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E o vencedor é na Rádio Observador, com Judite França, Helena Garrido e Alexandre Borges. Vamos falar de buscas no Novo Banco, isto num dia muito importante para a instituição. Também temos de olhar para o orçamento e a lei da nacionalidade, que lá foram todos aprovados no Parlamento. E ainda vamos falar de presidenciais. O LIVRE apresenta um boletim de voto sui generis para decidir quem vai apoiar nestas presidenciais. Vamos falar de tudo isto na próxima hora. Arrancamos com a operação Haircut, que na gíria financeira significa, no fundo, um desconto. É uma atençãozinha. No dia em que, com pompa e circunstância, se assinava no Ministério das Finanças a venda no Novo Banco, Helena Garrido, neste dia tão solene, há a notícia de buscas por suspeita de corrupção. Isto é mesmo para estragar a festa.
Completamente. De tal maneira que o presidente executivo do Novo Banco teve de sair a correr, ainda nem ficou para os cumprimentos.
Nós temos a fotografia da sequência em que recebe a notícia e sai apressadamente da sala.
Exatamente. Tudo a correr, porque estavam a existir buscas na sede do Novo Banco, há buscas também na KPMG, houve buscas domiciliares, não conhecemos ainda todas, mas aqui o máximo é esta coincidência. Só para contextualizar, estas investigações, de acordo com os comunicados, especialmente o da Polícia Judiciária, têm como alvo a venda de ativos imobiliários, de imóveis e terrenos. Esses imóveis e terrenos foram alvo de grande controvérsia, todos nós com certeza nos lembramos da Operação Viriatos e Sertórios, cheias de imóveis, foram alvo de uma comissão parlamentar de inquérito, de relatórios do Tribunal de Contas, eram supervisionados pelo Banco de Portugal e pelo Fundo de Resolução. E agora, passados tantos dias, é exatamente no dia em que o banco é vendido aos franceses, é que há estas buscas. Eu não sei se o Ministério Público não sabia, não tinha a notícia sequer, ou se é falta de bom senso.
Se calhar não recebe a agenda da Lusa.
Provavelmente.
Nós recebemos nas redações a agenda da Lusa com os eventos.
Ou cada um de nós o comunicado do Ministério das Finanças a dizer qual é a agenda do ministro, se calhar não recebem, e resolveram estragar a festa com estas buscas. O problema aqui não é este caso, é a sucessão de casos em que há sempre coincidências, e essas coincidências não jogam nem são favoráveis ao Ministério Público, porque das duas, uma: ou tem falta de bom senso ou é mal informado e não se quer ajustar. E é verdade, muitas vezes diz-se: "A justiça tem de ser cega", mas o Ministério Público não é o juiz. O juiz tem de ser cego. Ter alguma flexibilidade no sentido de não parecer que está com atitudes, e eu vou dizer, a palavra é um pouquinho forte, provocatórias, penso que só lhe fazia bem, até porque é preciso ter noção de uma coisa: o poder político é que manda. E mais cedo ou mais tarde, o Ministério Público pode acabar por pagar caro, e é com o Ministério Público, também nós, com estas atitudes, com estas coincidências, que depois não dão em nada. Nós temos hoje a Operação Influencer a fazer dois anos sem que nada tenha acontecido e o que nós vemos é que há investigações, há recolha de informação, há recolha de dados, vão computadores e depois nunca acontece nada. Penso que o Ministério Público devia fazer uma reflexão e se até o Elon Musk se submeteu ao Trump, nós temos que ter consciência que é o poder político que manda e nós não gostaríamos que o Ministério Público perdesse a sua autonomia. Não me parece que este seja um bom caminho.
Alexandre Borges, há aqui uma coincidência?
Pois, há uma coincidência de coincidências, justamente como dizia a Helena, que nos fazem duvidar às tantas, porque de facto, o Ministério Público tende a escolher ou o momento ou a forma duvidosa. Obviamente, todos achamos estranho que cada vez que vai haver eleições, que saia uma notícia sobre um caso que envolve o primeiro-ministro, este ou o anterior, ainda por cima, portanto, já nem é só um. Também todos nos lembramos aqui não do timing, mas da forma como aterra um avião militar com 200 inspetores na Madeira para qualquer coisa que também, até ver, que eu saiba, não deu em nada. E que mais uma vez se metia diretamente com o poder político, ainda por cima.
E quantos dias ficam presos sem qualquer...
Exatamente.
Isso é de uma gravidade.
Tal e qual. E agora há este momento aqui em que, no conteúdo, lá está, como recordava a Helena, há todos os casos que nos levantaram as maiores dúvidas ao longo do tempo e citando um que era hoje recordado na peça d'O Observador, há um ex-diretor-geral do Novo Banco, Volker Schmidt, parecendo que não é espanhol
Eu ia te corrigir a pronúncia, desculpa.
Obrigado pela tua compreensão. Depois de corrigires ontem a Vanessa, supervisionares a Vanessa no elenco dos jogadores do Sporting. Obrigado. Eu não teria feito melhor que a Vanessa.
Nem eu.
E ele era este diretor responsável justamente pela gestão dos fundos imobiliários e que, à frente desta pasta, consentiu que o Novo Banco vendesse uma herdade, vamos lá recordar.
Herdade de Ferraria.
Exatamente, de mais de 260 hectares no Meco, 50 mil quadrados aprovados pra construção, por 1,5 milhão de euros à mulher. Isto 1,5 milhão de euros, da última vez que eu olhei pra OLX era pra aí um T3 em Oeiras.
Com garagem. Na braca.
Exato. Sim, mas acabamentos ficavam bons. Portanto, temos todas as razões para ter dúvidas sobre o que aconteceu durante a gestão da Lone Star. Acho muito bem que sejam investigadas. Agora, lá está, as coisas acontecerem desta forma dá a ideia de que muitas vezes o Ministério Público procura uma espetacularidade que não faz sentido. Justamente, a justiça em geral deve ser cega, deve ser juiz, deveria ser o árbitro e não o herói dos filmes. Não deve ter estes números que devem dar imensa satisfação a alguém, mas que no fundo não adiantam absolutamente nada.
Então, Judite, o Ministério Público aqui aparece como o herói que salva o país no momento chave ou é o cafajeste?
O cafajeste.
Só se disseres isso com sotaque.
Cafajeste.
Ele disse.
Tu que conheces.
A verdade é que o ano tem 365 dias e é escolhido exatamente o dia em que o Novo Banco vai ser vendido aos franceses. E eu não tenho mais nada pra dizer, a não ser que não acredito em coincidências, sou eu e a Margarida Rebelo Pinto, e portanto, acho que de fato o Ministério Público brinca com fogo neste tipo de situações. E se nós podemos olhar pro passado e dizer: "Foi por acaso aquela operação, foi por acaso aquele dia, foi por acaso aquela coincidência", agora não podemos dizer. O banco está pra ser vendido, já se sabia desta cerimônia há vários dias, não saiu ontem. E portanto, fazerem isto precisamente no próprio dia, a dada altura vê-se o novo dono assinar as folhas a correr pra poder sair. Assinou as folhas a correr porque tinha que sair pra ir pro banco, porque o banco estava a ser naquele momento alvo de buscas da PJ. É incompreensível.
E a notas? Pra já suspiros.
Pra mim é um seis por esta falta de bom senso e esta acumulação de coincidências e a acumulação de investigações que se faz um grande alarido e depois adormecem.
Alexandre?
Eu vou dar um seis também, na esperança de que a Judite se der igual, também fica assim uma coisa assustadora.
Vou dar um seis também. É o dia da besta.
Então vamos começar o próximo tema, que vai acabar na segunda parte. Portanto, vamos começá-lo agora. Judite de França, orçamento e Lei da Nacionalidade aprovados. Está tudo despachado, que venha o próximo?
É isso, está tudo despachado. E ontem o primeiro-ministro não resistiu a fazer um grande brilharete na televisão numa comunicação ao país. Estava ufano à frente de oito bandeiras de Portugal. Não sei se vocês repararam uma panela de oito bandeiras de Portugal.
Eu reparei que só se via o verde.
É que era muito repetitivo. Podia haver ali uma da União Europeia.
Também era possível, porque estava a decorrer o Sporting em Galveiras a essa hora, portanto devia haver também verde aí.
Eu contei-as, porque acho que nunca vi tanta bandeira numa comunicação ao país. Costuma haver uma, duas, agora oito.
Uma de Portugal, uma da União Europeia.
Era pra falar da Lei da Nacionalidade, se calhar foi por isso, devem ter dito: "Põe lá oito bandeiras, porque é pra falar sobre a Lei da Nacionalidade." E acho que basicamente o primeiro-ministro, não tendo uma grande agilidade na comunicação com os mídia, é um grande marketeer de si próprio. E ontem fez uma operação de marketing. Vende-se bem. Eu acho que é um primeiro-ministro que sabe vender e que foi deixar alguns recados, nomeadamente a quem vai agora lidar com o orçamento na especialidade, dizendo: "Não há margem, não há espaço pra se porem a inventar." E isto são recados pro CHEGA e recados pro Partido Socialista. E nós já vimos que há aqui pontos em comum entre o CHEGA e o PS. Não me admirava nada que voltasse a haver um acordo tácito entre os dois, que o PS diz que não é acordo, ou seja, o PS não fala com o CHEGA, mas o CHEGA pode votar medidas do PS se elas forem iguais às do CHEGA.
Sim, mas aqui a ordem dos fatores é aleatória. A ideia é que há PS e CHEGA que se unem para uma determinada medida, e esta é a das pensões, que ainda por cima tem um impacto que não é one off, tem impacto prolongado. A probabilidade maior até pode ser no IVA, porque nas pensões, como o PS coloca aquela condição, se o saldo existir.
Achas que então é no IVA do cabaz de alimentos?
Eu diria, mas é especulativo.
Sim.
Isto para dizer que o Primeiro-Ministro foi lá deixar alguns recados e depois foi mostrar-se ao país como tendo conseguido grandes feitos.
E vamos continuar a falar deste tema na segunda parte do "E o Vencedor É?". Ainda temos de falar das presidenciais e da confusão que vai no livro. Neste primeiro episódio do "E o Vencedor É?" em que se utilizou a palavra cafajeste, fica aqui esse registro. Daqui a pouco vamos atualizar as notícias com a Vanessa Cruz . Segunda parte de "E o Vencedor É?", hoje com Judite França, Alexandre Borges e Helena Garrido. Helena, estávamos a falar aqui da aprovação do orçamento na generalidade e também da lei da nacionalidade. O governo pode seguir em frente, estes dois capítulos estão arrumados, sendo que a parte do orçamento ainda tem a especialidade.
Pois, eu no caso do orçamento há aqui ainda algumas preocupações que foram manifestadas, que aliás o próprio Primeiro-Ministro manifestou, que estão muito relacionadas com a questão que a Judite estava a referir de alguma aliança entre aquelas alianças negativas, não é?
Coligação negativa.
Coligação negativa entre o Chega e o PS. A ocorrer, diria eu, pode ocorrer na área da descida do IVA de um cabaz alimentar, porque quer o PS como o Chega se focaram muito na receita de ISP. Aliás, tivemos dois grandes temas, duas grandes preocupações, as principais preocupações, simplificando e exagerando como cabe a um jornalista, que é automobilistas e pensionistas. Foram os dois grandes temas que mereceram atenção. Quanto ao Primeiro-Ministro, nós diríamos que o Primeiro-Ministro devia ter saído de lá todo contente, abstenção do PS, mas aparentemente, e penso que a intervenção do Primeiro-Ministro ao querer juntar o orçamento e a lei da nacionalidade, quer mostrar que está ali na charneira entre os dois partidos, que é aquele que consegue ligar os dois partidos. Nós na economia gostamos muito de elogiar a concorrência como sendo o regime que maximiza o bem-estar dos consumidores. E que aparentemente o Primeiro-Ministro também fomenta a concorrência entre os dois partidos para aumentar o seu bem-estar ou, melhor dizendo, a sua estabilidade no poder e a sua manutenção no poder. Ele mostrou que o partido pode ao mesmo tempo conseguir aprovar a lei da nacionalidade com o orçamento ou com outro, e está muito bem com isso. O maior perigo continua a ser para o Chega, porque o governo a pouco e pouco começa a envolver o Chega na resolução dos problemas dos imigrantes, permite que o governo diga: "Já não há razões para se queixarem dos imigrantes ou da imigração, porque vocês contribuíram para as soluções." Parece-me que tem sido muito hábil o Primeiro-Ministro Luís Montenegro nesta gestão do Chega e do PS.
Alexandre?
Concordo totalmente, também a propósito do que a Judite dizia há pouco, de facto, eu acho que muitas vezes foi apontado a governos de direita serem menos atentos à comunicação do que o governo do PS, e este governo tem sido atento a isso. E de facto, este momento ontem pode ser questionável, é estranhíssimo, acho eu, olhando para trás.
Declaração ao país.
Exatamente, e é estranhíssimo, desde logo, fazer aprovar outra lei muito importante no dia em que estás a aprovar a lei do Orçamento de Estado. Tipicamente o Orçamento de Estado era o momento alto do ano do ponto de vista da Assembleia. Do ano político, exatamente. De repente tens isto, de facto, parece-me que deliberadamente, justamente pelas razões que a Helena aponta, e em termos políticos muito bem, porque de facto o governo tem que se entender com os dois, não tem outra solução. E tem realmente sido muito hábil nisto Montenegro, e ontem tem esse momento alto. Eu acerca do Orçamento de Estado, tudo o que tenho a dizer aprendi no artigo da Helena Garrido.
Eu já me ia preocupar. Muito bem.
Aprendemos todos.
Exatamente.
E portanto vou falar sobre a lei da nacionalidade, que me parece, de facto, começa como uma discussão extremamente polêmica e acaba por chegar a qualquer coisa que me parece equilibrada, efetivamente. O conteúdo não me parece ter nada particularmente censurável. Há algumas questões na forma, suscita depois na forma um discurso como o do Chega, que é dizer: "Grande dia para os portugueses de sangue", dizer uma coisa deste gênero. Do lado do governo, há duas vozes. Eu acho que mais uma vez a voz do Montenegro é mais cuidadosa e mais gestora quando diz na sua declaração de ontem coisas como: "Não queremos portugueses de ocasião", ou criticar a banalização da nacionalidade. Isto parece-me certo. O discurso do ministro da Presidência, Leitão Amaro Já é um pouco mais indiscernível do que o do Chega. "Hoje votamos e decidimos quem é o nosso povo", disse Leitão Amaro. Falou na reengenharia demográfica e política feita pelo PS ao longo dos anos, que já é uma coisa um pouco mais sinistra.
Desculpa dizer, tem outra frase que é: "Hoje Portugal é mais Portugal".
"Hoje Portugal é mais Portugal", desculpe, exatamente.
Dá para um bom cartaz.
Ora bem, isto não é o Bangladesh, Portugal já é mais Portugal. Agora estou para ver na prática como é que vai ser a questão da língua e da cultura. Como é que vai ser a aplicação disto na prática? Como é que vamos testar o conhecimento da língua e da cultura nos atribuir a nacionalidade? Tenho alguma curiosidade em perceber isso.
Queres atribuir uma nota a estas aprovações?
A estas aprovações, sim. Acima das aprovações, dou um 15 a Montenegro, que me parece que fez bem, um 10 a Leitão Amaro, que acho que está no território do magote.
Helena?
Um 16 ao Luís Montenegro.
Judite?
Eu dou um 15 a Luís Montenegro.
São notas positivas. Agora vamos falar de um boletim de voto sui generis, que faz, pelo menos a mim, lembrar a eleição do delegado de turma. Isto já foi há muitos anos. Meninos, se não sabem o que é o delegado de turma, não sei se ainda se designa assim, mas os pais ao volante podem dar uma ajuda, mas, por favor, não desliguem já o rádio para perder tempo a explicar. Depois já explicam. Estamos a falar do LIVRE e da escolha do candidato que o partido vai apoiar na candidatura a Belém e há aqui elementos que te fascinam, Alexandre.
Há vários. Desde logo, porque o LIVRE começou toda esta conversa há meses a querer federar, agregar a esquerda. Queria um candidato que unisse toda a esquerda.
Porém?
Então, porém, deixou-se ficar absolutamente para o fim. Todos os outros partidos, PCP apareceu com candidato, o Bloco apareceu com candidato, o PS apareceu com candidato, até o PS, que tinha sete candidatos.
O PS foi obrigado a aparecer com candidato.
Exatamente, foi obrigado. E aqui temos ainda o LIVRE na engrenagem. Então, não, decidiram: "Não, nós temos que ter um candidato também nosso". Portanto, vamos dividir ainda mais um pouco. Depois decidiram: "Vamos consultar as bases". Depois, Jorge Pinto avançou e depois decidiram: "Não, espera, isto ainda não é realmente assim, vamos perguntar às bases". De facto, o boletim de voto vem com quatro questões. A primeira é se o LIVRE deve apoiar um qualquer candidato. A segunda é se esse candidato deve ser Jorge Pinto. Desculpem, eu saltei uma, isto é tão complexo.
Primeira.
Primeira questão, se o LIVRE deve apoiar um candidato às presidenciais. A segunda, se esse candidato deve ser Jorge Pinto. A terceira é se deve apoiar outro. Portanto, isto já se devia seguir da segunda, por isso é que é um baralhão.
E não é o Jorge Pinto.
Exatamente. E a quarta é: escrevam o nome desse candidato que pretendem, na condição que ele se tenha apresentado publicamente a intenção de entrar na presidência.
Alexandre, estás disponível?
Nota: eu não.
Mas sou dos poucos.
Mas vote calhar.
Sou dos poucos portugueses que não estou. E vocês podem, se eles gostarem de ouvir, o vencedor é.
Cuidado.
Isto ao Ricardo lembra o delegado de turma.
O que te fazemos desconto.
É que é isto.
Como diria o Almeida Garrett.
Não havia aquele jogo, vai para a página cinco, depois vai para a página sete.
Também faz-me lembrar aquela do: "Queres namorar comigo?"
Foi isso que me lembrou.
Sim, mas três, quatro, cinco. Talvez.
Exatamente. O Ricardo falou no delegado de turma porque era um miúdo mais responsável.
Claro.
Eu e a Judite claramente estávamos nas filas de trás e foi nessas trocas de bilhetinhos. Era: "Põe lá o nome do rapaz ou da rapariga de quem tu gostas."
Aí vamos lá esclarecer. Não pode ser esse porque não teria demais que uma hipótese, não é?
Não sei, acho que ias pôr assim uma ordem de preferência. Assim para o caso.
Não éramos tão complicados nessa altura.
É que deixarem isto em aberto, eu estou a ver alguém chegar lá e pôr Noronha Lopes, ou Bernie Sanders, ou, lá está, e eu já tinha isto preparado, senhor ouvinte, acredite ou não, Manuel João Vieira. Porque Manuel João Vieira, que já manifestou a sua intenção de se candidatar mais uma vez. E Manuel João Vieira é responsável por ideias, propostas para o país, tais como? Ricardo Conceição.
Ele cativar o país.
Um Ferrari para cada português.
Aqui está. Não sei se a Helena também se recorda de algum. Não tem acompanhado tanto.
Eu não acompanho tão bem.
Não é tanto o candidato de Helena Garrido. Ela finge-se imparcial, mas dá para perceber que não.
O vocalista é dos Irmãos Catita e de Zé na Pá 2000.
E depois, já que tem tantas perguntas, também ocorreu-me que o LIVRE podia ter continuado a perguntar mais coisas. Ideias para resolver a crise da habitação. No papelinho também punha. Ideias para prendas de Natal. E é por aqui. Um LIVRE para as férias. E os simpatizantes iam escrevendo, já que paramos tudo para fazer isto. E depois, há uma coisa muito boa. No fim de tudo isto.
O que é que vai acontecer?
O que é que vai acontecer? O LIVRE reserva-se o direito de aceitar ou não o que os simpatizantes e militantes disserem.
Não é vinculativo, portanto o partido pode, pura e simplesmente, borrifar-se.
E apoiar Jorge Pinto, que era isso que querem fazer desde o início.
Imaginem se o LIVRE tem estes processos internos, imaginem se um dia tem que decidir quem é que vai para a RTP, quem é que vai ser o regulador da aviação, quem é que vai ser o ministro disto ou daquilo. E sendo que tenham passado já com as questões Joacine Moreira, que acabou a ser expulsa do partido, com a ter um candidato às europeias que não era militante, que era Francisco Paupério, e ao lado do qual o líder do partido basicamente recusou aparecer ao longo de toda a campanha. Continua embrulhado.
Também é a solução do quantos queres.
Quantos queres? É o que me faz lembrar, é aquela coisa do quantos queres, gostas.
Mais uma vez, menos que vão no carro, por favor.
Sabem o que é o quantos queres? Sim, a minha filha faz o quantos queres.
A tua filha faz.
E os delegados também ainda existem.
E no CDS?
E no CDS é mais fácil.
Não, nós estamos aqui a discutir questões sérias, estamos a falar de presidenciais, eu sei que não parece.
Certo. O CDS é muito mais simples, porque Paulo Portas não quis Era mais simples se Paulo Portas quisesse. Certo. Mas Paulo Portas não quis, já se tinha percebido que não queria, ao contrário dos candidatos do LIVRE, percebeu que a direita já estava demasiado espartilhada e portanto não acrescentou. E agora o CDS está dividido entre apoiar Marcos Mendes, que é isso que em princípio a direção do partido caminha para aí, uma vez que estão em aliança com o PSD, mas há quem não queira. E nós já vimos, por exemplo, o ex-líder do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, é um dos grandes apoiantes de Gouveia Melo.
De resto, esteve cá na semana passada.
No A Caminho para Belém.
A Caminho Belém é o nosso podcast.
Claro que ao contrário do LIVRE, há liberdade. E portanto, o CDS, por exemplo, Diogo Feio já veio dizer que quer Marcos Mendes. Agora, não há um grande entusiasmo com Marcos Mendes e portanto eu acredito que haja figuras do CDS que decidam apoiar outro candidato. Não estão muito longe de, por exemplo, poderem apoiar Cotrim Figueiredo, poderem apoiar Marcos Mendes ou até poderem apoiar Gouveia Melo, ou quiçá até António José Seguro, que não está preso à esquerda, como ele próprio faz gáudio de dizer. E portanto, acredito que este tipo de liberdade dada aos militantes é uma boa opção, ao contrário do LIVRE.
Isto são os belos fins de tarde aqui na Rádio Observador. Servimos presidenciais aqui quase a fechar a hora das 18h00 e hoje muito divertidas com todas estas incidências. Obrigado Alexandre Borges, obrigada Helena Garrido e ao José de França, que regressa amanhã. Quem regressa amanhã também é o vencedor, ali pouco depois das 08h30 da manhã, nas manhãs 360.