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Vamos começar a 13ª convenção e desejo que seja cheia de energia, debate, força e proposta. Sei que já é. A preparação da convenção foi um processo de debate e construção de ideias que se estendeu por quatro meses, com reuniões e debates em todo o país, e mobilizou muitas e muitos ativistas. Saúdo, portanto, a enorme dedicação de quem se organizou em moções e plataformas, escreveu e apresentou as suas ideias, de quem organizou reuniões, fez listas, participou em assembleias. Saúdo essa força militante de quem arranjou as salas, de quem enviou as cartas com a informação, de quem organizou os textos e de quem, nestes dois dias, se organiza nas múltiplas tarefas voluntárias que permitem este nosso encontro.
São 654 os delegados que estão presentes, de acordo com a informação do partido nesta 13ª convenção.
Especialmente quem se levantou de madrugada para aqui estar, quem preparou as suas intervenções, quem acolheu camaradas de outras terras, quem organizou autocarros. Saúdo quem já conhece as convenções de cor e quem aqui está pela primeira vez. Esta é a nossa casa comum. Construí-la é uma felicidade.
Catarina Martins está a fazer o discurso de abertura desta 13ª convenção do Bloco de Esquerda.
Sei bem que as camaradagens, a dedicação, o trato franco, a luta ombro a ombro não se comemoram, partilham-se. Mas permitam-me que hoje vos diga quão grata estou pelo privilégio de ter seguido convosco no caminho destes últimos anos, 11 anos, e pelo que mais virá.
Catarina Martins foi a líder do Bloco de Esquerda durante 11 anos.
Não preciso vos dizer da inteligência, da combatividade e da entrega do Francisco Louçã, mas quero que saibam da sua enorme generosidade. Esteve presente sempre que precisei e deu sempre o espaço para que a coordenação não fosse uma substituição impossível, mas sim a construção coletiva que fomos fazendo.
Elogiou agora Francisco Louçã, que está também presente aqui no Pavilhão do Casal Vistoso.
É a generosidade do Luís Fazenda, é a generosidade do Fernando Rosas, que souberam reinventar a sua intervenção no Bloco de Esquerda e nos ensinaram a todas que as gerações não se atropelam nem se substituem. As gerações no Bloco de Esquerda reforçam-se, acrescentam-se.
Elogios de Catarina Martins a alguns dos históricos do partido que estão aqui para acompanhar também esta convenção.
Saberão que guardo do Miguel Portas o conselho certeiro de evitar a todo o custo perder tempo com o desnecessário para me focar sempre no essencial, mas também nunca deixar de me preocupar com a cultura e estar atento ao que vem de novo. Tivesse a política mais poesia e seria mais certeira e mais rápida a ver o que vem.
Nota de agradecimento por parte de Catarina Martins a Miguel Portas, antigo eurodeputado do partido que morreu em 2012.
Devo ainda dizer-vos que poucas coisas me orgulham mais do que ver finalmente promulgada a lei que despenaliza a morte medicamente assistida. Não é o único legado que nos deixa, longe disso, mas esta particular combinação de exigência e tolerância é a lei João Semedo, e Portugal deve agradecer-lhe a generosidade com que se dedicou a esta causa, como ao Serviço Nacional de Saúde, até ao último dos seus dias.
João Semedo, mais um histórico do Bloco de Esquerda que é referido no discurso de abertura desta convenção. Morreu em 2018.
Obrigada, Cristina.
Água entregue a Catarina Martins.
11 anos sem precisar de água? Enfim.
Faz uma pequena pausa no discurso.
Na sua fundação, o Bloco começou por enfrentar grandes desafios e não era só mudar o mapa político. Era apoiar a luta pela independência de Timor e enfrentar várias guerras. Aquela com que a NATO destruiu a Jugoslávia e as invasões do Afeganistão e do Iraque. Na nossa fundação, está a luta pela autodeterminação dos povos. Quero lembrar, por isso, as vozes de quem fundou o Bloco por nunca terem hesitado nesse princípio de combate a todos os imperialismos em nome de todos os povos. E aqui estamos, hoje, como sempre. Quero deixar também um agradecimento ao líder parlamentar do Bloco, Pedro Filipe Soares, pela sua capacidade de diálogo, pelo rigor que põe na luta por cada uma das questões fundamentais do nosso programa, pela forma como organiza a nossa voz no Parlamento e, se me permitem, pela extraordinária solidariedade nas tarefas destes dias tão longos que partilhamos. Neste caminho, têm um lugar especial as minhas camaradas. O Bloco foi fundado também por movimentos feministas e faz hoje 23 anos que a violência doméstica é crime público, a primeira lei que o Bloco de Esquerda apresentou.
Catarina Martins a passar em revista algumas das leis que fez aprovar na Assembleia da República.
Quero agradecer a essas camaradas fundadoras que abriram caminho, que decidiram que não iam pedir licença a ninguém e que nos ensinaram a responsabilidade da sororidade. E quero assinalar as que, como eu, se juntaram depois e tanto que lhes devemos. As que, como a Marisa e a Mariana, estiveram sempre mão na mão nos tempos mais difíceis e tantas outras, elas sabem quem são e eu não as esqueço. Obrigada. E quero dizer-vos das que se juntaram, entretanto. Destas jovens feministas, as mais novas de nós, a quem nem passa pela cabeça aturar o paternalismo que as gerações anteriores tantas vezes perdoaram e que estão cheias de razão. Que orgulho nestas cabeças erguidas. Que orgulho estar neste partido de mulheres e homens feministas, de gente feminista que aprende entre si. Não porque é fácil, mas precisamente porque nós decidimos fazer todos os dias o que é mais difícil: construir igualdade. É isso, o Bloco de Esquerda. Camaradas, ao fazer agora esta última intervenção como coordenadora do Bloco de Esquerda, não ouçam uma despedida. Termina o mandato, continuo a caminhar aqui, como sempre, e se olho este percurso, muito mais do que um balanço, estou a fazer um balanço para o futuro. O privilégio de fazer parte das tantas lutas concretas pela igualdade e pelo respeito é isso que nos dá força para tudo o que está por vir. Uma década é pouco tempo, mas conta muito pra quem vive tão intensamente este ativismo de querer mudar o mundo. A equipa que me acompanhou bem pode queixar-se de fazermos uma volta ao mundo de carro e de comboio a cada ano, talvez duas, quando há campanhas eleitorais. Fomos sempre onde foi preciso e eu gosto muito. Gosto muito de ir a todo lado, gosto muito deste nosso país, em que há uma associação cultural fulgurante em qualquer vila, em qualquer lugar, onde o antigo e o novo se tecem em conjunto e nem vos consigo contar das alegrias, da simpatia, da vontade indomável que encontrámos em tanta gente. Quem pensa que Portugal está condenado à vida sombria ou mede o nosso povo pela comparação com o PIB não sei da onde, não percebe quem somos. Nem faz ideia que há esta memória viva do 25 de Abril que aqui está. Aqui houve o princípio de uma revolução, derrubou-se uma ditadura e a liberdade é mais do que uma bandeira, é o que nos corre nas veias e é assim que nós enfrentamos os problemas. Hoje falo-vos do que não desistimos nunca de conquistar e do que conseguimos com a força do Bloco de Esquerda nestes anos. Conseguimos a vinculação de dezenas de milhares de pessoas que trabalhavam para o Estado e não tinham um dia de férias pago porque eram precárias. É pouco? Para esta gente significou respeito e isso é tanto. Estivemos com as trabalhadoras das limpezas e do cuidado. A maioria mulheres, a maioria negras, a maioria imigrantes, a exigir contrato. É coisa pequena? É gigantesco. A luta faz-se com toda a gente e o Bloco de Esquerda foi ter e vai ter com toda a gente. Ouvimos quem trabalha isolado e à distância, presa no computador. Juntámos trabalhadores das plataformas pelo direito a um salário. Soubemos de quem foi abandonado na pandemia. Desenhámos novas exigências de respeito e solidariedade. Foi perante as dificuldades que mais nos empenhámos em responder por estas pessoas. Queremos saber delas, uma a uma. Queremos dizer o nome de cada uma destas mulheres e homens, são o nosso povo. Começámos a construir justiça para o acesso à reforma de quem começou a trabalhar criança, no longo caminho, para garantir o direito de pensão aos 40 anos de trabalho, de que não desistimos. Garantimos manuais escolares gratuitos para as crianças e jovens do ensino obrigatório. Conseguimos transportes públicos gratuitos para jovens e idosos e passes família. E o que não é menos, conseguimos o respeito na lei por todas as famílias. O amor não pode ser limitado pelo preconceito. Temos orgulho na liberdade que nunca devia ter sido negada a cada pessoa.
Estamos a acompanhar o discurso de abertura da 13ª convenção do Bloco de Esquerda. É o último de Catarina Martins à frente do partido.
Lá nos cantos financeiros, denunciámos a pirataria das privatizações e os banqueiros e CEOs que prejudicaram o país. Combatemos a corrupção, o compadrio e o clientelismo. E se agora nos dizem que é importante, lembrem-se que era o Bloco de Esquerda que Ricardo Salgado tratava como seu inimigo e tinha toda a razão. É uma honra para nós termos mostrado que crime é crime e que foram os banqueiros quem assaltou os bancos. Estivemos à porta de tantas fábricas fechadas, a apoiar quem reclamava os salários em falta e seguimos cada caso, mesmo quando se arrastava na justiça e nos labirintos da fuga de capitais. Travámos despejos, defendemos tantas vezes com o corpo as pessoas ameaçadas pela demolição das suas casas e que iam ficar sem teto. Autarca do Bloco não se assusta, vai à luta. Que grande orgulho! Abraçamos quem perdeu tudo nos incêndios florestais e nunca desistimos de uma política que torne a floresta e as zonas rurais lugares onde se possa viver bem. Perante cada injustiça, transformámos a raiva em luta e em proposta. Fizemos sessões públicas abertas a toda a gente, de norte a sul do país, no interior, no litoral, nas ilhas. Conversámos sobre tudo. Criámos festivais de cultura e intervenção que afirmaram espaço próprio, como o Desobdoc e a Sementeira. Demos voz a quem cuida. Lutamos com quem quer uma vida independente e recusa que a deficiência seja condenação a uma cidadania de segunda. Juntámos especialistas para construir propostas na saúde, no clima, na habitação, na educação, na justiça. Aprendemos sempre mais a trabalhar em soluções concretas. Temos orgulho nelas. Batemo-nos por elas. Não desistimos de nada. Foi sempre assim. Foi em nome dessa coerência que promovemos e assinámos os acordos da Geringonça, que ajudámos a salvar o país da direita e não nos submetemos nunca à ideia peregrina de que bastaria um acordo de cavalheiros para um compromisso de medidas. Tem de haver honra e fidelidade aos acordos na política, mas o povo tem o direito de saber o que vai ser feito, quando e como, e isso é um acordo transparente para toda a gente conhecer. Foi sempre assim. Fomos unitários contra o sectarismo e nunca deixaremos de o ser. Queremos toda a força da esquerda junta, porque não é demais para enfrentar a casta oligárquica que manda em Portugal. Camaradas, vivemos tempos difíceis e não estou a falar do Bloco. É certo que a derrota eleitoral do ano passado deixou feridas, mas volto a dizer o que já me ouviram: não nos arrependemos da coerência. Fizemos o que tínhamos de fazer e voltaríamos a fazer o mesmo enfrentamento com o Governo nos orçamentos a propósito da saúde e dos direitos laborais. Portanto, que ninguém se engane sobre quem somos e como somos. Respeitamos quem tinha votado no Bloco e que por medo da direita ou por preferir uma maioria absoluta, apoiou o PS há um ano. Mas faremos sempre o mesmo quando nos disserem para escolher entre uma conveniência partidária e o cuidado que a democracia deve ao Serviço Nacional de Saúde ou ao direito de quem trabalha. Escolhemos e escolheremos a coerência e o compromisso com soluções que salvam vidas, que ajudam quem está doente, que dão ao pobre e ao remediado a garantia de que não deve ser cuidado nos nossos hospitais públicos de forma diferente da pessoa mais poderosa no mundo. E se assim fazemos, é porque respeitamos sempre o nosso mandato. Temos um compromisso com o povo e é por isso que somos esquerda de confiança. É na nossa coerência que se alicerça o crescimento que já sentimos na rua e que até as sondagens já reconhecem. Se agora estamos a recuperar força, é por levarmos o país a sério e levarmos a sério o compromisso de quem confiou em nós. Não cedemos à chantagem e não preciso vos dizer como é importante que o povo tenha essa certeza que aqui está gente que nem verga, nem quebra.
Catarina Martins, numa nova fase do discurso a justificar, no fundo, o afastamento do Partido Socialista e a dar conta de que o trabalho que tem sido feito desde as últimas eleições já está a ser reconhecido.
António Costa procurou qualquer acordo à esquerda em 2019 para dois anos depois provocar uma crise política e ter maioria absoluta. Foi uma artimanha de que saiu vencedor. E agora não sabe o que é que há de fazer com a sua vitória e é consumido pela pior das situações. O governo pouco faz e não tem desculpa nenhuma. Pediu todo o poder para uma maioria absoluta e num ano e meio desbaratou a confiança de boa parte dos seus eleitores. A maioria absoluta do PS é tudo o que se podia esperar de uma maioria absoluta. O partido usa o aparelho do Estado, perde-se em guerras internas e Portugal assiste incrédulo a um governo paralisado e enredado nos seus próprios erros. Bem pode o PS vitimizar-se, mas não foram o Covid e a guerra que criaram as dificuldades atuais. Não foi nenhuma oposição que criou qualquer dos problemas que os ministros inventam. São todos autoinflingidos e a arrogância só os amplifica. E é assim que se entretém uma degradação da vida pública em que o PS se tornou o padrasto de todo o populismo. No entanto, é preciso constatar que esta triste telenovela da crise governamental é a menor das adversidades do país. A maior dificuldade é mesmo a de um modelo de economia e de injustiça social que destrói Portugal. É uma economia que vive de baixos salários e alta especulação, que dá o poder a setores rentistas e extrativistas que arrasam trabalhadores e ambiente. Um modelo de economia devorada pelo turismo, mesmo que quem o sirva já não tenha onde morar, onde nunca há regadio intensivo a mais, mesmo que a seca se agrave a cada ano que passa. Uma economia da desigualdade, em que aumentam os lucros dos supermercados e o número de pessoas que não consegue sequer comprar o que comer. Este é um governo que dá benefícios fiscais a quem mais tem, para cobrar de forma desproporcionada a quem ganha salários que dificilmente chegam ao fim do mês e se sente abandonado e explorado, porque lhe falta o transporte, falta-lhe o médico de família, falta-lhe o professor na escola do filho. Um país onde se multiplicam os empregos precários de baixo salário, mas onde o governo anuncia triunfante que a economia nunca esteve melhor. Sejamos claros, todos estes problemas estruturais foram agravados porque o PS, com maioria absoluta, achou que chegara o seu momento cavaquista. Não foi porque a negociação lhes tirava horas de sono que o PS recusou qualquer entendimento com a esquerda. Foi mesmo porque quis uma política no avesso da esquerda. E hoje, encena confrontos vazios com a direita enquanto lhe copia as políticas. Debate-se arrendamento compulsivo ou limites ao alojamento local? Sim, mas só para ficar tudo na mesma, não haverá uma única casa arrendada neste esquema. Pegam-se razões sobre se o Serviço Nacional de Saúde deve ou não ser privatizado? Sim, mas entregam uma parte cada vez maior do orçamento do SNS à saúde privada. Gritam contra a extrema-direita? Sem dúvida, mas privam o povo de um projeto de democracia e estado social em que se possa acreditar. O maior perigo talvez seja mesmo este jogo de espelhos, em que os avanços são sempre simbólicos e a vida concreta é sempre um recuo. Mesmo no confronto com a extrema-direita, na defesa de valores de dignidade e respeito, da igualdade e das liberdades, ao negar as condições concretas do salário, do serviço público, da habitação, ao fazer dos serviços secretos um misterioso joguete, ao propor restrições constitucionais perigosas, o PS está a contaminar todo o debate democrático e estender a passadeira ao regresso dos piores fantasmas do passado. Divide o povo e alimenta o ódio quem quer convencer o pobre que a culpa da sua situação é do mais miserável, ou do imigrante, ou da mulher. Mas também divide o povo, porque alimenta as ervas daninhas do ressentimento, quem proclama vitórias enquanto o povo só sente a sua vida andar para trás. .
Catarina Martins, numa fase do discurso com muitas críticas à governação socialista, diz mesmo que o PS achou que chegou o seu momento cavaquista, quis uma política no avesso da esquerda.
Alice Neto Sousa, jovem lisboeta afrodescendente, nas suas palavras, poeta cor de pele, que já pintou a carta de alforria. Quando foi convidada a comemorar os 50 anos do 25 de abril, lembrou que a liberdade que vê da janela é um estado líquido, aquoso. São os sem-abrigo parados no Chiado. É mais um tacho a raspar de uma família. Escrevia ela: "Não somos todos iguais, que as chuvas que molham uns, silenciam todos os demais." Aqui, recusamos o silêncio e com Alice, repetimos: a liberdade é a trincheira dos meus dias. É aí que nos encontramos. É nessas grandes mobilizações unitárias, que juntam gente diferente, que juntam urgências concretas, que mostram que a esquerda é da praça e da rua, é o povo que fala e tem voz forte e vai crescer, já está a crescer. Camaradas, reparam, há quatro anos, António Costa virou o país contra os professores. Ameaçou a queda do governo se os professores recuperassem o tempo de serviço que tinham prestado. Hoje, um ano letivo inteiro de luta e o país continua ao lado dos professores porque sabe que têm razão. A extraordinária luta das professoras das escolas é a luta pelo futuro. O apoio popular a esta luta é a prova que algo está a mudar. Há um país farto de chantagem e que está mais exigente. Lembram-se também que António Costa ameaçou recorrer ao Tribunal Constitucional e a outros tribunais, se fosse preciso, todos os tribunais, quando o Parlamento decidiu que não havia mais pagamentos ao Novo Banco antes das suas contas serem certificadas? Já lá iam mais de 3 mil milhões de euros. Demissão, tribunal, olhem para trás. Lembrem-se do que foi a chantagem desde que a Geringonça acabou em 2019. Só que agora, uma boa parte da população está farta. O apoio às greves nos transportes, mesmo por quem sofre na pele a falta do transporte, é o eco dessa solidariedade de um país que não quer mais salários de miséria. As lutas pela justiça, as lutas pela saúde estão aí. A força das mais jovens gerações a ocupar as ruas e as escolas, em nome do clima e em nome da igualdade. O 8 de março, que é a enorme maré feminista, as marchas do orgulho que levam as cores do arco-íris a todo o país, o grito antirracista que nem a pandemia travou, as manifestações pela habitação, aí estão. Como na poesia poderosa da Alice Neto de Sousa: "Dá-me um cravo na boca para recomeçar, que mesmo com os corações desafinados, vamos marchar, marchar, marchar." É assim Portugal, é todo um país que exige futuro de cabeça erguida e é aí que nos encontramos. Essa força não quer saber dos jogos de direita. Essa força é a força anticonservadora, é a esquerda, é a força da alternativa. Essa é a força, é a nossa luta. E é por isso que esta é a convenção de quem leva o país a sério. Debatemos estratégia, afirmamos compromisso. Não falhamos à chamada, não falhamos ao povo. E por tudo isso, vos agradeço. Obrigada por estes anos extraordinários. Obrigada pelo apoio e pela crítica. Obrigada pelo que fizeram, onde trabalham e onde vivem. Obrigada por terem dito com orgulho aos colegas, aos amigos e às amigas, e até quem pensa diferente da esquerda: "Eu sou do Bloco, conta comigo. Eu nunca viro a cara à luta. A luta popular é o meu lugar." Obrigada pela imaginação, pela determinação. Obrigada pelo abraço, obrigada pela força e, sobretudo, obrigada pelo tempo que vamos começar agora, como sempre, lado a lado. Obrigada.
Termina o discurso de Catarina Martins, a líder do Bloco de Esquerda, a coordenadora que se despede dessas funções nesta 13ª convenção do partido.