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Está no ar a edição desta terça-feira de "E o Vencedor É". Vamos avaliar e pontuar os protagonistas da atualidade. Pode acompanhar também "E o Vencedor É" em vídeo, nas redes sociais do Observador. E temos muitos convidados hoje no Vencedor, Carla Jorge Carvalho, para pontuarmos a atualidade, que anda por muitos assuntos.

Precisamente, e vamos passar por Fernando Alexandre, pelo preço dos combustíveis, pelos ATM. Mas Helena Matos, vamos começar por ti, porque queres dar nota ao presidente da República. Helena? Helena Matos.

Bom dia.

Bom dia.

Não é tanto uma questão de nota, é mais uma questão de dúvida. Sabes, quando se corrigiam testes, e eu quero lembrar que os testes que se corrigiam na outra versão também tinham os seus grandes problemas.

Também suscitavam dúvidas.

Muitas vezes o sistema era substancialmente mais opaco e menos controlado, sobretudo, e já lá irei à questão de António José Seguro, eu fico absolutamente pasmada com as pessoas que tanto se surpreenderam com o fato dos testes originais, a versão papel, estarem num armazém, assim numas caixas. Parece que estavam com uma falta de dignidade e nunca se interrogaram onde é que os testes estavam antes, porque estavam na casa dos professores, porque os professores levavam os testes pra casa, imaginando nós que os professores todos tinham ali uma divisão unicamente afetada àquela função, segura, e havia ainda o transporte, não sei se estão a ver. Portanto, às vezes convém também termos um bocadinho de noção. Mas voltando aqui para esta questão, era uma polêmica na qual, francamente, não esperava ver António José Seguro deixar-se envolver. Isto por quê? Porque nós temos aqui algumas representantes destas associações de vítimas, sobretudo estamos a falar da Associação Coração Silenciado, que reúne vítimas de abuso sexual na Igreja Católica, e eles teriam solicitado já há algum tempo uma reunião com António José Seguro, só que o presidente da República realmente aceita a reunião, mas não com o presidente da República, mas sim com duas assessoras. Ora, é claro que nós sabemos que o presidente da República não tem qualquer poder nesta matéria, mas tudo isto também é muito simbólico. E perante uma associação de vítimas, sobretudo desta natureza, com a sensibilidade que tudo isto tem, a presença do presidente da República nesse encontro não era para resolver, obviamente, os problemas, isso existe em outras instâncias, mas mais para dar um sinal de solidariedade, de compreensão, e era uma presença simbólica, isto sem desmerecer no papel das assessoras, que até provavelmente do ponto de vista técnico, estarão mais informadas que o presidente sobre as questões legais, judiciais, associadas a estes casos e às vítimas, mas a verdade é que as pessoas queriam o presidente da República. Não foi isso que aconteceu. A Casa Civil acabou por responder à associação, a dizer que a audiência solicitada não poderá ser concedida neste momento, estou a citar um artigo que está no Observador. A associação Coração Silenciado fala de problemas com telefonemas, tudo isso. Independentemente de tudo, não esperava ver de uma Casa Civil, de um presidente que teve tanto cuidado a montar toda a sua rede de assessores, a rodear-se das melhores pessoas. Também não sei se este desacerto veio dessas pessoas que estão à volta do presidente, se dele mesmo, mas há aqui uma falta de atenção. Não estou a dizer que não pode ter havido erros na marcação de reunião, mas há assuntos que convém gerir com grande sensibilidade, por assim dizer. Portanto, eu ainda estou à espera. Olha, estou como aqueles alunos que estavam à espera da outra folha, que dizem que lhe falta uma folha, que o exame não tem a folha.

A ti também te falta uma folha.

A mim falta-me uma folha, presidente António José Seguro, que há aqui uma desatenção, parece que falta a continuação da resposta. Portanto, eu estou assim, não dou nota porque estou à espera da outra folha, que espero tenha o esclarecimento para esta questão, que não digo ser muito grave, mas que há aqui qualquer coisa que eu gostava que tivesse corrido de outro modo.

É uma mensagem que fica ao presidente da República, que estará nesta altura a viajar para Cabo Verde, três dias de visita de Estado.

Exatamente.

José Manuel, ficaste esclarecido sobre a razão para o preço dos combustíveis ser o que é, depois de concluído o relatório da ERSE?

Bem, vamos lá ver. Fiquei em parte esclarecido, mas aquilo tem uma coisa que é importante e outra coisa que tem sempre um lado problemático. Vamos lá ver. O relatório da ERSE esclarece por que os combustíveis não reagem exatamente ao preço dos produtos petrolíferos, ao chamado preço do Brent, e também esclarece por que aquilo que foi manchete num jornal esta semana, que os preços nas bombas estavam acima dos preços de referência, é capaz de não ser exatamente assim. E eu passo a explicar. Portanto, primeiro, e aliás, nós falámos sobre isto aqui há pouco tempo num encontro recorrente, o preço determinante para a formação do preço na bomba é o preço à saída da destilação. E a destilação, até por razões que têm a ver com o abastecimento, com as cadeias de abastecimento, com a própria estrutura da indústria, digamos, das refinarias, o preço

Da destilação, dos produtos destilados, está a subir mais do que o preço do Brent. Nós temos a ideia de que aquilo que é determinado pelo Estreito de Hormuz está determinado. Há outras coisas além disso e, em parte, isso acontece também pelo mix de combustíveis. O petróleo não é todo igual, não vou agora entrar em detalhes, mas basicamente isto está assim dito e pode causar problemas, designadamente à forma como são formados os preços em termos legais em Portugal, mas é a lei que temos. Por outro lado, há o problema do preço de referência, que é um cálculo que faz a ERSE, e faz muito bem, para dizer o que os consumidores devem esperar e porque é que os consumidores, de repente, chegam às bombas e está lá afixado um preço superior. Esse é um dos temas. Aquilo que a ERSE vem dizer é: há um preço que está afixado, porque a lei obriga a que esteja afixado, porque os próprios operadores afixam para eventualmente concorrerem com o operador ao lado, quer dizer, perto, mas há aqui um tema que não está afixado e que hoje em dia é uma prática generalizada, é que as pessoas vão à bomba e têm descontos. Têm descontos em cartões, cartão da fidelidade, aqueles cartões cruzados, uma pessoa compra no supermercado e depois tem na bomba, cartões também de fidelidade se for membro de alguns clubes, Optova Clube, por exemplo. E por isso, o preço real que o consumidor paga não é o preço que está afixado naqueles placares à entrada da bomba, é um preço diferente. E quando a ERSE vai e compara o preço realmente praticado, porque os operadores são obrigados a fornecer as vendas, a Direção-Geral de Energia compila aquilo tudo, faz umas médias e o preço real praticado, em média, é diferente do preço afixado e substancialmente mais baixo e, por regra, até abaixo do preço de referência. O que nos leva para um tema que eu acho que é um tema que nós estamos sempre aqui a discutir, que é a literacia financeira. Nós esta semana tivemos uma polémica sobre se as pessoas deviam pagar mais IRS descontado nos seus salários para depois receber um bolo um ano depois, ou se, pelo contrário, era bom que as contas estivessem mais ou menos certas, com pessoas a dizer que deviam descontar mais, porque a seguir aquilo é mais uma espécie de novo subsídio de férias, o que eu acho absolutamente extraordinário e um sinal de apostar na literacia financeira dos cidadãos. Este é um caso parecido. Só que, neste caso, é mais difícil de calcular. Evidentemente que eu sei e percebo-me disso. Eu neste momento não conduzo um carro com combustíveis, conduzo um carro elétrico, então não vou à bomba. Mas sei que quem vai à bomba anda sempre a ver qual é o cartão que dá mais desconto, qual é o dia que está com promoções e essas coisas todas. Agora, os mecanismos de transparência de preços que nós temos são mais complicados e não favorecem muito o tema da literacia financeira, por assim dizer. Apesar de tudo, e não sabendo como é que isto se resolve, porque não é um tema fácil, não vou acabar com os descontos, eu não vou obrigar a estar naqueles placares à entrada o preço com desconto, porque o preço varia conforme o cartão. Apesar de tudo, dou à ERSE, que nos veio dar este esclarecimento, que é um esclarecimento que ajuda a perceber o que se está a passar, vou dar um 12. Isto é um bocado complicado, não é para mais, as pessoas todas são capazes de não perceber, mas acho que ficamos mais esclarecidos sobre o que se está a passar e um pouco desmontada a ideia que são todos uns bandidos que nos andam a assaltar à beira da estrada. É evidente que também há ganhos com isto. E há uma coisa que as pessoas se esquecem: se eu estou a dar desconto, não estou a receber o dinheiro. E se não estou a receber o dinheiro, a margem final paga pelo combustível, desce. Se eu tenho, de repente, metade das pessoas ou dois terços das pessoas a usarem desconto, o preço que está inicial tem que ser mais alto. Isto não há milagres. As pessoas acham que tudo é milagroso. Não é. O preço está lá, tem que se pagar o investimento, tem que se pagar os funcionários, tem que se pagar essas coisas todas. Não é uma coisa que desapareça só porque há um desconto.

Não é por magia que os preços descem, não é?

Exatamente.

O relatório ajuda, pelo menos, a explicar isso. Daí o 12 do José Manuel Fernandes. Queremos saber, Bruno, contigo, o que é que valem os dados que ficamos a conhecer ontem sobre a cobertura dos ATM, das caixas de multibanco, a cobertura no país.

É um estudo do Banco de Portugal. Eu vejo mais como um sintoma do que propriamente como uma causa dos problemas. É um sintoma da desertificação de uma parte do país, dos desequilíbrios, das assimetrias entre o litoral e o interior. Há aqui várias formas de olhar para estes números e mesmo as conclusões deste estudo do Banco de Portugal apontam para uma leitura que é ambígua ou pelo menos tenta aqui encontrar pontos positivos, por exemplo, em comparação com outros países da União Europeia, o estudo diz que Portugal até será dos mais bem servidos de pontos de acesso a numerário e um dos países onde a perceção de dificuldade em chegar a um ATM é mais baixa. Mas na verdade, o que vemos é que há 570 mil portugueses que vivem a mais de 5 km de um multibanco, o que representa 5% da população. É muita gente. E estamos a falar de zonas rurais, zonas do interior, em que a população também é uma população envelhecida. Mas por que eu digo que isto é mais um sintoma do que uma causa? Porque não é a falta destes serviços que está na origem da desertificação, é o contrário. Há desertificação, depois há menos serviços e isto é apenas um sintoma entre muitos outros, entre vários serviços, que nem será este o mais grave, a falta deste serviço não será a mais grave, obviamente, que complica a vida. Quando estamos aqui a falar em 5 km, parece muito pouco.

De carro pode ser.

De carro pode ser, de pessoas que provavelmente nem têm outros meios de transporte para se deslocar, porque aqui estamos a falar de 5 km com a existência de vias rodoviárias. Mas não estamos a falar de de Lisboa ou dos grandes centros urbanos. Estamos a falar de zonas em que o acesso é mais complicado e estamos a falar de uma população envelhecida que tem mais dificuldade, naturalmente, em ter esse acesso. Mas eu vejo isto como um sintoma desse problema grave da desertificação, que está expresso noutro número que também é divulgado por este estudo do Banco de Portugal e que se calhar até tem um impacto maior do que esta ideia dos 5% da população que vive a mais de 5 km de um multibanco. 40% das freguesias não têm um multibanco, não têm um ponto de acesso a dinheiro físico, seja uma agência bancária, seja um multibanco. 40% é quase metade do total de freguesias, o que nos faz pensar muito sobre a nossa organização, a organização do território e a organização política e administrativa do território. Em 3092 freguesias, são 1241 freguesias que não têm este tipo de serviço. Há aqui qualquer coisa, quanto a mim, de profundamente errado na gestão que nós fazemos do território e na gestão também da nossa política, da gestão administrativa do território. Poderíamos também pensar aqui num outro aspeto, é que nós temos um banco público, que é a Caixa Geral de Depósitos. Eu sei que está no mercado concorrencial, que não é diretamente gerido pelo Estado, que tem a sua autonomia, mas em alguns casos, não digo que é pôr um multibanco à porta de cada um dos portugueses, se não haveria uma obrigação do próprio banco público de prestar este tipo de serviços, ou então de pensarmos se não temos mesmo freguesias a mais, uma organização que é pouco inteligente e é pouco eficaz também.

O território não encolhe nesse sentido. Ou há uma caixa multibanco ou não há.

Ou não há para as pessoas. E a dispersão Qualquer que seja a divisão administrativa A divisão administrativa, a distância continuará a ser a mesma. E isso põe-nos a questão da própria distribuição da população no território, que aliás, é um problema que nós depois discutimos sempre que há fogos, temos os incêndios rurais, é uma outra questão a ser levantada. Quanto a mim, este problema que é identificado por este estudo, e para mim é um problema, é mais, de facto, um sintoma de um problema mais grave, estrutural do país, que é a desertificação do interior e as assimetrias entre o litoral e interior.

É à doença que vais dar uma nota.

À doença vou dar um cinco.

Um cinco para a desertificação do interior. Luís Rosa, não foge à questão dos exames nacionais, à polêmica que está instalada. A tua nota vai para Fernando Alexandre. A nota sobe depois da conferência de imprensa de ontem?

Sim, pode dizer precisamente. Eu acho que a única coisa positiva desta conferência de imprensa foi o facto de Fernando Alexandre explicar o que correu mal, explicou com algum grau de pormenor e assumiu assim de forma transparente os erros da sua decisão política. Portanto, o erro na exportação dos ficheiros que gerou portas incorretas, a consulta dos PDFs que revelou novas desconformidades. Portanto, foram erros que o ministro assumiu de forma transparente. Isso é positivo. Agora, a seguir, digamos que veio uma nova confusão. Anunciou uma solução para atenuar o que está a acontecer, os erros todos que aconteceram nesta fase. Portanto, anunciou uma época especial de exames nacionais. Isso foi a resposta para responder às desigualdades criadas pelo facto de alguns alunos estarem a par das suas notas e outros ainda não as saberem, quando o prazo para a segunda fase terminou ontem. E depois também esta época especial também vai abranger os alunos que viram as suas classificações alteradas devido a desconformidades de digitalização. Sabemos que a terceira época está marcada para setembro, mas depois começam os problemas. Portanto, essa época está marcada para setembro, mas ainda com o calendário por finalizar. Não se sabe quando é que começa. O modo de funcionamento também não é claro. Se um aluno pode, por exemplo, participar cumulativamente na segunda fase, que arranca esta terça-feira, e também na época especial, não se sabe, o ministro não soube responder. Simplesmente disse que os termos dessa época especial serão do Júri Nacional de Exames e do Educa. Depois, há ainda notas a ser atualizadas. Não sabemos o número certo, mas algumas dezenas ou centenas. Também surgiram problemas de correção com outras provas, da Geografia A e Física e Química A. Portanto, os problemas persistem. É verdade que problemas de correção já aconteceram noutros anos, mas este ano agrava ainda a situação de confusão total que existe. E depois, Fernando Alexandre decidiu finalmente anunciar que a primeira fase do concurso nacional do acesso ao ensino superior mantém-se, mas a segunda fase desse concurso, que estava prevista para 24 de agosto a 2 de setembro, vai ser alterada por uma data que também ainda não é conhecida. Sabe-se apenas que é início de setembro, mas não é claro qual é a data, não é conhecida. Essa fase deveria decorrer entre 24 de agosto a 2 de setembro, mas vai ser adiada para algo entre o início de setembro e meados do mesmo mês. Portanto, resumindo e concluindo, é verdade que as coisas estão melhores do que na última sexta-feira, também seria difícil não estarem. As portas foram sendo publicadas ao longo do fim de semana, as portas dos exames nacionais, mas persistem os problemas e alguma confusão, porque nem sequer sabemos como é que vai funcionar esta época especial. Ou seja, continua a não existir previsibilidade e a confiança neste sistema de avaliação ainda não foi totalmente reposta. Portanto, digamos que o balanço não pode ser positivo.

Então qual é, Luís? De zero a 20.

Vou continuar na negativa, mas vou subir um bocadinho a negativa que tinha dado das últimas vezes. Vou dar um oito, mas de facto espero que o Fernando Alexandre melhore claramente e as informações que ainda faltam saber sejam conhecidas rapidamente, para que realmente a previsibilidade pelo menos seja reposta.

Que os alunos e as famílias e toda a comunidade escolar precisa. Ora, recordamos que daqui a cerca de uma hora Fernando Alexandre está de regresso ao Parlamento. Pode ser que nos ajude a explicar algumas dessas dúvidas que ainda se mantêm. Quanto ao Ivan Souaré, regressa mais logo no "Tarde Política".