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E o Venceré das manhãs, 360 até perto das 9h. Damos notas aos protagonistas da atualidade e pra isso, Carla, esta quinta-feira estão conosco o José Manuel Fernandes e o Miguel Santos Carrapatozo. Com notas aos candidatos e também, Miguel, começo por ti, com um novo tema a entrar na campanha e na atualidade.

Sim, bom dia a todos. De facto, mais um caso bastante infeliz que prova que o nosso sistema de saúde está muito pouco recomendável e portanto, nesta altura estão a decorrer duas investigações. Já entramos no habitual jogo do passa culpas: INEM, bombeiros, hospitais, governo, estarão nos próximos dias entretidos a tentar provar que não têm responsabilidades neste caso concreto. O que sabemos é que uma pessoa morreu depois de esperar três horas por uma ambulância. E isso não deveria ser normal, muito menos aceitável num país que não seja de terceiro mundo. E este tema, claro, contaminou a campanha presidencial e também é um aviso do quão importante é a próxima eleição do presidente da República. Vimos reações muito diferentes a este caso, mas vimos, sobretudo, muita precipitação em alguns candidatos. Falo de André Ventura, João Cotrim Figueiredo, Henrique Vieira Melo, que muito rapidamente se alongaram a comentar a possibilidade de se demitir a Ministra da Saúde. Eu recordo que o presidente da República não tem competência de demitir ministros. Isso aconteceu uma vez na vigência de Marcelo Rebelo de Sousa e correu mal. Foi com João Galamba, quando Marcelo Rebelo de Sousa sugeriu que o ministro deveria sair e depois foi o que se viu, foi desautorizado por António Costa, foi um incidente muito grave nas relações institucionais entre presidente da República e governo. Um presidente da República não serve para comentar nem pedir demissões de ministros. E o que vimos foi entre esses candidatos, sobretudo eles, depois também mais à esquerda, mas enfim, aqueles que têm, de facto, possibilidade de passar à segunda volta, foi uma precipitação enorme a comentar um caso cujos contornos ainda não conhecemos. Houve duas exceções, por motivos diferentes, naturalmente. António José Seguro, coerentemente, não quis falar deste caso concreto e insistiu na necessidade de haver um compromisso para a saúde, evitando falar sobre a demissão ou não demissão da Ministra da Saúde. E portanto, esteve bem, a meu ver. E Luís Marques Mendes, que também coerentemente, não quis fazer um comentário concreto sobre uma questão relacionada com o governo. Mas aqui teve azar, porque Luís Marques Mendes tem passado os últimos dias a colocar-se debaixo do guarda-chuva do governo e no dia em que se assume mais claramente como candidato do governo, acontece um caso destes. É evidente que os problemas na saúde não começaram hoje, nem começaram com este governo, mas também ninguém, sendo justo, pode esquecer que Luís Montenegro tinha prometido um plano de emergência para resolver os problemas da saúde em seis meses, e esse plano de emergência não está fadigamente a resultar. Portanto, no dia em que Luís Marques Mendes se assume verdadeiramente como candidato oficial do governo, acontece mais uma falha no sistema de saúde e mais uma falha que terá também, não só, mas também responsabilidades deste governo e da política que este governo escolheu para a saúde. E, portanto, teve azar. E é um risco que está a correr, de se colar excessivamente ao governo, tem as suas vantagens, naturalmente, mas depois também pode produzir este tipo de surpresas, porque há notícias negativas todos os dias sobre o governo e, portanto, um candidato que se afirma como representante oficial do governo, pode ter de responder por falhas que não são suas, naturalmente.

José Manuel Fernandes.

Deixa-me só dar uma nota, que é o seguinte: havia um tema, este tema da saúde, tinha um tema que era possível os candidatos falarem dos poderes presidenciais, porque pelo que percebemos, e percebemos que pelo menos esse tema esteve em cima da discussão logo a partir do meio-dia, quando houve a conversa de imprensa do presidente do INEM, que poderia haver, não estou a dizer que houve, poderá haver um problema com a relação entre as urgências da Margem Sul do Tejo e a disponibilidade de ambulâncias por causa das macas que ficam retidas nos hospitais. E, portanto, eu sei que nós neste momento tínhamos uma reforma das urgências da Margem Sul que ficou por assinar, foi devolvida ao governo pelo presidente da República, sem nós sabermos muito bem o que é que está em causa, porque ao contrário do que muitas vezes acontece, não houve nenhuma informação pública das razões da devolução. Eu nem sei se o tema já está resolvido, se não está, fala-se que já está a caminho de Belém outra vez, com pequenos retoques. Não faço ideia.

Com pouca transparência, já agora. Há muito pouca transparência neste caso, na relação entre o presidente e o governo.

E eu acho que isso era um bom tema para os candidatos terem falado. Para situações destas em que há poderes presidenciais que até poderão ter, enfim, não há uma relação direta, porque não seria a assinatura daquele despacho que resolveria de um dia para o outro os problemas dos hospitais da Margem Sul, como é óbvio. Mas há aqui temas onde às vezes o presidente cruza com o governo e que talvez pudesse suscitar, quanto mais não fosse na defesa da transparência dessas relações, de que os candidatos poderiam ter falado. Em vez disso, foram se meter por águas diferentes, alguns deles.

Fica esse registo. A verdade, Paulo, é que, de facto, com um acontecimento como este que ontem foi notícia, a morte de um homem

À espera três horas por uma ambulância e o assunto entra naturalmente na campanha.

Sem dúvida, e pelas razões que se adivinham e que já são conhecidas. Nós percebemos todos que não se formam médicos ou enfermeiros num ano ou dois. Os médicos demoram 10 anos a formar. E portanto, que a questão da falta de pessoas é difícil de resolver e é um problema a médio e longo prazo. Isto é, os problemas de falta de profissionais hoje deviam ter começado a ser resolvidos há 10 anos, para agora estarem no ativo. Agora, ninguém entende que em Portugal, em 2025, se continue estafadamente a falar do problema da falta de macas. As macas compram-se e não demoram seguramente muitos meses a ser entregues. Houve dinheiro do PRR.

Sim, mas eu não creio que o problema seja a falta de macas.

Exato.

São as macas que ficam retidas.

Ficam retidas porque não há camas.

Não, ficam retidas porque não há camas. Ou então compram as camas para substituir as macas.

Não há camas.

Há macas nos corredores.

Os doentes têm de estar em cuidados continuados.

Há desorganização. Há desorganização e falta de planeamento.

Isso é claro.

E se o orçamento da saúde tem sido reforçado, e bem, não é falta de dinheiro. E portanto, quando chegamos ao problema de equipamento físico, que ainda por cima não é dos mais caros na saúde, que é um setor caríssimo em muitos equipamentos, e quando se invoca isso. Esta questão das ambulâncias dos bombeiros que ficam retidas horas e horas à porta das urgências dos hospitais, depois de terem levado doentes, porque não podem ir embora para acolher outras pessoas, porque a maca da ambulância ficou lá dentro e porque o doente que eles levaram está lá ainda. Portanto, os hospitais não têm equipamento para pegar naquela pessoa, pô-la numa cama ou noutra maca, se quisermos, se não houver camas em enfermaria, porque nós também conhecemos os cenários de macas espalhadas pelos corredores. Então comprem macas para estarem nos hospitais para libertar as das ambulâncias. Isto é absolutamente incompreensível. E aqui não há desculpa de ninguém, aqui é pegar uns milhões de euros e comprar macas ou camas, equipamento. Há fabricantes, seguramente que não há falta deste equipamento no mercado.

Faça-se um concurso público.

Faça-se um concurso público, aquelas coisas todas. Portanto, isto é basicamente desorganização e é o deixa andar habitual.

Portanto, nada mudou.

Nada mudou a este nível e continuamos nisto. Agora, a passagem do assunto para a campanha eleitoral, eu acho que é normalíssimo, obviamente, que uma campanha tão renhida como esta está a ser e vai continuar a ser, com um desfecho absolutamente imprevisível, tudo aquilo que mexa vai tornar-se assunto de campanha, porque cada candidato vai ver como é que pode, de alguma forma, explorar aquele tema para ganhar mais uns votos aqui, uns votos ali, porque há a noção, de facto, de que isto vai ser voto a voto. Podem é não fazê-lo de forma acertada, como o Miguel há pouco disse, entre precipitações e a abordagem de comentadores, e estes candidatos não são comentadores, vale tudo, de alguma maneira. Portanto, eu penso que vamos ter mais uma semana e meia disto. Qualquer coisa que aconteça no país vai servir de tema de campanha, como é evidente.

A tua nota, Paulo?

Olha, eu dou um quatro ao deixa andar, basicamente, porque há problemas e problemas na saúde. De facto, uso de desorganização, de desleixo e de falta de cuidado. Basicamente aquilo que o Luís Montenegro chamou de deixa andar na sua mensagem de Natal continua muito bem presente e assuntos podiam ser resolvidos ou minorados e não estão a sê-lo.

Miguel, a tua nota vai para quem? O Paulo dá ao SNS, ao deixa andar no SNS, e tu?

Dou um seis aos candidatos presidenciais que pediram rapidamente a cabeça da ministra da Saúde. Acho que toda a gente dispensa presidentes da República que não percebem o papel que têm de desempenhar. Isso já correu mal no passado e é tempo de percebermos que não vale a pena voltar a insistir em erros.

Quem não pediu a cabeça da ministra da Saúde foi António José Seguro, Bruno, o candidato está com uma pose mais presidencial.

Exatamente. Não precisa, neste momento de fazer muito barulho, não precisa de se envolver nos conflitos dos outros. Os outros estão ali um pouco engalfinhados. E António José Seguro pode, de facto, apresentar-se Como uma imagem batida, o adulto na sala, quem tem uma postura mais presidencial. E eu creio que o momento que marca a viragem nesta percepção é, de facto, o debate entre Gouveia e Melo e Marques Mendes, porque Marques Mendes foi derrubado do cavalo e António José Seguro nem teve de sujar as mãos, não teve de ir à luta. Gouveia e Melo fez esse trabalho que abriu caminho para, neste momento, António José Seguro ocupar o lugar que era de Marques Mendes, porque se nós nos lembrarmos aqui há umas semanas, era Marques Mendes que se apresentava sereno com aquela grávidas de futuro presidente, o tal adulto na sala, enquanto os outros andavam a combater e a trocar acusações. Marques Mendes tinha também esse conforto das sondagens, nós temos falado muito das sondagens, mas pra mim a grande mudança não é tanto na questão das sondagens, é mesmo na postura e na dinâmica que depois isso também cria na campanha, porque Seguro tem essa vantagem que referias, o caso dele não ter de falar da ministra da Saúde. Ele tem a vantagem ainda de não ter de atacar os seus adversários à esquerda para apelar ao voto útil, portanto, não tem de entrar aqui num conflito direto e que às vezes desgasta bastante com esses outros candidatos à esquerda. E agora prefere deixar os outros candidatos, aqueles que estão na parte de cima da tabela, digladiarem-se entre si, porque ele é o único de esquerda entre esses cinco candidatos. E isso é uma grande vantagem para António José Seguro. Claro que Gouveia e Melo, percebendo isso, também já está a atacar António José Seguro, que já percebeu também, não tem de lhe responder, porque faltam a Gouveia e Melo munições para atacar António José Seguro. E a verdade é que, goste-se ou não do estilo de António José Seguro, ele tem uma espécie de capa protetora relativamente ao seu percurso na política em termos de ética, em termos de coerência, e isso tem lhe permitido também passar incólume a certos ataques. E esta dinâmica da liderança e da postura presidencial, eu acho que faz muita diferença numas eleições muito disputadas, em que todos os votos, de facto, contam e em que há eleitores que podem estar indecisos entre votar num candidato ou noutro e acabam por votar naquele que aparenta ter mais hipóteses de ganhar. Isto tudo pode representar, de facto, uma desgraça para o PSD. Imaginando uma segunda volta, por exemplo, entre Seguro e André Ventura, isto é crítico para a AD, para o governo. E António José Seguro contende com isso. Mas se nós olharmos para os cenários possíveis para uma segunda volta, eu acho que não poderia haver pior para o PSD, para o governo, do que uma segunda volta entre António José Seguro e André Ventura, que são os dois que estão à frente das sondagens.

Vai dar uma nota a António José Seguro.

António José Seguro, vou dar um 16.

Um 16. E a Jorge Pinto, José Manuel? Sobretudo depois do debate a 11, com aquela frase.

Eu acho que é um 0,7. Não me safo pela nota. 0,7 é o valor que ele teve ontem.

Agora no barómetro.

No barómetro de ontem. De facto, eu acho que ele tinha uma participação nos debates que não se tinha saído mal. Tinha tido alguma dinâmica discursiva, alguma retórica, algum conhecimento dos dossiês e até uma linha com alguma coerência do ponto de vista dos seus objetivos. Enterrou-se completamente com aquela frase: "Não será por mim que Marcelo não será eleito", porque na prática anunciou e depois teve que desanunciar a sua desistência. E está metido num caminho muito complicado, porque o Livre tinha duas opções: ou apoiar António José Seguro desde o princípio e deixar-se de folclores, como boa parte da esquerda do Partido Socialista, e fazer uma campanha com clareza sobre aquilo que está em causa para a esquerda nestas eleições, ou tinha outro caminho, que era o caminho de tentar juntar os passarinhos no ninho ou os eleitores na redoma para não desperdiçar aquilo que tinha sido o capital acumulado pelo partido nos últimos tempos. Optou pela esta segunda via, que era uma via perigosa, era uma via em que talvez, se tivesse arriscado o nome de Rui Tavares, não se saísse muito mal. Reparem, eu estou a dizer isto e temos um partido que está noutro patamar a arriscar o seu líder numa altura em que não era nada claro que as coisas fossem correr bem. O risco em política também paga. O Livre tinha um caminho das pedras pela frente e resolveu pisar as mais bicudas. Está-se a dar mal. Aquilo que o Livre devia ter aberto desde o princípio, com muita clareza, o caminho era para desistir, de uma forma sem grandes ambiguidades. O PCP já fez isso muitas vezes. Houve várias vezes em que teve candidatos que iam lá defender as suas posições, mas toda gente sabia que era pra desistir. E no limite, se não pudesse ir aos debates, não ia aos debates, não é aí que estão as questões. Agora, isto vai acabar mal, porque como Jorge Pinto já tem declarado em desistir, nesta altura, depois de todos os avanços e recuos, desistir à última hora já o vai deixar ficar mal no retrato Continuar até ao fim e sair com 0,7, 0,8, 1,2 atrás, eventualmente Manuel João Vieira, é para as aspirações do LIVRE, para o caminho do LIVRE, quase catastrófico. O partido não acaba aí, como é óbvio, e continuará bem noutras sondagens, mas é algo que mostra também as ambiguidades de um partido que é muito Rui Tavares e não consegue deixar de ser Rui Tavares, com Rui Tavares a fingir que é o democrata dos democratas e que é sempre tudo decidido em plenário, em votações abertas, em coisas complicadíssimas, que já deram Joacines, já deram um candidato europeu que o partido foi arrastado ao seu apoio, que deram também a trapalhada desta opção presidencial, mas é o que dá a chamada democracia das bases. Que não é democracia nenhuma, acaba sempre por ser uma fantochada para quem julga que nos bastidores manipula os cordelinhos, levar sempre a sua avante. Mas isso é preciso sabermos mexer os cordelinhos melhor do que Rui Tavares tem conseguido fazer. Eu creio que isto vai correr mal a Jorge Pinto, vai correr mal a Rui Tavares, vai correr mal ao LIVRE. Veremos como é que isto vai até ao fim.

Sim, não consegues sequer prever se vai ou não.

Ele não consegue sequer sair dessa discussão. Cada vez que tem que responder a uma pergunta, tem que voltar a este assunto, porque ele meteu-se neste buraco.

No próximo domingo há a votação antecipada. Não sei se condiciona, se pressiona mais os candidatos que admitem ainda convergir numa candidatura.

Eu fui agora verificar o que diz a lei. Já não me recordo o que acontecia quando os candidatos estão no boletim de voto, mas desistiram antes. Penso que os votos são considerados nulos, aqueles que eventualmente votarem neles.

Tal como os outros três lá estão e que não têm a candidatura validada.

Uma coisa é o PCP fazer isto, porque o PCP tem um voto muito disciplinado. Outra coisa é o LIVRE fazer isto, que não é o PCP, não tem voto disciplinado, tem um voto recente, um voto urbano, um voto volátil. Bela trapalhada.

Enfim, um 0,7 para Jorge Pinto, candidato apoiado pelo LIVRE, e o vencedor regressa mais logo na tarde política.

Numa versão alargada, começa a seguir ao jornal das 18h, esta quinta-feira dão notas a Judite França, o Anselmo Crespo e o Nuno Gonçalo Poças. Assim que acabar o e o vencedor chega, o Alberto Gonçalves com a Ideias Feitas às 18h50, na tarde política.