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Vamos a essa análise. João Diogo Barbosa, bem-vindo. Voltamos a ter uma situação política quente na Catalunha. Temos Puigdemont a discursar, continua a ser uma voz que movimenta muito apoio e que recolhe muito apoio na Catalunha. Estaremos durante os próximos e esta governação do próximo governo regional, novamente com a questão independentista em torno deste governo e a ensombrar a liderança espanhola?
Sim, parece-me que tudo vai nesse sentido. Hoje nós vimos verdadeiramente Puigdemont ser aquilo que ele sempre foi, ou seja, o homem capaz de não só surpreender como a partir da surpresa gerar narrativas. E de certa forma, nascia a lenda Puigdemont, o homem que estava no exílio voltou, fez um discurso para milhares de pessoas e depois fugiu numa Honda branco. Esta história parece bastante interessante e pode ajudar a capturar atenções durante não só os próximos dias, mas como também os próximos meses, que de fato Puigdemont tem dois grandes problemas. O primeiro problema é judicial. Puigdemont tem mandado de captura, Puigdemont estava em fuga às autoridades e regressou com a promessa de que iria ser detido. Ainda não aconteceu, mas essa era a expectativa de todos e era, aliás, o compromisso da polícia catalã. Ao mesmo tempo, Puigdemont tem um problema político, que é a perda de força do independentismo catalão nas urnas. Isso também estava bastante presente no cenário do dia de hoje, na medida em que a investidura é de um governo socialista, não de um governo independentista. E aliás, há bastantes dúvidas sobre como é que os movimentos independentistas podem governar com os socialistas sem conseguir avanços significativos. E de certa forma também como Pedro Sánchez tinha sido muito hábil a esvaziar a questão catalã desde que se tornou presidente do governo, ao mesmo tempo tem agora, primeiro porque teve de passar uma lei da anistia pra ter uma maioria parlamentar, mas em segundo lugar, como tem agora o problema Puigdemont, vai ter não só uma dificuldade regional ao nível do governo socialista, mas também uma dificuldade nacional, que é como é que se gere este processo político e jurídico com alguém que está em fuga e que mesmo que seja detido, é alguém que tem as ruas do seu lado.
E será que passa a ser um mártir a partir do momento da detenção?
É pelo menos uma figura muito relevante e alguém que mesmo que tenha uma causa mais ou menos adormecida nos últimos anos, ou pelo menos latente, é uma causa que é forte pra muitos catalães e mais do que isso, é uma causa que tem muita força de rua, mesmo pro processo judicial. Nós já tivemos decisões do Supremo Tribunal a dizer: "Bom, a anistia tal como existe, não abrange todos os crimes e, portanto, Puigdemont tem mesmo é de ser julgado." Torna-se mais difícil fazer esse julgamento a partir do momento em que há protesto na rua e em que Puigdemont deixa de ser um homem no exílio, longe, distante das pessoas, e passa a ser um homem da rua que tem multidões à porta, quer do Parlamento, quer eventualmente dos tribunais. Vai ser muito difícil também pro poder judicial descalçar essa bota e parece-me que arriscamo-nos a ter de volta a questão catalã de uma forma muito presente nos próximos tempos