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Vamos ouvir agora Morais Sarmento, que já está no púlpito.
Presidente da Mesa do Congresso, Senhor Presidente da Comissão Política Nacional, caras e caros congressistas e observadores. Dirijo-me a si, senhor Presidente da Mesa, começando por lhe agradecer, e à Mesa, a condução, que é sempre difícil, dos nossos trabalhos. Mas antes de continuar, queria pedir-lhe compreensão para um outro agradecimento, que é, aliás, uma homenagem. Nas sessões de encerramento dos nossos congressos, normalmente pela voz do presidente da Mesa e perante todos os convidados, reconhecemos e agradecemos o trabalho daqueles que ajudaram a montar o Congresso. No fundo, o trabalho de todos os que, sem buscarem reconhecimento e longe dos holofotes midiáticos, tornam possível cada congresso. Em primeiro lugar, é um agradecimento que nunca precisa esperar pelo final do congresso para ser feito ou repetido, mas mais importante, é um agradecimento que, desta vez, e penso que não estarei sozinho nele, queria dirigir muito especialmente ao punhado de mulheres que nos congressos, como em cada um dos outros dias do ano, durante mais de quatro décadas, 40 anos, trabalharam para o partido, ou seja, trabalharam para todos nós. Permita-me, por isso, senhor Presidente, chamar a Margarida Ferro para vir aqui um minuto, porque os rostos têm nome. Margarida, se faz favor.
Morais Sarmento quer que Margarida Ferro vá ao palco.
A Margarida cumpriu, no passado mês de setembro, 40 anos de trabalho no PSD, como o fizeram antes dela a Cristina Perdigão, a Diana Ulrico, a Céu Sobral, a Isabel Castro, a Miccas e a Isabel Cancela de Abreu. Este é o primeiro congresso sem a maioria delas e por isso lhes queria dizer que não estando aqui, continuam na nossa memória e no nosso coração, que sentimos a vossa falta e dizer-lhes, com toda a humildade, que mais do que eu ou a maioria de nós, vocês foram decisivas na vida do partido, com o vosso trabalho, com a vossa perseverança e tantas vezes com aquela palavra extra de ânimo ou de carinho. Saíram com a mesma discrição com que sempre trabalharam e também por isso lhes devemos, aqui na pessoa da Margarida, mas a todas, um enorme muito obrigado.
E o Congresso aplaude de pé esta homenagem pela voz de Morais Sarmento, estas figuras do PSD.
Hoje ao almoço passava num canal de televisão a retransmissão da intervenção de António Costa na abertura do debate do orçamento. Foram 25 minutos. E quanto mais ele falava, mais eu me lembrava daquela história célebre de Churchill, que recebeu um prêmio que implicava ir a Paris e fazer um discurso em francês. O secretário avisou que ele não falava francês, não tinha, muito menos, francês pra aquele discurso. Churchill insistiu e quando o dia chegou, o secretário entra tarde na sala e vê, sala longa, Churchill a falar ao fundo e uma sala em silêncio, a seguir atentamente as palavras de Churchill. Espantado, perguntou ao francês ao lado: "Estou muito impressionado pelo silêncio, pela atenção, pelo interesse com que estão a seguir o senhor Churchill". Respondeu-lhe o francês: "Não, meu amigo, não é nada disso. É que ele está a fingir que fala francês e nós estamos a fingir que percebemos". Este é o retrato do nosso país. Um governo que fala de uma realidade cor-de-rosa e uma parte do país que finge acreditar. O governo fala do amor que tem ao Estado social e as esquerdas fingem que os portugueses não estão a ficar sem acesso à saúde ou a uma educação de qualidade. O governo fala de impostos e a geringonça finge que não temos a maior carga fiscal de sempre. O governo fala de investimento público e os seus parceiros fingem que há obra feita. É um governo que finge governar e são resultados em que os seus aliados do PC e do Bloco de Esquerda fingem acreditar. Mas se quisermos, em vez disso, olhar os resultados reais, basta um minuto sobre o estado da saúde e sobre a carga fiscal. Falar de saúde é concluir hoje que a saúde está doente. O PS acusa-nos de defender um modelo mais liberal na saúde e diz que com isso as pessoas vão morrer às portas do hospital Infelizmente, é precisamente isso o que já está a acontecer. A acontecer agora, por consequência e responsabilidade exclusivas desta cegueira ideológica socialista e da extrema esquerda a quem este governo cede sempre. Se nada mais houvesse, só a saúde seria suficiente para provar que governos à esquerda levam, inevitavelmente, à queda dos serviços públicos. É que quando não se produz riqueza, não há riqueza para investir no Estado Social. E quando há modelos que funcionam, como as PPP na saúde, por cegueira ideológica, mandam se encerrar. Numa palavra, é o bem-estar dos portugueses que é sacrificado no altar das ideologias. E quanto à carga fiscal, para um socialista é simples: tudo o que mexe deve ser taxado. Se mexe, taxa-se. De imposto em imposto, de taxa em taxa, até a economia morrer, para fazer depois aquela cara de socialista surpreendido, que nunca sabe porque é que morreu a economia. Faz lembrar aquela experiência do cientista que cortava uma perna à aranha e lhe dizia: "Mexe". E a aranha mexeu-se. E ele continuou, cortou outra, outra, e quando cortou a última perna, a aranha não se mexeu. Conclusão do cientista: a aranha sem pernas é surda. É o retrato do PS. Sempre que as coisas correm mal, por responsabilidade sua, nunca percebem depois o que é que aconteceu. E o mais espantoso é que, mesmo a sacar tanto dinheiro aos contribuintes, não se vê, se repararem, uma só obra de vulto neste governo. Mesmo os governos de má memória do engenheiro Sócrates sempre conseguiam apresentar uma obrazita em tempo de menos dinheiro. Ter mais dinheiro e ser um governo ainda pior do que o governo do engenheiro Sócrates, é talvez por isso o maior feito do governo de António Costa. Esta é a realidade e estes são os adversários que o PSD tem que enfrentar e vencer. Não vos poderei dizer tudo o que gostaria, mas pelo menos estas duas notas telegráficas sobre que PSD. A primeira nota para dizer: meus amigos, o centro é a primeira trincheira da direita, como a última da esquerda. Que nessa linha da frente estamos sozinhos, nem os velhos, nem os novos partidos à nossa direita se preocupam em defendê-la. Que temos, por isso, sozinhos, a responsabilidade histórica por essa trincheira, a única da qual depende, nos seus avanços e recuos, qualquer maioria de governo em Portugal. E que, por tudo isso, abandonar esta trincheira era não só oferecer o centro ao Partido Socialista, como tornar mais difícil, se não impossível, uma maioria não socialista em Portugal. E a segunda nota, para dizer que afirmado o nosso posicionamento, o nosso caminho será, sempre que necessário, uma AD e nunca um bloco central. O espaço natural de entendimento do PSD são os partidos da direita democrática, antes o CDS, agora os novos partidos, desde que não deixem que continue a acontecer o que já vimos começar na discussão do último orçamento, ou seja, a captura do CDS pelo PS. Não é, portanto, apenas a recusa de qualquer subserviência ou favor ao PS. É mesmo a recusa frontal de qualquer bloco central como maioria de governo. Caras amigas e caros amigos, concluindo, dizer-vos apenas que temos pela frente um calendário que deve ter um objetivo simples, as autárquicas, e essas são o catapultar para o segundo objetivo, que num governo a dois anos como o que temos, é o de eleições legislativas antecipadas. Só o conseguiremos se todos, a começar pela direção do partido, estivermos nas ruas, estivermos nas televisões, estivermos no país e também se todos estivermos disponíveis para os próximos combates eleitorais.
Tem de terminar, mesmo.
Se fizermos isso, então o velho chavão revolucionário será verdade, porque unidos venceremos. Muito obrigado.
"Unidos venceremos", diz Morais Sarmento no final desta intervenção que fez no 38º congresso do PSD, pelo que é vice-presidente do partido.
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