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Vamos já em direto ao Parlamento, onde está a Nadine Soares. Nadine, vamos escutar esses esclarecimentos de André Ventura.
Exatamente. O partido Chega a André Ventura reage a este caso de Nuno Pardal Ribeiro. Vamos escutar.
Cada vez mais fragilizado depois de três casos em duas semanas. Estamos a falar também de outro caso conhecido hoje de um deputado regional.
Eu compreendo a pergunta perfeitamente. Há momentos na história dos homens e da política em que nós temos que mostrar a massa de que somos feitos e a massa de líderes de que somos feitos. Houve outros que protegeram o doutor Paulo Pedroso, o doutor Ferro Rodrigues e casos parecidos. Eu não sou assim. Eu vou exigir consequências desde este primeiro momento. Pode me dizer: "Bom, então, mas este conjunto de casos que há dentro do partido, isso pode afetar?" Um líder não escolhe os casos, mas escolhe a reação que tem aos casos e escolhe a reação que tem àquilo que acontece. A minha é dizer-lhes que têm que sair.
Mais escrutínio também de quem está no partido.
Ouça, estamos a falar de pessoas que não têm cadastro nenhum criminal. Estamos a falar de pessoas que não têm nenhum, nunca tiveram. Deixe-me só dizer isto.
Mais do que o líder não afeta o partido.
Pessoas que não têm nenhum problema com a justiça e que depois têm um problema com a justiça. O que distingue isto é os presidentes de partidos que os protegem, que olham para um lado, como ainda agora vimos acontecer com o Luís Montenegro em relação ao Miguel Albuquerque, por exemplo, por que não se pergunta? Mas deixe-me dar este exemplo. Eu gostava de dar esta diferença. Deixe-me só dizer isso que eu acho que isto é importante de ficar claro. Miguel Albuquerque está indiciado por corrupção. Luís Montenegro mantê-lo à frente da candidatura para o PSD Madeira e para as regionais da Madeira. Nós temos casos como este que referiu e outros, e o que eu digo é que estes elementos não podem ser candidatos a nada, têm que sair. E, portanto, eu não escolho, nem Luís Montenegro escolhe, nem Pedro Nuno Santos escolhe os casos. Escolhemos uma coisa, a reação que temos aos casos. A nossa é de intolerância total ao crime.
E essa garantia de firmeza, neste caso em concreto, com este deputado municipal do Chega, André Ventura também defende a castração química.
Eu penso que uma vez, não sei se foi à SIC ou à TVI, perguntaram-me: e se fosse um familiar meu, como é que eu reagiria? E eu respondi exatamente desta forma: se fosse o meu pai, o meu irmão ou alguém da minha família que cometesse crimes contra menores, eu defenderia exatamente a mesma castração química para pedófilos ou para abusadores de menores que defendo para todos os outros. O mesmo que seria para o meu pai, para o meu irmão, para o meu amigo mais próximo, porque eu não tenho dois critérios. Eu acho mesmo que nós temos que, em política, ser coerentes. E, portanto, se defendermos que os crimes contra menores são abjetos, nós não podemos dizer que há castração química para uns e não para outros. Deixem-me dizer-vos isto hoje, porque eu acho...
Disse isso hoje ao deputado do Chega, que gostava que ele fosse castrado.
Mas eu não tenho que dizer. Eu estou lhe a dizer aqui agora, sim. Portanto, não preciso dizer a mais ninguém. Estou a dizer ao país, que é o que eu acho. Eu não estou a dizer A, B ou C. Estou a dizer que quem é abusador de menores deve ser castrado. Acho que é relevante dizer ao país que mantenho a minha posição, sim. Acho que é relevante dizer isto. Eu dizia há cinco anos que defendo a castração química para quem é pedófilo. Defendia há dois anos que defendo a castração química para quem é pedófilo. Defendo hoje que quem é pedófilo deve ser castrado quimicamente, seja meu pai, meu irmão, meu amigo, meu tio, meu colega de infância, deve ser castrado. Esta é a diferença, porque se eu olhasse para uns e para outros, quando quem comete o crime são pessoas mais próximas ou menos próximas, então eu não estaria a ser um bom político, eu estaria a ser um político igual aos outros. E eu não sou um político igual aos outros. Eu quero mesmo fazer esta diferença.
Mas aparentemente o próprio visado defendia isso, defendia a castração química em declarações que temos, ao mesmo tempo que estaria a fazer, se estas acusações se comprovarem, isso não chocou?
Claro, acho que choca a mim, choca o país todo, mas reforça a minha ideia de que os pedófilos, se isto se confirmar, pedófilos, abusadores de crianças, devem ser castrados quimicamente.
O campo de ação do Chega não diminui.
Ouça, esta é a diferença. Há líderes políticos que dizem que estas operações são negativas, que mancham a democracia, que visam acabar com os partidos e com a democracia. Eu disse para os outros partidos o que estou a aplicar ao meu próprio e o país julgará a minha ação como líder do partido. Obrigado. Obrigado, porque cada vez que a Polícia Judiciária, o Ministério Público, a PSP, a GNR, lançam ações de escrutínio, de fiscalização sobre os políticos, estão a fazer o que nós queríamos fazer, o que nós queremos fazer à classe política toda. E o Chega não é exceção. Se há que fazer limpeza em todos, faremos em todos. Eu não quero um critério para o PSD, para o PS, diferente do Chega. É começar no próprio Chega, é começar aqui em casa.
Vocês vão criar mecanismos, então, para evitar essas situações?
Deixe-me dizer, vocês tiveram a malfação influencer no PS a atacar a Justiça, no caso Casa Pia, o PS a atacar a Justiça, no caso Tutti Frutti, o PSD a atacar a Justiça. Vejam, André Ventura, líder do Chega, obrigado, Justiça. Obrigado. Deixem-me dizer isto. Obrigado por fazerem o trabalho de escrutínio, de investigação, doa a quem doer e leve as consequências a quem levar, porque isso é que faz a diferença.
Alguma medida para não voltar a acontecer, porque são muitos casos a violarem o que o Chega defende.
Bom, não é certamente mais caso do que o PSD, o PS e todos os outros, mas mesmo assim, o Chega tem um critério muito mais exigente.
O que é que André Ventura costuma dizer nesses casos aos outros partidos? Nomeadamente, costuma pedir até a demissão desses partidos.
Foi o que disse hoje mesmo.
E André Ventura não tem a liderança fragilizada por causa de tantos casos em poucos dias.
O André Ventura exigiu a todos os outros o que exige aos outros partidos, que saiam. Ainda ontem. Eu ontem disse ao doutor Luís Montenegro isto: "Por que demorou tanto tempo a demiti-lo?" E ele disse: "Bom, não foi preciso," mas quantos dias passaram? Cinco, seis, sete dias. Sabem o que eu fiz hoje? Disse: "Nuno, tens que sair."
Por causa disso que saiu logo.
Sabem quantas horas tinham passado? Evidente.
Não vê razões para apresentar a demissão da presidência do partido.
Deixem-me só dizer isto. Ao fim de duas horas de terem saído essas notícias, eu disse: "Nuno, tens que sair." Luís Montenegro segurou o seu secretário de Estado durante seis dias.
Reforço a pergunta do meu colega: não se sente um líder mais fragilizado? Não acha que está em condições de continuar na liderança?
A liderança do partido está nas mãos dos militantes do partido. Essa não é uma questão para agora, essa não é uma questão do momento. Este líder é sempre o responsável político do que ocorre no Chega. Mas sabe uma coisa? Sabe que quando exige aos outros limpeza, faz essa limpeza. Quando exige aos outros justiça, não ataca a justiça, agradece à justiça. Quando há casos no seu próprio partido, não olha para o lado nem se esconde no gabinete de vocês. Deixem-me só dizer isto. Vocês estão aqui todos à porta do meu gabinete. Estamos ao dia 6 de fevereiro. Eu estou aqui com todos, não há nenhum órgão de comunicação que aqui não esteja. E eu não estou aqui escondido nem me escondi ali dentro. Estou aqui a dizer-vos: é grave, o que eu defendo para outros, se forem abusadores de menores, é o mesmo que defendo para este. O que eu defendi para os outros políticos de serem afastados, foi o que eu fiz hoje de manhã, enquanto líder do partido. Isso é a diferença do Chega para os outros. Isto é o que eu vou continuar a fazer.
E perante nós pode garantir que não há mais casos semelhantes no partido?
Ouça, você não sabe se não há mais casos entre estes jornalistas que aqui estão. Se houver, a sua estação afasta-lo-ia.
Mas admite criar mecanismos para evitar situações dessas dentro do partido?
Ouça, não há ninguém que venha para o partido a quem eu não pergunte: "Tens alguma questão com a justiça? Há alguma questão que afete?" De alguém que vem assumir essa posição relevante. Agora, no caso desta pessoa, não havia nenhum cadastro, não havia nenhum elemento criminal, como no caso da Miguel Arruda. E portanto, eu deixarei aos portugueses este julgamento. Eu dependo do voto das pessoas. E portanto, eu sei que as pessoas farão o seu julgamento sobre mim.
Deixe-me fazer uma pergunta.
Deixe-me só dizer isto. As pessoas farão o seu julgamento sobre mim. Eu não posso dizer você, você ou você, e ter a certeza que vocês não têm nenhum problema. Eu posso é fazer o seguinte: se eu escolher a um de vocês, quando tiverem problema, eu vou questionar por que têm este problema, qual é a razão deste problema. E se a razão não for credível ou não for justificável, eu digo que tens que sair. Essa é a diferença do Chega pra 50 anos de proteção de criminosos em Portugal. Essa é a diferença. A liderança do partido, os militantes terão todo o tempo de voltar a escolher, se entenderem, outro presidente, outro líder. Eu estou aqui agora para dar a cara e para dar o corpo pelo Chega. Um dia haverá um congresso e os militantes do Chega, certamente, depois de mim, escolherão alguém melhor do que eu pra essa função.
Deputado regional dos Açores que foi apanhado quando se bebia.
Não tive a oportunidade de falar com o deputado regional dos Açores. Entendo que a questão que foi colocada hoje relativamente a um menor era especialmente grave para focar a minha atenção. Não tive ainda tempo de fazer nenhum outro contacto, mas farei certamente esse contacto também.
Pode garantir que a bancada do Chega vai receber Miguel Arruda com a dignidade que o Parlamento lhe merece?
O Chega assumiu a sua posição de que entendia que não devia ser esta a disposição. Uma vez que foi decidido assim em conferência de líderes, vamos manter aquilo que sempre mantivemos e sempre defendemos em democracia, que é a nossa capacidade de respeitar as decisões democráticas. Porém, discordando delas, mesmo discordando delas, temos a nossa capacidade de as respeitar. E é isso que certamente faremos.
André Ventura diz que não é assim, não olha para o lado, mesmo quando se trata do próprio partido. André Ventura, que disse a Nuno Pardal Ribeiro, este deputado que está acusado de dois crimes agravados de prostituição de menores, que tem de sair. Ele próprio que disse a este deputado que tem de abandonar o partido, que não olha para o lado quando se trata da própria casa. São declarações de André Ventura aqui à porta do gabinete do Chega, que diz dar a cara mesmo quando existem casos criminais dentro do próprio partido. Diz que é assim, nunca vai deixar de ser. Esta postura de André Ventura, que reage agora depois do silêncio do partido Chega a este caso de Nuno Pardal Ribeiro. A primeira reação de André Ventura a este caso. André Ventura que disse também que vai receber, obviamente dentro da dignidade parlamentar, era o que dizia o líder do partido Chega há pouco. Por quê? Porque Miguel Arruda regressa hoje ao Parlamento, já vai assistir a este plenário que arrancou há pouco. Miguel Arruda que terminou o período de baixa e está de regresso ao Parlamento para assistir a um plenário dedicado à saúde, onde vai estar a ministra Ana Paula Martins. Vai manter-se no mesmo lugar, não se compromete a votar ao lado do Chega. São estas as novidades esta tarde aqui na Assembleia da República. Uma reação de André Ventura e o regresso de Miguel Arruda ao Parlamento.
Nadina Soares, aqui em direto com esses esclarecimentos de André Ventura relativamente aos mais recentes casos que estão a envolver o partido.