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Este é o E os Vencedores, na Rádio Observador, com Judite França, Alexandre Borges e o Anselmo Crespo. Hoje temos mais uma desistência de um advogado na representação de José Sócrates na Operação Marquês e as presidenciais incertas até o fim, com voltas e reviravoltas que podem vir a baralhar as contas. É caso para perguntar: António José Seguro e André Ventura, Alexandre Borges, são até agora os candidatos que parecem Portugal no Euro 2016, que menos erros têm cometido?
Não tinha pensado nessa analogia. Tinha pensado em várias.
Eu sabia que não tinhas pensado nesta.
Não tinha pensado nesta, não é? Estou a pensar se guardo a minha pro início ou pro fim, porque estava feliz com ela. Já vou guardar pro fim.
Já?
Queres que diga já?
Agora vais me chatear assim.
É um reality show esta campanha.
É um pouquinho.
Não é aquela coisa: "Eu não vejo." Não vês mesmo, mas toda gente tem uma ideia qualquer do primeiro "Big Brother", pelo menos. Esse arquétipo que ficou.
Exato. Agora é a primeira companhia.
Agora é a primeira companhia que está no ar. E há aquele efeito-
Até casa bem, temos o Almirante na campanha.
Então tá atualizado. Estamos mesmo na tendência. Mas há aquela coisa que as pessoas falam que não conseguiam evitar estar a olhar pras desgraças. E nós, de que todos fazemos parte, mas a realidade é isto, com a permanente exposição midiática dos candidatos. Eles não deixam de parecer estar dentro de um reality show, filmados 24 horas por dia, em que a probabilidade de cometerem erros é gigantesca. Eu acho que isto no fim vai acabar como eu me lembro que acabou o primeiro "Big Brother". Quem vai ficar? O Zé Maria. Vai ganhar o Zé Maria, vai ganhar o cara normal. Que é o Tósé, neste caso.
Tósé é o Zé Maria.
É a minha teoria.
Sim, interessante.
Está vendo?
Anselmo, nunca mais vou olhar pro António José Seguro da mesma forma. Vou pensar em galinhas quando olhar pro António José Seguro.
Viste mais do que eu.
Toda gente viu. Se primeiro tu viste.
Tenho umas ideias-
Não venhas agora armado em-
Em intelectual. O pontapé do Marco.
Nem o primeiro "Big Brother" eu vi. E o pontapé do Marco?
O pontapé do Marco. Temos aqui vários memes de pontapés pra escolher. Eu acho que foi o Almirante no Marques. Foi o pontapé no Marques.
O pontapé do Marco depois deu na televisão.
Deu, exato.
Portanto, se tu não viste-
Não, eu estou brincando.
O apoio está dado.
O paralelo agora.
Exato.
Qual é?
O paralelo é: foi o pontapé do almirante no Marques. Foi o pontapé no Marques. Aqui foi o pontapé.
Eu acho que quem levou o grande pontapé foi o Cotrim.
Não, mas isso é diferente. Nele mesmo.
Esse foi o segundo.
Esse deu um pontapé nele, a gente já vai discutir.
Anselmo. Secret Story ou Big Brother?
Não, isto de Secret Story não tem nada. Eu acho que esta campanha é marcada, ou pelo menos os vencedores até agora desta campanha são sobretudo aqueles que cometeram menos erros, por um lado. E mais do que não cometerem erros, foram os que conseguiram andar entre os pingos da chuva, ou seja, foram os que conseguiram desviar-se das balas e não estiveram lá frente de um pelotão de fuzilamento. E neste caso é mesmo André Ventura, por estranho que possa parecer, que normalmente ele é o protagonista de todas as campanhas onde está, e nesta ele não é. Quer dizer, ele é protagonista numa certa medida, é protagonista porque está com um ótimo score nas sondagens e porque tem estado a fazer uma campanha muito diferente daquela que nós estamos habituados a ver André Ventura fazer.
Não tem feito por ser abertura dos jornais.
Exatamente, mas tipicamente André Ventura parecia aquelas pessoas pequeninas que estão aos saltinhos a dizer: "Pick me, olhem pra mim." E desta vez ele não fez isso. Pelo contrário, e nota-se claramente que é uma estratégia, que André Ventura vestiu ali um fato que na maior parte nós nunca o tínhamos visto vestir, pelo menos durante tanto tempo. Ele teve uma fase em 2024, em que tinha uma pose um bocadinho mais de estadista, que foi na fase em que até queria negociar com o governo, mas foi uma coisa que lhe passou rápido, deve ter durado duas semanas e desta vez durou uns meses. E eu acho que André Ventura foi inteligente nessa estratégia, por um lado, mas eu acho que a estratégia de André Ventura não se esgota nisso. O Observador esta semana falava, tinha um artigo até sobre isso, porque há de fato ali um pacto de não agressão entre André Ventura e Henrique Covey Mel, é por demais evidente. E não é de agora da campanha, é uma coisa que vem desde os debates. Aliás, no debate entre Henrique Covey Mel e André Ventura, aquilo só faltou fazer festinhas um ao outro, porque nem André Ventura é aquilo, nem Henrique Covey Mel foi com André Ventura o que foi com Marques Mendes, só pra dar um exemplo. Eu acho que Marques Mendes, que cometeu erros nesta campanha, acho que não soube reagir nem taticamente, nem politicamente aos ataques de que foi alvo, sobretudo por Cotrim Figueiredo e depois por Henrique Covey Mel. Para além de já vir com uma desvantagem da sua própria família política, que era uma desvantagem parecida, aliás, com a de que António José Seguro tinha.
Os dois deviam ser comparados nesse ponto.
Exatamente. Nenhum deles, quando arrancou pra esta campanha, era propriamente um elemento agregador dentro da sua família política. Mas enquanto António José Seguro se foi tornando inevitável, basicamente essa expressão, ou seja, o Partido Socialista teve que engolir António José Seguro, teve que o engolir às postas, provavelmente, e foi literalmente às postas que ainda hoje estamos a ver figuras como Carlos César aparecer a dizer: "Como não apareceu mais ninguém, lá tenho que ser, vou apoiar aqui António José Seguro."
E apoio com convicção disso.
Carlos César, que no dia em que anunciou esse apoio do PS, disse uma coisa, já não consigo reproduzir exatamente as palavras.
Também não me lembro bem disso.
Mas era uma coisa do tipo: pronto.
Cada um vota em quem quiser.
O apoio está dado agora.
Agora cada um faça o que quiser. Era um bocadinho esse o espírito. E portanto, ao contrário de Seguro, Marques Mendes não só não conseguiu ser esse elemento agregador, como Objetivamente, ele foi o grande alvo da maior parte dos adversários nesta campanha. É um fato que Cotrim Figueiredo escolheu como alvo. André Ventura, de alguma forma, também o escolheu como alvo. Henrique Gouveia e Melo escolheu como alvo e portanto, ele tinha pelo menos três adversários permanentemente a disparar contra ele. E eu acho que isso também não contribuiu para o sucesso da campanha de Marques Mendes, ainda que isso não retire o fato de Marques Mendes ter feito uma campanha muito típica dos anos 90, de ter feito uma campanha muito assente na ideia de que ele era o candidato mais favorável ao governo, e essa foi uma estratégia aberta, clara e objetiva para toda a gente, e bastante discutível do ponto de vista de estratégia. E, portanto, no final, de fato, eu acho que vão passar à segunda volta os candidatos que conseguiram desviar-se do pelotão de fuzilamento, andar entre os pingos da chuva, não cometer muitos erros e os que cometeram foram tão lá atrás que eu acho que o eleitorado já não se lembra. António José Seguro com a história das gavetas e da esquerda, já foi noutra vida.
Parece que foi há imenso tempo, mas foi há 15 dias.
Também não é tanto.
Foi mais ou menos, foi há pouco mais do que 15. Quer dizer, Marques Mendes, quando agora nos parece que esteve imenso tempo na mira de toda a gente, foram duas semanas, porque durante os debates, até chegar ao último debate com o Gouveia e Melo, o que se dizia era que Marques Mendes tinha ganho os debates, que não tinha cometido erros. Aliás, eu acho que foi só por isso que ele ficou na mira, porque estava em primeiro. Depois do almirante cada vez que falava, descia.
Até ao debate com o Gouveia e Melo.
Exatamente. E o fato de ele não se ter conseguido desvencilhar daquele ataque, de facto, e parecer ter perdido 10 anos em 15 dias, até fisicamente, deixou-o destruído.
Olhando para o dia de ontem, acho que é evidente que a campanha correu muitíssimo mal a Cotrim Figueiredo e acho que pode continuar a correr pior se continuarem neste nível de insinuações, agora insinuando que a pessoa em causa, porque trabalha num departamento ou num gabinete de um ministério, que isto tenha alguma coisa a ver com o governo, acho que isto não faz sentido nenhum. Acho que na sondagem que sai hoje não podemos aferir se isto tem algum impacto ou não. Talvez na tracking poll seja possível aferir se tem impacto ou se causa dano ou não. Eu tenho muita dificuldade em perceber se este tipo de acusações, quando não há follow-up, não há desenvolvimento, a pessoa não falou, e portanto, a partir daqui, só tens isto. A não ser que tu tenhas mais, ou seja, a não ser que saia mais da história, eu não sei se isto terá o impacto suficiente para cair na sondagem. Dito isto, do tema não se livra nunca. Seja verdade, não seja.
Não perseguiram para o resto da vida.
Para a vida, exatamente.
E há a questão Ventura.
Não, a questão do pontapé no próprio, não é?
Sim, exato.
Não, aí nada. Aliás, ele hoje diz: "Bem, mas também quem nunca?", não é? Quem é que nunca já disse uma coisa que não queria dizer?
Mas eu aí posso contrapor, doutora.
Por aí estamos todos justificados.
Eu próprio já disse muitas coisas que não faço ideia porque é que disse, mas eu não sou candidato à Presidência da República.
É verdade.
E ainda voltamos a isso duas ou três vezes no mesmo dia.
Nem estou numa campanha eleitoral.
E eu acho que ele se pode desculpar com o fato de já de manhã ele sabia que a história vinha, estava embrando para sair e, portanto, se calhar já naquele dia já não estava muito bom para pensar de forma muito correta. E acho que isso pode fazer algum sentido. Mas sim.
Também é legítimo perguntar perante isso, porque estamos a escolher a principal figura de política da nação, se tem nervos de aço para aguentar o cargo.
Pois, isso de nervos de aço é muito curioso. Não sei. Eu acho que, por exemplo, António José Seguro.
Eu só estou a fazer perguntas.
Tem um tom tão tranquilo e zen.
Mas também se enerva.
É capaz de aguentar mais atenção alguém que tem aquele espírito, ele próprio, muito zen, do que alguém que tem o sangue à flor da pele.
Acho que aqui quem arriscou muito nesta campanha, pelo menos naquilo que nós sabemos até agora, quem arriscou muito, quem arriscou ir a jogo, estatelou-se, basicamente. E verdade seja que era preciso ir a jogo, porque estava dividido entre cinco e, portanto, alguns tinham que tentar fazer alguma coisa. Tentaram e arriscaram. O primeiro erro claríssimo desta campanha, acho eu, foi aquele do Gouveia e Melo no debate com o Seguro, quando diz: "Não, eu também represento o espaço do PS".
Sabe o que eu queria dizer duas coisas, se me permitirem. A primeira é esta.
Deixa uma agora e deixa a segunda para a segunda parte.
Estou a deixar a segunda para a segunda parte. Sobre o Cotrim, só porque a Judite estava a falar disso. Eu lamento imenso, mas não quero duvidar da palavra de Cotrim Figueiredo, mas eu acho mesmo que ele pensa aquilo, tal como António José Seguro pensa que não quer ser enfiado em gavetas. Eu acho que ambos perceberam, quer no caso de António José Seguro, quer no caso de Cotrim Figueiredo, que aquilo era um erro político em campanha eleitoral e que aquilo os prejudicava, mas eu ouvi toda a declaração, toda a intervenção do Cotrim Figueiredo, e aquilo não é um lapso. Eu lamento imenso. É um lapso só na medida em que ele disse uma coisa que não devia ter dito, mas não é um lapso, porque ele não pensa aquilo.
E já voltamos para a segunda parte de E o Vencedor É?
Uma mensagem especial para os ouvintes que agora entraram no carro e que vão apanhar "E o Vencedor é?", a meio. Fica aqui um convite para ouvir esta, e todas, mas esta edição em podcast, porque no arranque deste episódio há uma comparação entre António José Seguro e Zé Maria, o vencedor do primeiro Big Brother. Não vou dizer mais, mas essa comparação foi feita. Estava o Anselmo Crespo a falar no final da primeira parte do "E o Vencedor é?", quando eu o cortei a palavra de forma abrupta, porém educada. Anselmo, tinhas mais um segundo ponto.
O meu segundo ponto é quão irônico seria que os dois candidatos que mais fizeram all-in e que mais dispararam sobre Marques Mendes, nenhum deles fosse à segunda volta.
Exato. Nem sequer o próprio Marques Mendes.
Porque o objetivo era tirar Marques Mendes da frente. À época, quando isto começa, Marques Mendes estava bem posicionado nas sondagens para ir à segunda volta e, portanto, de repente, Cotrim Figueiredo e Gouveia e Melo acharam: "A única forma de nós irmos à segunda volta é tirar Marques Mendes da frente". E tiraram, de facto. Só que o António José Seguro ultrapassou pela direita, claramente, porque pela esquerda já lá estava. Então ultrapassou pela direita.
Faz lembrar aqueles pilotos que no meio da corrida atiram-
Ayrton Senna, Alain Prost
Sim, atiram alguém para fora e ficam também fora.
E ele também fica fora. Mas quem vem atrás passa.
Outra ótima metáfora. Está muito forte hoje.
Está forte a metáfora.
Automobilismo.
Vamos ver o que é que acontece no dia das eleições. Naturalmente, eu não estou a fazer nenhum prognóstico, mas estou a dizer que, à luz das sondagens que nós temos, e hoje vamos ter uma nova sondagem, desta vez da RTP, vamos talvez agora, com o fim da campanha, começando a perceber melhor de que forma é que estas estratégias todas de cada um dos candidatos impactou. E voltamos um bocadinho ao início da nossa conversa, que foi António José Seguro, que se fez de morto, basicamente a campanha toda. Quando eu digo que se fez de morto, não significa que ele não tenha dito nada durante a campanha. António José Seguro foi falando de temas presidenciais. Agora, ele deixou, de facto, que Cotrim, Gouveia e Melo e Marques Mendes andassem a trocar galhardetes entre eles, ou sobre a vida profissional de uns, ou sobre os inquéritos no Ministério Público, ou agora sobre Cotrim Figueiredo. Andaram nisto. Até André Ventura andou estes últimos dias a dizer: "Eu quero é falar do país, não quero andar a criticar os meus adversários". E, na verdade, os dois que usaram essa tática são os dois que estão mais bem posicionados.
Mas senhores, vamos a notas. Judite.
Eu vou dar uma nota a Cotrim Figueiredo, não vejo outra forma e vou lhe dar um seis.
Um seis. Alexandre?
Sim, eu partilho. É difícil imaginar um dia de campanha pior, sobretudo nesta fase de campeonato.
Eu não vou ser tão duro com Cotrim Figueiredo. Eu acho que ele teve um dia péssimo. Vou lhe dar um nove, porque apesar de tudo, eu tenho que dizer que a campanha de Cotrim Figueiredo, até ao dia de ontem, estava a fazer uma campanha muito boa, muito surpreendente. E apesar de tudo, eu acho que Cotrim Figueiredo trouxe algum valor a esta campanha até uma determinada fase. Se quiserem até uma parte da pré-campanha. Ele colocou temas em cima da mesa que eram importantes ser discutidos. O problema foi que a partir do momento em que começou a achar que isto tinha que ir para a campanha suja, ele perdeu-se.
Alexandre, ainda querias falar sobre percepções na saúde.
Sim, as percepções chegaram à saúde também. Já estava pouca gente para ser atendida nos hospitais e agora apareceram as percepções vindas diretamente da segurança, penso eu. Da última vez que tínhamos falado delas, elas estavam nos temas da segurança e da imigração.
Mas as percepções de segurança, essas sim, eram percepções válidas.
Muito bem, então se calhar, como não tinham trabalho, não encontraram lugar, vieram para aqui. Tens razão, é capaz de ser isso. Porque as percepções esbarram naquilo que nós falamos quase todos os dias. Já agora, o primeiro-ministro disse, em rigor isto: "Há uma percepção de caos no SNS, mas isto não é a realidade", argumentando que os tempos de espera nos hospitais são os melhores dos últimos cinco anos. Eu partilho convosco que na minha qualidade de hipocondríaco, até simpatizo com isto. Eu gosto, quando estamos a falar de saúde, que me digam assim: "Isso são coisas da sua cabeça". Porque um hipocondríaco já está cheio de problemas. Neste caso, não fiquei tão tranquilizado pela frase do primeiro-ministro, porque ainda hoje, também continuando nas histórias pessoais, história banalíssima, porque a gente às vezes tende a pensar que isso, se calhar, é só nas urgências, é só na obstetrícia, esta coisa. Não, os tempos de espera nos hospitais. Ainda esta manhã tive de fazer umas análises a um hospital público, marcadas há imenso tempo, umas análises que eu costumo fazer normalmente há que dizer. Era daquelas coisas que eu costumava dar às pessoas como exemplo, dizia: "Espera, isto também não é tudo como parece". Eu vou e entro no Santa Maria, em concreto, o maior hospital do país, entro e saio, faço as análises em cinco ou 10 minutos, está feito. Hoje tive duas horas à espera. Pode ter sido um azar.
Pode ter sido uma percepção errada.
Pode ter sido uma percepção só minha.
Se tiver sido amanhã, já não era.
Exatamente. Isso é mais. Calha que hoje soubemos que mais de metade das primeiras consultas feitas no ano passado foram feitas fora do tempo adequado. Mais de metade, não é só um bocadinho. Que a procura pelas urgências até baixou 11% nos últimos dois anos. Há muito aquela coisa que os governos gostam de culpar basicamente as pessoas para aparecerem nas urgências. Portanto, isso até baixou 11% nos últimos anos, segundo o relatório do acesso aos cuidados da saúde. A prioridade de se conseguir um médico de família baixou de 91 para 79%. Temos três mortes na semana passada em dois dias com problemas das emergências médicas, porque num faltavam ambulâncias, ou noutro faltavam macas, ou noutro até havia tudo, mas não havia pessoal. Partos em ambulâncias em 2022 tinham sido 25, em 2023, 18, em 2024, 28, em 2025 foram mais de 60. Portugal, também soubemos ontem, é o único país com excesso de mortalidade na Europa. Só no mês morreram mais 2600 pessoas do que era esperado. As percepções, não sei exactamente em que momento é assim, mesmo antes de me declararem o óbito, que aquilo vale como percepção. Acho que há um problema, além de haver, vamos dizer no singular, que há um problema na saúde, acho que também há um problema com a linguagem. E esta é daquelas que se fosse no tempo de Passos Coelho, Montenegro estaria a ser perseguidíssimo por isto. Esta era tipo dizer: "Não sejam piegas" ou "Vejam lá, se não é melhor emigrarem." Este silêncio fica assim.
Não, a sorte é que ele disse isto no meio de uma campanha presidencial.
Exato, e que está tudo entrecido com outras coisas. Isto seria muito grave com outras coisas que se passasse.
Aliás, tu estás no meio de uma campanha presidencial em que quando não estás a dar notícias sobre a campanha presidencial, estás a dar o Irão e quando não estás a dar o Irão, estás a dar a Gronelândia ou Venezuela. Basicamente, neste momento, o governo está com pista aberta.
Tens uma nota, Alexandre?
Sim, bem, enfim, uma nota sete para a perceção de Montenegro e para este jeitinho com as palavras.
Ainda vamos falar de um novo episódio na novela Operação Marquês, julgamento da Operação Marquês. Justiça de França, José Preto, advogado que José Sócrates contratou. Hoje o senhor lá teve alta médica, felizmente, voltou. Hoje foi a primeira sessão de julgamento, mas renunciou.
Não, porque repara, o senhor voltou, mas não pode ainda exercer, tem que estar em casa. Ou seja, porque depois de uma pneumonia, ao ler percebi, teve uma virose.
Também pode ser uma perceção. Quais são os sintomas?
Acho que foi o mesmo vento. E eu acho que com uma nova renúncia do advogado de José Sócrates, eu acho que nem os Monty Python se lembravam de uma coisa destas. A juíza não espera que o advogado convalesça.
Convalesça.
Sim, convalesça. Sim, em casa.
Agora tive a perceção que estava errado.
Eu menti.
Ah, seguro? Já descobriste tanta coisa.
Como não permite a espera, o advogado renuncia, porque senão estaria a atrapalhar o seu próprio cliente. E portanto, para o cliente arranjar um novo advogado. Até lá, tem uma advogada oficiosa, esta, porque a anterior, que foi proposta, também renunciou, porque é do Chega e várias vezes criticou a Operação Marquês e José Sócrates.
Mas esta advogada já tinha sido nomeada.
Esta já.
Contrafeita.
Muito contrafeita, claro. Ninguém quer este processo, como é evidente. Eu não sei se não é fé de não permitir nada a Sócrates, para não permitir nada que seja um expediente dilatório, como parece sempre que ele anda a fazer. Não sei se esta juíza está a ser demasiado exigente, ou seja, se esperar que o advogado convalesça em casa, enfim, seria mais ou menos 15 dias, três semanas. E portanto, isto pode ser uma perceção, mas é uma perceção de que de facto a juíza está a ser muito exigente e que depois, enfim, em alguns casos, de facto, nada faz sentido e tudo parece um sketch. E noutras alturas, se calhar fazia sentido esperar um pouco e esperar que o advogado voltasse.
Achas que corremos o risco, Anselmo, de José Sócrates procurar um advogado disponível para renunciar? Outro?
Sim, eu acho que corremos o risco, neste momento, de José Sócrates fazer tudo o que estiver ao seu alcance para não ser julgado. E eu hoje quando vinha a pensar um bocadinho sobre isso, enfim, eu já dei para o auditório, como sabem, de pedir uma reforma na Justiça, de pedir que o Estado mexa de facto nas leis para que isto não seja possível. Mas como já perdi um bocadinho essa fé, eu vinha a pensar um bocadinho nisto e a lembrar-me da imagem que o José Sócrates cultivou na política portuguesa, que era do animal feroz e do combativo e do corajoso. Pois eu hoje em dia acho que o José Sócrates é um cobarde. É a única forma que eu tenho de pôr isto. Ele é um cobarde, porque se ele quer arguir sobre a sua inocência, se ele quer defender a sua inocência, ele devia estar a fazê-lo exatamente neste momento em tribunal, a defender-se com tudo aquilo que pudesse dos crimes de que está acusado. O que o José Sócrates está a fazer, para além de gozar com o Estado português, e o Estado português está a deixar ser gozado, o que o José Sócrates está a fazer é tentar fugir a um julgamento. Não há outra forma de pôr isto. Quer dizer, eu não vou discutir sequer se o advogado José Preto está doente, se não está doente, não faço a menor ideia. Mas não há outra forma de pôr isto. Quer dizer, depois de ter usado tudo aquilo que eram recursos possíveis e imaginários, os que nós sabíamos que existiam, os que não sonhávamos que existiam, alguns que não existiam e que ele tentou que existissem, aconteceu de tudo até agora. Chegamos finalmente ao julgamento e o que o José Sócrates está a fazer? Está a tentar atrasar para ver se os crimes prescrevem. Não há outra forma de pôr isto. E, portanto, eu perdi a ideia de que o José Sócrates é de facto um animal feroz e é um homem corajoso. Eu acho que neste momento o José Sócrates é só um cobarde que está a tentar fugir às suas responsabilidades.
Alexandre.
Não há muito a dizer, pronto, pelo menos é muito resistente, isso não haja dúvida, permanece. É muito difícil, de facto, dizer alguma coisa sobre este caso, que eu acho que é mais triste, de algum modo, é que fica a porta aberta Para todo o desgaste da justiça. Em dois, José Pereira te diz: "Lá está, eu não sei se ele está doente ou não está, não quero saber. Espero que esteja, como é evidente. Espero que esteja pouco doente e que fique melhor." Como é lógico.
Espero que esteja doente.
Espero que ele esteja doente. Com nada de grave, mas espero que seja tudo verdade. Agora, a resposta mais uma vez serve para o que ele chama de comparsa à pobre advogada oficiosa que lá foi, chamado comparsa da juíza Susana Seca, fala em sequência deplorável de arbítrios por parte do tribunal, a pseudodefesa. Podia ter sido escrito por Pedro de Lille, eventualmente, de facto, é esse estilo que o José Sócrates gosta. Fala no grotesco coro das manobras dilatórias, ou seja, da acusação que lhes é feita de estarem sempre a recorrer a manobras dilatórias. Fica a porta aberta a isto e tudo isto é permitido que esteja a insinuar, além de tudo mais, que é o tribunal que ainda tem uma conspiração montada para os perseguir ou para violar a lei. E acho que isso quase devia constituir um processo à parte.
Eu percebo o que estás a dizer, mas, de facto, tantas vezes se grita fogo que já ninguém acredita. Mas neste caso, tendo em conta que o advogado está doente, eu acho que este era o caso para dizer: "Ok, então suspendemos para o senhor estar melhor."
Concordo contigo, eu percebo o que estás a dizer. E estava a dizer isto em cima disso, ou seja, acho que tens toda a razão e é muito equilibrado isso que dizes e acho que por consequência tem isto. Por consequência de, se calhar, no limite, no esgotamento atingido da paciência da juíza, isto esteja a ter consequência isto. De repente fica o flanco aberto para este tipo de crítica fácil de um advogado que ainda nem chegou bem a passar a porta do tribunal e que também já distribui insultos ao tribunal, à juíza, aos advogados, a toda a gente.
Vamos a notas.
Esta questão de Sócrates ter, mais uma vez, um advogado que renuncia, só posso dar um nove. Não posso dar uma positiva a isto.
Celso Crespo.
Eu hoje não vou usar a escala José Manuel Fernandes, vou usar a escala Filomena Martins. Dou um zero a José Sócrates, eu não tenho outra nota.
Alexandre Borges.
Posso renunciar?
Podes.
Estás doente? Se não estás doente, não podes. Mas como és hipocondríaco.
Exato, é isso. Obrigado.
Podes pedir escusa.
E não está, mas vai ficar.
Vou pedir escusa desta nota, porque é já difícil de dizer, dar alguma coisa a Borges.
Porque deste um ótimo contributo também.
Eu sinto que já dei tudo. Sabes que eu sou aquele jogador que entra, dá tudo e depois pode não aguentar os 90 minutos.
Só para quem entrou agora no carro, o Alessandro Borges já comparou António José Seguro a Zé Maria, o vencedor do primeiro Big Brother. E amanhã há mais.
E agora há meninos no carro a perguntar: "Quem é o Zé Maria?"
Meninos crescidos, já. Que eu já nem faço ideia quando é que foi o primeiro Big Brother.
2000, 2001, Deus do céu.
2001.
Este suspiro vem cá do fundo. O Vencedor regresso amanhã, depois das 08:30 da manhã, nas manhãs 360.