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E agora o outro dos discursos aguardados, o de Alberto João Jardim, ele que liderou o PSD na Madeira e a Madeira durante mais de 30 anos. Muito aplaudido aqui no Centro Cultural de Vieira do Castelo. Vamos ouvir este discurso também em direto.
Senhor Presidente do Congresso, Senhor Presidente da Comissão Política Nacional, caros companheiros. Dois devem ser os grandes objetivos do Partido Social-Democrata: um, reformar o atual sistema político de 1976, que está caduco e é reacionário, que transformou Portugal numa sociedade sem ambições, cuja decadência nos empurra para aquilo que alguns autores já chamam a sociedade pós-democrática. Em segundo objetivo, governar Portugal. No entanto, dois são os pilares deste sistema político: um, a esquerda burguesa, a esquerda do dinheiro, a esquerda caviar. O outro, a direita dos interesses, o capitalismo selvagem, portanto, e que é protegida por organizações e processos que não são transparentes. Eu agradeço as palmas, mas se interrompem muito, o senhor presidente depois manda-me embora. Neste quadro de situação, ou o Partido Socialista, de uma vez por todas, decide acertar conosco as reformas necessárias e inadiáveis, ou o Partido Socialista, que já levou o país à falência três vezes, com o masoquismo de alguns portugueses, ou o Partido Socialista quer continuar colaboracionista da degradação a que os comunistas do PCP e do Bloco de Esquerda vêm trazendo Portugal. Como diria Ortega y Gasset: "Vêm trazendo Portugal a uma existência passiva e estática como um molho de pedras à beira do caminho". Porém, salvo sinal contrário, percebe-se que António Costa sonha ser o Kayansky português. Percebe-se que o Partido Socialista está nas mãos da sua ala mais radical. Veja-se a posição vergonhosa do Ministro dos Negócios Estrangeiros em relação aos empresários portugueses. A ala mais radical, que é situacionista do sistema político e que, como tal, está mãos dadas com os comunistas do PCP e do Bloco de Esquerda, como agora se vê no Orçamento do Estado. Está mãos dadas com o monocórdico informativo daquela comunicação social que em Portugal se insere no bloco internacional dominado por conhecidos e opacos poderosos grupos capitalistas que têm interesse em manter este estado de coisas em Portugal, procedendo a uma massificação tribal, inclusive através de mecanismos que propiciam um crédito desregrado ao consumo. Tudo isto implica que, desde já, o Partido Social-Democrata defina o adversário principal. O adversário principal é sempre o totalitarismo político. Este é que é o adversário principal. Embora enganando os portugueses, as concubinas do sistema político, na televisão, vêm dizendo que não é o totalitarismo, que é o que eles chamam o populismo. Reparem que Portugal é um caso único na Europa. Vinte por cento dos eleitores ainda vota no fascismo comunista do PCP e do Bloco de Esquerda. Ora, porque António Costa é o Kayansky português, ele e o PS, com a permanente esdrúxula deslingonçada em que mergulhou o país, tornam-se agentes das pretensões totalitárias. Logo, o Partido Socialista insere-se na definição clássica de adversário principal. Assim sendo, logo o Partido Social-Democrata tem de agir já em seis vertentes. Primeira vertente: daqui para frente, a agenda tem que ser a nossa e não a do governo, nem a do Presidente da República Segunda vertente: quotidianamente temos de denunciar e de desmontar todas as encenações de titulares de cargos de Estado que conduzam à continuidade situacionista do sistema político. Temos sempre de demonstrar as consequências de tudo o que sejam cumplicidades ou cedências, quer aos comunistas do BCP e do BE, e do Bloco de Esquerda, quer ao capitalismo selvagem, que pretende que tudo continue na mesma, pois estes cavalheiros pagam os impostos deles no estrangeiro. A classe média, os pequenos e médios empresários, os funcionários públicos e também os grandes empresários que praticam a solidariedade social, vivem coagidos a pagar o regabofe dos situacionistas do sistema político de 76, sistema político este que transformou Portugal na maior lixeira da Europa, visto que andamos a importar o lixo dos outros partidos europeus. A terceira vertente é, nestas circunstâncias, o PSD deve endossear todas as formas de luta em que se empenhar. Quarta vertente, o PSD tem de apostar forte nas eleições autárquicas, candidatando com prioridade absoluta sobre quaisquer outras alternativas, os melhores e mais aceites cidadãos de cada localidade, não se ficando apenas pelos nossos filiados. Quinta vertente, o PSD tem de denunciar e desmontar a propaganda dos situacionistas do sistema político, que mentirosa e dolosamente radicalizam simplistamente o país em direita e esquerda. Esta propaganda dos bonzes da situação tem como objetivo nos encostar à direita e abrir o centro político ao Partido Socialista e ao António Costa. Sexta vertente, o PSD tem de ganhar a confiança dos mais de 40% de portugueses que não votam. Dirijo-me a todos os nossos compatriotas dizendo-lhes as razões porque agora somos o partido em que podem confiar. É que para mudar Portugal, indo assim ao vosso encontro, nada mudará sem a vossa intervenção. É que agora estamos comprometidos com os portugueses numa rigorosa posição de centro político, nada temos a ver com os tradicionais partidos de esquerdas e direitas que vós e nós detestamos. É que as medidas internas já tomadas dentro do PSD moralizam e dignificam a política e destroem velhos hábitos e manigâncias da partidocracia que vós e nós detestamos. Por favor, caros companheiros, até agora abstenccionistas, caros compatriotas abstenccionistas, desta vez confiem em nós. Venham conosco mudar Portugal. Mudar um Portugal que está a definhar numa monótona mediocridade. Mudar Portugal implica, desde já, sete propostas concretas, entre as que estruturaremos para governar o país e sairmos dos últimos lugares do débio crescimento europeu. Primeira proposta: através do aumento do investimento público e privado, através da redução da atual carga fiscal comunossocialista, através de incentivos à produtividade e através do fim daquele assistencialismo, que é só pra comprar votos e que mantém e faz crescer a pobreza, há que subir os rendimentos das famílias, há que quebrar a miséria de parte acentuada da população portuguesa. Há que crescer e reforçar a classe média, que é a imprescindível massa crítica do regime democrático. A razão porque o atual sistema político de 1976 proletariza cada vez mais a classe média é para pô-la numa dependência crescente da caridade dos atuais ocupantes do aparelho de Estado. A segunda proposta é repor a eficiência nos deveres em que o Estado falha. E o Estado falha como regulador, o Estado falha no sistema de justiça, o Estado falha na justa retribuição salarial aos funcionários públicos e no estabelecimento do respeito cívico que a estes é devido. A terceira proposta é a devolução de Portugal aos portugueses, através da regionalização do continente, à qual se opõem a propaganda do atual sistema político, o atual aparelho de Estado e o centralismo político ou cultural do eixo Lisboa-Cascais. As sondagens são claras. A maioria dos portugueses, à exceção da maioria dos residentes no eixo Lisboa-Cascais, quer esta regionalização, que devolve Portugal aos portugueses e que inicia o fim das assimetrias injustas. A regionalização está preparada por um trabalho que pode ser visto e estudado no site da Assembleia da República. Porém, depois das eleições, António Costa já as adiou, o que quer dizer que um trabalho que custou mais de meio milhão de euros aos contribuintes portugueses, não passou de mais um embuste eleitoral de António Costa. Quarta proposta: a reconstrução e a reorganização do socialistamente destruído setor da saúde, onde até se atingiu o descalabro de alguns serviços de urgência viverem instalados em contentores terramundistas sem condições. Quinta proposta: reequacionar os termos da lei da greve, que neste momento até permite que os trabalhadores e os reformados morram por causa das sucessivas paralisações no setor saúde, que até permite que os trabalhadores vejam os seus rendimentos diminuídos por causa de terem de suportar os custos pessoais das sucessivas paralisações nos transportes e nas outras atividades confluentes. Sexta proposta: pôr fim à mediocridade, ao facilitismo e à fraude nos setores cultura e educação. Fraude que visa apertar o controle sobre as pessoas para sua melhor instrumentalização pelas esquerdas totalitárias.
Caro companheiro, tenho que pedir se pode abreviar.
Sempre a terminar, senhor.
Está ainda a um minuto do orador anterior.
Senhor presidente.
Por isso é que eu avisei.
Eu já colaborai pedindo que poupassem as palmas. Deem mental esses minutos.
Tem mais um minuto e meio.
Sexta e penúltima proposta: pôr fim à mediocridade, ao facilitismo e à fraude nos setores cultura e educação. Fraude que visa apertar o controle sobre as pessoas para sua melhor instrumentalização pela esquerda totalitária. Fraude que visa a criação de mão de obra mais barata para reforço do capitalismo selvagem. Sétima e última proposta: repor o respeito cívico-democrático pelas Forças Armadas e pelas forças de segurança e respectivos membros, bem como pelos antigos combatentes. Refira-se que é sobranceria a falta de respeito por parte do ministro da Administração Interna em relação aos agentes da polícia. Quando estes, do seu próprio bolso, têm de comprar o material que necessitam, o ministro diz que é um capricho deles. Pouca vergonha!
Companheiro, peço que conclua.
Caros companheiros, em conclusão: primeiro, não percamos mais tempo com a direita dos interesses, que gostaria de ver o PSD transformado num partido do sistema político de 1976. Em segundo lugar, temos de mudar Portugal, custe o que custar, mas sobretudo mudar Portugal contando com os nossos compatriotas, compatriotas que até agora se abstiveram, mas podem contar com este PSD, que agora mudou, que agora vai pra frente, que agora vai mudar Portugal. Viva Portugal! Viva a social-democracia! Viva o PSD!
Alberto João Jardim, aqui a concluir um longo discurso. É já o segundo maior discurso deste congresso. Retirou o título a Luís Montenegro, que aqui falou durante muito tempo. Ao contrário do que aconteceu com Montenegro, não houve apupos para que se calasse.
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