Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Rádio Observador, são 19h, 20h em Espanha. Arranca agora uma emissão especial dedicada às eleições espanholas. João Alexandre.
Passam agora das 19h, como disseste, João, mais uma hora em Espanha, e é por esta hora que se vão começar a saber os resultados das eleições espanholas, com sondagens para já à boca das urnas. Abrimos esta emissão especial para acompanhar a eleição do novo governo espanhol, depois de falhada a investidura de Pedro Sánchez como presidente do novo executivo. Falhadas as negociações do líder do PSOE com as restantes forças partidárias, os eleitores espanhóis regressam às urnas para as quartas eleições gerais nos últimos quatro anos, as segundas que ocorrem depois de falhada uma investidura de um governo. Ao longo do dia, mais de 37 milhões de eleitores foram chamados às urnas, dos quais dois milhões a residir fora do território espanhol. Mais de 200 mil são jovens com 18 anos que votam pela primeira vez. Os eleitores espanhóis que elegem hoje 350 deputados ao Congresso, também 208 senadores das Cortes Gerais. Olhamos agora para a participação eleitoral. Os números da participação eleitoral apontaram ao longo do dia para uma ligeira subida da abstenção. De acordo com o jornal "El País", a afluência às urnas até às 17h, hora de Lisboa, era de 56,8%, quase quatro pontos abaixo das últimas eleições no mês de abril. Para nos ajudarem a olhar para este dia decisivo em Espanha, convidamos Lívia Franco, professora e investigadora do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa. É especialista, entre outras áreas, em política internacional, também questões de segurança e defesa. Também Diogo Noivo, é analista de risco político, mestre em Segurança e Defesa pela Universidade Complutense de Madrid. Vai estar também conosco aqui nesta noite de eleições em Espanha. Também Henrique Pinto Coelho é um cidadão luso-espanhol, é jornalista freelancer, tem acompanhado também tudo aquilo que se vai passando em Espanha, com esse olhar também de cidadão luso-espanhol. Já nos tem ajudado também aqui no Observador a olhar para os últimos desenvolvimentos ao longo dos últimos meses e essas tentativas de Pedro Sánchez de formar governo. Está aberta esta emissão especial para acompanharmos os resultados das eleições em Espanha. Boa noite aos três. Este é um dia muito especial para os espanhóis. Eu começo talvez até pelo Henrique Pinto Coelho, ele que é luso-espanhol, é jornalista. Henrique, foram uns últimos meses muito difíceis em Espanha, com Pedro Sánchez a tentar negociar, em particular com o Unidas Podemos, de Pablo Iglesias. Pablo Iglesias que já disse que estenderia a mão a Pedro Sánchez. Este momento é um momento que pode ser uma repetição daquilo que aconteceu em abril?
É o que todos receamos. Boa noite, antes de mais. Não diria só os últimos meses, os últimos anos muito difíceis em Espanha, os últimos quatro anos até, porque não há forma de formar um governo. E sim, eu acho que essa tentativa à última hora do Pablo Iglesias de estender a mão e dizer: "Agora sim, vais ver que eu desta vez vou te ajudar e vai sair daqui uma coligação de esquerda", é mais uma manobra de Pablo Iglesias. Já tentou tudo, por que não agora, poucas horas do fecho das urnas, dizer: "Desta vez eu vou te ajudar". De alguma forma também para animar os eleitores de esquerda que poderiam hesitar entre o PSOE e o Podemos a votar no Podemos, porque se o Podemos se vai encostar ao PSOE e vai tentar formar governo, talvez valha a pena, porque acreditam mais nas políticas do Podemos do que no PSOE. É uma tentativa, eu acho, totalmente legítima, obviamente, mas é só isso.
Olhamos para as projeções que são avançadas pela TVE. O PSOE de Pedro Sánchez consegue entre 114 a 119 deputados, uma ligeira quebra em relação às últimas eleições em abril, quando o PSOE conseguiu 123 deputados. Já o PP, o Partido Popular, liderado por Pablo Casado, consegue, segundo estas projeções, entre 85 a 90 deputados, uma subida em relação a abril, quando conseguiram, os populares, 66 deputados. Que surpresa também, grande subida por parte do Vox, 56 a 59 deputados. O Vox, partido de extrema-direita liderado por Santiago Abascal, tinha conseguido 24 deputados nas últimas eleições, mais do que duplica o número de deputados no Congresso. Quanto ao Unidas Podemos, de Pablo Iglesias, alcança entre 30 a 34 deputados, desce em relação ao mês de abril, essas eleições em que o Podemos conseguiu 42 deputados. Já o Ciudadanos de Albert Rivera consegue entre 14 a 15 deputados, o Ciudadanos que tem vindo a descer também nas intenções de voto. E é sobre isso que falamos agora. Temos agora estes números em cima da mesa Boa noite, Lívia Franco. Lívia, este é o resultado esperado, tendo em conta aquilo que foram sendo os números divulgados ao longo da última semana, em particular?
Sim. Boa noite, João. Boa noite aos meus colegas de tertúlia e análise. Eu acho que essencialmente o que nós temos aqui de analisar é perceber em que medida é que estas projeções, e por enquanto de facto são só projeções, de alguma maneira podem explicar o resultado daquilo que eventualmente vão ser, sobretudo três apostas grandes e em particular duas. Uma aposta é a aposta de Pedro Sánchez. Pedro Sánchez poderia ter formado um governo nas eleições em abril, à esquerda e à direita, em particular à esquerda, não é? E não quis. Eu acho que ele forçou a mão e optou por esta estratégia um pouco mais arriscada de tentar melhorar os seus resultados eleitorais com o regresso às urnas aqui em novembro. Vamos ver se de facto essa aposta valeu a pena. Aquilo que as projeções indicam é que provavelmente não terá valido a pena. A segunda aposta é a aposta de Albert Rivera, dos Ciudadanos. Eu acho que ele mostrou-se francamente inflexível também quando repetia à exaustão: "Não é um não" e de facto não podia e não queria aceitar sentar-se pelo menos à mesa das negociações com o PSOE para eventualmente também fazer parte de uma solução governativa. Julgo que ele estava convencido, no seguimento daquilo que enfim, tinham sido os resultados bons desde 2015, eventualmente poder também ainda reforçar mais esses seus resultados. E julgo que nesse sentido as projeções mostram que a aposta dele sai gorada e ele talvez seja, de todos, o maior perdedor. E uma outra estratégia, talvez de segunda linha, mas que eu acho que pode ser uma estratégia eventualmente a confirmarem-se as projeções vencedoras, que é a estratégia de Pablo Casado. Pablo Casado nas eleições de abril, essencialmente o que fez foi tentar, dentro da direita, de alguma maneira, liderar aquilo que é a coligação das direitas. E isso não foi um resultado que lhe serviu bem, por muitas razões, não tem só a ver com ele pessoalmente e com a estratégia do partido, não lhe serviu bem, mas eu acho que agora ele mudou o tom nesta campanha eleitoral brevíssima, sobretudo para os partidos que não estavam no governo, que foi a estratégia de apresentar-se não como a tentativa de unificação ou liderança da direita, mas de alguma maneira como o adversário, como a alternativa credível ao PSOE e ao Pedro Sánchez. Enfim, as projeções indicam que o PP vai subir. Também não era muito difícil, porque o resultado eleitoral em abril tinha sido terrível. Vamos ver, eu acho que é essencialmente o que está em cima da mesa e claro, depois vamos ver se há aqui ou não uma evolução que se pode notar. Primeiro nós vimos até 2015, um sistema essencialmente bipartidário, que evolui agora nestes últimos anos para uma pentarquia. Vamos ver como é que funciona esta pentarquia, se ela se solidifica ou se não, ou se na verdade ela já está a diluir aqui numa lógica até de bibloco, se quiser. Mas enfim, está tudo ainda em aberto, vamos para os resultados.
Diogo Noivo, o PSOE consegue, segundo as projeções da TVE, vencer esta eleição, mas mais uma vez falha a maioria absoluta. Era também o resultado esperado e eu faço a mesma pergunta que tinha feito também há pouco ao Henrique. Será agora uma repetição daquilo que já tínhamos visto em abril e Pedro Sánchez e o PSOE estarão preparados para negociar novamente. E perguntava também ao Diogo, tendo em conta aquilo que tem sido dito por Pablo Iglesias, se podemos esperar que haja caminho para um acordo ou se, por outro lado, tudo aquilo que foi acontecendo ao longo dos últimos meses acabou por minar um pouco aquilo que é também o diálogo do PSOE com o Podemos.
Olá, boa noite. A distribuição de votos e a distribuição de mandatos prevista é de bloqueio, portanto, é de continuidade do bloqueio que nos trouxe a estas quartas eleições em quatro anos, ou se preferirem, segundas eleições em seis meses. Contudo, parece-me que desta vez haverá governo porque, mais uma vez, com base nas projeções e com base nas sondagens, o Unidas Podemos e os Ciudadanos serão duramente penalizados por várias razões, nomeadamente por terem bloqueado a formação do governo. Parece-me que Sánchez, que apostou forte na repetição das eleições com o intuito de reforçar a sua presença no Parlamento, também será penalizado. E, portanto, numa primeira análise muito preliminar, muito cautelosa, quer-me parecer que os partidos que são responsáveis ou foram responsabilizados, pelo menos pelo bloqueio, serão penalizados e estarão conscientes dessa penalização e portanto parece-me que existem incentivos para negociar e para formar um governo. A dúvida é saber se esse governo será funcional, se tem coerência programática suficientemente sólida para ter capacidade para aplicação de medidas e de políticas que atalhem caminho nos problemas estruturais de Espanha. Mas à parte, ao lado dessa parte da formação do governo, há outros dois ângulos que me parecem importantes. Por um lado, é saber a posição do Vox, do partido de ultradireita espanhola, que a generalidade das sondagens colocam em terceiro lugar, ou seja, como terceira força.
Entre 56 a 59 deputados. É uma subida monstruosa por parte do Vox. Era de alguma forma esperado?
Não.
Mas é o Vox, neste caso, a capitalizar também o falhanço das negociações e este impasse de meses?
Em parte. O Vox capitaliza sobretudo a Catalunha. Essa é a grande razão do crescimento, ou será a grande razão do crescimento do Vox. Nós quando olhamos para as sondagens e para as tendências de voto nos últimos seis meses, nós vimos o Vox praticamente estagnado até ao início dos protestos violentos na Catalunha. Quando se iniciam essas manifestações violentas de rua, nós vimos o Vox quase a disparar nas intenções de voto e, portanto, por essa razão e por outras, é possível estabelecer uma relação quase de causalidade direta entre a subida do Vox e o que sucede na Catalunha. Mas tudo isso está muito dependente da abstenção. A abstenção é quatro, cinco pontos inferior ao que foi a 28 de abril, portanto, nas últimas eleições, e tradicionalmente em Espanha
A abstenção beneficia a direita. Esta é uma regra com muitas exceções, mas em regra, a abstenção beneficia a direita. O que eu julgo que poderá acontecer se a abstenção for significativa? Por um lado, um reforço do bipartidarismo. O eleitor mais velho vota sempre e vota tendencialmente PSOE ou PP. E portanto, se a abstenção for grande, é natural que haja um certo reforço ou pelo menos manutenção da lógica bipartidária, com a manutenção do PSOE e ligeira subida do PP. Por outro lado, o grande tema desta campanha foi a Catalunha, o que significa que quem está mobilizado para ir às urnas é quem considera a unidade de Espanha um tema central e uma causa motivadora do voto. E por isso é de prever que havendo uma abstenção significativa, aqueles que se mobilizaram, mobilizaram-se porque consideram a Catalunha um tema relevante e, portanto, isso aponta no sentido do reforço da direita. Mas como lhe digo, a abstenção nas últimas eleições foi, salvo erro, a mais baixa na história da democracia espanhola e, portanto, é natural que haja um ligeiro aumento da abstenção para os números normais em Espanha. Mas eu creio que boa parte dos resultados, não só o peso relativo do PSOE e do PP, mas também a importância do Vox, dependerão em grande medida da abstenção, porque se o Vox crescer muito, vai ser extraordinariamente difícil ao Partido Popular abster-se perante um governo do PSOE. E por isso eu creio que há um conjunto de variáveis no ar ainda e que importa seguir com atenção.
Henrique Pinto Coelho, quem também algo que tu indicas que perde muito nesta eleição é o Ciudadanos. O que falhou no Ciudadanos para que nesta eleição acabe por perder muitos mandatos? O Ciudadanos que em tempos foi uma grande novidade na política espanhola. O que aconteceu a este partido liderado por Albert Rivera para que tenha perdido a confiança por parte dos eleitores espanhóis?
Eu acho que o Albert Rivera infelizmente mostrou estar à deriva e mostrou nos últimos meses, mostrou no debate que houve esta semana em Espanha, na segunda-feira. Ele entrou lá náufrago, como disse um comentador em Espanha, e saiu de lá náufrago. Cada vez é menos credível. As hesitações constantes, a viragem à direita que os votantes de centro, que era um partido que surgiu como alternativa à polarização clássica em Espanha, esquerda-direita, PSOE-PP, era um partido para desbloquear os bloqueios entre azuis e vermelhos, por assim dizer. De repente optou, talvez com expectativas de crescer e de ocupar o espaço que ocupa atualmente ainda e que resistiu bem o PP. Tentou essa manobra, essa manobra saiu gorada, apesar dos resultados nas eleições de abril. Esteve quase para ultrapassar o PP, ficou nove deputados. Agora, segundo estas sondagens, que são as sondagens que não são feitas à boca da urna, são as sondagens que são feitas ao longo da semana e que a TV lança e que só agora é que podem ser divulgadas, apontam para o resultado que já se estava a prever, um resultado em que o Ciudadanos perde cerca de 40 ou mais de 40 deputados. Tinha 57, passa para 15, 14 no máximo. E de facto quem absorve a subida é o partido de Santiago Abascal, que sobe mais de 30 deputados. Portanto, é claramente uma transferência de voto de um partido à deriva como o Ciudadanos e um partido em auge e que beneficiou muito do debate na segunda-feira, em que o Santiago Abascal conseguiu durante três horas transmitir tudo aquilo que quis. Foi o maior meeting eleitoral, por assim dizer, da história de Espanha na televisão, porque teve três horas em que praticamente não foi contestado. Apenas o Pablo Iglesias tentou rebater alguns dos argumentos. Aliás, o debate também serviu para isso, para normalizar um partido de extrema-direita e um partido que em 40 anos largos de democracia em Espanha é uma absoluta novidade e é um voltar a tempos remotos. É um partido que consegue transmitir normalidade, apesar de estar a passar umas mensagens que são totalmente antidemocráticas, anticonstitucionais. Portanto, se há uma crise constitucional em Espanha, agora com este aumento do Vox, a crise aumenta.
Mas já hoje até no momento da votação, Santiago Abascal deixou uma mensagem contra o ódio, contra os insultos, contra haver um conflito interno em Espanha. Ou seja, Santiago Abascal ao mesmo tempo que faz um discurso muito duro, depois as afirmações que faz também são de alguém que lidera um partido que não quer provocar esse conflito interno em Espanha. Aquilo que Santiago Abascal diz, por exemplo, neste dia de votação, bate certo com aquilo que tem feito ao longo dos últimos tempos?
Não bate certo nem com as mensagens principais do partido. As mensagens principais são: retiremos a autonomia, acabemos com o estado das autonomias em Espanha, acabemos com a regionalização do país e voltemos a um centralismo que não tem cabimento nenhum na Espanha saída da Constituição de 1978 e também alinhando-se com os partidos de extrema-direita da Europa, uma mensagem duríssima contra a imigração e para retirar a saúde aos imigrantes que não têm os documentos legais em Espanha. Portanto, obviamente não, mas aí está também a habilidade deste líder político e isso explica também a subida do Vox, não só a queda do Ciudadanos, porque não é a única transferência de votos que há aqui. O PP também sobe pelo menos 20 deputados, ou mais ou menos isso, pelo menos 20 é o que está previsto neste momento. Há uma ligeira queda da esquerda. O PSOE perde votos, o Unidas Podemos perde bastantes votos e isso traduz-se em cerca de 10 deputados. E também temos que nos lembrar de há um novo partido, o Más País, que deverá ter à volta de seis deputados, segundo as sondagens, e por isso também há uma pequena transferência de votos na esquerda que se mantém, basicamente, embora os dois grandes partidos de esquerda perdem votos, quem sobe claramente é a direita, com exceção óbvia de Ciudadanos, que tem uma queda histórica.
Lívia Franco, continuamos a olhar aqui para esta questão do Vox. O Vox foi um partido que se conseguiu implementar em Espanha. Olhamos para um partido que cresce muito nesta eleição. Tendo em conta este resultado, o Vox tem margem para continuar a crescer ou o Vox já terá aqui atingido também o máximo daquilo que potencialmente poderia atingir?
É interessante. Eu acho que nós podemos responder a essa pergunta fazendo um paralelismo com aquilo que foi também a história do Ciudadanos. No sentido em que me parece que há a possibilidade, eu tenho este argumento já desde as eleições em abril que ando a repetir, depois a história logo confirmará ou não, que de algum modo, à semelhança do Ciudadanos, o Vox pode ser um partido epifenómeno. E eu acho que isso está a verificar no Ciudadanos. Eu concordo absolutamente com aquilo que o Henrique disse em relação ao Ciudadanos, acrescentaria que a razão mais direta, parece-me, do crescimento do Ciudadanos em 2015, e aquele crescimento exponencial, esteve sobretudo associado aos grandes casos de corrupção associados ao PP. É verdade que o PSOE também, portanto eu direi até ao establishment político do bipartidarismo, e o que reforça no fundo o papel de partido alternativo aqui ao centro, mas também ligado muito à crise. E portanto, de alguma maneira, aquela proposta liberal, eu acho que ela aparece reforçada precisamente no seguimento daquilo que é a conjuntura que se está a viver. Ora, eu acho que o Vox, e aqui não estou a comparar os conteúdos programáticos do Ciudadanos e do Vox, mas estou a comparar aquilo que é no fundo o processo de emergência, que o Vox tem algo de semelhante desse ponto de vista. Por quê? Porque o Vox que já tinha concorrido se não me engano em eleições anteriores, talvez ele até já tenha concorrido em 2011, não estou absolutamente certa se concorreu, mas acho que sim, em 2011 também, com resultado irrisório. Depois, paulatinamente, a partir de 2017, começa a disparar. E começa a disparar por quê? Mais uma vez, porque de fato há aqui uma questão de epifenómeno e uma questão reativa. Eu acho que ela é essencialmente reativa, quer à grande questão, que é a questão territorial e a questão constitucional, ou seja, por outras palavras, à questão da Catalunha, e por outro lado também à questão, que é uma questão conjuntural, que assola a Europa, que é a questão migratória. Portanto, a pergunta que o João me acabou de fazer, eu acho que a resposta é evidente que só o evoluir histórico é que nos vai confirmar isso. Mas eu tendo a acreditar que este crescimento, sobretudo esta velocidade, esta aceleração do crescimento de eleições para eleições, também aconteceu que de fato em quatro anos realizaram quatro eleições, do Vox, é porque está associado à conjuntura e à agenda política, sobretudo que resulta numa grande polarização política e numa grande fragmentação partidária, e que o Vox, e eu acho que desse ponto de vista o Santiago Abascal parece-me mestre e isso revelou-se no debate de segunda-feira, soube muito bem capitalizar e soube muito bem aproveitar. Eu diria apenas, tenho uma dificuldade aqui com o Vox, que é quando nós, eu estou aqui a falar do ponto de vista de uma politóloga, portanto quem está habituada a fazer análise política e a catalogar as coisas. Chamar a este partido um partido de extrema-direita sugere um bocadinho que é um partido de extrema-direita igual à extrema-direita clássica europeia. E que sobretudo teve vida em fenômenos complexos e complicados, como nós sabemos, sobretudo na primeira metade do século XX. Eu tenho sempre algumas reticências. Eu acho mais do que uma extrema-direita, nesse sentido clássico, atenção, porque é evidente que é o partido que está no extremo direito do espectro político-partidário, isso não haja dúvida nenhuma. Mas eu acho que é essencialmente, e isso também explica, lá está este fulgor do Vox nesta conjuntura, que é essencialmente um partido ultranacionalista. Por que eu faço esta chamada de atenção? Porque isso também explica, de algum modo, uma certa largueza das bases eleitorais que este partido pode captar. Quer dizer, não é apenas a direita clássica, não é apenas a extrema-direita clássica, que obviamente no espectro político partidário atual espanhol também capta E sobretudo, eu acho, capitalizando também, por exemplo, agora em decisões do governo, como seja a exumação do corpo de Franco.
A questão da Catalunha e a questão de Franco em conjunto trouxeram também para o debate político em Espanha a questão da extrema-direita.
Mais do que a extrema-direita, este sentimento nacionalista. Por isso que eu digo, mais do que um partido de extrema-direita, é um partido ultranacionalista.
O nacionalismo desatado espanhol.
Exatamente. Quer dizer, ultra mesmo, com obviamente propostas, tal também como o Henrique foi aqui referindo, que num contexto democrático são complexos de aceitar e de, sobretudo, enquadrar. E depois podemos falar mais à frente disso. Mas eu acho que é sobretudo isso. Mostrando o quê? Mostrando que é interessante, porque este seu crescimento não vem apenas de uma direita clássica, portanto moderada, nem de uma direita mais falangista, que também sempre existiu do ponto de vista cultural e político, mas também atrai, por exemplo, algumas fações da extrema-esquerda, que estão também muito descontentes e muito preocupados. Estão desiludidos com a maneira que a esquerda tem dado resposta a esta questão territorial. E que também têm preocupações, na verdade, ainda econômicas e sociais e, de alguma maneira, esta linguagem simplista e com teor populista do Santiago Abascal também é muito atrativa por esse gênero eleitoral. E, portanto, é desse ponto de vista que eu queria distinguir também. Que eu acho que o Vox tem capacidade, pelo seu discurso político, de captar para além daquilo que são as franjas digamos clássicas da direita e da extrema-direita. E ele sabe isso. O Santiago Abascal sabe isso muito bem. E isso explica o seu crescimento tão acelerado.
Diogo Noivo, Santiago Abascal, falávamos ainda agora da questão do franquismo, da questão da transladação dos restos mortais de Francisco Franco. Isso também pode ter feito com que Santiago Abascal tivesse conseguido potenciar também aqui um resultado nesta eleição. Isso se cruzarmos também com essa informação de que nas últimas semanas houve tumultos na Catalunha. Tudo isso pesou, neste caso, na sua opinião, também para este resultado do Vox?
A Catalunha pesou, com certeza. Em setembro, o Vox tinha aproximadamente 9% nas intenções de voto e as últimas sondagens apontam para quase 14%, sendo que a única coisa que aconteceu entre estas duas percentagens foram precisamente as manifestações violentas. E, portanto, a Catalunha é, a meu ver, a chave para entender o crescimento do Vox e também o passado de Santiago Abascal. O que é que nós temos em causa na Catalunha? Temos um movimento separatista, nacionalista, radical, com o intuito de separar a Catalunha de Espanha. Ora, Santiago Abascal tem, de alguma forma, créditos nesta matéria. Santiago Abascal começou a sua carreira política aos 23 anos, na Câmara Municipal de Bilhódio, no País Basco, no ano de 99, como candidato do Partido Popular, em grande medida porque o Partido Popular não tinha candidatos. Todos os candidatos do Partido Popular ou eram ameaçados ou eram assassinados pela ETA. E a ETA foi, ao longo de mais de 40 anos, uma chaga aberta no País Basco, precisamente com o mesmo intuito de separação do País Basco de Espanha. E Santiago Abascal, com 23 anos, se me permitem a expressão, chegou-se à frente, arriscou literalmente.
Deu o peito às balas.
Literalmente. Isso deu-lhe um grande capital de respeito na resistência, de alguma forma, aos nacionalismos periféricos que pretendem separar partes do território de Espanha. E Santiago Abascal tem ainda um valor acrescido, pelo menos para quem valoriza a unidade de Espanha, é que tanto o pai como o avô de Santiago Abascal foram vítimas de atentados, os seus negócios foram incendiados pela ETA ou por organizações semelhantes à ETA, ou dependentes da ETA, melhor dizendo. Santiago Abascal cresceu com escolta armada e, portanto, é-
Boas histórias ou histórias relativamente trágicas também servem para capitalizar votos, sem que haja a necessidade sequer de se falar delas, mas toda essa carga histórica da vida de Santiago Abascal conta também, neste caso, para potenciar os votos de voto.
Com certeza. É importante ter presente que a ETA foi o principal desafio à transição e consolidação da democracia em Espanha. A ETA é responsável por 845 vítimas mortais, mais de 2500 feridos graves, mais de 3500 atentados e, portanto, foi, ao longo dos últimos 40 anos, a ETA extinguiu-se o ano passado, o maior desafio de segurança, mas também um dos maiores desafios políticos em Espanha. Santiago Abascal, com 23 anos, como disse bem, deu o peito às balas e isso deu-lhe algum capital junto, não só da direita, mas de todos os eleitores que valorizam a unidade de Espanha como tema essencial. E o que é fato é que essa certa aura de coragem, que pode evidentemente ser discutida, desde logo porque as vítimas da ETA não votam todas no Vox e, portanto, não podemos estabelecer aqui uma relação de causalidade direta entre ser vítima da ETA e apoiar o Vox ou apoiar ideias mais conservadoras de unidade de Espanha. Mas o que é fato é que o trajeto pessoal de Santiago Abascal lhe dá alguma aura, algum respeito e, sobretudo, faz com que ele seja reconhecido como alguém capaz de enfrentar nacionalismos. É muito curioso que algumas das sondagens-
Nacionalismos separatistas, não é?
Nacionalismos radicais separatistas, exatamente. E é muito curioso porque há algumas sondagens que mostram que cerca de 10 a 12% dos votantes de esquerda, isto é, daqueles que votam PSI e Unidas Podemos, consideram o Vox o partido mais capaz de resolver a crise na Catalunha. E isto é mais um elemento para mostrar que o crescimento do Vox está muito associado à Catalunha. E a conclusão que eu tiro disso é a seguinte, entroncando um pouco no que dizia o Henrique O Vox, para crescer, precisa do crescimento e do agudizar de tensões na Catalunha, mas o separatismo catalão também lhe dá muito jeito ter em Madrid um partido com ideias centralistas autoritárias que justifique um conjunto de ações violentas. E por isso parece-me que se entrarmos aqui numa dinâmica de dependência mútua do Vox com o separatismo catalão, teremos problemas para bastante tempo.
Diogo, Lívia e Henrique, voltamos já daqui a alguns minutos. Vamos antes de mais fazer uma síntese de notícias, João, com o João Cruz. Estamos em emissão especial a olhar para as eleições legislativas em Espanha, numa altura em que faltam 30 minutos para as mesas de voto começarem a contar os votos em Espanha e começarem a ser publicados pelas autoridades espanholas nos sites oficiais. São 19h30 em Portugal. Vamos olhar para o resto da atualidade com uma síntese de notícias com edição de João Filipe Cruz.
A esta hora em Alvalade, tempo de intervalo, Sporting e Belenenses SAD estão empatados a zero. Uma primeira parte em que as estatísticas dão vantagem à equipe visitante. O primeiro remate do Sporting enquadrado com a baliza só apareceu aos 35 minutos, com um cabeçamento de Eduardo. Jorge Silas já fez uma substituição, ainda na primeira meia hora, com a entrada de Rafael Camacho e a saída do defesa central Luís Neto. Sporting zero, Belenense zero, tempo de intervalo em Alvalade. Daqui a pouco menos de meia hora, às 20h, há dérbi no Minho, com o Vitória de Guimarães a receber o Sporting de Braga e às 21h, dérbi do Porto, o Boavista recebe o Futebol Clube do Porto no Estádio do Bessa. Em França, uma notícia que chegou há poucos minutos, foi adiado o jogo entre o Marselha, de André Villas-Boas, e o Lyon, do guarda-redes Anthony Lopes. O autocarro do Lyon foi atacado à chegada a Marselha, pelo menos dois vidros foram partidos. À chegada, o presidente do Lyon já tinha admitido que a equipe não ia para campo. Jean-Michel Aulas diz mesmo que foram alvo de uma emboscada e a liga francesa acabou por decidir adiar esta partida da 13ª jornada que estava marcada para as 20h. Por cá, Luís Montenegro não quer ser apenas candidato à presidência do PSD, quer ser candidato a primeiro-ministro de Portugal. O antigo líder parlamentar social-democrata apresentou hoje, de forma oficial, a candidatura à presidência do partido. Em Lisboa, num discurso para apoiantes da candidatura Montenegro, assegurou que está disponível para liderar a oposição nos próximos anos e depois liderar o governo. O PSD vai a votos no dia 11 de janeiro. Rui Rio, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz são, para já, os candidatos a presidentes do partido. Marcelo Rebelo de Sousa visita Itália no início desta semana. O presidente da República diz que esta visita é um sinal de grande solidariedade para com o homólogo italiano, Sergio Mattarella, sobre a posição deste sobre a União Europeia. Para Marcelo Rebelo de Sousa, a União está numa encruzilhada e precisa decidir sobre se fica onde está ou se avança e tem uma voz significativa no mundo. Para o presidente da República, o presidente italiano tem sido um exemplo neste capítulo. Para Jerónimo de Sousa, o legado de Álvaro Cunhal continua a ser um instrumento importante. O secretário-geral do PCP homenageou o histórico comunista no dia em que faria 106 anos. Jerónimo de Sousa classificou mesmo o legado de Álvaro Cunhal como premonitório, porque para o líder do PCP, as análises confirmaram-se inteiramente nestas três décadas de integração capitalista. Palavras de Jerónimo de Sousa, na Moita, em Setúbal, na sessão comemorativa do aniversário de Álvaro Cunhal.
Foi a síntese das 19h30 na Rádio Observador, nesta noite de emissão especial eleições espanholas. Edição de Notícias com João Filipe Cruz.
Olá, muito bom dia com o Observador. São 06h57. Eu sou a Maria João Simões, comigo os jornalistas Carla Jorge Carvalho, José França e Paulo Ferreira. Bom dia aos três.
Bom dia.
Olá, bom dia.
Olá, bom dia.
Já temos ao telefone a Filomena Martins. Filomena, pronto, começamos o jet lag de hoje.
Vamos para a Califórnia.
Onde é que te encontras?
Edimburgo, na Escócia.
José Manuel, bom dia. Hoje vai estar mesmo contra a corrente.
É que hoje passam 75 anos do dia D.
Miguel Pinheiro, com o Bom, o Mau e o Vilão. Estamos todos ansiosos para ver.
Então eu vou satisfazer a curiosidade.
Já aqui temos conosco o Pedro Sousa.
Eu creio que os 60 milhões e mais 20 por incentivos está completamente fora de questão.
Como é que o mundo existe?
O mundo existe porque há bilhões de anos atrás, um ser onipotente tentou fazer sabonete líquido numa trituradora. Foi.
Manhãs 360, das 07 às 11, na Rádio Observador.
25 minutos para as 20h. Daqui a sensivelmente 25 minutos começam a sair os primeiros resultados das eleições espanholas deste domingo. Estamos com emissão especial para acompanhar este ato eleitoral, o quarto em seis meses, João.
Os espanhóis voltaram às urnas e esta noite já temos esses últimos resultados. As urnas fecharam em praticamente todo o país, com exceção das Canárias. Saíram as primeiras projeções com os mandatos a darem a vitória ao PSOE de Pedro Sánchez, mas que mais uma vez não consegue alcançar a maioria absoluta. O Partido Popular também sobe, consegue entre 85 a 90 mandatos. Grande subida para o Vox, é agora a terceira força partidária em Espanha, consegue entre 56 a 59 mandatos. O Unidas Podemos, de Pablo Iglesias, consegue entre 30 a 34 mandatos, o Ciudadanos entre 14 a 15. Há também novidades vindas da Catalunha, depois de nas últimas semanas termos visto um clima de tensão, uma escalada de tensão na Catalunha. Os independentistas catalães reforçam a votação e a CUP pode mesmo entrar no Parlamento. As primeiras projeções dão esses sinais sobre os resultados vindos da Catalunha nestas que são as primeiras eleições, desde que foi conhecida essa sentença dos líderes independentistas da região. De acordo com as projeções da TVE, o Juntos pela Catalunha, de Carlos Puigdemont, deverá manter a mesma votação em relação ao mês de abril, em relação à última eleição, entre seis a sete deputados. A Esquerda Republicana Catalã deverá perder entre um a dois deputados, mas a extrema-esquerda da CUP deve entrar pela primeira vez no Congresso dos Deputados e logo a eleger três ou quatro deputados. Pedia agora, se calhar, começava aqui pelo Diogo Noivo. Diogo, olhando aqui para estes resultados da Catalunha, vemos o Juntos pela Catalunha a ter mais ou menos a mesma votação, mas há também a extrema-esquerda da CUP, que é apontada como tendo três ou quatro deputados a entrar pela primeira vez no Congresso dos Deputados. O que os resultados dizem também daquilo que foram os últimos tempos na Catalunha? Há também este capitalizar de votação por parte da causa independentista?
A família independentista na Catalunha é uma família desavinda. Eles estiveram juntos, mas desde o alegado ou suposto referendo de 2017 que os partidos que estavam juntos a pugnar pela independência da Catalunha entraram num conjunto de lutas e de acusações mútuas. Isso eu creio que se nota nos resultados. A ERC, Esquerda Republicana da Catalunha, tem um resultado muito apreciável. O Junts per Cat, do anterior presidente da Generalitat, Puigdemont, paga a fatura de uma certa irresponsabilidade e de uma certa falta de coragem. Mas o mais significativo é, de facto, o crescimento da CUP. E é significativo por quê? Uma das coisas que nós vimos nos protestos recentes na Catalunha foi um certo desencontro entre os manifestantes e os partidos independentistas. E portanto, os partidos que alimentaram os protestos de rua, a mobilização popular, ao não terem sido capazes de conseguir uma independência e, sobretudo, com base em tudo aquilo que sabemos hoje, ao terem até certo ponto enganado o eleitorado que queria a independência, isso parece-me que deu mais força à solução mais radical e mais extrema que é a da CUP. E por isso eu creio que os resultados na Catalunha são, até certo ponto, o resultado ou o espelho de uma família desavinda.
Já agora é um sintoma. Deixa-me intervir agora só para dizer que o que estamos aqui a tentar debater é se há uma solução para o bloqueio em Espanha. A CUP é uma força que vem bloquear.
Exatamente.
É uma força que vem boicotar. É uma força antissistema.
E bloquear violentamente, não é?
Veementemente, violentamente. É uma força antissistema, portanto, é uma força que não acredita no Parlamento espanhol, que não acredita, provavelmente, na política convencional e que está mais confortável na rua, nas acampadas, como dizem em Espanha, da praça, não é na Praça da Catalunha, mas sim é na Praça da Catalunha onde está.
Sim, no espaço da universidade também.
Exato, na Plaça Universitat. Havia vários, mas este é que se mantém em permanência, em protesto pela sentença do Supremo Tribunal e por isso é um reflexo do que, de facto, está a acontecer em Espanha e aconteceu na Catalunha ou está a acontecer na Catalunha e aponta mais uma vez para o bloqueio. Mas já agora, o que não se falou ainda hoje, e eu acho que é importante referir, é que há uma espécie de pacto entre os principais partidos para se desta vez for o partido de Sánchez o mais votado, seja qual for, é evidente que vai ser o PSOE, desta vez haverá abertura para outros partidos importantes, apesar de perderem muitos votos, cederem o seu voto, absterem-se durante a votação de um possível governo para possibilitar precisamente a formação de um governo depois de tantos bloqueios.
Mas era um pouco isso que nós falávamos, isto é, será mais ou menos certo que haverá governo. A dúvida é saber se esse governo tem coerência e força suficiente para funcionar e se daqui a dois anos não estamos outra vez em eleições, porque sendo certo que Ciudadanos, Rivera parece-me que no final desta noite muito provavelmente terá de se demitir. Mas se Rivera viabilizar a formação de um governo PSOE, se Podemos, porventura a CUP, parece-me difícil, mas Mais País, por exemplo, com o Íñigo Errejón, que já disse que ia viabilizar, claro. A dúvida é saber, com o crescimento do Vox e com o Vox como terceira força política nacional
O PP vai permitir ou viabilizar um governo do PSOE? Isso pode ser a morte do PP. Eu tenho essa dúvida, é uma das dúvidas que eu tenho.
Pode ser esse o ponto de viragem para um crescimento ainda maior do Vox, caso o PP opte por essa via?
O PP vem de uma derrota histórica, de uma calamidade absoluta. Recupera algum terreno, alguns votos, alguns mandatos. Pelos números que estamos a ver, é uma recuperação notável face ao resultado anterior, mas em absoluto não me parece um resultado extraordinário, sobretudo para um partido que já teve 10 milhões de votos.
O que aspirava ter 100 deputados, no máximo vai chegar aos 90.
Corretíssimo. Isso mesmo. Sendo certo que é um crescimento notável face às últimas eleições, não parece, em termos absolutos, um grande resultado. O PP não quer dizer que está numa situação periclitante, mas já teve dias melhores. Vai estragar este crescimento viabilizando um governo do PSOE, dando argumentos ao Vox para o ultrapassar e atacar pela direita? Terá Pablo Casado condições de liderança suficientemente sólidas no PP para viabilizar um governo Sánchez? Se calhar esta conversa é toda desnecessária, porque a abstenção de cidadãos, de Mais País e de Unidas Podemos chega para viabilizar um governo PSOE, mas para já não me parece.
Mas também podemos pensar o que é que faz a estratégia contrária. Se efetivamente o PP não ajudar com a sua abstenção a viabilizar a investidura deste governo, com o forte que estava o Vox, de alguma maneira isso também não continua a ser um enfraquecimento do próprio PP. Ou mais, já agora levanto uma outra hipótese, que eu sei que é uma hipótese que não se gosta muito em especial, e que me parece que até vindo de uma cultura de bipartidarismo, é difícil pensar, mas que eu acho que ela se coloca e tem sido posta à mesa, que é a possibilidade até de haver, quem sabe, uma coligação ou pelo menos um apoio parlamentar PP PSOE. Porque essa possibilidade existe também, ela teoricamente existe e foi levantada. Por quê? Porque entalado, o cidadão já não representa perigo de morte para o PP. Mas o Vox representa. E o PSOE é o grande adversário, e sobretudo o PSOE que tem como alternativa aliar-se à esquerda. E portanto, nesse sentido, se calhar, como estratégia alternativa para o PP, não é mau permitir ou a investidura do PSOE ou quem sabe até, e eu sei que isso também é uma coisa que não é da cultura político-partidária espanhola, mas quem sabe entrar numa lógica de governo de bloco central. E eu digo que não é da cultura, porque na verdade isso nunca aconteceu, e também porque julgo que desde a transição da democracia até agora, nos últimos 30 e tal anos, nunca houve um governo de coligação em Espanha. Não houve. E não há essa prática também. Aliás, eu acho que se notou precisamente este último ano exatamente isso. O horror com que os vários líderes partidários pensam na possibilidade de um governo de coligação é de quem não tem a experiência de um governo de coligação e quem não percebe que na maior parte dos países europeus as soluções governativas são de coligação. Eu julgo que esta hipótese para o PP, se há momento em que ela parece não ser completamente desajustada, ou a abstenção, ou eventualmente até quem sabe uma lógica de coligação com o PSOE, é agora. Porque senão eu não sei se ele vai conseguir de facto sobreviver ou reforçar a sua posição face ao Vox. Enfim, não sei. Julgo que é uma alternativa que também devemos ter sobre a mesa.
Mas portanto, nas próximas semanas não vamos ouvir falar de lugares no governo, da negociação para lugares no governo.
É muito pouco provável. Eu queria pegar naquilo que a Lívia estava a dizer. Eu acho que por um lado as contas não saem, mesmo que haja uma abstenção ou um voto favorável do Unidas Podemos, uma abstenção do Ciudadanos. Vamos imaginar que o Mais País, com os seus seis deputados, também soma para haver um governo do PSOE sem coligação, porque não estou a ver uma coligação de facto de cor nenhuma. Mesmo assim, é pouco provável que chegue. As minhas contas andam perto dos 168, 170. São necessários 176. Ainda falta o Partido Nacionalista Basco, a Coligação Canária. É muito arriscado nesta fase dizer que poderia existir essa hipótese de um voto favorável do Unidas Podemos e abstenções várias e votos favoráveis hipotéticos de pequenos partidos. Mas voltando ao PP, o PP de facto está entalado entre um discurso-
Já agora, Henrique, fazemos aqui só uma pequena pausa para ouvirmos as declarações do secretário-geral do PP, Teodoro García Egea. Ele que já falou há pouco, defende que os resultados das sondagens à boca das urnas mostram que só há duas alternativas políticas em Espanha.
Parece que os espanhóis têm claro que só há duas alternativas: ou Pablo Casado ou Pedro Sánchez, o que temos vindo dizendo durante toda a campanha eleitoral. E, portanto, de confirmar-se además a queda em escaños do Partido Socialista, Sánchez deveria empezar a pensar em irse. Sánchez deveria empezar a pensar em abandonar uma futura tentativa de encabeçar a formação de governo.
É o secretário-geral do Partido Popular, uma espécie de número dois de Pablo Casado, a dizer aqui no final deste registo que Pedro Sánchez, o líder do PSOE, devia começar a pensar em desistir, Henrique.
Bom, enfim, são botadas de dia de eleições, porque o que os espanhóis refletiram com o seu voto é que não querem duas alternativas, querem muitas mais. O Parlamento está mais fragmentado do que nunca e o Partido Popular nem de perto chega aos resultados habituais nas últimas décadas. Por isso, acho que não há uma mensagem clara dos espanhóis que querem ou Sánchez ou Casado. O Sánchez, de facto, mantém-se, e o resultado, comparativamente com o que tinha sido o PSOE nos últimos anos, o resultado de abril deste ano foi muito bom. Foi o melhor em muitos anos, 123 deputados, agora estamos a falar de 119, talvez 114 no limiar mais baixo. Mas enfim, essas são as declarações do-
Isto pode significar que há aqui uma tentativa também de começar a tentar formar uma coligação pós-eleitoral à direita?
Os números não saem. É uma surpresa também. Eu ia dizer que o PP está entalado entre o discurso mais para o centro Que foi o discurso que o fez recuperar votos depois do desastre de abril deste ano, desastre propiciado também por um discurso muito agressivo contra a Catalunha, contra o PSOE, contra os inimigos reais ou imaginários do PP. Depois desse fracasso desses 66 deputados, o resultado mais baixo de sempre do PP desde que é PP, houve resultados mais baixos quando era ainda a Alianza Popular. Mas depois desse fracasso, o Pablo Casado tentou virar ao centro e até certo ponto conseguiu, e conseguiu ganhar votos. Agora parece que não vai ser o discurso de vamos permitir que o Sánchez governe, porque também desmancha e desacredita toda a estratégia do Partido Popular.
Era um pouco esse o meu argumento, é que não me parece que com estes números, com o crescimento, com o Vox a chegar à terceira força política nacional, que o PP tenha incentivos para viabilizar um governo do PSOE. Claro que ainda é cedo para chegar a conclusões, mas eu estou aqui a olhar para os números e o bloco de direita tem 161 deputados, o de esquerda à volta de 149. Ou seja, o bloco de direita, neste momento, está mais próximo da maioria absoluta de 176, o que explica um pouco as declarações do porta-voz do PP. Embora nesta fase continua a parecer um pouco provável que tenhamos uma aliança à direita para formar governo. Acho que isso, para já, é cedo ainda. Agora, percebe-se as declarações do PP um pouco olhando para estes números e percebendo que o bloco de direita no seu conjunto, e estou a considerar Ciudadanos, Navarra Suma, que é um partido regionalista de Navarra, PP e Vox. E o Partido Nacionalista Basco, que é um partido muitíssimo curioso, é um partido que tanto se alia à direita, como à esquerda, como ao centro, como àquilo que for necessário. O Partido Nacionalista Basco vai se aliar àquilo que garantir melhores condições para o País Basco, apesar de já ter dito tudo e o seu contrário sobre o Vox. Portanto, o Partido Nacionalista Basco é aquele que vai decidir à última da hora, porque em toda a sua história, Segunda República, guerra civil, franquismo, depois o PNV sendo um partido de base confessional, católico, de direita, conservador, não tem problema nenhum aliar-se à esquerda ou à direita. E, portanto, falta ver o PNV. Mas para já, o bloco de direita vai com mais votos. Estas declarações do PP, como dizia o Henrique, mostram que não há muita vontade em viabilizar um governo do PSOE, mas acho que ainda é possível.
Eu incluiria aqui duas notas de cautela. Primeiro, uma coisa eu acho que é estratégia eleitoral para ganhar votos. E como eu tinha há pouco dito, exatamente essa foi a estratégia eleitoral. A estratégia eleitoral do PP agora foi colocar-se mais ao centro e dizer: "Nós é que somos a alternativa ao PSOE, a alternativa credível ao PSOE". Isso é a primeira. E outra coisa é aquilo que são, no fundo, as negociações e as estratégias depois para se trabalharem maiorias, maiorias parlamentares e maiorias de constituição de governo. E aquilo que eu acho que a história nos mostra, eu direi, em todos os países europeus, é que os partidos, tendo uma determinada estratégia eleitoral, na maior parte dos casos, não têm muito problemas em abandonar essa estratégia eleitoral para conseguir depois estratégias de maiorias parlamentares. E quando tal não acontece, muitas vezes eles são penalizados. E eu acho que o caso Albert Rivera é um exemplo desse mesmo resultado. Portanto, eu acho que nós estamos a dar como certo que o PP vai se mostrar inflexível numa determinada posição, porque essa foi a sua narrativa eleitoral. A experiência político-partidária mostra-nos que no jogo democrático, uma coisa é a estratégia eleitoral, outra coisa é a estratégia da constituição de maiorias parlamentares. Primeiro. Segundo, o sistema eleitoral espanhol é muito complexo. Ele mistura uma lógica de circunscrições com o método D'Hondt também, ou seja, com uma distribuição depois dos lugares através da proporcionalidade. E pequenas variações de percentagens baixas podem alterar a distribuição das forças. Ora, estas avaliações que nós estamos aqui a fazer são avaliações com projeções. Estas projeções, já de si, têm margens de erro entre 2,2 a 3%. E isso, num sistema como o espanhol, pode significar resultados na distribuição dos lugares que altera muito estes equilíbrios todos. No fundo, nós estamos a fazer projeções das percentagens dos votos e a sua tradução em escaños, em lugares no Parlamento. E não é evidente, por quê? Porque precisamos de fazer essa transferência só quando tivermos os resultados concretos. Enfim, são duas notas de cautela. É claro que os exercícios que nós estamos aqui a fazer são exatamente os exercícios que temos que fazer agora, que é projetar. Mas julgo que com esta cautela.
Este aspeto é importante da conversão de votos em mandatos, porque se nós olharmos para as últimas eleições de 28 de abril, PP e Ciudadanos estão separados por 1%. Só que o Ciudadanos teve 57 mandatos e o PP, 66. Ou seja, 1% de diferença entre os dois partidos traduziu-se numa diferença quase de 10.
Em termos de voto de votação popular na distribuição de lugares.
Claro, transformou-se quase numa diferença de 10 deputados no Parlamento, o que é significativo pra criação de maiorias.
Portanto, eu acho que está tudo em aberto. As tendências estão mais ou menos definidas aqui, mas aquilo que vão ser os equilíbrios que depois vão permitir, de facto, a construção dos cenários sobre os quais os partidos vão trabalhar as suas estratégias de constituição de maiorias, esses sim, eu acho que ainda estão em aberto.
Continua a haver também algumas reações a estes primeiros números que vão saindo e antes de irmos para uma nova atualização também de outras notícias, damos conta das declarações de Jorge Buxadé, eurodeputado do Vox. Ele que fez essa primeira reação às sondagens, o Vox, que de acordo com essa primeira projeção, deve ser agora a terceira força política em Espanha. Ora, Jorge Buxadé, apesar de cauteloso, defende que esta é a confirmação do Vox como uma alternativa real.
Sondeos são sondeos. Além disso, como vocês sabem melhor do que eu, não são enquetes a pé de urna, não são uma avaliação real do dia de hoje, mas entendo que é uma média ponderada dos trackings diários e semanais dos últimos tempos e, portanto, nós agora mesmo o olhamos com tranquilidade, com prudência. Mas em qualquer caso, o que sim viriam a confirmar é essa ideia de que o projeto de Vox se consolida como uma alternativa patriótica e social em Espanha.
Declarações de Jorge Buxadé, eurodeputado do Vox, que teve a primeira reação a estes números. Enquanto isso, na sede do Vox, em Madrid, já estão também a ser feitos os preparativos para o discurso de vitória de Santiago Abascal. Já foi montado um palco na varanda da sede com a bandeira espanhola. Lá dentro vão sendo enxutos também balões vermelhos e amarelos com as cores da bandeira nacional espanhola. Lívia, antes de irmos para essa atualização de outras notícias, estas declarações deste membro do Vox, o partido que ocupa agora o terceiro lugar nas forças políticas em Espanha. Diz que é preciso cautela, mas é um discurso de satisfação em relação aos números que já são conhecidos.
Sim, lá está. Nós, não sabendo os resultados concretos, sabemos as tendências, porque as projeções apontam pelo menos para as grandes tendências. E uma das grandes tendências que tem sido mostrada com alguma consistência pelas sondagens todas que têm sido feitas, estudos de opinião, etc., é que de facto o Vox vai crescer muito. E portanto, eu acho que o tom de cautela faz parte daquilo que é a postura de quem ainda está à espera dos resultados concretos, mas depois, claro que há um tom aqui de uma certa satisfação, porque goste-se ou não se goste, simpatize-se ou não se simpatize com este partido, a verdade é que este partido vai ser talvez o grande vencedor da noite. E isso é um dado que não estando absolutamente adquirido neste momento, é talvez dos dados mais fortes e mais prováveis que se venham a confirmar. E portanto, eu acho que o Vox vai de facto passar a ser a terceira força partidária em Espanha. A sua agenda política é uma agenda política que tem a ver com o momento e aquilo que são, no fundo, as suas iniciativas. Há várias, entre as quais aquelas iniciativas que estão mais associadas com a grande questão que se coloca aqui, que é a questão territorial e a questão constitucional, vão evidentemente ser defendidas até à exaustão pelos deputados do Vox, inclusive aquela possibilidade, que tem sido levantada também nas últimas semanas, da eventual ilegalização dos partidos separatistas, como proposta que eles vão defender. Depois podemos discutir se isso é bom ou não para o sistema democrático, não é? Aliás, para a própria Espanha e para aquilo que é a diversidade política e das diferentes sensibilidades da Espanha, mesmo de uma Espanha unida, mas são causas dessas que claramente vão marcar a agenda dos trabalhos parlamentares.
Lívia, Diogo e Henrique, já voltamos para continuarmos a analisar os resultados das eleições em Espanha. Para já vão dando as projeções essa vitória ao PSOE de Pedro Sánchez, que não consegue, no entanto, alcançar a maioria absoluta. Segundo lugar para o PP de Pablo Casado, que sobe cerca de 20 mandatos, é para já o que vai indicando essa projeção da TVE. O Vox de Santiago Abascal deve ser a terceira força política em Espanha.
Estamos em emissão especial para acompanhar então a contagem dos votos em Espanha. Regressamos já a seguir. 08 horas, está no Observador. Vamos olhar para a atualidade com uma síntese de notícias com a edição de João Felipe Cruz.
A esta hora em Alvalade corre o minuto 67, o Sporting e o Belenenses SAD continuam empatados a zero. O Jorge Silas, o treinador dos Leões, já esgotou as substituições. Ainda durante a primeira parte promoveu a entrada de Rafael Camacho para a saída do defesa central Luís Neto. À entrada para a segunda metade, retirou o jovem Rodrigo Fernandes e fez entrar Idrissa Doumbia e ainda há poucos minutos, há cerca de um minuto, Eduardo Henrique, o médio defensivo, saiu para a entrada do atacante Luís Filipe. Nesta altura, 68 minutos no estádio de Alvalade, Sporting zero, Belenense zero. E a esta hora já se joga o derby do Minho, com vitória de Guimarães a receber o Sporting Braga no Estádio Dom Afonso Henriques. Já às nove há derby no Porto. O Boavista recebe o Futebol Clube do Porto no Estádio do Bessa. Em França, foi adiado o jogo entre o Marselha de André Villas-Boas e o Lyon do guarda-redes Anthony Lopes. O autocarro do Lyon foi atacado à chegada a Marselha. Pelo menos dois vidros do autocarro do Lyon foram partidos e à chegada o presidente da equipa já tinha admitido que os jogadores não iam entrar em campo. Jean-Michel Aulas diz mesmo que foram alvo de uma emboscada. A Liga Francesa acabou por decidir adiar esta partida da 13ª jornada da Ligue 1, que estava marcada exatamente para esta hora, para as oito da noite. Por cá, Luís Montenegro apresentou de forma oficial a candidatura à presidência do PSD. O antigo líder parlamentar social-democrata não quer ser apenas candidato à presidência do partido e apresentou um programa a 12 anos.
Estou aqui determinado em dar mais 12 anos da minha vida e de dedicação a Portugal. Estou aqui para assumir a responsabilidade de liderar a oposição em Portugal nos próximos quatro anos e de liderar o Governo de Portugal nos oito anos que se vão seguir a esses quatro anos.
Em Lisboa, num discurso para apoiantes da candidatura, Montenegro prometeu também baixar impostos caso seja primeiro-ministro.
Uma das primeiras propostas que apresentarei, uma vez eleito líder do PSD Será de redução dos impostos sobre o trabalho e de simplificação do regime do IVA. Será uma proposta de redução gradual e faseada ao nível do IRS e do IRC. E será uma proposta de fusão da taxa intermédia e da taxa máxima do IVA numa só taxa, que estimo não seja superior a 20%.
As palavras de Luís Montenegro na apresentação da candidatura à presidência do PSD. O partido vai a votos no dia 11 de janeiro. Rui Rio, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz são, para já, os candidatos a presidentes do PSD. Marcelo Rebelo de Sousa visita a Itália no início desta semana. O presidente da República diz que esta visita é um sinal de grande solidariedade para com o homólogo italiano, Sergio Mattarella, sobre a posição que este tem relativamente à União Europeia, que, diz Marcelo Rebelo de Sousa, tem decisões para tomar.
A União Europeia está numa encruzilhada. Tem que decidir. Tem que decidir se fica onde está ou se avança. E avançar significa o quê? Significa aprovar o quadro financeiro plurianual, significa ter uma voz no mundo, significa ser mais forte e mais unida, significa servir mais aqueles que mais necessitam.
Para Marcelo Rebelo de Sousa, Sergio Mattarella, o presidente italiano, tem sido um exemplo neste capítulo. O presidente da República acrescenta que esta visita serve também de sinal de fraternidade em relação aos italianos. Para Jerónimo de Sousa, o legado de Álvaro Cunhal continua a ser um instrumento importante. O secretário-geral do PCP homenageou o histórico comunista no dia em que faria 106 anos. Jerónimo de Sousa classificou mesmo este legado de Álvaro Cunhal como premonitório, porque, para o líder do PCP, as análises confirmaram-se inteiramente nestas três décadas de integração capitalista. Palavras de Jerónimo de Sousa na Moita, no distrito de Setúbal, na sessão comemorativa do aniversário de Álvaro Cunhal. João Miguel, ainda a tempo para dar o 11 do Porto, já a onze para este jogo no Estádio do Bessa, frente ao Boavista, o derby do Porto. Aqui um 11 com alterações promovidas por Sérgio Conceição, muito por culpa dos castigos de quatro jogadores do Porto, são eles Marchesín, Luis Díaz, Saravia e Uribe. Vamos então ao 11 do Porto. Diogo Costa está na baliza azul e branca, defesa com Wilson Manafá, Mbemba, Marcano e Alex Telles. Corona, Danilo, Lum e Otávio estão no meio-campo portista, Marega e Fábio Silva estão no ataque.
Foram notícias às 20:00 na Rádio Observador, nesta noite de emissão especial para acompanhar a contagem dos votos em Espanha. Oito horas e-
Rádio Observador, Grande Lisboa em 98.7 e no Grande Porto em 98.4.
Oito horas e seis minutos, mais uma hora em Espanha. Estamos em emissão especial para acompanhar a contagem dos votos do ato eleitoral espanhol. Segundas eleições em seis meses. Isto numa altura, João, em que começam a sair os primeiros resultados.
Mas para já avançamos com essas projeções. Maioria absoluta para Pedro Sánchez, do PSOE, o Partido Socialista Operário Espanhol, que consegue entre 114 a 119 mandatos. O PP de Pablo Casado com 85 a 90, uma subida em relação ao mês de abril. Já o Vox de Santiago Abascal consegue ser a terceira força política entre 56 a 59 mandatos. São estes os números das projeções que foram avançadas logo às 19h pela TVE. Os primeiros resultados oficiais começam a ser conhecidos daqui a pouco. Os primeiros resultados oficiais que devem dar essa vitória, mas sem maioria absoluta a Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol. Conosco temos em estúdio Lívia Franco, também Henrique Pinto Coelho e Diogo Noivo. Lívia vai ter que sair daqui a pouco. Perguntava-lhe e também já em jeito de conclusão, tendo em conta estes números que temos aqui em cima da mesa. Este é um cenário que dá a Pedro Sánchez capacidade para liderar Espanha e para liderar os socialistas espanhóis. Ou seja, depois de tudo aquilo que falámos durante a primeira hora, com esses números, com essas projeções, ao que tudo indica, Pedro Sánchez sairá relativamente ileso deste escrutínio?
Eu não acho que saia ileso na medida em que ele fez uma aposta e a aposta dele não teve os resultados que são pretendidos. Acho que, evidentemente, o PSOE também não sai propriamente penalizado. Ou seja, há uma certeza que nós temos, e a certeza é que nos últimos dois atos eleitorais, os espanhóis continuam a mostrar que querem que seja o PSOE a formar governo ou pelo menos a liderar governo. Agora, a situação de impasse político-partidária continua mais ou menos evidente. Há uma grande polarização. Essa polarização nota-se na constatação de que não há maiorias claras, nem dos partidos à direita, nem uma maioria clara dos partidos à esquerda e, portanto, há que agora arranjar aqui margem de manobra, jogo de cintura. Os partidos também estão habituados a fazer isso. É isso que o jogo político implica em democracia, para tentar arranjar a maior estabilidade possível, com uma base majoritária ou não, para formar um governo, na medida em que Espanha precisa desse governo. Duas eleições em seis meses é um grande desafio para um país, um país que está em desaceleração econômica e, portanto, agora é tentar arranjar, de facto, a solução que permita entrar numa normalidade que permita dar resposta aos grandes desafios. Eu diria que os grandes desafios são muito difícil a questão constitucional e territorial, portanto, por outras palavras, a Catalunha, e segundo, são os desafios econômicos Que estão de alguma maneira a adensar e é isso que o próprio próximo governo espanhol tem de fazer.
Espanhóis já estão fartos de ir às urnas.
E eu acho que se nota isso. A afluência às urnas em Espanha, apesar de tudo, é relativamente alta. E eu acho que estes quatro, cinco pontos-
Pergunto isso porque havia alguns eleitores que hoje diziam: "Obviamente vou votar, mas já chega".
Sim, as pessoas estão cansadas.
"Vou cumprir o meu dever", mas os espanhóis estão fartos de voltar às urnas.
As pessoas querem continuar nas suas vidas normalmente, ir às suas vidas com uma certa tranquilidade, e isso é preciso. É claro que os sistemas democráticos também têm uma capacidade de aguentar estes momentos de transição ou de alguma indecisão, mas as pessoas querem ter alguma tranquilidade e a estabilidade é muito importante para a vida de um país continuar normalmente. Não quero aqui ser idealista ou fazer disto um quadro cor-de-rosa, mas é dizer que eu acho que esse é o objetivo da maioria dos espanhóis, quer estejam do lado mais dos partidos da direita ou do lado mais do partido da esquerda, é isso que eles querem e esperemos que seja isso que, com alguma responsabilidade, os líderes políticos espanhóis consigam agora entre eles negociar e alcançar para o Parlamento começar a trabalhar e se investir um novo governo.
Olhamos agora para os primeiros resultados oficiais, com pouco mais de 16% dos votos contados, o PSOE, os socialistas liderados por Pedro Sánchez, alcançam 122 mandatos, o PP de Pablo Casado 82, uma subida em relação às eleições de abril, o Vox de Santiago Abascal deve ficar-se pelos 46 deputados. Há pouco tínhamos falado nas projeções que davam entre 56 a 59. Não são tantos, mas é uma grande subida em relação à última eleição. Já o Unidas Podemos, de acordo com os primeiros resultados oficiais, alcança 25 mandatos, um pouco menos também do que adiantava a primeira projeção. Já o Ciudadanos de Albert Rivera deve ficar com apenas oito deputados, depois de ter tido mais de 50 deputados nas eleições de abril. O Henrique, para quem nos está a ouvir, vai fazendo ali uns gestos de alguma surpresa em relação a estes primeiros resultados oficiais. Há apenas 16% dos votos contados, não chega a 17% de votos que já foram contabilizados. Mas Henrique, são números surpreendentes e aproveito agora também para nos despedirmos da Lívia. Lívia, obrigado por ter estado conosco aqui ao longo desta última hora. Boa noite, obrigado. A Lívia vai agora para outros compromissos. Nós seguimos agora aqui a nossa emissão com o Henrique e também com o Diogo. Mas perguntava, Henrique, são números surpreendentes. Falávamos dessa queda do Ciudadanos, falávamos do crescimento do Vox. O que surpreendeu mais o Henrique depois de divulgados estes primeiros números oficiais?
Bom, as surpresas são várias. É uma surpresa em relação a esta projeção, que não eram sondagens à boca da urna.
Já agora, a abstenção deve ficar um pouco acima dos 32%, cerca de quatro pontos acima da abstenção que se registou em abril.
Sim, não será muito significativa esta pequena descida na participação. Estas primeiras projeções com base a resultados reais apontam para um PSOE que fica exatamente como estava, 122, teve 123 em abril. O PP a subida não é tão grande como se tinha projetado. O que estamos a falar há uma hora. Há uma hora a previsão era que obtivesse entre 85 a 90 deputados, agora ficaria só com 82, portanto uma subida ainda assim significativa em relação a abril, mas não tão grande quanto isso, e muito longe dos 100 deputados, que era um pouco o termômetro do êxito desta nova estratégia de Pablo Casado, que se mostrou bem-sucedida nas eleições europeias. O Vox, a subida não é tão impressionante como poderia parecer há uma hora, mas mesmo assim quase duplica o número de deputados. O Unidas Podemos tem uma quebra muito considerável, passa de 42 ou passaria se estas projeções fossem verosímeis, passaria para 25, quase metade. E o Ciudadanos, é uma quebra histórica. Não tenho memória de uma queda tão-
De uma ascensão e queda tão grandes.
Tão grandes. O Podemos também teve uma ascensão que chegou a 60 e tal deputados e agora estamos a falar de 25. A Lívia falava de epifenômenos e poderá de facto ser o caso, o Podemos apesar de tudo mantém-se, tem 25. Ou teria 25 se estas projeções se mantivessem. Mas passar de 57 nas últimas eleições há apenas seis meses para oito revela, de facto, aquilo que eu dizia no início, o naufrágio, a deriva, a descredibilização total de Albert Rivera e o fracasso total desta estratégia de virar à direita. Quem capitaliza de facto estas hesitações de Rivera é Vox, e o partido Vox é um partido que Não existia e a Lídia perguntava há pouco se existia já em 2011. Não foi às eleições em 2011, foi em 2015. E vou recuperar aqui uns dados que eu, enquanto fiquei curioso, também não tinha certeza se tinha estado em 2011. As primeiras eleições em que participou foi em 2015, obteve 57 mil votos a nível nacional. Em todo o país, isto representava 0,23% dos votos. Agora estamos a falar de três milhões de votos largos e uma percentagem que se calhar ronda os 13, 15%. Portanto, é uma abstenção brutal e eu acho que é também o grande título destas eleições é que o radicalismo que surgiu na Catalunha em 2017, a radicalização da sociedade e do Parlamento catalão chegou ao Parlamento espanhol porque é uma força antidemocrática, mais uma vez, e que vem agitar o sistema, vem pôr em causa a Constituição e vem trazer ao de cima aqueles votantes que durante décadas estiveram no PP confortavelmente camuflados, essa extrema-direita que não se via, porque o PP apesar de tudo era um partido de Estado, um partido central no sistema político espanhol. E essa ala radical do PP que durante décadas esteve adormecida, agora, por causa sobretudo da Catalunha, é uma reação às bandeiras na Catalunha. Agora o Vox nos atos que organiza quase sempre faz questão de desfraldar uma gigantesca bandeira espanhola, como quem diz ou como dizendo: "Se vocês têm bandeiras, nós também, a nossa é maior."
Falávamos do PP, do Vox e do Ciudadanos. Tempo agora para recuperarmos aquilo que foi sendo dito ao longo do dia, durante as votações, quer de Pablo Casado, quer de Albert Rivera, quer também de Santiago Abascal. Começamos pelo líder do PP, Pablo Casado, ele que pediu logo pela manhã um resultado claro para desbloquear a economia espanhola e também as aspirações dos eleitores espanhóis.
Creo que hoy lo más positivo sería que hubiera un resultado claro, un resultado que permita desbloquear una situación política que ya está lastrando la economía, ya está lastrando las expectativas de los españoles.
Declarações de Pablo Casado no momento da votação, o líder do Partido Popular Espanhol, que deixou esse apelo também à estabilidade política. Já Albert Rivera, do Ciudadanos, que tem esta queda enorme neste escrutínio, lembrou ao longo do dia que havia pesquisas que indicavam que haveria ainda cerca de um quarto dos eleitores que ainda não tinham decidido em quem votar. Sublinhava que havia ainda muito em jogo e deixava esse apelo ao eleitorado mais moderado, também aos indecisos, às classes médias. Dizia Albert Rivera que era preciso apelar ao voto daqueles que não gritam e que não insultam. Diz que era nesses que estaria também a chave pra esta eleição.
Que casi un 25% de españoles ayer, en día de reflexión, no hubieran todavía decidido su voto, quiere decir que hay mucho en juego, que hay mucho partido. Por eso decía antes que los moderados, los indecisos, las clases medias, la gente que no grita, que quiere hablar, la gente que no insulta, sino que respeta, creo que es la que tiene la clave, la llave de esta solución.
Era este apelo deixado por Albert Rivera, Diogo Noivo, o apelo aos indecisos tentava apelar ao eleitorado dito mais moderado. Não resultou este apelo do Ciudadanos. Albert Rivera pode ter hoje o fim de linha como líder do Ciudadanos?
Eu creio que se estes resultados-
E pergunto, já agora, se o próprio Ciudadanos não estará também em fim de linha. Ou seja, pode ser ainda muito cedo pra falar, mas falávamos dessa ascensão e queda deste partido. Não é só um líder que não sai ileso, é também um partido que não sai ileso. O Ciudadanos terá pernas pra andar como teve até aqui? Dificilmente terá, mas terá pernas pra andar ao longo dos próximos anos e para ser um partido com grande influência no espectro político espanhol?
Eu creio que sim, eu creio que tem essa possibilidade, mas começo pela primeira pergunta. Começamos pelo princípio. Albert Rivera, se estes números confirmarem, acabará a noite demitido. Acho que não tem a mais pequena condição para continuar à frente dos Ciudadanos. Isto não é uma derrota, é uma hecatombe. Se isto se confirmar, é um desastre sem paliativos e, portanto, parece-me que Albert Rivera, a confirmarem-se estes números, ele tem atualmente 57 deputados, pode perder 30, 35. É um desastre absoluto, portanto, não tem condições pra continuar. O Ciudadanos, sim, porque eu entendo o Ciudadanos da mesma forma que entendo o Unidas Podemos. Estes dois partidos entraram na arena política nacional em 2015. Até 2015, Espanha era um país bipartidário, com hegemonia do Partido Socialista Espanhol e do PP, e em 2015 estes dois partidos, Unidas Podemos à esquerda e Ciudadanos ao centro, centro-direita, irrompem no Parlamento e passam a ter uma voz ativa na condução da política nacional.
E tem também esse lastro de terem surgido referenciados como movimentos, não propriamente como partidos ditos clássicos.
Certo, e essa dimensão de movimento tem um ângulo que me parece ser um ângulo importante. Quer o Unidas Podemos, quer o Ciudadanos, nascem assentes num conjunto de intelectuais, num conjunto de acadêmicos, num conjunto de profissionais que deram a estes partidos ideias novas, deram a estes partidos uma natureza muito diferente dos partidos tradicionais da chamada velha política. E, portanto, quando estes partidos surgem em 2015, foram capazes de incutir esperança, de mobilizar uma parte muito significativa do eleitorado pelas ideias que defendiam, mas sobretudo por não terem vícios do sistema político. O que que aconteceu desde 2015? Quer o Unidas Podemos, quer o Ciudadanos
Entraram numa ótica de cálculos político-partidários, de pensamento de curto prazo, de apostar mais na forma do que no conteúdo, de apostar mais no soundbite do que nas ideias novas. E estes dois partidos, Podemos à esquerda e Ciudadanos no centro-direita, são corresponsáveis pela situação de bloqueio que nos levou a estas quartas eleições em quatro anos ou segundas eleições em-
Já aproveito para dizer, já que falamos de Podemos e Ciudadanos, que os dois partidos já vieram a público dizer que preferem esperar pelos resultados oficiais. Já ouvimos aqui as declarações dos porta-vozes, quer do Vox, quer também do Partido Popular, mas para já o Podemos e os Ciudadanos com muita cautela a querer aguardar. Já são conhecidos esses resultados, ainda que com muito poucos votos contados, mas para já ainda não há sinal quer do Ciudadanos, quer também do Podemos.
Certo. Parece-me que eles são penalizados por terem contribuído pra situação de bloqueio e parece-me, sobretudo, que estão a perder importância pro eleitorado, porque o Ciudadanos foi capaz de buscar votos, quer ao PP, quer ao PSOE, o Unidas Podemos essencialmente ao PSOE e à abstenção, porque foram capazes de trazer ideias novas, ideias limpas, sobretudo se tivermos em conta a lógica de tráfico de influências e de alguma corrupção que imperava na lógica bipartidária espanhola. E foram partidos que por essas ideias novas e por virem da chamada sociedade civil, não é uma expressão que me agrade muito, mas por virem da chamada sociedade civil, foram capazes de catalisar emoção e esperança no eleitorado. Desde então, assumiram todos os vícios da política antiga, dos cálculos de curto prazo, de um certo umbiguismo, de estarem muito mais preocupados com aquilo que é o interesse do partido do que propriamente com o interesse do sistema e do país. E eu julgo que há uma dupla penalização nas eleições de hoje. Ciudadanos é penalizado e com uma penalização tremenda, mas o Unidas Podemos também sofre algum recuo e eu julgo que é precisamente por isso, porque o sistema que era bipartidário passou a ser um animal diferente em 2015 e esse novo animal ainda não se consolidou.
Aquela mão que Pablo Iglesias garantia ter estendida pro PSOE era já um augúrio daquilo que poderia ser a noite eleitoral?
Sim, no debate, não de líderes partidários, mas dos porta-vozes dos partidos, é muito curioso porque a representante do Unidas Podemos, a primeira coisa que disse foi: "Espanha já não é um país bipartidário." Ou seja, foi a declaração de alguém que rompeu o bipartidarismo em Espanha, está a ver esse bipartidarismo de forma muito tímida a regressar e, portanto, pretende marcar o seu terreno e dizer: "Atenção, nós ainda contamos pra alguma coisa." Eu creio que essa declaração mostra que há no Podemos a consciência de que estão a ser penalizados. E tudo isto é, numa ótica um pouco mais profunda, a recomposição do sistema político espanhol. A Constituição Espanhola não está pensada pra uma lógica bipartidária, também daí ser tão difícil fazer acordos e conseguir soluções pactuadas de governo. Mas estes dois partidos que vieram agitar as águas e reconfigurar por completo o sistema, ambos recuam. E no caso do Ciudadanos, é um recuo tremendo. E isto é a recomposição do sistema, sendo certo que neste momento a recomposição do sistema se está a fazer pela ascensão do Vox, o que é preocupante por variadíssimas razões, porque constitui um ataque declaradíssimo à Constituição Espanhola de 1978 e porque vem motivar a instabilidade na Catalunha, que vive essencialmente disto. E, portanto, não estou nada animado, mesmo que haja um governo, creio que esse governo não terá força e creio também que os problemas, em vez de diminuírem, vão aumentar.
Henrique, pedir-lhe agora que recuperasse também toda a sua experiência em Espanha e a acompanhar também esses movimentos sociais pra tentar perceber se olhando pra estes números e pegando também nessas palavras do Diogo Noivo, que falava dessa preocupação com a ascensão da extrema-direita em Espanha, se podemos também esperar ao nível social, se se comprovarem estes resultados do Vox, que comecem a surgir alguns focos de protesto um pouco à margem da política. O que a sociedade espanhola nos tem dito ao longo dos últimos anos sobre reação aos resultados políticos? Podemos esperar que haja, por parte principalmente dos movimentos à esquerda e da extrema-esquerda, uma reação imediata também a este crescimento desmesurado do Vox?
Bom, eu não posso antecipar.
Não temos poder de adivinhação ainda.
Não posso antecipar nada. Eu sei que vai haver, de fato, já estão convocadas jornadas de protesto na Catalunha nos próximos dias, os comitês autodenominados Comitês de Defesa da República. E pronto, na Catalunha certamente haverá.
O próprio Tsunami Democrático na Catalunha já deixou esses apelos à desobediência civil.
Sim, o Tsunami entretanto foi ilegalizado e foi incluído numa lista de movimentos quase terroristas subversivos, mas continua a ter poder de mobilização, embora o eixo principal continuem a ser os Comitês de Defesa da República, os CDRs, que se cindiram no Tsunami porque entretanto houve elementos do CDR que foram investigados, que estão a ser investigados e estão a ser julgados. Julgados, não, estão a ser interrogados em relação a atividades de preparação de explosivos, enfim, atividades terroristas. Eu acho que é muito prematuro, eu acho que a esquerda não vai sair à rua por causa deste resultado bom pra direita espanhola, pelo menos a curto prazo
Vai haver muitos ataques dos partidos de esquerda e obviamente vai haver uma reação e contrarreação dos vários partidos no Parlamento. Vai haver essa questão do PP entalado entre o Vox e uma eventual hipotética aliança para simplesmente dentro de um centrão, que não existe em Espanha, poder permitir que haja uma formação do governo. Aí vai estar um bocado o debate nos próximos dias. Mas eu quero recordar ainda que antes das eleições de abril, uns meses antes, o Ciudadanos era o partido que apontava a ser número um nas eleições em Espanha. Esteve acima do PSOE, acima do PP. Portanto, havia quem já augurasse que o próximo primeiro-ministro em Espanha seria Albert Rivera. Nada mais longe da realidade, pelo menos a realidade a que estamos a assistir hoje. E eu acho que também há um outro fenômeno que explica a ascensão de Vox. É este descrédito dos partidos novos, os chamados novos partidos Podemos, Unidas Podemos e Ciudadanos, ao terem esta ascensão e queda, aqueles votantes que em Espanha não conseguem, porque estão cansados do PP e do PSOE, não conseguem votar nos velhos partidos. Agora têm um novo animal, por continuar com a imagem que estava a ser falada há pouco pelo Diogo, o novo animal, o novo entretenimento, a nova esperança. A novidade é o Vox e por isso eu acho que infelizmente há muitas pessoas que eram mais moderadas, mais centradas, que perante o fracasso do Unidas Podemos, o fracasso, entre aspas, de ambos os partidos, do Ciudadanos também, agora apostam nesta versão que apela também a uma coisa mais irracional. Enfim, o mesmo que aconteceu na Catalunha. Esta irracionalidade, esta emotividade chegou às urnas e chegou às urnas de âmbito nacional, não só na Catalunha. E a reação ao que aconteceu na Catalunha a partir sobretudo de 2017, a reação está agora, chegou ao Parlamento espanhol com pelo menos 40 deputados do Vox, quem sabe mais. Já falamos hoje em 57, que seria o resultado dos Ciudadanos nas últimas eleições.
Vamos só fazer uma pausa na análise sobre as eleições espanholas, nesta noite em que já temos estes resultados oficiais que dão vitória ao PSOE, mas sem maioria absoluta. Vamos fazer essa pausa, João, para avançarmos agora para a síntese das notícias.
Exatamente. Estamos em emissão especial aqui na Rádio Observador, a acompanhar a contagem dos resultados deste ato eleitoral em Espanha, numa altura em que estão escrutinados já 39,7% dos votos. O PSOE vai à frente com 122 mandatos, seguido do PP, com 84 lugares no Parlamento espanhol. Já vamos fazer as contas aos votos alcançados em Espanha pelos diferentes partidos. Como dizia o João, são 20h30. Vamos olhar para o resto da atualidade com uma síntese de notícias com o João Filipe Cruz.
O Sporting venceu o Belenenses SAD por 2 a 0. Dois gols de Luciano Vietto deram os três pontos aos Leões. O argentino marcou aos 74 e aos 81 minutos. Com esta vitória, o Sporting aproxima-se do terceiro lugar. Os Leões estão a quatro pontos do Famalicão. E a esta hora, no Estádio Dom Afonso Henriques, o Vitória de Guimarães já perde frente ao Sporting de Braga. Golo aos 24 minutos de Paulinho, 1 x 0 para os bracarenses. E daqui a menos de meia hora, às 21h, há derby no Porto. O Boavista recebe o Futebol Clube do Porto no Estádio do Bessa. Luís Montenegro quer vencer já as próximas eleições, as autárquicas, em 2021. Na apresentação oficial da candidatura a presidente do PSD, o antigo líder parlamentar prometeu também ganhar a Câmara de Lisboa e depois ganhar as eleições legislativas. O PSD vai a votos no dia 11 de janeiro. Para já, Rui Rio, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz são os candidatos a presidentes do partido. Marcelo Rebelo de Sousa pede compreensão para as condições que diz serem dramáticas da mulher que abandonou o filho recém-nascido num caixote do lixo em Lisboa. No final da cerimônia de canonização de Frei Bartolomeu dos Mártires, em Braga, o presidente da República agradeceu também a posição das autoridades cabo-verdianas que, nas palavras de Marcelo, "se juntaram a Portugal na preocupação de encontrar uma forma de defender uma pessoa que só em desespero total acabou por fazer o que fez". São as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa em Braga. E na Bolívia, as Forças Armadas pediram há minutos a demissão do presidente Evo Morales, num dia em que dois ministros e também o presidente da Assembleia da República se afastaram dos cargos. A Bolívia atravessa nesta altura uma crise política e social desde as últimas eleições, com a oposição a denunciar uma fraude eleitoral e a pedir a renúncia de Morales. Pelo menos três pessoas morreram e 421 ficaram feridas em mais de três semanas de confrontos entre apoiantes e os que estão contra o presidente boliviano.
Foi a síntese das 20h30 na Rádio Observador, nesta noite de emissão especial eleições espanholas. Regressamos já dentro de 20 segundos. Oito horas e 33 minutos, nove horas e 33 em Espanha. Estamos com uma emissão especial para acompanhar a contagem dos votos deste segundo ato eleitoral em seis meses em Espanha. João, isso numa altura em que já estão contados quase 50% dos votos.
44% dos votos contados e o PS, o Éde Pedro Sánchez, segue na frente com 122 deputados, um resultado semelhante àquele que foi alcançado em abril. Já o PP de Pablo Casado sobe mais cerca de 20 mandatos em relação às últimas eleições. Já falamos hoje da grande subida do Vox de Santiago Abascal, o partido considerado de extrema-direita pode atingir quase meia centena de lugares no Parlamento Espanhol, no Congresso dos Deputados. Quarenta e nove mandatos é o resultado agora para o Vox, com 44% dos votos contados. Já o Podemos de Pablo Iglesias deve conseguir 25 mandatos, uma descida em relação aos 33 alcançados nas últimas eleições. Já os Ciudadanos de Albert Rivera, neste momento, os 44% de votos contados dão uma dezena de deputados ao Ciudadanos. É uma descida, uma verdadeira hecatombe, utilizando aqui as palavras de Diogo Noivo há pouco, tinha alcançado 57 mandatos nas eleições de abril. Destaque também para a Esquerda Republicana da Catalunha, com 13 deputados, um resultado relativamente semelhante ao resultado alcançado em abril, o mesmo para o Juntos pela Catalunha. A abstenção deve rondar os 31%, um pouco acima dos 28,4 alcançados na última eleição geral em Espanha. Diogo Noivo e Henrique, voltamos aqui à análise a estes resultados das eleições em Espanha. Eu pedia agora que nos concentrássemos talvez também naquilo que foi e se calhar começamos aqui pelas palavras de Marcelo Rebelo de Sousa. Marcelo Rebelo de Sousa hoje falou sobre esta eleição. Diz que o que diz respeito a esta eleição tem que ver com o povo espanhol, mas teve também umas palavras curiosas que eu pediamos que tivessem atenção. Diz que o melhor para a Espanha será também o melhor para Portugal.
O presidente da República Portuguesa não comenta a situação política espanhola. Aquilo que eu posso dizer é que corra o melhor possível para a Espanha. O que for bom para a Espanha é bom para Portugal. O que for bom para o nosso irmão e vizinho é bom para as relações entre os dois, é bom para a Europa e nessa medida é bom para Portugal também.
Henrique Pinto Coelho e Diogo Noivo, que é bom para a Espanha, é também o melhor para Portugal. E pedia-vos que fizessem essa análise, cruzando também um pouco aquilo que foi o debate feito durante as últimas eleições legislativas em Portugal. António Costa disse que poderia usar também este exemplo de Espanha, do impasse político em Espanha, para chamar a atenção dos eleitores portugueses para darem força ao Partido Socialista. António Costa não conseguiu a maioria absoluta que desejava, conseguiu vencer as eleições. Em Espanha, Pedro Sánchez poderia ter usado de outra forma o exemplo da Geringonça em Portugal para conseguir mais alguns votos ou as situações não são comparáveis?
Eu julgo que não são comparáveis. Quanto às declarações do senhor presidente da República, pois é uma evidência.
Refere-se também, em particular, à economia. Será isso que estará no centro também desta declaração de Marcelo Rebelo de Sousa.
Espanha é o principal parceiro comercial de Portugal. Espanha é o principal destino das nossas exportações, é a principal origem das nossas importações e por isso uma gripe em Espanha é uma doença muito complicada em Portugal. E por isso é natural que aquilo que é bom para a Espanha é bom para Portugal, dada a fragilidade da nossa economia, dada a nossa dependência comercial de Espanha.
A palavra é muito essa, a palavra dependência também da economia espanhola.
Com certeza. Basta pensar em setores como a banca, como a construção, pensar nas exportações e nas importações para perceber que a economia portuguesa tem, ao longo dos anos, perdido a oportunidade de se afirmar e ficado sempre muito na dependência da economia espanhola, também em grande medida porque Espanha soube fazer as reformas econômicas, laborais, sociais necessárias a que a economia despontasse. E, portanto, eu creio que as declarações do presidente da República vão muito no sentido de alertar para a grande dependência que Portugal tem no plano econômico de Espanha.
Se o discurso de Pedro Sánchez poderia ser um discurso em que pudesse aproveitar aquilo que aconteceu na última legislatura em Portugal.
Parece-me difícil, porque a Geringonça portuguesa depende em grande medida do Partido Comunista Português e do Bloco de Esquerda. O Partido Comunista Português não existe em nenhum outro lado que não seja em Portugal, uma espécie de tótem do marxismo-leninismo no século XXI.
É até encarado como um case study.
Sim, é um pedaço de arqueologia, quase, portanto, é uma coisa que não existe em Espanha. Do lado do Bloco de Esquerda, o Bloco de Esquerda tem um partido irmão, que é o Podemos, com uma diferença: o Bloco de Esquerda já tem uns anos de existência e o Podemos não, o que significa que o Bloco de Esquerda tem um pragmatismo, tem uma experiência, tem, desde logo, uma experiência eleitoral muitíssimo superior à do Podemos, o que significa que o Bloco é muito mais moderado do que era quando nasceu e, por outro lado, é capaz de um pragmatismo que o Podemos não teve. Basta pensar que, como já dissemos várias vezes esta noite, que Pablo Iglesias agora vai estender a mão a Pedro Sánchez. Bom, a verdade é que há não muito tempo, Pablo Iglesias pedia o controle dos serviços de informações, vulgo dos serviços secretos, para apoiar o governo de Sánchez e pedia pastas, nomeadamente uma vice-presidência de governo e pastas de cariz social, ficando com uma representação muito superior àquele que é o seu O seu peso eleitoral.
Deixe-me só fazer uma pequena anotação. Chegou a oferecer uma vice-presidência e três ministérios, mas não foi suficiente. Nada foi suficiente.
Pois, com certeza, o que mostra que há uma falta de pragmatismo e uma ambição desmedida e um certo umbigo no Podemos, que já existiu no Bloco de Esquerda, muito, e que de vez em quando ainda desponta no Bloco de Esquerda, mas o Bloco de Esquerda é hoje um partido com uma experiência que permite fazer coisas como a geringonça. E por isso eu não creio que uma solução à portuguesa fizesse sentido em Espanha, desde logo, porque o que está em causa são coisas diferentes. Nós, em Portugal-
Sentido faria, desculpe mais uma vez interromper. Não é muito credível viável. Agora, que faria sentido, faria sentido.
Eu creio que não. Sabe por quê, Henrique? Porque eu acho que o que está em causa em Espanha, seja por via do Vox, seja por via do separatismo catalão, é a Constituição de 1978. A Constituição espanhola é o instrumento essencial de democratização daquele país, da transição pra democracia. É na Constituição de Espanha que se encontraram essas três Espanhas. A Espanha franquista, que percebeu que o regime não podia durar, a Espanha das vítimas da guerra civil, que com abnegação e coragem abdicaram de vinganças, e a terceira Espanha, que cria a integração de Espanha na União Europeia e no espaço europeu. A Constituição de Espanha é o ponto de encontro destes três países e esta Constituição está a ser ameaçada, quer pelo lado do Vox, quer pelo lado da Catalunha, o que faz com que o debate político em Espanha tenha uma dimensão existencial que não tem em Portugal. Nós em Portugal também temos grandes abstenções, porque já não há nada de urgente ou de muito grave que nos obrigue a votar. Em Espanha, a ameaça eu creio que é ao âmago do próprio regime. Por isso é que eu não sei, e a minha dúvida é essa, por isso é que eu não sei se a geringonça faria sentido em Espanha, porque a geringonça é uma solução de um país que não tem grandes problemas.
O panorama político, sem dúvida, e parlamentar em Espanha é muito diferente e há o elemento regionalista, nacionalista, como se queira chamar, o que altera tudo, mas não deixa de fazer sentido porque, por exemplo, o Podemos teve uma oportunidade histórica recentemente de formar governo ou autorizar um governo do PSOE com forte influência do Podemos, se fosse programática, seja fosse uma coligação. Havia várias opções. Também quem perdeu essa oportunidade foi o Ciudadanos, que podia ter permitido, aliás, chegou a fazer um acordo, o chamado Pacto do Abraço entre Sánchez e Rivera, quando o partido de Rivera tinha sentido de Estado e vontade de chegar a consensos. Depois entrou em negação e bloqueou qualquer hipótese de acordo com o PSOE e agora está a pagar essa fatura. Mas também queria lembrar que o Unidas Podemos, antes Podemos, começou como um partido de rua, um partido que sai dos protestos do 15 de março, que se prolongaram durante meses na Porta do Sol, em Madri. Portanto, a origem do Podemos e do Ciudadanos não podia ser mais diferente, mais diversa. Tem algumas semelhanças no percurso, mas são partidos radicalmente diferentes. E agora vemos que o Podemos, que nos inícios foi o principal inimigo desta Constituição de 78, que é o elemento que une e democratiza a Espanha desde o fim da ditadura em 75, agora está a ser ameaçado por outras formações, porque entretanto o Pablo Iglesias, durante vários debates recentes, utilizou a Constituição quase como se fosse a Bíblia. Era o mais ardente defensor da Constituição, portanto, já não está em perigo por causa do Podemos, desse movimento de rua que depois se tornou partido, e agora está em causa por causa das tensões na Catalunha e por causa de um novo partido que absorve o extremismo e o nacionalismo espanhol, que se chama Vox.
Aliás, a mudança da opinião do Podemos é curiosa, porque, de facto, começa contra a Constituição, agora já é favorável, mas pra mim o episódio mais interessante foi quando o Podemos pediu a intervenção do rei Felipe VI para mediar negociações. Ou seja, o Podemos, que é republicano, antimonárquico, que sempre considerou a monarquia espanhola ilegítima, veio agora pedir ajuda do monarca para intermediar negociações entre os partidos e formar um governo. Portanto, o Podemos está de facto a fazer esse caminho de aceitação do sistema político e de combate dentro do sistema político. Agora o que é fato é que não teve o pragmatismo, não teve o sentido comum e sobretudo não teve o bom senso de poder criar uma solução onde tivesse influência real. E isso mostra que a situação também é muito diferente daquela que existe cá, sobretudo dada a centralidade da Constituição enquanto argumento político em Espanha.
Falávamos do Podemos, do Unidas Podemos. Vamos ouvir as declarações de Enrique Santiago, secretário-geral do Partido Comunista Espanhol, é deputado também do Unidas Podemos, ele que considera que com este resultado está provado que a coligação tem pernas para continuar a andar.
Se confirma que, em todo caso, o projeto Unidas Podemos tiene un suelo muy sólido. É evidente que um dos motivos desta repetição eleitoral havia demasiados interesses neste país para que um projeto coerente e arraigado como Unidas Podemos saliera debilitado, desapareciera. Não parece que isso vá ocorrer, ni muchísimo menos
É garantia de Henrique Santiago. Diz que a coligação entre o Podemos, a Esquerda Unida e o partido ecologista Equo é um projeto para continuar esta coligação do Unidas Podemos. Falávamos aqui desse sobe e desce dos números do Podemos e da forma como o Podemos cresceu, também de algumas comparações com alguns projetos políticos portugueses. Este é um projeto, este Unidas Podemos. Falávamos há pouco também do Vox e da forma como o Vox pode continuar a crescer ao longo dos próximos anos. Já vemos, por exemplo, o Bloco de Esquerda em Portugal, que já teve também alguns resultados eleitorais que não foram nada animadores e hoje vemos o Bloco de Esquerda com resultado relativamente consolidado. Vemos aqui este porta-voz do Unidas Podemos dizer que há, de alguma forma, um chão sólido para o Unidas Podemos. O Unidas Podemos pode também continuar a ter uma grande influência na política espanhola depois do resultado de hoje?
O Podemos sempre teve números, ou tem vindo a ter números que lhe permitem ter essa influência. Agora, por falta de habilidade, por falta de pragmatismo, por radicalismo, não tem sabido aproveitar essa realidade. Eu creio-
Há uma expressão popular que não sei se posso usá-la com toda a propriedade, mas é que o Unidas Podemos foi com demasiada sede ao pote.
De facto, exigiu condições muito superiores ao seu peso relativo eleitoral. Agora parece-me que existem condições para o crescimento do Podemos. Parece-me que existem condições para o crescimento e consolidação dos cidadãos uma vez alterada a liderança, porque eu creio que este resultado é um resultado conjuntural, é fruto de muitos erros cometidos, sucessivos erros cometidos, alguma vaidade, alguma soberba por parte da atual direção, e é um partido cujo programa e cujos princípios já deram prova de serem significativos. E por isso parece-me que Podemos e Ciudadanos, o caminho será um bocadinho mais penoso para o Ciudadanos, mas ambos podem ter relevância. Há um outro elemento, e por falar em Ciudadanos, que tem que ver com um dos protagonistas da vida política espanhola, do qual não falámos ainda, que é a chamada Espanha Vazia. Há uma parte importante do interior de Espanha, de províncias como Sória e outras, que por um lado têm problemas gravíssimos de despovoamento e por outro lado queixam-se, e com bastante razão, de não receberem suficiente investimento público e de não terem infraestruturas suficientes. Estas províncias, de forma mais ou menos orgânica, foram se organizando e foram constituindo uma espécie de caderno de encargos comum que apresentaram aos vários partidos e, portanto, são movimentos populares de cidadãos não vinculados a qualquer partido. O Ciudadanos, nas últimas eleições, conseguiu ter resultados muito interessantes nestas províncias da chamada Espanha Vazia. Algumas destas províncias valem até cinco mandatos. Parece, pelos números que estou aqui a ver, que o Ciudadanos é completamente derrotado na Espanha Vazia e é substituído pelo Vox. Ou seja, mais uma vez parece que o cansaço do eleitorado e uma certa decepção-
O El Mundo vai apontando também que o Vox segue, por exemplo, à frente do Partido Popular em terrenos como Andaluzia e também em Múrcia.
Claro. São zonas, curiosamente, não necessariamente despovoadas, partes despovoadas, sim, mas são zonas que se queixam com alguma razão de não terem suficiente investimento público, de não terem suficientes infraestruturas. E de facto parece que o Vox nestas eleições conseguiu ir buscar esses votos e esses mandatos que antigamente, quer dizer, há seis meses, estavam nas mãos do Ciudadanos e por isso parece-me que temos aqui um novo ator político em Espanha que tem algum peso e que se pode vir a institucionalizar, que é a Espanha Vazia.
Já agora, Andaluzia e Múrcia são também as zonas onde a imigração vinda do Norte de África é mais visível, onde há mais mão de obra, ilegal ou não, mas mão de obra estrangeira nas estufas de Múrcia, na Andaluzia toda. Portanto, onde o peso do Vox também começou a ser mais visível, nomeadamente em El Ejido, em Almeria, que é a capital mundial das estufas, por assim dizer. E por isso também não surpreende que o resultado seja bom nestas regiões do sul de Espanha ou comunidades autónomas, para falar a linguagem moderna. Já agora, há uma província espanhola que lançou há uns anos uma plataforma simplesmente para dizer que existe. Teruel Existe foi a primeira província a marcar uma agenda para essa chamada agora Espanha Vazia, que não é mais do que o reflexo do que acontece também em Portugal, onde quase 90% da população vive no litoral e 90% do território português tem 10% da população. Portanto, a Espanha Vazia é exatamente isso, é fora dos núcleos urbanos, também quase todos eles periféricos, no litoral, seja norte, seja no litoral oriental, em Valência, na Catalunha, em Múrcia e por aí fora, o resto de Espanha, todo o interior, as duas Castelas e por aí fora estão despovoados.
E parece que conseguem mobilizar, porque o exemplo que deste agora de Teruel, Teruel tem um movimento cidadão e parece que esse movimento cidadão consegue eleger um mandato e, portanto, conseguiu entrar no Parlamento. É mais uma expressão dessa Espanha Vazia e da importância política dessa Espanha Vazia. Embora quanto à votação do Vox, eu creio que na Estremadura e na Andaluzia há uma outra explicação Que tem a ver com o cansaço da Catalunha. A Catalunha é uma das regiões mais ricas de Espanha e que pretende sair em parte porque é a região mais rica. A Andaluzia e a Extremadura são as duas regiões mais pobres e, portanto, necessitam de solidariedade entre comunidades autônomas para políticas sociais, para infraestruturas. E quando vê uma comunidade rica a querer sair, e a querer sair porque diz, entre dentes, evidentemente, que não quer sustentar os pobres de Espanha, os andaluzes e os extremenhos evidentemente acusaram o toque, parece-me. E o voto no Vox creio que é um reflexo desses elementos que referias, mas creio que é também um reflexo daquilo que está a acontecer na Catalunha.
Essa questão que levou também a este pedido de referendo por parte dos catalães, esse discurso da região autônoma que produz mais, que tem mais índice de produtividade, que gera mais riqueza. É nesse ponto que está esta fragmentação também do eleitorado em Espanha, é muito também por aí. Foi esse discurso feito pela Catalunha que levou a que chegássemos a este ponto nestas eleições em 2019?
Eu creio que sim, eu creio que há um cansaço já muito grande com a Catalunha. Todos nós podemos dar exemplos pessoais que valem o que valem, mas eu creio que todas as pessoas que viveram em Espanha ou que mantêm relação com Espanha conhecem inúmeros casos de pessoas que não estão politizadas, nunca quiseram saber de política, não têm filiação partidária e que estão absolutamente exaustas com o tema Catalunha. E é de fato um tema muito complicado por razões várias. Espanha e a Constituição Espanhola são um dos países mais descentralizados da União Europeia. Aliás, de tal forma que há constitucionalistas que dizem que se amanhã Espanha quiser ser uma federação, nem precisa trocar de Constituição, que a atual Constituição é de tal forma descentralizada que acomoda a Constituição de uma federação. Bom, esta Constituição criou um país com 17 comunidades autônomas, Espanha tem 17 comunidades autônomas, mas como dizia George Orwell, há umas que são mais iguais do que outras. A Constituição em 78 definiu as 17 comunidades autônomas, mas disse que havia três especiais, três que tinham direitos históricos: Galiza, País Basco e Catalunha. E, portanto, quando começa a democracia espanhola, há três comunidades autônomas que vão na linha da frente, com muito mais poderes, com muito mais direitos, com muito mais autonomia do que as restantes. Ao longo destes últimos 40 anos, essas três comunidades, em particular Catalunha e País Basco, têm sabido, através da negociação ou através da pressão, obter mais competências, mais direitos do que aqueles que foram atribuídos e, portanto, são hoje Catalunha e País Basco zonas quase independentes.
Só falta terem moeda própria.
Só falta terem moeda própria, de fato, porque têm competência própria em matéria de segurança, têm competência própria em matéria de educação, têm competência própria em matéria fiscal, embora mitigada, têm competência nessa matéria, têm até competência em matéria de política penitenciária e, portanto, são quase países independentes. Ora, quando o resto de Espanha, pensemos nas Astúrias, pensemos na Cantábria, pensemos na Andaluzia, pensemos na Extremadura, veem a região que em Espanha tem o PIB per capita mais elevado e que tem mais autonomia e sempre teve mais autonomia, mais liberdade e mais direitos do que todas as outras, queixar-se, evidentemente que isto começa a gerar alguma revolta e alguma insatisfação no resto da Espanha, porque a Catalunha, de fato, tem, não é a Catalunha, é o separatismo catalão, tem recorrido a argumentos que de fato criam muito mal-estar em Espanha. Não é apenas uma questão de esquerda-direita, liberais-conservadores, Madrid contra Barcelona. Não. Há partes importantes de Espanha das quais nunca se fala, que estão bastante cansadas já com os argumentos da Catalunha, que para todos os efeitos tem uma situação de privilégio. Porque quando nós olhamos para as 17 comunidades autônomas que compõem Espanha, País Basco e Catalunha gozam de uma situação claramente privilegiada em matéria de autonomia.
Henrique, esta questão das autonomias está para durar o debate sobre esta questão. Vai ser esse debate que irá dominar também nestes dias que se vão seguir às eleições. Ou seja, temos aqui esta questão da Catalunha a pairar no ar. Foi um tema que levou a que, de alguma forma, também poderá ter mudado um pouco a forma como foram construídos estes resultados, ou seja, a questão da Catalunha acabou por influenciar também estes resultados. Esta é uma questão da qual vamos ouvir falar novamente na segunda-feira, na terça-feira, na quarta-feira e por aí em diante?
Sem dúvida. A questão territorial, em particular a da Catalunha, sim. A questão do estado das autonomias, como foi batizado, será também um assunto porque está na agenda do Vox, que é o partido que já é o vencedor destas eleições, pelos motivos que sabemos, porque o PSOE não mexe, fica exatamente como estava. Há um grande perdedor, que é o Ciudadanos, e há um grande vencedor que é o Vox, que tem na agenda, entre outras coisas, pôr em causa o estado das autonomias, coisa que não vai acontecer, porque nisso sim eu acho que há um consenso, eu diria quase até em Bildu e a CUP, que são os partidos mais extremistas do Parlamento espanhol, talvez a par de Vox. Eu acho que há um consenso demasiado alargado para isso estar em causa
Peço desculpa, mas eu acho que a questão territorial é inevitável e apesar do cansaço, não deixa de ser uma questão que mexe com todos os espanhóis, sejam eles da Estremadura, sejam eles da Catalunha, das Baleares, que também concorre com a Catalunha por ser a região mais rica de Espanha, o País Basco também, Madrid como região única também. Portanto, não é a Catalunha só onde está a riqueza em Espanha, está distribuída por outros polos, mas há dois elementos que provocam esse cansaço e essa revolta, também não é só cansaço, é revolta de muitos espanhóis, é a vertente insolidária da Catalunha separatista e até certo ponto xenófoba em relação aos outros habitantes da Catalunha que não são independentistas. É esta polarização que está a acontecer na Catalunha, que cria uma revolta que leva o Vox a ter o resultado que está a ter hoje.
Henrique Pinto Coelho e Diogo Noivo vão estar conosco aqui também na próxima meia hora pra continuarmos a analisar estes resultados em Espanha. Para já, João, vamos a mais uma síntese das notícias. Rádio Observador, são nove horas, estamos em emissão especial a acompanhar a contagem dos votos em Espanha, mas há outras notícias a marcar a atualidade. Vamos olhar para elas com o João Filipe Cruz. Jornal das Nove, na Rádio Observador, com edição de João Filipe Cruz.
E começamos este noticiário com uma informação de última hora. Evo Morales renunciou oficialmente ao cargo como presidente da Bolívia. É uma informação que chegou mesmo há poucos minutos à redação do Observador. Vamos continuar, naturalmente, a acompanhar esta notícia, num dia também em que as Forças Armadas já tinham pedido a demissão do presidente Evo Morales, que acabou por anunciar a renúncia à presidência da Bolívia através das televisões bolivianas. Um pedido este das Forças Armadas que acabou por ser então satisfeito, pedido que chegou pela voz do general William Kaliman.
Depois de analisar a situação de conflito interno que se vive no país, sugerimos ao presidente que renuncie ao seu mandato presidencial, permitindo a pacificação e a estabilidade do país.
O pedido do general das Forças Armadas da Bolívia, que foi satisfeito há pouco pelo presidente Evo Morales, que acabou de anunciar a demissão do cargo de presidente. Ainda hoje, dois ministros e também o presidente da Assembleia da República renunciaram também aos cargos. A Bolívia atravessa uma crise política e social, com a oposição a denunciar uma fraude eleitoral e a pedir, então, já vinha pedindo esta renúncia confirmada de Evo Morales. Pelo menos três pessoas morreram e 421 ficaram feridas em mais de três semanas de confrontos entre apoiantes e os que estão contra o já antigo presidente boliviano Evo Morales. Por cá, o Sporting venceu o Belenenses SAD por 2x0 e segurou assim o quarto lugar. Luciano Vieto marcou aos 74 e aos 81 minutos os gols que deram a vitória aos Leões e no final, Emanuel Ferro, adjunto do Sporting, reconheceu uma má primeira parte da equipe, mas considera que a vitória acabou por ser justa.
Na primeira parte não foi conseguido, não conseguimos interpretar da melhor forma aquilo que tínhamos planeado pro jogo, a estratégia que tínhamos planeado pro jogo. Foi uma primeira parte fraca, que não está à altura daquilo que nós queremos fazer. Também dar mérito ao Belenenses, porque conseguiu, de alguma forma, ter mais bola e conseguiu dificultar a forma de nós pressionarmos. Segunda parte fizemos alguns ajustes, conseguimos melhorar, os gols também ajudaram e o balanço é positivo porque ganhamos.
Emanuel Ferro na zona de entrevistas rápidas da Sport TV. Por lá passou também Pedro Ribeiro, para o treinador do Belenenses SAD o resultado foi injusto.
Fizemos uma grande exibição. Acho que toda gente aqui viu, os nossos adeptos, os adeptos do Sporting, a quantidade de assobios que a equipe do Sporting recebeu, acho que reflete a forma ousada conforme nós estivemos em campo, mas não conseguimos fazer gols. Portanto, estamos desiludidos, porque a qualidade exhibicional que apresentamos teria que ser traduzida em gols. Portanto, eu penso que é um resultado extremamente injusto.
Palavras de Pedro Ribeiro, treinador do Belenenses SAD, em declarações à Sport TV. O Sporting venceu então a partida em Alvalade e está neste momento a quatro pontos do terceiro lugar, que é ocupado pelo Famalicão. A esta hora acaba de começar o Boavista Futebol Clube do Porto no Estádio do BSS, dérbi da Cidade Invicta. Outro dérbi, mas no Minho, está no intervalo, no Do Afonso Henriques, o Vitória de Guimarães vai perdendo contra o Sporting de Braga por 1x0, gol de Paulinho aos 24 minutos. Luiz Montenegro apresentou de forma oficial a candidatura à presidência do PSD. O antigo líder parlamentar social-democrata não quer ser apenas um candidato à presidência do partido e apresentou um programa a 12 anos.
Estou aqui
Determinado em dar mais 12 anos da minha vida e de dedicação a Portugal. Estou aqui para assumir a responsabilidade de liderar a oposição em Portugal nos próximos quatro anos e de liderar o governo de Portugal nos oito anos que se vão seguir a esses quatro anos.
Em Lisboa, num discurso para apoiantes da candidatura, Montenegro prometeu também baixar impostos, caso seja eleito primeiro-ministro.
Uma das primeiras propostas que apresentarei, uma vez eleito líder do PSD, será de redução dos impostos sobre o trabalho e de simplificação do regime do IVA. Será uma proposta de redução gradual e faseada ao nível do IRS e do IRC. E será uma proposta de fusão da taxa intermédia e da taxa máxima do IVA numa só taxa, que estimo não seja superior a 20%.
As palavras de Luís Montenegro na apresentação oficial da candidatura à presidência do PSD. O partido vai a votos no dia 11 de janeiro. Para além de Luís Montenegro, também Rui Rio e Miguel Pinto Luz são, para já, os candidatos a presidente do Partido Social-Democrata. Marcelo Rebelo de Sousa pede compreensão para as condições que diz serem dramáticas da mulher que abandonou o filho recém-nascido num caixote do lixo em Lisboa. No final da cerimónia de canonização de Frei Bartolomeu dos Mártires em Braga, o presidente da República agradeceu a posição das autoridades cabo-verdianas que, nas palavras de Marcelo, se juntaram a Portugal na preocupação de encontrar forma de defender uma pessoa que só em desespero total acabou por fazer o que fez. Recuperamos agora uma notícia de abertura deste noticiário. Evo Morales renunciou à presidência da Bolívia. Numa declaração através das televisões, Morales explicou que tem a obrigação de procurar a paz. Renunciou ao cargo para evitar que a violência da oposição continue a deixar vítimas na Bolívia e esta violência que diz Evo Morales ir contra a paz social. Pouco antes da renúncia, os chefes das Forças Armadas e da Polícia tinham pedido a demissão do presidente. Nas últimas horas, pelo menos três ministros também entregaram os cargos.
Foi o Jornal das Nove na Rádio Observador, nesta noite de emissão especial.
Rádio Observador, Grande Lisboa em 98.7 e no Grande Porto em 98.4.
Nove horas e oito minutos, estamos em emissão especial na Rádio Observador para acompanhar a contagem dos votos das eleições deste domingo em Espanha. Nesta altura já estão contabilizados 84% dos votos, João.
E com 122 deputados para o PSOE, que vence esta eleição, mas mais uma vez falha a tão desejada maioria absoluta. O PP de Pablo Casado deve ficar-se pelos 84 deputados. Já o Vox de Santiago Abascal deve mesmo ser a terceira força política em Espanha, 53 mandatos. Entretanto, Santiago Abascal, do Vox, e Pedro Sánchez, do PSOE, já chegaram às sedes de partido. Vamos esperar para ver se vão discursar em breve ou ainda se vão demorar esses discursos por parte dos líderes, quer do PSOE, quer também do Vox. O Vox que é talvez, porventura, o grande vencedor desta noite eleitoral e já teve também direito a felicitações. Matteo Salvini, o líder da Liga Italiana, na rede social Twitter, já felicitou aqueles que diz serem os amigos do Vox. Destaca essa vitória sobre os que falam em extrema-direita e racismo. Pergunta: "Mas qual racismo e fascismo?" Diz Salvini que em Itália, como em Espanha, o que se quer é apenas viver tranquilo, cada um na sua casa. Isto que diz Salvini, que vai publicando também, Henrique Pinto Coelho e Diogo Noivo, uma fotografia em que está o próprio líder da Liga Italiana com Santiago Abascal. Esta publicação na rede social Twitter de Matteo Salvini é algo que faz com que o Diogo Noivo, que há pouco falava das preocupações com o crescimento da extrema-direita, tenha ainda preocupações acrescidas em relação ao resultado do Vox. E perceber aqui também o que é que este resultado do Vox pode dizer também aos partidos considerados irmãos do Vox, um pouco por essa Europa afora.
Salvini é um personagem muito especial, porque há não muito tempo estava ao lado dos separatistas catalães, com os quais o Vox tem um problema. Portanto, Salvini é aquilo que se chama "a man for all seasons" e adapta-se bem às circunstâncias.
É um catavento mediático.
É um catavento mediático, é um nacionalista, com certeza, e vê qual é o nacionalismo que está em alta. Quando esteve em alta o nacionalismo catalão, com certeza que andava com bandeiras catalãs ao peito. Agora mudou, porque dado o resultado do Vox, que realmente é extraordinário. O Vox, nas melhores projeções, tinha 42 deputados e com 85% do voto escrutinado, está com 53. E portanto, o Vox está a superar as sondagens mais favoráveis. É de facto um resultado notável. Daqui, a meu ver, não pode vir nada de bom, porque o crescimento do Vox é a manutenção do problema na Catalunha. Ou melhor, é herdeiro de uma tradição política espanhola muito antiga, uma certa direita espanhola que existiu no franquismo, na guerra civil, na Segunda República e na ditadura de Primo de Rivera, que é uma direita confessional católica centralista que tem uma noção muito própria daquilo que é a identidade nacional de Espanha. Eu julgo que as pulsões separatistas na Catalunha, o crescimento do Vox e creio que a reação do País Basco a este resultado do Vox, porque não me parece que o País Basco, por um lado o Partido Nacionalista Basco e por outro lado o Bildu, que é uma espécie de herdeiro do legado político da ETA. Do Batasuna, exatamente. E por isso não me parece que o País Basco vá entender este resultado de forma muito amena. O resultado do Vox é espelho de um conjunto de coisas, é espelho do cansaço com a Catalunha, é espelho de uma certa ineficiência dos partidos tradicionais com a gestão da crise da Catalunha, porque em boa verdade, quer PP, quer PSOE, foram incapazes de articular ao longo de todo este tempo um plano, uma solução, medidas concretas pro problema catalão. Houve uma espécie de falta de comparência dos dois partidos tradicionais na gestão da crise catalã e o único que de fato articulou uma proposta foi o Vox. É evidente que é uma proposta radical, não democrática, que joga contra a Constituição, que trará maior instabilidade, que a meu ver só agravará o problema na Catalunha. Mas o que é fato é que o único partido que foi capaz de articular uma resposta foi o Vox. E eu julgo que o crescimento da ultradireita, também tenho dúvidas em chamar de extrema-direita, mas ultradireita é com certeza, constitui um ataque acrescido à Constituição e à democracia espanhola.
Antes de pedir aqui também um comentário ao Henrique Pinto Coelho, eu acrescentava também a satisfação de Marine Le Pen, da Frente Nacional de França, veio também essa felicitação. Diz que o Vox teve um crescimento fulgurante, uma progressão fulgurante nas eleições legislativas espanholas. Deseja felicidades a Santiago Abascal por um impressionante trabalho de oposição que está a dar frutos depois de tantos anos a trabalhar sozinho. Como é que o Henrique Pinto Coelho encara esses dois dados, Marine Le Pen e também Matteo Salvini, de França e de Itália a felicitarem e muito satisfeitos com este resultado do Vox? Há aqui uma espécie de irmandade à escala europeia.
Parece que sim. Eu acho que é interessante o caso francês em particular, porque há alguns paralelismos entre o auge do Front National, a Frente Nacional em França e do Vox agora em Espanha. Também estava a ser recordado esta semana em Espanha como a Frente Nacional de Le Pen foi normalizada também como uma jogada estratégica do socialismo francês, de François Mitterrand, que deu carta de natureza normal ou de normalidade ao FN francês, também para comer votos à direita, para dividir a direita, fragmentar para vencer, como bem sabiam os romanos. Por isso, foi o Partido Socialista Francês que de alguma forma permitiu, cedeu a passagem, a normalização da Frente Nacional. E em Espanha também foi um pouco o PSOE que, para fragmentar a direita espanhola, convidou a fazer parte dos debates. Foi uma jogada que poderá ter um primeiro resultado bem-sucedido, de fato conseguiu dividir a direita espanhola, fragmentá-la, mas como em França, parece que está a acontecer o mesmo. A Frente Nacional começou por tirar votos aos partidos de direita em França, mas acabou por devorar também votantes ex-comunistas, ex-socialistas desencantados com a deriva econômica, com a falta de recursos, com o empobrecimento das classes trabalhadoras de setores em decadência em França e por toda Europa. E o mesmo está a passar também em Espanha, este crescimento do Vox não vai só buscar retirar votos ao Ciudadanos, não vai só retirar votos ao PP, também de certeza, alguns votantes do Unidas Podemos entretanto oscilaram para Vox porque viram uma nova promessa.
Em Portugal tivemos, depois das eleições legislativas, o caso de alguns estudos que indicavam, por exemplo, que havia alguns votos que tinham sido perdidos em algumas regiões pelo Partido Comunista e diretamente, por exemplo, pro o CHEGA de André Ventura, que mal feita a comparação, será um pouco o Vox em Espanha. Há também esse movimento que está a acontecer em mais do que um país europeu, esse voto de protesto, ou seja, já não temos aqui uma transferência indireta dos votos da direita, por exemplo, pra extrema-direita ou do centro-direita para a extrema-direita. Temos uma transferência dos votos, por vezes da extrema-esquerda para a extrema-direita. Isto é um modelo que existe hoje em dia, é algo que está a acontecer nas democracias europeias?
Eu diria que sempre existiu essa transferência, até porque vemos isso em muitas personagens políticas que marcaram o século XX e o século XXI. E não é preciso ir muito longe, José Manuel Durão Barroso também começou como trotskista e acabou como líder do Partido Social Democrata em Portugal e depois como presidente da Comissão Europeia, dentro do bloco conservador. Mas o Diogo está com...
Não, estando de acordo, eu julgo que se olharmos para o panorama europeu e norte-americano, isto é, para o panorama ocidental, nós podemos falar de um fenômeno que é qualquer coisa como os esquecidos da globalização. É um fato que a globalização trouxe melhores condições de vida, é um fato que a globalização trouxe maior mobilidade social, é verdade que a globalização trouxe progresso econômico e científico, mas é igualmente verdade que há um conjunto de cidadãos que não beneficiaram dessa globalização.
E são cidadãos descontentes que não olham pra ideologia partidária, mas que pedem que alguém os represente e que lhes dê voz?
Exatamente, é gente que, muito legitimamente, se sente abandonada. Enfim, a chegada de Trump ao poder justifica-se em grande medida com uma parte muito importante da cintura industrial norte-americana que, por força dessa mesma globalização, da deslocalização de fábricas, da internacionalização da economia, que ficou no desemprego ou ficou com salários muito inferiores àquilo que estava habituado. E essas pessoas sentem-se, de fato, abandonadas e perdidas naquilo que é a internacionalização da economia e da política. E depois surgem um conjunto de partidos, entre os quais o Vox, com capacidade para falar essas pessoas com soluções completamente fantasiosas, achando que é possível uma lógica protecionista em 2019 que recupere uma espécie de passado idílico. Mas o que é fato é que partidos como o Vox são capazes de ter argumentos para ir buscar apoio a essas pessoas que se sentem abandonadas. Sendo certo, no caso específico de Espanha, eu julgo que não é possível compreender o Vox sem compreender o que sucedeu na Catalunha. Nós falamos disso logo no início desta nossa conversa, mas o fato de algumas sondagens dizerem que entre 10 a 14% dos votantes de esquerda, PSOE e Unidas Podemos, considerem que o Vox é o partido mais capacitado para resolver a Catalunha, para mim, é um sinal claro do cansaço extremo que existe com o separatismo catalão. E que o Vox é, de fato, o único partido que foi capaz de articular uma solução pra Catalunha, solução essa que ao meu ver é fantasiosa, não faz mais do que agravar o problema, mas o único partido que foi capaz de apresentar um caminho com cabeça, tronco e membros foi, de fato, o Vox. E, portanto, eu julgo que o crescimento do Vox, quer nestas eleições, quer nas últimas eleições de 28 de abril, portanto há seis meses, deve-se essencialmente à radicalização em curso na Catalunha.
Diogo Noivo e Henrique Pinto Coelho, já estamos aqui na reta final deste vosso comentário, mas Henrique, pegando aqui nesta questão da Catalunha, Pedro Sánchez, e não só, tem adiado demasiadas vezes esta questão da Catalunha. E pergunto se faz sentido que Pedro Sánchez continue a dizer que não é uma questão de independência, que é a tal questão da convivência.
O Pedro Sánchez tem muitos motivos para dizer isso, para conter também a sua postura, as eventuais medidas a aplicar, citando Kissinger, há problemas que não têm solução. E o problema da Catalunha neste momento não tem solução, a não ser essas soluções demagógicas, fantasiosas, que não são soluções nenhumas. No caso do Vox, é simplesmente uma medida repressiva, que é suspender um caminho que não se pode desfazer, não se pode desandar o caminho que se fez, não só na Catalunha. Como muito bem explicou o Diogo, são regiões históricas, com direitos históricos, com uma língua própria, enfim, são regiões especiais por motivos concretos, não é só uma questão de distribuição de autonomia e de poder. Os bascos são um povo muito antigo, com uma língua misteriosa. Os catalães têm instituições muito antigas que depois com as oscilações de poder nos séculos XVIII e XIX, foram perdendo e recuperando. Enfim, são processos muito complexos, mas há um voto na Catalunha que vai nesse sentido também de soluções demagógicas e de recuperar um passado que nunca existiu, é um passado falacioso. E há uma reação também, como nos Estados Unidos com Trump, sobretudo, em primeiro lugar, à crise econômica, que foi assim que começou na Catalunha, o chamado agora a crise na Catalunha. Foi assim que começou, como uma reação à crise econômica que afetou Portugal e Espanha de uma forma feroz, não só, obviamente, pelo mundo fora. É uma reação também à ameaça migratória, é uma reação à globalização e é uma reação ao mundo que muitas pessoas não entendem. E portanto, algumas pessoas que votaram no Vox hoje, são pessoas que querem voltar a esse passado, que é uma fantasia também, porque muitas dessas pessoas nem sequer viveram a Espanha franquista. Certamente se tivessem vivido, provavelmente não teriam votado hoje no Vox, porque não sabem do que estão a falar, não sabem o que estão a votar. Eu acho que o mesmo aconteceu na Catalunha, ou aconteceu com mais força há dois anos, e é nesta fase que estamos.
O fato de ter havido esta decisão do Supremo Espanhol de decretar a prisão efetiva pra líderes independentistas acabou por atear aquilo que era um fogo que estava adormecido?
Sim, embora a decisão, ao contrário do que foi dito, é uma decisão leve. Os políticos independentistas que foram acusados, estavam acusados de quatro crimes. O crime mais gravoso, o de rebelião, não foi considerado pelo tribunal, portanto, acabam por ser condenados a penas de prisão muito inferiores àquelas que eram pedidas pela fiscalia, isto é, pelo Ministério Público. Ponto dois O sistema penitenciário ou a forma de cumprir a pena será definido pelas próprias instituições catalãs e, em particular, essas pessoas que foram condenadas cumprirão a pena de prisão em sistema de terceiro grau, o que significa que só têm de pernoitar na prisão de segunda a quinta-feira. Ou seja, temos pessoas que violaram a Constituição deliberadamente, violaram o Estatuto de Autonomia da Catalunha deliberadamente, ignoraram pareceres de vários tribunais, ignoraram pareceres dos técnicos do Parlamento catalão e são condenados a penas que, em alguns casos, são menos de metade daquilo que era pedido pela acusação e cujo cumprimento de pena será essencialmente pernoitar na prisão quatro noites por semana. E por isso, olhando pra aquilo que era pedido e pra aquilo que de fato aconteceu, a pena não é pesada. E tendo em conta a natureza dos crimes, a violação de uma constituição, com certeza que a condenação era iniludível. Se nós, em Portugal, tivermos alguém deliberadamente a violar a Constituição portuguesa, a querer, por exemplo, a independência do Algarve ou do Alto Minho, e a levar a cabo essa intenção de forma rupturista, em claro choque com a Constituição, com certeza que serão julgados também. E por isso a pena não foi uma pena pesada, mas foi o suficiente, foi um expediente suficiente para atear o fogo nas ruas da Catalunha.
Por outro lado, já agora, era exatamente aquilo que os partidos independentistas estão a tentar fazer desde o início, que é provocar uma reação do Estado espanhol, em primeiro lugar, mas também da comunidade internacional, um reforço da vitimização. Portanto, isto também fazia parte de uma estratégia de vitimização. Saber que desobedecer os pareceres, as ordens diretas do Tribunal Constitucional e os outros tribunais iria provocar um julgamento, penas de prisão, e é isso também que fazia parte da agenda, pelo menos de alguns mais radicais, mais unilaterais entre os independentistas, para alimentar o discurso de vitimização, de são eles que nos estão a reprimir e a oprimir, e isto é inaceitável numa democracia. Ora, o que aconteceu foi perfeitamente normal e é o que aconteceria em qualquer democracia evoluída, também em Portugal.
Estava a dizer eu que neste momento, e essa é a pergunta que segue em relação ao Vox, pra terminar também o comentário do Henrique e do Diogo, Santiago Abascal deve falar já daqui a pouco. Há pouco víamos também ali através da transmissão da TVE, a festa em frente à sede do Vox, com bandeiras espanholas junto ao palco em que foi montado na sede. Esse palco de onde irá falar Santiago Abascal. Com 91% dos votos contados, o Vox tem neste momento 52 deputados. Para encerrar este vosso comentário, a pergunta que vos tinha feito há pouco, repeti-la de alguma forma pra encerrar este comentário. O Vox é o grande vencedor desta noite eleitoral em Espanha?
O Vox, a meu ver, é com certeza o grande vencedor, porque conseguiu superar até as sondagens que lhe eram mais favoráveis. O PSOE marcou eleições para aumentar o seu peso e a sua força no Parlamento, não conseguiu. A recuperação do PP é uma recuperação normal, tendo em conta que vinha de uma derrota histórica. O Unidas Podemos recua, o Ciudadanos é uma hecatombe absoluta e, portanto, o único partido que pode dizer que lhe saiu bem o resultado eleitoral é de fato o Vox.
Há outro partido, se me permites, não porque teve um resultado espetacular, mas porque teve um resultado que agrava ainda mais a humilhação do Ciudadanos, que é a Esquerda Republicana da Catalunha, se os resultados que temos agora se confirmarem, e a partir dos 50% dos votos escrutados, praticamente não há oscilações em relação ao que se projeta com esses resultados, com 50% escrutinado. Por isso, 13 deputados, mais três do que o Ciudadanos neste momento, é uma derrota particularmente humilhante pra o Ciudadanos, um partido que chegou a ter 57 e que aspirava a ser o partido do governo em Espanha.
Sendo também um sinal da polarização, porque vemos Vox a crescer nacionalismo espanhol e ERC a crescer nacionalismo catalão. Portanto, temos problema pra durar.
Claro, o nacionalismo em partes está a ganhar e está em auge. Parece que não há dúvidas quanto a isso.
Muito obrigado, Henrique Pinto Coelho e Diogo Noivo estiveram conosco nas últimas duas horas e meia a acompanhar os desenvolvimentos em Espanha, os resultados das eleições espanholas. Despedem-se agora desta emissão especial aqui na Rádio Observador, mas nós vamos continuar por aqui. João, neste momento em que atualizamos os resultados oficiais com 93% dos votos contados, o PSOE de Pedro Sánchez alcança 120 deputados, menos três do que tinha alcançado nas últimas eleições em abril. Já Pablo Casado, líder do PP, leva os populares a 88 mandatos, mais do que os 66 alcançados nas últimas eleições. Santiago Abascal, com o Vox, alcança 52 lugares no Parlamento espanhol. Já o Podemos, de Pablo Iglesias, fica-se pelos 26. O Ciudadanos, de Albert Rivera, é um dos grandes derrotados da noite, apenas uma dezena de lugares, em comparação com os 57 alcançados no último ato eleitoral. A abstenção deve fixar-se nos 30,5%, um pouco acima, João, dos 28,4 que foram alcançados no último ato eleitoral.
São dados respeitantes então ao ato eleitoral de hoje em Espanha, numa altura em que estão contabilizados 93,29% dos votos, portanto praticamente todos os votos, isto numa altura em que são 21h30 da noite, 22h30 em Espanha. Estamos em emissão especial na Rádio Observador para acompanhar o futuro político de Espanha. Já podemos falar no futuro político de Espanha, uma vez que já estão praticamente contados todos os votos. Deixe-se ficar conosco, porque na próxima hora vamos estabelecer contato direto com o enviado especial do Observador à Espanha, o repórter João Almeida Dias, e vamos também acompanhar as declarações dos vários líderes políticos que vão começar a reagir aos resultados oficiais. 21h30, vamos olhar para o resto da atualidade. Uma síntese de notícias com a edição do João Felipe Cruz.
Na Bolívia, Evo Morales renunciou ao mandato de presidente do país. Morales cedeu aos protestos e pedidos das forças de autoridade para que abandonasse o cargo, depois de conhecidas as suspeitas de fraude no processo eleitoral. Evo Morales abandonou a Bolívia e viajou para a Argentina no avião presidencial, uma informação avançada ao jornal argentino "Clarín", pela Organização dos Estados Americanos. O chefe das Forças Armadas boliviano, William Kaliman, exigiu que Evo Morales renunciasse ao cargo. Para William Kaliman, a saída do presidente permite a pacificação e a manutenção da estabilidade no país. Também o comandante-geral da polícia, Vladimir Yuri Calderón, tinha pedido a saída do presidente num dia em que também pelo menos três ministros e o presidente da Assembleia da República se afastaram dos respectivos cargos. A Bolívia, que atravessa uma crise política e social desde as últimas eleições, a oposição denunciou uma fraude eleitoral e também pediu a renúncia de Morales, confirmada pelo próprio há poucos instantes. Pelo menos três pessoas morreram e 421 ficaram feridas em mais de três semanas de confrontos entre apoiantes e os que estão contra o presidente boliviano. Por cá, no futebol, o Porto está a vencer no Estádio do Bessa, o Boavista, por 1 x 0. Golo marcado pelo lateral esquerdo brasileiro Alex Telles aos nove minutos, numa altura em que o relógio marca os 31 minutos no Estádio do Bessa. Mesmo resultado no derby do Minho, que já vai na segunda parte. O Sporting de Braga vai ganhando ao Vitória de Guimarães no Dom Afonso Henriques, com gol de Paulinho na primeira parte. No início desta noite, o Sporting venceu o Belenenses SAD por 2 x 0. Dois gols de Luciano Vietto deram os três pontos aos Leões. O argentino marcou aos 74 e aos 81. O Sporting aproxima-se assim do terceiro lugar. Os Leões estão a quatro pontos do Famalicão. Luís Montenegro quer vencer já as próximas eleições, as autárquicas, em 2021. Na apresentação oficial da candidatura a presidente do PSD, o antigo líder parlamentar prometeu também ganhar a Câmara de Lisboa e depois ganhar as eleições legislativas. O PSD, que vai a votos no dia 11 de janeiro. Rui Rio, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz são, para já, os candidatos a presidente do partido.
Foi o síntese das 9h30 na Rádio Observador, com edição de João Felipe Cruz. 9h33. Estamos em emissão especial aqui na Rádio Observador para acompanhar a contagem dos votos em Espanha, numa altura em que já estão contados 94% dos votos. Significa quase totalidade dos votos dos eleitores espanhóis. João, e agora vamos entrar naquela fase das emissões de noites eleitorais em que tudo pode acontecer, porque a partir de agora os líderes partidários vão começar a dirigir-se aos eleitores a partir das sedes de campanha.
Para daqui a pouco está previsto esse discurso de Santiago Abascal, o líder do Vox, o partido de extrema-direita, que é, porventura, o grande vencedor deste ato eleitoral. O partido Vox, que passa de 24 para 52 lugares no Congresso dos Deputados, mas esta é uma eleição que é ganha pelo PSD ou é de Pedro Sánchez. Não alcança a tão desejada maioria absoluta, fica-se pelos 120 lugares. São precisos 176 para alcançar a maioria absoluta, muito longe e muito difíceis também essas contas de fazer para encontrar coligações pós-eleitorais que permitam a Pedro Sánchez governar com estabilidade em Espanha. Já o PP de Pablo Casado alcança 88 mandatos, mais 22 do que tinha alcançado em abril, quando conseguiu apenas 66. Já o Podemos de Pablo Iglesias também tem uma queda de quase uma dezena de deputados, passa de 33 para 26 deputados no Congresso Espanhol. Já o Ciudadanos de Albert Rivera tem uma hecatombe. Há uma hecatombe no Ciudadanos nesta noite eleitoral. Passa de 57 para apenas uma dezena de deputados. Albert Rivera, que ainda não falou, espera-se que o faça e avervamos também o que dirá o líder do Ciudadanos depois desta grande queda do partido nesta noite eleitoral. Já houve algumas reações a estes resultados, agora que estão contados 94% dos votos. Começamos por aí mesmo, pelo Ciudadanos. José Manuel Villegas, coordenador de campanha do partido liderado por Albert Rivera, admitiu que as perspectivas não são boas para o partido. Mas antes de mais, vamos ouvir Pablo Iglesias, o líder do Unidas Podemos, através da transmissão da televisão espanhola TVE, o líder do Unidas Podemos, que perdeu quase uma dezena de deputados. Ele que já tinha dito que iria estender a mão a Pedro Sánchez, prepara-se para falar neste momento. Vamos ouvir as palavras de Pablo Iglesias nas reações a estes resultados das eleições em Espanha. Apenas fazer um compasso de espera de alguns segundos. Pablo Iglesias pede aos fotógrafos que façam as últimas fotografias antes dessa intervenção, desta reação a este resultado eleitoral que dá uma queda para o Unidas Podemos.
Já se pode dizer Para o que serviram essas eleições foi para que a direita se reforce e para que tenhamos uma extrema-direita das mais poderosas e fortes da Europa. Não minto se digo que se dorme pior com mais de 50 deputados da extrema-direita do que com ministras e ministros de Unidas Podemos no governo. O que depois das eleições de abril era uma oportunidade histórica, que era conformar um governo de coalizão progressista, depois das eleições do dia 10 de novembro, tornou-se uma necessidade histórica. A única maneira de frear a extrema-direita na Espanha é com um governo que tenha estabilidade parlamentar suficiente, ou seja, que se apoie em grupos suficientes e que represente esses grupos para garantir a estabilidade que o nosso país exige, além de garantir as políticas sociais que são imprescindíveis para frear o auge da extrema-direita no nosso país. Essa receita está contenida na Constituição espanhola. Nossa proposta ao Partido Socialista para negociar um governo de coalizão são os artigos sociais da Constituição espanhola, que podem constituir o melhor instrumento para garantir o estado do bem-estar, os direitos civis e os direitos sociais no nosso país e construir um governo que freie o avanço da extrema-direita, que é provavelmente a consequência mais grave e preocupante dessas eleições.
Pablo Iglesias a pedir que haja um governo estável que consiga servir de travão ao crescimento da extrema-direita em Espanha, a mostrar-se insatisfeito com o facto de o Vox de Santiago Abascal ter conseguido mais de 50 deputados nesta eleição, a dizer que só se combate a extrema-direita com governo estável e com políticas sociais. A dizer também que depois das eleições de abril, poderia ter havido um momento histórico entre o PSOE e o Unidas Podemos.
Os cidadãos votaram de forma muito diferente e, portanto, para configurar um governo é necessário negociar e compartilhar responsabilidades. Da nossa parte, com base nos artigos sociais da Constituição espanhola, estamos dispostos a negociar desde amanhã mesmo um governo de coalizão, no qual cada força política que participe nessa coalizão esteja representada exclusivamente na proporção aos votos e aos apoios eleitorais que obteve. Essa é a melhor garantia de estabilidade para a Espanha, essa é a melhor garantia de enfrentar uma desaceleração econômica que chega, oferecendo segurança aos espanhóis e às espanholas, e essa é uma necessidade histórica para frear as condições que permitiram o auge da extrema-direita no nosso país, um país em que até há poucos meses não existia dentro do Congresso dos Deputados a extrema-direita e que hoje é uma das extremas-direitas mais fortes da Europa.
Pablo Iglesias a sublinhar que há uma necessidade histórica de colocar um travão no crescimento do Vox, partido de extrema-direita que alcança mais de 50 deputados e o líder do Unidas Podemos, a sublinhar que ainda há pouco tempo o Vox praticamente não tinha expressão no Parlamento e que agora é mesmo a terceira força política em Espanha. A deixar esse recado ao Partido Socialista Espanhol, liderado por Pedro Sánchez, de que poderia ter havido também esse momento histórico depois das eleições de abril. Fala agora dessa necessidade histórica de colocar um travão no Vox de Santiago Abascal. É a vez agora de Albert Garzón. Já não vamos a tempo, era Albert Garzón, também do Unidas Podemos, também ele se preparava para falar, mas estamos a acompanhar esses discursos através da transmissão da TVE. Foram estas as palavras de Pablo Iglesias a sublinhar que há neste momento uma extrema-direita a crescer, que se prepara para ser a maior extrema-direita, o maior partido de extrema-direita em toda a Europa. A considerar Pablo Iglesias que havia essa necessidade histórica, neste momento, de colocar um travão depois desse momento histórico que foi vivido depois das eleições de abril. Foram falhadas as negociações de investidura de Pedro Sánchez. O Unidas Podemos, na altura, como nos lembramos, pediu alguns lugares também no governo ao Partido Socialista de Pedro Sánchez. As negociações falharam, partiu-se agora para esta nova eleição e agora com este resultado que dá ao Unidas Podemos apenas 26 mandatos e ao Vox de Santiago Abascal mais de 50 lugares. O líder do Unidas Podemos, Pablo Iglesias, o partido da extrema-esquerda, a dizer que é preciso combater a extrema-direita com um governo estável e que avance com políticas sociais capazes de defender os direitos civis e sociais dos eleitores espanhóis. Diz também que neste momento é preciso negociar e partilhar responsabilidades. Foram estas algumas das mensagens de Pablo Iglesias ao longo deste discurso, João.
E a deixar aqui um argumento que pode ser novo, a dizer que há essa tal necessidade histórica de formar um governo anti extrema-direita e a manifestar vontade já para negociar amanhã a formação de um novo governo que tenha em conta, e isto é importante, penso eu, tendo em conta a representatividade dos votos.
A proporcionalidade dos votos.
A proporcionalidade, exatamente, dos votos conseguidos no Congresso Espanhol.
Esse estender de mão também de que já tinha falado Pablo Iglesias, o líder do Unidas Podemos, tinha falado na antevisão deste ato eleitoral e tinha garantido que teria a mão estendida para negociar com Pedro Sánchez. E neste momento é João Santiago Abascal que se prepara também para falar.
O líder do Vox.
O líder do Vox, que é porventura o partido, o grande vencedor deste ato eleitoral, consegue praticamente duplicar o número de deputados. Tinha conseguido 25 parlamentares nas eleições de abril. Consegue agora, com 94% dos votos contados, ao que tudo indica, 52 lugares no Congresso de Deputados. Já tínhamos ouvido, ao longo desta emissão especial, também um representante do Vox pedir alguma cautela nessa primeira reação às sondagens. Sublinhava, no entanto, que era a confirmação, este resultado, a confirmação do Vox como uma alternativa real. Vamos ouvir então Santiago Abascal, o líder do Vox, o partido de extrema-direita.
Quiero hacerles una promesa: no les defraudaremos, no daremos un paso atrás y defenderemos en las Cortes lo mismo que hemos defendido todo este tiempo y todo este año de campañas electorales.
A garantia de Santiago Abascal de que não vai defraudar os eleitores espanhóis.
Hace 11 meses.
¡Viva!
Está a falar numa varanda na sede do Vox, onde foi montado um palco para este discurso.
No teníamos representación en ninguna institución. Creo que teníamos cuatro o cinco concejales perdidos en pueblos pequeñísimos de nuestra patria, pero no estábamos representados ni en los parlamentos regionales, ni en el Parlamento Europeo, ni en las Cortes Generales. Solo hace 11 meses. Hoy somos la tercera fuerza política de España. Tenemos 52 diputados.
Santiago Abascal a sublinhar que o Vox é agora a terceira força política em Espanha, com mais de meia centena de deputados.
Y en escaños. Y eso significa algo muy importante.
¡A por ellos, ole!
Mas numa altura em que se canta "A por ellos", que significa "vamos a eles", os militantes do Vox estão então frente à sede deste partido, onde vão empunhando bandeiras de Espanha.
Y lo que significa es que habéis sido protagonistas de la mayor gesta política, más fulgurante y más rápida de la democracia española para dar representación a millones de españoles que no se sentían representados. Y además, lo habéis logrado dando a Vox.
¡Presidente, presidente!
Vão gritando "presidente", os apoiantes do Vox, quem sabe, preparados para ter, mais tarde, Santiago Abascal como presidente do Governo espanhol.
Una representación tan importante como para tener más de 50 escaños en el Congreso y, por lo tanto, para poder recurrir todas las leyes liberticidas y anticonstitucionales que los otros partidos políticos habían dejado pasar y no habían recurrido al Tribunal Constitucional. Pero creo que podemos decir algo más. No solo hemos alterado en 11 meses el mapa político de España, hemos protagonizado un cambio político y cultural, porque hemos logrado abrir todos los debates prohibidos. Le hemos dicho a la izquierda que la historia no había terminado, que no tienen ninguna superioridad moral y que nosotros tenemos el mismo derecho que ellos a defender nuestras ideas sin ser insultados y estigmatizados, como todavía lo están haciendo en estos momentos desde los medios de comunicación.
Santiago Abascal a dizer que nos últimos 11 meses, o Vox alterou o mapa político em Espanha, mas também o panorama político e cultural do país.
No solo es más plural, sino que tiene una representación más real y fidedigna de lo que representa y de lo que piensa el pueblo español. Dos escaños en Almería, dos en Cádiz, uno en Córdoba, uno en Granada, uno en Huelva, uno en Jaén, tres en Málaga, dos en Sevilla, uno en Zaragoza, uno en Las Palmas, uno en Santa Cruz de Tenerife, uno en Santander, uno en Albacete, uno en Ciudad Real, uno en Guadalajara, dos en Toledo, uno en Ávila, uno en León, uno en Salamanca, uno en Segovia, uno en Valladolid, uno en Zamora, dos en Barcelona.
Santiago Abascal a enumerar então os mandatos obtidos pelo partido no Congresso Espanhol. O Vox, que conseguiu 52 lugares nas últimas eleições.
E agora com Santiago Abascal a fazer as contas também aos locais onde foram conseguidos esses lugares no Congresso dos Deputados.
Uno en Badajoz, dos en Baleares, uno en Asturias y tres en Murcia, donde hemos ganado las elecciones.
E aí está de novo, João. O Vox, aparentemente, segundo as declarações de Santiago Abascal, traganho em Múrcia.
Era algo que já tínhamos avançado no que diz respeito às projeções, as projeções que davam o Vox em Múrcia e também noutros locais, por exemplo, na Andaluzia, à frente do Partido Popular de Pablo Casado. É uma noite em grande para o Vox, que, por exemplo, falávamos então de algumas províncias onde conseguiu esses bons resultados.
Estava a olhar aqui para os dados de Múrcia, conseguiu três deputados, os mesmos que o PP e também o PSOE.
Mas com maior percentagem de votação.
Mas com maior percentagem de votação, com 27,9%.
Porque hoy se ha consolidado en España una alternativa patriótica y una alternativa social que demanda unidad nacional y restauración del orden constitucional en Cataluña, con la aplicación implacable de nuestras leyes, que demanda la igualdad de todos los españoles en todo el territorio nacional, exigiendo la transformación del antigualitario y liberticida Estado de las autonomías. Que demanda libertad frente a las mordazas y las leyes que ha venido imponiendo la dictadura progre y que demanda concordia frente a los viejos odios que algunos querían rescatar. Que demanda también fronteras seguras frente a la inmigración ilegal E que demanda uma defesa da família e da vida frente ao relativismo. E, por supuesto, uma atenção à emergência social, porque muitos espanhóis, milhões de nossos compatriotas, estão passando mal e veem com perplexidade o enfrentamento sectário dos partidos, veem com perplexidade o que ocorre em Catalunha e não podem compreender como alguns quiseram resgatar os ódios do passado, em vez de atender aos problemas prioritários da sociedade espanhola e de milhões de espanhóis que precisam da atenção do Estado.
Uma alusão à agenda do PSOE em relação ao Vale dos Caídos e à exumação do corpo de Franco, com Santiago Abascal a criticar o PSOE por não resolver o problema da Catalunha.
E antes disso, já tinha também falado de outro tema muito querido para o Vox, neste caso, das fronteiras e dos imigrantes, a dizer que o Vox é o voto que representa também as fronteiras seguras contra a imigração.
Agora vou dizer o mais difícil desta noite. Não nos regozijemos na euforia. Façam só esta noite, porque a partir de amanhã temos a responsabilidade histórica de construir o futuro, de construir um futuro melhor para gerações de espanhóis, para nossos filhos e para todos nossos compatriotas, sem nenhuma distinção. E temos a responsabilidade de construir uma alternativa social e patriótica que chame a todos os espanhóis, votem o que votem no passado. Frente ao sectarismo político, esquecendo os enfrentamentos aos quais os partidos nos quiseram levar, nós queremos tender a mão a milhões de espanhóis que vieram votando à esquerda, mas aos quais dizemos que a alternativa patriótica e social de Vox também os inclui a eles. E temos, é claro, a responsabilidade histórica, depois destes minutos de alegria e euforia, de construir uma verdadeira oposição ao consenso progresso, uma oposição que, graças a vocês, cada vez é mais forte. Chegamos até aqui apesar das zancadas. Chegamos até aqui durante todos estes anos e estes meses, sem um só euro de dinheiro público que os demais partidos desperdiçavam. E chegamos até aqui apesar de uma brutal campanha de criminalização, de insultos sistemáticos que nos foram lançados desde todas as tertúlias, desde todos os telejornais e desde os outros partidos políticos que manipularam nossa mensagem até a extenuação. Nos insultaram antes de obter 24 deputados e o apoio de 2,6 milhões de espanhóis. Insultaram esses 24 deputados e 2,6 milhões de espanhóis. Agora têm que insultar mais de 3,5 milhões de espanhóis e, no futuro, terão que insultar e criminalizar muitos mais espanhóis. Mas a nós, nem os insultos, nem os estigmas nos vão deter em nossa responsabilidade de lograr uma pátria mais unida, de espanhóis livres e de espanhóis iguais em todo o território nacional.
Santiago Abascal a deixar um recado para todos aqueles que foram criticando o Vox ao longo dos últimos meses, a dizer que este é um resultado também contra os insultos e contra os estigmas. Diz também que a partir de amanhã, o Vox tem essa responsabilidade histórica de construir o futuro, de construir uma verdadeira oposição contra a esquerda. São algumas das palavras de Santiago Abascal, ele que, como já ouvimos, já sublinhou o fato de o partido, o Vox, partido de extrema-direita que cresceu e muito nesta eleição, não ter qualquer representação em nenhuma instituição até há pouco tempo e que neste momento é já a terceira maior força política em Espanha.
Pela vitória do Partido Socialista. Portanto, além da celebração que esta noite nos merecemos, não vamos ocultar que estamos fundamentalmente preocupados em trabalhar a partir de amanhã com toda a responsabilidade, com toda a honradez e com toda a dignidade que vocês merecem.
Garantia de trabalho já a partir de amanhã por parte de Santiago Abascal, a dizer que essa é a grande preocupação do partido, que foi o terceiro partido mais votado nesta eleição, preocupados em trabalhar com toda a responsabilidade, com toda a honra e com toda a dignidade. Esta é a garantia dada por Santiago Abascal aos eleitores espanhóis. Acompanhávamos as declarações de Santiago Abascal, à boleia da transmissão da TVE, da televisão espanhola, que vai também acompanhando esses discursos dos principais intervenientes políticos. João, foi um discurso em que o líder do Vox, o partido de extrema-direita, garantiu aos eleitores que não os irá defraudar. E a dizer também que o Vox representa de forma fidedigna aquilo que é o povo espanhol, ao contrário de outros partidos. É o que vai dizendo também o líder do Vox. Falou da família, das fronteiras, da imigração, foram alguns dos temas escolhidos pelo líder do partido de extrema-direita.
E um discurso que não é ingênuo no tempo, porque ele acontece numa altura em que tinha acabado de falar precisamente o líder do Unidas Podemos, Pablo Iglesias. Portanto, foi praticamente, e quem percebe dessas coisas de comunicação política sabe que isto não acontece por acaso.
É marcação cerrada das noites eleitorais.
Das noites eleitorais.
Em palavras de Pablo Iglesias, vamos então recuperar dois dos momentos do discurso desta noite do líder do Unidas Podemos. O Unidas Podemos que consegue 26 lugares, menos do que os 33 alcançados em abril. Ora, na reação a estes resultados, Pablo Iglesias considerou que estas eleições serviram para reforçar a extrema-direita em Espanha.
Para o que serviram, basicamente, estas eleições foi para que a direita se reforce e para que tenhamos uma extrema-direita das mais poderosas e fortes da Europa.
Creo que não miento se digo que se dorme pior com mais de 50 deputados da extrema-direita que com ministras e ministros de Unidas Podemos no governo. O que depois das eleições de abril era uma oportunidade histórica, que era conformar um governo de coalizão progressista, depois destas eleições do dia 10 de novembro, é uma necessidade histórica.
Uma necessidade histórica, é o que diz Pablo Iglesias, o líder do Unidas Podemos, a sublinhar que há uma necessidade histórica de colocar um travão ao crescimento da extrema-direita. Diz também que um governo de coligação com o Unidas Podemos é também uma necessidade histórica em Espanha. É o que defende Pablo Iglesias, que garante que já a partir de amanhã está disponível para negociar com o líder do PSOE, Pedro Sánchez.
Por nossa parte, estamos dispostos a negociar, desde amanhã mesmo, um governo de coalizão, em que cada força política que participe nessa coalizão esteja representada exclusivamente na proporção aos votos e aos apoios eleitorais que obteve. Essa é a melhor garantia de estabilidade para a Espanha, essa é a melhor garantia de enfrentar uma desaceleração econômica que chega, oferecendo segurança aos espanhóis e às espanholas, e essa é uma necessidade histórica.
Uma necessidade histórica, uma expressão várias vezes repetida por Pablo Iglesias esta noite, nesta intervenção em que o líder do Unidas Podemos reagiu a estes resultados que, para já, com 96% dos votos contados, vão dando ao Unidas Podemos 26 lugares no Congresso dos Deputados, menos do que os 33 alcançados nas últimas eleições. Esta é uma noite eleitoral que dá uma vitória a Pedro Sánchez, com 120 lugares conseguidos, mas é uma vitória que se sabe pouco, já que o PSOE não consegue a tão desejada maioria absoluta. Vai haver novas negociações, vai haver muito para decidir ao longo dos próximos dias. Quanto ao Partido Popular de Pablo Casado, alcança 88 lugares, mais do que os 66 que foram alcançados em abril. Já o Vox de Santiago Abascal, que tem uma subida incrível nesta noite eleitoral, passa de 24 para 52 lugares no Congresso dos Deputados. Já o Ciudadanos, como se perspetivava ao longo das últimas semanas, está em queda. Passou de 57 lugares alcançados no último ato eleitoral para apenas cerca de uma dezena de deputados. É este o número redondo para o Ciudadanos, 10 deputados. Outros dados desta noite eleitoral, a Esquerda Republicana da Catalunha consegue 13 lugares. Em abril tinha conseguido 15. Já os Juntos pela Catalunha conseguem apenas oito lugares. Ainda assim, mais um deputado do que tinha conseguido nas últimas eleições. Já a CUP, a Candidatura de Unidade Popular, que não tinha conseguido colocar qualquer deputado, elege agora dois parlamentares. São estes, João, os números até agora com quase 96% dos votos contados.
E numa altura em que falta conhecer a posição do PSOE, também do Ciudadanos e do PP. São os partidos que ainda falta falar esta noite, em que estamos em emissão especial aqui na Rádio Observador. Rádio Observador, são 10 horas, 11 horas em Espanha. Estamos em emissão especial para acompanhar as eleições espanholas, mas esta noite de domingo é feita de outras notícias. Jornal das 10 na Rádio Observador, com edição de João Filipe Cruz.
O presidente da Bolívia anunciou a demissão depois de quase 14 anos no poder. Evo Morales, em declarações às televisões do país, disse que renuncia ao cargo de presidente para evitar mais conflitos. Entretanto, o jornal argentino Clarín avançou que o presidente demissionário já abandonou a Bolívia rumo à Argentina, no avião presidencial, num dia em que as autoridades bolivianas já tinham pedido a renúncia a Morales. O chefe das Forças Armadas exigiu que o presidente renunciasse. Para William Cayman, a saída do presidente permite a pacificação e a manutenção da estabilidade no país. Também o comandante-geral da polícia, Vladimir Yuri Calderón, tinha pedido a saída a Evo Morales. Já no dia de hoje, dois ministros e o presidente da Assembleia renunciaram aos cargos. A Bolívia está mergulhada numa profunda crise depois das eleições de 20 de outubro, que ditaram a reeleição de Morales na primeira volta. Em causa, estão suspeitas de fraude no ato eleitoral. Por cá e no futebol, o Porto está a vencer por 1 x 0 o Boavista, no Estádio do Bessa, numa altura em que o jogo está no intervalo. O gol dos Dragões foi marcado pelo lateral brasileiro Alex Telles aos nove minutos. O Porto está a vencer este derby da Cidade Invicta por 1 x 0 no Estádio do Bessa, um jogo que terminou há pouco. Um outro derby, desta feita do Minho. O Vitória de Guimarães perdeu em casa frente ao Sporting de Braga, gols marcados por Paulinho e Galeno. Esta derrota do Vitória de Guimarães frente ao Sporting Braga, numa noite de derbys no futebol português. No início desta noite, o Sporting venceu o outro derby, um lisboeta. Venceu o derby frente ao Belenenses SAD por 2 x 0 e segurou o quarto lugar. Luciano Vieto marcou aos 74 e aos 81 minutos, os gols que deram a vitória aos Leões e, no final, Jorge Silas reconheceu a má primeira parte da equipe, mas considera que a vitória foi justa.
Nossa primeira parte foi muito má e muito boa do Belenenses. E desde já os meus parabéns ao Belenenses também, porque teve muito mérito. Mas a partir do momento em que nós mudamos, percebemos também
Onde é que tínhamos que mudar e o que é que tínhamos que fazer. E depois, na segunda parte, claramente fomos melhores, mais competentes e acabamos por fazer os gols com alguma naturalidade, porque já estávamos a ameaçar e também criamos mais ocasiões claras de gol, umas duas ou três à frente do guarda-redes, poderíamos ter resolvido o jogo ainda mais cedo.
Declarações de Jorge Silas na conferência de imprensa. Já Pedro Ribeiro, treinador do Belenenses SAD, considerou este resultado injusto.
Fizemos uma grande exibição. Acho que toda a gente aqui viu, os nossos adeptos, os adeptos do Sporting. A quantidade de assobios que a equipe do Sporting recebeu, acho que reflete a forma ousada conforme nós estivemos em campo, mas não conseguimos fazer gols. Portanto, estamos desiludidos, porque a qualidade exhibicional que apresentamos teria que ser traduzida em gols. Eu penso que é um resultado extremamente injusto.
Declarações de Pedro Ribeiro, técnico do Belenenses SAD, declarações à Sport TV. No final do jogo, o Sporting venceu a partida em Alvalade e está a quatro pontos do terceiro lugar, ocupado neste momento pelo Famalicão. Dar conta de outros resultados desta noite de futebol. Fora de Portugal, a Juventus de Cristiano Ronaldo venceu um a zero o AC Milan. O capitão da seleção portuguesa acabou por ser substituído neste jogo 1000. Ronaldo ficou em branco, deu lugar aos 55 minutos a Paolo Dybala, que acabou por dar a vitória à equipe de Turim, que mantém assim a liderança da Série A. No Brasil, começou agora a segunda metade do Flamengo x Bahia. O clube de Jorge Jesus vai perdendo a esta hora com o Bahia em casa no Maracanã, fruto de um autogolo de Arão aos 39 minutos. A confirmar-se este resultado, Jorge Jesus falha uma maior diferença relativamente ao Palmeiras, que perdeu pontos ontem. O Flamengo, mesmo assim, continua em primeiro lugar com 74 pontos. O Palmeiras está em segundo lugar com 67. Por cá, Luís Montenegro apresentou de forma oficial a candidatura à presidência do PSD. O antigo líder parlamentar social-democrata não quer ser apenas candidato à presidência do partido e apresentou um programa a 12 anos.
Estou aqui determinado em dar mais 12 anos da minha vida e de dedicação a Portugal. Estou aqui para assumir a responsabilidade de liderar a oposição em Portugal nos próximos quatro anos e de liderar o governo de Portugal nos oito anos que se vão seguir a esses quatro anos.
Em Lisboa, num discurso para apoiantes da candidatura, Montenegro prometeu também baixar impostos, isto caso seja eleito primeiro-ministro.
Uma das primeiras propostas que apresentarei, uma vez eleito líder do PSD, será de redução dos impostos sobre o trabalho e de simplificação do regime do IVA. Será uma proposta de redução gradual e faseada ao nível do IRS e do IRC. E será uma proposta de fusão da taxa intermédia e da taxa máxima do IVA numa só taxa, que estimo não seja superior a 20%.
Declarações de Luís Montenegro na apresentação oficial da candidatura à presidência do PSD, o partido que vai a votos no dia 11 de janeiro. Rui Rio, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz são, para já, os candidatos a presidente do partido.
São estas as notícias que vão marcando a atualidade nesta noite em que estamos em emissão especial para acompanhar os resultados das eleições espanholas. Dez horas e sete minutos. Estamos em emissão especial desde as 19h, na Rádio Observador, a acompanhar todas as incidências destas eleições espanholas, as segundas num espaço de seis meses. João, isto numa altura em que já estão contabilizados praticamente todos os votos de todas as regiões autônomas de Espanha.
96% dos votos contados e com esse dado, o PSOE de Pedro Sánchez deve conseguir 120 dos 350 lugares do Parlamento Espanhol. Já o PP de Pablo Casado fica-se pelos 88. O Vox de Santiago Abascal deve conseguir 52 lugares. Pablo Iglesias, pelo Podemos, deve conseguir 26 lugares, menos do que os 33 alcançados nas últimas eleições. Já o Ciudadanos é um dos grandes derrotados da noite. Albert Rivera faz o Ciudadanos descer dos 57 para os 10 assentos no Parlamento Espanhol. São dados sobre os quais vamos falar com a diretora adjunta do Observador, Filomena Martins, que já está conosco aqui em estúdio, mas antes de mais, vamos recuperar algumas das reações a estes resultados. Começamos pelo Vox, foi um dos principais vencedores desta noite. De 24 deputados em abril, passa para 52. Santiago Abascal, o líder do partido de extrema-direita, fala de uma vitória deste partido que passa a terceira força política em Espanha.
Hace solo 11 meses, hace muy poquito tiempo, no teníamos representación en ninguna institución. Creo que teníamos cuatro o cinco concejales perdidos en pueblos pequeñísimos de nuestra pátria, pero no estábamos representados Ni en los parlamentos regionales, ni en el Parlamento Europeo, ni en las Cortes Generales. Solo hace 11 meses. Hoy somos la tercera fuerza política de España. Tenemos 52 diputados.
Santiago Abascal a falar numa varanda onde foi montado um palco, onde falou o líder do Vox, um dos grandes vencedores desta noite eleitoral em Espanha. Santiago Abascal que afirma que o partido mudou o mapa político espanhol, mas sobretudo, foi também o protagonista de uma mudança política e cultural em todo o país.
Hemos protagonizado un cambio político y cultural, porque hemos logrado abrir todos los debates prohibidos. Le hemos dicho a la izquierda que la historia no había terminado, que no tienen ninguna superioridad moral y que nosotros tenemos el mismo derecho que ellos a defender nuestras ideas sin ser insultados y estigmatizados, como todavía lo están haciendo en estos momentos desde los medios de comunicación. E hemos contribuído ao aperfeiçoamento da democracia espanhola, porque hoje o Congresso dos Deputados não só é mais plural, mas tem uma representação mais real e fidedigna do que representa e do que pensa o povo espanhol.
As declarações de Santiago Abascal, o líder do Vox, ele que defendeu que o Vox é a voz da alternativa fora de Espanha. Já chegaram também as reações aos resultados do Vox com Matteo Salvini, o líder da Liga Italiana e antigo primeiro-ministro de Itália, e também Marine Le Pen da Frente Nacional em França, muito satisfeitos com esta vitória expressiva do Vox, este terceiro lugar nesta eleição, mas de alguma forma, uma vitória para o partido de extrema-direita que praticamente duplica a votação em relação aos últimos resultados. Já Pablo Iglesias deixou esse recado a Pedro Sánchez, depois de dizer que estas eleições serviram para reforçar a extrema-direita em Espanha. O líder do Unidas Podemos disse que um governo de coligação entre o Unidas Podemos e o PSOE é uma necessidade histórica para travar o crescimento da extrema-direita.
Por nuestra parte, estamos dispuestos a negociar desde mañana mismo un gobierno de coalición, en el que cada fuerza política que participe en esa coalición esté representada exclusivamente en la proporción a los votos y a los apoyos electorales que ha tenido. Esa es la mejor garantía de estabilidad para España, esa es la mejor garantía de afrontar una desaceleração económica que llega ofreciendo seguridad a los españoles y las españolas, y esa es una necesidad histórica.
As declarações de Pablo Iglesias, a intervenção em reação a estes resultados no momento em que já há 98% dos votos contados. Filomena Martins, diretora adjunta do Observador. Bem-vinda a esta emissão especial. O Observador que está a fazer esta emissão especial na rádio, mas também no site observador.pt, onde se pode acompanhar minuto a minuto tudo o que se vai passando nesta noite eleitoral em Espanha. E Filomena Martins também tem contribuído para esse minuto a minuto que se vai fazendo no site do Observador. Filomena, temos já declarações de Pablo Iglesias e também de Santiago Abascal, mas há aqui outro dado que é o número de novos partidos que entram no Parlamento Espanhol. Nunca o Parlamento Espanhol foi tão grande como hoje em dia?
Não, vai ser pela primeira vez. Olá, boa noite ou buenas noches, vamos falar um bocadinho de portunhol. O Congresso Espanhol vai ter pela primeira vez 17 partidos. Se em Portugal já achamos muitos partidos, imaginem como vai ser o Congresso Espanhol.
Em Portugal temos neste momento 10, também nunca tínhamos tido tantos. Em Espanha o número quase que duplica.
17, há bocado eram 16, quando eu entrei em estúdio, de repente já apareceu mais um. Vai ser um Congresso muito dividido, mas sobretudo um Congresso muito extremado. E eu digo extremado porque além desta quase duplicação de votos do Vox e da extrema-direita entrar aqui em força, entram também os partidos, quase todos eles independentistas, os pequenos partidos que entram por aqui fora, entre eles a CUP da extrema-esquerda, que está por trás de todos estes incidentes que houve recentemente na Catalunha e em Barcelona, que entra também no Congresso, que não tinha conseguido entrar em abril, entra agora, e que vai ser uma voz pela Catalunha e pela independência da Catalunha.
Filomena, já voltamos aqui aos lugares no Parlamento Espanhol, no Congresso dos Deputados. Está a começar a falar Albert Rivera, o líder do Ciudadanos, um dos grandes derrotados esta noite. Ele que pode hoje mesmo apresentar a demissão. Vamos ouvir.
Más Sánchez para esta legislatura, pero los españoles también han querido más Vox y menos centro político. Y esa es una realidad que nadie puede negar y yo voy a ser el último en que lo haga. Por otro lado, debo decirles que he vivido ya unas cuantas noites eleitorais. Es verdad que mucho más felices que esta. Es verdad que creciendo y haciendo crecer este partido siempre. Pero también debo decirles que yo no quiero hacer lo que he visto hacer a otros líderes políticos. Hace poco escuchábamos a un líder político, que hoy es el presidente de gobierno, que cuando sacó el peor resultado de la historia de su partido, dijo que era una noche histórica. También escuchamos en las últimas eleições a algum líder político que perdía 70 escaños, decir que não passava nada, que tudo seguia igual. Mas olhem, eu não estou feito dessa pasta. Eu quero dizer a verdade aos espanhóis. Eu quero ser honrado e honesto e seguir mirando aos olhos. E o que hoje tivemos foi um mau resultado, sem paliativos e sem desculpas. Isso é o que tivemos hoje nas urnas. Assim que ante estos malos resultados en las urnas, sem paliativos, repito, sem desculpas, sem darle vueltas, sino diciendo de la verdad a los españoles, creo que como líder político, os líderes assumem em primeira pessoa sempre, não só os éxitos, sino também os malos resultados. Quando lidera projeto político, quando lidera uma empresa, quando lidera grupo humano, tiene que assumir desde o primeiro minuto que os éxitos são de todos
E os maus resultados são teus, do líder que está à frente desse partido. E é por isso que creo obrigatório, mañana, já lo he hecho hace un rato, unas horas, convocar uma executiva nacional urgente e extraordinária. Mañana, às 10 da manhã, sem mais esperar estas 11 horas, não podíamos fazê-lo antes, vou reunir o comité executivo nacional, a direção escolhida deste partido, para compartir com ellos este mal resultado electoral e para assumir todas as decisões que haja que tomar para o futuro deste partido. E também lhes digo que quero proponer, porque creo que não há outra saída, um congresso extraordinário para que os militantes de Ciudadanos, e nadie mais, ellos, os que mandam, os que votam, os que decidem, os que me eligieron, os que han elegido a toda esta executiva, ellos decidam e tomem as riendas do futuro deste partido. Creo, de verdad, que os espanhóis se merecem que lhes digamos a verdade, quando os resultados são bons e quando os resultados são maus. Eu não me meti em política para tener um escaño nem para tener uma tarjeta de visita. Me meti em política porque amo a Espanha, porque estou enamorado da liberdade, porque me apaixona a igualdade.
Quando os resultados são bons, são de todos, quando os resultados são maus, são responsabilidade do líder. E a verdade é que Albert Rivera, Filomena, teve resultado muito mau esta noite com o Ciudadanos e a dizer que vai propor esse congresso extraordinário para que os militantes do Ciudadanos decidam o futuro do partido. Já mesmo amanhã, 10 da manhã, 09:00 em Portugal, o Ciudadanos vai reunir esse comitê executivo nacional. Diz Albert Rivera, o líder do Ciudadanos, que não vai fugir às responsabilidades e que é com esse comitê executivo nacional que vai discutir essas mesmas responsabilidades. Portanto, porta aberta para a saída de Albert Rivera da liderança do Ciudadanos.
Esta já acaba de admitir da liderança do Ciudadanos, é isso que vai acontecer. Não há dúvidas sobre isso. Não havia muita saída para ele. Passar de 50 para 10 deputados é quase impossível.
Já tínhamos dito aqui esta noite que era uma verdadeira hecatombe, mais do que um mau resultado.
Era impossível. Falhou aqui tudo. Falhou quando o Ciudadanos acabou por não aceitar uma grande coligação com o PSOE. Chegou a querer ou chegou a admitir como possível, num determinado momento, colocar-se essa hipótese de haver uma grande coligação PSOE, PP, Ciudadanos, para poder arrumar as coisas. O PSOE fez determinadas exigências, o Ciudadanos fez outras, o PP colocou outras e depois o Podemos sempre... Como é que eu hei de dizer isto?
A verdade é que o Ciudadanos, com este resultado, de pouco serve, quer ao PSOE, quer ao Partido Popular.
Não serve para nada.
Com o PSOE chegaria, por exemplo, aos 130 deputados, muito longe dos 176 necessários para a maioria absoluta.
E o Unidas Podemos também não serve, apesar de ter proposto esta coligação e dizer que está disponível para falar. Eu não sei para quê.
A coligação PSOE, Unidas Podemos e Ciudadanos também não chegaria para alcançar a maioria.
Só é possível aqui uma grande coligação com o Podemos, com o PP e com o PSOE e com alguns partidos independentistas, o que não parece possível. Portanto, não parece, está novamente no impasse. É possível que o primeiro orçamento passe. O segundo não passará, certamente. Portanto, eu diria que daqui a seis, sete meses estaremos nas quintas eleições, ou nas sextas, já não sei. Se contarmos com as regionais e com as europeias, serão já as sétimas. Mas o que aconteceu aqui foi que eu acho que o Pedro Sánchez teve aquela fome de ir ao pote, como se costuma dizer. Tentou, sobretudo com esta exumação do Franco, ganhar alguma força política. Pensou que conseguiria a maioria com tudo o que estava a acontecer, mas não se distanciou, longe disso, da Catalunha. E a Catalunha foi um fator determinante para esta subida vertiginosa do Vox. E os conservadores que saíram, de alguma forma, do Ciudadanos foram uns para a Vox e outros para o PP, e está aqui feita a divisão e as contas. E depois subiram todos os pequenos partidos independentistas à conta de alguma simpatia pela Catalunha e pelos independentistas da Catalunha e pela causa da Catalunha. É muito fácil fazer o retrato do que se passa agora, sendo que estamos outra vez no impasse, estamos outra vez numa Espanha ingovernável e não parece que vá haver aqui nenhum acordo entre o Abascal e o Sánchez com o que está aqui feito, a não ser por um orçamento que possa passar agora para uns seis meses, mas daqui a seis meses eles vão estar às turras outra vez e abril, maio, diria eu, apostaria que podemos estar aqui sentados outra vez.
Outro dos dados desta declaração, desta intervenção de Albert Rivera, foi o facto de o líder do Ciudadanos dizer que este é um mau resultado, sem palitivos e sem desculpas, e dizer também que é preciso dizer a verdade aos espanhóis. Disse também que já tinha ouvido outros líderes políticos que não falavam essa verdade em relação aos resultados. Estaria também a referir-se a Pablo Iglesias, ao discurso que Pablo Iglesias fez esta noite, que foi um discurso em que mais do que admitir também uma derrota do Unidas Podemos, que perde alguns lugares, acaba por fazer esse ataque à extrema-direita e, no fundo, culpabilizar um pouco Pedro Sánchez por todo o processo e pelo crescimento do Vox.
Sim, e ele, na prática Dá um passo em frente. Ele não assume culpa nenhuma, segue em frente como se nada tivesse passado com o Podemos e está outra vez no ponto de partida, ou segue para outra vez propor ao PSOE uma coligação. Já o tinha feito durante a campanha e, ao contrário do que tinha feito em abril, ele desta vez não exige, como exigia então, lugares no governo, porque ele exigiu um ministro e um ministro importante, e depois exigiu outra vez alguns lugares importantes. E foi aí que o PSOE teve de retroceder e dizer que nunca lhe daria tais lugares. E para agora já dizer que está disposto apenas a um acordo.
Foi um momento em que aproveitou o Vox também para capitalizar esse impasse, até porque, e nós fomos acompanhando aqui no Observador, eram dias em que havia reuniões entre o PSOE e o Podemos, em que o tema era quantos ministros é que quer o Podemos. Será que o ministro quer quatro, quer cinco, quer três?
Queriam ser cinco, depois passaram pra três, depois foram um.
Os números também eram contraditórios. O PSOE lançava um porta-voz para dizer que o Unidas Podemos estava a pedir demais, depois o Unidas Podemos mostrava um documento em que dizia que afinal não era isso que tinha pedido. Tudo isso acabou por fazer com que houvesse esta confusão bastante grande.
Saiu do Podemos o Errejón, formou o Mais País, que entra no Congresso também.
Que acaba por conseguir dois ou três deputados.
Eu não tenho os números finais agora, há bocado estava com dois, não sei se acabou com dois, com três, mas conseguiu também eleger e tirar deputados ao Podemos.
Ora bem, vamos recorrer aqui também à nossa cábula. Portanto, o antigo porta-voz do Podemos conseguiu mesmo colocar três deputados do Mais País.
É o que perde o Podemos. Portanto, aí está a divida do Podemos, que obviamente não interessa nada ao Iglesias admitir. Portanto, daí a fuga pra frente e o melhor é fugir pra frente. E aí está aquela indireta, direta que lhe fez, mas também é normal.
Já agora aproveito também e recorrendo também aqui ao nosso live blog no site do Observador, Iñigo Errejón, ele que é o líder do Mais País, o antigo porta-voz do Podemos, ele que saiu do Podemos depois de algum desagrado pela forma como Pablo Iglesias tinha conduzido os destinos do partido. Agradeceu então, no discurso que fez aos mais de 600 mil espanhóis que acabaram por votar no Mais País, e diz também esta frase: "Temos de assumir a responsabilidade de formar um governo progressista". É o tal governo progressista de que também tem falado Pablo Iglesias, mas parece que é um governo progressista que não tem pernas pra andar com mais do que um partido.
Não me parece que seja possível chegar aqui a algum acordo que junte o PSOE, o Podemos, o Mais País e depois lhes possa vir a juntar, mesmo que o Cidadãos entrasse nisso, todos esses pequenos partidos independentistas, todos estes movimentos de cidadãos como Teruel, que é uma pequena povoação de 30 mil habitantes.
A povoação esquecida.
A povoação esquecida, 30 mil habitantes, que eu tive a ver antes de vir pra aqui só porque queria saber onde é que era Teruel. Eu conheço bem a Espanha e não sabia onde é que era. É no Alto Tejo, acabei de descobrir, e que conseguiu eleger um deputado. Portanto, não me parece que nem com esses pequenos movimentos e os partidos independentistas desde os países bascos à Andaluzia e todos eles, consiga aqui um movimento que consiga uma maioria à esquerda e também não há possibilidade de maiorias à direita, portanto, está outra vez a Espanha num impasse. Este movimento do Pedro Sánchez, o tiro pela culatra, está tudo na mesma ou pior ainda. Está um Parlamento dividido, está um Congresso completamente extremado.
Porque temos um PSOE que não cresceu do último ato eleitoral para este, acabou por perder poucos, mas por perder alguns lugares.
O PP subiu bastante, mesmo assim, são 19 pelas minhas contas. O Vox quase duplicou. O Cidadãos é quase invisível quando perde. Portanto, tudo isto que está aqui é um Parlamento completamente extremado, um Congresso de extremos. Lá eles podem todos falar, ao contrário de cá. Portanto, vai ser bastante interessante assistir a algumas daquelas discussões, sobretudo a primeira que vem aí do orçamento.
Pra quem é de Portugal, está a discutir se novos três partidos que têm apenas um deputado podem ou não falar nos debates quinzenais com o primeiro-ministro. Há todo um exemplo de Espanha com 17 partidos e com todos a poderem confrontar-se dentro do mesmo espaço.
E com o Vox aqui, a CUP e todos eles a poderem dizer algumas coisas que vão por aí. Portanto, vai ser bastante animado seguirmos os próximos pelo menos seis meses deste governo espanhol. Isto a não ser que haja aqui alguma novidade que o Pedro Sánchez nos traga, porque o PP uma das coisas que pediu foi que o Sánchez deixasse de pensar em ser o líder do governo e deixasse formar uma geringonça à direita. E porque não, digamos, um bloco central em Espanha. Se houver um bloco central em Espanha, é possível. Não parece que com os dois líderes do PP e do PSOE isso possa acontecer, mas tudo pode acontecer depois de quatro eleições em que não se chegou a lado nenhum, portanto, um bloco central seria possível.
Ainda assim, Pablo Casado, que consegue mais cerca de duas dezenas de deputados, sai melhor na fotografia nesta noite eleitoral do que Pedro Sánchez?
Sai claramente melhor, até porque ele tinha sido um dos perdedores que não tinha assumido a derrota, o Iglesias estará também a falar dele em abril. Portanto, ele sai melhor, é um dos vencedores da noite. Se tivesse de fazer aqui uma lista de vencedores e vencidos, colocaria claramente o Santiago Abascal como um dos vencedores da noite. Depois colocaria o Pablo Casado e depois todos os pequenos partidos independentistas como os vencedores da noite. O Pedro Sánchez eu não sei se o consigo colocar como um dos derrotados da noite, mas não o coloco de maneira nenhuma como um dos vencedores, é impossível. Sendo que o grande derrotado é claramente o Rivera, o Alberto Rivera, é o derrotado da noite. E o U aqui com o maiúsculo.
Já voltamos a falar daqui a pouco. Filomena Martins, diretora adjunta do Observador. Obrigado pela tua colaboração, pela tua ajuda aqui na análise a estes resultados nesta noite eleitoral em Espanha, neste momento em que vamos recuperar apenas estas declarações e antes, João, seguimos também para a síntese das declarações de Albert Rivera, o grande derrotado da noite, o líder do Ciudadanos, que perdeu 47 lugares no Parlamento. Perante estes resultados, diz que é preciso assumir as responsabilidades. É isso que diz Albert Rivera.
"O que hoje tivemos foi um mau resultado, sem paliativos e sem desculpas. Isso é o que tivemos hoje nas urnas. Assim, diante destes maus resultados nas urnas, acredito que, como líder político, os líderes assumem em primeira pessoa sempre, não só os sucessos, mas também os maus resultados. Quando se lidera um projeto político, quando se lidera uma empresa, quando se lidera um grupo humano, tem que assumir desde o primeiro minuto que os sucessos são de todos e os maus resultados são teus, do líder que está à frente desse partido."
As palavras de Albert Rivera, o líder do Ciudadanos, num momento em que também na sede do Partido Popular Espanhol já começa tudo a preparar-se para a intervenção de Pablo Casado, o líder do PP, que levou o Partido Popular Espanhol a alcançar mais 22 lugares do que tinha alcançado nas eleições de abril. É um resultado que não chega para vencer nesta noite eleitoral, mas que ainda assim, João, dá para conseguir subir mais alguns lugares, ganhar mais alguns assentos no Parlamento Espanhol.
Há grandes movimentações na sede do PP, porque precisamente nos últimos minutos a TV mantinha duas câmeras sempre ligadas no ar, uma apontada ao púlpito do PP e outra ao púpito do PSOE. E nesta altura aí está todos os sinais ligados na sede do PP, porque então Pablo Casado prepara-se para se dirigir aos militantes do PP.
O líder do PP, de gravata azul e muito sorridente a fazer essa primeira reação depois deste resultado eleitoral.
Nem valiam para nada. Este partido, como sempre, esteve à altura das circunstâncias. E demonstrámos que estamos fortes e que queremos continuar a servir os espanhóis. Antes de mais, quero dizer que hoje o Partido Popular teve um bom resultado eleitoral, mas Espanha teve um mau resultado para a sua governabilidade e para o seu futuro. Creio que o partido pode dizer que em apenas seis meses recuperou 33% dos seus lugares, que somámos mais de meio milhão de votos, mais de 600 mil novos votantes, que conseguimos 21 lugares a mais no Congresso, 24 lugares a mais no Senado, que somos claramente a alternativa ao governo de esquerda, que já veio dizendo durante toda a campanha que não tinha nenhum problema em voltar a pactuar com os independentistas. Ou seja, que este partido, quando alguém tenta substituí-lo, quando alguém pensa que está num mau momento, sempre ressurge, sempre à altura do que a Espanha precisa, como faremos a partir de amanhã mesmo.
Pablo Casado a falar de um ressurgimento do Partido Popular, a dizer que o PP teve um bom resultado, mas a dizer também que Espanha teve um mau resultado no que diz respeito à estabilidade governativa e política.
Sánchez perdeu o seu referendo. Sánchez fracassou. É o grande derrotado do dia de hoje. Os espanhóis fizeram uma moção de censura a Sánchez. Perdeu três lugares. Para que queria convocar eleições se supostamente era para dar mais estabilidade, mais governabilidade e mais margem ao Partido Socialista? E agora tem muito mais difícil formar governo e fez com que os espanhóis tenham muito mais difícil o seu dia a dia. Por isso, nós o que dizemos ao Partido Socialista é que deveria pensar e valorar o seu futuro. Deveria questionar-se o que quer fazer, uma vez que fracassou e que a governabilidade em Espanha é muito mais difícil. E o que pensamos agora é que a Espanha não pode esperar mais. Não é justo que sigamos pendentes dos interesses personalistas de Pedro Sánchez. Nós vamos exercer a liderança que os espanhóis nos deram. Somos a força moderada, a força tranquila. Somos o partido que vamos seguir defendendo a unidade nacional, a Constituição espanhola, a prosperidade, a criação de emprego, as políticas responsáveis que interessam aos espanhóis, que lhes preocupam, lhes importam, porque nós somos sinônimo dessas preocupações para resolvê-las. Somos os que estamos perto dos nossos compatriotas. E o que vamos fazer é, desde já, primeiro, ser muito exigentes com o Partido Socialista. Vamos ver agora o que plantea Pedro Sánchez. E depois exerceremos nossa responsabilidade, porque a Espanha não pode seguir mais tempo bloqueada. Por isso, queridos amigos, o Partido Popular, com resultados que melhorou e também deixando muito claro que somos o único partido de centro-direita que pode liderar este país, dizemos a Pedro Sánchez que agora tem a pelota no seu tejado, que agora vai ter muito mais complicado o que se planeou para voltar a forçar eleições, mas, sobretudo, que a Espanha não pode esperar mais, não pode seguir refém dos seus interesses partidistas e eleitoralistas. Assim que, queridos amigos, este partido, que em apenas seis meses recuperou instituições, aqui está a presidenta da Comunidad de Madrid e o alcalde de Madrid, está governando em mais diputaciones, em mais ayuntamientos, em mais autonomias.
Pablo Casado, líder do Partido Popular, a sublinhar que a bola, Filomena, está agora do lado de Pedro Sánchez, diz o líder do PP, que os populares vão ser exigentes com o PSOE. Vamos saber primeiro o que é que Sánchez quer fazer, mas depois dizem que vão exercer também a responsabilidade que lhes foi conferida pelos eleitores. E houve uma subida de praticamente duas dezenas de lugares por parte do Partido Popular, que diz que Pedro Sánchez já fez o que tinha a fazer e que isto foi uma espécie de referendo Que Pedro Sánchez colocou aos eleitores e que resultou mais ou menos numa moção de censura por parte do eleitorado ao Partido Socialista Operário Espanhol. O que é que o Pablo Casado quer dizer com isto? Que para já a bola está do lado do PSOE, o PSOE é que tente fazer as negociações que tem a fazer e os diálogos que tem a fazer, mas que o mais provável é não conseguir tirar daí nada e que o PP está atento. O que o PP quer dizer com isto?
Ele disse claramente que, na prática, o Pedro Sánchez jogou tudo por interesses pessoais e partidários, que deixou a Espanha ainda mais ingovernável do que já estava e que, portanto, agora ou consegue rapidamente formar governo ou, não conseguindo, tem de passar a bola. Ou seja, a bola está do lado dele.
Mas a imprensa poderá já não estar.
Na prática, aquilo que ele disse foi o que disse há bocado o porta-voz. Foi aqui um piscar de olho a uma qualquer geringonça à direita que eu ainda não percebi como é que pode ser formada, uma vez que o PP nunca quis coligar-se com Vox, nem nada que se pareça com isso. Não sei como é que ele quer formar um governo, a não ser que haja, de facto, aqui um bloco central em que o PP aceite formar governo com o PSOE, sendo o PP o líder desse governo. Só assim é que eu vejo estas palavras do Pablo Casado. E só assim é que pode ser uma leitura dessas palavras do Pablo Casado, é que o Sánchez lhe passe a bola, passe ele a liderar um governo, mas passe o PP a liderar esse governo do bloco central e assim as coisas já possam ser formadas de uma outra forma.
Ainda assim, o PSOE, apesar do resultado nada animador, acaba por vencer as eleições e consegue também um resultado que lhe dá também no Congresso dos Deputados, praticamente mais 20, mais 10, 30, mais quase 40 deputados, mais 30 e tal deputados do que alcança o PP. Não estará também o PP a exigir demasiado a Pedro Sánchez para um futuro diálogo?
O que está o Casado a dizer-lhe é que sim, tem mais votos, mas sim, à quarta continua sem conseguir que Espanha seja governável, portanto não consegue governar Espanha e tem de arranjar uma outra solução. Qual é a solução?
Já vimos também noutros países que não é preciso ser o partido mais votado em eleições para liderar governos.
Exatamente. O que ele está aqui a dizer é que aquilo que o Sánchez tentou fazer e tentou, inclusive, ver Portugal perceber como é que António Costa tinha feito a tal geringonça, é que ele também pode fazê-la lá. Como? Não à direita, mas aqui tem de ser com o bloco central, não pode ser de outra forma. Não me parece que nem que o Sánchez alinhe, nem que dando a liderança ao Pablo Casado. De facto, o Pablo Casado está neste momento com o peito cheio, uma vez que conseguiu subir de uma forma que as sondagens nunca o previam e depois de ter uma grande queda em abril, portanto ele está de peito feito, peito cheio, mas ainda não ouvimos o que o Sánchez tem a dizer, não vimos a leitura que o Sánchez vai fazer destes números. O Sánchez, na prática, vai jogo para conseguir uma maioria e perde três deputados em relação a abril. Portanto, na prática, perde. Não é o grande derrotado da noite, ao contrário do que diz Pablo Casado, mas perde. Vai a jogo e perde.
Pedro Sánchez colocou o pescoço do líder do PSOE no cepo nesta eleição. É esse referendo de que falava Pablo Casado.
Na prática, os espanhóis não lhe deram aquilo que ele queria. Nada disso, antes pelo contrário, até lhe retiraram um bocadinho de respeito.
Pedro Sánchez confiou que depois do impasse, tinha ficado implícita para os eleitores essa ideia de que a culpa estaria também do lado do Pablo Iglesias e do Podemos neste impasse, que o Podemos tinha pedido demasiado em comparação com o que o PSOE poderia oferecer e que tendo em conta esse impasse, o PSOE conseguiria sempre capitalizar esse impasse e acabar por ter mais alguns votos que sairiam também, por exemplo, do eleitorado do Unidas Podemos.
Sim, o Pedro Sánchez durante toda a campanha colou demasiado o Podemos à extrema esquerda, ao independentismo catalão, apesar de nunca se ter demarcado de algumas coisas desse independentismo, e fez sempre essa diferença demarcando-se, dizendo que não podia ter o Podemos no governo, porque seria ter os independentistas catalães no governo, e a partir daí tentou que essa demarcação fosse capitalizada. Não foi, não conseguiu. Quem ganhou com a demarcação da Catalunha foi claramente o Vox. E a partir daqui, como diz o Casado, quem acabou por ficar bem na fotografia acabou por ser o PP, acabou por ser a extrema-direita, acabaram por ser os pequenos partidos e o tal referendo que foi feito ao PSOE chumbou. E se chumbou, tem de haver daqui alguma conclusão. Vamos ver o que diz. Eu estou muito curiosa como é que o PSOE e como é que o Sánchez vai ler estes resultados. Não sei se ele vai ler estes resultados como costumam ler alguns partidos em que ganham sempre, independentemente de perderem ou ganharem, mas este não foi um bom resultado para o PSOE. Ele não pode ler isto de forma positiva, não foi de forma nenhuma um resultado que traga bons indícios. A Espanha ficou mais ingovernável do que estava e a culpa é de Pedro Sánchez.
E sobre o PSOE temos também de deixar aqui esta nota: o primeiro-ministro português António Costa já felicitou o homólogo espanhol Pedro Sánchez pela vitória dos socialistas do PSOE nestas eleições gerais de Espanha. Foi o que disse à Agência Lusa uma fonte do executivo português. Essa mesma fonte já adiantou que António Costa transmitiu essa mensagem de felicitações ao primeiro-ministro de Espanha, primeiro-ministro em funções e líder do Partido Socialista Operário Espanhol, Pedro Sánchez. Foi através de uma breve conversa telefónica, é o habitual também nestas noites eleitorais, a troca de cumprimentos do lado de cá e do lado de lá da fronteira.
Eles são amigos, eu acho que eles falam várias vezes ao telefone e visitam-se com frequência, portanto é uma amizade.
E haverá também essa questão da geringonça e da forma como a geringonça foi discutida e como cada um poderia lucrar ou não nas respetivas eleições.
Aliás, houve vários artigos em jornais espanhóis a dizer que António Costa tinha tentado Ensinar Pedro Sánchez, porque Pedro Sánchez tinha procurado perceber como é que António Costa tinha feito politicamente as negociações para que o Bloco de Esquerda, PCP, Os Verdes e o PAN conseguissem aquele acordo para governarem juntos sem se sentarem no governo, digamos, coligados, sem haver uma coligação oficial. E era o que, na prática, o PSOE sempre quis, uma coligação sem haver coligação oficial. Esta coligação agora ficou ainda mais distante, portanto fica mais ingovernável, aquilo que eu estou a dizer desde o início, e essa ingovernabilidade vai ser muito prejudicial a Pedro Sánchez.
10 horas e 40 minutos, estamos a receber imagens via TVE da Calle Ferraz, que é onde se encontra a histórica sede do PSOE em Madrid. E há uma nota engraçada no Twitter, o Partido Socialista Espanhol está há 37 minutos com uma janela vídeo aberta na conta oficial do partido, indicando que vai entrar em direto a qualquer momento nesta rede social, onde se pode ler: "Agora governo, agora Espanha". Isto dura já há 37 minutos.
Não vai ser fácil reagir. Os discursos que podiam estar feitos para uma derrota ou para uma vitória-
Pedro Sánchez estará a ensaiar bem o discurso para esta noite.
E com a calculadora nas mãos, provavelmente.
Não, tem de fazer uma calculadora, que não dá certo, não há conta que bata certo. Nem eu, que sou terrível em contas, conseguiria de alguma forma fazer aqui uma conta, nada disto bate certo. E depois não há discurso que tivesse feito que bata certo com isto, porque eu acho que, por muito que Pedro Sánchez estivesse à espera de um resultado bom ou mau, acho que este é o resultado pior que podia ser pra ele, porque ele perde, e eu acho que ele nunca estava à espera de perder voto em relação a abril. Nunca.
Filomena, há pouco falávamos dos novos partidos que entram no Parlamento Espanhol, falavas da CUP, do partido independentista catalão mais radical, que é também uma novidade, entra pela primeira vez no Congresso dos Deputados e desde logo também com esta garantia. Diz a porta-voz da CUP, Mireia Vehí, que a CUP vai a Madrid fazer uma emenda ao regime. Foi esta a garantia dada. Vamos fazer uma emenda ao regime espanhol. O que é que a CUP quererá dizer também com isto? Tem que ver com a questão da independência catalã?
Claro. A CUP não tinha conseguido ainda entrar no Congresso em Madrid, portanto vai levar a voz da Catalunha pra Madrid. Vamos ouvir falar catalão em Madrid, no Congresso, e vamos ter tradutor, seguramente, para conseguirmos perceber, quem não perceba catalão, o que se está a dizer no Congresso. E vai ser todo esse extremismo que vimos levar confrontos durante vários dias, depois da decisão sobre o referendo à independência da Catalunha, que levou à prisão de quem marcou e que transformou as ruas.
A CUP já tinha dito antes das eleições que um voto nesta candidatura de unidade popular era um voto contra o regime, contra o sistema e um voto contra a repressão. São sempre palavras fortes por parte desta candidatura de unidade popular.
Sim, e é um partido de extrema esquerda radical que entra no Congresso, que vai falar, que vai levar todos os radicalismos da Catalunha para Madrid e que vai ter voz em Madrid. Na prática, a independência da Catalunha e os independentistas da Catalunha estão muito centrados e concentrados naquela região, para quem conhece bem a Espanha. Aquilo reduz-se ali, fica limitada àquela zona e depois, quando muito, propaga-se às outras zonas com ideais mais independentistas, sobretudo a Basca, que tem alguns ideais mais independentistas. Tudo o resto fica muito contido entre ali a Catalunha. Agora não, agora aparece em pleno Congresso. Pela primeira vez há uma voz em pleno Congresso a dizer isto, alto e bom som, e a gritar alto e bom som, e a defender Puigdemont e Torra e todos os independentistas que nós só ouvimos falar quando se fala na Catalunha e quando vem alguma coisa da Catalunha, como agora aconteceu. Depois deixamos de ouvir falar deles. Vai ser um outro problema para Sánchez.
O líder do Esquerda Republicana da Catalunha, Gabriel Rufián, já falou também depois de conhecidos os primeiros resultados, tinha admitido contatos com Pedro Sánchez se o primeiro-ministro tomasse a iniciativa. "Já veremos, é ele que nos telefona", era o que dizia também o líder do Esquerda Republicana da Catalunha. Mas há aqui então essa possibilidade de contato.
Mas é o pequeno poder de eles dizerem "é ele que nos telefona", ou seja, já nem são eles que são disponíveis. O Podemos está disponível, quer conversar já com Pedro Sánchez amanhã, e o Esquerda está disponível a ir lá falar com Pedro Sánchez. Esses pequenos partidos, não, esperam que Pedro Sánchez lhes telefone a eles, porque sabem que têm um pequeno poder de fazer a diferença e de poder vir a fazer a diferença. Mesmo assim, eu ainda não agarrei na calculadora, já disse, sou péssima em contas, nunca mais saberei fazê-las, mas vou ali abrir os jornais espanhóis e vou perceber como é que vou fazer as contas. E eu mesmo assim acho que não vai dar. E por isso vai ser uma grande confusão, daí eu achar que, como não vai ser possível, de maneira nenhuma, Pedro Sánchez fazer aqui, de qualquer forma, nada que dê conta certa, é normal que tenhamos um grande problema para o próprio Pedro Sánchez, daí que ele esteja seguramente a refazer o discurso de uma ponta à outra e esteja realmente praí há meia hora de janela aberta. Seguramente não deve ser do frio, deve ser porque está a reescrever tudo aquilo que tem a reescrever e a fazer contas não só às coligações, mas também a fazer contas à vida dele.
E nós enquanto vamos fazendo contas, enquanto também Pedro Sánchez estará também a fazer essas contas de calculadora na mão e de caneta em punho a reescrever esse discurso, vamos só recuperar aqui alguns dos sons da noite. Começamos com Pablo Iglesias, o líder do Unidas Podemos, que perdeu sete deputados em relação à última eleição. Considera que estas eleições serviram para reforçar a extrema direita em Espanha, uma espécie de recado de Pablo Iglesias também ao líder do PSOE, Pedro Sánchez.
Para o que serviram basicamente estas eleições é para que a direita se reforce e para que tenhamos uma extrema direita das mais poderosas e fortes da Europa Creo que no miento si digo que se duerme peor con más de 50 diputados de la extrema derecha que con ministras y ministros de Unidas Podemos en el Gobierno. Lo que después de las elecciones de abril era una oportunidad histórica, que era conformar un gobierno de coalición progresista, después de estas elecciones del 10 de noviembre, es una necesidad histórica.
Declarações de Pablo Iglesias, que diz que um governo de coligação com o PSOE e Unidas Podemos é uma necessidade histórica. Garante que está disponível para negociar com Pedro Sánchez já a partir desta segunda-feira.
Por nuestra parte, estamos dispuestos a negociar desde mañana mismo un gobierno de coalición, en el que cada fuerza política que participe en esa coalición esté representada exclusivamente en la proporción a los votos y a los apoyos electorales que ha tenido. Esa es la mejor garantía de estabilidad para España, esa es la mejor garantía de afrontar una desaceleración económica que llega ofreciendo seguridad a los españoles y las españolas, y esa es una necesidad histórica.
Uma necessidade histórica para travar a extrema-direita e o Vox, o partido de Santiago Abascal, que passou de 24 para 52 deputados. O líder do Vox fala de uma vitória do partido, que passa à terceira força política em Espanha. Diz também que o Vox mudou o mapa político, mas sobretudo, que foi também o protagonista de uma mudança política e cultural em toda a Espanha.
Hemos protagonizado un cambio político y cultural, porque hemos logrado abrir todos los debates prohibidos. Le hemos dicho a la izquierda que la historia no había terminado, que no tienen ninguna superioridad moral y que nosotros tenemos el mismo derecho que ellos a defender nuestras ideas sin ser insultados y estigmatizados, como todavía lo están haciendo en estos momentos desde los medios de comunicación. Y hemos contribuido al perfeccionamiento de la democracia española, porque hoy el Congreso de los Diputados no solo es más plural, sino que tiene una representación más real y fidedigna de lo que representa y de lo que piensa el pueblo español.
Eram as declarações de Santiago Abascal e vamos já à boleia da televisão espanhola TVE acompanhar as primeiras palavras de Pedro Sánchez, o vencedor desta noite eleitoral, mas ainda assim uma vitória que sabe a pouco por parte do PSOE.
Socialista, gracias. Gracias de corazón. Gracias.
Pedro Sánchez num palco junto da sede do PSOE, em Madrid, desde já a agradecer aos apoiantes socialistas espanhóis.
En las mesas como interventores, como apoderados, como apoderadas. Gracias de corazón, porque sois vosotros quienes hacéis posible este resultado electoral y esta victoria electoral. Amigos y amigas, hemos ganado las elecciones. Tampoco nuestro plan es continuar ganando elecciones. Nuestro proyecto político es formar un gobierno estable y hacer política en beneficio de la mayoría de españoles y españolas. Y para eso me gustaría hacer una llamada a todos los partidos políticos, porque tienen que actuar con generosidad y con responsabilidad para desbloquear la situación política en España. El Partido Socialista también desbloqueará y participará con responsabilidad y generosidad para desbloquear la situación política en España. Amigos y amigas.
Pedro Sánchez com algumas dificuldades em falar para os apoiantes, já que são muitos os que vão empunhando bandeiras do PSOE e entoando também alguns cânticos. Há também ali algumas bandeiras da União Europeia. Pedro Sánchez prossegue sorridente nesta intervenção a reagir aos resultados eleitorais, a pedir generosidade e responsabilidade aos outros partidos para desbloquear a situação política em Espanha. São muitos aplausos para o líder do Partido Socialista Espanhol.
Compañeros y compañeras. Bueno, dejadme terminar. Y tengo que deciros que desde el Partido Socialista, como he dicho antes, vamos a actuar con generosidad y con responsabilidad, que mi empeño es que esta vez sí, sí o sí vamos a conseguir un gobierno progresista y por eso vamos a desbloquear la situación política en este país. A ese llamamiento, porque no depende solamente del Partido Socialista, sino los españoles en las urnas nos han dicho que quieren que dependan de distintas formaciones políticas. Bueno, me dejáis terminar. Os veo muy participativos a todos vosotros. Bueno. Por favor.
Pedro Sánchez vai continuando a pedir, por favor, aos apoiantes para que façam um pouco de silêncio ou pelo menos para que façam um pouco menos de barulho, reduzam um pouco os decibéis para que o líder do PSOE consiga passar a mensagem nesta noite eleitoral.
Y siembran el discurso del odio y de la antidemocracia. Así que Amigos e amigas, hemos ganado las selecciones y a partir de mañana trabajar por esse governo progressista liderado por el Partido Socialista. A por ello. Gracias, compañeros.
Aí está o discurso de Pedro Sánchez, líder do PSOE, num palco improvisado frente à sede do PSOE, na Calle Ferraz, em Madrid, no centro de Madrid, a mostrar que o objetivo do PSOE não é ganhar eleições, mas antes formar governo e apelar à responsabilidade e também à generosidade dos outros partidos políticos para desbloquear a situação política em Espanha.
Mas a verdade, Filomena Martins, diretora adjunta do Observador, é que Pedro Sánchez pouco acrescenta. Ou seja, está empenhado, pede generosidade e responsabilidade para desbloquear a situação política, diz que é possível desbloquear essa situação, está empenhado nesse governo progressista, mas em relação a algo mais substancial, para já, nada por parte de Pedro Sánchez.
O que ele podia dizer mais?
Ainda não conseguiu fazer as contas.
Não conseguiu, não há contas a fazer, não há contas que batam certo. Ele esteve ali dois minutos, eu não contei, mas não teve mais que dois minutos, dois minutos e meio a falar, porque depois foi interrompido imensas vezes. Ele, de facto, ganhou, diz que está disponível para falar com todos, que a partir de amanhã vai falar com todos, realmente terá de falar com todos e todos juntos é que conseguem formar governo. Diz que não quer continuar a ganhar, ou seja, não quer mais eleições, quer formar um governo, mas mesmo assim, realmente tendo que falar com todos já a partir de amanhã para continuar a governar, ele acaba a dizer que parece que só quer excluir dessas negociações o Vox. Ele fala que só não quer o discurso de ódio e o discurso antidemocrático, e isso claramente é uma direta para o Vox. Mas para desbloquear a situação política, o que ele quer é falar com todos os partidos. Parece-me impossível que haja um governo com todos os partidos. É impossível, não existe, não há nenhum governo com todos os partidos, não há nenhum governo com 17 partidos, mesmo tirando o Vox, seriam 16, é impossível isso acontecer. Portanto, está fora. É um chamamento que ele faz a esses 16 partidos, não é possível isso acontecer. O que ele está a dizer são dois minutos de uma impossibilidade. Como diria alguém bem português, não existe esta possibilidade em cima da mesa, portanto o que ele fez aqui foi falar para os seus apoiantes, falar o mínimo possível, não dizer nada em concreto para poder ganhar tempo e ver o que consegue fazer, falar com os seus conselheiros políticos, com os seus conselheiros do partido e ver o que pode dizer amanhã para fazer então as contas finais e perceber para que lado se há de virar.
Vamos então tentar perceber ao longo dos próximos dias o que irá fazer Pedro Sánchez nesta noite em que o PSOE já com praticamente todos os votos contados, resultados oficiais, 120 deputados para o PSOE de Pedro Sánchez, menos três do que nas últimas eleições. De lá para cá passaram seis meses. Muitas negociações houve, mas houve também essa investidura falhada por parte do líder do PSOE. Foi primeiro-ministro em funções, Pedro Sánchez, que volta agora a vencer eleições, mas mais uma vez a não conseguir essa tão desejada maioria absoluta. Já o PP de Pablo Casado consegue 87 lugares, o Vox de Santiago Abascal, 52, o Podemos de Pablo Iglesias fica-se pelos 26. Já o Ciudadanos tem esta descida de 57 para apenas 10 lugares. Outros dados desta noite também, a CUP, a candidatura de Unidade Popular, entra pela primeira vez no Congresso dos Deputados, tem dois deputados eleitos. Já os Juntos pela Catalunha conseguem oito deputados, um a mais do que tinha conseguido nas eleições de abril. Já a Esquerda Republicana da Catalunha consegue 13 deputados, menos dois do que tinha conseguido durante as últimas eleições. Um dos grandes vencedores da noite é o Vox, que passa então de 24 para 52 deputados, tal como era esperado, Santiago Abascal conseguiu praticamente duplicar a votação, o número de lugares conseguidos por parte do partido de extrema-direita. Há também um grande derrotado desta noite eleitoral, é Albert Rivera, o líder do Ciudadanos, que perdeu 47 lugares no Parlamento e no discurso desta noite já deixou praticamente o lugar à disposição. Vai convocar essa reunião extraordinária da comissão política do partido para marcar esse congresso extraordinário para definir o futuro da liderança do Ciudadanos, que teve esta hecatombe nesta noite eleitoral. Unidos Podemos também perdeu. Já o PSOE de Pedro Sánchez é o vencedor, mas João Miguel Santos não conseguiu essa vitória tão desejada.
Foi o inconseguimento, como diria a Assunção Esteves. O inconseguimento de Pedro Sánchez.
É verdade. Muito bem, quatro horas de emissão especial na Rádio Observador para acompanhar as eleições espanholas. Espanha continua bloqueada e num impasse político. Onze horas, Rádio Observador. Estamos há quatro horas em emissão especial para acompanhar o resultado das eleições espanholas. Já a seguir é esse o tema que vai dominar então o jornal das 11, que começa agora com o João Alexandre.
Jornal das 11 na Rádio Observador, com edição de João Alexandre. João, claro, notícias a dominar a atualidade são, obviamente, os resultados das eleições de hoje em Espanha.
Umas eleições que deram a vitória para o PSOE, mas que ainda assim não conseguiu a tão desejada maioria absoluta. O PSOE, o partido de Pedro Sánchez, volta a vencer eleições, mas perde três deputados, desce para os 120 lugares do Congresso dos Deputados espanhóis. Quem foi o grande vencedor desta noite eleitoral foi o Vox, liderado por Santiago Abascal, de 24 deputados em abril, passou para 52. Santiago Abascal que falou de uma vitória do partido, que passa agora a ser a terceira força política em Espanha.
Hace solo 11 meses, hace muy poquito tiempo, no teníamos representación en ninguna institución. Creo que teníamos cuatro o cinco concejales perdidos en pueblos pequeñísimos de nuestra patria, pero no estábamos representados ni en los parlamentos regionales, ni en el Parlamento Europeo, ni en las Cortes Generales. Solo hace 11 meses. Hoy somos la tercera fuerza política de España. Tenemos 52 diputados.
Abascal, o líder do Vox, do partido de extrema-direita, ele que afirma que o partido, que consegue agora ser a terceira força política em Espanha, mudou o mapa político espanhol e que foi, sobretudo, também o protagonista de uma mudança política e cultural em Espanha.
Hemos protagonizado un cambio político y cultural, porque hemos logrado abrir todos los debates prohibidos. Le hemos dicho a la izquierda que la historia no había terminado, que no tienen ninguna superioridad moral y que nosotros tenemos el mismo derecho que ellos a defender nuestras ideas sin ser insultados y estigmatizados, como todavía lo están haciendo en estos momentos desde los medios de comunicación. E hemos contribuído ao aperfeiçoamento da democracia espanhola, porque hoje o Congresso dos Deputados não só é mais plural, mas tem uma representação mais real e fidedigna do que representa e do que pensa o povo espanhol.
Declarações de Santiago Abascal, o líder do Vox, um dos grandes vencedores desta noite eleitoral em que o PSOE saiu vencedor, mas em que não conseguiu a maioria absoluta. Se há um vencedor, há também um vencido e Albert Rivera é o grande derrotado da noite. O Ciudadanos perdeu 47 lugares no Parlamento espanhol e perante estes resultados, o líder do partido admitiu os maus resultados e assumiu também aquelas que são as responsabilidades.
Lo que hoy hemos tenido es un mal resultado sin paliativos y sin excusas. Eso es lo que hemos tenido hoy en las urnas. Así que ante estos malos resultados en las urnas, creo que como líder político, los líderes asumen en primera persona siempre, não só os êxitos, mas também os maus resultados. Quando um lidera um projeto político, quando lidera uma empresa, quando lidera um grupo humano, tiene que asumir desde el primer minuto que los éxitos son de todos y los malos resultados son tuyos, del líder que está al frente de ese partido.
Albert Rivera, o líder do Ciudadanos, a dizer que é preciso assumir as responsabilidades, a dizer que quando os resultados são bons, são de todos, mas que quando são maus resultados, esses são os resultados que devem ser assumidos pelos líderes partidários. No discurso da noite, Albert Rivera anunciou também que já convocou essa reunião extraordinária da comissão política do partido para esta segunda-feira, para marcar um congresso extraordinário que defina o futuro do Ciudadanos.
Creo obligatorio mañana convocar una ejecutiva nacional urgente y extraordinaria. E também lhes digo que quero propor, porque creo que não há outra saída, um congresso extraordinário para que os militantes de Ciudadanos e nadie más, ellos, los que mandam, los que votam, los que decidem, los que me eligieron, los que han elegido a toda esta ejecutiva, ellos decidan y tomem as rédeas do futuro deste partido.
Albert Rivera, um dos grandes derrotados desta noite eleitoral em Espanha. Quem também perdeu alguns lugares foi o Unidas Podemos, perdeu sete deputados em relação às últimas eleições de abril e Pablo Iglesias, o líder do Unidas Podemos, já disse esta noite que estas eleições serviram, sobretudo, para reforçar a extrema-direita em Espanha.
Para lo que han servido, basicamente, estas elecciones es para que a direita se reforce e para que tengamos uma extrema-direita das mais poderosas e fortes da Europa. Creo que não miento se digo que se duerme pior com mais de 50 deputados da extrema-direita que com ministras e ministros de Unidas Podemos no governo. O que depois das eleições de abril era uma oportunidade histórica, que era conformar um governo de coalizão progressista, depois destas eleições do dia 10 de novembro, é uma necessidade histórica.
Uma necessidade histórica é o que diz Pablo Iglesias, ele que considera que essa necessidade histórica leva a que seja necessário ter um governo de coligação com o Unidas Podemos e o PSOE. Defende, por isso, Pablo Iglesias, que é preciso disponibilidade para negociar e diz que já está disponível para negociar com Pedro Sánchez, o líder do PSOE, já a partir desta segunda-feira.
Por nuestra parte, estamos dispuestos a negociar desde mañana mesmo um governo de coalizão em que cada força política que participe nessa coalizão esté representada exclusivamente na proporção aos votos e aos apoios eleitorais que teve. Essa é a melhor garantia de estabilidade para Espanha, essa é a melhor garantia de afrontar uma desaceleração económica que chega oferecendo seguridad aos espanhóis e às espanholas, e essa é uma necessidade histórica
Necessidade histórica de haver uma coligação entre a Unidas Podemos e o PSOE para travar o crescimento da extrema-direita. Foi o que pediu Pablo Iglesias, o líder do Unidas Podemos, nesta intervenção, neste discurso de reação aos resultados eleitorais, que deram também uma subida ao PP, ao Partido Popular de Pablo Casado, que conseguiu mais 21 lugares no Parlamento. Pablo Casado considera que o plano de Pedro Sánchez falhou. Diz o líder do PP que o líder do PSOE quis reforçar o poder, mas que acabou com uma moção de censura por parte dos espanhóis, tornando Espanha ainda mais ingovernável.
Hoje o Partido Popular teve um bom resultado eleitoral, mas a Espanha teve um mau resultado para a sua governabilidade e para o seu futuro. Sánchez perdeu o seu referendo. Sánchez fracassou. É o grande derrotado de hoje. Os espanhóis fizeram uma moção de censura a Sánchez. Ele perdeu três cadeiras. Para que queria convocar eleições se supostamente era para dar mais estabilidade, mais governabilidade e mais margem ao Partido Socialista? E agora ele tem muito mais difícil formar governo e fez com que os espanhóis tenham muito mais difícil o seu dia a dia.
O líder do PP, Pablo Casado, a condenar aquilo que diz ter sido o plano de Pedro Sánchez, a dizer que esse plano acabou por fazer com que esta eleição fosse uma espécie de referendo, que acabou por culminar também numa moção de censura dos espanhóis ao Partido Socialista, liderado por Sánchez. Diz também Pablo Casado, líder do PP, que Pedro Sánchez conseguiu tornar a Espanha ainda mais ingovernável. Garante também que vai ser exigente com o PSOE. Diz que está pronto para assumir as rédeas do país. Para já, sublinha, no entanto, a bola está do lado de Pedro Sánchez. É o que diz Pablo Casado.
Vamos ver agora o que plantea Pedro Sánchez. E depois exerceremos a nossa responsabilidade, porque a Espanha não pode seguir mais tempo bloqueada. Por isso, queridos amigos, o Partido Popular, com resultados que melhorou, e também deixando muito claro que somos o único partido de centro-direita que pode liderar este país, dizemos a Pedro Sánchez que agora a bola está no seu telhado, que agora vai ter muito mais complicado o que se planeou para voltar a forçar eleições, mas sobretudo que a Espanha não pode esperar mais.
"Espanha não pode esperar mais" é o sublinhado feito por Pablo Casado, líder do Partido Popular. Partido Popular que consegue subir nesta eleição, fica em segundo lugar, alcança 87 lugares, um pouco menos do que o PSOE, que conseguiu 120. Ainda assim, o partido liderado por Pedro Sánchez perde três lugares em relação à última eleição, apesar de vencer esta noite eleitoral. Ainda assim, Pedro Sánchez celebra a vitória. É já a terceira vitória deste ano. É o que lembra o líder do PSOE, que garante que quer desbloquear a situação política que se vive há vários meses em Espanha.
Temos ganho as eleições, tampouco o nosso plano é continuar ganhando eleições. O nosso projeto político é formar um governo estável e fazer política em benefício da maioria dos espanhóis e espanholas. E para isso eu gostaria de fazer um chamado a todos os partidos políticos, porque têm que atuar com generosidade e com responsabilidade para desbloquear a situação política em Espanha. O Partido Socialista também desbloqueará e participará com responsabilidade e generosidade para desbloquear a situação política em Espanha.
O Partido Socialista vai trabalhar para desbloquear a situação política em Espanha. O apelo de Pedro Sánchez, que deixou esse apelo também a todos os outros partidos, a garantir que está empenhado em desbloquear a situação. Pede também empenho aos outros partidos para que façam o mesmo que o PSOE. Pedro Sánchez, que garante que está empenhado em formar esse governo designado de governo progressista.
A democracia nos convocou hoje às urnas e a democracia nos convocou a partir de amanhã a desbloquear a situação política a todos os partidos e a que haja um governo progressista liderado pelo Partido Socialista. Que meu empenho é que desta vez sim, sim ou sim, vamos conseguir um governo progressista e por isso vamos desbloquear a situação política neste país.
Declarações de Pedro Sánchez, muito ovacionado pelas muitas centenas de apoiantes dos socialistas espanhóis em Madrid, junto da sede do PSOE, até com algumas dificuldades ao longo da intervenção para Pedro Sánchez conseguir fazer passar a mensagem, já que eram muitas as interrupções motivadas pelos aplausos dos apoiantes do Partido Socialista. Há outras reações também esta noite eleitoral. Quim Torra, o presidente do governo regional da Catalunha, já deu os parabéns à candidatura de Unidade Nacional, a CUP, Unidade Popular, que entra agora para o Parlamento Espanhol. Dá também os parabéns Quim Torra a outros partidos, ao ERC, vencedor das eleições espanholas na Catalunha, também ao Juntos pela Catalunha, aos deputados independentistas que chegam agora ao Congresso Espanhol. É o recado dado através da rede social Twitter por Quim Torra, o presidente do governo regional da Catalunha. Ele que já também durante o dia tinha pedido uma votação em massa, dizendo também que a Catalunha era o terreno de jogo dos eleitores e que esta eleição era muito importante também para fazer passar a mensagem dos catalães. Na Catalunha, a Esquerda Republicana perdeu dois deputados, o Juntos pela Catalunha elegeu mais um deputado, a CUP, a candidatura de Unidade Popular, elege dois deputados, a CUP, que ainda não tinha qualquer representação nas últimas eleições. Há também reações internacionais aos resultados destas eleições de Portugal. O primeiro-ministro português, António Costa, já felicitou Pedro Sánchez pela vitória dos socialistas do PSOE. Uma fonte do governo disse à Agência Lusa que António Costa já falou ao telefone com Pedro Sánchez. Já em Itália e em França também há reações, mas neste caso aos resultados do Vox, com Matteo Salvini, o antigo primeiro-ministro italiano e líder da Liga Italiana, a usar a rede social Twitter para felicitar os amigos do Vox, destacando a vitória sobre aqueles que falam em extrema-direita e em racismo. Junto com uma fotografia em que aparece lado a lado com Santiago Abascal, o líder do Vox, Matteo Salvini deixa uma pergunta, mas que racismo e fascismo, diz o italiano que em Itália, como em Espanha, o que se quer é apenas viver com tranquilidade nas suas casas. Também Marine Le Pen felicitou o Vox, a líder da Frente Nacional em França, líder da União Nacional, antiga Frente Nacional, já fez também essa publicação na rede social Twitter. Diz que o movimento Vox, liderado por Santiago Abascal, teve um crescimento espantoso nas eleições. Tempo agora para um breve comentário. Pedimos a ajuda de Belém Rodrigo, é jornalista do ABC, está neste momento em Madrid. Tem estado também durante algum tempo em Portugal, agora está do lado de lá da fronteira e acompanhou também esta noite eleitoral. Junta-se agora aqui também à Rádio Observador, neste jornal alargado, depois da nossa emissão especial de várias horas para acompanhar os resultados. Boa noite, Belém Rodrigo. Primeira reação a estes resultados, vencedores e vencidos nesta noite eleitoral em Espanha.
Olá, muito boa noite. Belém, eu penso que quase toda gente é coincidente em assinalar o partido Vox da extrema-direita como um dos grandes vencedores. Nas últimas semanas, nomeadamente nos últimos dias, já se falava que podia conseguir deputados por volta de 50, como tem acontecido, chegou aos 52. E realmente a subida tem sido espetacular, foram mais do dobro de deputados da última vez. Também é verdade que o vencedor das eleições foi o Partido Socialista, Pedro Sánchez. Penso que pode ser considerado também um dos derrotados, não dos vencedores. Estas eleições foram uma aposta dele, ele queria ampliar a vantagem que tinha, supostamente para poder negociar melhor, com mais vantagem com os outros partidos e sair do bloqueio político que existe em Espanha. E não tem acontecido. São menos três deputados e a situação é bastante parecida em termos de acordos. Vemos que os números não saem. Não há um bloco de esquerda claro, e se ele quer avançar para um acordo com partidos de esquerda, estamos a falar também de negociar com os independentistas. Portanto, fica tudo também muito no ar. Mas o grande perdedor da noite é o partido de Cidadanos, de Albert Rivera. Conseguiu só 10 deputados. Estamos a falar de um partido que passa a ser a sexta força política em Espanha e que passa de ter 57 deputados nas últimas eleições a ter unicamente 10, como eu estava a dizer. Muitas pessoas se perguntam o que tem acontecido para um partido que nas últimas eleições se tinha mantido como uma força importante, como uma das novas forças políticas em Espanha, e baixou a seus 10 deputados, muitos dos seus votantes foram para o Partido Popular, que não se pode dizer que é um dos grandes vencedores, mas pelo menos recuperou bastantes deputados das últimas eleições e acaba por ser um bom resultado para eles, e outros muitos votantes também dos cidadãos, ou bem foram para a Vox, ou também muitos acabaram por não votar.
Belém Rodrigo, Pedro Sánchez teve um discurso muito breve nesta noite eleitoral. Falávamos aqui nesta emissão especial na Rádio Observador que o discurso durou mais, até porque foi sendo interrompido por alguns aplausos dos apoiantes do PSOE. Pedro Sánchez não poderia também dizer muito mais nesta primeira reação aos resultados?
A verdade é que tem sido muito curto, como bem dizias, e tendo em conta que é o presidente do governo em funções e a pessoa que tem na sua mão poder formar governo, esperava-se bastante mais. Isso penso que acaba por demonstrar que tem sido um mau resultado para ele, não estava muito simpático. Estava um bocado molesto pelas interrupções dos seus apoiantes que estavam lá na sede do Partido Socialista e acabou unicamente por assinalar que tem sido a terceira vitória do Partido Socialista neste ano, nas anteriores eleições legislativas e nas autárquicas. A única mensagem que deixou aos espanhóis é que desta vez sim vai formar um governo progressista, mas também acabou por pôr a responsabilidade nos outros partidos, ao dizer que os outros têm que ceder, que têm que sair deste bloqueio político e não deixou muitas mais mensagens. Falar de um governo progressista.
É a mesma mensagem que já tinha sido afirmada ao longo dos últimos meses, desde abril. Tanto Pablo Iglesias como Pedro Sánchez falavam num governo progressista. Mas o que é certo é que de lá para cá, nos últimos seis meses, não houve novidades.
Efetivamente. O que queria assinalar é que o governo progressista também acaba por ser muita ânsia. Não quer dizer exatamente que seja um governo só de esquerda. Se pensarmos no significado, acaba por ser um governo que faz progressar o país. Neste contexto, o significado acaba por estar mais ao lado do governo de esquerda. Mas não traz novidades. Ele sabe que as negociações vão ser difíceis. Muitos espanhóis estão a perguntar para quê. Acabamos por ter que repetir essas eleições seis meses depois. Os resultados não são bons e temos aqui também um panorama político muito complicado e ainda por cima as pessoas também preocupadas pela força deste partido de extrema-direita, que traz também muitas incógnitas do que vai acontecer.
Obrigado, Belém Rodrigo, jornalista do ABC, está neste momento em Madri. Esteve conosco em direto aqui neste jornal das 11 da noite, um jornal alargado, onde mais uma vez demos destaque aos resultados eleitorais em Espanha. Resultados que deram a vitória ao PSOE, que ainda assim não consegue a maioria absoluta, muito longe o partido de Pedro Sánchez. Grande vitória desta noite também para o Vox, o partido liderado por Santiago Abascal, que praticamente duplica a votação. Também sobe o PP. Quem desce é o Unidas Podemos. Nos próximos dias vai haver novidades, João, no que diz respeito à Espanha. E há também já por parte dos cidadãos que sofreu uma grande derrota nesta noite eleitoral, essa certeza de que Albert Rivera não deve mesmo voltar a ser o líder deste partido, que recuou quase 40 lugares no Parlamento Espanhol.
E que tem reunião extraordinária marcada para amanhã, às 9 horas da manhã, hora espanhola. 11 horas e 21 minutos, João, que outras notícias estão a marcar a atualidade?
Começamos por olhar para o desporto. Liga Portuguesa Futebol Clube do Porto venceu o Boavista por 1 a 0, golo de Alex Telles aos nove minutos da primeira parte. Com este resultado, os Dragões voltam a estar a dois pontos do líder, que é o Benfica. Noutro jogo desta noite, o Sporting Braga levou a melhor sobre o Vitória de Guimarães, no Estádio Dom Afonso Henriques. Os bracarenses venceram por 2 a 0, gols de Paulinho e Galeno. Ainda assim, o Vitória mantém o quinto lugar. Já o Braga está na nona posição do campeonato. O Sporting venceu em casa o Belenenses SAD por 2 a 0 e segura o quarto lugar. Luciano Vieto marcou os dois gols que deram a vitória aos Leões. O Sporting vence esta partida em Alvalade e está agora a quatro pontos do terceiro lugar. No Brasil, o Flamengo venceu o Bahia por 3 a 1 e tem outra vez 10 pontos de diferença para o segundo classificado. A equipa de Jorge Jesus até foi pro intervalo a perder por 1 a 0, mas três gols dos rubro-negros na segunda parte deram a vitória aos comandados de Jesus, numa altura em que faltam seis jornadas para terminar o Campeonato Brasileiro. O Flamengo tem 10 pontos de vantagem sobre o segundo classificado, que é a equipa do Palmeiras. Olhamos agora para a política nacional. Luís Montenegro apresentou hoje, este domingo, de forma oficial, a candidatura à presidência do PSD. O antigo líder parlamentar social-democrata, que diz que não quer ser apenas candidato à presidência do partido, e apresentou um programa a 12 anos. Em Lisboa, num discurso para apoiantes da candidatura, Montenegro prometeu também baixar os impostos, caso seja primeiro-ministro. O PSD vai a votos no dia 11 de janeiro. Rui Rio, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz são para já os candidatos a presidentes social-democratas. Lá fora, o presidente da Bolívia anunciou a demissão depois de quase 14 anos no poder. Evo Morales, em declarações às televisões do país, disse que renuncia ao cargo de presidente para evitar mais conflitos.
Foi o Jornal das 11 na Rádio Observador com o João Alexandre.
Rádio Observador. Grande Lisboa em 98.7 e no Grande Porto em 98.4