O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, desvaloriza o uso da palavra “implacáveis” como detonador da primeira carga policial sobre manifestantes pela habitação, em outubro. O social-democrata garante que “não tinha em mente qualquer espécie de violência” quando fez essas declarações e diz estar disponível para o diálogo. Embora considere que se entrou numa “birra”.

A 14 de outubro, Pedro Duarte prometeu que seria “absolutamente implacável com qualquer tentativa de colocação de tendas” na Praça D. João I, no Porto, onde decorria um acampamento de protesto pelo direito à habitação. Na madrugada seguinte, a PSP avançou com a remoção forçada das tendas, o que resultou em confrontos e acusações de violência desproporcional. Em entrevista à TSF e ao Jornal de Notícias, publicada este domingo, o autarca recusa que a linguagem procurasse apelar à violência. “Não me revejo naquelas imagens e fico muito incomodado ao vê-las”, disse sobre essa noite de violência no Porto.

O social-democrata garante ter “predisposição para dialogar”, mas está desconfiado de que se entrou “naquilo que parece um bocadinho um jogo, uma birra.” E isto porque quis reunir-se com representantes dos protestos no edifício da Câmara, o que foi recusado. “O presidente não se pode deixar condicionar por um grupo de pessoas que lhe impõe, quase em tom ameaçador, um determinado tipo de conduta”, argumenta ao mesmo tempo que sublinha que “poder local democrático é uma das grandes conquistas de Abril e quem de facto representa a cidade são as suas instituições, neste caso a Câmara Municipal do Porto.”

“Um presidente de Câmara não pode estar disponível para se subjugar àquilo que é uma ultraminoria que quer, de repente, mandar na cidade”, disse mesmo o autarca na entrevista sobre o impasse.