Andy Burnham mostrou-se disponível a oferecer um pedido de desculpas formal pelo papel do Reino Unido no comércio de escravos, escreve num artigo de opinião escrito no The Guardian. Mas mesmo que se mostre disposto a dar este passo inédito para um primeiro-ministro britânico, admite que as reparações financeiras muitas vezes exigidas “não são a solução”.
O chefe do Governo do Reino Unido, a caminho de uma conferência de líderes da Commonwealth onde o tema será central, nas Caraíbas, explica que tal como Londres “liderou o mundo na abolição da escravatura”, pode voltar a “liderar” através do diálogo com as vítimas do negócio da escravatura. “Não se pode obrigar os britânicos a pagar pelos erros da escravatura – mas temos de enfrentar a nossa história complexa”, escreve o primeiro-ministro, no título do seu artigo publicado esta sexta-feira.
A emissão de um pedido de desculpas formal dependerá do diálogo com as antigas colónias britânicas, mas Burnham explica que a sua intenção com estas declarações pré-conferência é partilhar a sua “tristeza e arrependimento” com o sofrimento dos milhões que foram afetados pelo comércio de escravos a partir de Londres.
Confessa, porém, que não acredita que os britânicos, atualmente, “possam ser responsabilizados por erros históricos, por mais hediondos que sejam, que ocorreram numa época diferente, ao abrigo de leis diferentes, e nos quais não tiveram qualquer participação pessoal”. As reparações não são “a resposta certa”, reforça o primeiro-ministro.
Defendendo um “diálogo estruturado” com os países afetados pelo negócio da escravatura, refere que o foco é “construir um futuro em que as pessoas, tanto no país como no estrangeiro, vivam com mais paz e prosperidade”.
Como mais de 40% destes países “gastam mais no pagamento de juros do que nos próprios sistemas de saúde”, o primeiro-ministro diz que quer lançar uma “nova iniciativa em matéria de dívida, trabalhando com os nossos parceiros globais para ajudar estes países a reembolsar a dívida ao longo de um período mais alargado e com melhores condições”. Assim, anuncia uma parceria conjunta com o ministro das Finanças e dos Negócios Estrangeiros, mas também com o ex-primeiro-ministro Gordon Brown para elaborar esta estratégia.
Andy Burnham escreve também que se deve “ter estas conversas difíceis para salvaguardar o futuro da Commonwealth”, referindo que é um “ato patriótico”. “Não apenas porque é do nosso interesse, mas porque o Reino Unido em que acredito é confiante, íntegro e corajoso”, conclui.
[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]