Depois de anunciar para 2027 a chegada do A110 eléctrico, a Alpine prepara já o seu próximo modelo desportivo, que será igualmente eléctrico mas maior, mais espaçoso e mais potente, recuperando ainda uma denominação particularmente importante para o construtor francês: A310. E se o A110 foi concebido tendo em vista bater-se com o Porsche Cayman, o A310 visa mais alto na gama da marca germânica, apontando directamente ao 911.

De momento, o novo desportivo francês é apenas apresentado como A310 Vision Concept, o que se pode traduzir por protótipo, com a Alpine a afirmar que ainda não tomou a decisão de avançar para a fabricação em série deste coupé de quatro lugares (2+2), o que certamente dependerá do nível de recepção que este concept granjear junto do público e potenciais compradores. Contudo, o facto de a Alpine ter sido apanhada a testar um modelo com as proporções do A310, prova que o construtor pode ter o maior desportivo da gama num estágio de evolução mais avançado do que quer fazer querer, tanto mais que ao A310 cabe a desafiante missão de enfrentar o Porsche 911, ainda que não esteja ainda previsto o lançamento da versão eléctrica do modelo mais famoso da Porsche.

Escultura revela formas do próximo Alpine A110 eléctrico

A marca revelou que o A310 foi concebido sobre a mesma plataforma APP (Alpine Performance Platform) da Alpine, que já se sabia que além de permitir construir um coupé relativamente curto e muito baixo, como o A110, servirá igualmente para conceber uma berlina com quatro lugares e outras tantas portas, que deverá ser o segundo modelo a chegar ao mercado deste construtor francês do Grupo Renault. O agora revelado A310 Vision Concept abre a porta para o terceiro modelo eléctrico a ser produzido com a mesma plataforma e o quarto eléctrico da marca, depois do pequeno e ágil A290 derivado do R5 E-Tech.

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O Alpine A310 original foi produzido durante 13 anos, a partir de 1971, tendo provado o seu potencial na competição ao vencer o campeonato francês de ralis em 1977 com Guy Fréquelin, antes de evoluir para o Grupo B em 1983, mas sem tanto sucesso. Uma das limitações do modelo era o V6 PRV, que estava longe de ser o ideal para competição, além da distribuição de massas pelos dois eixos incidia demasiado sobre a traseira, à semelhança do já então rival Porsche 911.

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Se nos anos 70 o A310 não era o mais sofisticado ou eficiente dos coupés desportivos 2+2 do seu tempo, o próximo A310 eléctrico pode ambicionar ser uma das referências do segmento. Isto porque a Alpine usa uma plataforma específica para coupés, com uma posição muito baixa, o que obriga a dividir o pack de baterias em dois, otimizando igualmente a distribuição de peso pelos dois eixos. Simultaneamente, o chassis é muito leve, respeitando a filosofia da Alpine, que sempre privilegiou cortar no peso em vez de procurar uma potência superior.

Paralelamente, a plataforma APP está associada a uma arquitectura de 800V, o que lhe permite carregamentos a potências superiores e, logo, mais céleres. E isto joga a favor da Alpine e da sua tradicional estratégia do “baixo peso”, uma vez que as cargas rápidas permitem usar baterias com menor capacidade, que por definição são mais leves, o que ajuda a optimizar o comportamento.