últimos anos, porque as contas certas é um discurso do Partido Socialista há vários anos, mesmo no tempo da Jerónimo de Sousa. Só que enquanto houve Jerónimo de Sousa, essa parte, quando ele falava de contas certas, o Bloco não ouvia. Agora, que em vez de ser João Leão ou Mário Centeno a falar de contas certas, passou a ser Fernando Medina, passou a ser adotar o discurso da direita. Eu acho que é impossível não notar nas contradições do Bloco, e por este caminho, não estou a ver que o Bloco consiga recuperar o terreno que já teve.

E por isso o Ricardo Conceição atribui um sete ao Bloco de Esquerda, porque não anda a partir pratos. Vamos retomar já daqui a pouco, Paulo Ferreira, a discussão que começámos aqui no início sobre políticas salariais. Vai ser também o tema do Explicador, não é?

Vai ser. Vamos olhar então para a evolução dos salários este ano, ainda no rescaldo também do Primeiro de Maio, e perspetivar também o que é que pode acontecer este ano e o próximo. E vamos fazê-lo com Sebastião Santana, da Frente Comum de Sindicatos da Função Pública, e com Luís Miguel Ribeiro, que é o presidente da Associação Empresarial de Portugal. Já daqui a pouco.

É já, logo a seguir ao Jornal das Nove.