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Olá a todos, sejam bem-vindos a mais um episódio de "Intermédios" e mais uma vez, se estão a ver isto no YouTube, gravado num quarto de hotel. Dá pra fazer uma temporada só em quartos de hotel. Se calhar, peço parcerias e faço os episódios e faço uma tour pelos hotéis. Obrigado por estarem desse lado. Estamos, neste momento, a duas semanas do último espetáculo do Volte Já, em Lisboa. Malta, dia 7 de novembro, na Aula Magna, conto convosco. É o último espetáculo deste ano, depois a tour volta para o ano que vem pelo país inteiro, mas não vai estar novamente em Lisboa. Portanto, se estão em Lisboa, perto de Lisboa, quando eu digo perto é tipo Almada, Torres Vedras, Cascais, Oeiras, Algés, Porri Montijo. Eu não vos posso garantir que vá às vossas cidades. Por isso, aproveitem para encher esta sala, tal como fizeram no primeiro espetáculo que eu fiz em Lisboa. Eu gostava muito. O episódio de hoje. Quando eu vinha para aqui, eu vinha a pensar em algo. Vocês lembram-se daquela expressão dos ficheiros secretos, que o Mulder tinha, que era: "I want to believe". Eu tenho exatamente a mesma coisa em relação aos fantasmas, ao mundo oculto, aos extraterrestres. Na realidade, eu acho que é um fascínio que muitos de nós têm. É curioso este desconhecido, e eu lembrei-me disto agora. É curioso. Eu lembro quando estava a estudar, eu não sei se era ainda secundário ou primeiro ano de faculdade. Eu andei à procura de cursos de parapsicologia. Parapsicologia, portanto, o estudo do oculto. E eu andei à procura para perceber, porque eu queria ser investigador de paranormal. Caracas, lembrei-me disto agora. Eu lembro de andar na biblioteca a ler livros sobre espíritos, sobre fantasmas, sobre tradições do oculto, etc. E lembro de andar na internet à procura. Portanto, se foi internet, já devia estar na faculdade. Eu lembro de andar à procura e de mandar mensagens para "instituições", estou a fazer aspas com os dedos, que tinham cursos sobre parapsicologia. Fui para Jornalismo. Para trás, se calhar, devia ter ido para parapsicologia. Acho que ia dar ao mesmo. Às vezes é uma caça às bruxas, tanto num como noutro. Acaba por ser uma caça às bruxas. Isto é uma coisa curiosa, também, que eu falo no meu espetáculo, porque eu aborto de onde é que vem este meu interesse. E eu acho que este meu interesse vem da minha mãe, que já tinha algumas ligações ao oculto neste sentido. Eu lembro de ver em casa livros sobre Allan Kardec e o espiritismo. O meu padrinho também tinha algumas ligações. Eu não vou aprofundar, isso são coisas que eu depois falo no espetáculo, mas eu acho que vem daí, de alguma maneira, o meu gosto, porque meu pai era super-religioso, católico, mas mais do que religioso, meu pai cantava na igreja e era isso que ele gostava. A religião era um caminho pra ele poder cantar. Aliás, o meu pai cantava na igreja e quando estava a preparar os cânticos, dizia: "Vou dar a missa". Portanto, caga lá no padre, eu é que sou a estrela. Vou dar a missa. O meu irmão, zero, não liga nada a isto. A minha irmã, mais ou menos. Mas a minha mãe é que tinha mais este interesse muito curioso. Eu acho que de alguma maneira, isto acabou por estar incutido em mim, ou então, como eu já tenho desde pequeno estes medos relacionados com a morte, se calhar, esta necessidade de querer saber o que é que há do outro lado e o comunicar para me dar alguma tranquilidade. Por outro lado, apesar do meu interesse, eu procuro sempre, como já vos expliquei, uma visão científica, porque eu quero acreditar, mas eu quero acreditar do ponto de vista mais fiável e fiel possível e real possível. E se calhar a malta desse lado que está a dizer: "Mambo jambo". Malta, eu já referi aqui várias vezes, há estudos na ciência a serem feitos sobre experiências de quase morte, sobre mediunidade, sobre reencarnação em vidas passadas. Aliás, o episódio desta quarta-feira é novamente com um psiquiatra, o Alexander Moreira Almeida, que esteve novamente em Portugal e eu aproveitei pra falar com ele. É um psiquiatra, que trabalha num hospital no Brasil e que tem um livro publicado numa das maiores revistas científicas. E foi o estudo, se não me engano, mais lido do ano passado. Portanto, eu gosto mais desta vertente Por outro lado, eu não tenho histórias de fantasmas. Eu lembro deste puto. Portanto, nunca fiz aquelas cenas dos jogos do copo, nem da Ouija board, nem nada. Cagufa, não me meto nessas coisas. Já estive com alguns médiuns, já tive cenas mais estranhas, mas nunca tive experiências pessoais de ver coisas, fantasmas ou entidades, ou o que quer que seja. A cena mais estranha que eu tive na minha vida, isto aconteceu eu deveria ter uns 13 ou 14 anos, que eu não consigo explicar, mas eu acredito que até tem uma explicação plausível, que eu posso dar. Eu estava na minha casa do Alentejo e eu estava sentado no sofá a ver televisão. E eu vou tentar explicar: a sala, imaginem, tem o sofá, tem a televisão à frente e ao lado da televisão há duas portas, que eram duas portas de dois quartos. Portanto, eu estava sentado no sofá, o espaço da sala, televisão na parede, mas a televisão estava entre duas portas, que eram de dois quartos. E a minha avó, que já era velhota e já não estava muito bem da cabeça, estava a dormir no quarto. Imaginem, eu estou virado para a televisão, portanto, da minha perspectiva, estava a dormir no quarto da esquerda. E os meus pais tinham ido à missa, ou tinham ido ensaiar à noite. Eu estou a ver a televisão e de repente, a porta do quarto da minha avó abre-se e eu vejo a cabeça da minha avó espreitar. E eu lembro de dizer assim: "Ó vó, vá se deitar". E a cabeça assim . E eu: "Vó, estou a ouvir, vá se deitar, não está aqui ninguém, pode-se ir deitar". E a minha avó com a cabeça assim a espreitar. E eu: "Ó vó, eu já disse!" Eu era puto, passava-me da cabeça com a minha avó. Eu: "Ó vó, eu já disse!" Eu levanto-me e quando me levanto, a porta fecha-se. Eu vou direto: "Ó vó, eu já disse que pode estar deitada, não está aqui, vá se deitar." E quando eu abro a porta do quarto, a minha avó está a dormir profundamente. E agora, o que foi isto? A única explicação que eu tenho para isto, eu estou a lembrar dessa merda e estou-me a arrepiar. A única explicação que eu tenho para isto é: eu estava sentado a ver televisão, adormeci, comecei a sonhar isto e de alguma maneira acordei a levantar-me, ou seja, quase tipo sonâmbulo. A parte que eu estou a sonhar, ao levantar-me no sofá, eu levantei-me mesmo e acordei nesse momento e fui em direção ao quarto. Quase como estar a acordar meio em pânico e fazer a ação que se estava a ter no sonho. É assim a perspectiva que para mim faz mais sentido. Mas também foi assim a experiência mais fora que eu tive. E sempre que eu tenho pessoas que me dizem que viram coisas ou que tiveram experiências, e pessoas que eu acredito, eu acho que não estão a mentir, pessoas em quem eu confio, amigos, etc. Eu fico sempre naquela: "Fogo, caraças, só eu é que não vejo nada? Porra!" Mas depois também penso assim: "E se eu visse, até que ponto não me ia borrar todo?" Essa é outra questão. E até que ponto não ia questionar, tal como estou a questionar agora. Se calhar via agora aqui a minha mãe e ficava: "Só eu a querer ver coisas." Também podia acontecer isso. E então, nesta busca, leio muita coisa sobre o tema. Mandaram-me agora, eu já li um livro da Federação Espírita Portuguesa, que são vários casos que foram acompanhados. E o livro são os casos e são descritos. Eles são uma equipa de investigação paranormal, que procura do ponto de vista mais científico e mais clean, validar estes casos. E há lá um monte de coisas estranhas neste livro. E é escrito por pessoas que eu conheço, que eu não tenho razões para duvidar, mas ainda assim, não são cientistas. Portanto, para mim, não sendo cientistas, não sendo estudado, eu acho que há sempre a hipótese de haver ali muitas falhas, ao contrário, do psiquiatra Alexander Moreira-Almeida, que é psiquiatra e é um cientista, é um médico, portanto, é alguém que trabalha muito esta área e que faz os ensaios da maneira mais correta. E então este livro, que eu agora não me recordo o nome, mas eu até posso pôr nos comentários do YouTube. Este livro tem lá casos, só casos portugueses, desde estarem numa sala e aparecerem coisas na sala, tipo moedas, ouvirem moedas a cair e de repente está uma moeda no chão. Sei lá, cenas assim muito amarradas. Mas ao mesmo tempo, acaba por haver uma certa desilusão, não é, malta? Não há uma certa desilusão, porque não há uma prova Eu acho que até coloquei essa pergunta ao Alexander. Eu disse: "Será que alguma vez se vai provar que a consciência existe para além da morte?" Eu acho que nunca se vai conseguir provar isso, porque eu acho que isso também ia limitar a nossa experiência aqui, por um lado. E se se provasse que existiam fantasmas, imaginem que agora provava-se que existiam fantasmas e nós começávamos a conviver com os fantasmas. Havia coisas muito bonitas, eu podia rever a minha mãe, podia rever o meu pai. Mas se calhar também podia rever, como muitos médiuns falam, se calhar íamos ver muita gente que não queríamos ver ou muita coisa que não íamos querer ver. Por isso, se calhar, também é bom estarem do outro lado. E o facto de haver sempre esta dúvida, este não se sabe bem se existe, se não existe, é o I want to believe, but I don't know. Mas eu não sei. Por exemplo, eu gosto muito de ver aqueles, à noite, acho que é no Travel, o Ghost Asylum ou Tales from the Other Side. Eu estou a inventar. Mas aqueles programas de equipas de investigadores que vão investigar o paranormal e vão investigar uma casa assombrada e vão investigar não sei o quê. E depois nunca acontece porra nenhuma. Aquilo são programas americanos, as equipas de investigadores americanos parecem todos que são aqueles hillbillies, rednecks de manga cava, que depois falam com os espíritos assim: "Oh, pá, estás aí ou o quê? Queres falar ou não queres falar? Estás com medo? A gente está aqui pra te ouvir. Anda lá falar." Imaginem eu ir buscar malta à tasca e são os caras que me metem num hotel abandonado, assombrado, para eles fazerem investigação. Estão lá eles com os aparelhometros e diz: "Eu sei que tu andas aqui. Onde é que tu andas? Queres aparecer?" E depois, de repente, algum diz assim: "Tocaram-me aqui. Sentiram? Alguém sentiu? Eu fui tocado mesmo aqui na nuca. Eles sentiram?" E tu estás tipo se olhar, e não acontece merda nenhuma. Não está a acontecer. E depois, de repente, assim: "Viram lá ao fundo? Viram aquilo lá ao fundo? Olhem lá pra fundo, vejam lá ao fundo." E mostram a imagem lá ao fundo e vê-se nada. Não se vê nada, porra nenhuma. Mas atenção, que eu já vi dois ou três episódios em que aparecem merdas estranhas. E depois, o que eu faço? Vou logo ver na net: "Isto é real, isto aconteceu, este episódio é verdadeiro, ou isto é guionado, não sei o quê." Era um episódio, eles instalam aquelas câmeras de filmar, e vê-se uma cadeira numa sala de refeições e a cadeira mexe. Mexe. E não é tipo a imagem que se vê mal. Não, a cadeira mexe, vai assim pra trás e pra frente, pra trás e pra frente. E não era de baloiço, mas a cadeira ajeita-se e não há ali nada. Essas cenas eu vejo e eu fico: "Caraças, era isto. Era isto que eu gostava de ver." E depois penso outra vez: "Se calhar, não. Depois ia me borrar todo, porque depois eu sou maluco, depois fico a pensar: agora este cara que está aqui a mexer na cadeira, não me vai deixar dormir sossegado. Se calhar, não é boa ideia." As miúdas estão-me sempre a gozar por eu estar a ver esses programas que não acontece cena nenhuma. Depois há outro que é muito interessante, este era bem construído, não me lembro o nome, mas é tudo no Travel Channel e por aí, nessa onda, Travel, Discovery, que é uma médium e um investigador. Então, o que acontece? Mas é sempre a dúvida, porque lá está, os caras não fazem isto do método científico, caraças. É o quê? É um investigador que, imaginem, há também uma casa que supostamente está assombrada. E o investigador vai visitar e vai falar com as pessoas. E a pessoa conta: "De vez em quando aqui na sala apagam-se ou acendem-se as luzes, ou já me apareceu aqui uns arranhões, e parece que sinto alguém a observar-me." E ele vai investigar a história da casa também. Ok, morou aqui uma pessoa tal, um homem que era muito mau, o que quer que seja. Esta é a primeira parte do programa, portanto, é uma investigação normal, real, física. A seguir, segunda parte do programa, entra a médium, que, dizem eles, a médium não teve conversa nenhuma prévia com este investigador, não sabe o que se passa na casa, nem o que é, e vai só ver o que sente. E muitas vezes, bate certo aquilo que ela diz com o que o investigador encontrou. Agora, lá está, isto é muito giro de ver, é bom entretenimento. Se é verdade ou não... Investigações paranormais também já pensei fazer, mas se calhar não. Já pensei comprar aquelas coisas que se vê nessas séries, o ghost box, que é aquilo que é estática e procura entre as frequências Procura entre as frequências e ouve-se teoricamente vozes. Também já fiz coisas como estar a meditar e meter o meu gravador a gravar. Estou a meditar, a ver se aparece alguma coisa. Népia, nada, não aparece nada. Portanto, é isto. Não sei. Ao mesmo tempo que gostava, vou continuar a ser o "I want to believe" e digo-vos da parte da ciência, aquilo que eu tenho lido e que tenho visto, há muita coisa que aponta exatamente pra uma sobrevivência da consciência. Agora, cada qual faz o que quiser com esta informação. Eu, por exemplo, mandaram-me um trecho de um livro, de uma cena que a maior parte das pessoas não sabe. Vocês sabiam, e isto está num jornal, vocês podem encontrar isto, vocês sabiam que o milagre de Fátima foi previsto três meses antes por médiuns portugueses? Porque estes médiuns estavam a psicografar, portanto, a receber mensagens e a escrever, a dizer que iria acontecer um grande fenômeno, que iria mudar a história no dia 13 de maio de 1917, se não me engano. E estes médiuns puseram um pequeno anúncio num jornal do Porto e num de Lisboa. E isto está no Arquivo Nacional, está lá escrito. Estão lá os anúncios a dizer: "Eu, não sei o quê, recebi esta mensagem que no dia 13 de maio vai acontecer algo que vai mudar a história" ou whatever. Meus, eu não sei. Olha, façam o que quiserem com esta informação, mas há muita coisa que a gente não sabe. E não deixa de ser estranho. Já agora, isso pode dar um episódio engraçado. Se vocês que estão a ouvir isto, tiverem histórias, sejam sérios. Sérios no sentido, façam partilha mesmo de coisas que foram curiosas, que vos aconteceram, com pessoas que tiveram experiências com fantasmas, experiências paranormais. Enviem uma vossa história para o meu e-mail, que pode ser o ant.raminhos@gmail.com. Enviem para este e-mail as vossas histórias com o vosso nome. Se eu receber algumas histórias suficientes pra fazer um episódio, fazemos um episódio sobre estas histórias. Eu acho que ia ser muito engraçado e quem sabe até não iniciar aqui uma nova rubrica. Portanto, se tiverem uma história com fantasmas... Olha, estou a ouvir qualquer merda no quarto. Estão a ouvir? ant.raminhos@gmail.com. Muito obrigado por estarem desse lado e conto com vocês quarta-feira para verem o episódio com o doutor Alexander, que acho que vão gostar bastante. Até pra semana e dia 7 de novembro na Aula Magna. Um abraço.