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Duas horas. As notícias com Maria Miguel Marques. Passa mais de uma hora desde a hora limite dada aos manifestantes pela Habitação do Movimento Acampada para retirarem as tendas da Praça do Rossio, em Lisboa, e da Praça D. João I, no Porto, após avisos da polícia. A decisão dos manifestantes mantém-se, as tendas são para ficar. E são ainda dezenas de tendas e centenas de pessoas que ocupam as praças da capital e da Invicta. Esta ação sucede manifestações que reuniram milhares no Porto e em Lisboa. Começamos pela capital. Dar nota que hoje, porém, no terreno estão membros do Mecanismo Nacional de Prevenção da Provedoria de Justiça, desde as 16h, a monitorizar, como observadores independentes, a atuação das forças policiais. Na Praça do Rossio está o repórter David Biléu. David, a PSP avisou os manifestantes, mas as tendas mantêm-se.

É verdade, Maria, as tendas mantêm-se. Foi esta a decisão final da reunião do plenário de delegados, que ocorreu por volta de 01h10, aqui na Praça do Rossio. Este plenário reuniu-se já depois da PSP ter transmitido à equipe legal da Acampada, juntamente com a Provedoria de Justiça a observar, que a permanência das tendas seria ilegal. Ora bem, um dos porta-vozes do Movimento Acampada Lisboa, Loão, diz que esta decisão de permanecer com as tendas é uma decisão consciente e diz que o movimento está preparado para resistir pacificamente.

A PSP informou que o único incômodo seria a permanência das tendas e, portanto, neste momento, nós decidimos reunir e decidimos discutir o que é que faríamos a seguir. E neste momento, a decisão que foi tomada foi permanecer no espaço, independentemente qual for a intervenção policial. Estamos prontos, estamos conscientes de tudo o que poderá acontecer, mas vamos continuar aqui, vamos resistir, porque não damos pé daqui, estamos a resistir de forma pacífica, estamos a manifestar pelo direito à habitação, pelo direito a ter um teto, uma casa, e por tudo o que está a acontecer neste país.

Aqui o testemunho de um dos porta-vozes deste Movimento Acampada Lisboa, a reiterar que esta é mesmo a decisão dos manifestantes que se encontram aqui na Praça do Rossio. Neste momento, é muito expectável que as forças de segurança intervenham a qualquer momento e aguardamos para essa intervenção. De destacar, como disseste, Maria, que se encontram aqui membros da Provedoria de Justiça para fiscalizar exatamente a atividade das forças de segurança. Portanto, vamos perceber se a atuação da PSP vai ser similar àquela que vimos no sábado passado, mas neste momento é uma questão de perceber a que horas é que a PSP vai começar a intervir aqui na Praça do Rossio, Maria.

Reportagem do jornalista David Biléu, a partir da Praça do Rossio. Já no Porto, a PSP também já avisou os manifestantes da Acampada e é na Praça Dom João I, que está o repórter Miguel Pinheiro Correia. Junta-se em direto a este jornal e, Miguel, não há sinal de que estes manifestantes vão recuar.

Não há, Maria, e estão aqui equipados com capacetes, também com luvas e alguns com máscaras, um grande cordão humano que se formou nos últimos instantes aqui na Praça Dom João I, que se foi formando sob orientação dos organizadores, que, e se hoje, antes, estiveram a partilhar documentos para como reagir a uma eventual ação da polícia, a verdade é que estão a explicar agora, através do megafone, também, essas indicações. E são indicações para perceber como devem formar esta fila, quem deve estar numa primeira linha, numa segunda e numa terceira, sempre com essa, e têm reforçado esse pedido, de que quem não se sinta capaz de resistir à polícia, deve abandonar este cordão. Um cordão que se foi formando e que se nota esta mobilização aqui na Praça Dom João I, que é, para já, de um sentido apenas, porque a polícia, e recordo que pouco depois da meia-noite, iniciou-se esse diálogo entre polícia e manifestantes. A polícia tentou perceber qual seria a posição dos manifestantes num primeiro diálogo e, num segundo, ouviu dos porta-vozes deste movimento de que não iriam retirar as tendas. E por isso, e neste momento, é já impossível, de onde me encontro, perceber quantas tendas estão montadas, porque foi formado, desde esse segundo diálogo, um grande cordão humano e, ao contrário do que aconteceu na praça com os manifestantes, não se notou essa grande mobilização da PSP. Continuam a assistir a tudo isto, mas, e ao contrário do que aconteceu também na última carga policial, por esta hora, já estavam aqui na praça, numa fila também em frente aos manifestantes. Isso não acontece desta vez. Sabemos, porém, que estão, além de uma carrinha que está aqui estacionada na Rua Sá da Bandeira, com agentes da polícia, estão também posicionados estrategicamente perto da Praça Dom João I, uma distância rápida e que permita uma eventual mobilização, e na expectativa de que algo aconteça, essa carga ou não, que continuam aqui muitos manifestantes reunidos num cordão humano, também com muitas pessoas a assistir nas laterais da praça, pra tentar perceber, efetivamente, se haverá esse contato com a polícia, se haverá também esse aviso, além do diálogo, também é comum haver três avisos da polícia. Ainda não aconteceram, continuamos a aguardar que isso aconteça, tendo em conta que os manifestantes não vão sair da praça e já gritaram também gritos de protesto contra os agentes e contra as demonstrações de força da polícia que se têm verificado nos últimos dias, essas ações da polícia para então retirar os manifestantes e as tendas da Praça Dom João I. E é também na expectativa de ver que mobilização haverá de um lado e do outro, que por aqui continuamos na Praça Dom João I.

A reportagem do jornalista Miguel Pinheiro Correia a partir da cidade do Porto, que assim como Lisboa, vive momentos de tensão entre a PSP e os manifestantes da acampada. Isto porque passa mais de uma hora do limite para o protesto e as tendas permanecem nas praças D. João I e também na Praça do Rossio. A PSP que já tinha garantido que vai ter tolerância zero. O secretário-geral do PSD diz que os partidos devem deixar os interesses egoísticos sobre os problemas na habitação e procurar soluções para os portugueses. O também líder do grupo parlamentar do PSD falou aos jornalistas em Leiria para apontar à oposição. Diz Hugo Soares que os partidos estão a ficar presos no que considera ser trica partidária. Assegura ainda que o Governo está a dar prioridade à crise na habitação.

Eu creio que este é um tempo em que os partidos devem deixar os interesses egoísticos partidários e olharem para aquilo que realmente interessa. E aquilo que realmente interessa é encontrar soluções para os problemas das vidas das pessoas, nas mais diversas áreas e na habitação também.

O secretário-geral do PSD, Hugo Soares, garante que o Executivo está focado em resolver os problemas concretos que afetam a vida dos portugueses. André Ventura foi reeleito presidente do Chega com 98% dos votos, de acordo com um comunicado divulgado pelo partido. Além dos votos em André Ventura, que era candidato único, foram registados 1,5% de votos em branco e 0,5% de votos nulos. Não foram indicados o número de votos, nem a taxa de participação nestas eleições diretas. A reeleição de André Ventura acontece antes da sétima Convenção Nacional do partido, que está marcada para 20, 21 e 22 de novembro, no Entroncamento, no distrito de Santarém. Antes desta reeleição, André Ventura disse que o partido tinha que se unir para mostrar que é capaz de governar o país e fazer frente a um possível bloco central.

É esperar que todos estejam à altura de mostrarmos ao país que temos que estar prontos para governar, sobretudo agora que começamos a ter informação todos os dias de que o plano do PSD e do PS é juntarem-se para impedir que o Chega possa governar. E eu espero que isso mostre aos militantes a necessidade ainda maior de termos uma maioria reforçada no momento em que o país for chamado a votos. Isso significa mostrarmos um partido capaz de liderar e de governar. Significa darmos confiança às pessoas. Significa mostrar que temos mesmo alternativa e que estamos preparados para isso.

Palavras de André Ventura, antes de ser reeleito presidente do Chega, venceu a eleição direta onde seguia sem oposição, com 98% dos votos. E o Ministro da Administração Interna terá ameaçado esmagar e destruir o antigo candidato presidencial e ex-chefe de Estado-Maior da Armada, Gouveia e Melo. A notícia está a ser avançada pela CNN Portugal, que diz que a denúncia foi feita contra o antigo diretor da PJ pelo investigador e especialista em segurança internacional, Paulo Dias. O investigador fala em ódio de estimação de Luís Neves dirigido a Gouveia e Melo. Paulo Dias diz mesmo que o assunto era comentado por Luís Neves em várias reuniões com várias pessoas e que houve almirantes que tiveram mesmo de interceder sobre o Ministro da Administração Interna para que ele tivesse alguma calma. Contactado pela CNN Portugal, Gouveia e Melo assegura que tentou manter sempre uma cooperação institucional entre a Marinha e a Polícia Judiciária. Ora confrontado com estas acusações pela CNN, Luís Neves responde por escrito e nega categoricamente as acusações. Olhamos ainda para o futebol. O Futebol Clube do Porto goleou o Estoril por 4x0 na Primeira Liga. Com este triunfo, o Futebol Clube do Porto mantém o registo 100% vitorioso no campeonato. Após o final do encontro, o treinador Francesco Farioli diz que foi um jogo complicado de preparar, mas que o Futebol Clube do Porto entrou forte na partida.

Nós também tínhamos que estar preparados para o desconhecido, pois com uma recente mudança de treinador não havia muitas coisas para estudar e preparar. Vimos algumas alterações, por isso estávamos bastante curiosos para entender como eles lidariam com as diferentes fases do jogo. A nossa abordagem foi muito positiva. Gerámos nos primeiros 15 minutos muitas situações realmente boas e é sempre bom marcarmos gols como fizemos.

Treinador do Futebol Clube do Porto, Francesco Farioli. Já Sérgio Raimundo, o treinador do Estoril, diz que o encontro não correu da forma desejada.

Com um adversário desta qualidade, nós vimos depois do 2x0 que arriscamos mais e de repente eles chegam ao três e ao quatro. Então eu não acho que outra abordagem teria sido melhor. Poderíamos ter, sim, sofrido menos gols, mas por que não tentar pelo menos um ponto, arriscar um pouco? E foi um pouco nessa perspectiva. Não gosto muito de estar em jogos e estar a perder e não lutar pelo menos por algo. Então combatemos até o final. Temos de ter resiliência. Nos últimos dois jogos que fizemos, marcamos no último minuto e era isso que estávamos à procura, ter uma surpresa nos últimos minutos do jogo.

Reação do treinador do Estoril, Sérgio Raimundo, na flash interview da Sport TV, após a derrota em casa do Futebol Clube do Porto, que segue líder isolado da Primeira Liga. Ponto final neste jornal das duas da manhã. A informação está de regresso aqui às 14h30.