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Temos agora connosco, creio que sim, Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar. E perguntava-lhe como é que vê estas medidas anunciadas para as próximas duas semanas e depois também para essa época festiva. Medidas que foram anunciadas por António Costa esta tarde.
Sim. Parece haver uma preocupação com as famílias, o bem-estar das pessoas, a saúde mental é importante também ser preservada e temos, na verdade, que reconhecer o grande esforço que tem sido feito por todos com estes confinamentos sucessivos, com estas limitações que são incríveis. Mas não podemos esquecer, não podemos deixar de pensar que estamos a viver em estado de emergência. E, portanto, todas estas medidas são feitas num contexto de pequenas reuniões de família, de pessoas que se reúnem, mas com grandes limitações ainda assim, e deixando ao critério de cada pessoa a razoabilidade dessas reuniões. São reuniões muito restritas. Não deverá haver festas, festejos, mas, ainda assim, é permitido algum encontro e, nomeadamente, a circulação entre vários concelhos, o que dá alguma liberdade de mobilidade às pessoas.
E olhando aqui para o que se vai manter nos próximos dois fins de semana, o governo mantém este apertar de medidas. Não tem recolher obrigatório para estes próximos dois fins de semana. Também não vamos ter recolher obrigatório para a época de Natal, vamos ter apenas para a passagem de ano. Mas justifica-se que o governo tente agora controlar ao máximo nestas próximas duas semanas pra depois criar uma espécie de bolha para a época festiva?
Julgo que sim, até porque os dados dos últimos dias não são assim muito animadores. Muito embora haja um número crescente de casos recuperados, a verdade é que temos sempre mais casos novos a cada dia que passa, hoje mesmo com mais de seis mil novos casos. Ou seja, nós não temos este problema controlado. A pressão sobre os serviços de saúde é grande. Hoje há um pouquinho menos de doentes internados, é certo, mas ainda assim a pressão é muito grande e, portanto, não pode haver nenhum descuido. E nos próximos dias, diria semanas, o cuidado é absolutamente necessário.
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