A Blip, empresa tecnológica com sede no Porto e especializada no desenvolvimento de software para apostas desportivas e casinos online, iniciou um processo de despedimento coletivo que deverá abranger pelo menos 84 funcionários do escritório português, noticiou esta quinta-feira o Jornal de Notícias e confirmou o Observador junto de funcionários da empresa.
Um trabalhador da tecnológica, ouvido pelo Observador sob anonimato, diz que foi dado um prazo de 72 horas para aceitar as condições propostas. “Deram-nos 72 horas para tentar o acordo”, contou. O funcionário da Blip considera as condições “insuficientes para viver” e afirmou que a contraproposta que apresentou não foi aceite. Perante a falta de acordo, admite aguardar pelo avanço do processo de despedimento coletivo de forma a salvaguardar o acesso ao subsídio de desemprego enquanto procura outra oportunidade profissional.
A informação sobre os cortes começou a chegar aos trabalhadores na quarta-feira, através de email. As reuniões gerais para discutir a situação tiveram início esta quinta-feira ao final da tarde, relatou o trabalhador.
Os departamentos de qualidade e de produto estarão entre os mais afetados. A dimensão dos cortes está a gerar preocupação também entre quem poderá continuar na tecnológica. “Mesmo os que ficam estão com um sentimento de revolta”, afirmou ao Observador, referindo que alguns colegas já ponderam procurar outras oportunidades, receando serem abrangidos por futuras reduções de pessoal.
Cortes de pessoal verificados em vários países
A decisão, adiantou o JN, surge na sequência de uma reestruturação anunciada esta semana pela Flutter Entertainment, multinacional que detém a empresa. O grupo prevê reduzir cerca de 1.400 postos de trabalho em vários escritórios espalhados pelo mundo, justificando os cortes com o aumento da carga fiscal sobre as apostas desportivas e os casinos online.
Segundo o trabalhador, a redução de pessoal não se limita ao escritório português. Também haverá cortes em Malta e na Roménia, enquanto no Reino Unido estará prevista uma fase de consulta antes da decisão sobre os postos de trabalho a eliminar.
A atual situação resulta, relatou o funcionário, de mudanças que já se vinham a sentir na organização há muitos meses. Entre elas, apontou o fim do período de sexta-feira à tarde que era dedicado “à investigação, ao estudo e à inovação” e a pressão crescente para cumprir prazos que considera “irrealistas”.
Antes do processo de despedimento coletivo, já tinham ocorrido saídas e tentativas de acordos individuais. Alguns profissionais terão ficado sujeitos a “avaliações sucessivas”, numa situação que, segundo a mesma fonte, “alimentou a incerteza dentro das equipas”. Agora, conclui, há trabalhadores a procurar aconselhamento jurídico e a contestar as condições apresentadas.
Fundada em 2009, a Blip está instalada na Avenida de Camilo, na zona do Bonfim, e conta com mais de mil trabalhadores, segundo a informação disponibilizada no seu site oficial.
[Annie consegue estar presente nos últimos anos do pai, que não vai viver tempo suficiente para conhecer a sua sentença no julgamento do homicídio de Humberto Delgado. Entretanto, também ela vai ficar gravemente doente. Já pode ouvir o último episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]