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Eu bem-sou a Ana Rádio Observador. Hoje com Anselmo Crespo, diretor de novos conteúdos da CNN TV, e Eunice Lourenço, editora de política do jornal Expresso. Bom dia aos dois. A moderar temos o André Maia.
Ora, bem-vindos, meus caros. Obrigado por estarem conosco hoje aqui presencialmente. Fizeram, acredito, uma distância grande pra poder estar aqui. Obrigado também por este batismo.
Sobretudo Eunice.
Exatamente. E vieste muito bem, no campo é que se deve estar bem nesta altura.
E bem-vindo também tu, André.
Obrigado aos dois.
Esta casa que também é tua.
Sim, bem-vindos a este humilde estúdio. Abro-vos aqui as portas. Ora, vamos falar, e se cá começamos por aí, tendo em conta que partilham esse tema ambos, tanto o Anselmo como a Eunice. Presidenciais, e Anselmo, começo por ti. Presidenciais. Faz sentido já estarmos a falar de presidenciais, protocandidatos, avanços e recuos, tendo em conta que ainda temos uma distância grande até lá? Faz sentido pra ti já estarmos a ter as presidenciais a dominar tanto de um midiátismo daquilo que vamos vendo?
Olha, eu confesso que quando o Marques Mendes disse o que disse há uma semana, eu tive que ir confirmar se estávamos em 2023 ou se já estávamos em 2025, porque objetivamente aquilo apareceu caído do céu aos trambolhões. Quando começamos a ligar as pontas, começamos a perceber que, de alguma forma, podia haver ali uma estratégia mais ou menos montada, porque Luís Marques Mendes foi primeiro à festa do Pontal, logo no fim de semana a seguir, decide fazer aquele pseudoanúncio de uma disponibilidade para se candidatar a Belém. E provavelmente do ponto de vista de Luís Marques Mendes, neste caso, e também já agora depois de Pedro Santana Lopes, pelo menos Luís Marques Mendes teve esse mérito, que fez sair da toca logo pelo menos dois protocandidatos.
O Santana diria o contrário, foi ele que fez sair da toca o Luís Marques Mendes.
Mas terá sido esse o objetivo de Marques Mendes? Mexer um bocadinho?
Acho que é um bocadinho isto que a Eunice está a dizer. Luís Marques Mendes começou a perceber que Santana Lopes estava a posicionar, quis posicionar também. Depois veio André Ventura, que é candidato a tudo, até às associações de estudantes deste país, se for caso disso, se alguém precisar de um candidato, ele também pode ser candidato. E, portanto, a direita e o centro-direita entreteve-se uma semana a debater eleições presidenciais, e eu acho que isso tem uma enorme vantagem para o governo. António Costa deve ter rido à gargalhada durante esta semana, porque durante uma semana não se falou de habitação, não se falou de impostos, não se falou do orçamento de Estado, não se falou dos problemas do país, falou-se de presidenciais e sobretudo à direita. Desse ponto de vista, o PS foi muito inteligente, ficou quietinho no seu canto, e teve uma desvantagem para Luís Montenegro e para o maior partido da oposição, que foi não conseguir tempo midiático, espaço midiático para aquilo que verdadeiramente, provavelmente o PSD quereria estar a fazer, que era discutir as suas propostas, olhar pra aquilo que vem aí, que é o orçamento de Estado e portanto a querer afirmar aquilo que é a alternativa do PSD. Portanto, acho que foi um desastre pro PSD, foi uma conquista grande para o Partido Socialista. Inda à pergunta que me fazes, não, não faz sentido nenhum estar a discutir presidenciais a esta distância. Há mil prioridades neste momento para debater. Já falei do orçamento de Estado, vêm as regionais da Madeira, vêm as europeias antes disso, ainda vamos ter regionais nos Açores também antes das eleições presidenciais.
E autárquicas.
E autárquicas. Portanto, pra além do calendário eleitoral atirar as presidenciais pro fim da linha, o país neste momento está confrontado, já vamos falar sobre isso, com um desafio enorme que é uma maioria absoluta, que tem mais dois anos e meio de mandato pela frente, e perceber pra que serviu esta maioria absoluta que o povo deu ao Partido Socialista, pra que verdadeiramente serviu essa maioria absoluta. E esse era o papel do principal partido da oposição. O papel do principal partido da oposição era estar a afirmar uma alternativa, não era permitir que esta conversa sobre presidenciais estivesse a ocorrer. Eu quero acreditar que, como já acabou agosto, isto fez parte da silly season clássica do mês de agosto, mas já estamos em setembro.
Isto mostra como a direita lidera a agenda.
Sim, exatamente. Isso é verdade. Portanto, como já estamos a 2 de setembro, eu quero mesmo acreditar que já passou, foi um sol na cabeça de alguém, e que a partir de agora vamos de fato discutir problemas verdadeiramente importantes pro país, porque a última coisa, eu imagino, os portugueses devem ir às compras, andam aí na rua, os que nos estão a ouvir devem ir todos a pensar: "Mas quem é que eu vou votar nas próximas presidenciais?" Não passa pela cabeça de ninguém.
Isto parece de um país que não tem problemas.
Sim, é isso.
Esta discussão sobre presidenciais dá um ótimo sinal sobre o país. É um país que não tem outros problemas e, portanto, começa a preparar com a devida antecedência as eleições pra o chefe de Estado.
Sim, até parece que estamos aqui contra uma tradição tipicamente portuguesa, que é normalmente fazer as coisas em cima do joelho. Nós, desta vez, estamos a preparar umas presidenciais com três anos de antecedência.
A história também mostra que os candidatos presidenciais sempre têm assinalado marcado espaço com bastante antecedência.
Eunice, aqui o Anselmo também já explicou um pouco do ponto, tendo em conta também este espaço midiático que têm tido as presidenciais. Já vou pedir a nota a ambos. Gostava de perguntar também se concordas com esta questão de estarmos a dar tempo a mais a algo que só vai acontecer daqui a três anos e que neste momento há problemas mais importantes, talvez, pra resolver.
Concordo completamente. Eu percebo que as regionais da Madeira são uma coisa que não diz muito às pessoas, mas falta menos de um mês.
E tem impacto na política também do continente, não é?
Mas sobretudo o que terá muito impacto e que será decisivo, inclusive para as presidenciais, são as eleições europeias. Seria pra essas que os partidos deviam estar a apontar as suas rentrées. Nós ainda não sabemos, provavelmente vão mudar os cabeças de lista de praticamente todos os partidos. Não sabemos ainda quem são. E são umas eleições decisivas para O quadro político nacional, porque o resultado do PSD pode ser muito importante para o futuro ou não de Luís Montenegro na liderança do PSD. Portanto, mesmo as presidenciais, mesmo esta marcação de terreno, pode ser lida à luz do que as europeias podem ser. Podemos pensar que Marques Mendes está já a marcar terreno para que, aconteça o que acontecer nas europeias, ele marcou terreno, mas quem vai tomar decisões sobre presidenciais e apoios a candidatos vai depender muito também das eleições europeias. A direita que se está a mexer, que foi o espaço político que se mexeu mais sobre presidenciais esta semana, é uma direita muito dependente daquilo que forem os resultados das europeias. Esta discussão é um bocadinho do além. Podemos ter ainda visões mais conspirativas e pensar: Marques Mendes avançou não só para se antecipar a Santana, a Portas ou a Durão Barroso, que hoje está na Universidade de Verão do PSD, mas numa manobra até um bocadinho instigada por Marcelo Rebelo de Sousa, uma manobra de diversão para não se falar muito do Conselho de Estado, que já iremos falar, porque o presidente já não sabe muito bem como descalçar aquela bota. Tudo isso é possível. Eu vou já à minha nota, que vai para Paulo Portas.
Que não avançou.
Que não avançou, que disse a frase, que foi muito aplaudida na Universidade de Verão, que é: "O que devia mover o espaço não socialista é criar uma alternativa a António Costa e não estar à procura de um sucessor para Marcelo Rebelo de Sousa." E dou um 16 a Paulo Portas pela frase, pelo acolhimento que teve na Universidade de Verão do PSD e pelo caminho percorrido com o próprio PSD, em que já foi inimigo, já foi parceiro, já foi crítico e agora é um caminho em que se consegue sentir em casa mesmo com o painel laranja atrás dele.
Isso é um 13. 16 é uma nota alta.
Mas eu subscrevo o 16. Foi o único adulto na sala desta semana sobre este tema das presidenciais. Luís Montenegro também disse a única coisa que podia dizer, que é: "Vou pensar nisso daqui a dois anos." Não podia dizer outra coisa. A minha nota é uma negativa, obviamente, dou um sete à direita, ao espaço de centro-direita que deu esta borla gigante ao Partido Socialista e ao governo durante esta semana, não apenas pelos motivos que já elenquei, mas também por uma outra coisa que me parece relevante nesta discussão das presidenciais, é que se o centro-direita tivesse um candidato natural, e tem, mas se tivesse um candidato natural disponível, com vontade de ser candidato presidencial, esta discussão não tinha existido.
Isso é uma coisa que assinalamos um bocadinho na edição desta semana do Expresso, que é: desta vez não há candidato. Ou melhor, há dois candidatos.
Cabral Silva não se posicionou dois anos antes. Jorge Sampaio não se posicionou dois anos antes.
Desta vez até há candidatos naturais. Os candidatos naturais seriam Costa e Passos, e cada um ganhava a sua área, mas não querem, ou pelo menos dizem que não querem. E vai ser difícil os dois espaços políticos terem candidatos que tenham uma grande oportunidade logo à partida. Finalmente voltaremos a ter segunda volta, espero eu.
Pois é, esse é o ponto. Não havendo essa disponibilidade no espaço de centro-direita para um candidato dito natural, pode acontecer, e agora estamos a especular, estamos a falar de presidenciais, pode acontecer que o PS, com um candidato da área socialista menos relevante, arrisca-se, pode vir a ganhar. Porque com este espartilho que o centro-direita está a ter em relação às presidenciais, e que eu imagino bem, ainda falta sair da toca mais não sei quantos candidatos até lá chegarmos, podemos não só ter segunda volta, como o candidato do centro-direita pode não ganhar.
Nota 16 e nota sete, neste caso nas presidenciais. Vamos avançar, até porque quero ir a todos os temas que propuseram para este Vencedor. Eunice Lourenço, continuo contigo, até porque atrás de ti está um ecrã, uma televisão, os nossos ouvintes obviamente não conseguem ver.
Eu também não consigo ver.
Então vou dar spoiler. Está neste momento a falar na Universidade de Verão do PSD Durão Barroso, e foi impressionante, porque assim que mencionaste o nome Durão Barroso, ele apareceu a falar. Foi um momento mágico, foi impressionante. E tu queres precisamente falar sobre as universidades e as academias políticas nesta rentrée, não é?
Sim, quero falar sobre as academias ou universidades, que são uma forma que os partidos encontraram para fazer as suas rentrées. A mais antiga é a do PSD e a minha nota, o meu 15, eu estou de mãos largas.
Hoje está 16/15, por enquanto.
Vai para a Universidade de Verão do PSD e para Carlos Coelho, a quem se deve muito essa iniciativa, por ser uma iniciativa que se preocupa em ter diferentes opiniões. Tem gente do CDS, tem gente do PS, inclusive entre os jovens participantes. Uma das coisas curiosas é que este ano tem lá dois filhos de deputados do PS. E parece-me uma forma muito positiva de aproximar os jovens da política e a política dos jovens. Há mais iniciativas que eu quero aqui elogiar nesse campo, como por exemplo o Summer Camp da Comissão Europeia, que também está a decorrer e termina hoje em Ponta Barca. O PS tem a Academia Socialista Intermitente, não faz todos os anos, mas também vai acontecer na próxima semana e até o Chega tem a sua academia. Essa, se eu desse uma nota, seria negativa, porque o tom da academia do Chega é, e temos esse título no texto sobre a sessão de ontem no Expresso Online: "O que importa é seguir o líder e apoiá-lo em todas as circunstâncias". Portanto, marca uma grande diferença para aquilo que é, por exemplo, a Universidade de Verão do PSD e marca também a diferença por outras coisas, como vão lançar uma plataforma de doutrinação dos jovens, muito associada a uma outra iniciativa norte-americana que, por sua vez, tem vindo a ser acusada de desinformação. Portanto, há grandes diferenças nestas academias e universidades, sendo em geral uma forma positiva de aproximar os jovens e promover o debate político também entre as juventudes. A minha nota positiva vai para a Universidade de Verão do PSD, por ser a mais antiga e a mais plural.
Nota 15 então para a Universidade de Verão do PSD. Anselmo Crespo, queres falar sobre os sindicatos dos professores, sobre este regresso às aulas, que fica marcado novamente por greves e agora também por esta proposta da FENPROF, que exige a recuperação do tempo de serviço dos professores. Já o sabíamos, mas agora com 798 dias por ano. Achas que é o arranque que também esperávamos do regresso às aulas?
O problema é exatamente esse, André, é que nós já esperamos. Eu já disse várias vezes publicamente que qualquer que seja o ministro da Educação, há uns melhores, outros piores, uns com mais peso político, outros com menos, o verdadeiro ministro da Educação nas últimas décadas em Portugal tem sido Mário Nogueira. Porque os ministros vão passando e ele objetivamente vai mantendo o apoio massivo dos professores e, portanto, se ele lá está, é seguramente porque os professores confiam nele e no trabalho que ele tem feito. Mas há uma coisa que me preocupa mais do que esse poder de Mário Nogueira. Preocupa-me as crianças, sobretudo, que são as vítimas do estado da educação em Portugal e sobretudo destas guerras fratricidas entre os sindicatos dos professores e o governo. E nós vimos de dois anos perdidos da pandemia, em que basicamente as escolas tiveram um choque gigante e os nossos alunos perderam, na prática, dois anos em que se fez o possível, por causa da pandemia. O terceiro ano, que foi o último que passou, foi o que foi. Entre escolas abertas, escolas fechadas, há aulas, não há aulas, há exames, não há exames. E agora vamos para o quarto ano nisto. E eu, sendo um democrata e acreditando que os sindicatos fazem falta ao país e que as reivindicações fazem parte da democracia, faz-me muita confusão que os professores não entendam que esta luta se pode virar contra eles. Isto pode se virar contra eles.
E achas que já virou, por exemplo, no último ano?
Eu acho que começa a virar-se contra os professores e eu não estou a ver nenhum ganho de causa para os professores. Repara, esta luta pelas carreiras, por legítima que possa ser, eu nisto acho que o governo tem razão. O governo, para abrir esta porta aos professores, tem que abrir a toda a gente. Acho, aliás, que Marcelo Rebelo de Sousa esteve muito mal quando, não sei se por uma questão de oportunismo político ou se por outro motivo qualquer, decidiu de repente abraçar a causa da devolução dos anos de carreira dos professores, quando, na verdade, é fácil compreender o argumento de que se devolver aqueles anos de carreira aos professores, tem que se devolver a todas as carreiras da função pública. Não vejo que seja possível estar a fazer essa distinção. E não foram apenas os professores que sofreram durante os anos da Troika, é preciso dizê-lo, já nem estou no privado, toda a gente sofreu durante os anos da Troika, os professores não foram um caso isolado. E, portanto, eu não entendo como é que os professores insistem nesta estratégia, que claramente não está a levar a rigorosamente lado nenhum. Eu não consigo ver um único ganho de causa com estas greves, com estas paralisações. Ainda não consegui perceber onde é que melhorou as condições para se ser professor em Portugal, onde é que melhoraram os salários dos professores em Portugal, onde é que melhoraram as carreiras dos professores em Portugal. A única coisa que eu vejo é uma degradação da escola pública, mas a uma velocidade vertiginosa e, portanto, não compreender-
E da relação entre a escola pública e a comunidade.
A escola pública, a comunidade, pais, professores Tudo. Portanto, eu só vejo a escola pública a degradar-se. É como se a estratégia não estivesse a correr bem, mas vamos insistir nela até o fim. Eu acho que isto pode correr terrivelmente mal aos professores, mas acho mais grave ainda que isto pode correr terrivelmente mal aos alunos. Por isto que eu dizia, nós vamos para o quarto ano consecutivo de greves.
A FENPROF ontem já alertou que a falta de professores no início do ano vai notar-se ainda mais do que no último, ou seja, vai ser mais grave.
A FENPROF basicamente quer encostar o governo à parede, como quis nas últimas décadas.
E que não resultou.
E nunca funcionou. Podia cair o ministro, mas não resultou em momento algum. E, portanto, eu quero dar uma nota muito negativa à FENPROF, e não só à FENPROF, aos sindicatos, ao STOP, por exemplo. Deixa-me só fazer aqui um parêntesis.
Mas temos de acelerar.
Eu sei, mas é muito rápido. Eu vou dar uma nota muito negativa, vou dar um 4 à Manuela Fernandes. Esta estratégia dos professores não é o facto de fazerem greve, é esta estratégia kamikaze dos sindicatos dos professores. E só uma nota: eu acho que não é indiferente esta sucessão de greves com uma necessidade de afirmação dos dois partidos à esquerda, ou pelo menos dos sindicatos que estão afetos a dois partidos de esquerda que se tornaram quase irrelevantes nas últimas eleições e que agora precisam de fazer uma prova de vida nas ruas. Porque uma pessoa ouve os noticiários do Observador e é greves aqui, greves ali, funcionários judiciais, médicos, enfermeiros, é todo o setor público em greve. E eu acho que há aqui também um lado de estratégia política que é perverso para a democracia.
Nota 4, portanto, mais uma nota negativa. Eunice, vamos ver se continuamos aqui.
Eu continuo com as mãos largas.
Muito bem, vamos ver se a Anselma continua também.
A distribuir boas notas na doutrina.
A tua equipa de compensar.
Exato. É um equilíbrio. Temos mais ou menos quatro minutos, portanto, peço aqui a vossa maior brevidade e vamos ao novo bispo de Lisboa, no teu caso, Eunice.
Sim, que também estamos a ver aqui numa televisão o início da cerimónia da posse. D. Rui Valério, é pela primeira vez para a minha geração que há um bispo, um patriarca de Lisboa, que não é muito conhecido, que não tinha já um papel na própria Diocese de Lisboa. Portanto, é uma espécie de desconhecido para a diocese e para o país, mas muito reconhecido nos lugares por onde passou e nos presos. Temos uma reportagem sobre ele a contar desses vários locais, do Alentejo até aqui às portas de Lisboa.
É um trabalho até semelhante com o do Papa Francisco, em termos de proximidade com as pessoas.
Sim. E é alguém que, daquilo que se conhece de intervenção pública, muito próximo, com uma visão da igreja de portas abertas, muito à semelhança do Papa Francisco, e também, e esta parte toca-me especialmente, uma visão que me agrada bastante sobre o reconhecimento do papel e do lugar da mulher na igreja. Por toda a expectativa que o que ainda não sabemos sobre ele e sobre o que vai fazer nesta Diocese de Lisboa, deixo-lhe um 17.
Nota 17. Portanto, continuamos com notas altas. Anselmo Crespo, queres falar e terminar com António Costa e o Conselho de Estado?
E mais uma nota baixíssima, de certeza.
Vamos ter mais uma nota negativa?
Não, vou dar o benefício da dúvida.
É uma nota que pode ir em melhoria.
Só por uma razão simples e vou tentar ser muito sintético. Vem um Conselho de Estado.
A continuação de um Conselho de Estado.
Cuja utilidade eu tenho a maior das dúvidas, se tenho alguma.
Estou para ver como é que o Marcelo descansa a barra.
Depois deste episódio patético de um Conselho de Estado interrompido porque o primeiro-ministro tinha que ir ver um jogo de futebol do outro lado do mundo. Mas o meu ponto principal é este: vem um Conselho de Estado, vem um Orçamento Estado. O governo tem mais três Orçamentos de Estado se esta legislatura chegar ao fim, para fazer. E o meu benefício da dúvida vai para isto: nós temos um governo de maioria absoluta a quem o povo deu uma maioria absoluta, e não é todos os anos ou não é em todas as eleições que se tem uma maioria absoluta. Portanto, uma maioria absoluta é uma responsabilidade absoluta. E o que eu vejo quando olhamos para estes dois anos de governo, até agora, é que não há nenhuma estratégia a não ser uma estratégia orçamental. E bem, de ter as contas públicas controladas e baixar a dívida. São duas prioridades muito importantes para o país. O que eu temo é que cheguemos ao fim e tenhamos todos que nos lembrar da frase de Jorge Sampaio, de que há vida para além do déficit, ou devia ter havido vida para além do déficit. E eu tenho muitas dúvidas sobre qual é o legado que este governo vai deixar. Qual é o legado desta maioria absoluta.
Mas ainda acreditas que deixa legado.
Não, é só porque não quero ser um pessimista irritante, mas o ponto é: faltam mais de dois anos e meio para acabar esta legislatura, e nós temos problemas gravíssimos como habitação, educação, saúde, portanto, problemas clássicos que andamos a debater há décadas. O país deu uma maioria absoluta ao Partido Socialista, e eu queria muito acreditar que o Partido Socialista não vai desperdiçar esta oportunidade. É a segunda oportunidade de maioria absoluta que o Partido Socialista tem na história da democracia para deixar o país um bocadinho melhor. Um bocadinho melhor, pelo menos. Não se resolve todos os problemas, mas um bocadinho melhor. E até agora o que nós vimos foi o país sempre a piorar nas suas várias áreas. Portanto, eu vou dar um 10, só para que o Partido Socialista perceba que tem aqui uma responsabilidade e que governar não é olhar para cada dia como se fosse mais uma vitória. "Epa, passou mais um dia e nós ainda estamos no poder." Governar convém fazer coisas, de facto, melhorar a vida das pessoas, não andar sempre a reagir ao que vai acontecendo. Agora é guerra, agora é pandemia. Não, convinha mesmo ter uma ideia estratégica para o país, sobre impostos.
Como se tem dito.
Sim, sobre impostos, sobre habitação, sobre o que fazemos para reter talento cá, os jovens cá. Nada disso está a acontecer e é muito preocupante, porque nós corremos o risco de daqui a dois anos e meio estarmos pior do que estávamos quando António Costa tomou posse como primeiro-ministro, com uma maioria absoluta. E, portanto, um 10.
Nota 10, conseguimos arrancar aqui uma positiva ao Anselmo Crespo. É uma nota positiva, mas com melhoria. Eunice Lourenço, Anselmo Crespo, muito obrigado por terem vindo e por estarem nesta edição do Vencedores, que regressa amanhã.