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Vamos agora escutar também a reação a estas medidas por parte de Ricardo Mexia, o presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Saúde Pública. Muito boa tarde, Ricardo Mexia. Olhando para estas medidas que foram anunciadas por António Costa, pergunto-lhe o que perguntava há pouco ao Rui Nogueira: temos um apertar de medidas para duas semanas, estes próximos dois fins de semana, para depois tentar criar um balão de oxigênio para a época festiva. Isto faz sentido a nível epidemiológico e a nível de controle desta pandemia, permitir essas bolhas e controlar bastante nestes próximos dois fins de semana?

Boa tarde. Eu julgo que era muito importante nós reduzirmos o número de casos, desde logo, para chegarmos ao período festivo com menor incidência, porque é muito plausível que após esse período festivo haja um aumento do número de casos. E portanto, é diferente nós entrarmos nesse período com 500 casos diários ou com 5000. Essa necessidade de reduzir a incidência ainda antes de lá chegarmos é seguramente muito importante. Agora, na prática, estávamos a assistir a uma evolução muito rápida e um crescimento importante do número de casos. Aparentemente, foi possível interromper esse crescimento. Tivemos uns dias com alguma estabilização. Temos a dificuldade de semanas com os feriados não serem fáceis de comparar, mas hoje, por exemplo, já temos um número importante de casos notificados. Portanto, vamos ver o que irá acontecer nas próximas semanas até lá chegarmos. A minha expectativa é que haja ainda um afinar das medidas mais próximo. Aliás, como foi dito, no dia 18 a situação vai ser reanalisada de forma a dizer aquilo que vai ser feito. Parece-me plausível que haja aqui uma tentativa de achatar a curva neste momento, sendo que é plausível que ela venha a crescer naquelas duas primeiras semanas de janeiro, fruto desta maior proximidade, seja das festividades do Natal, seja das da passagem de ano. É algo que infelizmente eu penso que vai acontecer, e o ponto de partida é importante, ou seja, se partimos de um patamar de baixa incidência ou de um patamar de elevada incidência.

E olhando para o que pode acontecer depois, porque temos a criação destas duas bolhas intermédias aqui no Natal e na passagem de ano, sendo que na passagem de ano não vai ser permitida a circulação entre concelhos. Mas o que é que pode acontecer depois? Um novo apertar de medidas? O que pode acontecer nessa altura?

Eu julgo que, como digo, sem fazer muita futurologia, mas é muito plausível que após o maior ajuntamento das pessoas, que vai acontecer naturalmente no Natal e na passagem de ano, haja um aumento da incidência. Naturalmente que após isso, vamos assistir a um aumentar da incidência e vamos ter que encontrar medidas para, mais uma vez, reduzir essa situação. Também é expectável que por volta dessa altura, eventualmente comecemos a vacinar, o que não terá impacto imediato, mas progressivamente poderá ajudar ao controle da situação e eu acredito que essa avaliação também estará a ser feita. Em janeiro vamos ter provavelmente um período de tempo complicado. Eu recordo que é tipicamente o fim do ano, início de janeiro, são os períodos em que nós temos mais incidência de gripe em épocas normais e também tendencialmente pode ser uma época mais difícil este ano com a pandemia. Seguramente que vamos ter que ter medidas para combater esse previsível aumento.

Ricardo Mexia, olhando ainda aqui para a época de Natal, o governo preferiu não limitar os ajuntamentos, não dar um número para essas reuniões familiares. Isso aconteceu noutros países, países que definiram um limite máximo de ajuntamentos e de reuniões familiares para a época de Natal. Acha que o governo devia ter optado por definir esse número? Aqui António Costa disse que prefere confiar no bom senso dos portugueses. Acha que devia ter sido definido esse número?

A minha expectativa é que, como ainda dia 18 vai ser feita esta revisão, ainda haja pelo menos algumas recomendações para as pessoas poderem adotar, porque apelar ao bom senso talvez me pareça um pouquinho redutor em relação ao que é necessário ser feito. Nós já apelamos ao bom senso desde março, não é? Acho que agora, em relação à comemoração destas festividades, provavelmente, não apenas pela via das restrições, mas até pela via da recomendação de tentar assegurar que não há muitos agregados familiares juntos, esse faseamento, como é que as pessoas podem distribuir-se na mesa para minimizar os impactos. Eu penso que há aqui espaço para fazer algumas recomendações que as pessoas, de forma prática, possam adotar e que, na prática, também possam permitir a redução do risco para aqueles que são mais próximos. A família e os amigos próximos.

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