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"E o Vencedor É", hoje com Filomena Martins, o António Costa e a Judite França. E hoje vamos falar deste caso: será que um primeiro-ministro pode dispensar o cinto de segurança quando se senta atrás no carro? Também temos um presidente da República na primeira presidência aberta, mas não há nada que se compare a uma mena cavaqueira sobre fiscalidade. Quem me quer ver satisfeito, animado, depois de um fim de semana prolongado, é falar de fiscalidade. António.
Pois.
Queres ir ao ISP? Queres ir ao IVA?
Querer, não queria, mas tem que ser.
Qual é o ponto da fiscalidade com o qual nos vais encantar?
Antes de comentar, vamos falar de seguro e de insegurança. Tem a sua graça, não é? Seguro e insegurança. É uma chalaça, fica aqui a nota.
Fica uma proposta para título: seguro e insegurança.
Ele veio a pensar nisto no trânsito.
Eu acho que sim.
Sobre fiscalidade. O governo português acedeu a uma coisa simples, eu creio que basicamente para não ficar mal na fotografia de que não ia atrás dos malvados das petrolíferas e das energéticas com a proposta comum de pedir autorização ou pedir à Comissão Europeia para que avance, como avançou em 2022, com um imposto, enfim, um imposto é uma taxa, isto não é irrelevante, diria que é mais uma taxa especial do que um imposto, mas uma taxa sobre os chamados lucros excessivos destes setores. Em 2022, vale a pena recordar, este movimento foi feito no quadro da invasão da Ucrânia e por causa do disparo dos preços de gás e de eletricidade, e o governo português adaptou uma decisão da União Europeia, estendendo aquele imposto à distribuição, ao retalho alimentar, às grandes superfícies.
Aos supermercados e hipermercados.
Sim. Vamos lá ver. A história mostrou-nos o quê? Que a cobrança deste imposto foi absolutamente miserável. Em 2022, não há muitos números, não há muitos dados. Depois, alguns destes, nomeadamente retalho alimentar, supermercados, impugnaram e até ganharam em tribunal este processo contra o Estado, mas nas petrolíferas, leia-se a Galp e a EDP por causa do gás, e depois outras pequenas, embora estas tenham uma posição de mercado tão grande, rendeu cerca de € 10 milhões, quando o governo anunciava qualquer coisa com uma expectativa de 50 a 100 milhões. 50 a 100 milhões de euros não é de somenos, apesar de tudo, é dinheiro. Mas face à expectativa, acabou por um valor irrisório. Serviu para que não nos pesasse a consciência de olhar para os preços da gasolina e da eletricidade e achar que não há aqui alguém a ganhar dinheiro à nossa conta. Mas, na verdade, serviu para muito pouco.
E isso é porque é difícil chegar ao que é um lucro extraordinário?
Exato. Para já, é uma dificuldade chegar ao que é um lucro extraordinário, como é evidente. Mas não só. Porque é muito importante, e o governo tem passado essa mensagem, olhar para as margens destas empresas e perceber se as margens estão a aumentar face ao que acontecia no ano passado, por exemplo, sem guerra. Porque isso pode indiciar que, de facto, temos aqui um aproveitamento do contexto internacional para reforçar essas margens. Parece muito positivo que o governo sinalize publicamente e depois que as inspeções respetivas, atividades econômicas, nomeadamente, fiscalizem e garantam que não há aqui, de facto, abusos. Mas o que se tem verificado e o que se verificou, até pelos resultados deste imposto, em 2022, foi exatamente que, obviamente, terá havido sempre alguém a abusar em alguma coisa, até porque é preciso também acrescentar que na nossa estrutura de negócio da distribuição de gasolina e de combustíveis, há postos que são diretos destas grandes empresas, mas há muitos mais que são revendedores, que têm aquelas marcas e, portanto, nós podemos até apontar o dedo à Galp e às outras.
E já percebemos que têm margens reduzidas.
Sim, têm, porque o negócio é de volume. O que não quer dizer que seja um mau negócio, é um ótimo negócio, mas obviamente que eu fico sempre um bocado incomodado, confesso, quando vejo comentários na televisão simplistas, dizer: "Isto está tudo mal, mas quem está bem são os acionistas da Galp." Mas eu diria que entre um misto de ignorância e de ideologia, se explica este simplismo da afirmação. Acho que o tema da resposta a esta crise, isto vale como medida simbólica para que o governo mostre aos portugueses que está atento, que está alinhado e que não para perante Vamos chamar o grande capital. Estava aqui a fazer as aspas, o grande capital. Quem nos está a ver em vídeo, viu as aspas. Mas mais importante que este tipo de medidas, são mesmo medidas de ajuda direta e de apoios diretos às famílias. Já que o Luís Montenegro recuperou uma medida de António Costa, tem a sua graça, porque foi recuperar uma medida de António Costa de 2022, valia a pena, se calhar, recuperar uma medida que o próprio PSD e Joaquim Miranda Sarmento, à data, como líder parlamentar, propôs, e que ainda não foi falada neste contexto desta crise, que são os vouchers diretos, esses sim, a quem precisa diretamente. As famílias com determinados rendimentos e que obviamente têm mais dificuldades neste contexto em que estamos a viver, com o aumento dos preços, com os combustíveis, porque isso garante realmente que os apoios públicos, que são sempre poucos face aos problemas, chegam a quem tem mesmo problemas, a quem precisa. Ao contrário de uma medida que tem sido sucessivamente renovada todas as semanas pelo governo, que é este genérico e transversal redução de apoio no ISP, que tanto chega a quem tem um carro e tem muita dificuldade para pagar essa conta, porque tem que ir para o emprego e não tem transportes, infelizmente, tem que ir de carro, como chega a quem tem um carro de alta cilindrada, gasta muito porque obviamente consome mais e tem obviamente muito melhores condições para pagar o aumento que estamos a sofrer.
Até porque essa medida do cabaz, antes de António Costa, tinha sido proposta pelo próprio PSD.
Sim, é isso, foi isso que eu disse. O PSD propôs essa medida, ela acabou por ser adotada, salvo erro, com 240 € de cheque dirigido à alimentação, embora eu perceba o ponto moral, que é: vamos só dar um cheque para gastar em alimentação. Vamos lá à tua moral da história. Embora o dinheiro vá para um lado ou para o outro. Mas eu dou um 11 ao governo por esta iniciativa. Nem acho que seja fácil do ponto de vista jurídico e vai dar outra vez problemas. Portanto, ela serve essencialmente do ponto de vista político, para que o governo não fique de fora. Toda a gente aqui a qualquer coisa diz: "Espanha, mas Espanha está a dar tanto e portanto agora vai Espanha cobrar às petrolíferas, nós também não podemos ficar de fora." O nosso setor petrolífero energético é bastante diferente do espanhol. Cada caso tem o seu enquadramento. Eu dou um 11 a esta iniciativa porque é sobretudo simbólica e política. Filomena, é assim que as pessoas entendem tudo isto?
Acho que não. Acho que isto é uma espécie de lucros de crise, impostos de crise. Faz aqui o contrabalanço. A questão, como sempre, não é técnica, como dizia o António, é política. E se é política deveria ser vista de uma outra forma, mais estrutural: até onde é que a Europa quer ir para limitar os ganhos privados? Discutam isto desta forma e talvez as pessoas possam perceber o que se passa aqui. Quando o custo público dispara, o que é que há a fazer? Eu numa situação destas assim estaria de acordo.
Mas isso seria meio caminho andado para o capital ir ainda mais depressa para os Estados Unidos e até para a China.
Mas será preciso ver caso a caso, se a exceção algum dia passar a ser regra.
Limitar os lucros?
Não, acho que tem de ser visto numa visão mais superior.
Eu não sou libertário. Acho muito bem que haja fiscalização, obviamente.
Acho que tem de haver fiscalização.
Contra a especulação, contra ganhos abusivos neste contexto de crise.
E até quando eles combinam todos os preços de tudo e mais alguma coisa.
Aliás, pior quando um cartel como o da banca passa despercebido, mas morre em tribunal porque prescreveu, isso é que é verdadeiramente grave.
Agora, com estes preços, há aqui esta medida, como tu dizes, simbólica, para parecer que faz, mas que eu acho que não vai ter impacto nenhum nas pessoas.
Eu continuo a achar que o cabaz era uma boa solução. Já achei no passado, em 2022. O cheque. Sim, o cheque. E acho uma pena que o governo não se tenha lembrado de uma medida que o próprio Miranda Sarmento tanto defendeu. Eu acho que se calhar vai acabar lá. Eu acho que a questão é que é mais cara. Claro que sim. Tem mais impacto orçamental. Certo. E, portanto, eu admito essa evolução. Estamos a fazer isto por degrau. Por degrau, em função da gravidade. Só mesmo para terminar, vamos lá ver. Em dois anos, este governo não reformou nada. Isso é certo e sabido, não precisamos de repetir. Mas a verdade é que os portugueses, em dois anos, por circunstâncias, eu diria mais conjunturais, de distribuição de rendimento, de consumo, têm hoje, na sua esmagadora maioria, mais rendimento disponível do que tinham há dois anos quando este governo entrou. Dizes bem, mais rendimento disponível. Sim, que é o que conta. Mais rendimento disponível, porque as carreiras especiais da função pública foram aumentadas, porque os impostos, apesar de tudo, baixaram, porque os pensionistas receberam dois bónus além de aumentos, porque o salário mínimo aumentou muito acima da inflação. Eu diria que há dois grupos, também para ser justo e transparente, que estão provavelmente hoje pior, que é quem chega hoje ao mercado de trabalho e que, de facto, tem muita dificuldade em ter uma casa a um preço compatível com os salários ou quem, por azar, cai naquelas três coisas que é o DDD: divórcio, desemprego e doença, e que depois, obviamente, perde rendimentos no quadro atual. Esta avaliação está a fazer-se num momento em que estamos a discutir aumento de combustíveis. Isto mistura talvez este simplismo de dizer que quem ganha no meio disto tudo é Galp e EDP. Agora vamos falar sobre a presidência aberta, a primeira de António José Seguro, e logo cinco dias para abrir, Judite.
Não são muitos. Mário Soares fazia mais, fazia presidências abertas mais longas, mas acho que cinco dias.
Fazia mais longas?
Sim, fazia mais longas. Mas cinco dias não é mau, acho que é um bom começo. São os cinco dias da semana. Acho alguma graça que o primeiro-ministro vá a Tomar reunir-se com o presidente da República, portanto, não interrompe.
O respeito é bonito.
Exatamente.
Vá, ou seja, uma boa ideia.
Deve ter ligado a dizer assim: "Estou em Tomar." Portanto, amanhã não pode estar em Belém.
A reunião que agora é às terças-feiras e não às quintas.
Na qual já vai ter muito para destrocar António José Seguro, porque leva já a queixa em Pedrógão Pequeno da Nacional 2, há um troço que está interrompido, disse logo aos populares que o abordaram que vai levar à reunião amanhã com o primeiro-ministro este tema. Portanto, de duas, uma: ou a oposição apanha aqui boleia do presidente da República, ou o presidente da República ocupa o lugar da oposição e aí há a atenção do Partido Socialista, porque não ocupará, com certeza, o lugar do Chega. Vamos ver como é que correm as presidências abertas. Eu acho que elas deviam ser presidências seguras e não abertas. Piada. Isto porque é seguro o trabalho que o presidente da República está a fazer, é um bocado trigo limpo, farinha em parte. O que é que lhe pode correr mal daqui? Pode correr mal o fato de a sua palavra não ter grande força. É evidente que isso pode acontecer. Mas neste contexto não me parece que isso seja, o governo nunca fará isso de motu próprio. Se o fizer é porque não resolve um problema, porque não pode resolver, porque é incapaz de o resolver, mas não será uma guerra aberta com Belém. Eu acho que Luís Montenegro prefere este tipo de oposição do que uma oposição parlamentar, do que uma oposição do Partido Socialista.
Achas?
Acho que esta oposição, ter um grilo falante não é mau, necessariamente. Até pode ser altamente proveitoso, um trabalho em equipa. Enfim, deixemos a política um pouco de lado e pensemos que isto é um trabalho em equipa. E pode ser.
Não é mais exigente?
Sim, é mais exigente, mas também é mais certeiro. Não me parece que seja: vamos ter uma reforma na saúde, e agora uma coisa genérica.
Isso é o pacto.
Uma coisa genérica.
Não te interrompo mais.
Estamos aqui a falar em coisas muito particulares.
Não, só isso, porque eu acho que não sei se é mais certeira. Eu acho muito bem esta iniciativa do presidente, mas ele corre o risco de se transformar numa espécie de sandbox, uma caixa de ressonância de pessoas que não é por coisas certeiras, é para os problemas que cada um tem. Vamos lá ver, os governos não devem agora começar a governar, porque há um telhado que infelizmente tem que ser resolvido, mas a política deve responder do ponto de vista estrutural. E este tipo de iniciativas, as pessoas aproveitam e vão naturalmente para ganhar protagonismo.
Mas se tu tens um troço de uma estrada interrompido, ainda bem que há alguém que te pode ouvir e que o pode passar.
Não, eu acho que o efeito é que agora o presidente da República vai falar com o primeiro-ministro, para o primeiro-ministro chamar a Infraestruturas de Portugal, e agora a Infraestruturas de Portugal vai alterar o seu calendário. De duas, uma: ou aquilo está tudo mal, então corram com a administração de Infraestruturas, ou a Infraestruturas de Portugal está tudo bem e diz: "Ó senhor primeiro-ministro, desculpe lá, mas sabe que isto é uma empresa, não é uma direção geral, é uma empresa, há concursos, há planos, aquele troço deve ter uma explicação."
Para mudar alguém.
Não, que haja explicações, que sejam dadas explicações.
O problema é que nós já desconfiamos muito das explicações.
Que isto seja um eco útil sobre o retrato de um país que viveu aquela desgraça e nós percebemos que os apoios não chegam, que tardam. Eu estou à espera de ver o ministro Castro Almeida dizer que os portugueses ainda têm que se aguentar mais um mesito com o seu ordenado, porque é só mais um mesito, para o mês que vem é que é.
Aquilo que me parece mais certeiro, como dizia há pouco, e também mais eficaz, é em vez de ter uma presidência aberta, como fazia Mário Soares, que eram presidências abertas, agora é sobre a interioridade. São coisas genéricas.
Sobre o ambiente, também fez aqui em Lisboa.
Aqui não, aqui é sobre uma coisa inconcreta. É evidente que estamos a falar de um evento que aconteceu, de um evento que o presidente da República prometeu seguir, acompanhar.
Sim, este é o cumprimento de uma promessa.
É o cumprimento de uma promessa.
E vem.
E vem. Portanto, eu acho que António José Seguro, pelo primeiro dia, passou com boa nota. Acho que o primeiro-ministro terá sorte se aproveitar este ombro de Belém.
Seu governo.
Não, eu também concordo com a iniciativa. Seguro começar esta presidência aberta onde o país dói e não naquelas inaugurações que às vezes são muito chatas. E ele começa neste desconforto das estradas cortadas, das casas ainda danificadas, dos apoios que chegam sempre depois da promessa. Está por ali na Sertã, Pedrógão Pequeno, Oleiros, Península Nova. Está a fazer o que prometeu, parar, ouvir e deixar as pessoas falar. E acho que sim.
Seguro e vai.
E são cinco dias.
Hashtag.
Hashtag. Ouvir o centro do país sobre esta resposta aos danos da tempestade, que foram mais. Eu acho que estamos a assistir à construção de um estilo de autoridade que Seguro quer construir, sem muito ruído. Esta presidência aberta No entanto, não é neutra. Segur está no terreno a fazer aquilo que o cargo permite, verificar se os apoios prometidos pelo governo estão de facto a chegar. Mas ele não acusa, não dramatiza, só regista. Mas quando um presidente regista, também expõe. Há aqui esta ideia.
Regista e diz: "Vou levar o tema."
Certo. E quando houve queixas sobre as estradas cortadas ou as indemnizações que não chegaram, ele também não precisa criticar diretamente o Executivo, basta ele aparecer, dizer: "Isto vou falar", e já está a pressionar o governo, as seguradoras, a Estradas de Portugal e todas as instituições que devem fazer mais e melhor pelas pessoas. Isto tem uma tradição, nada disto é novo em Belém. A marca começou com o Soares, num tempo dominado pela maioria absoluta de Cavaco Silva, que era muito tecnocrata, pouco dado à rua, pois Soares percebeu ali o espaço que tinha e como não podia travar esta maioria dentro das instituições, foi fazê-lo fora dela, foi para o terreno, ouviu, expôs. Não gritava contra Cavaco, mas obrigava a ouvir um país que não cabia nas folhas de Excel do Cavaco.
Agora, como o António antecipava, nada dessas coisas por vezes se resolvem por decreto ou até por vontade. E se daqui a 15 dias ou daqui a um mês tudo estiver igual, quem é que perde mais? É o primeiro-ministro ou é António José Seguro?
Há aqui um problema, porque ele está a fazer do terreno o palco presidencial. Marcelo também o fez, sobretudo nos incêndios de 2017. Mas desde 2017 passaram nove anos e há apoios que ainda não chegaram a Pedrógão, por exemplo. Pedrógão era mais ativo, abraçava, consolava, chorava, também endroçou as coisas, falou de falhas, responsabilidade, pressionou tanto o governo que caiu uma ministra, Constança Urbano de Sousa. Também era um presidente, além do afeto, da pressão. Agora a diferença está muito no estilo. Segur parece escolher outro caminho, menos toque, mais escuta, menos emoção, mais registo. Cruza um bocadinho as tradições todas, a presença de Soares, a contenção do Sampaio, ensaia um bocadinho à sua maneira o afeto de Marcelo. Mas não está apenas a mostrar o país, está a verificar o estado do país. Isso vê-se nos detalhes. Ele vai levar as preocupações ao primeiro-ministro, mas também vai levar o primeiro-ministro lá. Ele fala em acelerar apoios e preparar avaliações sobre as falhas na resposta, sem grande crispação, sem confronto direto, e isto num tempo de política ruidosa. Ele tenta abrandar, escutar, observar com aquele seu estilo muito contido, mas isto é um ocupar de espaço raro, que é o da autoridade tranquila, até marcar uma coisa. A questão é simples: ele vai conseguir, como tu perguntas, esse espaço ainda existe? Existe espaço para isso, para este tipo de autoridade? E por isso é que eu digo, e vou por aí, isto é uma espécie de teste dele, mas não é um teste ao país, nem apenas ao governo, é um teste ao próprio presidente, a ele próprio, e à capacidade de se fazer ouvir. E de poder até fazer concretizar coisas. Como eu estava a dizer, há nove anos que foi Pedrógão e Pedrógão, o Marcelo era bastante emotivo, não aconteceu nada. E também acho que é um teste ao PS, como estávamos a falar, porque o Carneiro, pós-congresso, é preciso estarem atentos para tirar eventualmente conclusões de como se faz oposição socialista a um governo de centro-direita. Não vá alguém aí no futuro próximo pensar que a comparação é essa.
Pode retirar protagonismo a Luís Montenegro.
Pensar que um líder da oposição é Seguro.
Sendo socialista. Mas também é injusta a comparação, porque não está nos mesmos planos. Um é líder do Partido Socialista, outro é presidente da República. Portanto, obviamente que se espera que haja alguma coisa que o presidente tenha é força da palavra. Portanto, espera-se que a palavra e estas iniciativas tenham impacto. Eu acho muito positivo, não é só que cumpra a palavra, obviamente, ou a promessa, isso é uma evidência. Mas vai haver aqui um equilíbrio que o Presidente da República vai ter que fazer entre se transformar numa caixa de ressonância, como eu dizia há pouco, de coisas soltas, de preocupações, de dramas até pessoais, que são obviamente muito legítimos e que é mais do que natural que as pessoas exponham. E essa exposição pode ter um efeito positivo, pode acabar por transformar o Presidente da República neste papel de altifalante, que também não é isso que se espera. Nós dizíamos que não esperávamos as selfies de Marcelo e que o poder da palavra é muito importante. Por isso é que eu dizia que não me parece que seja mais confortável para o primeiro-ministro esta iniciativa. Eu dou um 14 a António José Seguro por este primeiro dia. Veremos como é que corre, porque vamos ver, no final da semana cá estaremos. E se todos os dias se repetirem estas cenas, vão precisar de um dia de reuniões em Belém.
Só um?
Para ir a todos os pontos. Filomena, vamos à tua nota para a presidência adaptada.
Eu fico com 10, à espera do futuro.
Judite.
Eu tinha um 15, mas até me sinto mal Pronto, mas está bem.
Dito.
Porque eu acho que correu bem.
Pronto, a quem?
Correu bem.
Estou a ver o que se vai passar agora.
Vamos ver os próximos dias, mas eu acho que este registo
Dá para passar
Ao contrário do registo de Marcelo Rebelo de Sousa
É mais contido.
E é um registo em que se pode proteger mais ele próprio.
Mais grávidas.
É, sim.
E vamos falar também de um vídeo
De um vídeo, é verdade
Feito pelo senhor primeiro-ministro
Que está a andar num popó.
Que está a andar no banco de trás de um carro sem cinto.
Sem cinto de segurança. Está feita a piada, não é? Podemos fechar o programa, porque de facto parece-me absolutamente inacreditável. Eu percebo que aquilo é um vídeo, que se calhar era preciso pôr um microfone de lapela, que alguém disse: "Não ponha o cinto, que isso depois faz barulho." Deve ter sido uma coisa qualquer deste género, estou a imaginar como estas coisas funcionam.
Ou vamos só abanar o carro a fingir que está a andar.
Sim, isso é fingir. Agora, é muito grave, é incrível que alguém que tenha publicado este vídeo não tenha visto o óbvio, que é não ter cinto de segurança. E o que me leva a pensar: isto é habitual. Quer dizer, é o que me leva a pensar.
Mais um fim de semana trágico na estrada. 18 mortos, mais de 800 feridos, 47 deles em estado grave.
É caso para, na próxima vez que tiver um microfone à frente, dizer: "Eu peço imensa desculpa. Não volta a acontecer."
Espero isso e espero que seja amanhã, à frente da Seguro, se ele hoje não falar. Mas já devia ter vindo falar, já devia ter vindo pôr um post nas redes, agora é tão tiktoker, é tão instagrama. Estes números, que eu acabei de referir, voltam a expor um padrão conhecido em Portugal, que é excesso de velocidade, embriaguez, distração e incumprimento das regras básicas de segurança. Foi o que disse hoje, estou a citar, a PSP e a GNR quando deu estes números, que são a soma dos números da PSP e da GNR. E por isso, mais que uma infração, a imagem de Luís Montenegro ganha aqui muito peso, porque na estrada os gestos mais simples podem ser muitas vezes decisivos. E um PM tem de dar o exemplo. Neste caso, não deu. Deu o mau exemplo.
E vou dizer, isto também mostra que o governo devia parar de fazer vídeos.
Pelo menos bem, se faz.
Já agora, não revelem.
Cada vídeo, cada mel.
Cada vídeo, cada mel. Parem lá de fazer vídeos. Governo, parem de fazer vídeos.
Vão lá fazê-lo de novo e digam: "Peço imensa desculpa por este vídeo, alguém se esqueceu de me mandar pôr o cinto e eu estava nervoso para gravar." Qualquer coisa do gênero. Peçam desculpa.
Só basta pedir desculpa. Acho que do que inventar desculpas, é só pedir desculpa.
Só se diz que foi um lapso.
Será que vai acontecer?
Não, conhecendo Luís Montenegro, diria que não, mas pode-me surpreender.
Há até formas de não usar o cinto atrás. Há desculpas para não usar o cinto atrás. Sim, mas estão enquadradas.
Sim, muito devidamente enquadradas.
Quero deixar notas
Para Luís Montenegro?
Sim.
Zero redondo.
Zero, aí está a Filomena Martins.
Eu dou um 4,0.
Pois, eu dou um 4,0 também.
Dás um 4,0?
Vocês não são tão simpáticos.
Então pronto.
Tu és a mais severa professora destes. Classificadora.
Dou um 4,0 e um conselho: não faça mais vídeos.
Não faça mais vídeos e também use o cinto de segurança. Não custa nada e salva vidas, continua a salvar vidas. Até amanhã.
Até amanhã.