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Uma cidade, que é a cidade de Braga, que tem milhares de pessoas que se movimentam no município, no seu dia a dia, no seu cotidiano, utilizando nomeadamente os TUB, os Transportes Urbanos de Braga. O Teotónio Andrade dos Santos é administrador executivo dos TUB. Viva, Teotónio. Os transportes públicos ou os transportes coletivos são uma peça fundamental quando se pensa num território com as características do território de Braga, onde há milhares de pessoas a movimentarem-se para as fronteiras da cidade, para os parques tecnológicos e para as fábricas.
Exatamente. Há muitos anos que os transportes públicos de Braga deixaram para trás os prejuízos e a perda de clientes. E hoje, em Braga, os transportes públicos aproximam as pessoas, aproximam os territórios e asseguram mais oportunidades. Oportunidades no acesso ao trabalho, à educação, à saúde, à cultura. E por quê? Porque investimos muito. Ao longo dos últimos 12 anos, investimos na criação de um ecossistema. Melhoramos muito a oferta, que cresceu quase 30%. Renovamos a frota, investimos 49 milhões de euros em 103 autocarros, 78 elétricos e 32 a gás natural. Criamos simplificações tarifárias para as pessoas saberem o que podem comprar. Reduzimos também preços tarifários e toda a criação deste ecossistema traduziu-se no crescimento de clientes de 44% em 12 anos.
Portanto, é verdade quando se diz se investirem na infraestrutura de transporte público, a procura aumenta.
Os resultados vêm, exatamente. É preciso desenhar bem as linhas, responder às necessidades das pessoas. E hoje podemos dizer que somos mais do que uma empresa transportadora. No fundo, estamos a contribuir para a melhoria da qualidade da cidade, de quem lá vive, de quem estuda, de quem trabalha e de quem investe.
Têm 161 viaturas. Quantas pessoas transportam por dia os TUB?
Mais de 60 mil.
Todos os dias?
Sim. Só para ter uma ideia, há 12 anos nós carregávamos mensalmente cerca de 20.500 passes e terminamos o ano passado com quase 52 mil passes carregados mensalmente. Portanto, o número de passes aumentou 150%. Isto cruzado com os utilizadores diários, que utilizam regularmente, que cresceram 44%, mostra que há claramente mais pessoas a utilizar e a confiar no transporte público. O transporte público deixou de ser visto como um transporte de velhos, de pobres e de crianças, os mais velhos porque já não tinham carta, os novos que ainda não tinham e os pobres que não tinham mais alternativa. Irão, nós estamos a conseguir atingir todas as classes, em particular a classe média, que utiliza diariamente o transporte público.
Eu diria que se for um meio de transporte eficiente, é um luxo, não é?
Sim, temos investido muito, 49 milhões nos últimos anos, transportes fiáveis, com internet, com ar-condicionado, com um conjunto de características, descarbonizados e que têm contribuído muito para a qualidade de vida na cidade.
Qual é o preço do bilhete de autocarro aqui em Braga?
O passe mais caro custa 24 €.
E o mais barato?
O mais barato é gratuito.
Da Universidade do Minho circula gratuitamente.
Sim, qualquer estudante, qualquer um de nós, se inscrever na universidade, para fazer uma mestrado ou doutoramento, tem acesso ao passe gratuito.
Pronto, e um jovem adulto como eu.
Aqui no centro da cidade, o passe custa 12 € para o mês todo, sem limite de viagens. Portanto, é um valor irrisório e que não tem peso. No fundo, com isto estamos também a ajudar o rendimento das famílias, a reduzir despesas das famílias, para que as famílias possam utilizar esse rendimento disponível noutras áreas de atuação.
Teotónio, toda a economia portuguesa, europeia e mundial vai ter que se adaptar a um mundo de alterações climáticas. Está toda a gente a fazer um intenso trabalho de descarbonização. Isso tem sido um desafio, um problema para os Transportes Urbanos de Braga?
Temos investido muito. Nós compramos 78 autocarros elétricos completamente descarbonizados, que exigem, além dos autocarros, que custam cerca de meio milhão de euros cada um, exigem um conjunto de infraestruturas. Temos vindo a comprar terrenos junto ao nosso parque de material e oficinas para alargar o nosso espaço disponível, porque é preciso ter carregadores. Normalmente, a nossa operação funciona das 05:00 até à 01:30 da manhã do dia seguinte e portanto, temos ali umas horas de interrupção do serviço onde os autocarros são carregados, cada um no seu carregador, e portanto, temos vindo a adaptar-nos às novas circunstâncias e à nova modernidade.
Isso passa, por exemplo, por carregadores através de painel solar, com recurso a painel solar?
Ainda não, temos postos de transformação. Estamos agora a investir no nosso parque material de oficinas. Nós orientamos muito para o exterior. Primeiro, a empresa vinha de grandes prejuízos há mais de 12 anos. Nós orientamos para os clientes, responder às suas necessidades, aumentar a oferta, aumentar os clientes, acabar com os prejuízos. E agora estamos numa fase de interna consolidação e de preparar o nosso parque de material e oficinas para responder a todas essas questões que foram sendo tratadas, nomeadamente a questão do depot dos autocarros.
Como é que se mantém uma rede que presta um serviço ótimo aos cidadãos e à cidade?E que seja ao mesmo tempo sustentável do ponto de vista financeiro.
Há alguns apoios do Estado que tivemos nos últimos anos e nos congratulamos por isso.
Sem eles a operação seria insustentável?
Sim, sem o apoio do Estado, sim. Ainda temos bastante receita própria.
A Santa Bibliótica não paga o transporte dos alunos.
Não, porque há muitos descontos e há muitas gratuidades. Mas fomos também dando passos. Ou seja, nós deixamos de ser uma empresa só de autocarros para ser uma empresa de mobilidade. Nós, neste momento, também exploramos, num ciclo virtuoso, o estacionamento à superfície. Ou seja, em termos conceptuais, há uma rede de transportes, quem quiser utiliza, quem não quer vem no seu carro e paga o estacionamento à superfície. No fundo, esse pagamento, a receita do transporte individual, do estacionamento, refinancia o sistema de transporte, portanto, num ciclo virtuoso.
Já estão a recorrer à inteligência artificial para fazer a gestão da rede ou não?
Sim, já temos uma área tecnológica muito forte, que é liderada inclusivamente por uma pessoa que é professor também na Universidade do Minho e que tem dado um salto qualitativo. Já temos títulos digitais, já utilizamos a inteligência artificial e temos vindo a desenvolver muitos trabalhos nessa área.
Poderemos ver aqui no futuro autocarros autónomos em Braga?
Ainda não estamos nessa fase. Mas, por exemplo, já temos mapas a saírem através da inteligência artificial de uma forma automática.
Como assim?
Mapas que vão ser colocados nos abrigos com a informação para os clientes, que saem de uma forma automática a partir do nosso sistema de planeamento das rotas e dos horários ao público.
Quer concretizar melhor, Tiotónio?
Por exemplo, um cidadão que pode ter uma aplicação ao mesmo tempo que tem uma informação em tempo real, mas quem não tem um smartphone, vai para a paragem e no abrigo aparece o mapa com os horários previstos de passagem, com as rotas desenhadas, com as várias alternativas das linhas, que já saem por inteligência artificial, porque só desenhar isso tudo manualmente é um trabalho impensável. Porque nós temos 2000 paragens em todo o território.
Aqui desconfesso a minha profunda ignorância. Há uma aplicação já para o uso do Tube?
Sim.
Podes acompanhar os autocarros em tempo real?
Em tempo real, exatamente.
Portanto, na minha aplicação no smartphone, eu sei quando vem aí o 43 que me há de levar.
À Câmara Municipal, por exemplo.
É o 43. Perfeito.
Exatamente.
Hoje é terça-feira, é dia de ir à Câmara.
Vai para a paragem e com a aplicação vê quantos minutos faltam para passar o autocarro e qual é o destino. Portanto, no fundo, até ajuda a planear rotas. Quando eu quero ir do ponto A para o ponto B e se o autocarro está a aproximar-se. No fundo, uma das principais situações da não utilização é a desconfiança do serviço. Ou seja, mais do que tudo, a aplicação dá uma confiança de que o autocarro vai chegar. Pode demorar mais um minuto ou dois, pode estar atrasado, que houve um acidente, houve alguma particularidade.
Mas ele vem aí.
Mas ele vem aí. É confiança do que vai acontecer.
Deduzo que a maior parte dos utilizadores sejam universitários. Ou não?
Ainda não. Ainda temos muitos reformados.
Quando diz ainda, é porque quer que sejam.
Sim, estamos a captar cada vez mais clientes nos vários segmentos, incluindo o passe normal, que é o passe que é pago integralmente pelos seus utilizadores, tem vindo a crescer substancialmente.
Portanto, o vosso inimigo, se pudermos dizer as coisas desta maneira, é o carro próprio.
O carro é indispensável para determinados percursos, mas, no fundo, nós queremos captar e fazer uma transição modal. Ao mesmo tempo que já fizemos a transição energética, porque os autocarros já são descarbonizados, estamos a fazer uma transição modal do transporte individual para o transporte coletivo e, no fundo, melhorar a qualidade de vida da nossa cidade.
E escalar, porque isso é muito importante quando se gera uma rede de transportes pública.
Sim, a nossa rede já tem 300 km de extensão, já cobre todas as freguesias e uniões de freguesia e está a ser incrementada todos os dias. Temos um gabinete de estudos, que estuda todos os acontecimentos da cidade, as empresas que se vão instalar. No fundo, com muita coordenação com a Invest Braga, com a Câmara Municipal e com as associações empresariais. E, no fundo, antecipamos a situação para que quando uma empresa se instale, já tenha a disponibilidade de haver transporte.
Muito bem. Para os ouvintes de Braga, quer dar-nos aqui já em primeira mão qual vai ser a próxima linha a ser criada pelo Tube?
Exatamente. Nós temos previsto no nosso plano de atividades e orçamento para este ano, a criação de uma nova linha que liga a universidade ao hospital privado. No fundo, contornando a cidade, é uma circular à cidade.
Muito bem. É uma novidade.
É uma linha que vai ser lançada e que vai ter uma frequência de 25 minutos.
Tiotónio Andrade dos Santos, muito obrigado por ter vindo à emissão da Rádio Observador, aqui do Teatro Circo, em Braga, onde decorre a Cimeira da Indústria. Muito obrigado.