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Não se fala.
Não se fala.
Não se fala.
Perez Hilton, não Paris Hilton, mas Perez Hilton, um conhecido influenciador que eu ouvi falar muito remotamente, está agora em todas as notícias porque foi hospitalizado na terça-feira depois de a polícia de Miami ter recebido várias chamadas a alertar para atos de automutilação deste criador de conteúdos transmitidos em direto na rede social TikTok. Este blogger cubano-americano foi resgatado em segurança, levado para um hospital local, de acordo com as autoridades de Miami. E apesar da transmissão do vídeo em que se automutilava ter sido interrompida, e de a conta de TikTok de Perez Hilton ter sido suspensa, a plataforma recebeu fortes críticas dos utilizadores que se referiram a estas imagens como traumatizantes e basta imaginar que devem ter sido mesmo. As autoridades também explicaram qual é o procedimento nestes casos, o que tentam fazer em incidentes que envolvem uma pessoa a passar por uma crise de saúde mental ou a magoar-se ativamente. Os agentes dão prioridade à desaceleração da situação, desde que não haja terceiros em perigo, e foi isso que aconteceu. Entretanto, a família de Perez Hilton emitiu um comunicado a dizer que o blogger influencer está a receber cuidados médicos, está hospitalizado, e que o foco neste momento é o bem-estar. Um pouco sobre a história deste Perez Hilton, o nome dele verdadeiro é Mario Armando Lavandeira Junior, e ele ganhou destaque em 2004 com um blog, ainda na altura, no período áureo dos blogs, em que comentava a vida das celebridades e envolveu-se em várias polémicas devido às críticas, à forma tanto ácida como se referia a celebridades como Miley Cyrus ou Lady Gaga também, que chegou a ser sua amiga, mas depois desentenderam-se. E um dos casos mais conhecidos aconteceu em 2009, quando foi agredido por um membro dos Black Eyed Peas, porque tinha usado um insulto homofóbico em referência a um dos membros da banda, o will.i.am. E nos últimos anos, ele mudou um pouco o estilo de comentários. Houve aqui uma reformulação da sua postura nas redes sociais, mas agora parece que é ele próprio vítima, ao nível da saúde mental, deste ambiente, que acaba por ser muitas vezes tóxico. Como disse, está neste momento hospitalizado e parece que a situação está mais ou menos controlada. Levanta aqui também muitas questões sobre os conteúdos que são exibidos nas plataformas, nas redes sociais.
E há tempo que mereceu ser retirado, não é?
Exatamente. Porque é verdade que não será possível controlar tudo, mesmo em tempo real, e impedir logo a transmissão, mas deveria haver mecanismos, de facto, que garantissem isso mesmo. Não foi o caso. Agora, importa é que Perez Hilton esteja bem.
Claro que sim. Eu trago uma notícia de que o Paulo se lembra bem. Os 60 anos da Ponte 25 de Abril. Não vou conseguir. Bom, fez 60 anos ontem, queria te provocar.
É verdade.
Lembre-se do champanhe. Lembro que já estava na faculdade. Para nós, sempre lá esteve. É uma ponte que para nós sempre lá esteve, tal como para outra geração é a Ponte Vasco da Gama. Ou para outras gerações temos sempre Paris. Temos sempre Paris.
Para outras gerações é de Vila Franca. Ainda ontem, a propósito desta comemoração dos 60 anos, havia reportagens recuperadas da RTP na altura.
Sim, uma delícia.
E então pessoas a dizer que iam poupar muito tempo, porque já não tinham de ir dar a volta por Vila Franca. E outras a queixarem-se da dificuldade que era fazer a travessia de barco. Muitas vezes tinham que ficar duas horas à espera de barco, porque era muita gente e não havia ponte.
E não havia uma ponte. Imagine-se, foi de facto uma transformação enorme. Aliás, o Diário Popular, por exemplo, escreve: "A inauguração da grande ponte sobre o Tejo atraiu milhares e milhares de pessoas a todos os pontos altos de Lisboa e de Almada, desejosos de assistir a esse momento histórico". Portanto, houve mesmo aqui uma reunião sem drones, e reuniu assim tanta gente. Ora, a imprensa foi recordando aqui os vários números que envolvem o início da construção desta ponte, que começou em novembro de 1962. Imagine-se que a obra ficou concluída em menos de quatro anos, seis meses antes do prazo previsto. E só por isto também é histórico. Quanto é que custou? Quatro vírgula 49 bilhões de euros, há cerca, bilhões de contos. Traduzindo, 22 bilhões de euros, um pouco mais de 22 bilhões de euros. Foram cerca de 3 mil trabalhadores todos os dias a trabalhar para construir esta ponte, com 14 empresas de construção civil, 11 das quais portuguesas, dezenas de milhares de toneladas de aço. E depois também esta ideia de que não é uma coincidência o facto desta ponte, agora 25 de Abril, inicialmente a Ponte Salazar, ser muito semelhante com a Golden Gate, em São Francisco, as duas pontes suspensas por cabos de aço, as torres metálicas de cor alaranjada, pois a empresa construtora é a mesma norte-americana, American Bridge Company. Como em todas as situações da vida, apesar das vantagens que trouxe à mobilidade entre as duas margens do Tejo, também houve muitas críticas, sobretudo ao impacto social que teve com a deslocação de milhares de moradores do Vale de Alcântara, que foram desalojados para permitir a instalação dos acessos dos pilares. Na altura, o arquiteto Núrio Tomé Pereira criticou muito o regime de Salazar pelas condições com que fez com que essas pessoas fossem desocupadas daquele lugar. Viviam em bairros de barracas. Muitos foram deslocados até para os Olivais, mas a forma como o planeamento correu foi criticado De uma forma mais clandestina devido aos tempos e à censura. Claro. Não era chegar aí e criticar. Não era chegar e eu posso aqui criticar.
Nas redes sociais.
Não é assim. Nem pensar nisso. Outros factos importantes da história da ponte: foram precisas três décadas para que a ligação ferroviária, que estava nos projetos desde o início, começasse. Foi no dia 27 de julho de 1999, e aqui eu posso dizer, eu estava lá. Até me lembro bem. Começou por fazer a ligação entre o Fogueteiro e Entre Campos, com sete estações. O percurso começou a fazer-se em 27 minutos, muito mais rápido do que o percurso de carro. Engarrafamentos constantes. Engarrafamentos constantes. Em 2003, a ligação estende-se a Romarieiro, em Lisboa. Em 2004, fica a extensão completa, já a ligar Setúbal também, num trajeto que ainda assim demora 57 minutos. Um outro número muito importante: já foram transportados pela Fertagus, desde o início da ligação ferroviária, 560 milhões de passageiros, o que é mais do que toda a população da União Europeia. Impressionante. É impressionante.
Deixa-me só lembrar aqui também um livro, ganhou o Prêmio Leia no ano passado, que é precisamente sobre a construção da ponte, o "Pés de Barro", do Nuno Duarte.
Sim.
Raramente há livros em Portugal, livros de ficção, romances, que tratem aspectos como este da nossa história contemporânea e algo tão importante que acabou por ser tão decisivo para a vida de quem está na margem sul, em Lisboa, e sublinhar esse livro e esperar que um dia haja talvez ou uma série de ficção ou um bom documentário. Eu acho que temos aqui material para um grande documentário, porque acaba por ser uma obra impressionante de engenharia para aquele tempo.
Aliás, no artigo do Observador, relativamente ao nome, consta que Salazar nem queria que a ponte tivesse o nome dele.
Então foi-lhe feita à vontade.
Aquela modéstia do homem de Santa Comba.
Foi-lhe feita à vontade depois do 25 de Abril.
Exatamente.