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Em relação à saúde, são os dois indicadores, um sobre a percepção do estado de saúde global e o outro mais relacionado com a saúde mental, frequência com que se tem sentido agitado, ansioso, embaixo ou triste devido ao distanciamento físico. E o que nós vimos aqui, em termos da saúde global, é que ela piorou ao longo da pandemia, de uma forma muito geral, até aqui ao final de novembro e depois entrou numa fase de estabilização. Portanto, com algumas oscilações, mas sem nenhum padrão relevante. Na parte da saúde mental, já houve maiores variações. Houve aqui uma melhoria, com todos os dias ou quase todos os dias a sentir-se agitado, ansioso, triste, com valores mais baixos durante o verão. E aqui na parte final, também alguma oscilação, mas estabilização sem nenhuma tendência relevante nesta última parte. Nesta última quinzena temos de classificação de frequência de muito mau, mau, razoável, 47,3% dos portugueses a identificarem-se com este estado de saúde global, portanto, um em cada dois. E em relação à parte da saúde mental, todos os dias ou quase todos os dias sentiram-se agitados, ansiosos, etc., um em cada quatro dos portugueses identificou-se com se sentido desta pior forma. Em relação aos comportamentos, analisamos quatro indicadores. De uma forma geral, só trago aqui um, este último, mas o padrão é constante nos quatro indicadores, de uma forma geral. Tivemos uma melhoria ao longo da pandemia. Vemos mais ou menos desde o verão, este indicador que está a ser utilizado como exemplo, que usou sempre máscara quando saiu de casa e esteve com outras pessoas, com o sempre a crescer. Houve aqui um decréscimo nas três quinzenas de festas, a quinzena anterior entre 28 de novembro até 8 de janeiro, portanto, tinha havido aqui um decréscimo, tendo depois havido uma recuperação e agora uma estagnação. Este perfil que estamos aqui a identificar, a diminuir o comportamento mais adequado, depois alguma recuperação e estabilização, principalmente nas duas últimas quinzenas, foi igual na frequência com que saiu de casa nas duas últimas semanas sem ser para ir trabalhar, onde, por exemplo, a 11 de dezembro nós estávamos com 35% das pessoas a dizer todos aos quase todos os dias e temos agora 16,4, menos de metade das pessoas em relação ao período de 11 de dezembro. O manteve a distância de dois metros de outras pessoas quando saiu de casa, algumas vezes ou nunca, estávamos com o valor mais elevado, foi a 8 de janeiro, no final da quinzena de 8 de janeiro, portanto, apanhou a parte da passagem do ano, 20%, e agora estamos com 8,4% a 19 de fevereiro, portanto, também menos de metade das pessoas. Nas últimas duas semanas, esteve num grupo com 10 ou mais pessoas que não vivem consigo. Este passou, na quinzena que acabou a 25 de dezembro, de 20% para 1,7% na última quinzena. Portanto, temos aqui uma recuperação muito acentuada neste indicador. E aqui em relação às máscaras, já falei, sendo que o sempre estava 76% a 8 de janeiro e temos agora 92% neste último mês, o que significa que o uso de máscara, per se, já não é um desafio. Poderá haver outros desafios relacionados com o uso das máscaras, mas não propriamente com a utilização de ter ou não ter máscara. Em relação à confiança nos serviços de saúde, foram analisados três indicadores. Nas últimas duas semanas, necessitou de ir a uma consulta médica, o nível de confiança na capacidade de resposta dos serviços de saúde à COVID-19 e o nível de confiança na capacidade de resposta dos serviços de saúde a outras doenças não COVID-19. Entre estes três indicadores, aqui no início, eles mostraram algumas alterações. Neste caso específico, que foi nas últimas duas semanas, necessitou de ir a uma consulta médica, dentro dos que necessitaram, 41%, portanto, teve algumas variações ao longo da pandemia, tinha piorado aqui em dezembro e janeiro e agora teve uma recuperação e houve uma diminuição neste último período de tempo em relação ao "necessitei, mas decidi não ir". Tínhamos 20% a 5 de fevereiro, o valor mais alto verificado ao longo da pandemia, desde que este indicador é medido, que é desde 25 de julho, para 19,3% a 19 de fevereiro sobre esta classe específica do "necessitei, mas decidi não ir". Em relação ao nível de confiança na resposta dos serviços de saúde, tenho aqui paralelamente a COVID e doentes não COVID, todos eles têm o mesmo padrão, desde o verão, piorou ao longo do tempo, depois haveria aqui uma recuperação, voltou a cair, em janeiro caiu abruptamente e desde aí recuperou novamente. Temos, nesta última parte, um padrão semelhante ao indicador anterior. Na subida, na altura pré-festas, queda abrupta em janeiro e recuperação no último indicador. Eles estão, obviamente, em escalas diferentes. O pouco ou nada confiante na COVID-19, tínhamos 57,7% a 22 de janeiro e agora temos 34,3. Há aqui uma queda Uma recuperação clara, passamos de 57% para 34%, e nos não Covid, de 80% a 22 de janeiro, para 67% em fevereiro. Portanto, existe alguma recuperação após uma queda abrupta nestes três indicadores. Em relação à perceção da adequação das medidas implementadas pelo governo no combate à Covid-19. Nós também temos aqui o muito adequadas e o adequadas, e estou a referir-me desde o verão, essencialmente, a uma queda nesta perceção da adequação. Houve aqui alguma recuperação destes indicadores. A queda em janeiro, que também se verificou nestes valores, aqui esta queda foi muito acentuada. A 22 de janeiro, nós tínhamos 68,9% das pessoas a dizerem pouco ou nada a adequação das medidas implementadas pelo governo nesta altura, e tivemos agora uma recuperação já nas últimas duas semanas. Vejam que estes três valores aqui das últimas três quinzenas são os valores mais baixos observados desde que este indicador é medido. Este indicador é medido desde 21 de março, quando começou o nosso barômetro. Quem desenvolve de raiz o Opinião Social, a equipa que é responsável pela coordenação do Opinião Social, são, obviamente, psicólogos e sociólogos e desde o início que eles têm estudado e focado alguns estudos em áreas como as desigualdades, como até a violência doméstica, como grupos vulneráveis, etc., que não têm sido apresentados nesta reunião. Hoje decidimos trazer qual é o modelo teórico que este grupo de psicólogos e sociólogos usa por baixo na sua investigação. Existem vários modelos comportamentais que podem explicar algumas variáveis em relação ao comportamento e o que lhes parece a eles mais adequado é este modelo COM-B, que tem estas três grandes estruturas. É um modelo bastante mais complexo que isso. Está aqui uma roda com 20 ou 30 camadas, mas de uma forma simples, são modelos que usam variáveis do tipo capacidade, oportunidade, motivação e estudam a relação entre elas e o comportamento. E na capacidade, o tipo de variáveis que usam é a aptidão física e psicológica para iniciar a mudança comportamental, portanto, tem a ver com os conhecimentos, com as competências, com as facilidades. Vou diretamente para a oportunidade, que significa os fatores externos ao indivíduo que tornam o comportamento possível ou o originam. E aqui temos muitas vezes facilitadores desta mudança e facilitadores que podem ser em termos de recursos, por exemplo, financeiros ou em termos sociais das normas estabelecidas pelas diferentes comunidades. E todos estes, tanto as variáveis da área da capacidade, como as áreas da oportunidade, influenciam fortemente uma área central no comportamento, que é a área da motivação, que é onde estão os mecanismos deliberados e/ou automáticos que ativam ou inibem o comportamento. E a motivação é algo central na alteração de comportamentos e é algo central no estudo das alterações dos comportamentos. Portanto, o que nós fizemos nesta primeira parte aqui foi centrarmos numa variável que é central na área da motivação e que no fundo já recebe a influência de todas as áreas da capacidade e da oportunidade, que é a perceção de risco. A perceção de risco é das variáveis mais centrais na motivação, que por sua vez é mais central em relação à alteração de comportamentos. Centrando então na perceção de risco de vir a ficar infectados com Covid-19. Nós temos aqui o risco moderado e o risco elevado, sempre com valores bastante elevados ao longo da pandemia. Estou a centrar-me mais nesta primeira fase. Há basicamente dois níveis aqui na altura das festas e houve agora um decréscimo muito grande na perceção de risco de vir a ficar infetado. Esta perceção de risco, por exemplo, aqui a 22 de janeiro, estava na ordem dos 73,5% baixo e sem risco, e estamos agora na ordem dos 56,5% a 19 de fevereiro. Portanto, temos aqui uma alteração na perceção de risco e esta alteração na perceção de risco está normalmente associada à alteração de comportamentos. Esta alteração de comportamentos e de perceção de risco, como vimos no esquema anterior, é uma relação bidirecional e complexa. Tanto a perceção de risco pode levar à alteração de comportamentos, como também a alteração de comportamentos, por exemplo, o fato de nós nos confinarmos totalmente ou de estarmos totalmente fechados em casa, pode levar, obviamente, a uma perceção de risco e não há aqui nem correto, nem errado, porque se realmente estiverem confinados em casa, a perceção de risco de ficar infetado, se for baixa, é concordante. Vejam que há outra questão aqui, que é a perceção individual do risco de ficar infetado. E nós temos também outra medida que estudamos ao longo da pandemia, que é a incidência, que no fundo é a doença na comunidade e que isto é uma perceção de risco ou poderá estar associada a uma perceção de risco na população, que é diferente da perceção de risco do próprio ficar infetado, conforme aquilo que eu já disse. Para todos os efeitos, existem aqui valores mais baixos lá para trás, há aqui uma parte mais elevada, aqui houve valores mais elevados e houve agora uma queda acentuada e aqui houve também uma queda acentuada. Não é de todo uma relação direta, nem tem que ser por tudo aquilo que acabei de dizer. Usando esta medida da incidência na comunidade para definir períodos diferentes e procurando perceber o que é que poderá estar associado a estas percepções mais baixas de risco de ficar infectado, foram definidos seis períodos de tempo, consoante as fases da pandemia e olhando para a incidência, e eu centro-me aqui essencialmente no período três, quatro, cinco e seis. Já estamos em setembro, novembro, depois a queda até janeiro, a grande subida que houve e agora a grande queda que houve e estamos a comparar essencialmente estes quatro períodos. Normalmente, quando nós fazemos a perceção de risco, nós temos que pensar, sendo essa uma medida associada à alteração de comportamentos, onde é que nós queremos alterar os comportamentos. E aqui foi definido o nível de confiança na capacidade de resposta dos serviços de saúde à não-COVID como algo prioritário nesta primeira análise. Foi também analisado, paralelamente, o nível de confiança aos serviços de saúde COVID e a perceção da adequação das medidas implementadas pelo governo, porque já vimos que elas jogam todas umas com as outras, mas esta análise de comportamento é no sentido de desenhar estratégias para haver uma maior confiança na capacidade de resposta dos serviços de saúde e essa relação com a perceção de risco de ficar infectado. E o que foi claro, só focando nestes períodos, é que níveis mais elevados de confiança na capacidade de resposta, seja à COVID-19, seja à não-COVID-19, estão sempre associados a níveis com menor perceção de risco de ficar infectada. Isso é verdade em qualquer período de tempo e seja resposta aos serviços COVID, resposta a serviços não-COVID, foram feitos através de modelos e portanto com os riscos sempre superiores a um e mesmo após o ajustamento, mesmo retirando o efeito do sexo, da idade e da escolaridade. Em relação aos dois momentos positivos e positivos no sentido da doença, da incidência, quando estão a decrescer, P4 e P6, ou em momentos negativos, quando a incidência estava a crescer em P3 e em P5, em P4, já disse que essa relação é sempre no sentido de maiores confianças, menores percepções de risco, mas ela é muito mais forte em períodos positivos, ou seja, em períodos de decréscimo de incidência do que em períodos negativos. Portanto, apesar de manterem o mesmo sentido, elas são muito mais fortes, estas relações, em momentos positivos do que em momentos negativos. E em relação aos serviços não-COVID, a relação mais forte que foi identificada com o risco de dois, foi realmente aqui neste período P6, nesta descida muito acentuada da incidência. Em forma de conclusão desta apresentação, no estado de saúde global e mental, a saúde global piorou ao longo da pandemia até final de novembro, saúde mental com variações ao longo da pandemia, melhor no verão e na época natalícia, ambos recentemente com padrões com poucas oscilações e padrões não relevantes. Os piores estados continuam a ser as mulheres, na parte da saúde global, os mais velhos e menor escolaridade, e na saúde mental, os mais jovens e com escolaridade intermédia. Portanto, mantém-se mais ou menos o mesmo padrão. E este é o perfil do zoom desta última quinzena, mas mantém-se mais ou menos o mesmo padrão que tem sido verificado ao longo do tempo. Nos comportamentos, nos quatro indicadores apresentados, tinha havido uma melhoria ao longo da pandemia. Nas três quinzenas de festas tinha invertido, tinha depois recuperado e estabilizado agora nas últimas três semanas e continua o perfil de homens e mais jovens maioritariamente associados a comportamentos menos adequados. A escolaridade depende do indicador, já o efeito que tem. Em relação à confiança na capacidade de resposta dos serviços de saúde e a perceção da adequação das medidas implementadas pelo governo no combate à COVID-19, com variações ao longo da pandemia, diminuição da confiança em todos os indicadores em dezembro e janeiro, mas houve agora esta recuperação que indiquei. Menores níveis de confiança associados a menores escolaridades, sem padrão constante ao nível do sexo e de escolaridade. Já em relação à adequação das medidas do governo, é um padrão diferente, são maioritariamente homens e com idades superiores aos 25 anos. A perceção de risco de vir a ficar infectado com COVID-19, e aqui na perspectiva da recuperação da confiança dos serviços de saúde não-COVID e segundo o modelo sociocomportamental definido. A relação entre as variáveis, perceção de risco, confiança nos serviços de saúde e adequação das medidas, permite alinhar estratégias para a recuperação não-COVID e COVID. O facto de haver alinhamento destas variáveis cria espaço às áreas das ciências sociocomportamentais para definirem as medidas, porque existe uma relação direta entre eles. Temporalmente, aparentemente, estas relações são muito imediatas, não há aqui uma demora entre a alteração numa destas variáveis e nas outras variáveis e este racional está aí ainda, e obviamente em desenvolvimento nesta dimensão da recuperação dos serviços e também em outras dimensões da área da alteração dos comportamentos. Para terminar, e literalmente em nota de rodapé, em relação às vacinas, mantêm-se os valores muito elevados de confiança e a intenção de tomar assim que possível e, portanto, não trouxemos os valores, são já estabilizados e muito elevados, como tem sido mostrado. Muito obrigada.

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