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Nona jornada do campeonato, Gil Vicente 0, Futebol Clube do Porto 1. Vitória suada do Dragão num jogo em que o Gil Vicente ainda tentou que o galo com a crista disfarçasse qualquer coisa de Dragão, mas logo depois, sobretudo na segunda parte, o Porto foi confirmando esse domínio. São nove jogos, nove vitórias para Francesco Farioli no campeonato, no arranque desta época, 27 pontos em 27 pontos possíveis. E Augusto Inácio hoje aqui com uma nota: o homem que resolveu o jogo foi um homem que nem estava para ser titular. Foi lançado o jogo porque Óskar Pytygeski se lesionou ainda no aquecimento e por isso Borja Sáenz cumpriu jogo no lado esquerdo do Futebol Clube do Porto e acabou por ser decisivo. A prova de que o treinador às vezes pode contar até com quem não está à espera.
São acidentes que acontecem. Antes de entrar os jogadores em campo, há um aquecimento e antes de um aquecimento, as coisas podem acontecer, como aconteceu com o Pytygeski e jogou o Borja Sáenz. Mas eu diria que este foi um jogo muito importante para o Futebol Clube do Porto. Depois de dois jogos seguidos, e não é normal o Futebol Clube do Porto ter duas derrotas, pode perder um jogo, mas logo assim ganha. E ter duas derrotas seguidas, ainda por cima na Liga dos Campeões, deixa mossa e marca psicologicamente uma equipa. Ao ponto de algumas pessoas dizerem logo que o Porto já estava em crise, quando tinha oito jogos, oito vitórias. Só que isto é um jogo de campeonato, é um jogo da Liga Portuguesa, tem outros contornos e o Gil Vicente vinha de uma grande vitória em Braga, vinha motivado, mineralizado e tinha uma equipa que sabia perfeitamente bem aquilo que queria dentro do campo. Sabia onde é que podia ferir o Porto. Aliás, nós fomos dizendo aqui no comentário o que o Gil Vicente queria. Queria roubar bolas no meio-campo do Porto e depois lançar o contra-ataque por Joelson e pelo Murillo, que eram as duas setas apontadas, tal e qual como o treinador Luís Pinto do Gil Vicente acabou por referir na conferência de imprensa. Eu diria que o Porto, houve uma altura ali que me pareceu uma equipa cansada, uma equipa sem ideias, uma equipa sem rasgo, uma equipa com pouca intensidade, pouca dinâmica, e isso facilita aquela equipa que está bem organizada, sabe o que quer dentro do campo e que acima de tudo aplica a velocidade quando tem bola e que coloca sempre em causa o perigo na baliza do Futebol Clube do Porto. O que é certo é que fomos para o intervalo e o resultado ajusta perfeitamente bem aquilo que se passou dentro do campo, porque nem Gil Vicente, nem o Futebol Clube do Porto criaram grandes oportunidades. Aliás, o Gil não me pareceu criar nenhuma oportunidade. Teve jogadas perigosas junto à baliza do Porto, é verdade, mas a grande oportunidade é do Borja Sáenz, que mandou a bola contra o guarda-redes, ou o guarda-redes defendeu, do Gil Vicente, e essa foi a grande oportunidade, na minha opinião, da primeira parte. Na segunda parte, parecia que o Porto estava a querer aumentar a intensidade, mas vi-se alguns jogadores que já na primeira parte tinham dado esses indícios de cansaço. Diria eu que Pablo Rosário e Gabi Veiga foram os pontos máximos desse cansaço que o Porto estava a demonstrar, ao ponto de Gabi Veiga ter saído logo ao intervalo e entrou o coreano.
O Hwang Hee-chan.
O Hwang, que deu realmente uma outra festivalidade ao jogo do Porto. Jogou de primeira, tentou rasgar linhas de passe. Foi um jogador muito interessante naquilo que depois era a dinâmica do Porto. E depois, claro, entrou o Samu, que dá outra dinâmica também ofensiva, mas há aqui um jogador que entrou, e já é o meu ponto negativo, mais aqui um bocadinho, quando eu for aos positivos e aos negativos, que não deu resultado. Não deu resultado porque o Gimenez nunca pode ser um jogador a jogar com o Samu, tem que jogar os dois ao lado um do outro, e não um jogando praticamente a quase numa linha e o outro é a ponta de lança. Isso nem pra um lado, nem pra outro, nenhum deles tem essas características e penso que, sinceramente, tenho dúvidas que essa maneira de jogar do Porto fosse treinada sequer. Eu acho que foi mais uma daquelas de: "Pronto, vamos dar uma oportunidade aqui ao Gimenez". Porque o que se pedia mais ali era o Gabi Mec. Eu sempre disse aqui que ele ia ter oportunidades e pareceu-me que estava este jogo com características para isso.
Estava a pedir.
Mas já se percebeu que o Gimenez também é a ponta de lança internacional, que é um jogador que não é nada barato pro Porto, tem que ter alguns minutos.
Tem que de alguma forma ser capitalizado.
Enfim, tem que ser capitalizado, isso é verdade, mas o Porto tem três: tem Gimenez, tem Samu, tem André Silva. Atenção, e o Porto normalmente só joga com um ponta de lança, o Porto normalmente não joga com dois pontas de lança. E por isso, está aqui um exercício engraçado de construir as equipas, que o Pedro Henrique às vezes diz quem é que vai jogar e fica agora na dúvida quem é que será o ponta de lança do Futebol Clube do Porto. Claramente, pra mim, o Samu é o titularíssimo e depois vai se dividir entre o André Silva e o Gimenez, quem é que depois poderá jogar. Mas diria que o Porto acaba por fazer um gol naquilo que o Luís Pinto disse que foi uma pequena desorganização da equipa, mas o futebol tem erros, então o futebol é provocado pelo adversário para a outra equipa, que tem tudo esquematizado, ter os seus erros. E o Porto soube aproveitar esse flanco direito, com o Fraldo a fazer um cruzamento tenso, o Uatu desviou a bola de cabeça e apareceu Borja Sáenz no segundo poste a dominar e arrematar com o pé direito, fazendo um gol a zero, que pode ser que agora, com este gol, que ele motive-se mais, porque o Borja Sáenz tem estado num nível que realmente eu esperava que fosse muito mais do que aquilo que ele tem demonstrado. Mas eu sei que ele teve problemas, teve problemas sentimentais, inclusive, problemas físicos também. Pode ser que agora com este gol que ele possa arribar e dar outra consistência de jogo que o Porto bem precisa e necessita.
E a verdade é que do lado do Gil Vicente também houve grande propensão para o ataque. Falamos de Murillo, também de Joel Santo Fernandes, do ponta de lança Santi García, que hoje na verdade acabou por jogar atrás de Wallace. Temos aqui uma equipa que também foi perigosa, sempre perigosa na forma como abordou o jogo. Eu quis entregar o jogo ao Futebol Clube do Porto, como dizia Farioli, perdi Protegeu muito bem a sua área e esteve sempre na calha para tentar depois, com a velocidade e um-para-um desses jogadores, ferir e beliscar o Foco do Porto. Mas, ainda assim, o Foco do Porto sai deste jogo mais uma vez sem gols sofridos, depois de sete gols seguidos a sofrer, registro pouco habitual para este Foco do Porto de Farioli, volta a não sofrer e diria que a não ter um Diogo Costa particularmente perturbado na noite de hoje.
Sim, diria que o melhor elogio que eu posso fazer ao Gil Vicente é que vendeu caro a derrota. Acho que este é o melhor elogio que se pode dar, já estou a dizer muita coisa com isto. Foi uma equipa sempre bem organizada, sempre bem estruturada, sabia aquilo que queria dentro do campo, mas depois claramente marca a diferença aquilo que são as mais-valias. Às vezes estas equipas grandes marcam essas diferenças. Provavelmente, digo eu, que aquele erro que o Luís Pinto diz da sua equipa que deu o gol ao Porto, se fosse ao contrário, se calhar, se fosse os jogadores do Gil, se calhar, não aproveitavam aquele erro. Diria eu que por isso mesmo é que uns jogam pelo título, outros não jogam. Mas diria que sim, que este Gil Vicente está muito bem. Não é por acaso que ganhou em Braga, não é por acaso que está a fazer o campeonato que está a fazer. Acho que pode fazer mais ainda, que a equipa tem que ainda ser mais solidificada. Tem bons princípios. Eu acho que este Gil Vicente pode ser realmente uma das, porque há outras também que me parece que também, como é o caso do Arouca, por exemplo, o caso do Santa Clara, que podem fazer grande campeonato este ano e sinceramente podem ter uma palavra a dizer na luta pelo quinto lugar. Ou quarto lugar, que o Braga parece que não está também muito bem para já.
E de resto, na passada jornada, vitória do Gil Vicente, precisamente em casa do Braga. Derrota do Braga que motivou a despedimento de Carlos Vinicius. De resto, Franklin Carvalho estreou-se com uma vitória pelo Braga na Liga Conferência, frente ao Guimaraes, por duas bolas a zero. Nova era também novo rumo para os lados de Braga, provocado aqui também um pouco por esta equipa do Gil Vicente. O Foco do Porto conseguiu marcar na segunda parte. Também falámos das melhorias com a entrada de Imbeum e Samu. O que é certo é que quando tentou colocar Jimenez, como falavas, o Porto pareceu não ter ganho nada. A posição de Jimenez não será aquela que quase fez a vez, neste caso, de um extremo. O que procurava Farioli, na tua opinião, fazer isto? Para além de capitalizar o jogador, havia aqui alguma missão tática?
Não me parece que fossem coisas táticas, porque o Jimenez, para já, não corre para trás, é para a frente. A única coisa que eu vejo de positivo aqui na posição em que o Jimenez jogou, atenção, o Jimenez podia ter entrado para jogar ao lado de Samu e mudar o sistema. Em vez de jogar em 4-3-3, jogar, se calhar, em 4-3-4. E aí vejo o Jimenez a jogar ao lado de Samu. Naquela posição, a única vantagem que eu vi, ou que se pode pensar que podia ser essa a ideia, é que nas bolas paradas defensivas e ofensivas, ele podia ser importante. Tudo o resto, naquilo que é o jogo corrido, tudo o resto, naquilo que é o jogo defensivo, não vejo melhorias nenhumas com o Jimenez em campo naquele lugar.
E o que foi para ti esta noite, Augusto Inácio, o pior no Estádio Cidade de Barcelos, nesta derrota do Gil Vicente em casa, frente ao Porto, por uma bola a zero?
O pior foi realmente esse posicionamento do Jimenez, que não me parece que realmente o Porto ganha alguma coisa com isso. E foi a primeira parte, a forma como o Porto nunca insistiu ou nunca investigou a intensidade daquilo que o jogo estava a pedir na primeira parte, que é aquilo que o Porto normalmente apresenta e que desta vez não apresentou. Por isso, eu acho que o pior deste jogo foi a primeira parte do Porto.
E para finalizar, o que foi o melhor esta noite em Barcelos? Nove vitórias em nove jogos para o Foco do Porto. Será este o registro digno de se destacar?
O melhor do jogo de hoje, claramente, que é o Borja Sánchez, que fez o gol da vitória. É nove jogos, nove vitórias. É realmente o Porto que está numa caminhada impressionante e ainda por cima hoje teve mais uma coisa para motivá-lo. Além de ganhar o jogo, não sofreu gols, o que é muito bom. Eu diria que, enfim, para aqueles, e isto é um aviso, para aqueles que dizem que o Foco do Porto está em crise, então venham cá dizer agora que tipo de crise é que o Porto está neste momento.
Está feito e entregue o relatório de jogo da Rádio Observador com o Augusto Inácio. Analisa a vitória do Foco do Porto em casa do Gil Vicente por uma bola a zero. Nove vitórias em nove jogos, 27 pontos em 27 possíveis para os dragões de Farioli. É caso para dizer que a pressão está toda do lado dos adversários do Foco do Porto. Augusto Inácio, podemos também ouvi-lo com notas de 0 a 20 aos protagonistas do dia no mundo do desporto, aqui na Rádio Observador, em sede de E o Campeão É. Um grande abraço, Augusto. Até breve.
Um abraço.