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A moção A, encabeçada por Mariana Mortágua. Vamos acompanhar em direto na Rádio Observador.
Olhem para o que se passa em França, onde Macron subverte a democracia para prejudicar os pensionistas. E ainda assim, Macron e António Costa evocam o seu poder como se nos viessem vacinar contra um vírus. Pois tenho a dizer-lhes que o vírus mais perigoso é esta forma de pisar as pessoas com o empobrecimento, com a desproteção social e com as armadilhas, como aquelas dos tratados europeus, que impõem aos povos a diminuição dos salários e a substituição dos serviços públicos por prestações privadas e desiguais. É deste ataque à soberania democrática que se vai alimentando o vírus da direita e para o combater, a nossa resposta é a segurança da vida das pessoas. Igualdade, habitação, saúde, educação, salário, justiça nos impostos. Não há atalhos. Estes são os únicos remédios contra o vírus.
Estamos a acompanhar a apresentação da moção A, encabeçada por Mariana Mortágua, para a liderança do Bloco de Esquerda.
Dizemos a cada trabalhador e a cada trabalhadora que a esquerda é igualdade, habitação, saúde, educação, salário, justiça nos impostos. É assim que se responde à mentira, é assim que se dá segurança ao povo que trabalha. Camaradas, há um ano sabíamos bem quais eram os riscos da maioria absoluta. Prepotência, conluio com os poderes mais opacos deste país. Mas não imaginávamos a que ponto chegaria a maldição que é o poder absoluto. Não me interessa agora comentar os repetidos tiros do pé do Governo. Só vos digo que este espetáculo horroroso é o desfecho de uma sucessão ininterrupta de irresponsabilidades. A primeira irresponsabilidade foi a crise política para bloquear um orçamento com mudanças sensatas, preferindo aceitar a degradação do SNS. Mais de 1,7 milhões de utentes sem médico de família, pois terminou esta semana um concurso para essa especialidade, em que sete em cada 10 vagas ficaram por preencher. O Governo está a condenar o SNS ao estrangulamento. A segunda irresponsabilidade é o festival de facilidades. Lembram-se da venda pela EDP das seis barragens, que são concessão pública, por 2.200 milhões de euros sem pagar impostos? Sabem dos mil milhões de euros que se desperdiçam em cada ano em insultuosos benefícios a residentes não habituais? Sabem das isenções para os fundos imobiliários e para a especulação? Sabem dos 8 mil milhões de euros em créditos fiscais perpétuos concedidos à banca? Tudo irresponsabilidades do Governo, que cobra o salário, os impostos que perdoa às elites económicas. Contra a irresponsabilidade, quero dizer-vos que o Bloco vai disputar a verdade dos impostos para proteger o povo. E venha o Governo, venha os liberais, venha a direita defender os seus privilégios fiscais, que terão pela frente uma esquerda intransigente e que sabe fazer as contas que contam. Camaradas, a terceira irresponsabilidade do Governo é a resposta à inflação. Um acordo com os patrões para dar a maior borla fiscal do século às grandes empresas, enquanto se condenam os salários a perdas reais. Um acordo com a distribuição comercial que não toca nos lucros dos supermercados. A cumplicidade do Governo com a banca, enquanto as pessoas sofrem com o disparar dos juros. E em cima disto tudo, tanto insulto. Há desempregados de longa duração que ficam fora do apoio extraordinário às famílias. Há lares que se apropriaram da meia pensão paga em outubro. Só 0,3% das cuidadoras informais recebe o apoio que foi prometido. Há pessoas que desesperam para saber se a sua vida é difícil o suficiente para caberem no novo apoio. O insulto é o dia a dia do poder absoluto. Finalmente, a quarta irresponsabilidade. A quarta irresponsabilidade é tratar como estúpidas as pessoas que estão a ser empobrecidas. Professores, médicas, enfermeiros, oficiais de justiça, trabalhadoras da cultura, tantos e tantas outras sabem que o anúncio da prosperidade é um anzol. O Governo chegou mesmo a mentir. O Governo mentiu mesmo aos pensionistas, dizendo-lhes que se não abdicassem do valor real da pensão, o sistema perderia 13 anos de vida. Irresponsabilidade sobre irresponsabilidade. Foi este calvário que nos trouxe aos enredos tenebrosos das últimas semanas. Camaradas, não há atalhos. O ódio combate-se com esperança. O ressentimento cura-se com respeito. O pântano supera-se com democracia e não com uma chantagem ridícula que acusa de populista qualquer voz crítica do Partido Socialista ou do Governo.
Uma crítica agora direta ao Partido Socialista.
Levar este país a sério é dizer ao nosso povo que não estamos condenados à degradação e ao vexame que a maioria absoluta impõe a Portugal. O dever da esquerda, desta esquerda, é recuperar forças, é unir as vontades sociais que não desistem de lutar por uma vida boa. O dever da esquerda é ser unitária e combativa, é falar claro e é mobilizar o povo. Toda a luta tem um objetivo: é a vida boa, é não estar condenada à exploração numa vida arrastada e sem sentido. Querem saber o que é uma vida boa? Perguntem aos jovens o que seria se o seu salário pagasse uma casa. Perguntem a quem está há três décadas num call center sem nunca ter visto um contrato de trabalho decente, o que é uma vida boa. Perguntem aos milhares de pessoas que trabalharam a vida inteira sem passar do salário mínimo, o que seria, para elas, uma vida boa. Perguntem-se a vocês mesmos como seria a vida se toda a gente, se os nossos filhos, se os nossos pais, se os nossos avós tivessem assegurados a tempo, cuidados de qualidade na infância, na saúde, na velhice. Perguntem-se, camaradas, se o direito ao lazer e a férias devia ser um privilégio. Perguntem se o acesso à cultura não vos faz bem, se a alegria não devia expulsar a dormência e a desesperança. A vida boa é esquecermos estas perguntas todas quando tivermos a justiça, o cuidado, o clima, pondo de parte esta ganância que tudo engole. A vida boa é o que merece cada pessoa que trabalha e que ganha a vida assim. Habitação, saúde, educação, salário, justiça nos impostos e tempo para tudo o resto. É isso, a vida boa.
Mariana Mortágua, candidata à liderança do Bloco de Esquerda, a apresentar a moção A.
Este Bloco de Esquerda sabe o que quer e com quem vai, e diz-vos do seu compromisso. Somos uma esquerda que tem a bandeira da liberdade, toda a vontade e toda a força para a luta que conta. Boa convenção, camaradas, bons debates.
Ponto final nesta apresentação de Mariana Mortágua. Ela que subiu ao palco para apresentar a moção A, "Uma Força, Muitas Lutas".