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Hoje juntam-se à equipa das manhãs 360 o publisher do Observador, José Manuel Fernandes, o editor-executivo Ricardo Conceição e o editor de sociedade Carlos Diogo Santos.

Bom dia a todos. A questão da vacinação dos adolescentes ainda está em cima da mesa e o tema até já chegou ao Brasil, mas há um outro assunto também. Esta noite os bares já abriram. Deixo aqui uma pergunta-desafio: alguém está de direta hoje? Contem lá. Ninguém arrisca.

Quase. Ninguém arrisca. Não, eu dormi pouco, mas venho com o horário de férias.

Ninguém foi a correr tentar perceber como é que os bares estão. Mas Ricardo Conceição, deixa-me começar por ti. Não fizeste direta, mas se calhar perdeste o sono a ver algumas das imagens da noite.

Sim, eu queria, Carla, não leves a mal, mas eu acho que temos que retificar uma informação que estamos a dar desde ontem aqui na Rádio Observador, é que nós não temos duas medalhas, nós temos três medalhas. É que ontem conseguimos a medalha de bronze do salta a tampa. Não sei se conhecem esta nova modalidade olímpica, salta a tampa. O Reino Unido conseguiu o ouro e a prata, logo na primeira vez que se realizou esta prova. Nós ontem conseguimos o bronze no Bairro Alto em Lisboa, sem máscara, bebidas na rua, milhares de pessoas nas ruas, muito pouca presença policial também para tentar organizar esta prova. O que eu questiono aqui não é a dança, não é a festa. Isso era mais do que previsível. É, no fundo, a forma como o país e as autoridades lidam com tudo isto. Ora, no cerco a Lisboa, que o governo não quer que se chame cerco nem cerca, vimos a GNR mandar para trás ciclistas, os cicloturistas que iam dar aqueles passeios ao domingo, passar revista a autocarros. Nos últimos tempos, vimos rondas da PSP fechar restaurantes às 22h30. Ontem, no dia do salta a tampa, em que toda a gente esperava uma enchente, por exemplo, no Bairro Alto e no Cais do Sodré, que pedia presença bem visível, não estava lá as autoridades. Isto para uma ação de fiscalização e de pedagogia, porque já sabemos que o álcool não é amigo de atitudes ponderadas, já sabemos que as pessoas querem muito ir dançar, já não dançam há muito tempo. Por isso, e para despachar já aqui a minha nota, a minha nota vai para os atletas do salta a tampa. É um sete, porque aqui chegados, também os atletas a quem saltou a tampa ontem à noite deveriam ter sido um pouco mais ponderados.

Tem um sete, mas uma medalha de bronze. Portanto, há aqui o copo meio cheio e o copo meio vazio. Não sei se a imagem é adequada à questão que estamos aqui a debater. Júlio Magalhães, como é que foi no Porto? Tens ideia? Vamos tentar. O Júlio Magalhães estará certamente a tentar.

Cá está alguém que fez direta, se calhar.

Está-se a informar.

O Júlio ainda deve estar na Ribeira.

Ou nas galerias.

Vamos esperar que ele nos diga alguma coisa, se conseguir. Carlos Diogo Santos, e tu, como é que olhas para esta questão? Exageramos, ou as pessoas que saíram à rua exageraram, ou não se esperava outra coisa?

Bom dia, Carla e bom dia a todos. De facto, ontem fizemos uma coisa que também Marcelo já tinha dado conta no Brasil, que referindo-se à ausência de Bolsonaro na reinauguração do Museu da Língua Portuguesa, disse que só dança quem está na roda. E, portanto, o que vimos ontem foi muita gente na roda no Bairro Alto e essa é uma das duas confusões que eu queria destacar aqui, porque não tem muita razão de ser. As regras eram claras. Bares e discotecas só podiam funcionar com regras de restauração, com mesas no interior e esplanadas, e tinham de fechar até às 02h00. Também não podia haver espaços de dança, os ajuntamentos em havia eram proibidos na rua e era preciso manter as regras de segurança. Ou seja, foi tudo aquilo que não aconteceu, pelo menos na Rua da Atalaia, onde o Observador teve uma equipa e logo ontem, à meia-noite, começámos a dar notícias aqui ao encontro de ajuntamentos e de que tudo isto estava a ser desrespeitado. Houve álcool na rua, as máscaras. As imagens são impressionantes, de facto, porque ninguém está com a máscara. E parece que naquela festa houve um claro ausente, que foi a polícia, apesar de nós termos tido a notícia.

Desculpem, mas eu estou a ficar um bocado impressionado. Eu não acho que a gente tenha vocação para ser polícia. E chamar a polícia, eu não gosto de chamar a polícia. Já estou a ficar impressionado com esta obsessão com a polícia. Digam lá uma coisa, acham que vai haver um desastre por causa do que se passou no Bairro Alto? É preciso mandar as pessoas todas para casa outra vez, é preciso fechá-las, é preciso pôr polícia na rua?

Não, José Manuel.

Não, senhor.

Então o que é que está mal?

O que está mal é uma falta de cuidado.

Mas qual falta de cuidado? Quer dizer, as pessoas estavam na rua. Estavam na rua.

E no interior também.

Sim, e de vez em quando no interior. E a gente tem que saber essa pulcaria destas regras, estão bem ou estão mal.

Mas essa é outra questão.

Estão bem ou estão mal. Estarmos aqui armados em polícia das pessoas, está-me a fazer um bocado de confusão.

Não, mas a minha questão vai além disso, José Manuel. A minha questão é: essas regras fazem sentido? Agora, o ponto é: havendo, não foram fiscalizadas.

Havendo, não é nossa função estarmos a fazer de polícia

Quando as pessoas finalmente respiraram um bocado e foram pra rua.

Eu trouxe de férias um capacete azul da ONU e, se me permitem intervir, eu acho que há aqui, de facto, a questão das regras. Aquilo que aconteceu ontem era inevitável e há pouco até aqui de microfone desligado comentávamos isso: a polícia não se vê na rua. Aparecer é normal, porque é normal que a polícia já agora se faça sentir, porque nós todos em sociedade, seja em que circunstância for, nos dá uma sensação de segurança. A questão é: se a polícia lá estivesse, fazia o quê? Desatava a bastonada aquilo tudo? Mandava as pessoas para casa? Não é possível gerir, penso eu, uma situação daquelas, quando as pessoas estão a divertir-se, estão a beber copos, estão a fazer aquilo que é normal.

Se é possível meter três milhões de pessoas dentro da cerca sanitária de Lisboa, em que um ciclista não pode dar um passeio.

Não foi possível e é muito difícil.

Não foi possível, toda a gente sabe. Tem que sair de Lisboa, saiu.

Eu percebo que o contexto é diferente.

Aquilo foi uma palhaçada. Eles fizeram as medidas para as televisões e nós infelizmente fomos atrás.

Eu acho que é uma falta de sensatez das medidas e falta de coragem pra dizer: "Meus amigos, vamos abrir". Pronto. Impõem-se regras ou tentam impor-se regras que à partida se sabe que são impossíveis. O que aconteceu com as comemorações do Sporting foi mais ou menos a mesma coisa. Foi deliberadamente, já se percebeu, fazer vista grossa, como se costuma dizer. As autoridades fizeram vista grossa a um evento que achavam que era inevitável. Das duas, uma: ou se proibia, controlava à partida, muito tempo antes, ou então era inevitável que acontecesse daquela maneira, porque depois as coisas que estão aí na rua são impossíveis de controlar sem uma intervenção de força musculada da polícia, como é evidente. E era a única forma. Falta é bom senso das autoridades em assumir isso, em dizer: "Vamos fazer isto. Pronto, olha, a rua está aberta, divirtam-se."

Falta bom senso a todos.

Certo. Aliás, eu acho que a situação que aconteceu ontem não foi muito diferente daquela que já tinha acontecido no Mirador de São Pedro de Alcântara.

Várias vezes.

Exatamente. E onde em muitas vezes, quando a polícia aparecia, não era preciso uma intervenção musculada e as pessoas até de forma muito pró-ativa, saíam. Agora, a minha questão é: se as regras não servem de nada, e eu não estou a contestar se elas fazem ou não sentido, então que não haja regras. Agora, de facto, o que eu estava aqui a falar era o fato de as regras terem sido claras, concorde-se ou não, sabendo-se ou não que de facto daí vinham alguns exageros e de facto não ter sido feito nada pra que elas sejam cumpridas e, portanto, oficializando-se que elas de nada servem.

Júlio Magalhães, agora já tens o microfone ligado. Não estavas na Ribeira? Pensamos nós. Ou será que estiveste ontem? Sabes de alguma coisa? Como é que correu esta reabertura da diversão noturna no Porto?

Sei. À hora que vinha pra casa não andava ninguém. Nós temos um polícia no Porto que é insistente e sobretudo no verão, que é a chuva. Ontem choveu incessantemente no Porto à noite. Portanto, pouca gente andava na rua e os que andavam, andaram protegidos, porque tinham que andar com guarda-chuva. Choveu a tarde toda, choveu a noite toda. À noite choveu intensamente e, portanto, foi uma noite, que eu saiba, tranquila no Porto. Pelo menos à hora que vim pra casa, não se via quase ninguém na rua. E isso tem esta explicação do tempo, com toda a certeza, e tem também outra explicação. Ontem vi no jornal Diário de Notícias que 20% da população de Lisboa é estrangeira. Pra já, Lisboa tem mais gente que as outras cidades todas do país. Depois, há muitos estrangeiros em Lisboa, o que também contribui. Há pouco o Ricardo falava da medalha de bronze de Portugal. É mais uma medalha de bronze conquistada também com a ajuda de estrangeiros, porque é como tem acontecido nos Jogos. Temos lá muitos atletas das ex-colônias, temos muitos outros países que vieram viver pra Portugal e vamos ali ganhando também umas medalhas à conta disso, o que é importante. E em Lisboa acontece a mesma coisa. A verdade é que eu nisto estou um bocadinho com o José Manuel Fernandes. Não há volta a dar, não há maneira de controlar isto. Não temos ter polícias pra cada um cidadão. Ou as pessoas vão pra rua, a partir do momento em que o governo decide abrir. Abriu, não explica regras quase concretas. Hoje diz uma coisa, amanhã diz outra. Já ninguém se lembra, se calhar há um mês, quando se anunciou isso, hoje já nem se lembra, mas nem acontece sequer, que as praias este ano iam ser um terror, toda a gente de máscara, toda a gente com um metro e meio, polícias, militares, todos na praia pra controlarem as pessoas e afinal isso já nem acontece, já ninguém se lembra disso, não há militares, não há semáforos vermelhos nem amarelos e vai tudo pra praia. Assim como na quinta os bares e discotecas não abririam, depois na sexta já abriram os bares, no domingo já abriram as discotecas. Na vacinação a mesma coisa. O presidente da República diz que depende dos pais, a DGS diz que depende de prescrição médica e a Madeira não esteve com meias medidas e vacinou mesmo os mais jovens. Eu volto a lembrar aquilo que já disse aqui há uns tempos e que foi o exemplo que uma cientista julgo que ouvimos aqui no Observador, que tinha chegado à Dinamarca, onde dizia que só havia uma pessoa que falava, só havia um porta-voz, ninguém mais falava de nada, a não ser um porta-voz que dava as orientações às pessoas e isso já nem era tema, porque é só ela que falava. Aqui não, fala toda a gente. Já não víamos Graça Freitas há muito tempo, voltamos a ver. Agora desapareceu a ministra Marta Temido, vamos voltar a ver daqui a pouco. O presidente da República Também falou, o primeiro-ministro também fala e ainda não olhamos todos para aquilo que foi o exemplo de Gouveia e Melo, que de facto na vacinação é o único porta-voz, é o único que pôs ordem na casa, só ele é que fala e aí está um bom exemplo de como se deve comunicar para o país e de como se devia comunicar. Eu acho que todas as pessoas, os portugueses já não ouvem os políticos. Acho que esta discussão institucional, esta guerra entre Belém e São Bento, esta guerra entre a DGS e o Presidente da República, entre a Madeira e o continente, já é uma coisa que está confinada aos círculos políticos e pouco mais.

E com isto, a tua nota, Júlio?

Eu dou nota 15 ao governo da Madeira, porque apesar de tudo, tomou uma decisão, assumiu esse risco. Quer o ano letivo a abrir sem problemas e sobretudo quer as empresas a trabalhar, porque há aqui um problema grave e que está a acontecer, pelo menos aqui a norte, de que eu tenho conhecimento. As empresas estão desesperadas, porque a partir do momento em que há um aluno na turma que tem contacto com alguém, vai a turma toda para casa e além da turma vão os pais também, ficam em isolamento. Ora, se isto em teletrabalho não implica grandes problemas, para quem tem empresas e fábricas de produção, isto é um verdadeiro problema, porque é preciso produzir e não se consegue porque os pais têm que estar em casa, porque os filhos na escola tiveram um contacto e portanto a escola é que decide quem é que tem que ir para casa e quem é que não tem que ir. A escola manda toda a gente para casa, manda os pais e as empresas ficam à mercê disto, porque precisamente não há quem ponha ordem e regra nisto.

Aqui fica então este 15 para o governo da Madeira. José Manuel Fernandes, já saltamos de facto para o outro assunto que acabou por marcar este fim de semana, que começou na sexta-feira. Afinal, os jovens devem ou não ser vacinados? Isto depende dos pais, depende dos médicos, depende de quem? Como é que nós nos entendemos com isto?

A minha primeira reação na sexta-feira até foi positiva. Parecia que a Direção-Geral de Saúde finalmente estava a agir como devia. Portanto, isto é com ponderação, procurando ter mais dados. Basicamente, porque esta questão da vacinação das pessoas mais novas, temos de olhar para ela não em função dos interesses e dos egoísmos dos mais velhos, mas em função daquilo que de facto são as necessidades. E a confusão instalada, sinceramente, é mais que muita. E não é só em Portugal, é um pouco por todo lado. A decisão da DGS vai no sentido a mesma que tomaram alguns países, como a Alemanha, como o Reino Unido. Eu sei que há outros países que resolveram ir mais longe, como os Estados Unidos ou como, por exemplo, a Espanha. Mas têm realidades diferentes das nossas, como por exemplo, o facto de terem resistência à vacinação e, portanto, haver uma parte da população que não se vacina e por isso eles precisarem de chegar a setores da população para terem imunidade junto de setores mais vastos. Mas são realidades, de facto, diferentes da realidade portuguesa. E há aqui uma coisa que me faz muita impressão, que é ver argumentos no sentido de dizer: uma faixa da população que em condições normais, por exemplo, quanto à gripe, nunca seria vacinada, apesar da gripe provocar todos os anos milhares de mortes. A gripe habitualmente em Portugal provoca todos os anos milhares de mortes. Eu vou repetir, milhares de mortes. No entanto, nós não vacinamos a população toda, todos os anos, contra a gripe, incluindo os adolescentes e os jovens que apanham naturalmente gripes e curam-se das gripes sem grandes problemas.

E que também a podem transmitir aos avós, segundo a mesma lógica.

E que também, segundo a mesma lógica, também a podem transmitir aos avós, e os avós também podem morrer de gripe, como morrem, infelizmente. Ora bem, eu não estou a dizer que o coronavírus é uma gripe. Não estou a dizer isso. Estou a dizer que quando falamos de vacinas, há outras vacinas que nós aplicamos com critérios diferentes. Umas que damos às pessoas mais novas, outras damos às pessoas mais velhas, em função do risco que essas pessoas correm. E eu gostava de ver isso bem explicado. Eu não tenho uma posição fechada e por isso pareceu-me que a DGS, ao querer estudar mais o assunto, não estava apenas a protelar a situação. E que há muitas pessoas que estão a provocar a vacinação geral, porque os professores têm receio, têm medos e, portanto, não querem conviver com alunos. Mas isso não é o interesse dos alunos, é o interesse dos professores, mas os professores também já estão vacinados. Quer dizer, há aqui muitas coisas que não parecem ser o interesse das crianças e o interesse dos jovens. E depois há uma outra coisa que também era interessante que nós fôssemos um pouquinho mais longe sobre ela, e é isto que o Júlio há pouco falou. É que se nós temos, de repente, uma população quase toda ela vacinada, por que estamos a fazer sistematicamente quarentenas? Por que estamos a fazer sistematicamente quarentenas quando as pessoas estão em contacto com risco? Isto é uma discussão que está a haver aqui, como está a haver no Reino Unido, que tem a mesma discussão e o mesmo problema. E a dúvida que se coloca, o problema que se coloca é: que normas são estas? Há aqui uma altura em que os técnicos e os cientistas têm que dar a sua informação. Eles não estão todos de acordo, porque há sobre isto matéria de divergência. Os conselhos de pediatria querem proteger as crianças e, portanto, pensam que não é necessária a vacinação. Quando começamos a subir na escala, os médicos querem proteger. Há muita gente e parece que a ordem dos médicos, globalmente, gostaria que houvesse vacinação nesta faixa etária, mas já se percebeu que quando falamos com pediatras, a opinião não é a mesma. Portanto, há aqui opiniões diferentes. Agora, é preciso ter dados claros, colocá-los perante todos nós e depois os políticos dizerem realmente o que querem, porque nem eles devem

Esconder-se por trás da DGS. Nem a DGS deve andar como uma barata tonta a dizer uma coisa de manhã e outra coisa à tarde, porque o Sr. Presidente da República disse uma coisa diferente. Porque de facto o Sr. Presidente da República disse uma coisa diferente do que disse a Direção-Geral de Saúde. Ponto final, parágrafo.

Já agora, a própria DGS agora se esconde atrás dos médicos.

E agora, de repente, aquilo que era claro na sexta-feira deixou de ser claro e está instalada uma confusão em que de facto vamos ter, muito provavelmente, por esta recomendação, os paizinhos a irem aos médicos dos seus filhos pedirem-lhes para lhe passarem uma receita para a vacina, substituindo-se aos próprios médicos. E quem é o médico que depois diz: "Não, eu acho que não devo passar." A situação não é a situação mais vantajosa, mas foi criada por esta mistura de cargos, lugares, patamares e responsabilidades.

E com isto tudo, para onde apontas a tua nota, José Manuel?

Eu vou apontar a minha nota para o Presidente da República, que acho que desta vez falou quando não devia, devia ter sido mais prudente e portanto vou-lhe dar um sete, nota negativa.

Um sete para Marcelo Rebelo de Sousa. Ricardo Conceição, também me parece que muitas vozes a dizer coisas que não são o mesmo podem criar mais confusão nesta altura.

Sim, acompanho o José Manuel nesta questão, acho que subscrevo o que ele disse. E só para acrescentar, acho que deixava aqui a sugestão para criarem um grupo de WhatsApp. Poderia ajudar. Até tenho uma sugestão de nome, inspirado no vencedor. "E o que vamos dizer é" é um bom nome para um grupo de WhatsApp que reúna Primeiro-Ministro, Graça Freitas, Marcelo Rebelo de Sousa. Pode ajudar a dar uma mensagem clara às pessoas para não andarmos aqui nós tipo baratas tontas, sem saber bem o que fazer.

Cássio Diogo Santos, o teu vencedor passa também por aqui e a tua nota?

Sim, eu noto em primeiro lugar, o facto de as autoridades não terem conseguido uma coordenação para que, não obstante a autonomia das regiões autónomas, que tem que ser garantida, se tivesse alcançado uma solução nacional. Fica estranho e parece, para o cidadão comum, fugir um pouco à razão, que não tenha sido possível um consenso com a região autónoma da Madeira. E mais, fica a perceção de que o país está a ser mais cuidadoso, até por todos os argumentos que foram aqui dados, com umas crianças do que com outras. E isso não há autonomia, na minha opinião, que possa justificar. E por isso dou um 14 a Graça Freitas, porque tantas vezes é criticada por não ser clara e ter um papel um pouco ziguezagueante e desta vez mostrou que a DGS ouve realmente os especialistas, contra o que claramente o governo queria, o que queria a task force e, pelas declarações deste fim de semana, o que parecia que o Presidente da República também queria e é para isso que está lá e cumpriu o seu papel, concorde-se ou não com o que foi decidido, mas foi pelo menos aquilo que a maioria dos especialistas acharam por bem, ainda que, como já foi aqui referido, haja uma grande divisão sobre esta matéria.

E por isso esse 14, essa nota bem positiva para a diretora-geral da Saúde. Paulo Ferreira, ficas para o fim porque esse bronze insulta muita gente e queres continuar com o Presidente da República, mas olhando agora aqui para a relação institucional com o Brasil.

Com o Brasil, sim, até num espírito mais tranquilo, para quem chega de férias, para não chegar aqui e começar logo a dizer mal e a dar notas negativas. Eu queria dar uma nota muito positiva a Marcelo Rebelo de Sousa. E é esta habilidade-

Mais com espírito ecuménico.

Ecuménico, exatamente. E é esta habilidade que ele encontra para muitas vezes conseguir aqui a quadratura de círculo de alguma maneira. Há aqui uma habilidade política muito interessante que nós estamos a assistir no Brasil. Marcelo está de visita ao Brasil, não é uma visita oficial do Presidente da República no sentido diplomático do termo. Ele foi lá para participar na reinauguração do Museu da Língua Portuguesa, que tinha ardido há uns anos. E depois, quando se vai ao país irmão e aquelas coisas todas tão simpáticas quanto, de alguma forma, postiças que costumamos utilizar nestas ocasiões, é preciso perceber também como é que se fazem estes equilíbrios. Sabemos que o Brasil está em pré-campanha, vamos ter campanhas presenciais daqui a um ano e pouco, talvez em outubro de 2022. Sabemos que aquilo está quente, sabemos que Jair Bolsonaro é pouco recomendável, que Lula da Silva poderá ser o seu opositor depois de todas as peripécias judiciais. E portanto, como gerir tudo isto? E então Marcelo encontrou aqui uma forma interessante que foi olhar para a lista de ex-presidentes da República, tirando Dilma Rousseff, que foi impedida, sofreu o impeachment, e então vai fazer uma reunião com todos.

Uma não, várias.

Não é uma com todos, exatamente. Vai fazer reuniões individuais com todos, porque assim consegue falar com Lula da Silva também, tentando não irritar muito o Bolsonaro, que é o presidente em exercício com quem se reúne hoje. Fala com o Lula da Silva, que poderá ser de facto um candidato e um candidato forte daqui a um ano e pouco. E para disfarçar Lula da Silva no meio disto tudo, fala também com Fernando Henrique Cardoso e Michelle Temer. Michelle Temer é que vem denunciar isto tudo, porque de facto é um político que já está fora do ativo e no fundo foi um presidente acidental, era o vice de Dilma Rousseff e acabou por exercer o cargo depois do impeachment. E depois assim Marcelo consegue, de facto, aqui esta quadratura de círculo. Fala com o atual, com um possível futuro.

Que já foi ex.

Que já foi ex e que é dos mais respeitados, já agora, Fernando Henrique Cardoso, é dos presidentes mais respeitados interna e externamente, teve um contributo muito importante para a consolidação económica do Brasil. E no fundo, eu queria aqui sublinhar só esta habilidade política de Marcelo Rebelo de Sousa, que de vez em quando nos dá muito jeito e neste caso de política externa está a dar muito jeito. Um 14 para o Presidente.

Um 14 para o Presidente da República e a habilidade política nesta viagem oficial ao Brasil. Está feita a primeira ronda da semana. Há mais notas amanhã. Até lá.