Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Junta-se em direto a esta emissão especial da Rádio Observador, Fernando Negrão, foi diretor da Polícia Judiciária e também foi ministro da Justiça. Boa tarde, obrigado por estar em direto conosco. Eu gostava que nos ajudasse a perceber, sem sabermos ainda exatamente os detalhes daquilo que foi esta operação da Polícia Judiciária, mas de que forma é que poderá ter ocorrido esta operação? Como é que nos bastidores este tipo de operações costuma decorrer?
Nos bastidores decorreu como normalmente decorre quando existem boas relações a nível internacional. Eu recordo quando foi no dia da fuga, em que soubemos nós, em que a opinião pública soube da fuga, eu numa entrevista, salvo erro, ao Observador, terei dito que o contacto com a Polícia Nacional Espanhola e Marrocos são muito importantes para a captura destes homens. E de facto, isso veio a revelar-se certeiro. E portanto, Espanha recebeu as informações da Polícia Judiciária. Aproveito para saudar a Polícia Judiciária e pelo trabalho que fez num período muito curto, porque um mês numa situação destas e com homens dessa natureza, é um trabalho célere e eficaz. E foi isso que a Polícia Judiciária fez. E, portanto, as informações dadas ao corpo de polícia espanhola, que depois terá detectado, de alguma forma, juntamente com a nossa Polícia Judiciária, que eles estariam em Marrocos. E depois o contacto com Marrocos. Marrocos é um espaço terrestre particularmente vigiado, como nós sabemos, e as autoridades marroquinas com algum tempo, mas não muito, conseguiram detetar rapidamente onde estava o mais perigoso daqueles que fugiram do estabelecimento prisional.
Até que ponto é que esta detenção pode também ajudar, Fernando Negrão, no processo de encontrar os outros evadidos desta prisão?
Ajuda. Este homem era, tudo indicava, uma espécie de líder dos presos no estabelecimento prisional de Vale de Judeus. E era especialmente líder deste grupo que aceitou sair em conjunto, fugir em conjunto do estabelecimento prisional. Portanto, capturado o líder. Naturalmente que psicologicamente, os outros foragidos ficarão abalados na sua vontade e será mais fácil encontrar, porque serão mais negligentes no seu comportamento.
Fernando Negrão, como é que é feita a coordenação com as autoridades dos outros países nestes casos? Sendo certo que havia um mandado de detenção internacional que provavelmente também ajuda em toda esta coordenação, em toda a forma como as várias autoridades se coordenam nestes casos.
Sim, muitas vezes é burocrática, o que leva a perder tempo e o tempo nestas situações é fundamental. Não é? Ele hoje estava em Marrocos, amanhã não sabemos para onde é que poderia ter ido ou se estaria a congeminar ir para outras zonas mais longínquas e mais difícil de ser apanhado. É importante salientar as boas relações que existem a todos os níveis e também a nível policial, entre as polícias portuguesas, em especial a Polícia Judiciária, com as autoridades policiais espanholas. Existem até relações pessoais entre os inspetores de uma polícia e de outra na área da investigação criminal e na área deste tipo de atuações policiais. O que faz apressar aquilo que em cada momento as autoridades espanholas ou as autoridades portuguesas querem de um país ou de outro. E eu saliento a importância desse bom relacionamento que vai para além dos mandatos de captura internacionais, vai para além de todas as burocracias e faz com que se realize e se concretize muito mais rapidamente aquilo que se espera.
Fernando Negrão, muito obrigado por ter estado em direto conosco nesta emissão especial da Rádio Observador.