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Sr. Presidente, Sr. Primeiro-Ministro, cumprimento-o a si e ao seu governo na chegada a este debate do Estado da Nação. Queria começar por lhe dizer o óbvio: é muito estranho e caricato que o Sr. Primeiro-Ministro consiga chegar ao Estado da Nação sem dizer uma palavra sobre o que preocupa a nação e sem dizer uma palavra sobre os assuntos que estão a preocupar e a prejudicar a nação.

Muito bem!

Portanto, o seu discurso aqui hoje podia ter sido o de 2025, o de 2024, o de 2023, até francamente parecido com o do seu antecessor, António Costa, que vinha aqui, falava de tudo menos daquilo que estava a acontecer e saía daqui com aplausos da sua bancada, a saudá-lo pelo que não tinha feito e pelo que não estava a acontecer. Ora, disse o Sr. Primeiro-Ministro, apontando para a bancada do Chega: "Muitos falam de reformas, mas poucos a querem fazer". Está enganado, Sr. Primeiro-Ministro. Muitos falam de reformas, mas poucos a fazem tão mal como o seu governo e como o governo da AD. Poucos a fazem tão mal. Poucos Primeiros-Ministros conseguem, francamente, ausentar-se três vezes para ir ao mundial de futebol nos Estados Unidos da América.

Sr. Deputado.

Tem que ouvir, é verdade? Tem que ouvir.

Srs. Deputados, vamos ouvir o Sr. Deputado fazer as suas perguntas.

A indignação vem, sobretudo, da bancada do PSD.

Tem estado muito barulho na sala. Srs. Deputados, também durante a intervenção do Sr. Primeiro-Ministro houve barulho.

Esta questão das viagens ao mundial foi um tema também que André Ventura levou à audiência com António José Seguro ontem, no Palácio de Belém, e a arrancar por este tema no debate do Estado da Nação, sobre as ausências do Primeiro-Ministro de território nacional. Vamos continuar a ouvir a intervenção de André Ventura.

Poucos Primeiros-Ministros, penso que o único da Europa e do mundo, se deslocou três vezes para o mundial de futebol enquanto o país ardia. Temos, ao dia de hoje, mais de trinta mil hectares de área ardida, a maior desde 2017. E o Sr. Primeiro-Ministro colocou o país em alerta e viajou para os Estados Unidos para ir ver o mundial de futebol. O Primeiro-Ministro tinha os exames que, aliás, ignorou falar durante este debate, os exames, os professores, os alunos em caos, e viajou para o mundial dos Estados Unidos. O Sr. Primeiro-Ministro tinha uma crise brutal, gigantesca na administração interna, viajou para os Estados Unidos. Sr. Primeiro-Ministro, eu não sei se foi o amuleto da seleção ou não. É claro que não foi, porque fomos eliminados mal pôs os pés nos Estados Unidos. Mas também deixe-me dizer-lhe, isto é a prova de outra coisa, que nós queremos um Primeiro-Ministro não é pra ir a jogos da seleção, é pra trabalhar por Portugal. Dois, os exames nacionais. O Sr. Primeiro-Ministro ignorou falar do óbvio. O Sr. Primeiro-Ministro disse que a culpa e as falhas eram dos professores, algo inaceitável. Quando teve o aviso de que esta plataforma não ia funcionar bem, não estava a funcionar bem, e o Sr. Primeiro-Ministro, em vez de tranquilizar alunos, professores, pais, comunidade escolar, disse que a culpa era deles. Já nem vou ao Sr. Ministro da Educação, que diz para as famílias serem menos imprudentes a marcar férias na altura dos exames nacionais. Isto, Sr. Primeiro-Ministro, é mais do que qualquer amuleto. Isto é uma vergonha nacional, uma vergonha nacional que o Primeiro-Ministro deve responder. O seu Ministro da Administração Interna evita responder a perguntas que tem que responder. Ameaça deputados e ameaça partidos da oposição. Intimida...

Mais tranquilo, agora Luís Neves, da bancada do governo, perante também este barulhão gigante da bancada do PSD.

Está bem, faz favor. Se não conseguir, eu volto a interrompê-lo. Faz favor.

O Sr. Ministro da Administração Interna intimida jornalistas e ameaça jornalistas. E enquanto o PSD se ri desta situação, a pergunta é: Sr. Primeiro-Ministro, mantém ou não a confiança no seu Ministro da Administração Interna para continuar a governar em Portugal? Mantém ou não a confiança no seu Ministro da Administração Interna?

Luís Neves, sorridente.

Sr. Primeiro-Ministro, deixe-me terminar esta intervenção para outro assunto que devia ter falado e não falou, e que preocupa milhões de pessoas em casa: a saúde. O Sr. Primeiro-Ministro diz que fez reformas, péssimas todas elas ou até agora todas péssimas. Deixe-me lembrar-lhe, em 2025 havia 1,56 milhões sem médico de família. Em maio deste ano, há 1,67 milhões sem médico de família, mais de 103 mil em meio ano do seu governo sem médico de família. No fim de 2025, tínhamos 1,056 milhões utentes à espera de uma primeira consulta. Aumentou mais 17% este ano enquanto o seu governo estava em funções. Até a oncologia, que o Sr. Primeiro-Ministro disse que ia atuar rapidamente, tem hoje 65% dos utentes pra lá do tempo máximo de espera. Sr. Primeiro-Ministro, isto é um governo em degradação acelerada, é um governo em decomposição acelerada. E talvez o Sr. Primeiro-Ministro deva mesmo perguntar ao Parlamento se ainda mantém a confiança no seu governo. Muito obrigado.