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Eu começo por cumprimentar todos os que vieram. Deixo uma palavra especial ao meu secretário-geral, José Luís Carneiro. Obrigada. Ao coordenador, porta-voz? Aos porta-vozes do LIVRE, Rui Tavares e Isabel Mendes Lopes. Muito obrigada.

São vários os líderes partidários que estão aqui presentes. O LIVRE é representado não só pelo porta-voz, mas também por Isabel Mendes Lopes.

À coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua. Obrigada. E coordenadora do PAN, Inês de Sousa Real, muito obrigada por estarem cá.

Não são os únicos, estão também cá vários deputados, como Francisco César e José Loureira.

Aos meus colegas nesta lista e agradeço-vos todos. Já assinámos ali, é um primeiro momento. Eu permito-me também uma palavra rápida à Patrícia Gonçalves, que tem sido também muito a minha interlocutora. Eu queria lhe dar uma palavra especial. Obrigada, Patrícia. É com um enorme sentido de responsabilidade, mas também com uma grande alegria, que estamos hoje aqui num lugar tão simbólico que é o Miradouro de São Pedro de Alcântara. Que um presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, cumpriu o compromisso que assumiu de devolver este espaço aos lisboetas. É daqui que afirmamos a nossa ambição de reconstruir Lisboa como uma cidade para todos. Quero agradecer profundamente aos parceiros desta coligação. Juntos somos muito mais do que a soma das partes. Somos um projeto para Lisboa. Unimo-nos por Lisboa, com respeito pelas diferenças e com a força das ideias que partilhamos para transformar a cidade. Ideias progressistas, humanistas e responsáveis. Unimo-nos para que seja possível viver Lisboa. Nos últimos quatro anos, é difícil viver na cidade de Lisboa, onde quem estuda e trabalha não pode morar, onde perdemos horas no trânsito porque os transportes falham. Uma cidade mais suja, mais ruidosa, mais caótica, com espaços públicos descuidados, com bairros descaracterizados, comércio local em risco e serviços públicos degradados. É contra essa resignação

São críticas diretamente à gestão de Carlos Moedas, da autoridade de Lisboa.

É contra essa resignação que nos apresentamos, porque queremos uma cidade com futuro, um futuro de que todos possam fazer parte com coragem, justiça, coesão e solidariedade. Viver Lisboa não é apanhar um elétrico para tirar uma fotografia ou fazer um vídeo para as redes sociais. É ter casa, é conseguir pagar a renda, é ter transportes públicos fiáveis, sentir segurança, encontrar uma creche, um centro de dia ou um lar, é ter um centro de saúde, é ter sombra no jardim. Viver Lisboa é poder envelhecer com dignidade e criar os filhos com esperança. Ao fim de quatro anos de mandato, Carlos Moedas deixa uma cidade mais suja, mais desigual, mais cara, mais caótica, mais difícil de viver. Com Carlos Moedas, há propaganda, mas não substância, há imagem, mas não há ação.

As críticas de Alexandra Leitão, que vai repetindo o mote desta frente de esquerda, Viver Lisboa.

Ao fim de quatro anos de mandato, anuncia planos que ainda vai fazer. Nem os projetos estão feitos, quanto mais a obra. Com um discurso vazio de ideias e de esperança, dizem-se moderados, numa cruzada contra radicais. Mas deixem-me dizer-vos: radical é não ter uma política de habitação. Radical é assistir passivamente a uma cidade onde os trabalhadores da própria Câmara, das escolas, dos hospitais, das forças de segurança já não conseguem viver. Onde os jovens não têm casa, onde os idosos ficam isolados, muitas vezes sem um elevador que lhes permita vir à rua. Onde as famílias da classe média se veem forçadas a sair. Radical é abandonar o espaço público ao lixo, à degradação e ao desleixo. Radical é falar de segurança, mas não ter iluminação pública suficiente, não instalar câmaras de videovigilância e ter uma polícia municipal em mínimos históricos. É contra esse radicalismo

Radicalismo foi a palavra utilizada por Carlos Moedas para criticar diretamente a candidatura de Alexandra Leitão.

É contra esse radicalismo disfarçado de moderação que esta coligação se levanta. Mas não se trata de escolher, na verdade, entre radicalismo e moderação. Trata-se de escolher entre quem adia e quem decide, entre quem fala e quem faz. Inspirados por Jorge Sampaio, que há 35 anos formou uma coligação para devolver Lisboa aos lisboetas, tendo como grande prioridade a habitação pública, hoje voltamos a unir forças para construir uma cidade mais justa, mais humana e mais próxima. Uma cidade onde todas e todos possam verdadeiramente viver Lisboa. Queremos uma cidade em que morar não seja um privilégio, mas um direito. Queremos que pelo menos 20% das casas em Lisboa sejam públicas. Queremos

Habitação é um dos pontos fortes da candidatura de Fernando Santana Leitao.

Queremos reabilitar edifícios devolutos, construir nova habitação com regras claras, usar o património municipal com critério social, investir em cooperativas, penalizar imóveis devolutos e criar um grande programa de requalificação dos bairros municipais. Queremos usar terrenos municipais para soluções inovadoras, casas modulares, construções rápidas que não comprometam a qualidade, porque quem precisa de casa não pode esperar por mais quatro anos de anúncios. Queremos regular e fiscalizar o alojamento local, rever o plano diretor municipal, travar a conversão de habitação em turismo e garantir quotas obrigatórias de renda acessível nos novos empreendimentos. Não basta dizer que a habitação é uma prioridade, é preciso agir e agir agora. O atual executivo não fez quase nada na habitação pública que não estivesse já previsto. E mesmo dentro do que estava previsto, ficou quase tudo por fazer. É o caso dos programas de renda acessível do Restelo, Benfica, Parque das Nações ou Ajuda. A cidade precisa de uma nova ambição pra habitação e essa ambição inclui também uma valorização clara de parcerias com privados e cooperativas para reabilitar e construir novas casas. Só assim conseguiremos dar uma resposta à escala que o desafio exige. É preciso manter e reforçar o apoio às rendas e melhorar em muito a qualidade de vida nos bairros municipais. A carta de habitação de Lisboa aprovada no atual executivo não responde às necessidades da cidade, não tem ambição, não tem visão de futuro. Na prática, é assumir que a crise da habitação em Lisboa não começará sequer a ser resolvida na próxima década. No Vale de Santo António, pomposamente apresentado como o maior projeto de habitação nas últimas décadas por Carlos Moedas, não se prevê a construção de uma única casa nos próximos dez anos. Quem já mostrou não ter capacidade pra mudar o presente, nada tem para apresentar no futuro. Mas a habitação é apenas o ponto de partida. Também na mobilidade, Moedas falhou. Prometeu um metro de superfície, entregou um PowerPoint sobre um autocarro. Privilegiou uma Lisboa refém do carro, com transportes mais lentos do que nunca, com horários curtos e com número insuficiente de veículos que não chegam a muitos bairros. As pessoas querem tempo, por isso, viver Lisboa também é garantir mobilidade eficiente, com transportes públicos gratuitos para residentes e horários alargados. Mais corredores bus.

A mobilidade é a segunda bandeira de Fernando Santana Leitao.

Mais corredores bus e elétricos a chegar a novas zonas da cidade. Terminais multimodais com conforto e serviços públicos. Um plano metropolitano de mobilidade que integre verdadeiramente Lisboa com os conselhos vizinhos. Viver Lisboa é cuidar do espaço público, com higiene urbana eficiente, com ruas arranjadas, contentores modernos, jardins bem cuidados, com um sistema de recolha de resíduos inteligente e transparente. Viver Lisboa é devolver o verde à cidade. Queremos mapear e proteger o património herbório e transformar Lisboa numa cidade que combate as alterações climáticas e protege a saúde pública. Viver Lisboa é cuidar das pessoas, de todas as gerações, com centros de dia em cada bairro, unidade móveis de saúde, creches e lares em rede, escolas abertas à comunidade, transporte dedicado pros mais velhos, habitação pra quem vive na rua, apoio domiciliário a quem precisa. Viver Lisboa é garantir que a cidade tem alma, que apoia criadores locais, bibliotecas, lojas com história e cultura em todas as freguesias.

Uma promessa semelhante à que foi feita por Carlos Moedas que é a de um teatro em cada bairro.

Viver Lisboa é ter uma economia justa e local, com comércio de bairro vivo, com apoio às cooperativas. A cidade precisa de mudar. Não basta fingir que se fez pra os dois minutos de um vídeo de TikTok. É preciso fazer mesmo, com coragem e capacidade de decidir e de executar. Carlos Moedas teve todas as condições pra governar. Teve tempo, estabilidade e meios. Teve fundos europeus sem precedentes. Por isso, ao fim de quatro anos, não há desculpas. Terá de assumir o seu legado ou a falta dele, sem vitimizações.

Carlos Moedas, que quando anunciou a coligação com a Iniciativa Liberal, criticou o posicionamento do PS de Lisboa.

Caras e caros amigos, Lisboa está entre as cidades que mais perderam posições no índice da habitabilidade em 2024. Ocupa o penúltimo lugar no ranking europeu da mobilidade urbana infantil. Caiu 40 lugares no Smart City Index em cinco anos, mesmo com a Fábrica de Unicórnios. E não é preciso recorrermos aos rankings, basta ouvir as pessoas. E eu tenho ouvido as pessoas. Que falam do lixo acumulado, dos buracos nas ruas, do estado do espaço público, das rendas incomportáveis, das escolas degradadas porque a Câmara não mobilizou um cêntimo do PRR para modernizar edifício escolar, enquanto outras autarquias já estão neste momento a inaugurar obras. Falam dos idosos presos em casa porque os elevadores dos bairros municipais estão sempre avariados. Falam da lentidão dos transportes, da insegurança provocada pelo tráfico de droga. Lisboa pode ser uma cidade onde os bairros são comunidades vivas, onde o conceito de proximidade urbana é muito mais do que um chavão, onde cada bairro contém toda uma cidade. Porque fortalecer os bairros é garantir que Lisboa cresce de forma integrada, com serviços públicos, escolas, centros de saúde, equipamentos culturais e desportivos, comércio, jardins, bairros autossuficientes. Mais do que um teatro em cada bairro, uma praça em cada bairro ou um jardim em cada bairro, queremos mesmo uma cidade em cada bairro. Temos que pôr fim a esta inação que está a destruir a cidade. Lisboa com ambição pode ser uma referência europeia em inovação urbana, sustentabilidade, mobilidade, cultura e qualidade de vida. Para isso, precisamos de liderança, visão e capacidade de execução. Cá estamos pra isso. Lisboa precisa de voltar a gostar de si própria e esse é o nosso compromisso. Muito obrigada.