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Sr. Presidente da Assembleia da República, Sr. Primeiro-Ministro e Srs. Membros do Governo, Sr. Cardeal Patriarca de Lisboa, ilustres convidados, Sr. ex-Presidente da República, Sr.as e Srs. Deputados. Começo por recordar que o CDS não só discordou desta cerimónia em tempo de pandemia e em estado de emergência, como propôs uma alternativa viável e responsável para uma evocação que consideramos fundamental por representar a liberdade. Isso nunca esteve em causa. Olho para esta sala e verifico até que os partidos que a impuseram a foram reduzindo e espaçando, seja em número de deputados, seja em número de convidados. Afinal, ao contrário do que disseram, a questão nunca foi ideológica. Quando muito, era uma questão de lógica. E não usarei sequer a liberdade, que devo ao 25 de Abril, para responder ao muito que ouvimos por termos esta posição. Isso só qualifica quem o proferiu e não ofende quem quer. O CDS é um dos quatro partidos históricos da nossa democracia e a voz representativa da democracia cristã neste Hemiciclo desde as primeiras eleições livres. Não aceitamos lições de democracia de ninguém. Com esta cerimónia, em estado de emergência, o que o poder político está a dizer é que permite para si mesmo aquilo que proibiu aos portugueses e que não respeita para si próprio o que exigiu ao povo: isolamento e confinamento. Enquanto aqui celebramos, os portugueses não se podem juntar para celebrar nada, nem o seu próprio aniversário. Enquanto aqui celebramos, os nossos idosos estão isolados e as crianças deixaram de ver os seus amigos. Muitas são as famílias que não puderam sequer despedir-se dos seus mortos. Milhares perderam o seu emprego e inúmeras empresas foram obrigadas a fechar. Muitos não vão poder estar com as suas mães no próximo dia 3 de maio ou celebrar a sua fé no dia 13 de maio. Em democracia, não há datas prescindíveis e outras imprescindíveis por imposição de uma maioria. No país, esta celebração dividiu os portugueses quando o momento é de união. Todo o país deve respeito a este Parlamento, mas o Parlamento também deve respeitar os portugueses. Hoje, 25 de abril de 2020, a nossa liberdade coletiva é defendida por todos os que, na primeira linha, estão a salvar vidas, mas também por todos aqueles que, respeitando o que o poder político determinou, estão confinados, abdicando da sua liberdade individual. Por isso, este é um mau exemplo. Ainda assim, estamos aqui mandatados para, coerentemente, lavrar o nosso protesto democrático, não deixando de cumprir o nosso dever. Viva a democracia, viva Portugal.
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