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E o Vencedor é na Rádio Observador, com o Esdito França e hoje a Helena Garrido e a Raquel Abecasis juntam-se ao vencedor. Hoje temos para servir ao final da tarde: travões no alojamento local em Lisboa, greve de tarefeiros e ainda, porque não, 40 anos de cavaquismo. E se tivermos tempo, ainda vamos a Nova York, mas só mesmo se tivermos tempo, porque a viagem está demorada. Helena Garrido, vamos começar por uma ameaça de resposta dos médicos tarefeiros que se sentem maltratados pelo governo. Acho que para já não podemos falar de greve, não é? Porque são profissionais liberais.
Em princípio, serão.
Mas podem parar.
Podem parar e têm um poder enorme. A que o Estado e o Serviço Nacional de Saúde se expuseram durante os últimos anos. No outro dia, o ex-ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, lembrava que isto começou em 2007, 2008, e neste momento são 4 mil tarefeiros. O SNS gasta com eles pouco mais de € 200 milhões, todos os anos a subir. Subiu 19% em 2023, de 22 para 23. Portanto, é uma conta calada. E o que impressiona aqui é, obviamente, que os tarefeiros, ameaçando durante três dias bloquear, paralisar o Serviço Nacional de Saúde, assim que sair o diploma que o governo tem para controlar esta situação, que algum momento tem que ser controlada, até para melhores serviços de saúde. Obviamente que eles estão a usar o seu poder negocial, mas como em tudo na vida, o nosso poder negocial é limitado pela nossa ética, pela nossa moral, pela nossa deontologia. E ameaçar paralisar as urgências não parece que esteja com qualquer tipo de limite ético, deontológico ou moral. Desde logo, os tarefeiros, em muitos casos, diria eu, são tarefeiros por opção, porque tem havido imensos concursos para que eles possam entrar no Serviço Nacional de Saúde. Infelizmente para nós, há alguns médicos, graças a Deus, não é a maioria, não é a esmagadora maioria, mas há alguns médicos que têm mais perfil de mercenários e que estão mais preocupados em ter o último modelo do carro mais caro ou a última casa de férias do que propriamente emprestar serviços aos cidadãos. Porque eles sabem que como tarefeiros não prestam o melhor serviço de saúde aos cidadãos, não conseguem acompanhar um cidadão doente como os seus colegas ao lado. Além disso, sabem perfeitamente que ganham duas, três vezes mais do que o seu colega ao lado, que acompanha a pessoa que vive naquela comunidade e que vai àquela ULS, que vai àquele centro de saúde, que vai àquele hospital. É para isso que os médicos existem. Infelizmente para nós, pelo menos na minha perspectiva, o fato de se ter dado peso demais às notas, sem levar em consideração que um dos atributos muito importante para se ser médico é a sua empatia e a sua humanidade, também nos conduziu, entre muitos outros fatores, obviamente, má gestão. Temos debatido muito saúde hoje, má gestão, más escolhas, decisões políticas erradas, uma série de problemas, mas neste caso dos médicos, além do mau planeamento, não termos conseguido antecipar que ia haver falta de médicos, além do mau planeamento, temos de contar com alguns médicos que foram para a medicina, eventualmente para ganharem dinheiro e não propriamente para aquilo para que iam os médicos fundamentalmente.
Raquel, uma forma de tentar suprir as necessidades do Serviço Nacional de Saúde foi garantir esta contratação à tarefa, aos médicos tarefeiros, e acabou por haver aqui uma subversão do sistema. Ou seja, muitas das urgências, ou pelo menos essa é a ideia que temos, isto é uma opinião, não tenho aqui dados que me permitam afirmar isto com elevado grau de certeza, mas estão muito presas aos tarefeiros.
Desculpe só interromper. A ULS do Oeste dizia que dependia em cerca de 60% de tarefeiros.
Sim, a própria notícia do Público hoje que dá conta disto, diz que grande parte das urgências do país, no caso desta greve ir pra frente, ou lá o que é que se chama a isto, paralisaria grande parte das urgências do país, o que por si só é de arrepiar qualquer pessoa normal e, portanto, espero que isto não passe de uma ameaça e que haja bom senso. Eu vou fazer aqui uma declaração de interesse à partida. Eu sou de uma família, apesar de não ter nada a ver com medicina, eu pessoalmente, mas sou de uma família de médicos e concordo com muito do que a Helena Garrido disse, sobretudo com grande parte da classe médica, apesar de tudo, estar na medicina como um serviço e com a consciência de que esta não é uma profissão qualquer. Até porque ela dá muito trabalho a conseguir-se e acho que a ideia que temos da maior parte dos médicos, apesar de passarmos a vida a dar notícias das desgraças, é que nós temos uma classe médica boa e que está ao serviço da população e que faz muitos sacrifícios para se manter nos hospitais e até no Serviço Nacional de Saúde. Dito isto, e estando nós constantemente a ouvir falar dos famosos pactos para a saúde e que deveria haver um pacto nacional para salvar o SNS, eu acho que esse pacto deveria começar pela própria sociedade. É verdade que a situação a que chegámos é uma perversão do sistema. E é uma perversão do sistema porque, e aqui também invoco a minha declaração de interesse, porque os médicos efetivamente ganham mal. E ganham mal tendo em conta o nível de especialização que têm que ter, o nível de disponibilidade que têm que ter, o nível de empenho que têm que ter, ou seja, o fato de virem para casa e não poderem desligar o telefone e o computador. Tudo isso deveria ser valorizado e não é há muitos anos. E, portanto, o que começou a acontecer foi alguns médicos, até talvez nalguns casos legitimamente, para poderem receber o retorno financeiro do trabalho que têm, fazerem outras opções, como seja saírem do Serviço Nacional de Saúde, partilharem com o serviço privado.
Gerirem a sua forma mais como profissional liberal, se quiseres.
Só funcionário público, semiprofissional liberal, para poderem sustentar-se e sustentar as suas famílias. E depois há aqui um efeito de escada ou de consequências para baixo, que eu acho que também começou a acontecer. Os médicos, como em qualquer outra profissão, os mais novos aprendem com os mais velhos. E o que os mais novos, esta nova geração de médicos, porque aquilo que a Helena estava a dizer de que há médicos que poderiam estar no Serviço Nacional de Saúde e não estão por opção para ganhar mais, isso acontece nas gerações mais velhas, mas também nas abaixo. E a verdade é que há muitos concursos de especialidade que ficam vazios, porque estes jovens médicos, sabendo que não têm tantas aptidões profissionais, não tirando a especialidade, preferem ficar neste sistema de tarefeiros, não sendo especialistas, porque sabem que vão ganhar mais no fim do mês do que ganhariam se se especializassem e se tivessem uma carreira como a maior parte dos médicos, apesar de tudo, ainda têm. E, portanto, há um pacto na sociedade que deveria ser feito, porque para corrigir os erros que o sistema foi alimentando ao longo dos anos, é preciso, de facto, que haja uma alteração de paradigma e que com isto algumas pessoas sejam, pelo menos numa primeira fase, prejudicadas em relação àquilo que têm hoje em dia, e eu acho que é o caso dos tarefeiros.
Judite.
Uma das coisas que vai acontecer precisamente é esta alteração legislativa em que se não concorreres a um concurso que está aberto, durante três anos não podes ser médico tarefeiro, porque senão isto é um expediente. E objetivamente, porque há escassez de médicos. Haver uma escassez de médicos também é duvidoso dizer assim. A verdade é que nós não temos médicos.
Podia dizer que não.
Pois, porque nós temos um rácio de médicos superior a muitos países da OCDE, por 100 habitantes. A questão que se põe aqui é que, objetivamente, para que os médicos tarefeiros consigam paralisar as urgências do SNS, não é um serviço do SNS, são as urgências, significa que nós estamos muito dependentes de médicos que objetivamente não querem estar vinculados.
Então se calhar é preciso repensar toda esta carreira.
Por isso é que a legislação vem fazer isso. Quer regular a contratação dos tarefeiros no Serviço Nacional de Saúde. Ora, é isso que os tarefeiros não querem. É isso e a redução do valor por hora. E portanto, quando dizem que estão a ser ostracizados e que ninguém tem em linha de conta os seus problemas, é porque objetivamente a paralisação não é por causa disso. A paralisação é porque vão ganhar menos e porque não podem fazer aquilo que querem. E aquilo que querem é tornar refém o sistema.
Claro.
E portanto, isso objetivamente não pode acontecer.
Temos uma nota.
Se a ministra conseguir ir com isto para frente, eu dou um 16 à Ana Paula Martins.
Ela está a precisar.
Ela está a precisar de pep talk.
Exato. Helena, tens uma nota?
Eu dou um quatro a estes médicos que não são médicos, não merecem o nome de médicos.
Raquel?
Olha, eu também dou uma boa nota à Ministra da Saúde se de facto ela levar esta reforma para a frente, não só pela urgência dela, mas também porque Ana Paula Martins, mais do que precisar de uma boa nota, precisa de começar a mostrar um caminho. E eu acho que este é um bom caminho, é um bom primeiro passo de um caminho que ela pode escolher para levar adiante, mesmo que venha a cair pelo caminho.
E ainda na área da saúde, Raquel, queres falar sobre uma carta aberta que reúne mais de 47 mil assinaturas a pedir algo, diria, básico, mais apoio para as famílias das crianças com câncer.
É algo de básico que infelizmente não acontece em Portugal, e o caso das crianças com câncer junta-se aos miúdos com necessidades especiais nas escolas. E aqui nós comparamos pessimamente com todos os países da OCDE, do mundo ocidental, com que gostamos de nos comparar. Porque em Portugal, ter um problema destes significa não só o drama que é, como normalmente um dos pais, para além dos problemas familiares, que isto também cria, que todos sabemos, às vezes até ruturas entre casais, etc, acresce um problema que é a todo o drama que estes pais vivem. Esta associação Acreditar fez contas e há um decréscimo do rendimento da família numa situação destas na ordem dos €600 e qualquer coisa.
Muitas vezes um dos pais deixa de trabalhar, não é?
Exatamente. E na maior parte dos casos, são situações que obrigam a um período muito intenso, mas também não muito longo no tempo em que os pais precisam deste apoio. Uma criança, e se não viver em Lisboa, Porto ou Coimbra O caso agrava-se porque tem que mudar praticamente de residência para as crianças poderem fazer os tratamentos, mas no fundo são períodos de nove meses a 12, em que as crianças estão numa situação de tratamento intensivo e que têm que estar acompanhadas pelos pais. E portanto, acho que um país decente tinha a obrigação, no mínimo, de pagar a baixa por inteiro a estes pais que têm que acompanhar.
É paga a 65%.
É paga a 65%.
Como é que é possível?
Queres dar alguma nota a isto?
Quero dar um cinco ao Estado português, que não olha para casos como estes, que não são situações que abranjam uma larga franja da população e para os quais nós devíamos olhar com outra atenção.
E já voltamos para a segunda parte do "E o Vencedor É..." Segunda parte de "E o Vencedor É..." com Judite de França, Raquel Bacasis e Helena Garrido. E agora, Judite, vamos a um travão às licenças para o alojamento local em Lisboa?
Sim, vamos. Carlos Moedas travou o recomeço da corrida aos novos alojamentos locais, basicamente, com um despacho em que se suspende os prazos. No fundo, a contagem do prazo para o fim da moratória, que foi decretada no ano passado, ia acabar. Entretanto, toma posse, não toma posse, toma a decisão, não toma. E decidiram, e bem, acho que sim.
E agora mete-se o Natal.
Exato. Ainda vão tomar posse antes disso. É suposto que seja 11 de novembro, não é garantia, mas falam em 11 de novembro. Seja como for-
11 de novembro para tomarem posse.
Para tomarem posse, sim. Mas não havia data fechada, por isso é que estou a dizer que estou a vender ao mesmo preço. E entretanto, a possibilidade de novos registos que ia começar já a partir desta sexta-feira, ficou congelada. E eu acho que isto é uma boa notícia, porque objetivamente aquilo que Lisboa não precisa neste momento mais é de alojamento local e, portanto, a moratória existiu pensando mais ou menos num prazo imaginário, mas já se viu que não vale a pena imaginar muito, porque a situação mantém-se na mesma e mantém-se muito complicada na cidade.
Tudo à espera da entrada em vigor do novo regulamento, que vai limitar bastante.
Que o Carlos Moedas diz que já tem pronto.
Exato.
Mas que terá que ser apresentado e como Carlos Moedas não tem maioria, tem que ir à Assembleia Municipal. Portanto, ainda falta um processo até que haja aprovação. E portanto, tendo em conta que a tomada de posse foi atrasada por causa dos pedidos de recontagem de votos, mas já poderia ter acontecido, como hoje aconteceu a da Câmara do Porto. Enfim, isto pelo menos é uma situação que eu acho que é de bom senso, fazer este travão, como lhe chamaste, e fazer esta suspensão.
Raquel?
Sim, eu concordo também, acho que é uma boa decisão para já travar. Acho só que de acordo com o que li, o novo regulamento já poderia estar em vigor se as coisas tivessem andado mais depressa no último ano deste mandato que agora terminou. E portanto, espero que isto corresponda, da parte do presidente da Câmara, a uma urgência de tomar decisões definitivas em relação à questão do alojamento local em Lisboa, coisa que aparentemente ao longo do último ano foi adiando e evitando, provavelmente com medo dos efeitos eleitorais que uma tomada de decisão lhe pudesse trazer.
Queres dar uma nota para isso, Judite?
Eu vou dar um 14 ao Carlos Moedas por ter tomado esta decisão. Enfim, parece uma decisão que não era preciso pensar muito, mas dito isto, é uma boa decisão.
E agora, como vamos falar de uma festa, chamo a nossa especialista Helena Garrido.
Em festas.
Estarão sempre em festa.
A nossa pândega de serviço.
Vê-se mesmo.
Sobretudo se levarmos em conta os temas que eu trato.
Exatamente. 40 anos de governo de Cavaco Silva, Cavaco Silva homenageado pelo primeiro-ministro. É dia de festa?
É dia de festa. Tem sido uma semana de festa, não é?
Tem sido, com almoços.
A semana passada foi um almoço. Bom, eu penso que é uma homenagem mais do que merecida. Obviamente que Cavaco Silva marca a transição para o Portugal moderno. Ele marca uma era de crescimento dourado e de desenvolvimento que não voltámos a ter com aquele ritmo, aquela cadência, aquela persistência. Obviamente, podemos dizer, havia os fundos comunitários, a situação financeira do país estava estabilizada na sequência de dois programas de ajustamento do Fundo Monetário Internacional, mas o que é certo é que houve capacidade de execução e nós hoje certamente percebemos muito bem o que é isso.
Grande cidade isso.
Face à incapacidade de decisão que existe hoje em dia, hoje percebemos bem o quão importante é essa capacidade de decisão. E diria que Cavaco Silva, nós só encontramos anos de iniciativa e de ter uma visão estratégica semelhante com José Sócrates, que acabou como acabou, todos sabemos, infelizmente, mas a diferença é que Cavaco Silva deixa-nos uma boa herança. Nós não nos podemos esquecer que é na prática da herança dele que nos permite depois entrar no euro. Ele sai em 95, nós entramos no euro em 99, conseguimos cumprir os critérios, enquanto que obviamente José Sócrates não nos deixa uma grande herança. Só para terminar, Cavaco Silva gosta muito de fazer aquelas suas declarações interpretativas, e hoje teve mais uma, que em política os erros não podem ser escondidos.
Exato.
E o exemplo que foi dar foi o exemplo da remodelação entre 89 e 91 de cinco ministros. E imagina quem foram, fui ver, e era a Ministra da Saúde, Leonor Beleza
Ministro das Finanças, Miguel Cadilhe, entre outros como o ministro Eurico Melo, Álvaro Barreto e ainda Silva Guedes. Mas é interessante verificarmos que há aqui pelo menos uma correspondência entre a atualidade, que a ministra da Saúde, na altura, também estava sob uma violentíssima pressão.
Também encontras paralelos aqui nessa festa, Raquel?
Olha, este programa chama-se e o vencedor é. E eu diria: e o vencedor é Cavaco Silva. Para não repetir algumas das coisas que a Helena acabou de dizer, eu acho que Cavaco Silva hoje deve ser um homem feliz, não só por estarem a festejar, também por estar vivo e bem para aproveitar esse festejo, e também porque me parece que ele teve sempre esta ansiedade de se comparar com o que veio depois. E diz o ditado que depois de mim virá, quem bom de mim fará. E de facto, Cavaco Silva, quer na longevidade em que dirigiu o governo, esteve ali quase para ser ultrapassado por António Costa, mas não foi, quer na capacidade de reformar e de executar, como dizia a Helena, conseguiu até hoje vencer a corrida. Sendo que, ao mesmo tempo, eu acho que isto é um diagnóstico triste para o país, porque acho que Cavaco fez bem, fez bem na altura em que governou, mas também acho, há bocado ouvia aqui o esplendor em infâmia, e também me lembro dos tempos, eu já era jornalista em início de funções quando Cavaco Silva estava na segunda metade dos seus mandatos como primeiro-ministro, e lembro-me de algumas críticas que eram feitas na altura e algumas delas que eu partilhava, e que não deixo de achar que faziam algum sentido, nomeadamente alguma incapacidade que houve de projetar o país para daí a 10 anos. Eu acho que Cavaco Silva conseguiu modernizar o país, mas a partir de uma determinada altura, o modelo económico, e a Helena saberá mais disso do que eu, para o qual estávamos a caminhar, trouxe-nos onde estamos aqui. Sobretudo porque depois quem veio a seguir dele não foi capaz de fazer as inversões necessárias. E portanto, tenho pena e acho triste que depois de Cavaco Silva não possamos olhar para nenhum outro primeiro-ministro como olhamos agora para Cavaco Silva.
Judite?
Olha, concordo plenamente.
Ninguém discorda dessa vez.
As mulheres são assim, têm tendência para o entendimento.
Eu só gosto de pândega. Também.
Mas acho que, sinceramente, o facto de ter escolhido a remodelação profunda que fez em 89 e da forma como falou da solidão que passou naqueles tempos sozinho a fazer aquela remodelação, que aliás, Luís Montenegro diz que se inspira muito em Cavaco e nesse particular é cara chapada, não é? Porque as remodelações são feitas com alto nível de secretismo, nunca passam para a comunicação social. É muito cavaquista essa forma de lidar, e até de lidar com a comunicação social. Há ali uns laivos cavaquistas, e aí não é um elogio, porque Cavaco sempre teve muita dificuldade em lidar com a comunicação social. Sobretudo, lidar com a comunicação social que lhe era adversa. Aliás, ele hoje fez questão de falar que os jornais não andavam à procura de manchetes negativas, com exceção do Independente. Quer dizer, fez questão de fazer ali um parêntese ao Independente, porque ainda hoje não se esquece. Sim, não se esquece. Aliás, o Leonor Beleza sai depois do escândalo que é publicado no Independente, não é? Por causa do Miguel Cadilhe também. E Miguel Cadilhe também, sendo que foi completamente injusto no caso de Miguel Cadilhe. Enfim, mas pronto.
Geralmente é injusto, não é?
Há outros casos em que, quer dizer, no caso dos hemofílicos, não é uma questão de injustiça ou não, aconteceu, era um caso concreto. Mas isto só para dizer que para ter escolhido aquilo, quer dizer, Cavaco também não dá ponto sem nó. E portanto, escolheu a solidão de um primeiro-ministro a substituir ministros. Quer dizer, deixou aqui uma mensagem clara para Luís Montenegro, que também terá de, a seu tempo, fazer as suas substituições. Uma das coisas que eu me recordo, nessa altura era uma jovem catraia.
Não sei se ouviram o que a Raquel disse.
Não.
Talvez este fim de semana aproveite para se recolher.
Eu, que era uma jovem catraia nessa altura, fiz um cassete de 60.
Ainda és.
Na altura era mesmo muito catraia. Fiz um cassete de 60 sobre esta remodelação de 89, 90, e de como os jornalistas foram completamente apanhados desprevenidos, porque estávamos nas festas e a remodelação, portanto, os novos nomes saem.
Estávamos nas festas no Natal.
Nas festas de Natal e passagem de ano.
E os novos nomes saem no dia 2 de janeiro, mas ninguém estava preparado para aquilo. E portanto, há uma convocatória para ir para São Bento para receber os novos nomes. Isto são jornalistas que tinham saído de passagem de ano na véspera. Ninguém estava propriamente preparado para tal alta tarefa.
Em 88.
89.
89 para 90.
Estava a tentar lembrar onde é que estaria para passar o ano nesse ano.
Estavas na creche.
Não.
Depois nesse 5 de janeiro, também há uma história muito engraçada, porque estavam lá os que iam sair e que não queriam sair, e os que vieram de novo. E então há um texto no Diário Popular que conta como era o beberete ali no Palácio dos Grilos entre os ministros e como aquilo era preciso, que se cortava a faca.
Olha, vamos notas para a festa dos 40 anos.
Eu dou um 40 a Cavaco Silva.
40?
Dou 40 anos.
Helena.
Eu dou um 18 a Cavaco Silva e um 18 também aqui à Judite por causa da memória dela.
Não é memória, eu fiz um cassete de cena, não me lembro nada disto.
Está disponível em podcast. Raquel.
Olha, eu por uma vez na vida dou um 20 a Cavaco Silva.
Pronto, um 20. E com estas notas fechamos e o vencedor é, já não vamos ter tempo para ir a Nova Iorque. Vamos a Nova Iorque já a seguir com o Alberto Gonçalves, que ele quer falar da vitória do novo mayor de Nova Iorque no Ideias Feitas, é já a seguir. Quanto ao Vencedor É regressa amanhã, depois das 08h30 da manhã, nas manhãs 360.