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Na Liga dos Campeões Feminina, o Benfica entrou com o pé direito, venceu ontem a Juventus por 2 x 1. A norueguesa Martin Lund esteve em destaque com dois gols. Mas hoje Portugal faz esse último treino antes da recepção amanhã ao País de Gales, jogo que marca o arranque da defesa do título da Liga das Nações e também a estreia do novo selecionador Jorge Jesus. De resto, mais logo, à conferência de imprensa às 15h30 para acompanhar em direto aqui na Rádio Observador, estará Jorge Jesus também com um jogador da seleção. Mariana Fernandes, João Castro e Pedro Henriques para um comentário à atualidade desportiva na edição de hoje de "E o Campeão é". Eu sou o Nelson Ferreira. Boa tarde, Mariana. Até onde pode ir este Benfica nesta Champions Feminina? Entrou bem.
Sim, e já fez o que não conseguiu fazer na temporada passada. Na temporada passada, o Benfica acabou por, eu não diria desiludir, porque acho que o que tinha sido estranho tinha sido o que tinha acontecido nas duas épocas anteriores, ainda com a Filipa Patão, em que o Benfica tinha, de facto, conseguido resultados muito bons na Liga dos Campeões. E eu acho que esse élan, essa esperança, esse objetivo, acabou por ser transportado para a temporada passada e houve então essa desilusão em que em seis jogos da fase de liga, o Benfica não consegue ganhar nenhum, perde quatro, empata dois e acaba por ser logo eliminado. E portanto, havia aqui um pouquinho esse fantasma esta temporada, ou seja, até que ponto o Benfica conseguiria fazer diferente, não necessariamente o apuramento, mas até que ponto é que poderia lutar por esse apuramento e conseguiria alcançar vitórias. E começou da melhor maneira, uma vitória contra a Juventus, que embora não seja a Juventus que temos no futebol masculino, ou seja, é um pouco difícil fazer esse paralelo, mas é uma equipa muito boa, que ainda não tinha perdido esta temporada, que está em primeiro na Série A Feminina, que acabou de ganhar a Taça da Liga, onde joga Tatiana Pinto, internacional portuguesa, também Ana Capeta, que está lesionada. Ou seja, uma equipa que vinha com algumas expectativas e tem alguns objetivos bastante claros nesta Liga dos Campeões. E o Benfica acaba por conseguir um jogo bastante positivo, em que sim, acaba por ter, não diria a sorte, mas o engenho de contar com duas bolas paradas para marcar os dois gols, neste caso, uma grande penalidade na primeira parte e um livre direto da segunda, mas que conseguiu muito bem organizar estrategicamente a abordagem ao jogo. Rapidamente se percebeu que o Benfica ia apostar muito mais na solidez defensiva para depois soltar o contra-ataque. Conseguiu defender-se ao ponto de só sofrer um gol nos descontos e com uma boa exibição da Lena Pauls na baliza, mas uma boa exibição de toda a defesa, ir conseguindo debelar as muitas investidas que a Juventus foi fazendo. Foi muito eficaz, teve duas, três oportunidades e converteu duas vezes e acaba por ter aqui um excelente resultado a abrir a Liga dos Campeões. Consegue desde já ganhar, algo que Ivan Batista nunca tinha conseguido, o treinador do Benfica, mas também conseguir aqui três pontos, que em seis jogos e numa fase de liga mais curta do que a masculina, neste caso, que são oito. Ter três pontos desde já na primeira jornada numa deslocação, ou seja, num jogo fora de casa, é muito positivo para o Benfica.
Tem um caminho também complicado pela frente. Vai receber já no próximo dia 30 o Bayern, depois vai ao Arsenal.
Sim, o Benfica tem aqui jogos complicados, mas eu acho que aqui a grande questão era saber que os jogos em casa seriam sempre, não necessariamente mais fáceis, mas seria sempre mais fácil ou pelo menos mais acessível conquistar aqui um ponto e que os jogos fora de casa seriam sempre muito mais difíceis conquistar pontos. Ganhar em Turim à Juventus coloca aqui o Benfica numa posição um pouco mais avançada para seguir em frente e numa fase de liga, numa Liga dos Campeões reformulada, tal como aconteceu no futebol masculino, eu acho que o Benfica chegar eventualmente a uma fase seguinte, ultrapassar esta fase de liga, era um gigantesco resultado para o futebol feminino português. Mas lá está, faltam cinco jogos, falta muita coisa, o calendário não é fácil e tudo, como sabemos, e já estamos habituados a esta nova Liga dos Campeões, depende muito também do que os outros fazem e do que acontece aos outros. Agora, que é um ótimo resultado, uma ótima exibição do Benfica, que parece muito encaminhado para ser novamente hegemônico a nível nacional, mas que se reforçou este verão para tentar alguma coisa a nível internacional, isso parece-me evidente.
Muito bem. Jogo também com transmissão ontem na RTP2, o que é uma boa notícia para quem acompanha o futebol feminino, ainda por cima este, que é europeu e que tem as cores nacionais. João Castro, muito bem-vindo. Ontem, na edição de "E o Campeão é", olhamos um pouco para as declarações de Frederico Varandas segurando Rui Borges, não se sabe até quando. Queria aproveitar que estás cá conosco hoje para um pequeno comentário também a essas declarações de Frederico Varandas no que toca ao treinador do Sporting e já agora, se gostaste também das contas que foram apresentadas do teu clube.
Olá, boa tarde a todos. Ainda não vi a fundo, não li o relatório, mas tenho que te dizer, obviamente, que sendo quase 35 milhões de lucro, é positivo, é um aumento de 70% face ao ano anterior. É o quarto ano seguido a apresentar contas positivas, o que é excelente. Ainda há muita coisa a ser melhorada. São 300 milhões também de volume de negócio, que me parece ser bastante interessante. E, portanto, é o Sporting num bom caminho em termos de estabilização financeira. Obviamente que isto para os adeptos vale o que vale. De certeza que se perguntasse a um adepto do Sporting, preferia ter break-even e ter sido campeão. E vai muito por aí também, mas às vezes é necessário estes passos para poder reforçar não só infraestruturas e fazer investimentos de forma a dar condições aos adeptos no estádio e a ter condições na academia para que o Sporting fique mais forte. Em relação às declarações do Frederico Varandas, eu tenho uma opinião muito própria. Eu acho que o Frederico Varandas errou nas declarações. Acho que o Frederico Varandas devia ter abordado o assunto ao de leve, somente a dizer que não houve nenhuma reunião para despedir o Rui Borges ou para falar sobre o Rui Borges, que é o treinador do Sporting, e que ali não era sítio para se estar a falar, porque estava na gala da federação, e punha uma pedra sobre o assunto. Não havendo reunião, era treinador do Sporting. Porque isto pode acontecer ao Varandas depois desta defesa inequívoca do Rui Borges, e eu percebo que o faça depois de ter renovado com ele, mas o que pode acontecer é que agora vêm as seleções. Para as seleções, o Sporting vai a Braga, tem um mau resultado
Imagino que o Sporting possa, num cenário catastrófico, perder em Braga e o Porto ganhar, ficar a nove pontos do primeiro lugar. E as coisas ficam muito complicadas, sobretudo pro Sporting. Na primeira volta, vai à Luz e vai ao Dragão. Portanto, acho que mais valia ter fingido, entre aspas, de morto e só ter dito aquilo que era o básico, que era: não houve nenhuma reunião para discutir o Rui Borges, é o treinador do Sporting. Não era preciso justificar tanto, porque o futebol eu sei que muda muito rapidamente e pode mudar muito rapidamente e depois vai ficar obviamente linkado a esta opinião do Frederico Varandas, se tiver que lidar com um cenário que pode ser complicado.
Também não disse que era até o fim da época.
Não, também não disse, mas disse que o Sporting estava bem, o Rui Borges confiava. Deu muita justificação, mas acho que pode ficar um bocadinho preso a essa renovação e agora a estas declarações. E já sabemos que o futebol é muito volátil e muda muito rapidamente.
Pedro Henriques, muito bem-vindo também à edição de hoje de "O Campeão É". Olhemos para os trabalhos da seleção. Ontem falou à imprensa Fábio Silva, que está a fazer um bom início de época no Borussia Dortmund. É um jogador que ainda gera alguma desconfiança entre alguns adeptos, mas achas que tem hipótese de ser titular frente a Gales amanhã?
Bom dia uma vez mais, ou boa tarde pra quem já almoçou. Não, titular, não. Aquela posição é do Cristiano Ronaldo, ponto final, parágrafo, e vai continuar a ser. Fábio Silva, gostei das declarações e das palavras do avançado do Dortmund. Em primeiro lugar, por falar em Cristiano Ronaldo, os jogadores todos, de uma maneira geral, falam que o Cristiano Ronaldo é uma inspiração pra eles, e isto é muito relevante e importante. Nós não estamos lá por dentro dos balneários e às vezes não percebemos o quão importante estas circunstâncias, estas situações, estes contextos. Inclusivamente, ele disse que não é concorrência. Ele falou noutra coisa, que é aquilo que pode acrescentar à seleção, recuar no campo, tudo em posições avançadas, fazer a ligação em contra posições, tanto que receba a bola no pé como na profundidade. Ele deu a entender que tem ali alguma polivalência e que pode dar coisas diferentes na maneira como aborda e como faz o jogo. Isso é sempre bom, ter essas soluções, e eu acho que é por causa disso que o Fábio aparece aqui também na seleção. Depois, a humildade dele, ao dizer que nunca tinha trabalhado com o Jorge Jesus, mas que se sente enquadrado e que está disponível pra aprender, porque todos os jogadores melhoram normalmente com o Jorge Jesus. Falou também num aspecto que pra mim acaba por ser interessante, que é a questão da maneira como saiu do Futebol Clube do Porto, que não foi da melhor maneira possível, mas que é adepto do Futebol Clube do Porto e desta ligação e desta esperança que eu acho que ao mesmo tempo é bonita. Há muitos jogadores que o fazem em relação ao Porto, ao Benfica, ao Sporting, que é a tal esperança de um dia poderem regressar a esse clube, porque no fundo há ali uma ligação que é emocional. Além de ficar bem, eu acho que é sentido, não é algo que é feito forçado. E depois, finalmente, a questão de que ele ainda não está, como ele disse, mais completo, está a progredir, está cada vez melhor e é bom, que é sinal de crescimento, mas ainda não está, a expressão é dele, no ponto rebaixado. Eu acho que ele não vai ser titular, pelo menos neste jogo. Agora, é uma hipótese, conforme o jogo, aquilo que pedir. Em relação ao jogo, sobretudo se o resultado não for favorável, e se for preciso criar outras soluções na frente, eu acho que é um daqueles jogadores que ainda está atrás em termos hierárquicos, por exemplo, em relação ao Gonçalo Ramos, na perspectiva da ocupação daquela posição. Mas sabemos que o Jorge Jesus vem com ideias diferentes, falou muito mais num segundo avançado e muito menos num terceiro médio, que falou inclusivamente que a posição do João Félix ou a posição do Rafael Leão não é da ala, mas é sobretudo nessas posições. Portanto, há aqui coisas diferentes e estes jogadores, muito provavelmente, até porque temos aqui uma condensação competitiva de quatro jogos aqui praticamente em uma semana e meia, duas semanas, e portanto, provavelmente poderá vir a ter a sua oportunidade, porque realmente é muita competição pra um espaço relativamente curto e depois a carga física também tem que ser gerida.
Mariana, como é que olhas para estes primeiros dias, horas de trabalho em campo do Jorge Jesus na seleção? Amanhã temos esse País de Gales. É também o adversário mais acessível destes que se apresentam agora pela frente nesta primeira fase da Liga das Nações?
Sim, sendo que isso vale sempre o que vale. Ou seja, nestes jogos, aqui numa pausa pras seleções, depois do início de temporada, ser o País de Gales ou ser outra equipe qualquer, os perigos estão sempre lá. Ou seja, claro que Portugal é favorito, ainda por cima joga em casa.
E é detentor do título.
E é detentor do título, exatamente. Agora, acho que os perigos estão lá e é sempre complicado. E estou a recordar-me há cerca de um ano, Portugal poderia também, em Alvalade, por volta desta altura, em outubro, ter carimbado desde logo o apuramento pro Campeonato do Mundo contra a Hungria. E parecia que o jogo estava ganho, Cristiano Ronaldo marca um gol e Portugal acaba por não conseguir ganhar esse jogo e adia pra jornada seguinte. Portanto, é sempre muito relativo ser a Hungria, ser o País de Gales, ser o que equipa é. Agora, eu acho que há muito tempo que não existia tanto entusiasmo à volta da seleção nacional, se calhar desde a altura em que a seleção nacional ganha o Campeonato da Europa. E isso está muito associado à presença e à estreia de Jorge Jesus, ou seja, o fato de existir, nesta altura, um selecionador, um novo treinador, muito mais carismático, e aqui não é uma ofensa pra ninguém, é o que é, é muito mais carismático do que Roberto Martínez, muito mais carismático do que Fernando Santos, até muito mais carismático do que todos os outros que vieram atrás, se calhar até Scolari, entra aqui obviamente numa rota e numa bolha de entusiasmo em que toda gente quer perceber o que é que vai acontecer amanhã à noite. Não necessariamente as escolhas, porque eu acho que o 11 inicial nunca vai sair ali muito de uma lógica a que estamos habituados, mas a forma como a equipe joga, a forma como a equipe está colocada dentro de campo e a forma como a equipe se comporta dentro de campo. Acho que há muita curiosidade, sim, e isso pode jogar a favor, obviamente, Jorge Jesus.
Vamos acompanhar às 15h30 da tarde a conferência de imprensa de Jorge Jesus. Mariana, quem é o teu campeão de hoje?
Muito rapidamente e para não perdermos muito tempo, corroborando tudo o que disse, o Benfica, por aquela vitória contra a Juventus, o próprio Ivan Baptista pela forma como conseguiu transmitir a mensagem à equipa, acho que o Benfica está bem encaminhado nesta Liga dos Campeões.
João Castro, o teu campeão e com que nota?
Nota para o Benfica, europeu feminino, nota 18. Nota também para a direção do Sporting pelas contas positivas e essa nota 18, que pode ser depois 20 para a seleção, para esta estreia de Jorge Jesus. Quem me dera ser uma mosquinha para ver aqueles treinos.
E aquelas palestras que ele diz que não faz. Pedro Henriques, a tua nota de campeão hoje.
Fugindo um pouco a estes temas que estão mais em cima da mesa, Klopp. Klopp porque ele pega na seleção alemã, que não tem tido tempos fáceis ultimamente e uma das coisas que faz é, uma vez mais, funciona sempre em todas as instituições. Eu sei que, sendo de natureza militar, a minha origem de 27 anos, eu sei que sou muito agarrado a estas questões da disciplina e de regras, mas ele chega lá e faz logo quatro regras que os jogadores estão um pouco a pensar. A questão dos telemóveis, a questão de se reunirem para a chegada, não é à hora que querem, nem dentro de um período curto, é toda a gente para jantar e para conviver. A questão da redução da quantidade de vezes que os familiares estão com eles nos hotéis e esta coisa deliciosa que os jogadores estão muito preocupados com as imagens visuais do Instagram e depois esquecem-se de chegar à bola, é querem mudar de visual, mudam antes de chegar ao hotel, no hotel está proibido os barbeiros e coisas afins, onde os jogadores depois gostam de fazer as coisas de última hora. Isso pode parecer coisas fevers, mas isso significa disciplina, ordem e os jogadores têm que perceber que têm que ir para dentro de campo para jogar à bola, com a respectiva humildade que os fez chegar muitas vezes a este ponto. Eu gosto disto e é assim que se consegue muitas vezes fazer a diferença entre empatar ou ganhar, perderes um título ou conseguir chegar a um título, seres eliminado numa fase de grupos ou chegares mais além. E penso que neste aspeto a Alemanha está no bom caminho. Nota 18 para estas regras e estes regulamentos que o Klopp está a impor.
Pedro Henriques, João Castro e Mariana Fernandes na edição de hoje de "E o Campeão É". Estamos de volta amanhã, depois do "Jornal da Uma".