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Vamos ouvir Luís Montenegro.

Mas, naturalmente, assumindo a responsabilidade de ter liderado pela primeira vez uma candidatura a presidente do nosso partido, numa eleição inédita disputada a duas voltas. Quero dirigir três cumprimentos breves e genuínos. O primeiro, de gratidão e reconhecimento a todos os que me acompanharam nesta campanha e aos mais de 15 mil companheiros que votaram na nossa candidatura. O segundo, de saudação aos outros candidatos, a Rui Rio, que venceu as eleições, a Miguel Pinto Luz e a todos os seus apoiantes. Sempre disse e aqui reafirmo: não os vejo como adversários. Vi-os sempre como companheiros e parceiros do combate político salutar e democrático.

Mais uma vez, o congresso a dividir-se por alguns assobios, apitos e aplausos.

Com os outros partidos. O terceiro cumprimento a todos os militantes do PSD. E é um cumprimento de apelo a que participem mais, a que se motivem mais pra vida partidária e a que exijam mais dos dirigentes do partido. Creio que temos essa necessidade, independentemente de termos também a necessidade de nos abrirmos à sociedade e de recrutar nela os mais dinâmicos e os mais capazes, objetivo que, de resto, eu próprio quis sinalizar de forma simbólica, tendo escolhido um mandatário nacional que não era militante do PSD. Quero dizer-vos que independentemente disso, nós seremos seguramente mais fortes se formos mais e se estivermos mais mobilizados. Deve ser motivo de preocupação de todos nós termos tido uma eleição com o caderno eleitoral tão reduzido e verificarmos que a maioria daqueles que se inscreveram voluntariamente na nossa organização não quiseram ou não puderam participar numa decisão tão importante. Para um partido que ambiciona, e bem, conquistar externamente a adesão dos abstençãonistas, creio que não pode repetir-se, e muito menos agravar-se, o fosso que separa os mais de 225 mil militantes inscritos com aqueles cerca de 32 mil que exerceram o seu direito de voto nesta eleição.

Ainda a fazer contas, Luís Montenegro, depois das diretas no PSD.

Caras e caros companheiros, Portugal precisa mais do que nunca de um PSD forte. A sociedade portuguesa está mais injusta e tem vindo a assistir ao aumento das desigualdades sociais. Darei dois exemplos, que também já foram aqui invocados. O primeiro relativamente aos serviços de saúde. Estão caóticos, sofrem de um desinvestimento brutal, não ultrapassam as suas ineficiências e a sua má gestão, acumulam dívidas e desmotivam os seus profissionais. E o que é que acontece com tudo isto? Acontece que na sociedade portuguesa, quem tem dinheiro, vai à procura e encontra outras respostas no setor privado e no setor social. Quem não tem essa possibilidade, fica à porta dos hospitais e dos centros de saúde do Estado, em filas de espera intermináveis e insuportáveis. Isto é injusto e resulta também do complexo ideológico da esquerda e devia corar de vergonha os socialistas, os bloquistas, os comunistas e o primeiro-ministro que os comanda.

Estamos a ouvir Luís Montenegro a dirigir-se ao Congresso do PSD em Viana do Castelo, 38º Congresso.

Passa nos transportes. De que vale aos cidadãos e às famílias terem passes sociais mais acessíveis, se os serviços têm cada vez menos qualidade e menos oferta? Os portugueses, no fundo, estão a pagar a redução do preço dos passes com horas nas filas e esperas longas pra apanhar um autocarro, um comboio ou metrô. É injusto e prejudica muitas e muitos portugueses que passam muito do seu tempo à espera da resposta dos transportes públicos. São dois exemplos a que se podem juntar muitos outros. Na educação, onde há escolas a fechar por falta de assistentes operacionais ou em políticas importantes como a habitação, que hoje afeta tantos e tantos jovens que não conseguem autonomizar a sua vida, sair de casa ou constituir família por não terem acesso a condições condignas de habitação ou até áreas mais importantes, áreas de soberania como a justiça, ainda aqui há pouco bem ilustrou o Paulo Rangel, ou mesmo a segurança. Portugal precisa de um PSD forte. Portugal precisa de um PSD forte porque temos um país estagnado, um país sem estratégia e sem modelo de desenvolvimento. Temos um dos piores crescimentos econômicos da União Europeia. Temos as nossas exportações a desacelerarem e as nossas importações a aumentarem. Temos cada vez mais gente a ganhar o salário mínimo e cada vez mais o salário mínimo a aproximar-se do salário médio. Temos uma fiscalidade sobre as empresas e sobre o rendimento do trabalho que não são atrativos nem para o investimento, nem para a mão de obra. Não conseguimos reter nem fazer regressar os nossos quadros mais qualificados. Só em 2018, saíram de Portugal mais de 12 600 diplomados e foram mais 3500 do que tinham saído em 2017. Portugal precisa de arriscar mais. Portugal precisa de atrair mais investimento e precisa de espalhar esse investimento pelo território. Precisamos de um plano global-

Companheiros, peço que façam silêncio para ouvirmos o companheiro Luís Montenegro e queria também pedir-lhe que abrevisse, porque já tem oito minutos. Mas, por favor, prossiga.

Precisamos de um plano global para o país e de um plano especial para os territórios de baixa densidade. Precisamos de um plano que ouse baixar os impostos, que ouse tirar burocracia aos licenciamentos, que garanta previsibilidade fiscal, previsibilidade laboral e salarial. Portugal precisa de nós, porque o PS e António Costa não têm rasgo, porque o PS e António Costa não têm coragem e não querem reformar as estruturas sociais e econômicas do país. E porque o PS e António Costa não querem mexer no Estado ou o pouco que querem é torná-lo mais despesista nas ineficiências e na gestão corrente, em vez de transferir a despesa para o investimento. Caras e caros companheiros, Portugal precisa de nós como oposição e como alternativa. Como oposição para sermos a voz daqueles que votaram em nós, mas também a voz daqueles que não votaram em ninguém e cada vez mais a voz daqueles que, tendo votado no Partido Socialista ou nos partidos de esquerda, estão desiludidos ou decepcionados com a forma como o PS tem conduzido a governação. O PSD tem de ter e concretizar a ambição de governar Portugal em tempos de normalidade. Nós não somos o partido da troica ou o partido da austeridade. Nós temos sido chamados a corrigir os erros da governação, o desgoverno que os socialistas têm trazido recorrentemente a Portugal.

Companheiro, peço que abrevie.

Nós somos o partido do reformismo e da transformação. E somos o partido do reformismo e da transformação, em contraste com o imobilismo e a estagnação socialista. Por isso, o nosso dever e o nosso objetivo não pode ser esperar que o Partido Socialista perca, por esgotamento, as eleições ou ficarmos mesmo à espera que Portugal seja atingido novamente por uma crise.

Senhor companheiro, peço que conclua.

O nosso dever e o nosso objetivo só pode ser ganhar pelo mérito das nossas ideias, das nossas propostas e fazê-lo o mais rápido possível. Por isso, é minha opinião, agora, depois deste processo orçamental, mais do que nunca, que não pode haver equívocos. Se a geringonça ruir, o PSD não vai ser a tábua de salvação de António Costa.

E agora arrancar palmas de toda a sala do Congresso, que está repleta.

Eu peço alguma tolerância, senhor presidente-

Companheiro-

Por razões óbvias.

Foi o orador que falou mais tempo neste Congresso até-

Mais dois minutos.

Companheiros, peço silêncio para ouvirmos o companheiro Luís Montenegro. O companheiro Luís Montenegro foi quem falou mais tempo neste Congresso, depois do presidente. Portanto, peço que conclua, abrevie. Tem a palavra, por favor.

Em 2015, António Costa perdeu e escolheu, sem avisar previamente, os seus parceiros da extrema-esquerda para governar. Mas em 2019, o doutor António Costa e o Partido Socialista ganharam as eleições, dessa vez sabendo os portugueses quem eram os seus parceiros para governar o país. Ora, o país tem de saber E tem de compreender que a governabilidade e a estabilidade dependem única e exclusivamente da geringonça da esquerda. O doutor António Costa não tem autoridade moral nem ética para reclamar essas condições ao PSD. E o PSD não tem interesse programático e estratégico para ter essa disponibilidade. Se antes de 2023, o doutor António Costa e o Partido Socialista não assegurarem a estabilidade e a governabilidade à esquerda, só há um caminho: é o doutor António Costa demitir-se e ir embora, à sua vida.

Apesar de muita tolerância em relação ao tempo, Luís Montenegro vai arrancando aplausos. Pede mais um minuto ao presidente da Mesa para concluir. Está a ser indulgente Mota Pinto a dar tempo para que Montenegro conclua.

Caras e caros companheiros, quero terminar dizendo-vos o seguinte: disse na noite das eleições que o PSD precisa de paz e de unidade . E precisa mesmo. E todos temos de contribuir para isso. Todos devemos exigir de nós próprios aquilo que exigimos dos outros. Todos devemos fazer aquilo que dizemos e não dizer uma coisa e fazer outra. O partido precisa de se qualificar e de refrescar o seu ambiente. Há demasiada crispação e há demasiada agressividade verbal. Há demasiado fanatismo, até. E há, muitas vezes, excessos que são cometidos por responsáveis políticos que não devem continuar. O partido precisa de tolerância, o partido precisa de debate aberto, frontal e leal.

Companheiro, tem de terminar. Os minutos já se esgotou o que pediu.

O partido precisa de respirar mais liberdade e diminuir seguidismos de fação.

Eu não quero pedir à réplica.

Eu darei o meu contributo. Longe dos cargos partidários e públicos, mas sempre perto para ajudar o PSD, perto desta grande força que está cá dentro. E termino mesmo dizendo-vos que o farei seguindo o exemplo inspirador do nosso fundador Francisco Sá Carneiro, que em plena Assembleia Nacional, em 1972, disse o seguinte: "O que não posso, porque não tenho esse direito, é calar-me, seja sob que pretexto for". Viva o PSD!

Foi a mais longa intervenção neste 38º Congresso do PSD de Luís Montenegro, que acabamos de ouvir, o que mereceu até alguns apupos na sala. Ouvia-se aqui e além alguém que gritava: "Chega!" Mas Mota Pinto lá deixou que Montenegro concluísse este discurso, que era um dos mais aguardados do dia. Aliás, a sala do Congresso está cheia nesta altura, tanto dos congressistas como nas bancadas.

Era para uma questão de eficiência. Depois queria também dizer que eu não quis cortar o som, embora queria notar que o companheiro Luís Montenegro, o tempo dedicado é três minutos, está no regulamento, usou da palavra durante seis vezes esse minuto. Mas enfim. Mas vamos usar essa tolerância também com outras pessoas.

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