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E até bem perto das 16h com Sérgio Agrelos, um dos administradores da F3M, empresa de Braga, que também está em Lisboa e em Moçambique, e que se dedica ao software, infraestruturas de tecnologia de informação e também telecomunicações. Bem-vindo, Sérgio Agrelos.

Olá, boa tarde.

Estão ligados a um serviço que é complementar à indústria. Têm acompanhado o desenvolvimento da indústria aqui na região de Braga e também da região minhota. Deduzo que tenha tido boas notícias nos últimos tempos, porque a indústria aqui está com uma enorme pujança, não é?

Olá, boa tarde. Muito obrigada pelo convite, antes de mais. Sim, de facto, eu diria que a região de Minho está pujante, utilizando um termo mais popular, mas está desde alguns anos a esta parte, não é de agora só. E nós temos, eu diria, que a sorte de termos a nossa sede aqui em Braga. Nós somos um produtor e um implementador de tecnologia já há cerca de 39 anos. Fazemos 39 anos de existência em julho e temos uma componente muito forte, uma interação muito forte com a indústria, não só da região, nós estamos no país todo, mas sim, grande parte dos nossos clientes estão aqui e grande parte deles são da indústria.

A F3M é uma empresa que serve serviços de telecomunicações e tecnologias de informação ou é também developer, também desenvolve?

Sim. A nossa génese é de produção de software. Nós fomos constituídos há 39 anos como um produtor de software. Evidentemente, ao longo dos anos fomos alargando.

Em 1987, não é?

Por aí, certo.

Deixe-me adivinhar, numa cave a bater código em MS-DOS.

Éramos quatro jovens, aliás, o F3M são as iniciais de cada um dos sócios-fundadores da empresa, mas foi mais ou menos por aí. A génese é o curso de Engenharia de Sistemas e Informática aqui da Universidade do Minho e quatro jovens juntaram-se na altura e formaram a F3M. Com uma matriz muito forte no âmbito da componente de desenvolvimento de software, mas alargamos o nosso portfólio e nós atuamos em vários nichos. Desenvolvemos software para nichos muito específicos do mercado, economia social, a saúde, as óticas, mas com uma componente muito forte na indústria. Para além do software, nós temos também vários serviços. Levamos a cabo vários serviços para a indústria, não só a implementação do dito software, como de serviços, para lhe dar um exemplo, de consultoria, de RGPD e RGPC. Estes termos têm estado muito na voga, mas têm a ver com o Regime Geral de Proteção de Dados e Regime Geral de Prevenção à Corrupção. São alguns dos serviços que nós levamos a cabo também para a indústria.

Muito bem. Fazem a gestão de IPSS e também de misericórdias. Entre outras coisas, gestão de óticas, unidades de saúde, setor têxtil, avaliação de ativos e gestão de gabinetes de inserção profissional. Eu gostava que materializasse, Sérgio, se fosse possível.

Claro que sim.

Qual é o vosso contributo para esta gestão, por exemplo, de misericórdias e óticas?

São duas áreas distintas.

Diferentes.

As IPSS são enquadradas na economia social, o setor da economia social. IPSS, as misericórdias, é o nosso core da atividade, efetivamente, o desenvolvimento de software para o terceiro setor, para as IPSS. E estamos a falar de um software absolutamente transversal. Tudo que é a gestão de uma IPSS, desde a gestão dos utentes, tudo que tem a ver com faturação, contabilidade, salários, imobilizado, tesouraria, tudo. Tudo que são as necessidades no âmbito da tecnologia para uma IPSS, o software é produzido por nós, F3M. Nas óticas, por exemplo, arrogâncias à parte, também no setor da economia social e nas óticas, somos o player liderante do mercado, temos mais de 50% de cota de mercado em cada uma dessas áreas.

Quando diz óticas, é as lojas que vendem óculos e lentes de contato.

Se vão lá ter-

Eu fui a uma ótica comprar uns óculos.

E a probabilidade de ser nosso cliente há de ser alta, uma vez que nós temos nas óticas cerca de 60% de cota de mercado e portanto, há 60% de hipóteses de ter comprado os óculos numa ótica que é nossa cliente. E mais uma vez, tem a ver com o software que é utilizado no âmbito da ótica, é desenvolvido por nós.

É assim tão particular o software?

Tem muitas especificidades, muitas particularidades. A parte clínica, por exemplo, tudo que tem a ver com as graduações, interação com os vários fornecedores de armações, de lentes, tem muita especificidade que um software standard não consegue dar resposta. E depois temos as áreas ditas standard, a parte das faturações, gestões de estoque, tudo isso, mas tem essa complementaridade muito específica do setor da ótica.

Por que se especializaram nestes nichos, Sérgio?

Porque vimos aí uma oportunidade há muitos anos, porque não havia, nem num setor, nem noutro. Falando especificamente das óticas, não havia. Nós somos desenvolvedores ou produtores de software para óticas há cerca de 35 anos, portanto, a nossa matriz inicial não foi especificamente para as óticas, mas vimos uma oportunidade. Fomos desafiados na altura por um cliente, que na época não era nosso cliente, mas que tinha uma ótica e que não encontrava software nenhum no mercadoQue respondesse àquilo que eram as suas necessidades. Então nós aceitámos esse desafio na altura e desenvolvemos software e desde aí que temos vindo a ir crescendo.

Às vezes basta uma conversa para nascer uma unidade de negócio. Deduzo que seja para vocês um grande desafio, aliciante, a chegada da inteligência artificial ou não?

É um desafio, evidentemente.

Como é que encaram a chegada da inteligência artificial? É vosso concorrente no software IA ou não?

Eu tenho o lado do administrador.

É um crente, é isso?

Não, eu tenho o lado do administrador de uma empresa que produz tecnologia e aí tenho o lado extremamente otimista. A IA, a inteligência artificial, obviamente tem-nos ajudado muito em todas as áreas, desde o suporte aos nossos clientes, ao marketing, ao desenvolvimento de software. E depois aquela questão: "Vamos ter que demitir pessoas?". Não, nós não vemos isso dessa forma. Nós vemos a IA para nos ajudar, para sermos mais céleres e eventualmente ter produtos com mais qualidade e aproveitar melhor as nossas pessoas para áreas que até ao momento não existiam. Isso é o lado do administrador de uma empresa de tecnologia. Aquilo que me vai levando a conhecer no âmbito da IA, porque tenho que conhecer aquilo que é que são as potencialidades da IA, leva-me a ter algum, eu não sei se o termo certo é receio, mas enquanto cidadão, vou usar o termo receio, quanto à má utilização da IA. E há inúmeros exemplos onde a IA tem vindo a ser utilizada de forma perniciosa e aí enquanto cidadão preocupa-me. E a não existência de regras, portanto, há esses dois lados.

Muito bem. Sérgio Agrelos, não temos mais tempo, agradeço-lhe.

Muito obrigado.

Muito obrigado por se ter juntado à emissão especial da Rádio Observador, aqui do Teatro Circo em Braga, no âmbito da Cimeira da Indústria, organizada pela Rádio Observador em parceria com a Associação Empresarial do Minho.