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Boa noite. Tivemos a ocasião de transmitir à Sua Excelência, o Sr. Presidente da República, a nossa posição relativamente à situação grave que o país vive e que acrescentou aos muitos problemas sociais e económicos que o país enfrenta já há vários meses a esta parte, que têm colocado as famílias portuguesas sob uma grande pressão, seja porque estão a pagar uma carga de impostos muito elevada, seja porque não têm obtido as respostas dos serviços públicos que procuram, nomeadamente em áreas fundamentais como a saúde, como a educação, como a habitação, como os transportes, como a segurança, em muitas ocasiões. Acrescentamos a tudo isso também uma crise política e governativa. E eu diria que a nossa posição pode ser sintetizada da seguinte forma: é preciso cortar o mal pela raiz, é preciso iniciar um ciclo novo, é preciso ouvir o povo português e dar a um futuro governo a autoridade política que só o voto é capaz de conferir, para precisamente poder intervir de forma estrutural, estratégica nos grandes desígnios que Portugal tem para os próximos anos. Tivemos a ocasião de oferecer ao Sr. Presidente da República os nossos argumentos que sustentam, a nosso ver, de uma forma muito consistente, a necessidade de termos eleições legislativas antecipadas, que legitimem, através da vontade política do povo, um governo com capacidade reformadora, com capacidade transformadora e também com capacidade de diálogo com o país. É muito importante que os portugueses saibam que o nosso propósito não é um propósito de confrontação. Com certeza que as eleições trarão a confrontação política e partidária, mas o nosso propósito é precisamente o contrário, é unir o país. É preciso unir o país para resolver problemas tão prementes para a vida cotidiana dos portugueses, como sejam estes que eu elenquei, a que se acrescentam fatores mais desafiantes, como por exemplo, toda a pressão demográfica que Portugal viverá nos próximos anos, com uma população cada vez mais envelhecida, com uma incapacidade de podermos reter os nossos jovens mais qualificados, que é aquilo que tem sido o trajeto dos últimos anos em Portugal. A capacidade de diálogo envolve, sobretudo, a sociedade. É para essa que eu me dirijo. Nós queremos unir o povo português, queremos agregar mesmo aqueles que têm ideias políticas diferentes das nossas para enfrentarmos com sentido de responsabilidade, mas também com muita ambição, os desafios que são muito relevantes que temos pela frente. Nós precisamos ter um país que tenha taxas de crescimento econômico muito mais robustas do que aquilo que tem tido, que, por via disso, possa ser mais atrativo para os nossos jovens mais qualificados, que possa pagar melhores salários aos trabalhadores e que possa também, por via disso, por via da criação de riqueza e não da asfixia fiscal, dar ao Estado os meios de que o Estado precisa para cumprir as suas funções sociais e também as suas funções soberanas. Precisamos de iniciar um ciclo novo, visto que este que agora acaba, é marcado por uma palavra: empobrecimento. Nós temos mais pobres em 2023 do que aquilo que estávamos em 2015, que foi um ciclo político, 2011 a 2015, de recuperação e de afirmação, ao contrário deste, que foi de definhamento. O que é desejável para o futuro do país é que esta situação de instabilidade política se resolva o mais rápido que for possível e, portanto, tudo aquilo que possa ser acelerado, deve ser acelerado. Não podemos deixar de registrar também o nosso respeito democrático por aquilo que acontece em outros partidos políticos, em particular no Partido Socialista. Evidentemente que estará prestes a iniciar-se um processo de substituição da sua liderança e, de acordo com isso, o calendário eleitoral terá de oferecer essa oportunidade ao Partido Socialista. Mas já não é a primeira nem a segunda vez que na nossa história democrática um processo desta natureza acontece e creio que há um espaço temporal de dois meses, mais qualquer coisa, em que tudo isso pode acontecer. E repito, a pensar na vida das pessoas, a pensar no dia a dia dos portugueses, o país tenha um governo novo, rejuvenescido, com mais ambição, com mais autoridade política, capaz de restabelecer o prestígio das instituições, o funcionamento regular das instituições democráticas e também das instituições sociais. Daí o diálogo com a sociedade que falava com o associativismo laboral, empresarial, com o setor social, com todos aqueles que no dia a dia vão construindo uma sociedade que quer ser mais justa e que quer ter um progresso econômico capaz, precisamente, de garantir essa justiça social. Eu também tenho que ser justo com as perguntas dos jornalistas. Eu sei que já colocou algumas, tenho que dar agora oportunidade a outros colegas seus. Faça favor. Permita-me que divida a minha resposta nas duas questões que coloca. Quanto à primeira questão, respeitará que não serei eu a transmitir as percepções sobre aquilo que o senhor Presidente da República nos disse e, portanto, não falarei de maneira nenhuma, nem gostaria que interpretassem das minhas palavras qualquer significado sobre as posições do senhor Presidente da República. Só ele transmitirá ao país aquilo que entende sobre a situação política e sobre aquilo que deve acontecer no futuro. Sobre a segunda parte, que é a posição do PSD, que é aquela que eu aqui veiculo, o que lhe posso dizer é o seguinte: eu quero que o país possa ter o mínimo Impacto negativo, se for possível, com a situação criada com a demissão do Primeiro-Ministro e com o facto do edifício governativo ter ruído por dentro. E para isso, naturalmente, ter ou não ter orçamento pode vir a ser relevante. É importante que o Governo muito rapidamente possa esclarecer o país, mas antes disso até os outros órgãos de soberania, o Sr. Presidente da República e a Assembleia da República, sobre as vantagens e desvantagens de termos um orçamento em vigor no próximo dia um, sendo certo que aquilo que a nós nos preocupa é que precisamente a decisão possa ser a que cause menos impacto na vida das pessoas. Se estiver em causa a execução de investimentos públicos que têm financiamento no PRR e prazo para ser concluídos, se estiver em causa a atualização salarial na administração pública, o pagamento com as atualizações das pensões, a redução de alguma carga fiscal, se isso for possível, embora este orçamento não o faça de uma forma geral, porque apesar de ter uma redução do IRS, tem uma carga fiscal associada a outros impostos que supera muito essa redução. Se nesse contexto se vier a concluir que é mais útil ter um orçamento, ainda que não seja o nosso orçamento, o orçamento que nós apoiamos, porque nós, como sabem, votamos contra esta proposta de orçamento, do que não ter, o PSD não criará nenhum obstáculo sobre isso. O que leva o Presidente da República a ter alguma Não me leva a mal, acho que a própria forma como coloca a pergunta, com todo o respeito, extravasa aquilo que é a posição do Sr. Presidente da República. Como disse, será ele a veicular a sua posição, mas eu contesto que ele alguma vez se tenha pronunciado nos termos que enunciou. O 5 de fevereiro é uma data provável para essa decisão? Não percebi. 5 de fevereiro é uma data provável para essa decisão? Neste momento, não fomos ouvidos sobre a data. Aquilo que importa é que a nossa posição é que as eleições se realizem o quanto antes. Nós precisamos de um governo legitimado pela vontade do povo português rapidamente e, portanto, será no contexto de haver uma decisão de dissolução, que cabe ao Presidente da República tomar, demarcação das eleições e de funcionamento democrático, funcionamento esse que tem subjacente as condições de disputa eleitoral mínimas e, no caso concreto, de haver uma nova liderança do Partido Socialista. Não tinha outro falado também à atuação da Justiça neste caso em particular, até mesmo no processo político? Não, nós falamos sobre a situação política que urge ultrapassar, dar um governo novo a Portugal, concentrar no governo da nação a capacidade transformadora da sociedade, com a salvaguarda do prestígio das instituições, do regular funcionamento das instituições. Bom trabalho e muito obrigado.