Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Estas polémicas em que tem estado envolvido já são uma imagem de marca sua?
Não, longe de mim. Já respondo à pergunta, mas é importante. Esta é outra grande obra de mandato.
Bem, estamos conversados.
É como quiseres.
Bem-vindo ao Carpool do Observador, Ricardo Leão, que é recandidato e presidente da Câmara de Loures, e recandidato ao cargo.
Exacto.
Vamos a isto, ao nosso trajeto?
Vamos a isto.
Bom, vamos começar.
Vamos embora.
Nasceu aqui?
Sim.
Nasceu. Veio para aqui viver, mas nasceu neste sítio onde estamos?
Nasci no hospital, mas vim viver para aqui. Vivi aqui 35 anos da minha vida. Fiz aqui a minha escola toda, todos os graus de ensino, até ao secundário. O seu pai foi presidente de junta também aqui em Sacavém. O meu pai andou muito no mundo do movimento associativo. Particularmente aqui na Partida Sacavense, que é uma grande instituição daqui da nossa cidade.
Tendo em conta que viveu aqui sempre, o seu pai presidente de junta, quer dizer, este percurso era quase inevitável. Ou não? Foi uma coisa que procurou?
O quê? Viver aqui? Não.
Não, não é viver aqui. É depois o percurso que fez, o percurso político, isso ficou sempre marcado.
Claro que sim. Eu fui eleito para a Assembleia de Freguesia em 97, aqui para a minha Assembleia de Freguesia de Sacavém. Fui na altura primeiro secretário da mesa, já sou autarca desde 97. E este era o meu caminho para ir para a escola secundária de Sacavém que fazia. Ia a pé, não via esta via como está agora. Esta via foi toda arranjada. Fizemos agora aqui uma obra muito importante, que foi esta rotunda aqui da Quinta do Património.
Sim.
Fizemos aqui esta rotunda nova, que era uma obra que há muito tempo as pessoas ansiavam por ela, porque quando se fez esta avenida, era Sacavém Nova com Sacavém Antiga, não havia aqui uma ligação. As pessoas tinham aqui da Quinta do Património, só para dar um exemplo, tinham que ir lá abaixo à rotunda para poderem ir para Lisboa, por exemplo, aqui pela Portela. Esta rotunda foi uma obra que eu valorizo imenso, até porque a CDU sempre foi contra. E por isso nós fizemos esta obra. Durante os oito anos que a CDU cá fez, nós pedimos esta obra, a CDU nunca quis.
Contrariou a CDU, que estava cá há anos.
Durante oito anos alegavam questões técnicas, afinal de contas ela foi possível. Havia era má vontade política. A minha irmã até vive aqui, vive aqui neste prédio.
Tem aqui a família toda.
Tenho a família toda aqui. Esta rotunda foi uma obra nova que fizemos agora, muito recentemente.
Essa relação que tem com este território específico faz com que só pudesse exercer, e no futuro também tencione exercer esta função aqui em Loures?
A gente nunca pode dizer que nunca, mas a função de ser presidente de junta, repare.
Presidente de Câmara, no caso.
Eu já fui membro da Assembleia de Freguesia desta junta. No mandato passado fui tesoureiro, fiz parte do executivo desta junta e acumulei com o facto de ser presidente da Assembleia Municipal, porque muitas vezes as pessoas não falam, mas no mandato passado as pessoas dividiram o voto. No mandato anterior, votaram Bragança Soares para a Câmara, mas votaram em mim para a Assembleia Municipal, o que fez de mim presidente também da Assembleia Municipal no mandato passado. E sim, obviamente, esta ligação que tenho ao meu concelho, porque continuo a viver aqui. Neste momento, vivo em Santa Iria da Azóia há cerca de 10 anos, que também é concelho de Loures. As minhas filhas andam aqui nas escolas do concelho.
Sim, mas pelos vistos não fecha a porta a que isto possa... Ou seja, o apelo pelas autarquias e pelo poder local é uma coisa que-
Adoro ser autarca
...para si é mais marcante do que a questão de ser em Loures. É isso?
Não, só me vejo ser autarca em Loures.
Era isso que eu estava a contar.
Não me vejo ser autarca em mais concelho nenhum. Foi o concelho onde eu nasci, é o concelho que conheço bem, é o concelho onde gosto de andar na rua, onde sinto que ainda tenho vontade e há necessidade para fazer um conjunto de coisas que ainda não consegui fazer este meu primeiro mandato. Porque um dia que eu achar esta coisa da limitação de mandatos, dos três mandatos, não quer dizer que um autarca tenha de estar aqui os 12 anos. Enquanto eu sentir que há, de facto, ainda matéria muito relevante no concelho que necessita da minha intervenção, cá estarei para o fazer.
Foi um autarca do PS que, no espaço de muito poucos meses, mais vezes passou de bestial a besta, de besta a bestial, dentro do seu próprio partido. As polémicas em que tem estado envolvido.
Esta extensão desta Carris. Foi também uma obra que fizemos agora.
Estas polémicas em que tem estado envolvido já são uma imagem de marca sua. É uma coisa que quer ser reconhecido por isso?
Não, longe de mim. Há uma coisa que, em 2021, quando me candidatei à Câmara. Agora tem que descer aqui para a esquerda. Já respondo à pergunta, mas é importante. Esta é outra grande obra de mandatos. A Praça da República era algo que estava-
Aqui tem semáforos que não estão a funcionar.
Não, não estão porque estamos a falar ainda da obra nova. Estamos agora à espera. Sabe que isto dos semáforos é necessária uma empresa certificada para vir fazer depois a ligação. Esta Praça da República é uma obra nova, uma obra importantíssima. Porque vai nascer aqui esta nova urbanização, que era o antigo quartel. E nós fizemos como contrapartida toda esta nova acessibilidade, esta Praça da República vai dar aqui uma mobilidade que antes não existia. É uma obra há muito tempo reivindicada e está aqui a ser feita. Mas para não fugir à questão.
À questão das polémicas.
Quando fui eleito em 2021, por vontade da população do Conselho de Loures, uma das minhas frases sempre, e aquilo que me faz mover, é primeiro pensar pela minha cabeça, não deixando de ter a minha matriz socialista, que sou. Sou do PS, irei ser sempre do PS. Mas eu acho que quando somos autarcas, temos que colocar as pessoas à frente daquilo que são os interesses ou as táticas políticas partidárias, seja aquilo que for. É aquilo que eu tenho feito e continuarei a fazer, que é colocar o verdadeiro interesse das pessoas à frente das táticas partidárias. Também dizer que nunca deixei de ter o apoio dos dirigentes do partido, isso é uma falsa questão. Nunca vi nenhum secretário-geral atirar-me com a coisa política, seja o que quer que seja.
Sim, mas por exemplo, houve aquele candidato presidencial, que é da área do Partido Socialista, que até insinuou que não tinha coração.
Quem é que foi?
António José Seguro, é o candidato à área socialista. Ou não o reconhece assim?
Que eu não tinha coração?
Sim, insinuou. Essa insinuação sempre afeta de alguma maneira.
Eu já não faço exames há algum tempo para o coração. Desde há dois anos, mas acho que está bom.
Esse tipo de insinuação, provocação ou de crítica, é uma coisa que o incomoda.
Mas é dirigente do partido, o António José Seguro?
Não.
Queres que vamos aonde? É para ir para o centro de saúde?
Sim, é para o centro de saúde.
Então podemos vir por aqui. É que eu não sei para onde é que vamos.
É para o centro de saúde.
Então podemos vir por aqui.
Ok.
Peço desculpa, não estava atento.
Não faz mal.
E podemos fazer a volta aqui para cima.
Vou ali para aquela saída, não é?
Sim.
Ok, eu acho que era para onde o GPS estava a indicar.
É aqui. Portanto, dizer acima de tudo e na minha própria avaliação.
O que interessa é os dirigentes, é isso?
Não é os dirigentes. Só me está a perguntar se eu não tenho tido apoio do PS. A nível de dirigentes do partido.
Não estou a dizer que não tem tido apoio, tem tido apoio, mas também tem tido críticas.
Claro, uma gestão normal.
Estou só a dizer. E muitas, algumas. Provavelmente é o autarca que mais dor de cabeça que tem criado aos secretários-gerais.
Pronto, vamos ver. Eu não vou deixar de fazer aquilo que eu acho que é o correto. É só isso.
É para aqui?
É para aqui.
É sem saída.
Não é sem saída.
Estamos a falar do espaço onde vai ser o centro de saúde.
O novo centro de saúde. São quatro novos centros de saúde que nós neste mandato estamos a fazer. Já inauguramos o de Dunhes, o do Tojal.
É aqui onde já está este estaleiro toda montada, é isso?
Já está a fundação feita. Já não é só o estaleiro.
Sim, está ali fundação, verdade.
Está a fundação feita, já está a armação montada. Esta é uma obra muito importante. E nós viemos aqui só para ter uma noção, que é a diferença com o que eu me propus fazer, que é: durante oito anos da CDU, só houve um centro de saúde, que nem o acabaram, fui eu que depois tive que inaugurá-lo, mas é verdade, foi obra, de facto, da CDU. Mas em oito anos foi um centro de saúde, porque havia aquela visão de que a culpa é do governo. É o governo que faça. E faziam cartazes, empurraram a culpa sempre para o A, para o B e para o C. E eu aqui quis introduzir uma nova visão, que foi nós fazermos parte da solução de todos os problemas. E nós durante oito anos, quem aqui vivia assistia ao Montijo, à Vila Franca, outros concelhos a fazerem centros de saúde. E aqui não, aqui empurravam o problema. Eu queria fazer parte da solução, ou seja, um centro de saúde que vai custar volta de cinco milhões de euros, nós vamos compensar em metade. E de facto, esta nova visão que introduzimos no Conselho de Loures permitiu recuperar esses anos de atraso. É verdade que a responsabilidade da construção dos centros de saúde não é das câmaras, correto?
Certo.
Pronto. Mas se uma câmara não tiver essa capacidade de fazer parte da solução, nós não tínhamos este centro de saúde aqui de Bubadela hoje como está. E nós inauguramos já o de Dunhes, já obra nossa. Vamos inaugurar agora durante o próximo mês, durante este mês.
Com isso que me está a dizer, e passando um pouco responsabilidades para a gestão anterior da câmara da CDU, a verdade é que este seu mandato foi especialmente apontado por problemas nesta área, não é? Falta de médicos, falta de condições de atendimento dos pacientes nos centros de saúde. Tem também uma questão que não é tanto consigo, mas o próprio Hospital de Loures também tem tido falhas e falhas técnicas ainda há pouco tempo.
Não tem a ver comigo. Os médicos não vêm com as câmaras.
Certo. Sim, mas é como está a dizer, mesmo que o centro de saúde não seja uma responsabilidade sua, a questão da dinamização das coisas acontecerem no território, acabam por pesar sobre os ombros do autarca.
Não sei.
Só lhe queria perguntar uma coisa. Se esta foi a área onde, na verdade, teve uma maior frustração ao fim deste primeiro mandato, se foi aquela onde, de facto, não conseguiu dar uma resposta efetiva até agora.
Vamos por partes. A construção dos centros de saúde é importantíssima. O centro de saúde da Bubadela, pela centralidade que tem, é fundamental para um acesso de todas as pessoas ao tratamento de saúde. Eu considero que uma boa rede de saúde primária, que é os centros de saúde, são importantíssimos para desanuviar aquilo que são as afluências das pessoas às urgências, porque não há resposta, correto? A nossa responsabilidade aqui, esta via foi toda asfaltada agora, como pode ver. São obras. Por exemplo, só em asfaltamentos gastámos três milhões de euros este mandato. Não se compara com nenhum mandato anterior.
Isso é um bocado remendo.
Não, isto é da água, é da lavagem. A primeira fase foi feita aqui, a segunda foi feita com os estacionamentos, senão as pessoas não tinham onde estacionar. Por isso é que há esta diferença aqui. Pronto, calma. Não é nenhum remendo, foi tudo novo. Acontece que nós, primeira opção e prioridade neste mandato: fazer novos centros de saúde. Bubadela, como estamos a ver, Camarate. Um já está inaugurado e Santo Antão e São Julião do Tojal está para ser inaugurado este mês. São 26 milhões de euros de investimento nos centros de saúde. Agora, a questão dos médicos, sim, faltam médicos no nosso concelho, sempre faltaram. E é uma das coisas que nós estamos a reivindicar sempre O governo a necessitar de mais médicos, mas infelizmente não é um problema só de Loures, é um problema do país.
É um problema nacional.
Os centros de saúde, as valências que hoje têm, eu acho que podem ser melhor aproveitadas e por isso nós estamos já todas em unidades locais de saúde, tipologia B. Alguns vão passar pra tipologia C, o que eu acho que é importante é pra haver mais atratividade pra fixação dos médicos, mas também sou daqueles que dizem que as condições de trabalho físicas de um centro de saúde também é um fator preponderante na escolha do médico, pra onde vai. E nós tivemos casos já desses bem visíveis aqui no Conselho de Loures. Agora, por exemplo, nós temos ainda um conjunto de outros centros de saúde. O de Sacavém, chovia dentro das instalações.
Sim, eram umas as caixas que faziam as faltas de condições e de infraestruturas que existem.
Já estamos a fazer obras. São três milhões de euros que estamos a investir, além dos novos centros de saúde.
Certo, mas lá está, aqui não tem uma varinha mágica. Vim dizer que centro de saúde é uma coisa que demora a construir. A questão é como é que isto se resolve no curto prazo.
A questão dos médicos é algo que tem que ser resolvido pelo poder central e tem que se dar mais atratividade aos médicos. Não quero fugir à questão do Hospital Beatriz Ângelo. Disse que hoje está pior do que aquilo.
Não, ainda esta semana tivemos um problema informático que fez com que cancelassem uma série de consultas.
Nós também vimos outros hospitais do resto do país. Eu tenho uma opinião muito clara, sempre tive relativamente a essa matéria, quer no governo do PS, quer agora no governo da AD. Para mim, não importa se é gestão privada, se é gestão pública, eu quero é que os serviços e o atendimento à população seja aquilo que deva de ser. Também não se pode entrar na discussão quando se faz, se deve ser EP ou se deve ser uma PPP, naquela discussão de comparação de rácios estatísticos, correto? Agora é pra li.
Sim.
Rácios estatísticos, por quê? Porque a liberdade na gestão de um privado num hospital é completamente diferente da liberdade de atuação de um gestor de uma empresa pública, correto?
Certo.
Pronto. Portanto, aí a comparação não deve ser. Que é reconhecido por grande parte da população da zona norte do Conselho, porque sabe que este conselho é servido por dois hospitais. Só a zona norte do Conselho é que vai ao Beatriz Ângelo, nós vamos ao São José, aqui esta zona toda. Pronto. Agora pra aqui. O que eu digo? O que eu digo é que, de fato, a maior parte da população da zona norte do Conselho reconhece.
Funciona melhor com PPPs, é isso?
Funcionava melhor com PPP, sim.
Certo.
E por isso, pra mim, quando essa discussão vier à baila e se for confrontado com um parecer por parte da Câmara, pra mim não importa se ela é PPP ou se é EP. O importante é fazer o que tem que ser feito.
Certo. Mas mesmo que tenha que enfrentar o seu próprio partido, porque lá está, mais uma vez, não é uma questão muito pacífica dentro do Partido Socialista, do partido que faz parte. A questão das PPPs era, aliás, na anterior direção, uma questão que não era muito acarinhada.
Não.
E tanto lhe faz, preferia que o hospital revertesse para PPP. Ao menos funcionava melhor.
A reversão da PPP que existia pra EP, sabe como é que ela se deu? Então eu explico, porque eu estava cá e ouvia, não era presidente de câmara, mas ouvi e sei, porque até era deputado da Assembleia da República na altura, portanto, eu estive dentro do que aconteceu, como poderia deixar de ser. O que aconteceu ali foi: quando se deu o Covid, após o Covid, a PPP exigiu do governo uma compensação de cerca de 60 milhões de euros, agora não tenho uma ideia exata desses números, para resultados negativos que tiveram por via do Covid. E o que o governo, à época, do António Costa, me disse foi que, por um lado, não havia essa obrigatoriedade e, por outro, do ponto de vista legal, não havia instrumento jurídico que pudesse haver para fazer esta transferência desta verba. E a PPP fez uma pressão: ou dão este valor ou então entreguem as chaves. Foi assim. E entregou as chaves.
Para ficar claro, para si não é uma questão ideológica.
Não, mas eu estou falando do próprio governo.
Certo, ali está falado do governo.
Estou falando do governo, quando disse que o PS discordava. Não, o PS pediu à PPP da altura para continuar a gestão por mais um ano, para fazer um caderno de encargos pra renovação da PPP, porque como obviamente o governo não teve capacidade pra poder fazer, estava concentrado no combate à Covid. É só pra termos aqui aquilo que foi a realidade. Portanto, o governo da altura do António Costa não quis reverter a PPP. Foi forçado por via da posição da PPP e pela PPP não aceitar a proposta do governo em prolongar a gestão por mais um ano pra fazer um caderno de encargos.
Foi uma questão pontual.
Foi uma questão de pressão da PPP, não foi uma questão ideológica, como estava a colocar a questão.
Não, eu estou lhe a perguntar é se, de um modo geral.
Estava a dizer que o PS discorda. Não, o PS não discordou.
O PS de António Costa até manteve os contratos que são das PPPs que existiam.
E também queria manter este.
Mas não tinha a intenção de fazer novos.
Não, aqui foi pedido pra se renovar mais um ano.
Para renovar, não fazer novos.
Para preparar o novo caderno de encargos. Essa é que foi a grande verdade. E pode perguntar à antiga secretária de Estado.
Mas para si, e numa questão geral, esta não é uma questão ideológica.
Não.
E até preferia que aqui voltasse a PPP?
É uma questão que temos que ter. Agora é pra frente.
Mas aqui gostava que voltasse a ser uma PPP?
Eu não tenho posição, eu quero é resultados.
Como presidente de câmara, exato, está à procura desses resultados.
Sim, quero. Se a gestão da empresa pública como está, e se me garantirem que é a PPP que vai resolver os problemas, eu não tenho que ter aqui uma posição ideológica à frente dos interesses das pessoas.
Deixe-me só voltar à questão da saúde pra dizer uma coisa. Que foi muito apontada pela oposição e pelos munícipes também, com queixas sobre o estado dos centros de saúde no território. Como é que tem explicado a estes mesmos munícipes que depois a câmara tenha 150 mil € para apoiar uma instituição religiosa, como foi aquela da Hillsong, que ainda por cima tinha uma série de polémicas associadas e que depois até levou a suspender o mesmo apoio?
Não, essa da Hillsong foi uma situação que nós já suspendemos. Nesta reunião de câmara suspendemos o apoio. Era uma instituição reconhecida no concelho de Loures. O próprio Bruno Soares a reconheceu como IPSS.
Do trabalho social que faz no território.
Sim, e há provas disso, há fotografias nesse sentido.
Foi uma má jogada esse apoio? De um apoio à Hillsong, isso que está aqui a falar.
Não, foi uma má jogada, era uma instituição que reconhecia trabalho, aqui não é o apoio à igreja, é apoio à atividade social que eles fazem. Houve um conjunto de dúvidas, nós vamos ter que esclarecer quanto à tranquilidade.
E o que é que é preciso esclarecer para manter esse apoio?
Um conjunto de matérias.
Deu informações concretas do quê?
A minha vice-presidente neste momento está em articulação com ele, a justificar-se e temos a pedir um conjunto de informações.
Porque tem um trabalho social, que tem esse exemplo de abusos.
Sim.
Dentro da instituição. No país é certo, não é em Portugal.
Não é em Portugal. Portanto, é essas dúvidas que nós temos que ter e vamos ter que tirar. Para estarmos todos esclarecidos.
Mas se não tiver havido problemas em Portugal, fica confortável com o facto de dar um apoio a essa entidade.
Neste momento, vamos ouvir as explicações e depois no seu devido tempo tomaremos a decisão. Ou revogamos mesmo ou apoiamos.
Chegamos aqui à Quinta do Mocho.
Sim, a Quinta do Mocho é uma reabilitação municipal.
É um dos maiores bairros municipais de Loures.
É um dos maiores bairros, à sequência da Quinta da Fonte, na população. Como está a ver, todos os prédios foram requalificados. Essa foi a grande questão.
Requalificados por dentro ou é esta fachadada?
Por dentro também. Isso era o que o concelho fazia, que era por fora. Aqui é dentro, caixilharias novas, janelas novas, obras dentro das casas das pessoas, para haver dignidade na habitação municipal. E vê que a caixilharia e as janelas são todas novas, não é só pintura.
Alguns sítios aqui com adaptações, não é?
Sim, mas ainda não acabou. Nós quando chegamos à câmara, a questão do PRR foi importante para fazer esta requalificação. De habitação municipal, e esta é um bom exemplo, nós temos 2500 focos de habitação municipal. Quando chegamos à câmara, havia aqui algo que era muito falado no concelho de Loures, que era o facto de haver 55% dos moradores das habitações municipais não pagavam renda. E estamos a falar de rendas mínimas de €4,5, que são ditadas pela lei.
Eu parei aqui para falarmos precisamente sobre essa situação.
Não, mas é isso que eu estou a falar.
Saí lá direitinho.
E por isso, destes 55% não pagavam, mas falo de rendas de 2014. Saiu um decreto-lei.
Isso pode resultar no despejo de muita gente.
Saiu um decreto-lei em 2014, podia atualizar as rendas para a renda mínima, que era €10,5. A CDU, à época, era eles que geriam, não o fizeram. Não atualizaram. E eu quando cheguei à câmara havia 55% de 2500 focos que não pagavam renda. Se não agíssemos, o que é que acontecia? Os outros 45% não iam deixar de cumprir, porque olhavam pro lado e viam que os outros não cumpriam e iam também deixar de cumprir. Quando se fala de justiça, era injusto para os 45% que pagavam e olhar pro lado, não pagavam e nada se fazia. Era justo para esses 45%? Não. Era justo para o resto da população do concelho de Loures também, se têm dificuldades no pagamento das suas obrigações, também não era justo.
Despejar as pessoas.
Não, senhora. Vocês vão logo para o despejo. Fizemos aqui algo que é um plano de regularização de dívida. Podia ir até às 60 prestações. Mas eu queria aqui um sentimento, que é aquilo que eu quero aqui no meu concelho, que é todos temos direitos, mas todos também temos dever. E é um dever de um inquilino, uma habitação municipal, cumprir os seus deveres, neste caso, pagar a sua renda e pagar o plano de pagamento de dívida. Sabe o que isto resultou? Sabe quantos incumpridores neste momento existem nas habitações municipais? 15%.
Portanto, conseguiu o efeito queria, foi isso?
Conseguiu o efeito queria sem haver despejos. Estes 15% que não responderam à câmara, andamos estes três anos, dois anos e meio, que foi quando iniciamos este plano, a não quererem resolver. Muitos deles ocupações ilegais, muitos deles com casas alugadas e já subalugadas. E essas sim, estamos com as ordens emitidas para se fazer os efetivos despejos. Isso é óbvio. Agora, há uma coisa que nós também fizemos e que era importante fazer. Isto só foi possível porque o senhorio câmara também fez o que fez aqui, que foi requalificar as casas. Porque sabe que as pessoas viviam nestas casas. Quando se fala de dignidade na habitação pública, durante anos e anos, estas pessoas viviam a chover dentro das suas casas.
Mas também há outro tipo de problemas agora. Deve conhecê-los bem. Subutilização de apartamentos.
Sim, mas nós gastamos. Claro que há.
São habitadas.
Claro, sim. Mas eu estou a falar de habitação municipal.
E nessas questões, como é que é que trabalha?
Ainda não acabei. Este foi um exemplo claro que nós demos daquilo que foi dar dignidade a cerca de 1200 focos de habitação municipal, milhões e milhões de euros investidos, para que o senhorio câmara também cumprisse com a sua parte. A câmara também não cumpriu. Isso também era um fator que levava as pessoas a não cumprir. É óbvio que baixar de 55% de incumpridores para 15% foi uma grande conquista. E há algo que é muito importante. Do ponto de vista financeiro, nós em 2021 recebíamos de renda cerca de 900 mil €. No ano de 2024, que fechamos e que já temos esse dado, somos três milhões de euros. Portanto, o sentimento de cumprimento de deveres E de direitos, direitos e deveres iguais para todos.
Mas nesta área, a sua ação acaba por ser mais agressiva do que a de outros autarcas do país, o que lhe tem custado aquelas críticas de que falávamos há pouco. Também houve aquela declaração polêmica do "sem dó nem piedade", sobre o despejo de famílias com elementos ligados àqueles desacatos que houve na região de Lisboa no final do ano passado. Foi ao ponto de já ter o CHEGA a chamá-lo de populista. É isso que é?
Não, eu não sou populista. Eu quero justiça social aqui no concelho de Loures, sim. Requalificamos 1200 fogos, demos dignidade de habitação às pessoas, baixámos os incumpridores de 55% para 15%, para não haver injustiça para muitos outros moradores aqui do bairro e de toda a habitação municipal, mas também para o resto da população do Conselho de Loures. Isto não é ser populismo, é ter um problema na mão e atacá-lo e resolvê-lo. Para mim não há assuntos.
Essas declarações citaram até uma carta de um ex-líder do Partido Socialista, uma carta pública a criticar a sua ação. Estas coisas não o fragilizam? Fragilizaram, na verdade. Acabou por sair até de presidente da Federação.
Saí para não criar constrangimentos a ninguém. Acabou.
Bom, até houve a atual candidata à Câmara de Lisboa, que saiu da Comissão Política da FAL1.
E fez aquilo que queria fazer. Isso não vai mudar minimamente aquilo que eu acho que é o justo e que é o correto.
Mas se arrepende de ter dito aquilo, pelo menos dito daquela maneira.
O "sem dó nem piedade" estava numa reunião de câmara. Eu estive com um turista da Carris até às 04:00, à noite. Eu liguei para, por exemplo, o Hospital São José, porque nem vagas aqui havia. Havia vaga no Porto e ele estava num estado que só o que não sente não é filho de boa gente. Eu vi, estive lá até às 04:00 com os bombeiros, a ver um turista no estado em que estava. Estava numa reunião de câmara no dia a seguir ou dois dias depois, é normal que eu estivesse num estado de revolta enorme. Sim.
Mas no conteúdo das suas palavras havia um atropelo a direitos fundamentais, como chegaram a acusá-lo de ter feito.
Esse é um assunto que já foi resolvido, do ponto de vista criminal, judicial. Vamos esperar para ver os resultados e depois tomaremos a decisão.
No meio disto tudo, entre ter o PS a criticá-lo e o CHEGA também a chamar-lhe de populista, o que eu lhe pergunto é se não está a tentar ocupar esse espaço, porque é muito também o que dizem da sua ação, que é: aqui assusta-se com o crescimento do CHEGA.
Assusta-se? Quem é que diz isso, que assusta?
Estou eu a dizer.
Ah, está a dizer.
Não se assusta?
Eu não.
Então por que foi para esse discurso um pouquinho mais radical?
Porque eu acho que é o correto. Radicalidade, não, é direito individual.
Mas acho que isto ocupa o espaço do Chega, também, sabe isso. Politicamente e estrategicamente.
Mas desde quando é que o assunto é para ter medo do partido A, B ou C? Desde quando isso é? Diga-me lá. Desde quando é que o tema do A, B ou C é para ter medo do partido B?
Às vezes não são tanto os temas, é mais a maneira como se aborda os temas.
Eu abordei o tema da recuperação.
Com uma linguagem que o próprio Chega chama de populista, por isso é que eu estou a dizer se não está aqui a ocupar-lhe o espaço.
Não, eu estou a fazer aquilo que eu acho justo e o correto.
E com intenção eleitoral.
Eu estou aqui a fazer aquilo que eu acho que é justo e é o correto.
Tentar gerir esse crescimento do Chega.
Não é com essa finalidade que eu faço.
O PS não chega para isso? A ideologia socialista e a maneira como o PS aborda esses temas não é suficiente para fazer essa...
Mas o PS não é populista nos seus estatutos, de que há direitos e deveres iguais para todos?
Se estiver em situação de ter de se entender com o CHEGA no futuro, imagine, o CHEGA tem crescimento, rouba-lhe vereadores e tem que se entender.
Não há acordos meus.
Não estou a falar sequer de acordos pré-eleitorais, estou a falar em pragmatismo pós-eleitoral. Se houver essa necessidade, tem ali as tais linhas vermelhas ou o que seja com o CHEGA?
Isso são conjunturas de como é que vai ser o elenco do executivo do próximo mandato.
No fundo, é como é que vai governar ou gerir a câmara no próximo mandato.
Isso é atirar, digamos...
Vai dizer aquela coisa típica dos políticos de "primeiro os resultados e depois é que vejo como é que faço"?
Olha, tirou-me as palavras da boca.
Mas eu estou a lhe perguntar, isto em relação ao Chega, não é formado. É se tem pudores, porque pelos vistos o seu secretário-geral fez uma...
O compromisso dos autarcas, do ponto de vista de não haver coligações nos executivos. Isso é óbvio que não pode haver coligações.
Não é só coligações, são acordos pós-eleitorais apenas com quem prossiga aqueles mesmos ideais, os ideais do Partido Socialista. Convenhamos, não é o que acontece com o Chega, pois não? Isso aí reconhece.
Sim, claro.
Que o Chega não tem os mesmos ideais que o Partido Socialista.
Claro que sim. Como é que eu vou governar a câmara? Vamos primeiro esperar pelos resultados eleitorais. Depois perguntam. Como é que nós fazemos relativamente a articulações com o CHEGA? Não, obviamente, acordo possível nenhum, pelo menos enquanto eu for o presidente da Câmara.
Com o CHEGA?
Claro que não.
Não vê essa possibilidade?
Não.
Só as tais geometrias variáveis para poder fazer passar um projeto ou outro. É isso, coisas pontuais e não acordos de governação.
De governação nem pensar.
Mais facilmente faria com a CDU?
Não, isso são coisas que neste momento não estão em cima da mesa. Vamos esperar pelo resultado eleitoral e depois fazemos, digamos, aquilo que foi feito este mandato. Fizemos a coligação com o PSD, que resultou bem, foram importantes e correu bem, deu estabilidade para podermos fazer um conjunto de obras No nosso concelho, foi muito importante.
Desta vez para eventualmente o PSD não ser suficiente.
Vamos esperar e ver.
Estamos aqui a ir a caminho do Talude. Vamos entrar agora na parte da estrada que não é alcatroada. Estes são os terrenos da...
Isto é um misto. Há uma parte aqui muito pequena do Estado.
Que responde ao Ministério da Defesa.
Mas é muito pequena. E a parte maior é de um privado.
O concelho tem graves problemas sociais. Estamos a entrar apenas num dos bairros em que isso é mais visível, em que há habitação ilegal. Teve a sua intervenção, que foi muito contestada, novamente por alguns elementos do seu partido, mas não só. Hoje teria feito diferente?
Não.
Teria feito exatamente as mesmas coisas. As pessoas foram deixadas sem soluções de habitação imediatas ali.
Dá-me só cinco minutinhos para poder explicar bem a história como ela deve ser. Se me der, eu tenho todo o prazer.
Acho que vamos ter tempo, porque aqui as condições do terreno são as que nós vemos.
Nós estamos a falar de um problema que está a aumentar de forma muito perigosa em toda a área metropolitana de Lisboa, e não só, mas particularmente na área metropolitana de Lisboa. Loures não é caso único. Correto? Aí concordamos.
Embora esteja com registros crescentes de criminalidade violenta.
Aqui no concelho?
Sim.
Comparativamente a outros concelhos, não.
Nos últimos anos teve alguns aumentos.
Onde, estatisticamente?
Podem ser diferentes.
A segurança, já falamos disso. Eu desde março que alertei a área metropolitana de Lisboa que havia um crescimento. Desde março, repito, fiz circular e numa reunião da AML, a necessidade da intervenção do governo de forma urgente, nisso que seria, e aquilo que está a ser constatado, eu já antecipei desde março. O que é facto é que nada foi feito. Nós tivemos um crescimento neste bairro em concreto, do Talude, de uma forma louca. Se nada fosse feito, estávamos a falar não de centenas de barracas, mas de milhares de barracas aqui.
Acha que é pouco tempo a coisa crescer.
Sim, sem dúvida nenhuma. Agora aqui há matérias que são importantes dizer-se. O município de Loures, à sequência de outros municípios, ainda na altura da CDU, tiveram que entregar ao governo.
Você acha que as pessoas recorrem a estas soluções porque querem?
Se me deixar explicar.
Sim, mas é interessante.
Não é porque querem.
Estava a dizer que não tinha parado e que hoje era muito maior.
Sim, mas eu não estou a dizer.
Do que é. Porque na altura, quando as pessoas ficaram aqui na mesma, em tendas, disse que as pessoas estavam aqui porque queriam.
Não. Sim, mas isso são coisas diferentes e não vamos misturar, isso é injusto. Pergunta se essas pessoas recorrem às barracas porque não têm outra resposta. Algumas sim, outras não. E se me deixar explicar, eu gostava de explicar. Na altura da CDU foi feito o estratégia local de habitação. O estratégia local de habitação aponta para a resolução de 600 barracas, ok? Nós temos o estratégia local de habitação, por via do PRR e por via de esforço municipal, onde vamos resolver o problema de 600 barracas no nosso concelho. Essas vamos resolvê-las até junho do próximo ano, que é o limite do PRR, correto? Vamos entregar as chaves às pessoas, vamos resolver aquelas que estão identificadas na estratégia local de habitação. Agora, o problema é se nós deixamos crescer mais barracas. E já tenho mais 300 fora da estratégia local de habitação, que tem que ter a necessidade de apoio do governo para se poder resolver. Estamos a falar já de perto de mil. Tenho uma lista de espera de 1100 pessoas. Umas coincidem, outras não. E aquilo que estava a acontecer era uma estratégia de crescimento de habitação, que estava a ter aqui contornos preocupantes.
Mas foram só as barracas estas de alvenaria, por exemplo.
Não.
Não é só habitação ilegal.
Isto está há anos aqui.
Isto é uma questão de tempo no território?
O Talude não é só aquilo, o Talude já há muito tempo.
Isto também é construção ilegal.
Isto é, mas elas estão na estratégia local de habitação, grande parte delas. Correto? Não percebeu o que eu estou a dizer. Estas já estão identificadas como estratégia local de habitação. Estamos a falar, é diferente, são outras construções. Foram feitas agora, não são barracas, são barracos. São quatro metros quadrados, quatro chapas de zinco.
Também não ficou muito melhor, ficou aquilo lixo acumulado e as pessoas na altura ficaram sem os sítios a que chamavam casa, não é verdade?
Eu estou a querer tentar explicar, mas eu percebo a questão.
É que estamos a passar exatamente por isso.
Está bem. Acha isto digno? O que nós estamos a fazer é assim, eu respondo de uma forma muito clara.
Não é digno, mas a questão é se a resposta foi mais digna.
Nós temos que estancar o crescimento da construção ilegal. E aqui não vou permitir mais construção nova. Não vou permitir mais construção nova.
Acabámos de passar aqui pela Polícia Municipal.
É, está uma equipa permanente neste bairro em concreto do Talude, para não deixar haver construção nova. Ou nós estancamos o problema a nível do crescimento ou então não há solução nenhuma, podem vir 1300 milhões de euros, pode vir dinheiro para cima da mesa. Agora, uma coisa que é esta ideia que se vendeu aqui, que era o que estava a ser vendido às pessoas, e tenho pena que as pessoas caíram nessa, que era: construam uma barraca, que imediatamente têm direito a uma casa. Isto é injusto, desculpe o que eu digo, mas isto é injusto. É injusto perante as pessoas que caíram nessa teia e é injusto para o resto da população do concelho de Loures.
Na altura o senhor apontou os dedos às redes de comércio ilegal.
E é injusto para o resto da população de Loures. E depois nós detetámos venda de barracas. Sim. Está no Ministério Público, está feita a queixa. Havia venda de barracas. Eu tenho casos Em que vieram para aqui porque lhes disseram que comprando uma barraca com 2.000, 3.000 euros, compravam essa barraca e tinham direito a uma casa. Isto é injusto. As pessoas caíram numa teia. Eu tenho casos, e há fotografias registadas, que isso é que devia ser informação também de todos, de pessoas que vieram do aeroporto direto, com fotografias da mala, do bilhete da viagem do avião na mala, do próprio dia. E vieram logo para aqui.
Já tinha informações de outras pessoas, não é?
Mas estou-lhe a dar exemplos de pessoas que me disseram que havia pessoas que tinham casas alugadas e preferiam montar uma barraca porque iam ter direito a uma casa. E há uma coisa que é importante dizer. Nós temos que ter solução para os problemas das pessoas e vamos ter solução para 900 barracas que estão aqui no nosso concelho. Se eu deixar crescer isto da forma como estava a crescer, não há solução possível. É demagógico dizer-se que há solução. É demagogia pura. Então eu tenho que estancar esta questão para poder resolver, efetivamente, aquelas que já cá estavam. Estas não podem passar à frente das outras, é uma questão de regras.
E quem é que deve fazer essa fiscalização? Quando estava a dizer que tem aqui a Polícia Municipal em permanência. Mas é para sinalizar isso. Eles têm essa competência?
Têm. Têm de gestão do próprio território, levante de construções ilegais. Agora, se eu não estancar este problema, garanto-lhe a si, é demagógico deixar a coisa andar, não há solução possível. Aqui havia casos de vendas de barracas, há casos de pessoas que caíram nessa teia. E vou dizer aqui com frontalidade, desse movimento Vida Justa, que existe, que podia ajudar e não ajuda, porque manipulam as pessoas. E vou lhe dar um exemplo, que ninguém fala. Sabe que já houve 24 dessas famílias que foram tiradas aqui dos bairros, que já se autonomizaram, já arranjaram trabalho com o apoio dos serviços da Câmara, já arranjaram casas em vários sítios do país, autonomizaram-se. E isso é aquilo que nós queremos que as pessoas façam. Autonomizarem-se.
Se calhar esses movimentos sociais tiveram essa vantagem. Apostaram as pessoas para o problema e a Câmara também, ou não.
Não. Essas pessoas deixaram de ser manipuladas e vieram ter com a Câmara para encontrar soluções. E nós conseguimos encontrar soluções com elas. 24 famílias já se autonomizaram, já criaram o seu posto de trabalho, conseguiram emprego, conseguiram arrendar casas no mercado normal de arrendamento. 24 famílias. Não é de menosprezar isto.
Quando disse aquela frase do "ficaram porque quiseram", que há bocado disse que estava a ser mais usada.
Nós tínhamos pessoas que estavam em pensões pagas pela Câmara e agora saíram das pensões e vieram arranjar novamente a barraca.
Por que acha que isto acontece? É uma pressão, lá está, para ter a tal habitação municipal.
Eu acho que é a ideia que se está a vender, que como vamos dar 1.300 milhões de euros, agora já se diz que vai haver solução para tudo. Constroem uma barraca e têm direito a uma casa. E depois há que ver com atenção quantas é que estão aqui e estão noutros concelhos.
Deixe-me perguntar-lhe sobre a Polícia Municipal, que já falámos aqui neste trajeto, acabamos de sair já do bairro do Talude. Perguntar se a Polícia Municipal deve ter competências depois também ao nível da fiscalização das ocupações ilegais.
Essa já tem.
E intervir diretamente.
Intervir, depois obviamente.
Porque uma coisa é sinalizar, outra coisa é poderem intervir em situações de ocupação ilegal e nas tais situações de sobrelotação de casas.
A Polícia Municipal tem funções que estão transcritas na lei de forma clara. E a gestão do território, ocupação e construções ilegais estão nas funções que têm que fazer. E isso faz. Depois, obviamente, reencaminha para as divisões competentes. É o que a Polícia Municipal faz. Desculpe que lhe diga.
Diga.
Quem conhece o concelho de Loures, e eu conheço bem o concelho de Loures. Falar de habitação, esta é preocupante, e já lhe expliquei qual é a minha visão que tenho para esta questão da habitação, digamos, das barracas.
Da ilegal, sim.
Já lhe expliquei a questão da habitação municipal, o que é que temos que fazer, mas há uma coisa importante aqui: é a classe média e os jovens.
Há um concelho que está a crescer muito.
É uma classe média e os jovens.
A procura, por causa da pressão do preço em Lisboa, acabam por se desviar para aqui.
Nós estamos já a finalizar todos os procedimentos para o lançamento de 500 novos focos de arrendamento acessível, rendas a 600, 700 euros. Temos que trabalhar para conseguir mais. É pouco, é verdade. Temos que conseguir mais arrendamento acessível, rendas 600, 700 euros, que os jovens possam pagar e possam ficar no concelho de Loures e não tenham que ficar na casa dos pais, não tenham que se deslocar para outros concelhos. E por isso mesmo, por exemplo, nós estamos com um programa, que a CDU já o tinha, de apoio, por exemplo, à habitação jovem, mas que tinha inscrito 150 mil euros. E nós aumentamos para 1 milhão de euros. Nós vamos apoiar em 1 milhão de euros todos os jovens do nosso concelho, e não jovens, os mais de 35 também estão inseridos nesse apoio, para apoiar a sua renda.
É verdade que está a haver esta procura. Diga.
Ou a prestação ao banco, ou a renda. E estamos a falar cerca de 800 famílias, jovens e não jovens, que vão receber apoio entre 100 e 150 euros para o pagamento da renda ou da prestação ao banco.
Sim. Deixe-me só voltar aqui àquele tema da classe média, porque é um tema importante. Estava a falar nessa aposta que tem na habitação também para a classe média. Gostava de perceber como é que se atrai a classe média com problemas de insegurança, que Loures continua a evidenciar com queixas. É talvez uma das questões que tem suscitado mais queixas. Ontem até estava a ver isso no Portal da Queixa. Os munícipes falam em roubos, vandalismo, falam na questão do tráfico, também, que está a aumentar. Como é que se atrai uma classe média com este tipo de problemas no concelho?
No concelho de Loures, e o RASI é bom exemplo disso, não sei se viu a estatística. A criminalidade geral diminuiu no concelho de Loures. Há duas preocupações a nível da criminalidade. O roubo por esticão na via pública foi o que aumentou, a nível do RASI, e surpreendentemente saiu a questão da parte grupal.
Mas o RASI põe Loures como um dos concelhos da área metropolitana de Lisboa.
Claro. Sim, eu não estou a dizer o contrário.
Com as questões de insegurança mais significativas.
Agora diga uma coisa. Nós reforçamos a nossa Polícia Municipal com mais 14 agentes. Adquirimos mais um conjunto de viaturas, então demos mais capacidade à Polícia Municipal para estar no terreno. E há uma coisa importante que se diga: a estatística é a estatística, que é importante nós olharmos e analisarmos para ela. Houve uma palavra que foi muito falada quando se falou de segurança, que é a perceção. Lembra-se disso?
Certo. A perceção de segurança.
A perceção das pessoas é importante. Um autarca olha para a estatística, tem que analisá-la, tem que junto do Governo, porque é uma responsabilidade que é do Governo, como é óbvio, trabalhar em colaboração, mas tem que ouvir a população. E eu digo que o principal problema que nós temos que resolver no Conselho de Loures, e vamos resolvê-lo com medidas que eu já lhe vou dizer, é o policiamento de proximidade. O policiamento de proximidade, na minha opinião, contribui para a diminuição do sentimento de insegurança das pessoas. Correto?
Mas é só as pessoas verem a polícia ou a polícia ter efetivamente, e vão voltar a existir, mais poderes a municipal?
Não estou a falar da Polícia Municipal, estou a falar das polícias que têm. Estou a falar da PSP.
Ah, ok.
A Polícia Municipal não tem isso.
Não tem, nem acha que deva ter. Não é uma força desde a Polícia Municipal.
A Polícia Municipal tem o seu quadro legal. Eu encaro a Polícia Municipal como importante para a gestão do território e trabalhar em colaboração com a PSP, também para a questão da segurança, mas em colaboração com a PSP. E isso tem sido feito e muito bem feito. A nível da PSP é que é uma coisa impressionante. Nós somos um conselho onde temos 10 freguesias, seis são as urbanas e há quatro rurais. As urbanas, estamos a falar de seis freguesias tuteladas pela PSP. Sabe quantas viaturas é que estão disponíveis, em média, estavam há cerca de dois meses para essa gestão de proximidade? Três viaturas disponíveis, muitas delas paradas por uma questão de mudança de óleo, mudança de pneus e três viaturas. Nós estamos a finalizar um processo de aquisição em parceria com as juntas de freguesia envolvidas. A Câmara paga metade de todas elas e cada junta paga 50%. São seis viaturas novas que vamos entregar à PSP agora, muito brevemente. Mas vamos ficar com a manutenção de mais outras seis, que é para termos 12 viaturas da PSP, onde está no protocolo com a PSP, que é para ficarem em regime de exclusividade no Conselho de Loures. Em caso de emergência, obviamente, saem do Conselho de Loures, mas são mais 12 viaturas que o município de Loures, a custas suas, vai contribuir para que a PSP possa aumentar essa fiscalização, esse policiamento e principalmente esse policiamento de proximidade, que é muito importante para as pessoas. E eu digo isto com causa própria, porque ouço as pessoas, ando na rua.
E nessa tentativa de puxar para este território os jovens, classe média, esta questão da linha do metro e das mudanças e da promessa de uma linha circular, é o projeto que está ainda em cima da mesa, até colocado pelo governo socialista. É uma boa ideia? Não vai criar aqui obstáculos para as pessoas irem trabalhar todos os dias daqui destes concelhos?
Vamos lá ver. A questão do metro, a promessa. Tenho estado em conversações regulares com o senhor presidente do Conselho de Administração do Metro. O metro já não é uma promessa, é uma realidade.
Sim. Eu estou a falar da questão da linha circular.
Mas já lá vou. O lançamento da obra foi importante. Foi importante também a decisão deste governo em colocar a verba de acordo com aquilo que era, digamos, os valores de mercado. É tudo para a esquerda, atenção. Senão não dá em place.
Senão vamos para o outro lado.
Senão vamos para Sacavém.
Não é grave.
Tem que ser tudo para a esquerda.
Não podemos é ir para a ponte.
Não, é sempre para aquela. Tudo, eu percebo onde isso.
Ok.
E por isso, a informação que tenho é que um conjunto de propostas que vieram a concurso, houve uma que foi aceite. Há reclamações agora de outros e que durante este mês ou o próximo, o metro está em condições de fazer a adjudicação da obra, o que é uma coisa muito importante, não só do ponto de vista daquilo que é um sonho da população da zona norte do Conselho de Loures. E vai ser uma realidade. E vai entrar em operação 27, 28, o que vai revolucionar do ponto de vista da mobilidade da zona norte do Conselho de Loures, não tenho any dúvidas nenhumas.
Para a parte da circular, que é para a parte que faz agora a ligação é direta?
Que eu não concordo, ela não está ainda fechada e por isso a posição do presidente da Câmara de Loures, Ricardo Leão, é contra a linha circular.
E chegou a dizer isso aos governantes socialistas?
Claro que sim.
Tinha especial proximidade com Duarte Cordeiro, que era o ministro na altura e que tomou essa decisão.
Daquilo que me conheces, achas que eu tenho alguma coisa para ficar por dizer? Não.
Disse e não conseguiu convencê-lo, não é verdade?
Não. E vamos ver se consigo convencer o atual.
Sim, já tem conversas nesse sentido?
Falamos, sim.
E já lhe explicou a sua posição. Quais é que são os argumentos para ser contra?
É o tempo que demoram, digamos, as pessoas que apanham o metro aqui em Loures, o tempo que demoram depois fazer um novo túnel Transbordo. Ou seja, para quem quer ir para o centro da cidade de Lisboa, penaliza a população do concelho e por isso eu estou contra.
Certo. Estamos quase a chegar a uma escola básica.
As escolas foi uma das apostas que fiz.
A Escola Básica do Infantado, não é?
É. Uma escola em que vão sair 6 milhões de euros, tudo investimento municipal.
Nesta escola?
Só nesta escola. Tudo investimento municipal. Uma escola que vai ter aquilo que das escolas novas que estamos a fazer. Fizemos já a Covina, estamos a fazer o Infantado, a número cinco de Camarat, que vai abrir agora. A escola dos Ambos, do Ambojal, a Maria Veleda. Podia dar aqui um conjunto de escolas. São 54 milhões só em escolas este mandato, que estão na rua. Não são aquelas que vêm a ser feitas, que estão na rua. Isto foi um esforço muito grande que o município de Loures fez. Algumas delas por recurso a empréstimo bancário. Agora, é para a esquerda, mas que havia necessidade de as fazer. Havia necessidade de a fazer, porque a dignidade que existia em muitas das escolas do nosso concelho ficava muito a desejar. E por isso esta vai ser uma escola completamente nova, com um polo desportivo coberto e é aquilo que nós estamos a fazer nas escolas novas. E estou a fazer um em cada freguesia. São 10 polos desportivos dentro dos lotes escolares que nós fizemos e estamos a fazer coberturas deles. Para fazer o quê? Para poder autonomizar fim de horário escolar, abrir aquele espaço coberto à prática do desporto informal, que é muito importante.
Tem boas perspetivas para a noite eleitoral? Qual é a sua aposta?
Não, eu acho que nós, pelo trabalho que fizemos este mandato, pelas obras que fizemos, quer na mobilidade, comissão 140 milhões, nunca houve tanto investimento na rua como está a ser feito agora. No apoio que fizemos, quer à educação, quer na saúde, quer na mobilidade com novas vias. Olha a variante interior a Loures, que foi feita e que veio de alguma forma desanuviar o trânsito dentro da cidade de Loures.
Acha que é inevitável que ganhe as eleições, é isso?
Eu não estou.
Está a fazer fé nisso, na obra que mostra.
Eu, como munícipe que sou, eu vou votar PS. Como munícipe que também sou e sempre fui. Agora, a decisão é da população do concelho de Loures, mas também é justo reconhecer que pelo trabalho que fizemos este mandato e pela vontade e determinação que tenho para fazer um conjunto de outras coisas que não foi possível fazer este mandato, e é só por isso que eu me candidatei. Tenho a consciência.
E acha que esta sua ação aqui, um discurso muitas vezes a ocupar o tal espaço do Chega, vai lhe permitir vencer com mais facilidade do que alguns autarcas socialistas, se calhar noutros pontos do território, num contexto onde o Chega, de facto, está a crescer. Temos visto nas legislativas que houve ainda agora recentemente.
Eu já lhe disse há pouco.
Estou a falar mais na eleitora nacional.
Eu sei. Não, não faço.
Eleitora nacional, porque quer dizer, houve uma estratégia aqui ou não?
Não, a estratégia é fazer aquilo que eu acho que devia ter sido feito. Agir aquilo como devia ser feito, recuperar os oito anos de atraso que a CDU nos deixou na educação, na saúde, na mobilidade, nas vias de acesso, nas pavimentações. Mas muito ainda há por fazer.
Mas no atual contexto, a sua ação e o vocabulário que tem usado, quer dizer, vai criar uma vantagem, tendo em conta o contexto político?
E seria se eu tivesse o feito em função de. E eu fiz em função daquilo que é a população do meu concelho.
Mas cria vantagem ou não? Consegue fazer essa análise ou não?
Eu não faço essa análise. Eu não fiz em função para roubar espaço a este, àquele ou àquele.
Mas acha que este tipo de visão e este tipo de, chamo-lhe consciência, devia ser uma coisa que outros autarcas do PS deviam seguir?
Isso é injusto dizê-lo.
Com certeza que faz essa análise, ou não?
Eu faço uma análise, mas não vou torná-la pública.
Mas acha que a sua linha é uma linha que pode beneficiar o Partido Socialista?
Eu faço, eu fiz e continuarei a fazer aquilo pelo meu concelho, de acordo com aquilo que eu acho que é determinante e importante em defesa do meu concelho e da minha população. Nunca em função, se roubo espaço a este, àquele ou ao outro partido. Isso não. Se o fizesse, eu hoje poderia ter essa análise, dizendo: "Sim, fiz isto por". Não, fiz em defesa do meu concelho e da população do meu concelho.
Certo. Ricardo João, ficamos por aqui.
Olha, agradeço muito.
Obrigada.