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Tenho agora connosco ao telefone, aqui na Rádio Observador, José Guilherme Aguiar. Foi vice-presidente do Futebol Clube do Porto, ainda com Jorge Nuno Pinto da Costa. Esteve também na Liga de Clubes. Boa noite, bem-vindo à Rádio Observador. Momento de celebrar esta conquista azul e branca. Há um responsável por esta conquista, há um principal responsável por este título?

Boa noite, antes de mais, estamos a celebrar. A sua pergunta é pertinente e eu acho, indiscutivelmente, que o responsável desta conquista não é o principal responsável, mas é o primeiro responsável, é o presidente do Futebol Clube do Porto. Já o era com Jorge Nuno Pinto da Costa e eu fico muito contente que o continue a ser com André Villas-Boas. Naturalmente que um título não se ganha com o presidente. O presidente não marca gols, o presidente não sofre gols. Não, ganha-se com uma equipa na sua verdadeira expressão, que é constituída pela equipa técnica, pela equipa médica, pela equipa dos roupeiros, pela equipa dos fisioterapeutas, pelo motorista do autocarro e, naturalmente, pelos jogadores, que são aqueles que dentro do campo materializam aquilo que durante a semana o treinador lhes é ensinado, lhes é preparado. Por isso, tudo isto, esta equipa é que foi a verdadeira conquistadora do título deste campeonato, desta primeira liga nacional. O principal responsável, na minha opinião, é sempre o presidente, porque o presidente é responsável quando ganha, é responsável quando perde. Naturalmente que depois aparecem os treinadores que quando ganham são os maiores, quando perdem já não são bem os maiores. Mas Francesco Farioli foi indiscutivelmente o treinador ideal para esta equipa do Futebol Clube do Porto.

E é o treinador ideal para continuar neste Futebol Clube do Porto?

Perdão? Para continuar?

É o treinador ideal para continuar e para manter este projeto que anda de boas tardes?

Na minha opinião, é para continuar. Mas ele foi o treinador que foi muito bem escolhido por André Villas-Boas. Por isso, quem escolheu o treinador foi André Villas-Boas, provavelmente com a opinião de Jorge Costa, que eu aqui faço uma saudação muito especial à sua memória e ao seu trabalho. Mas foi André Villas-Boas quem deu a última palavra sobre o treinador do Futebol Clube do Porto. Esse treinador do Futebol Clube do Porto vinha do Ajax, tinha feito uma excelente época, mas depois perdeu no fim e estava, entre aspas, desacreditado. O Futebol Clube do Porto acreditou nele e ele voltou e provou que efetivamente foi o homem certo no lugar certo, reabilitou esta equipa, recuperou alguns jogadores que estavam em queda emocional, em queda psicológica. Dou-lhes um caso concreto, o Pepe. Mas Farioli foi um treinador inteligente, um treinador que defendeu sempre a equipa. Sempre a equipa em primeiro lugar. A equipa para ele era a coisa mais importante de toda a sua estratégia, que defendeu-a quando preparou esta equipa. E uma equipa não são 11 jogadores, uma equipa é tudo aquilo que eu acabei de dizer, mas no plantel são 23, 24, 25 com mais os elementos da equipa B e por isso eles têm que ser defendidos. Têm que ser defendidos no sentido físico do termo, têm que ser poupados para que depois nos momentos realmente importantes eles possam dar o máximo. E foi assim que aconteceu no Futebol Clube do Porto, que o Futebol Clube do Porto foi uma equipa que ganhou pela sua regularidade. Não ganhou por um fogacho qualquer, quem que estava em quinto e passou a primeiro. Não. Ganhou porque desde a primeira jornada esteve em primeiro, na quarta jornada passou a primeiro isolado e acabou em primeiro isolado. Por isso, não é uma coisa que as pessoas possam dizer: "Estou surpreendido". Não, não há surpresa aqui absolutamente nenhuma. Há é o mérito. O mérito de alguém que soube condicionar a potencialidade da equipa às diversas competições em que estavam. Que digam alguns que se fosse com A, B ou C. Se fosse nesses filmes, normalmente, como eu costumo dizer, ela morria e ele casava com o cavalo. Não, aqui fundamentalmente é tudo muito bem pensado, é tudo muito bem esquematizado e por isso a equipa do Futebol Clube do Porto nos momentos-chave, e para mim só houve um momento-chave em que a equipa não falhou. E eu vou dizer qual foi o momento-chave da eliminatória contra o Nottingham Forest, em que a equipa falhou não em Inglaterra, mas falhou aqui no Dragão. E essa foi a razão de perder essa eliminatória, senão o Futebol Clube do Porto estaria neste momento numa meia-final da Liga Europa e com probabilidades, eventualmente, de a poder ganhar ou de não a poder ganhar, porque no futebol não há vencedores antecipados. Mas foi, em resumo, muito sinteticamente: o Porto ganhou, o Porto ganhou bem, o Porto foi a equipa mais regular, o Porto foi a equipa que meritoriamente mais fez para ganhar este título. O responsável principal foi o presidente do Futebol Clube do Porto.

José Guilherme Aguiar, muito obrigado por ter estado conosco aqui na Rádio Observador e parabéns também por esta conquista azul e branca.

Eu mereço porque não fiz nada.

Diga-me uma coisa, apenas para terminar: como é que festeja habitualmente estas conquistas?

Já as festejei nos Aliados. Agora festejo-as na intimidade da minha família. Uns são portistas, outros não são. Uns ficam mais contentes do que outros, porque no fundo, todos nós percebemos, e felizmente eu tenho uma família que tem um grau de desportivismo muito grande e por isso os benfiquistas percebem que o Porto foi melhor, os sportinguistas também percebem que o Porto foi melhor e reconhecem. Poderão não dizer isso em público. E nós, os portistas, que somos a esmagadora maioria, também.

José Guilherme Aguiar, eu tenho aqui uma figura do Sport e do Futebol Clube do Porto que lhe quer deixar também o abraço, Augusto Inácio.

Muito obrigado, Augusto. Do Sporting não, e do Sporting e do Futebol Clube do Porto.

Eu disse os dois.

Uma figura do Futebol Clube do Porto e uma figura que não passa ficará na história do Futebol Clube do Porto.

Doutor, diga-me só uma coisa, eu tenho a minha opinião, mas gosto sempre de ouvir a opinião dos outros. O doutor não acha, com aquela história do presidente do Sporting dizer que o Porto não joga nada, o Porto tem medo. Só quem não conhece o Porto é que não sabe o que isto é para dentro daqueles balneários. Não acha que teve também uma motivação extra ainda para ganhar esta campeonato?

Eu acho que teve. E vou-lhe dizer quem é o principal responsável por isso. Continua a ser o André Villas-Boas. Lembra-se do André quando era treinador? Tinha a sua metodologia de motivação psicológica muito própria, desde pôr nas portas dos balneários as entrevistas e as fotografias. E o André percebeu que o presidente do Sporting, que deixa-me dizer, é um excelente presidente, é um excelente dirigente para o Sporting, mas é, passe a expressão, um menino mimado. E por isso sempre que o André Villas-Boas diz alguma coisa, o presidente do Sporting reage. E reage da pior forma. E sempre que alguém reage da pior forma numa equipa, o Inácio que fez parte de várias equipas e de equipas de grande dimensão e de grande responsabilidade, sabe. Quando um elemento de uma equipa está mal, a equipa no fundo vai pagar essa fatura. E quando o presidente do Sporting responde daquela forma como um menino mimado, desculpem-me a expressão, e ele que me desculpe a expressão, porque fundamentalmente ele é um adulto e é um excelente dirigente, mas tem aquele mimo quando tem alguma coisa. E o André Villas-Boas soube descobrir. E por isso ele diz uma palavrinha, o André manda uma daquelas, salvo o devido respeito pelo termo, uma gozarda elegante e o presidente do Sporting sente-se perfeitamente ofendido e vai responder. Aliás, a cerimônia da assinatura do contrato com o Rui Borges, que também é a minha opinião, mas é um excelente treinador. Foi algo anormal, porque não é normal eu estar a fazer contrato com o treinador e estar a falar dos outros. Que Farioli foi bestial, que Farioli fez uma gestão da equipa bestial, mas que devíamos o título ao Bodø/Glimt. Eu também já mandei um telegrama para o Bodø/Glimt a agradecer-lhes a conquista do título, porque o Bodø/Glimt foi fundamental. E por isso, também lhes agradeci a conquista do título. O título deve-se a muita gente, muitos jogadores, muitos treinadores, muitos massagistas, muitos médicos. O departamento médico do Futebol Clube do Porto merece, e o Augusto Inácio sabe do que eu falo. Merece uma referência muito especial pelo cuidado que teve, pela atenção que teve, pela previsão que teve. Nunca teve no departamento médico 19 jogadores lesionados. E mais nada. E acabou que nessa perspectiva, eu só falo do que sei e dessas coisas eu não percebo absolutamente nada.