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Senhora Presidente, senhoras e senhores deputadas. Durante este debate do Estado da Nação, ouvimos uma ideia repetida que ao longo de 16 meses se foi repetindo também: que o colapso do país está iminente, que o Estado se mostra incapaz de responder às circunstâncias que assolam o país e que o Governo está esgotado e sem um projeto de futuro. Na verdade, ao longo destes 16 meses, só na frente econômica, de que me ocupo mais de perto, ouvimos dizer que os apoios dirigidos às empresas seriam insuficientes, que o desemprego seria galopante e a crise social dramática, que as falências destruiriam o tecido produtivo, que as finanças públicas se descontrolariam, a dívida se tornaria insuportável e a União Europeia precipitaria a austeridade. A catástrofe estaria aí, na próxima oportunidade. E hoje voltamos a ouvir isso. No outono, para o qual o SNS não estaria preparado, nas novas restrições que ao longo deste ano foram tendo que ser impostas e que encerrariam definitivamente as empresas afetadas e agora com a retirada dos apoios públicos. Esses apoios que passaram de insuficientes para indispensáveis. Agora, o que anuncia o apocalipse é o chamado fim das moratórias, a nova barca do inferno da economia portuguesa. Não há que negar o impacto muito adverso que esta pandemia teve na nossa sociedade e na nossa economia. E, no entanto, sempre as empresas persistiram, sempre o país enfrentou estas adversidades. O Governo foi sempre estendendo apoios à medida das circunstâncias e já garantiu que estes se manterão enquanto tal se mostrar necessário. Já renovamos os apoios às atividades que se encontram encerradas, designadamente aos setores da animação noturna. Já desenhámos uma solução para apoiar as empresas dos setores mais afetados a enfrentar o fim das moratórias bancárias. Há que continuar a trabalhar, não lamentando os tempos, mas trabalhando para relançar o país. Empenhámo-nos na proteção do rendimento das famílias, alargando o âmbito das prestações sociais existentes ou criando novas prestações. Três milhões de pessoas beneficiaram deste apoio e conseguimos com isso que, em média, o rendimento disponível das famílias aumentasse ao longo do ano de 2020. Foi precisamente isso que permitiu que o consumo privado voltasse a recuperar já durante o trimestre que agora cessou. Afirmámos o nosso propósito de proteger o emprego e preservar a capacidade produtiva das empresas. Como várias vezes afirmámos, o nosso objetivo não era eliminar o impacto da crise, mas assegurar que as empresas conseguiam responder à procura assim que esta pudesse renascer quando se aliviassem as restrições. E foi precisamente isso que sucedeu. Os 5400 milhões de euros de apoios a fundo perdido que dirigimos às empresas, as moratórias bancárias, as linhas de crédito lançadas conseguiram manter a capacidade produtiva e foi precisamente por isso que a cada quebra do produto, quando cresciam as restrições, a economia reagia quando estas eram levantadas. 13,3% de crescimento econômico no segundo trimestre do ano passado. Outro tanto, ou talvez mais, no segundo trimestre deste ano. As exportações de bens aumentaram a sua competitividade e atingiram nos primeiros cinco meses de 2021 valores superiores àqueles que tínhamos no período homólogo de 2019. O investimento privado cresceu neste mesmo período e durante o ano passado, Portugal cresceu no ranking dos países europeus que mais investimento direto estrangeiro recebe. O emprego surpreendeu-nos a todos. A taxa de desemprego manteve-se firme ao longo dos últimos 12 meses e em junho, o total dos desempregados inscritos no Centro de Emprego caiu 24 mil pessoas, ou 6%. A capacidade de preservar emprego e continuar a criá-lo é a mais saudável demonstração da extraordinária flexibilidade das nossas empresas e da justeza das nossas políticas económicas. Esta semana ainda, o Banco de Portugal surpreendeu-nos com uma nova notícia. De acordo com o banco, o rácio da autonomia financeira das empresas aumentou no primeiro trimestre deste ano para 40,1%. Apesar da quebra de receitas, do aumento de crédito às empresas por via da ação do Banco de Fomento, apesar de em muitos setores os capitais próprios das empresas terem sido afetados, ainda assim, a rentabilidade e a capitalização, em média, das nossas empresas aumentou. Continuaremos a trabalhar com as empresas para reforçar a sua capitalização com uma medida que é absolutamente inédita no conjunto dos planos de recuperação nacional, que é uma linha para a capitalização das nossas empresas. Nenhum outro Estado-membro tem a mesma medida. Trabalhando com o Banco de Fomento, que aqui o líder parlamentar do PSD atacou, mas que os governos das regiões autónomas do seu partido pretendem ver a sua ação estendida precisamente às empresas e aos territórios dessas regiões. Vamos continuar a trabalhar com literalmente centenas de empresas, milhares de empresas e investigadores, no sentido de continuarmos a apoiar o investimento em novos produtos, mais inovadores, orientados para os mercados externos, na qualificação dos nossos recursos humanos, na digitalização do país, levando fibra ótica a todo o território e assegurando a cobertura integral do mesmo em redes móveis de 4G e 5G, através de recursos públicos de origem nacional e europeia. Usaremos as tecnologias digitais para transformar a nossa administração pública e melhorar os serviços aos cidadãos, numa agenda para a década, numa agenda de futuro com os portugueses. Muito obrigado.

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