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Augusto Inácio, como é a festa no Futebol Clube do Porto?

Sabes, outros tempos festejava-se de outra maneira. Hoje é diferente porque este campeonato tem um sabor especial para os portistas, porque depois da morte de Jorge Pinto da Costa, houve uma mudança clara daquilo que era a organização do Futebol Clube do Porto e entrou André Villas-Boas, que teve muitas dificuldades, inclusivamente, de fazer um plantel à medida das ambições dos portistas e as coisas não correram nada bem no ano passado. E este ano tentou, através, penso eu, do maior orçamento de sempre do Futebol Clube do Porto até hoje, de conseguir arranjar um treinador muito competente e realmente muito sabedor daquilo que queria. Um conjunto de jogadores que praticamente acertou quase em todos. No mercado de janeiro também acertou em todos. Houve, entretanto, a morte de Jorge Costa, que já lavou. Diria que este campeonato tem um sabor muito especial para os portistas e, diga-se desde já, muito justo por tudo aquilo que o Porto fez esta temporada. À noite há uma criança ainda para as pessoas do Porto, para os adeptos, para os jogadores. Vai ser noite aberta, como se costuma dizer, e bar aberto também, porque estes são os momentos.

Essa parte, claro, faz parte da festa também.

Faz parte porque repare numa coisa, os jogadores, imagina tu: "Vocês têm que ir para casa." Ok, eles vão para casa, mas não vão dormir. Isto é uma coisa que enche de orgulho o profissional, o atleta, um objetivo que foi conseguido, que isto estende-se às famílias, estende-se a todas as pessoas. E claramente que esta é uma noite que não vai ser esquecida, mas que ainda tem que ser vivida. Já viveram dentro do campo o resultado, que era o que interessava, ganharam, são campeões. Agora vão viver a festa de tudo aquilo que foi um ano inteiro ou uma época inteira à espera deste momento. E está a acontecer agora e eles que aproveitem agora, porque o Porto praticamente já fechou a época. Faltam dois jogos, é verdade, mas já não tem mais nenhum título para disputar.

Mas, Augusto, então deixa-me perguntar, quando foi na tua altura, nas tuas festas de campeão, o que é que faziam na altura? Tens alguma história boa que nos possas contar de festas de título?

A história é praticamente eu festejava sempre assim. Quer dizer, juntávamos dois ou três jogadores, colegas, as esposas também, e íamos festejar às vezes para restaurantes que estavam abertos à nossa espera, porque a gente já calculava mais ou menos.

Marcavam antes.

Mas vou te dizer que eu não queria olhar para o relógio, porque não me interessava nada olhar para o relógio, aquilo era até dar sono. E quando é sono, depois é que a gente íamos para casa. Mas acima de tudo era dentro disto, entre alguns amigos, alguns colegas, as esposas também, as famílias. E era assim que a gente festejava, porque não podíamos festejar com todos ao mesmo tempo, porque cada um tinha a sua organização, tinha a sua maneira de viver e muitos deles iam para as discotecas, que eu sei. Eu também ia, também cheguei a ir. Depois de jantar, também ia para a discoteca, abanava o capacete, como se costuma dizer. Aquilo era champanhe até dizer chega. E não sei se alguma vez eu chegava a ter os passos direitos, mas isso já não me lembro bem.

E depois é voltar ao trabalho, não é? É dia de festa.

Não, depois há ali dois dias que normalmente se dá. Hoje é sábado, estou convicto que domingo e segunda é folga para os jogadores do Porto. Há ali sempre aqueles dois dias. Depois o primeiro dia da semana é para retirar aquilo que tu bebeste em excesso, é para retirar o sono que não dormiste e devias ter dormido. É mais uma daquelas que é como se costuma dizer, café quentinho e pãezinhos de leite. E depois sim, no outro dia, depois a seguir ao treino, então entrares no ritmo normal.