Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Augusto Inácio, há pouco falámos do jogo frente ao Aver-Ca. Temos estado aqui durante a noite a conversar também com diferentes convidados, mas queria-te ouvir agora sobre esta temporada do Futebol Clube do Porto. É um justo vencedor, temos que dizer isto.
Sim, claramente que é um justo vencedor, até porque estava tudo na dúvida o que iria valer este Futebol Clube do Porto esta temporada, porque em relação aos indicadores que tinha tido da época passada, deixava realmente os adeptos portistas um bocado desconfiados do que iria acontecer esta temporada. O que é certo é que para tu conseguires ter sucesso, tens que ter um planeamento, tens que ter ideias e tens que concretizá-las, e tens que acertar. Primeira ideia de André Villas-Boas foi encontrar um treinador que desse corpo àquilo que eram as ambições do Porto. Através do treinador, contratar jogadores que tivessem a alma que o treinador e o presidente desejariam para encorpar aquilo que era o plano. Diria que, sem ponta de arrogância da minha parte ou de talvez um ou outro engano que possa ter que não estou a ver, acho que o Porto acertou em todas as contratações que fez no início da temporada. Mas isto tem várias incidências. E depois há lesões, depois há jogadores que parece que prometiam uma coisa e depois são outra, o que não foi o caso, mas as lesões, isso foi uma certeza. E aí a capacidade do Futebol Clube do Porto, André Villas-Boas, sua estrutura e também Farioli, de identificarem aquilo que podia ser uma das razões que o Porto não tivesse sucesso este ano. E então, para mim, a maior contratação do mercado de inverno chama-se Fofana, um jogador caríssimo para os cofres do Porto, mas o treinador entendeu que realmente esse podia ser um jogador que podia dar aquilo que ele achava que ia lançar para a equipa. Mas entretanto, o Porto também perde Lucas Dieng cedo e perde Samu também cedo. O Porto contrata realmente o Mofi, mas o Mofi não foi um pedido do Farioli, foi um conhecido do Farioli e que, em relação àquilo que era as finanças do clube, não podia gastar muito dinheiro porque o Porto já tinha gasto muito. E então veio o Mofi naquela expectativa de dar jeito. É capaz de dar aqui um jeitinho. O Porto, é verdade, tinha o Dénis Gul, mas o Dénis Gul também não tinha demonstrado ainda grandes coisas para ser titular do Futebol Clube do Porto. E o que é certo é que o Porto consegue ter uma matriz idealizada pelo treinador, que aqui ou acolá, e quando eu digo aqui ou acolá, foi meio de novembro até meio de dezembro, uma quebra do Futebol Clube do Porto, precisamente porque o Frohold caiu fisicamente também e deixou de ter aquela preponderância que tinha na equipa. E quando ele não está em grande, o Porto também não está em grande. E quando o Frohold começa a voltar outra vez aos seus níveis, o Porto sobe outra vez. Mas sabes que num trajeto destes, desta maratona de 10 meses, há sempre altos e baixos. O que é certo é que o Porto teve momentos brilhantes. Início do campeonato, o Porto arrasou completamente, eu diria, a concorrência e todos os seus adversários. Uma equipa que não sofria gols, uma equipa que marcava, um rolo compressor que amassava completamente os adversários. Mas depois, porque os adversários também começaram a ver os jogos do Porto, porque a equipa do Porto também quebrou um bocadinho fisicamente, que era impossível estar toda a época naquela tal intensidade. O que é certo é que o Porto foi aguentando esse momento menos bom, mas continuar a estar à frente do campeonato, ou seja, jogos menos fulgurantes, mas com os resultados bons na mesma. E os campeões têm que ter isso também. Momentos em que não estão bem, alguns perdem pontos, há outros que mantêm-se à tona. Só há um handicap aqui. O Porto perde, no caso, a Pia. O Porto empata em casa com o Maritão. Houve ali momentos em que as pessoas ficaram com a tal fama do Farioli, do Ajax, voltou a dar alma aos rivais de que isto pode acontecer a mesma coisa que aconteceu ano passado ao treinador do Porto. O que é certo é que aquilo não resultou e continuo com esta ideia, não sei se é errada, se é certa, mas continuo convicto desta ideia de que o presidente do Sporting deu realmente um elã muito grande à equipa do Futebol Clube do Porto, de poder ganhar ainda mais forças, sob pena ainda de criar uma grande pressão aos jogadores do Sporting, porque era o Sporting que tinha que ganhar e o Porto é que estava à frente do campeonato. Como se costuma dizer, deu lenha para a fogueira, o Porto aproveitou e só quem conhece aquela casa, como eu felizmente conheço, é que não se aproveita esses momentos para pôr laços carrapachados nas paredes, nas portas, antes de entrar no campo, no grito, que fazem o círculo dentro do balneário quando vão entrar para o jogo, o que aquilo não terá dado mote para que realmente os jogadores do Futebol Clube do Porto fossem com outra força. Por isso, o Porto é um campeão, campeão justo. Pode-se dizer que não teve o futebol mais espetacular do campeonato, mas foi a equipa mais competente e mais competitiva.
Eu queria pegar aqui nas palavras de Francisco Farioli. Uma das declarações que ele dá, já não me recordo se foi ao Porto Canal ou à Sport TV, mas foi numa das declarações no final do jogo. É ele que menciona isto, ele fala em cicatrizes e fala em dois tipos de cicatrizes, as que ele tinha, que vinham do Ajax, e as que a equipa do Porto tinha, que vinha da temporada passada, e que ajudaram-se mutuamente a limpar as feridas de cada um e a não só a sarar, mas como a prepararem-se para voltar à batalha, ao confronto, e chegam ao fim sem cicatrizes algumas, mas com a memória dos erros do passado para conseguirem garantir esta conquista. Esses problemas que teve Farioli no Ajax e o Porto na temporada passada, a conjugação desse orgulho ferido levou a que fosse possível criar novamente este ADN do Porto?
Isto do ADN tem muito que se lhe diga. Para mim, no Futebol Clube do Porto podes ter vários ADNs, mas o ADN do Futebol Clube do Porto é morrer pelo resultado. Para mim, esse é o ADN Porto. Foi aquilo que eu também lá aprendi, cada lance é uma batalha e no fim, quanto mais batalhas ganhar, mais perto estás de ganhar a guerra. Esse é o tal espírito que nos colocam, independentemente de seres muito bom tecnicamente ou não, esse espírito tem que lá estar. E o que é certo é que o Varela vem de uma época traumática para ele, mas também é verdade que os jogadores do Futebol Clube do Porto também vieram de uma época traumática para eles e para as suas carreiras. E o clube também vinha traumatizado daquilo que se tinha passado no ano passado, com todas as incidências que nós já falámos aqui. Eu acho que os dois se complementaram. O treinador complementou e ajudou a sarar as feridas dos jogadores e os jogadores também ajudaram a que o treinador sarasse as suas próprias feridas, principalmente aquelas feridas mentais, psicológicas, que marcam muitas vezes a carreira de uma pessoa e o seu dia a dia. Eu acho que foram uns para os outros, ajudaram-se uns aos outros, mas há uma coisa que eu sei quem ficou a ganhar com isto tudo. O treinador recuperou o seu sonho, que é ser campeão num clube, neste caso, o Futebol Clube do Porto, os jogadores que tinham tido um comportamento na época anterior dececionante e que este ano voltaram à ribalta. Mas há uma coisa que eu sei quem é que ganhou com isto tudo. Foi realmente o Futebol Clube do Porto e os seus adeptos. E, por que não dizê-lo também, ganha aqui um elã e um reforço muito grande de acreditar que afinal o Porto sem Pinta Costa também pode ser campeão e aqui o Vilas-Boas também marcou os seus pontos.
Ganhar um campeonato não é fácil. Ganhar a primeira vez ou conseguir uma reconquista não é fácil. Vilas-Boas ganha aqui o primeiro, mas para o Futebol Clube do Porto é uma reconquista, consegue voltar a ganhar um campeonato ao fim de quatro anos, mas mais difícil é agora manter. E o Sporting viu isso acontecer este ano. O Benfica viu também, na década passada, as dificuldades para continuar essa onda vitoriosa. E este Futebol Clube do Porto, a ambição que tem Vilas-Boas, como têm todos os clubes grandes em Portugal, é conseguir continuar a vencer. Este Porto tem ar de poder continuar a vencer? O que é que tem que corrigir para conseguir manter esta onda de vitórias?
Quando partes para um início de época, há sempre três candidatos que lutam pelo título. Há dois que ficam a chorar. Há um só que ganha. E neste caso, o Sporting tem sido aquele vencedor, é bicampeão nacional. O Porto já não era campeão há quatro anos. O Porto é campeão, mas é campeão também no ano em que mais investiu. É preciso dizer isto porque o Porto não podia estar a investir pouco em relação aos seus rivais, sob pena de ficar para trás e perder o comboio. Tu colocas bem a pergunta: que Porto é que vamos ter na próxima época? Que agora é manter esse título de campeão, porque o Porto não é só lutar pelo bicampeonato, é lutar também por aquilo que vai ter da Champions. E a Champions obriga a que tu olhes para uma equipa e não pode ser 11, 12 ou 13 jogadores. Tem que haver 20, 21, 22 jogadores para poderes rodar a equipa. E repara numa coisa: o Futebol Clube do Porto ainda estava nas quartas-de-final da Liga Europa, ainda estava nas meias-finais da Taça de Portugal, ainda estava a lutar pelo título. O que é que o Porto fez? Achou que era muito mais importante lutar pelo título e se desse alguma coisa na Taça de Portugal, ok. Se desse alguma coisa para chegar às meias-finais da Liga Europa, tudo bem, mas era o campeonato a sua grande prioridade. E o que é certo é que o presidente do Sporting queixa-se que teve muitas frentes, mas não podia estar a dizer aos jogadores do Sporting para desistirem desta ou daquela competição. E depois acabou por dar os parabéns a dizer que foram mais inteligentes. A questão não é ser inteligente ou não deixar de ser inteligente. A questão é objetivos. Há plantel e profundidade para lutar por todas as frentes ou não há? Neste momento em que faltavam sete, oito jornadas, o Porto entendeu que não tinha plantel para estar na Liga Europa, na meia-final da Taça e para ser campeão. Optou claramente com a melhor equipa fazer os jogos do campeonato, para ser campeão. Depois, o Porto eliminou o Estugarda, acho que já foi um grande feito, e depois podia ter perfeitamente eliminado com as segundas linhas o Nottingham Forest, porque o Porto no Dragão podia ter ganho por 3 ou por 4 e empatou 1 x 1 e depois, infelizmente, perdeu essa meia-final lá na Inglaterra. Mas diria que há coisas que são prioritárias. Se me perguntares agora para mim: mas o Porto para o ano, o que é que vai ser? O prioritário para o Porto, como para todos os outros clubes grandes, é ser o campeão. Mas o Porto sabe perfeitamente bem que o Sporting fez uma grande Liga dos Campeões, ganhou 80 milhões com essa participação e o Porto também tem que ganhar dinheiro na Liga dos Campeões. Não é só o entrar na Liga dos Campeões, é também avançar na competição, também para ganhar mais dinheiro e ganhar o prestígio que o Porto já teve e quer reconquistar. Por isso, o Porto tem ali algumas coisas para poder preencher, juntamente com o treinador e o presidente, para realmente o Porto ter uma equipa com mais soluções e talvez para dar outra criatividade ao jogo do Varela, que este plantel não deu.