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Boa Vista-Benfica, em tempo de intervalo, com a vitória dos encarnados. Mário Cajica, olhamos e fazemos aqui um pequeno filme do que aconteceu nesta primeira parte para os ouvintes que só agora se juntou a nós.

Creio que são os 45 minutos mais completos e mais competentes da era Benfica com Nélson Veríssimo. Uma exibição muito completa, muito segura, a não criar muitos problemas à equipa do Boavista em termos defensivos e, no fundo, a intensificar o jogo sempre que era necessário, com jogadas de alto nível. O primeiro gol de Tarabt é, de facto, uma belíssima obra de arte, um momento absolutamente fantástico da equipa do Benfica, que foi também aproveitando os momentos mais complicados da equipa xadrezada em termos defensivos. Já se percebeu que o Boavista vai sofrer com este sistema. Está a jogar com três centrais, nenhum deles é central, como já referimos, e efetivamente não tem aqui grande escapatória do ponto de vista defensivo. O Benfica, na segunda parte, acredito que vá manter uma postura expectante na tentativa de aproveitar algumas perdas de bola e alguns erros defensivos do Boavista para fazer a diferença, porque me parece que, neste momento, o Boavista, nesse aspecto, vai estar bastante permeável. Do lado da equipa do Boavista, só me parece que a equipa se possa empoleirar um pouco nas ações de Yussuff, de Petar Musa e Gustavo Sauer na frente, que possam tirar algum coelho da cartola, mas parece-me muito difícil.

Para isso é preciso que a bola chegue lá também.

Exato. Petar Musa não está a conseguir integrar-se no jogo. Yussuff, curiosamente, está a perder a maior parte dos duelos com Lázaro, naquele corredor. Lázaro também competente hoje do ponto de vista defensivo e Sauer também não está a conseguir aparecer, não está a conseguir ligar setores, que é uma das suas maiores qualidades. Portanto, parece-me que são, como dizia, 45 minutos muito competentes, muito corretos do Benfica nestes primeiros 45 minutos. Uma bela exibição do Benfica perante um Boavista que está debilitado, que está despedaçado e que efetivamente vai ter alguns problemas na segunda parte.

Portanto, um resultado adequado ao jogo que vimos na primeira parte.

Sim.

João Pinto, resultado adequado. Ainda assim, o Benfica por mais duas vezes colocou a bola dentro da baliza do Boavista. Os 4 x 0 seriam mais adequados para esta primeira?

Não. E diz que fora de jogo não conta, por isso, eu diria que não. Mas é o que o Mário disse. Foi uma boa primeira parte, uma primeira parte bem conseguida. O Benfica a ser inteligente, a não jogar a 120 à hora. O Boavista quis assumir o jogo, não quis só defender e o Benfica viveu bem com isso, teve uma humildade de querer saber ler o jogo coletivamente e depois de marcar os dois gols, teve a arrogância de mostrar que tinha capacidade de jogar a bola. Não interessava quanto é que o Boavista pressionava, a bola era tocada de primeira, a bola é que corre, o jogador não. Há um bom posicionamento, há desdobramentos, a jogar sem bola e viu-se realmente mais Benfica do que se tinha visto até aqui.

E a nível individual, algum destaque nesta primeira parte?

Tarabt está com tudo. Foi realmente uma primeira parte muito bem conseguida do marroquino. Uma coisa que nós não estávamos à espera e que falámos nisso antes do início do jogo, em que ele é capaz do melhor e do pior. E hoje tem sido o melhor, mas mesmo do melhor. E o Lázaro. O Lázaro também tem estado muito bem, competente a defender, ainda não se tem aventurado muito a atacar, mas vem sendo um bom jogo. Nota para o posicionamento do Benfica a defender, com o Everton a fazer ali de interior esquerdo, com o Ramos a nove, o Darwin na esquerda, o Rafa à direita, e é o Everton que vem fazer ali quase de segundo número oito, a fechar no meio, a fazer um trio de meio-campo com o Weigl, o Tarabt e o Everton. É um trio improvável, mas que até tem corrido bem.