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Meu queríssimo amigo José Manuel Rodrigues, permite-me que em ti eu cumprimente, por brevidade, todo um partido que esperou muito por este momento, pacientemente, como tem sido sempre no CDS e, pelo menos nisto, uma tradição que eu espero que no futuro não seja para cumprir. Eu revejo-me e repito todos os agradecimentos protocolares aqui deixados, um a um, a presença de cada um dos representantes de cada uma das entidades honra muito, hoje, o CDS, porque nisso significa o respeito por um partido que faz falta a Portugal. Muito obrigado a todos.
Um agradecimento também de Nuno Melo às várias entidades que estão neste congresso, nesta cerimônia de encerramento. São várias, fomos só ouvindo também esses agradecimentos.
Tenho que começar por agradecer à minha mulher por não me cortar os sonhos e à minha família pelo sacrifício que também vai ser seu. E não vai ser pequeno.
Um agradecimento também à família quando assume estas funções de presidente do CDS.
A cada um dos novos titulares eleitos dos órgãos nacionais, uma palavra. Hoje começa talvez o desafio mais difícil da nossa vida, mas eu tenho uma profunda crença que devolveremos o CDS ao lugar de destaque que merece nesta democracia que ajudamos a fundar. Muito obrigado por me acompanharem neste caminho.
Nuno Melo foi reforçando esta ideia a de fazer voltar o CDS ao Parlamento e com expressão política nacional.
Aos congressistas do CDS, todos, que deram um sinal muito claro na impressionante maioria que elegeu grande parte dos titulares desses mesmos órgãos, mas principalmente a todos os congressistas e a todos os titulares desses órgãos, pelo impressionante sinal de democracia interna que desde Guimarães conseguimos dar a Portugal inteiro.
E também um agradecimento e um elogio à forma como decorreu este congresso.
Ontem fomos adversários numa disputa. Hoje somos só um. E acreditem, as pontes foram criadas. O nosso pensamento está no futuro e para fora. Hoje, na oposição ao Partido Socialista, amanhã, se Deus quiser, na disputa do poder, porque é para isso que nós nascemos como partido.
Aqui mais uma mensagem que Nuno Melo tem dado ao longo dos últimos discursos: é preciso unir o partido e olhar para fora.
Tenho a certeza que todo o Congresso compreenderá que a minha primeira palavra como presidente do CDS, em circunstâncias tão especiais, seja dedicada à senhora embaixadora da Ucrânia e, em si, senhora embaixadora, um povo extraordinário que todos os dias nos dá exemplos impressionantes de valentia, de coragem, de crença, de força na luta pela democracia, pela liberdade, pela democracia, por valores que são seus, do seu povo, como são nossos em Portugal. São um exemplo que nos inspira todos os dias. Muito obrigado, senhora embaixadora, a si e ao povo ucraniano.
A embaixadora da Ucrânia em Portugal recebe uma ovação, um aplauso em pé. Todos os elementos da mesa do Congresso, os novos órgãos eleitos e os congressistas levantam-se para aplaudir a embaixadora da Ucrânia em Portugal.
E este conflito na Ucrânia não é só um conflito que se desenrola longe, na medida em que cada dia do que aí se passa tem um impacto em Portugal e em cada país da União Europeia. Este congresso acontece realmente quando a invasão por alguns russos, que é coisa diferente da Rússia, nos remete para os tempos da Guerra Fria e até para métodos que eu diria bárbaros e medievais de conquista. O mundo mudou e nós estamos no século XXI. E o que hoje se vê não devia poder acontecer no mundo que nós temos por civilizado. Eu quero apoiar expressamente a decisão da União Europeia e dos Estados Unidos da América em apoiarem com equipamentos e armas defensivas, suporte logístico e humanitário, a luta dos ucranianos pela sua liberdade e pela existência do seu país. Mas quero, ao mesmo tempo, sublinhar, principalmente, todos os esforços de mediação e diplomacia que possam substituir a lógica de agressão pela lógica da negociação. Minhas amigas e meus amigos, uma guerra no continente europeu, em pleno século XXI, tem de nos fazer pensar. E por isso, eu acho que há lições que, como europeus que somos, temos de aprender. Há lições que temos de retirar. Eu retiro-as e acho que o essencial deste partido também. E a primeira lição que temos de retirar é esta: a condição da paz é ter uma defesa sólida. Uma das razões pelas quais Vladimir Putin atacou foi conhecer a fragilidade da defesa da Europa. Os europeus foram se convencendo ingenuamente de uma espécie de paz perpétua que dispensava Forças Armadas competentes e equipadas. O CDS foi sempre pela paz, tenhamos isso presente, mas o CDS nunca alinhou nos erros de certos pacifistas que não têm os pés na terra. Agora
Aqui uma primeira mensagem para a União Europeia e para a união na defesa.
Agora, finalmente a União Europeia percebeu que a nossa fraqueza é um incentivo para a tentação dos ditadores. E nós estamos do lado certo da história, e o lado certo da história é o lado das democracias.
Nuno Melo a dizer que a Europa está do lado certo da história.
A NATO é o melhor sistema de defesa coletiva que existe para proteger a nossa segurança. Alguns que consideravam, e consideraram durante muito tempo, nos últimos tempos, que a NATO estava fora de utilidade, eu devo dizer que se precipitaram, porque a ameaça voltou ao espaço europeu. E o que é um fato é que só a força da aliança ocidental pode realmente travar o pior. O CDS foi sempre pró-NATO e agora se vê que os críticos desta organização não tinham razão. Reforçar a NATO é garantir a paz e a liberdade dos europeus, não tenhamos disso dúvida. E o nosso papel, o nosso lugar, é do lado da NATO.
Defesa da NATO, que é o melhor sistema de defesa coletiva, diz Nuno Melo, o novo presidente do CDS.
Segunda lição que devemos retirar: o vínculo transatlântico ganhou uma nova vida, porque o ataque de Putin é um ataque às democracias, que detesta, e ao nosso sistema de valores. Às vezes, ouvimos um coro de antiamericanismo, muitas vezes quase primário, e todas as democracias devem saber conviver com a crítica, convenhamos. Agora, é tempo de perguntar: onde estaria a Europa, neste momento, sem o vínculo defensivo com os Estados Unidos? Quarta lição: não há independência com extrema dependência na energia. E esta é talvez uma das lições mais dolorosas, porque nos entra todos os dias no bolso. Esta crise mostrou que 15 países da União Europeia tinham um excesso de dependência no fornecimento russo de gás e de petróleo. Isto condiciona todas as posições que podemos tomar. A energia é hoje, em Portugal como na Europa, um tema político da primeira grandeza. Nunca é boa ideia depender em demasia de uma só fonte, no sentido que é sempre melhor diversificar as dependências. E a Europa trata de ser realista, e eu percebo todas as agendas do momento, desde logo aquelas que nós queremos agarrar, porque achamos, e tenho dito aqui, que as questões da sustentabilidade são absolutamente fundamentais. Só que fato é que a transição energética não pode ser tratada como um dogma, não podemos agir dogmaticamente. Temos uma crise de preços à solta, uma inflação galopante no fornecimento, o que nos traz a tempos excepcionais, que não são tempos de proclamação ideológica, mas tempos de pragmatismo, porque primeiro estão as pessoas, primeiro estão as empresas. O que me leva a uma última e quinta lição a este propósito que acho que devemos retirar. A globalização é um mundo de oportunidades e os países que se fecham são inevitavelmente países que empobrecem. Mas o mundo global precisa urgentemente de uma reforma nas organizações multilaterais, nomeadamente no sistema das Nações Unidas. Não é possível que um país, qualquer que ele seja, possa violar impunemente a Carta das Nações Unidas, invadir, destruir e matar, e a seguir beneficiar de um direito de veto irrestrito, bloqueando, na prática, qualquer ação humanitária e de pacificação. O mundo mudou e as Nações Unidas têm que aprender a mudar com o mundo ou passam a ser uma página anacrônica na história, que nos serve de pouco.
Uma chamada de atenção ao mundo.
Uma palavra também, porque a política aqui nos traz, e eu há pouco dizia à minha querida amiga Ana Catarina Mendes que me perdoasse qualquer coisinha, mas a política é feita de quem exerce o poder e de quem lhe faz oposição, e nós queremos ser uma oposição forte e eficaz a este PS, que aqui, recebendo-a, nos honrando com essa presença, não pode, apesar disso, ter qualquer dúvida. Portugal é a nossa razão de ser. O governo e os socialismos são os nossos adversários, hoje em dia, políticos e ideológicos. E neste momento, ao CDS competirá ser uma oposição tão forte e eficaz fora da Assembleia da República, como foi quando estava dentro, e estão aqui alguns dos melhores deputados com que este país já contou em tempos da nossa democracia. E o nosso partido agradece a todos e a cada um, os que aqui estão e aos que não puderam vir ou já cá não estão.
Muitos destes antigos deputados foram muito críticos da anterior liderança do CDS, protagonizada por Francisco Rodrigues dos Santos.
Quem como nós tem outra visão da economia e da política. Na sua primeira maioria absoluta, deste primeiro-ministro, doutor António Costa, basicamente o PS mostrou todo o instinto que é feito, e que é quase genético, de um partido do poder que é, mas pela sua marca ideológica também. No momento difícil de economia de guerra, em quase cada ministro e secretário de Estado, muito partido e muito pouco de dimensão de Estado, eu diria assim. Com escolhas que nos têm que obrigar a reagir e refletir sobre elas, porque demonstram toda uma forma de ver Portugal, que não seria a nossa se mandássemos. Coisa que não acontece, mas um dia gostaríamos que assim voltasse a ser e faremos tudo para que assim volte a ser Se repararem bem, as pescas foram para a agricultura e o mar ficou sem as pescas. A agricultura que durante quatro anos não se viu, manifestamente pelas escolhas continuará a não existir. E os bilhões de euros do plano de recuperação e resiliência não estão na pasta da economia, porque, na verdade, foram destinados todos ou no essencial, à dimensão pública de um país, que através deste Governo não percebe que são as empresas que criam riqueza, são as empresas que geram emprego, e não são as empresas que só podem estar cá quando é preciso cobrar impostos por um Estado que lhes acaba por sorver todos os custos e complicar nos enredos da burocracia.
Ana Catarina Mendes, a nova ministra adjunta dos Assuntos Parlamentares, está na primeira fila a assistir este discurso de Nuno Melo.
No momento da maior crise dessa tal economia de guerra, quando cada um dos nossos empresários não consegue pagar as contas da luz, fecha pelos preços proibitivos do gás, quando a maior parte dos nossos empresários faz contas todos os dias para manter postos de trabalho, do Governo, impostos, dos empresários, imaginação. E este é todo um modelo que nos faz divergir do ponto de vista do que entendemos dever ser a economia. A economia viva, forte, que permite salários mais altos, não existe quando se acredita dogmaticamente que o Estado deve estar onde as empresas fazem muito melhor. E nesse modelo económico, e neste governo, uma nota que aqui não poderíamos deixar de sublinhar. Mesmo assim, nós temos que reconhecer que, apesar de tudo, o PS teve uma maioria absoluta. O PS teve uma maioria absoluta, e este apesar de tudo, não é pouco. Não é pouco se nós pensarmos um bocadinho no trajeto que aqui nos trouxe desde 2015. Desde 2015 que este Governo, que este Partido Socialista, se concertou com todos os extremismos a que desde velhos tempos de Mário Soares soube sempre ser fronteira e que agora acabou de meter no bolso. O PS, desde 2015, estimulou conflitos. Desde 2015, porque este PS que governa não nasceu em 2022. Desde 2015, estimulou conflitos, estatizou empresas e apocou quase tudo o que fosse privado ou não controlasse, da saúde à educação. Dividiu-nos enquanto sociedade que devia querer unida, porque dessa divisão, os votos que acaba por conquistar.
Mais uma crítica ao governo de António Costa, que na semana passada entrou na terceira legislatura.
Apesar de uma gestão negligente da pandemia, que é feita de dogmas em relação ao Serviço Nacional de Saúde, que eu devo sublinhar, é muito bom. Muito bom. Mas que foi transformado em mecanismo de propaganda à conta do sacrifício dos incríveis e dedicados profissionais de saúde, a que falta quase tudo, do estatuto à remuneração.
Críticas agora também para o Serviço Nacional de Saúde.
E a par disto, todo um mundo de preconceitos em relação ao setor privado e ao setor social. Eu devo dizer uma coisa: a quem está doente pouco importa se quem nos trata é do público, do privado ou social. As pessoas querem é ser tratadas e no limite, querem ser salvas. E é tão ridículo ver a esquerda apoucar o privado para sobrevalorizar o público, como seria ridículo ter a direita apoucar o público para sobrevalorizar o privado. Uns e outros são essenciais, uns e outros mostram-nos exemplos extraordinários e, portanto, não temos que nos dividir entre uns e os outros. Nós acreditamos na complementariedade natural entre todos os sistemas.
Mais uma bandeira de Nuno Melo.
Este governo atacou o setor privado na educação. E a educação será uma marca nítida deste partido, como sempre foi, transformando a escola pública num espaço de ideologia também a pensar nos votos. A única coisa que conseguiu realmente foi, basicamente, impedir que alunos pobres onde a oferta pública fosse má, e eu devo dizer mais uma vez que no essencial e na sua esmagadora maioria dos casos a oferta pública é muito boa. Mas a única coisa que conseguiu com o seu preconceito ideológico, este governo, foi que alunos pobres deixassem de poder ter uma alternativa de qualidade em escolas privadas onde o público não fosse bom. Basicamente mataram a democratização do ensino. Mataram a democratização do ensino.
Um discurso que está a ser dito a olhar diretamente para a ministra dos Assuntos Parlamentares, que está neste congresso.
Aos socialismos, porque dá votos, mas interessa pouco a uma sociedade que se quer una. Os resultados hoje são escolas privadas com qualidade apenas para quem tem dinheiro e o aumento desse fosso social e formativo entre os alunos portugueses, promovido curiosamente porque se diz socialista, se és rico, podes ir pra uma escola privada, se és pobre, mesmo que o ensino público seja mau e a maioria esmagadora do ensino público é muito bom, não te resta outra alternativa. E isso não é bom para uma sociedade que se quer boa em oportunidades que têm que ser dadas a todos, começando pelos mais novos. Este governo é extraordinário, mas é assim, conseguiu uma maioria absoluta, apesar das falhas No combate aos incêndios em 2017, de tanques, das golas anti-fogo que afinal ardiam, da ocupação forçada de casas privadas em Odemira, da incapacidade de fiscalizar as condições de trabalho de migrantes em Portugal, do ataque ao SEF e de informações falseadas no processo de nomeação do procurador europeu.
Catarina Mendes, que vai tirando notas à medida que vai ouvindo o discurso de Nuno Melo.
Com todo o respeito, desde logo, aos representantes do Partido Socialista, que volto a insistir aqui nos honram com sua presença. Se o PS governa sozinho, isso acontece porque uma maioria absoluta dos portugueses lhes deu essa confiança e nós temos que respeitar a vontade e a opinião desses portugueses. Agora, o que nos resta é ser uma oposição muito mais eficaz para que amanhã os portugueses tenham uma alternativa e não vejam no mal pior aquilo que realmente, no que nos respeita, não é melhor.
Nuno Melo.
Isso passará por nós, passará pelo CDS.
Agora a pôr aqui que o CDS como uma verdadeira oposição ao governo.
O CDS mostrar-se um partido útil, porque nós queremos identificar os problemas, mas queremos apontar soluções. Uma perspectiva que não será transversal no sentido em que todos com elas concordem. Mas não queremos apenas criticar. Queremos apontar soluções e algumas que hoje, no que tem que ver com aquilo que nos preocupa muito, gostava de deixar para sugestão, se assim quiserem nisso pensar. Começava até por uma iniciativa que devo anunciar será uma das nossas primeiras. Eu refiro-me à subida manifesta da inflação junto dos consumidores. Sublinho que já estamos em 5,5%, o valor mais alto desde muitos e muitos anos. A subida galopante da inflação na produção industrial, que já chega a 20,7%. Há neste momento muitas empresas que não conseguem pagar o simples custo da energia e há inflação completamente descontrolada dos preços agrícolas. E aqui os representantes de associações agrícolas, nomeadamente a CAP, sabem muito bem do que falo, porque vivem com isso todos os dias. Eu recordo que o indicador da FAO já chegou a 140,7, duplicando os valores anteriores à crise. Isso não é coisa pouca. E, portanto, das primeiras iniciativas que terei, através do grupo programático que criamos para economia e finanças e também para agricultura, será uma conferência de estudo com alguns grandes talentos que conseguimos recrutar para o CDS, que pensará sobre a inflação, o poder de compra, a produção industrial e a produção alimentar procurando soluções, porque, meus caros amigos, quando há inflação, e há inflação, isso tem consequências sobre as taxas de juro e através das taxas de juro, sobre as dívidas das famílias, das empresas e do próprio Estado. E quando chegarmos ao momento em que não conseguiremos pagar as dívidas, o Estado fecha, porque não tem impostos. E por isso
Agora aqui mais um aplauso para Nuno Melo.
Gostava também de dizer duas coisas que nos fariam sentido. O preço dos combustíveis estão proibitivos. Quem veio de onde seja do país, a Guimarães mesmo sendo perto de casa, abasteceu seu automóvel e sabe rigorosamente do que aqui digo, porque esse custo é transversal a todos. O primeiro-ministro diz que é assim porque não é possível reduzir as taxas de IVA. Estamos proibidos por Bruxelas. E quer pedir autorização a Bruxelas. O que eu quero dizer ao senhor primeiro-ministro é que a solução basicamente é fácil. Se realmente a quiser implementar. O governo só tem que reduzir até ao limite que seja possível o ISP, tendo em conta a redução do IVA pra que estaria disponível. Portanto, o governo só tem que pensar: "Eu estou disponível para baixar X em IVA". Não tem autorização de Bruxelas, baixa o ISP até esse montante em que estaria disponível. Quando vier a autorização de Bruxelas, compensa as coisas e novamente terá os combustíveis a preços decentes, que é coisa que realmente hoje não acontece.
Nuno Melo a pôr no governo a responsabilidade de fazer baixar os preços dos combustíveis. "O governo só não o fará se não quiser", diz agora.
O voucher é basicamente um expediente cínico quando é uma anedota, porque não devolve coisa nenhuma à maior parte das pessoas que não são abrangidas pelo autovoucher. E o governo só não faz o que aqui é sugerido se não quiser e se quiser continuar a manter nos cofres do Estado quantias absurdas de recursos que fazem falta às nossas famílias e às nossas empresas. A solução está toda do lado do governo e o resto é conversa.
Nuno Melo aqui a dizer que o governo pode ir mais longe na questão dos combustíveis.
E a segunda questão tem também a ver com um profundo agradecimento que eu acho que este congresso deve deixar ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Nós só podemos estar orgulhosos pela forma como o SEF tem acolhido, com total competência, todos os dias, milhares de refugiados que chegam. O SEF tem sido elogiado dentro e fora de portas. E o que eu quero pedir ao primeiro-ministro, desde Guimarães, é: reverta a decisão da extinção do SEF, que é profundamente injusta.
Nuno Melo tem também insistido nesta questão da extinção do SEF, a quem faz elogios, especialmente pela forma como tem tratado esta questão do acolhimento de refugiados em Portugal.
Não esteve à altura das suas responsabilidades, significaria o mesmo que, por exemplo, pedirmos que o Partido Socialista ou qualquer outro partido se extinguisse como partido, apenas porque alguns dos seus titulares em algum momento violou a lei. Não se pode tomar o todo pela parte e a parte do SEF e o todo da parte é extraordinário.
A decisão de extinguir o SEF acontece depois de várias polémicas com a Polícia de Fronteira.
Eu estava a somear isto: neste momento, há mais de 1700 pessoas que têm famílias, elementos das forças de segurança, que não sabem o que lhes vai acontecer, não foram ouvidas, mas mesmo assim dão o melhor de si todos os dias. Isso é profundamente injusto.
Ana Catarina Mendes continua a ser a recetora de todas as críticas que são dirigidas ao governo.
E também é uma ideia que terei no Parlamento Europeu, e o Parlamento Europeu será, até por razão reforçada, muito do palco daquilo que seremos neste ciclo dos próximos dois anos, e tem também que ver com a Ucrânia, senhora embaixadora. É uma ideia que nos faz sentido, que ajudará naquilo que é um processo de integração de quem veio de fora, e pensará principalmente nas crianças ucranianas. Nós tenhamos consciência que, no contexto dos refugiados, a União Europeia recebe todos os dias milhares de crianças a quem foi muitas vezes quase roubado o seu futuro, roubada a sua educação com estabilidade, o convívio com os seus amigos, para se dirigirem a países de acolhimento dos quais não conhecem os costumes, não conhecem sequer a língua. Mas, ao mesmo tempo, saem da Ucrânia todos os dias milhares de professores cuja principal vocação é ensinar e que seriam desperdiçados em quaisquer outras tarefas para sobreviverem, que não essa sua vocação, quando pode ser útil. E o que me faz sentido, e será a base da proposta ou da iniciativa de âmbito parlamentar europeu que trarei, é isto: que sejam dadas condições aos professores ucranianos para que possam continuar a ensinar as crianças do seu país em escolas ou instalações facultadas pelos Estados de acolhimento, falando com essas crianças a língua ucraniana, que essas crianças compreendem, independentemente do processo de aprendizagem normal nos países de acolhimento, enquanto lá estiverem, nomeadamente no aprendizagem dessas línguas maternas dos países de acolhimento, mas que com isso, conseguindo nós que no percurso escolar, e até pelo contexto de guerra, essas crianças, em ucraniano, tendo em conta os planos escolares da Ucrânia e até podendo com o reconhecimento das autoridades ucranianas, porque a maior parte dessas famílias querem voltar a casa, quando voltassem a casa, terem com o menor impacto negativo possível, ter tido o seu percurso escolar. Nós com isso conseguimos a integração de professores a fazer o que melhor faz, que é ensinar. E às crianças, estabilidade possível em contexto de guerra. Devo dizer que o farei com obediência pelo princípio da subsidiariedade. Eu tenho aqui pessoas que algumas são presidentes de câmara, outras presidentes de junta, outros foram. E todos nós sabemos de instalações que em todas as autarquias estão devolutas. Salas de aula que podem ser utilizadas. A disponibilidade é total e os portugueses são profundamente solidários. E o que eu digo é isto: acolham os professores ucranianos. Juntem-nos para que as crianças ucranianas possam ter em Portugal um bocadinho do que seria o seu contexto escolar na Ucrânia. E com isso, nós estaremos a dar melhor formação a crianças, pensando no seu futuro. Pensem nisso também, porque os autarcas portugueses, de todos os partidos, serão os primeiros a ajudar nesse propósito. E estaremos desde Portugal a dar o primeiro e grande exemplo a toda a União Europeia, que é na União Europeia fazê-lo com respeito pelo princípio da subsidiariedade. Para terminar, eu quero dizer que nós não sabemos das ambições pessoais do senhor primeiro-ministro, que tem os olhos no Terreiro do Paço, mas ninguém duvide que está já com o coração em Bruxelas. Isso parece mais ou menos nítido.
Nuno Melo é mais um a vaticinar a ida de António Costa para um cargo europeu daqui a dois anos.
Que é normalmente uma pessoa com boas fontes e muito avisada. Se assim for, teremos eleições antecipadas e devemos conceder que os portugueses votaram neste PS para terem lá este primeiro-ministro, que acharam que merecia esta maioria absoluta. Não é a mesma coisa ter o doutor António Costa ou ter o doutor Fernando Medina com a mesma facilidade com que o doutor António Costa na Câmara de Lisboa quis passar a pasta ao doutor Fernando Medina.
Mais uma crítica ao novo governo que tomou posse esta semana.
Não sei se a sua contratação teve a ver com isso ou não. Eu acho que a Ana Catarina Mendes também não deixava, digo eu. Agora, nós somos, fique claro, pela estabilidade dos mandatos. Mas se tivermos eleições legislativas antecipadas, o CDS estará preparado e será nesse dia que voltará à Assembleia da República. É esse caminho que começaremos a trilhar hoje, com o esforço de todos, e disso ninguém duvide.
Mais uma vez a enunciar este grande objetivo que o CDS quer, que é o regresso à Assembleia da República.
Eu não me conformo. Nós não nos conformamos com o fato da parcela de sociedade que representamos como partido que é humanista, que é personalista, que é democrata cristão, aberto a correntes liberais e conservadoras, não tenha hoje uma voz na Assembleia da República. Causamos angústia, porque não é justo. Eu disse ontem neste congresso, custou-me muito ver a tomada de posse deste novo Parlamento. Custou-me muito ver a placa do meu partido a ser desaparafusada da parede da Assembleia da República. Custou-me muito ver a imagem do Pedro Salgueiro com um carrinho de mão, com parte do nosso espólio, que representa tanto das nossas vidas e tanto do esforço ao serviço de Portugal.
Mais uma referência a essa perda de representatividade na Assembleia da República. O CDS não elegeu deputados nas últimas eleições legislativas.
Mas o que nós não podemos fazer é deprimir. O que temos que fazer é reagir. E no CDS somos fortes, nós vamos reagir, nós vamos construir e nós vamos voltar lá. Acreditem nisso, como eu acredito, e nós vamos voltar lá.
Mais uma mensagem de confiança para conseguir atingir este objetivo.
O CDS faz realmente falta a Portugal e esta é uma constatação de facto. Eu digo isto a propósito da frase, devemos antecipar, há mais de um ano que eu uso esta frase: o CDS faz falta a Portugal, porque é para mim uma constatação de facto. O CDS faz falta a Portugal como fazem todos os outros partidos estruturantes da democracia no nosso país. Mas fazer falta a Portugal é começar por estar na casa mãe da democracia portuguesa. E esse é o nosso desígnio. E para o que importa, esse propósito é bom que tenhamos presente isto. O CDS não nasceu para a democracia a querer melhorar a sociedade há meia dúzia de anos, do mesmo modo que o CDS não morreu para a democracia em janeiro de 2022.
Foi a data das eleições legislativas, janeiro de 2022, o dia em que o CDS soube que não ia ter mais deputados na Assembleia.
E assisto ontem, e sei que há aqui representantes de diversos partidos, e é com total espírito democrático que o digo, ou que digo o que tenho a dizer, e certa compreensão de quem sabe ou reconhece que é um papel que cabe também ao CDS. Quando a Iniciativa Liberal se quer sentar à esquerda do PSD, e eu devo dizer muito coerentemente, porque no Parlamento Europeu a Iniciativa Liberal é um partido de centro-esquerda, centra-se à esquerda do PPE. Quando nós sabemos que o Partido Social-Democrata é um partido rigorosamente ao centro, e quando sabemos que basicamente o Chega se quer sentar à direita do regime, há todo um espaço deste humanismo personalista entre o PSD e o Chega que faz nisso um buraco doutrinário que não está na Assembleia da República. E, portanto, há uma parte da sociedade que não está lá neste momento representada, e somos nós e queremos lá voltar.
Nuno Melo que já disse que há um espaço ali entre o PSD e o Chega que precisa de ser ocupado e que esse espaço é naturalmente do CDS. Tem deixado essa ideia ao longo deste congresso.
O CDS não acabou. Olhem para esta sala. Enquanto estivermos aqui, o CDS não acabou. Enquanto acreditarmos, o CDS não acabou. Enquanto tivermos autarcas, enquanto tivermos presidentes de câmara, vereadores, membros nas assembleias de freguesia, nos governos regionais e no Parlamento Europeu, que outros que estão no Parlamento não têm, o CDS não acabou. Não acabou mesmo! É evidente que pelo caminho teremos um percurso carregado de obstáculos. É óbvio que pela frente teremos momentos que fariam muitos outros desistir. Muitos outros desistir. Mas o que lhes pergunto é: alguma vez foi fácil ser do CDS? Alguma vez foi fácil ser do CDS? Mas foi por isso que alguma vez deixamos de lutar? Nós erguemo-nos sempre. Reerguemo-nos sempre mais fortes.
Aqui um apelo também para a união.
Quem quer vida fácil, normalmente escolhe o PS ou escolhe o PSD, não vem para o CDS. Foi sempre assim. Foi sempre assim.
Quem foi do CDS e quem é do CDS teve sempre uma vida complicada na política.
Toda a vida tivemos que trabalhar muito mais pra conseguir o mesmo que os outros.
Uma espécie de "se fosse fácil não era pra nós".
De nós, em todas as funções com brio e sentido de responsabilidade fomos desempenhando. E é assim que termino. Meus queridos amigos, companheiros meus do CDS, partido com que se confunde grande parte da minha vida. Nós voltaremos, melhor, nós estamos cá, mas seguiremos muito mais fortes. Resta acreditar. Eu acredito. Acreditem comigo. Vamos em frente, vamos lutar. É pelo CDS, mas é a começar por este país que amamos, que é o nosso e que desde sempre ajudamos a construir com os nossos melhores, com as nossas ideias, com a nossa força, com a nossa crença, com respeito pelos adversários, mas sem nenhuma dúvida e sem modéstia sobre aquilo que somos. Viva o CDS! Viva o CDS! Viva o CDS! Viva Guimarães! Viva sempre Portugal!