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Este é um dos momentos mais esperados do dia: e o vencedor é, na Rádio Observador, na sua versão vespertina, na sua edição da tarde, com Judite França e hoje também com a Filomena Martins e o Alexandre Borges. Já vamos falar da nova desistência na defesa de José Sócrates e também da primeira reunião entre Luís Montenegro e António José Seguro. E ainda vamos falar de €11.000 que o governo investiu em cabelo e maquiagem.
Investiu. Gosto da expressão investiu.
Não é?
Porque gera frutos depois. É isso?
Eu acho que sim. Podemos discutir isto. E já que estamos a falar de discutir, vamos começar pelo bate-boca entre a presidente da Câmara de Coimbra e o ministro da Agricultura esta tarde. Já ouvimos aqui ao longo da tarde excertos de um bate-boca de quatro minutos. Foi puxadote, Judite.
Foi puxadote. E é uma boa forma de apelidar este bate-boca. Puxadote. Esse surgiu até para título.
Foi puxadote.
Foi puxadote. E foi escusado também. Claramente foi escusado.
E eles são amigos. Imaginem se não fossem.
Pois, não quero imaginar. Tinha sido então impróprio para passar na televisão. Para quem não viu ainda, porque isto é relativamente recente, quem não viu vai ver abundantemente nas televisões e nas redes sociais. Mas só para perceber o enquadramento, é que a Ana Brilhosa, que é presidente da Câmara de Coimbra, basicamente descompôs o ministro da Agricultura ao vivo e a cores. Um enquadramento rápido. O ministro foi a Coimbra visitar nomeadamente as obras do troço da A1, mas também os territórios em volta, nomeadamente pelas questões da agricultura. Estamos a falar do ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes. E o que se vê é que José Manuel Fernandes estava a preparar-se para responder, já tinha respondido a uma pergunta dos jornalistas, que normalmente ficam à volta do ministro ou do autarca e fazem algumas perguntas exatamente sobre aquilo que ele lá foi fazer. Eis que senão quando, surge Ana Brilhosa em plano e interrompe as declarações e começa a dizer ao ministro da Agricultura que ele não devia falar aos jornalistas antes de falar aos autarcas, que, aliás, estavam à espera dele. E começou a disparar frases como: "Se veio cá fazer conferências de imprensa, acho que nos tem que ouvir." É uma discussão muito acesa. Discussão não é bem, porque praticamente José Manuel Fernandes não diz muito.
Fica um bocado surpreendido.
Fica bastante surpreendido. E acaba até por pedir desculpa.
E dizer: "Ela tem razão."
Dizer: "Ela tem razão", que também é uma coisa bonita.
Eles são amigos.
São amigos. Basicamente, Ana Brilhosa não larga e vai dando um sermão, um raspanete.
É uma descompostura.
Uma descompostura. Vai continuamente, enquanto vão andando no meio das obras e ouve-se o barulho da retroescavadora.
Do martelo pneumático.
E depois, a altura já estamos na fase do: "Quer é aparecer na televisão." Frases ótimas. Eu percebo que a Ana Brilhosa, como muitos autarcas, se sentem melindrados com o comportamento dos ministros que vão aos sítios, falam com a comunicação social, muitas vezes não falam com o autarca que está ali ao lado. Eu percebo, mas isto não se resolve em público, como é evidente, nem desta forma. E, portanto, isto era tudo absolutamente escusado. Acho que no final já fizeram as pazes. Mas isso não é o que vai passar, o que vai passar é isto que acabamos de descrever. E de facto é uma crítica muito pesada e acho que apesar do ministro ter feito mal, isto devia ter parado um bocado antes.
Filomena Martins, achas que Ana Brilhosa se atirou a José Manuel Fernandes, o ministro, como gato a bofe?
Ana Brilhosa é tesa. Disse o Marcelo Rebelo de Sousa.
Eu só queria mesmo usar esta expressão, como gato a bofe.
Não, a Ana Brilhosa é tesa. Foi o próprio Marcelo que o disse várias vezes e sentiu-se melindrada, dizendo até algumas coisas que não são verdade, que José Manuel Fernandes nunca tinha ido àquela zona e ele foi várias vezes, ele é da Agricultura e Pescas e tem andado a ver os estragos que foram feitos, quer na agricultura, quer nas pescas, com a passagem de tanta tempestade.
Mas não tinha ido a Coimbra falar com ela.
Não tinha ido a Coimbra falar com ela.
E percebeu que ela se sentiu.
Ela sentiu-se absolutamente melindrada com o facto de ele chegar lá, responder aos jornalistas que estavam do lado e não se virar de costas e perceber que estava ali não um autarca, mas vários. Estava o de Montemor-o-Velho, pelo menos que eu tenha reparado.
Também, que esteve em direto aqui há pouco.
E havia mais um ou outro que eu nem descurtei quem era.
Era o de Soure, também.
Pronto. E ela ficou completamente melindrada que ele respondesse a uma pergunta completamente sem nenhuma força, porque era uma pergunta do que é que veio aqui fazer. Ele ia dizer qualquer coisa como vim ver os estragos e perceber o que é preciso fazer. E ela ficou absolutamente melindrada e foi ao ataque completo. Acho que o ataque dela foi completamente desmesurado, apesar de eu perceber.
E achas que pode ter sido esse ataque, não diria motivado, mas pelo menos sentiu-se mais respaldada com Os bons comentários que tem recebido até aqui. Acho que isso pode ter ajudado.
Eu acho que sim. Ela, neste momento, sente-se empoderada. Agora está na moda esta palavra.
Eu queria muito evitar essa palavra.
Mas está muito bem aplicada aqui.
Tu és um cultor do português antigo e por isso recuperaste o gata bofe.
Sabes que eu sou um kairosiano, um clássico.
Exatamente. No mínimo, é verdade. E é importante que alguém faça esse trabalho.
Kairosiana, contigo sou. Mas ela sente-se empoderada com todos estes elogios. Ela de facto esteve muito bem na gestão da crise, passou ali muito tempo sem dormir e a tentar resolver o problema do Mondego, que ninguém resolve, e sentiu-se empoderada com isso e sente-se muito elogiada. Estas presenças todas, até no Ricardo Araújo Pereira ela apareceu, e hoje sentiu-se diminuída por alguma razão e ao ver que estava a ser diminuída, passou-se. É uma boa palavra que não é kairosiana, mas é do dia a dia.
Alexandre.
Olá. Eu junto-me naturalmente à Judite e à Filomena. Parece-me que foi tudo bastante escusado e é tudo resultado, acho eu, ou sintoma deste grande reality show em que vivemos ou deste contínuo direto em que vivemos, também ou particularmente nas redes sociais.
Estavam ali câmaras, muitos microfones.
Sem dúvida.
Ninguém desconfiava que estava a ser gravado.
Certo. É isso. Acho que estava toda a gente muito consciente, até porque ninguém ali é inexperiente.
E as câmaras estavam apontadas. Não havia só telemóveis, havia mesmo câmaras.
É óbvio que aquilo não tinha acontecido se não estivessem lá câmaras.
Pois, sim, o problema inicial não teria sucedido.
Nunca teria acontecido. Aliás, porque aparentemente até a indignação da Ana Abrunhosa é com o facto de o ministro querer aparecer. "Querem é aparecer na televisão", disse ela.
Antes de falar com eles.
Exatamente. Mas como se repetiu e andou ali muitos minutos a dizer coisas, depois dizer: "Em Coimbra não vão estar a fazer isto, não falou com Coimbra." Era assim uma coisa já de o povo, the people versus José Manuel Fernandes ou contra o poder central.
O ministro.
Exatamente. E de repente é esse acelerar das coisas nesse direto, contínuo. A Ana Abrunhosa efetivamente foi muito elogiada, e bem, nos últimos dias. Foi mais falada nos últimos dias do que durante os cinco anos em que foi ministra, arriscaria dizer. Foi ministra cinco anos, vale a pena lembrar, e era uma figura bastante discreta desses executivos. E tem, naturalmente, a experiência política que lhe advém desses anos e de antes ter sido outros cinco anos presidente da CCDR de Coimbra. Antes disso tinha sido vice-presidente. Então é uma pessoa experientíssima e também daí lhe vem o conhecimento dos dossiers e também lhe vem responsabilidades sobre o que está bem e está mal nessa região do país. Não caiu lá agora. Agora, há uma coisa que vale a pena lembrar, isto é, há o cansaço e pode haver um motivo para irritação, mas parece tudo bastante desmesurado, mas uma coisa que vale a pena lembrar: ainda há dias, a Ana Abrunhosa era a autarca que dizia: "Nós não precisamos de cá dos ministros todos os dias. Os ministros têm sítios onde estar. Coimbra não precisa de colinho." Foi ela que fez estas declarações, mais palavra menos palavra, por esta ordem ou por outra ligeiramente diferente há dias. Portanto, também não se percebe assim tanta indignação. De repente, já parece que está aqui num púlpito contínuo em que diz coisas. Acho que tem a ver com o cansaço, tem a ver com esta tensão, parece-me tudo um bocadinho fora de órbita, já há de estar tudo bem, mas nas emorredeiras palavras da outra Abrunhosa, é preciso ter calma.
E há notas?
Eu dou a nota ao espetáculo, que foi mauzinho. Cinco para o espetáculo.
Cinco. Judite?
Eu acompanho esse cinco a esta ópera.
Filomena.
Já sabes que desço. Eu estou aqui para dar notas baixas.
Quatro, logo, direto.
Não, eu desço para dois, qual quatro?
Dois?
Brincas. Eu brincas.
Claro. Mas aquilo é, estás a falar disto, isto é simpático, não vejo isto.
Pronto. Pelo menos nota artística, foi um bom momento.
Não, acho que não foi.
Não?
Não.
Não paras para olhar para discussões?
Não.
Não?
Não.
Nem o trânsito, também não olhas para os acidentes?
Não, jamais.
E Filomena, à terceira, não foi desta. O José Sócrates acabou por perder mais uma advogada hoje.
Pois é. Não era nada que não se previsse, mas é mais uma e perante isto eu acho que há processos que se discutem nos autos e que a Operação Marquês começa a discutir no calendário. E no centro desse calendário, desse relógio, está de facto José Sócrates, porque hoje o processo voltou a ser suspenso, nova advogada, nova renúncia. A juíza Susana Seca fala em sucessivas interrupções e acontecem desde novembro. Ela fixou uma regra: quem aceita o mandato a meio tem 10 dias para estudar os autos e não cinco meses ou mais, como todos pedem. Portanto, são 10 dias. E perante isso, a defesa responde que é humanamente impossível ler aquelas centenas de milhares de páginas, dezenas de sessões gravadas, pensos bancários, etc. E a própria juíza já pediu mesmo à Ordem dos Advogados para nomear com urgência um defensor pelo tempo necessário. E este, de alguma forma, é o mote para este corrupio de advogados a que temos assistido. São oito desde que isto tudo começou há quase 13 anos.
Sim, exato.
O que parece uma eternidade. Eu posso levantar?
Isto soa a tática
Deixa só lembrar, desde os primórdios. Nós tivemos João Araújo, para quem se lembra, já faleceu, de 2014 a 2019, e ele marcou uma primeira fase, que era aquele confronto frontal com as nulidades, os recursos e aquela famosa tese da perseguição política, e fixou um bocadinho o tom, transformou o processo também num palco mediático. Depois veio Pedro Delile, de 2019 a 2025, que assumiu aquela engenharia toda processual, com os recursos, a decisão instrutória, o arranque do julgamento, e renunciou com críticas às condições do tribunal, que abriu este novo vazio. Depois tivemos José Preto, agora em 2025, 2026, pediu também os tais meses para estudar o processo e depois saiu por razões pessoais e de saúde. Foi mais uma pausa, mais calendário. E agora, Sara Leitão Moreira, já este ano, que insistiu também em pedir os cinco meses, com o dizer que o prazo perfeito seria até de um ano, e o tribunal manteve os 10 dias e ela renunciou a dizer que não era figurante: "Não sou figurante." Sempre que a defesa caiu, o tribunal chamou advogados oficiosos: José Manuel Ramos, Inês Louro, Ana Velho e agora Carolina Nunes. São soluções institucionais para impedir que o julgamento colapse, mas não evitar as novas suspensões. Eu acho que ninguém discute o direito à defesa. O que discuto é esta utilização sistemática dessas garantias até o limite da ruptura do próprio julgamento, que é o que eu acho que está aqui em causa. E o padrão repete-se, e repete-se com precisão cirúrgica, que é a renúncia, pedido de prazo, incidente processual, ameaça de nulidade e, entretanto, o relógio avança. Tic tac, tic tac, tic tac.
Parece que foi descoberta aqui uma forma muito eficaz de atrasar as coisas.
É, porque alguns crimes mais antigos aproximam-se de prescrição, cada adiamento desses não é neutro, é o tempo que se vai, vai-se esvaindo, e depois de anos de recursos, praticamente todos chumbados, incluindo aquele do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, sobra a sensação de que a estratégia mudou, que é menos confronto sobre a prova, mais aposta na erosão do tempo. E com estes recursos e incidentes processuais, as nulidades para travar os processos foram bloqueadas. Isso foi tudo bloqueado com aquela aplicação do artigo 670, que não suspende o andamento dos trabalhos, mas corta as manobras dilatórias, arranjou-se outra forma para atrasar isto tudo. E como, entretanto, em paralelo, também apareceu o outro processo que nós noticiamos, isso fez com que a pergunta já não fosse apenas jurídica. É política e é moral. O sistema estará a perder direitos ou está a assistir impotente a esta utilização, que eu acho que é calculada, das garantias de defesa para deixar que o calendário faça o trabalho que a defesa não consegue ganhar no mérito.
Já vamos à tua nota. Queria ouvir o Alexandre e o Judite também. Alexandre?
Sim, brevemente. Além de serem muitos advogados, vem toda a gente com o mesmo comportamento, isto é, parece vir toda a gente da mesma escola. Aparentemente, toda a gente tem uma ligação qualquer a Pedro Delile, que vale a pena dizer já no início, embora fosse o João Araújo, não é que aparecesse, eles já trabalhavam juntos.
Sim, já trabalhavam juntos.
É a dupla.
E Pedro Delile continua a representar Sócrates nos processos internacionais e aparentemente estes advogados que têm vindo também vêm com uma sugestão ou com uma ligação qualquer também a Pedro Delile e vêm todos, de facto, com o mesmo perfil, que é o perfil de Sócrates. Ninguém vem aqui tentar dialogar com o tribunal noutros termos, vem toda a gente disponível pra fazer um número de insultos pra degradar mais um bocadinho o processo. Esta advogada, que não chegou propriamente a começar, tem tempo de chamar a juíza de displicente, dizer que 10 dias são uma esmola e dizer esta coisa do "que eu sou advogada, não sou figurante." Ela devia ter pensado nisso quando foi contactada e aceitou, porque me parece bastante razoável pra toda a gente que já se saiba a esta altura que quem aceitar este processo vai ter 10 dias pra consultar o processo, não vai ter mais. E ninguém tem que chegar ao tribunal a uma sessão e conhecer o processo inteiro, porque não há sessões todos os dias, a toda hora. A senhora tem que se preparar pra sessão daquele dia, pras testemunhas que vai ouvir ou que vai inquirir. Tem que se preparar pra isto, não precisa de saber tudo. Acho graça como é que se consegue chegar ao detalhe. Ela pediu lá está há cinco meses, por coincidência, tal como José Preto já tinha pedido cinco meses, mas disse isso, não é? Disse: "O prazo perfeito seria um ano e dois meses." Eu não sei exatamente de que forma é que é definido este cálculo tão minucioso.
Perguntou ao ChatGPT.
Deve ter sido isso, porque ela se deu ao trabalho de elencar tudo, dizer que é impossível fazer isto sem ouvir as 89 sessões, ler as 300 mil folhas, os 200 volumes de autos, etc., que eu me poupo ao detalhe. Portanto, o José Sócrates poderá até nunca vir a ser condenado por nada, tudo isto poderá vir a ser arquivado, mas vai sempre sair, ponto um, com esta história, com esta imagem ter sido a pessoa que fez isto. E ponto dois, de facto, vai sair sem dinheiro, porque eu não sei de quem é o dinheiro, não sei se é do trabalho dele, se é da mãe, se é de Carlos Santos Silva, não sei do que é ou se é, de facto, de algum agente corruptor, mas esse dinheiro vai ser todo gasto, aparentemente, em advogados até ao fim e pronto, ao menos por aí dinamiza um setor da economia.
Judite de França?
Eu não tenho muito mais a acrescentar, a não ser que eu acho que era bom não esquecer que Pedro Delile tinha obrigação legal de deixar o caso com informação passada ao seu sucessor, portanto, devia ter passado a informação a José Preto, e José Preto devia ter passado a informação a Sandra Leitão Moreira, é assim que funciona. É evidente que um advogado a zeros não consegue com 10 dias, nem o facto de poder estudar para aquele dia inquirir uma testemunha. Isso não vai ser possível. E isso leva-me a uma questão: há algum advogado que aceite, nestas condições, ser advogado de José Sócrates? Tenho dúvidas. E, portanto, se não encontrar, está sujeito a advogados oficiosos, parece-me.
Filomena, vamos à tua nota sobre esta matéria?
Tão fácil é esta. Bolinha redondinha.
1 x 0. Fica dado. Alexandre, queres falar também sobre os quatro anos da guerra na Ucrânia, que hoje se assinalam desde o início?
Que hoje se assinalam, tal e qual. Sim, são quatro anos de uma tragédia que dispensa palavras, mas aqui queria olhar, sobretudo, para o comportamento da Europa nisto, que é, lamentavelmente, apesar de ser o bloco que resta, aparentemente, a defender os valores que nos habituamos a defender e que continuamos a considerar corretos, é incapaz de dar um passo decisivo sobre o que quer que seja. Quatro anos, vamos ver. A Primeira Guerra Mundial durou quatro anos. Deu para tudo. Esses quatro anos deu para matar o arquiduque, toda a gente se zangar, toda a gente decidir entrar, uns renderem-se até ao último e isto redesenhar o mapa do mundo. Em quatro anos, que já tinham um antecedente de oito, desde que a Rússia tinha invadido a Crimeia. A União Europeia permanece não só incapaz de definir verdadeiramente um plano de defesa conjunto, que nós saibamos exatamente qual é, quer dizer, está mais impulsionada pela meta dos 5% de exigência de contribuição dos PIBs para a NATO do que outra coisa, e depois com planos individuais de cada país, nomeadamente a Polónia, por estar ali tão perto, que define o seu rearmamento, etc, do que por um plano verdadeiramente coletivo. Chega a este dia em que deveria ter ido, em que o António Costa e a Ursula von der Leyen foram a Kiev, a ideia era terem levado aprovado o empréstimo dos 90 mil milhões de euros para defesa e recuperação da economia ucraniana e o 20º pacote de sanções à Rússia. Só estamos a falar disto e nem isso conseguiram. Não levam nem um, nem outro aprovado. Lá está, ainda estamos no 20º pacote de sanções, que é aquela coisa que nos leva sempre a considerar para que serviram todas as anteriores, se era preciso chegar até este número. Não redesenharam os tratados. Se percebe que sempre que a Hungria quiser ou a Eslováquia quiser, ou algum aliado de Putin quiser, bloqueia este tipo de movimentos. Portanto, continuamos na mesma, não há o menor esboço de um novo tratado. E temos até na ponta oposta da Europa, um país chamado Portugal, que ainda importa gás russo. Ao fim destes anos, ainda estamos a importar russo, porque ainda estamos a respeitar um contrato que lá está e que ainda são 5% do gás que nós recebemos, mas há quatro anos eram 15. Portanto, o que nós conseguimos em quatro anos foi reduzir a nossa dependência em relação ao gás russo em 10%. É tristíssimo isto que nos traz até aqui e continua a deixar-nos sem perceber muito bem o que é que vai acontecer ou o que é que aconteceria se num triste dia nos víssemos verdadeiramente na contingência de nos termos de defender militarmente.
E queres dar alguma nota?
Sim, é difícil sequer saber que nota dar, mas eu vou sempre pelos simbolismos da coisa. Acho que são quatro anos de guerra, é quatro para esta incapacidade europeia de decidir.
Vamos aproveitar também os quatro minutos que nos restam para falar de mises.
Para quem não sabe o que é uma mise.
O que é uma mise?
Judite, explica.
Não tem nada que explicar. Geralmente as mulheres diziam que iam fazer uma mise porque iam lavar o cabelo e pentear, e normalmente era penteado profissionalmente.
E o Estado, e o governo investiu 11 mil € em cabeleireiros e maquiagem e o Alexandre Borges quer falar sobre isso.
É muito difícil manter a dignidade sobre o que eu acabei de dizer com estas transições, mas eu vou tentar. Sim, era notícia ontem no Correio da Manhã que o governo gastou 11 mil, ou fez um contrato de 11 mil, investiu, nas palavras do Ricardo Ibrahim, 11.502.
Eu, por cortar o cabelo, estou a investir.
Estás a investir no teu bem-estar.
Eu concordo contigo. Onze mil e quinhentos e dois euros neste contrato. Por exemplo, quando a notícia saiu na SIC já eram quase 12 mil €. Adoro estes ligeiros inflacionares. Esta notícia, isto tem a ver com um contrato assinado pela Secretaria-Geral do Governo, a secretaria que reuniu oito secretarias-gerais anteriores, dias depois de termos sabido da história do contrato da Sport TV, e são para 50 sessões ao longo de um ano, antes das conferências de imprensa dos governantes. A conta diz que cada uma destas sessões sai 230 €, pode ser de um a quatro governantes a serem maquilhados, desmaquilhados, até lá o tempo que for preciso, pode incluir o cabelo, no caso das senhoras governantes. Isto é muito, é pouco? Eu não sei. Eu gostava que se isto fosse notícia, que fosse a dizer: "Olha, isto é muito mais do que se pratica no valor de mercado". Ou o governo antes não tinha isto, não cobrava isto a ninguém, ou estava incluído num bolo qualquer de despesas de representação, alguma coisa qualquer, e agora está à parte. Damos esta notícia, mas fazemos nota no caso do Correio da Manhã, porque foi o órgão, embora o Observador tenha replicado também a notícia, mas é a notícia do Correio da Manhã, dias depois ter dado uma notícia que era a dos 20 mil € de um contrato que afinal já existia antes, nove anos antes. Este tipo de notícia a mim não me choca nada. Ou melhor, o facto por trás da notícia a existir, este, não me choca absolutamente nada. É claro que estas pessoas têm que ter algum cuidado com a sua imagem quando falam à Nação, porque a imagem tem a importância que nós sabemos que tem. A notícia dada como é, é daquelas coisas feitas só para enervar, só para o cidadão comum dizer: "Estão a ver, eles gastam tudo em maquiagem e cabelos." Amanhã vamos saber quanto é que gastam em sabonete líquido. Eu não sei, 5 mil € é muito? 20 mil € é muito? Não faço ideia. Precisava de um comparativo. E precisava de mais algum cuidado quando se acabou de cometer um erro, deliberado ou não, como aquele do contrato da Sport TV. Portanto, este tipo de notícia, para mim, merece bastante pior nota do que o tipo de coisa que aparentemente tenta denunciar.
Portanto, dás uma nota má à...
À notícia.
À notícia. Qual é a nota?
Maquilhada, desmaquilhada.
Queres dar uma nota permanente?
Tinhas de fazer uma piada.
Eu não sei se as pessoas também já sabem o que é uma permanente.
Já não sabem? O que é que se diz hoje em dia? O que é que é uma permanente ou uma mise?
Deve ter nomes estrangeiros.
Deve ter um nome estrangeiro qualquer.
Mise já não era bem português.
Deve ser o curling.
O curling. Isso não é um desporto que está muito em voga agora?
Não, já acabaram os Jogos Olímpicos de Inverno.
Vamos ter de ir embora. Um cinco? Um cinco para a notícia. Não para o cabeleireiro, nem a maquiagem.
Não, isso eu não tenho qualidades para avaliar.
Também não queremos ministros desmazelados na televisão.
Não, senhor, não queremos. Eu acho isto relevante.
Confesso que deviam de aumentar o montante para alguns ministros e ministras, para terem um aconselhador de moda.
Viste? Um polícia da moda também.
Sim.
Faz-se esse reparo no E o Vencedor É. Que amanhã há mais, logo pela fresca, depois das 08h30 da manhã.