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Esta agora o "E o Vencedor É?" a extra até às 20h. Damos notas aos protagonistas das eleições deste domingo, António Costa e Anselmo Crespo. Não terá havido surpresas no vencedor, na expressão, eventualmente, temos um novo presidente eleito, António José Seguro. Bom dia aos dois, António e Anselmo.
Bom dia.
O que fará, Anselmo, o que fará António José Seguro com esta vitória e com esta expressão de votação?
Bom dia. Eu acho que essa é a grande questão, pelo menos pra mim, que se coloca, porque António José Seguro chega a presidente da República numas eleições muito estranhas.
Numa campanha muito estranha.
Numa campanha também muito estranha, muito prolongada. Nós estamos há pelo menos um ano, pra não dizer há mais de um ano, a debater eleições presidenciais. Sem querer diminuir a vitória de António José Seguro, a verdade é que ele chega lá um bocadinho por exclusão de partes. António José Seguro existiu durante todo este período, foi ocupando espaço e esse espaço foi se alargando, primeiro dentro do Partido Socialista, depois à esquerda, depois à esquerda e no centro-direita. Isso em si mesmo pode ser considerado uma estratégia. Quer dizer, é uma estratégia improvável, mas é uma estratégia, e é uma estratégia vencedora, e a expressão com que António José Seguro vence as eleições é a prova disso mesmo. Agora, dito isto, é importante perceber que, como o próprio disse ontem à noite, esta votação e estes votos que ele teve se extinguem a partir do momento em que ele assume a Presidência da República e, portanto, ele agora é o presidente de todos os portugueses, que é uma frase que fica sempre bem dizer nestas circunstâncias, mas que, na verdade, é isso que o país espera dele. Mas é importante perceber o que ele faz com esta votação e com esta vitória. E o que ele faz, pra mim, é uma incógnita, porque como António José Seguro tem sempre aquele discurso muito próximo de Miss Mundo, difícil até de criticar. Quer dizer, é difícil discordar de qualquer coisa que António José Seguro tenha dito durante a campanha. Ninguém sabe ao certo o que António José Seguro vai ser como presidente da República dentro daqueles que são os poderes do presidente da República. Pra mim, o ponto mais relevante da presidência de António José Seguro e da votação que ele teve, é saber se ele vai conseguir tornar esta votação em relevância política ou se, pelo contrário, vai ser irrelevante politicamente. Diz isso.
O António quer dizer alguma coisa.
Vou tentar criar três pontos rápidos pra complementar o que dizias. De facto, nós sabemos muito, mas sabemos pouco de António José Seguro, ou do que pode ser o exercício de poder. Ele está particularmente legitimado, mas eu acho que pra passar a dimensões mais concretas, vai ser interessante perceber como é que responde à primeira crise governativa, como é que se vai comportar o presidente da República quando houver a primeira crise.
Imaginemos, por exemplo, na discussão do orçamento de Estado daqui por uns meses.
Ou antes, algum caso. Vamos ter o verão e os incêndios outra vez aí.
E vamos ter a reconstrução da zona centro, que Seguro disse que ia ser uma prioridade.
Enfim, é previsível. Eu acho que não é preciso ser muito especialista. É previsível que haja uma remodelação no curto prazo, até pra o governo aproveitar este novo ciclo político, aproveitando o novo presidente. Como é que o presidente responde a isso? A segunda dimensão é como é que responderá, como é que vai gerir uma provocação e uma tensão motivada pelo Chega e por André Ventura, que disse: "Muito brevemente vamos mexer o governo do país". Parece que o Chega já quer ir a eleições tão rapidamente quanto possível.
"E não contem com o Seguro pra isso", disse ele ontem.
Mas vamos ver o que acontece quando o PS também se quiser alavancar nesta vitória. O que Seguro vai fazer. Se vai ser o presidente de todos os portugueses, todos mesmo, à direita e à esquerda, se vai ser um presidente que não será capaz de se libertar da sua origem e essa política. Isso acho que vai determinar o que teremos nos próximos cinco anos.
Isto é tão mais importante quando nós nos lembrarmos, em 2017, o peso que Marcelo Rebelo de Sousa tinha enquanto presidente da República, era tão grande, que conseguiu levar a demissão de uma ministra, neste caso Constança Urbano de Sousa, depois de um discurso, não diria inédito, mas muito fora do comum, em que o presidente da República fala um dia às 20h ao país e no dia seguinte a ministra está demitida. O mesmo já não acontece com João Galamba, em que Marcelo Rebelo de Sousa estica de tal maneira a corda com António Costa, e António Costa pura e simplesmente ignorou e continuou com João Galamba no governo. E é nesse sentido que eu digo que eu acho que Seguro tem aqui um desafio, que é o da relevância política, sobretudo quando tem agora como primeiro-ministro Luís Montenegro, que no caso de Marcelo Rebelo de Sousa, foi completamente ignorado pelo primeiro-ministro a todos os níveis. Não era só ignorar o que o presidente dizia.
Foi ostensivo.
Era ostensivamente ocultar a informação do próprio presidente da República. Claro, nós dizemos: Marcelo banalizou a palavra, tornou-se um presidente que o primeiro-ministro não levava a sério. Ainda por cima, eles conhecem-se bem, toda gente sabe qual é o perfil de Marcelo Rebelo de Sousa. Mas a verdade é que no primeiro mandato, sobretudo, isso é mais ou menos comum a todos os presidentes da República, no primeiro mandato Marcelo não só teve uma votação expressiva, não tão expressiva como António José Seguro, mas teve uma votação expressiva. Venceu à primeira volta. Era um presidente, não diria consensual, mas próximo disso. É reeleito de forma ainda mais consensual do que na primeira eleição Um apoio implícito de António Costa e do Partido Socialista, e isso dava-lhe uma autoridade. Marcelo quando falava, pelo menos durante uma parte do mandato, era ouvido e o país respeitava, e o próprio governo, não digo que ficava insentido, mas tinha em linha de conta as posições do presidente, porque sabia que o que o presidente pensava tinha um impacto na opinião pública e tinha um impacto no eleitorado. Essa é a minha grande dúvida sobre António José Seguro. É que ontem quando ele faz aquele discurso de vitória, os dois, três primeiros minutos eu pensei: "Olá, temos aqui um presidente, está certo. Isto não tem nada a ver com a campanha eleitoral", mas para aí ao quarto, quinto minuto, António José Seguro fez o mesmo discurso que fez durante a campanha eleitoral.
A natureza das pessoas é a natureza das pessoas.
Em que: "Sou um homem livre, sou um homem sem amarras." E ele próprio depois a determinada altura diz: "Este é o meu perfil e é assim que eu vou ser como presidente." Portanto, ele tem consciência que pro bem e pro mal, aquele é o perfil dele.
Foi assim que ganhou, aliás.
Foi assim que ganhou. Mas agora acabou a campanha. Quer dizer, há uma campanha pra daqui a cinco anos, imagino eu, pra ser reeleito. Mas agora acabou a campanha. Nós agora precisamos, de facto, de um presidente que assuma posições políticas, e é essa a minha grande dúvida. Eu não sei se António José Seguro vai assumir grandes posições.
Já assumiu uma, e eu diria que ganhou antecipadamente.
Qual foi?
Que é no código laboral. Aliás, uma das coisas que eu acho muito negativa de António José Seguro.
Desculpa, António, a posição dele é se a UGT só viabiliza... Isso não é uma posição política.
Não, é uma posição. Tu não percebes exatamente o que ele quer do código de trabalho, mas é uma posição política. Tanto é uma posição política por uma razão, porque se é verdade que disse uma coisa extraordinária, que a concertação, disse na prática, e esta afirmação que tu recordavas diz isso mesmo, que a concertação vale mais que o Parlamento, o que é uma coisa extraordinária vinda de um presidente da República. Nós não votamos na concertação, não nos representamos.
Não escolhemos os representantes da concertação.
A verdade é que o presidente da República disse: "Se isto não passar na concertação, a maioria que se forme no Parlamento é irrelevante, porque se chegar a Belém é porque houve uma maioria que fez aprovar aquele diploma para chegar a Belém." O que o presidente diz, ou presidente eleito, agora podemos dizê-lo assim: "Isso não interessa pra nada. A concertação é que conta." O que disse Luís Montenegro ontem? Enfim, já tínhamos percebido, mas na verdade matou a revisão à anunciada reforma laboral, ao ter uma intervenção, até um pouco inusitada pra quem se pôs fora desta campanha eleitoral como líder do PSD, mas ao dizer: "Vamos ter em conta, vamos seguramente chegar a um acordo com a UGT, já temos aqui discussões." Na verdade, o presidente da República, os sindicatos vão poder dizer, e o presidente da República vai poder dizer: "Fui eu que forcei o entendimento." E a verdade é que forçou. Aliás, uma das coisas interessantes nessa mais do que previsível remodelação, esse ministro do Trabalho fica em funções, porque ficou pra isto. Ficou neste mandato pra isto. Sabe-se que a Segurança Social não é uma área em que o governo queira tocar, o PSD e os pensionistas ainda têm contas a ajustar, e Montenegro sabe isso. Foi pra área laboral, de resto, área donde é especialista. Isto vai ser uma mão cheia de nada, anunciou ontem ao país Luís Montenegro. Portanto, de facto, esta lógica de compromisso já produziu os seus efeitos, e o presidente da República ainda não tomou posse.
Um presidente a fazer pontes, será um presidente institucionalista? Ele já disse ontem, Anselmo, que não vai falar por tudo e por nada.
Isso, eu acho que ele vai ser o mais possível. Aliás, aí sim, o perfil de António José Seguro, e eu acho que em grande medida isso explica a decisão do eleitorado, que era muito clara. Estávamos perante dois perfis completamente diferentes e o eleitorado quis um presidente institucionalista. Acho que em larga medida há um voto de rejeição muito forte em André Ventura, claro, mas esse voto de rejeição tem exatamente a ver com aquilo que foi colocado à frente dos eleitores. Os eleitores tinham dois perfis completamente diferentes e escolheram António José Seguro, que tem esse perfil muito mais institucionalista. E quando eu falo das posições ou da relevância política de António José Seguro, não é só naquilo que ele diz publicamente, naturalmente, é também naquilo que ele consegue fazer nos bastidores, é nas conquistas que ele possa ter na chamada magistratura de influência. Mas para o país, ele é de facto um melão. Nós só quando abrirmos é que vamos perceber exatamente o que é que ali está. Porque, de facto, ele conseguiu fazer uma campanha inteira, para além de ter estado 11 anos calado, conseguiu fazer uma campanha inteira sem se comprometer com rigorosamente nada, nem mesmo com o tema da reforma da legislação laboral. Nós sabemos que ele não promulgaria esta legislação laboral na sua versão inicial.
E sem concertação.
Pronto, mas isto não nos diz nada sobre qual é o pensamento político de António José Seguro sobre as leis do trabalho em Portugal. Sobre como é que se combate a precariedade ou sobre como é que se torna as leis do trabalho mais adaptadas ao século XXI. Nada do que foi dito durante a campanha eleitoral nos indica sequer qual é o pensamento. Nós podemos dizer, ele vem do Partido Socialista. Está bem, mas isso não quer dizer nada. Quer dizer, dentro do Partido Socialista há opiniões pra todos os gostos e feitios. E, portanto, isto é apenas um exemplo. No caso da saúde, é outro exemplo. Nós sabemos que António José Seguro faz um diagnóstico que é difícil discordar dele. Eu não sei como é que António José Seguro vê a relação entre público e privado. Eu não sei como é que António José Seguro vê parte das soluções para-
Aparentemente vê. Vê a relação entre público e privado.
Não, eu não estou a dizer que ele é-
Alguma coisa, mas eu concordo contigo.
Eu não estou a dizer que António José Seguro é um vazio político, não é isso que eu estou a dizer.
Não, eu estou a dizer aparentemente vê, no sentido de que abre a porta, sinalizou que via com bons olhos essa colaboração. Ora, em que termos, em que medida? Não se sabe.
Haverá um pacto, ou pelo menos há a intenção de um pacto.
Vamos ver se é um pacto.
No meio deste melão, António, como é que leste aquela comunicação do primeiro-ministro, até com direito a perguntas, o que nem sempre é muito habitual em Luís Montenegro?
Esta campanha foi muito sui generis Obviamente pelo perfil dos candidatos. António José Seguro queria falar pouco, Ventura queria falar muito, e o PSD e o primeiro-ministro anunciaram ao país: "Não temos nada a ver com isto, vocês resolvam lá essa coisa de menos, que é ter um candidato a não presidente da República, nós vamos continuar a fazer nosso trabalho." Em cima disto, tivemos as catástrofes de Christine e as sucessivas depressões, e isso transformou, de facto, a natureza da campanha. O governo acabou por aparecer mais do que gostaria, e foi chamado, muitas vezes mal, já aqui discutimos, mas chamado a estar presente por causa da resposta à campanha. Mas a verdade é que o primeiro-ministro estranhamente anunciou isso ao país e depois no dia da noite eleitoral, reaparece, de forma também um pouco inusitada.
Antes de todos.
Antes de todos, ainda por cima.
Chama-se marcar território.
Marcar território. Sim, é verdade, mas de facto não era o dia dele, não era o momento dele. O mais inusitado, tenho a reconhecer, foi João Cotrim Figueiredo a comentar a eleição em que ele próprio foi candidato.
Ontem começou uma campanha para João Cotrim Figueiredo.
Inusitado, tendo em conta que podia ter esperado só uma semana.
Desculpem, André, o que significa que as próximas presidenciais, em vez de um ano de campanha, vão ser cinco.
Cinco anos de campanha. Mas a verdade é que o primeiro-ministro percebe e percepciona, de alguma maneira, uma espécie de colete de forças em que ficou. Porque nós não podemos dizer que André Ventura perdeu as eleições, é uma evidência. Mas recordando a vitória poucochinha de Seguro, apesar de tudo, e este é no sentido positivo, foi uma derrota poucochinha. Aumentou mais de 300 mil votos a sua votação, foi buscar 25% dos eleitores que votaram na AD, e provavelmente, nós não sabemos, mas muitos deles votaram pela primeira vez em André Ventura. Não é coisa pouca.
Mas achas que lhe dá a vitamina para tentar já acelerar algum ciclo político?
Eu diria que a vitamina está na sua natureza.
Corre nas veias.
Caiu dentro do caldeirão.
O discurso redondo. Mas a verdade é que lhe dá espaço. É verdade que não pode reclamar, vai reclamar, mas a análise mostra o contrário. Os números de Luís Montenegro nas legislativas, 1.9 milhões de votos, mais coisa menos coisa, e os números de André Ventura. E de facto, assumir que é líder da direita é também dizer ao país que a direita só tem 30% dos votos, o que também é um pouco estranho neste contexto em que andávamos há tantos anos a dizer: "O país virou à direita". E no final, parece que não. Ele virou à direita. De facto, houve uma grande rejeição, mas André Ventura reforçou a sua votação. Nós andamos há um conjunto de anos a dizer: "André Ventura chegou ao teto. Chegou aos 500 mil votos, chegou ao teto. Chegou a 1 milhão de votos, chegou ao teto. Chegou a 1 milhão e 300 mil votos, chegou ao teto". Agora chegou a 1.729.000, acho que são os números oficiais, depois faltam as freguesias por apurar e os conselhos, mas chegou ao teto. A verdade é que ainda não chegou ao teto. O seu teto está a aumentar, teve um pé-alto. Tem uma casa com pé-alto que vai aumentando à medida que há eleições. E isso dá-lhe um poder reforçado, uma capacidade de intervenção reforçada. Do outro lado, tem o PS e um presidente da República, um PS recuperado, mas um presidente da República muito forte. Para onde é que vai governar Luís Montenegro? Vai continuar a governar maioritariamente, a negociar à direita com o Chega, no que puder, ou vai centrar a sua discussão para evitar o que pode ser potencialmente, vamos ver o que dá o presidente da República eleito, mas o que pode ser potencialmente diplomas a chegarem a Belém e serem chumbados. Ele dizer: "Não passa, porque por mim não vai passar um diploma feito à direita com o Chega." Isso é um caminho estreito para Luís Montenegro. É verdade que face a estes resultados, poderia ter sido pior. Se André Ventura tivesse ultrapassado os 2 milhões de votos, era uma situação pior para Luís Montenegro. Mas apesar de tudo, André Ventura reforçou a sua posição, vai pressionar o governo. É certo, também nós percebemos que José Luís Carneiro sinalizou que isto é para a legislatura. O presidente da República sinalizou a legislatura depende dos vossos entendimentos, temos aqui três anos, mas a verdade é que para isso acontecer, alguma coisa terá que fazer Luís Montenegro, porque se continuar a governar como governou neste último ano, seguramente não vai ter três anos de governação e de ciclo legislativo. Parece-me que Luís Montenegro é mesmo um dos derrotados da noite. Eu diria mais derrotado do que quem perdeu as eleições nas urnas, que foi André Ventura.
Posso discordar aqui de António?
Discordas?
Eu não acho nada que ele tenha sido derrotado. Primeiro, porque António José Seguro é o melhor presidente nas opções que estavam em cima da mesa, que Luís Montenegro pode aceitar.
A casejar na tua ponte, vamos ver o que dá o presidente da República.
Neste sentido, eu acho que a presença de António José Seguro em Belém pressiona mais o Partido Socialista do que pressiona propriamente o governo. Desde logo, pelo tema da estabilidade política. Ontem Luís Montenegro lembrava isso no discurso. Só há uma forma de fazer cair o governo: é PS e Chega quererem fazer cair o governo. Não há outra. O Chega sozinho não consegue e o PS sozinho não consegue.
O PS e o governo têm que fazer alguma coisa pra que isso não aconteça.
Não, não é essa a parte que eu discordo de ti. O que eu digo é: eu acho que não estranharia que Montenegro Se estivesse pouco preocupado com a presença de Seguro em Belém, desde logo pelo tema da estabilidade política. Acho que uma das marcas, e Seguro deixou isso claro ontem à noite, que ele quer deixar é a diferença face a Marcelo Rebelo de Sousa, que vai ficar na história, coitado, eu até acho que ele nem tem grande culpa disso, como o dissolvente. Dissolveu mais assembleias do que qualquer outro presidente da República. E na maior parte dos casos, ao contrário do que muita gente acha, eu acho que Marcelo não tinha outra hipótese. Mas isso por um lado. Segundo, a discussão sobre a liderança da direita, para mim é uma tolice absoluta, é mais um tema, como o adiamento das eleições, que André Ventura conseguiu pôr na agenda midiática, porque se André Ventura é o líder da direita, então o António José Seguro é o quê? O superlíder da direita, depois da votação que teve ontem à noite? Não faz o menor sentido embarcar nessa conversa. Mas pronto, André Ventura tem que ir lançando assim uns foguetes para o ar, que é para conseguir chamar a atenção para o lado dele. Mas eu não desvalorizo nada, e aí estou de acordo contigo, o resultado que André Ventura teve ontem, porque para um partido que tem, e às vezes nós nos esquecemos disto, sete anos, o que André Ventura tem vindo a fazer é consolidar eleitorado. De eleição para eleição, André Ventura, tirando as eleições em que ele não se candidata, como as europeias, ou mesmo as autárquicas, foi o que foi, o que André Ventura tem conseguido é consolidar cada vez mais eleitorado para o Chega e não se tem visto grande desgaste, para não dizer nenhum desgaste, nesse eleitorado. Ele tem sido mais ou menos fiel ao Chega. E a largar. E, portanto, isso é um percurso para um partido que tem sete anos, recordo. Não haverá memória de um partido que tenha tido um crescimento tão grande.
Vai continuar a governar, sobretudo à direita, ou com este presidente e pela estabilidade, vai sentar-se mais à mesa com José Luís Carneiro. Com o risco, obviamente, de dar espaço, que esse risco é abre espaço ao reforço, porque na verdade é o que André Ventura deseja.
A narrativa de ser a oposição.
Acho que o Luís Montenegro vai continuar a esticar a corda como fez até agora. Talvez ela um dia possa mesmo partir, mas eu acho que ele continuará a esticar a corda como fez até agora, que é: "Estou aqui, se quiserem derrubem e assumam". E agora pode fazer isso, se quiser, desafiando o próprio presidente da República. Se quiser, convoca eleições.
Com essa mão assim, vai ser difícil.
Repara, na lei de imigração, o Luís Montenegro fingiu que estava a negociar com o PS e com o Chega, mas na verdade ele quis mesmo foi fechar o acordo com o Chega. Ele podia ter fechado o acordo com o Partido Socialista. Era o outro acordo, não era este, mas podia ter fechado.
Não é assim tão diferente.
O Luís Montenegro está convencido que consegue esvaziar eleitoralmente o Chega. Que se conseguir aproximar a governação, sobretudo naquelas matérias que são as bandeiras do Chega, conseguir aproximar a governação das bandeiras do Chega, quando voltar a ir a legislativas, o eleitorado perceberá que não precisa de votar no Chega porque a AD está lá para representar essas bandeiras. Esta estratégia está por provar que possa funcionar. Não estou a dizer que não vai funcionar, está por provar que possa funcionar. E a verdade até agora é que ele aprova coisas com o Chega, mas depois foi o PS que viabilizou o Orçamento do Estado. Vamos ver o que acontecerá no Orçamento do Estado para 27. Mas pelo discurso de André Ventura ontem, do André Ventura não, de alguns deputados do Chega, já se estão a preparar para anunciar um chumbo do orçamento que ainda nem sequer existe. O que colocará outra vez a pressão em cima de José Luís Carneiro. E José Luís Carneiro vai mesmo querer ir para eleições com o Partido Socialista com este Orçamento do Estado?
Com o que se sabe hoje, diremos que não. Com o que se sabe hoje. Mas veremos o que o primeiro-ministro fará até lá.
Veremos como vai ser este ciclo. Ainda não deram, têm oportunidade agora. António, a tua nota.
Eu vim aqui para dar nota, não vou fazer mais nada.
Vamos lá. Queres dar nota a quem?
Quero dar um 16 ao presidente da República eleito, e de facto é uma grande vitória. Vou dar um 12 a André Ventura, porque eu acho que, de facto, é quase proporcional aos 66-33. E vou dar um 10 ao Luís Montenegro, que eu acho que está mais apertado, apesar de poder ter sido pior, claro. Isto pode sempre ser pior, é verdade.
O 10 é para a primeira situação.
Devia ser proibido dar notas a esta hora da manhã, mas já que tem que ser, eu não vou ser tão benevolente, vou dar um 14 a António José Seguro, que é um 14 pela vitória, mas também de benefício da dúvida para perceber o que ele vai ser como presidente. E a André Ventura vou dar um 10, porque apesar de tudo, eu não posso considerar que André Ventura tenha sido um derrotado nestas presidenciais.
Foram as notas do Anselmo Crespo e do António Costa, muito cedo. Bom dia, obrigada. E o V SOS Extra vai regressar, como sempre, no horário habitual depois das 20h30. Até já.