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Como é que resolve? Não é o problema destas pessoas, mas é o problema do geral.
Sim. O carro já está a dar sinais, está aqui com alguma dificuldade. Eu vou tentar dar aqui a volta.
Dê a volta.
Só para não ficarmos aqui retidos.
Dê a volta. Da próxima vez vimos com outro carro.
Temos que vir com um carro mais alto, porque isto, de facto, não tem a mesma nível Gonçalo Caroço, candidato autárquico da CDU à Câmara Municipal de Loures. Bem-vindo ao Carpool do Observador.
Prazer.
Vamos fazer aqui uma viagem para alguns sítios importantes do município. Bem, Gonçalo, nós estamos a arrancar da Valorsul, é o local onde trabalha.
É o meu local. É um posto de trabalho, já há 20 anos. Trabalho aqui nesta empresa muito importante para a área metropolitana.
Sim, não é só para Loures. Isto é para a área metropolitana toda.
Norte, sim. Que trata os resíduos aqui e noutras localizações, os resíduos de toda a área metropolitana de Lisboa Norte, dos concelhos de Lisboa, Amadora.
E o que faz aqui na Valorsul?
Sou técnico de engenharia, acompanho questões relacionadas com a qualidade, com ambiente e segurança. Foi isso que vim fazer aqui para Valorsul, e cá estou.
Esta zona da Valorsul, nós estamos aqui ao lado do IC2, que faz esta ligação entre o município de Loures, ao fim de Vila Franca de Xira, e já Lisboa, e tem esta zona toda envolvente que tem agora o Parque Papa Francisco. Mudou completamente nos últimos quatro, cinco anos. Isto era uma zona de muitos contentores, ainda tem alguns aqui ao lado da Valorsul, nós conseguimos perceber que ainda há aqui esta zona de contentores, mas de repente acabam os contentores e entramos neste parque verde que estamos agora a entrar. Ficou bem feito este trabalho?
Cada vez que vejo este parque e vejo toda esta zona, eu fico muito contente com aquilo que se conseguiu fazer aqui. Porque quando a CDU estava na Câmara, não havia nada de projetos para aqui, não havia mesmo o passadiço que está aqui à nossa esquerda-
Sim, que está do outro lado
...depois poderemos ver melhor. Eram tudo coisas impossíveis, que não seriam nunca possíveis de ser feitas. Mas nós batalhamos e tivemos que ter muitas discussões com o governo, na altura do António Costa, até com demonstrações técnicas, porque as entidades responsáveis diziam que não seria possível. E conseguimos duas grandes vitórias. A primeira foi esta retirada aqui dos contentores.
Sim.
Que só foi feita ainda metade. Falta a outra parte.
É, era o que eu estava a referir. Ainda há ali uma parte que ainda tem contentores, depois de repente acabam os contentores, ficamos com um parque verde muito amplo.
E que, evidentemente, a vinda do Papa ajudou. Foi muito importante para que este espaço pudesse ser devolvido às pessoas.
Sim.
Agora, estamos com um problema, que é o resto dos contentores têm que sair e o governo não se parece estar com muita vontade e a Câmara também, digamos que está um pouco como no passado, em que há coisas que não são possíveis e, portanto, não nos vamos preocupar muito com isso, mas é possível. Isto que aqui está demonstra que se foi possível tirar daqui os contentores e fazer um parque, então aquilo que é necessário fazer em Loures é possível de fazer, desde que haja trabalho e persistência.
Mas isto não cria um problema de manutenção?
É evidente que aquilo que nós temos aqui é um parque que talvez tenha havido uma precipitação na sua inauguração. Porque não estão ainda os acessos todos feitos, isso não foi tudo acautelado. E, como podemos ver, a população não utiliza este espaço.
Certo.
É muito raro ver aqui alguém utilizar este espaço que aqui está. De facto, foi muito importante que o parque avançasse. Houve alguma precipitação, eu acho que têm que ser tomadas medidas para que o parque possa ter outro tipo de atividades que chamem a população.
Como por exemplo, o que é que precisava este parque? Serviços de restauração, serviços de atividades, atividades promovidas também pela Câmara, o que é que a Câmara pode fazer?
Precisa de espaços para o desporto, que isso chama muita gente.
Certo. Já consegue-se perceber que há essa capacidade.
Certo.
Mas estamos a falar de construir campos, construir equipamentos?
Claro, é isso que é preciso. Um parque desta dimensão tem que ser aproveitado de forma que as pessoas o possam utilizar para vários fins.
Para quem não conhece este parque, temos o lado que fica do lado da Valorsul, portanto, que tem todo este jardim, bancos. Nós conseguimos perceber que aqui, mesmo a nível de manutenção, caixotes de lixo, sacos, tudo parece estar a funcionar, mas nós olhamos em volta e não vemos aqui as pessoas, como estava a referir. Do outro lado do IC2, temos os passadiços.
É mais um sonho daqueles que eram impossíveis de concretizar, mas que a CDU meteu mãos à obra, ainda com o Bernardo Soares como presidente da Câmara, e novamente, com muitas discussões com a administração central, conseguimos fazer o projeto e fazer com que o projeto fosse aprovado. Mas depois chegámos à reunião de Câmara e o PS votou contra esta obra quando nós estávamos na Câmara. No entanto, houve ali uma abstenção por parte do PSD e o projeto passou. Depois foi à Assembleia Municipal e o PS tentou novamente impedir que esta obra avançasse. Não conseguiu, por muito pouco, mas não conseguiu. E, por isso, este passadiço, que para nós é um grande orgulho de estar aqui, porque a população usa muito e com muita frequência.
Estão pouco mais do que o próprio parque, não é?
O passadiço já tem quase quatro anos. O passadiço tem muita utilização.
Sim.
Em particular ao fim de semana. Pessoas a correr, andar a pé, bicicletas. Tem muita utilização, mas tem essa particularidade, que é Que o atual presidente da Câmara agora fala do passadiço como se fosse algo muito bom, mas se tivesse dependido do PS, este passadiço não existia.
Mas não ficaram ali algumas preocupações a nível ambiental e a nível de manutenção, dada a proximidade do rio? Nós sabemos que cheias começam a ser um problema cada vez maior. Está mesmo muito próximo do rio, está tudo em condições, está tudo a nível de segurança, parece-lhe que está tudo garantido com aquele passadiço?
Em termos de segurança, as pessoas podem usar com segurança todo o passadiço, isso foi assegurado. Existe um problema junto a Santiria quando há as marés vivas.
Exatamente.
Em que há uma pequena zona que fica com dificuldades de circulação, é verdade. E que teremos que ver como é que isso se poderá ultrapassar, mas de resto, o passadiço está em condições de ser utilizado. Agora, está um pouco também ao abandono no sentido em que não evoluiu mais. As pessoas, por exemplo, precisavam de ter alguns bebedouros, precisavam ter uma casa de banho, algum sítio onde pudessem também, porque são 8 km de uma ponta a outra. Portanto, há algumas coisas que as pessoas nos têm dito que, de facto, sentiram que não houve evolução. Que o passadiço foi muito bom, que foi uma ótima medida, mas que tem que haver agora outros equipamentos que ajudem a sua utilização. Quanto à questão ambiental, o passadiço foi todo feito já tendo em conta o sítio onde está, que é um sapal. Há uma série de condicionantes que tiveram que ser respeitadas e elas foram respeitadas e, portanto, na maior parte do passadiço, o sapal está bem. Há uma zona ali mais à frente onde existem algumas preocupações com o sapal, que agora terá que recuperar.
Ali junto ao trancão não ficou nenhum problema com o passadiço?
Não, há um problema ali mais à frente, no sapal, que nós já identificámos.
Ainda sobre esta zona. Há informações da possibilidade de criar um parque logístico perto desta zona. Isso é algo que preocupa, acha que pode dinamizar aqui não só a capacidade industrial, a capacidade de emprego também deste município e dar outro aproveitamento também a toda esta zona envolvente junto ao Queijo?
Muito preocupante, tudo o que está previsto. Aqui tínhamos uma fábrica de vidro, era a Covina, que era a única fábrica em Portugal em que se fabricava o vidro plano. Foi vendida, foi na altura privatizada à Saint-Gobain, e depois a Saint-Gobain acabou por atingir o objetivo que era terminar a elaboração para poder importar para Portugal o vidro que é produzido noutros países, e agora também vem de Espanha. Não temos em Portugal produção de vidro plano. E aquilo que estamos agora a assistir é, no fundo, uma terraplanagem de toda a zona da Covina, que vai passar a ser um centro logístico. Centro logístico com muitos caminhões, com muito trânsito pesado, a acrescentar a duas novas urbanizações que vão ser construídas aqui também em Santiria da Zóia, naquela zona. O que é que isto vai dar? Os estudos de tráfego que estão feitos, são feitos individualmente, ou seja, é feito um estudo de tráfego para a urbanização A, para a urbanização B e para a plataforma logística, mas depois não há um casamento de tudo. E não havendo um casamento de tudo, nós vamos ter aqui um problema sério. Nós sabemos o que acontece aqui em Vila Franca, em que a estrada nacional é um problema em Vila Franca de Xira.
Estou a seguir, diga-me apenas, estou a seguir aqui o caminho para o nosso próximo ponto.
Está bem. Está certo. É um problema em Vila Franca de Xira e nós não queremos que seja um problema aqui em Loures. Vamos ter que, chegando à Câmara, perceber muito bem as consequências que terá todas estas decisões que foram aqui tomadas de forma casuística e individual.
Mas Loures não pode ter a capacidade de crescer? Como está a dizer, parece que limita a capacidade de crescimento de Loures.
É claro que pode, mas vamos lá ver. Tem que haver obrigações daqueles que investem. Porque não basta só construir aquilo que têm interesse em construir. A partir do momento em que vamos passar a ter duas novas urbanizações e um centro logístico de grande dimensão, tem que estar assegurada, evidentemente, a circulação das pessoas e a circulação dessas viaturas. E não está.
Nós estamos a chegar aqui a um local importante, pelo que sei, para a CDU e para o trabalho que a CDU fez antes do Partido Socialista entrar no poder. O Partido Socialista continuou o trabalho feito pela CDU neste local, mas explique-nos, onde é que nós estamos a chegar?
Olhe, nós estamos a chegar a um palácio, que é o Palácio de Valflores, que tem cerca de 500 anos.
Está aqui à nossa esquerda, esta obra que está aqui em recuperação.
Isso mesmo, é essa obra que aí está. Tem cerca de 500 anos este palácio e foi, há uns oito anos atrás, declarado como um dos sete monumentos em maior perigo na Europa.
Sim. Isso foi há quase 10 anos, não é? Essa classificação.
Sim, quase há 10.
Quase há 10 anos.
Quase há 10. E, portanto, aquilo que nós fizemos foi aproveitar e concorrer a fundos comunitários para, em conjunto, na altura com o governo, recuperar aqui o palácio. Acontece que tudo isso foi tratado, adjudicado, mas quatro anos depois O palácio lá está, ainda sem estar completamente recuperado e mais grave do que isso.
Mas era possível recuperar mais do que foi recuperado agora?
Não está terminada a obra.
Mas já podia estar terminada.
Já, já com quatro anos.
Encontra razões pra não ter sido terminada?
O empreiteiro encontra dificuldades, que não há madeira, que a madeira está cara, que tem que trazer de alguns países que estão envolvidos em algumas situações de conflito. Mas essa não é a questão essencial, porque dificuldades dessas podem acontecer. A questão essencial é que não há um rumo pra cultura aqui no concelho de Loures. Isso aí é que nós queremos evidenciar, porque o Palácio de Vale de Flores não é só recuperar. Ele tem que ser recuperado, é verdade, mas tem que ser dado um fim, uma finalidade. E nós tínhamos deixado três opções, mas nenhuma delas está decidida. O PS não tomou qualquer decisão, nem sequer abordou esse assunto, pra saber o que fazer a seguir. Isso não é caso único. Nós temos uma proposta, que só nós é que temos, que é a de finalmente Loures ter um centro cultural.
E ser ali no Palácio Vale de Flores.
Não, não seria ali, mas seria em Loures, no centro da cidade. Porque aqui na área tributária de Lisboa, Loures é o único que não tem um sítio onde se possa usufruir da cultura, mas não é só usufruir da cultura. É um sítio onde se possa criar e onde possa haver troca de opiniões, troca de saberes, que Loures não tem. E Loures vive da cultura em muitos sítios, nos bairros, nas associações, nos bombeiros.
Sente que é uma preocupação da população, este Palácio de Vale de Flores? A população conhece, sabe o que aqui está, sabe a história?
Da população que se sentiria, é.
Sim, o qual nós sentiríamos.
E a questão da cultura é uma preocupação de uma parte da população, é verdade, mas nós temos um princípio que é: sem cultura não há democracia, nem há liberdade. E portanto, pra nós a questão da cultura é fundamental. Nós temos que dar condições pra que os agentes culturais possam criar com a liberdade que têm que ter e possam ter o espaço onde as pessoas possam usufruir de cultura com qualidade.
Não seria de esperar algum cruzamento de ideias entre a CDU e o Partido Socialista na autarquia de Loures, perante até o crescimento que tem sido anunciado, ou que temos visto nas legislativas, nas últimas eleições, o crescimento do Chega que pode ter na autarquia, já vimos nas legislativas, e que pode ter agora nestas eleições?
Bom, isso não nos pode, de facto, tolher nas nossas propostas e nas nossas posições. De facto, o Partido Socialista tomou algumas atitudes neste mandato que o aproximam mais do Chega do que da CDU. Isso é conhecido.
Quer dizer alguma dessas propostas? Que está a haver a proximidade? A situação no Bairro do Taludo Militar é uma dessas situações?
Essa ação é própria de um partido de direita, não há dúvida nenhuma, mas basta lembrar que o Chega apresentou propostas na reunião de câmara, que foram, a seguir, aprovadas pelo próprio Partido Socialista. Isso até foi bastante divulgado na comunicação social, em particular, a proposta relacionada com as pessoas que tivessem participado nos distúrbios na altura do Odair.
Sim. Mas encontra certamente pontos de ligação com a governação socialista ou não consegue, de facto, encontrar pontos de ligação com ideias que a CDU defenda também pra este município?
Sim, claro. Aqui em Loures, os únicos partidos que governaram foi a CDU e o PS. É evidente que existem pontos de ligação. Agora, aquilo que nós assistimos neste mandato, eu acho que sinceramente, foi a um afastamento do próprio Partido Socialista de alguns princípios que o nortearam aqui na gestão do município na altura do Carlos Teixeira. E portanto, esse afastamento de alguns desses princípios, também faz com que as nossas propostas não tenham já o mesmo cruzamento com as propostas do PS neste momento. De facto, eu penso que neste momento, nós temos claramente três partidos que estão juntos a lutar por um certo eleitorado, que é o PSD, o Chega e o PS, claramente.
A CDU posiciona-se como se estivesse a discutir outro eleitorado.
Com outras propostas.
A nível autárquico, o eleitorado não sente quase todas as mesmas dores?
Não, vamos lá ver. As pessoas têm que sentir que a Câmara lhes dá possibilidades de ter uma melhor vida, lhe dá as respostas daquilo que as pessoas precisam. Por exemplo, na cultura, como acabamos de ver, que é uma questão importante, algumas pessoas sentem isso. E o PS quanto a isso nada fez. E outras questões que vamos ver também aqui durante a tarde. E portanto, aquilo que acontece é que o PS e as pessoas, neste mandato, algumas medidas aproximaram, mas outras medidas afastaram outras pessoas. Porque quer a gente queira, quer não, por exemplo, aquilo que aconteceu lá no Taludo, há muita gente que não se revê minimamente naquela situação, alguns deles até do Partido Socialista. Aliás, como fomos ouvindo depois, nos dias a seguir àquela situação.
Nós já vamos ter a oportunidade de falar melhor Do Bairro do Telheiro Militar, nós vamos passar por lá. Estamos a entrar na zona de São João da Talha. Nós voltámos à Nacional 10, estamos a entrar agora em São João da Talha. Toda esta zona ribeirinha, Santiria, São João da Talha, vive muito da indústria destes polos logísticos que aqui se criam e destas fábricas. Mas onde nós vamos, aqui em São João da Talha, não está ligado a isso, está ligado à área social. E estamos a falar de um lar, que é um projeto que foi iniciado pela CDU, que teve recentemente o lançamento da primeira pedra, há cerca de um ano, já na governação do Partido Socialista, mas que está a demorar a arrancar. Como é que está a situação deste lar onde nós estamos agora quase a chegar?
Este sítio que nós vamos visitar é como se fosse um símbolo daquilo que deve acontecer, mas que não deve acontecer da forma como aconteceu. Portanto, nós precisamos no conselho, e era isso que também lhe dizia há pouco.
É aqui à esquerda, não é?
Nós precisamos dar respostas à população relacionadas com a área social. O que nós vamos visitar é um lar.
Sim.
Nós sabemos muito bem que existem problemas gravíssimos para as pessoas, para porem os seus pais ou os seus familiares, porque não têm soluções. E as soluções que existem custam muitos milhares de euros. E por isso nós fizemos uma aposta, que foi, ainda no nosso mandato, avançar com muitas-
Estamos a falar da localização, portanto, estamos no bairro da Castelhana, certo?
Sim, mas é mais para lá.
O lar é mais para lá. Portanto, vamos tentar chegar lá a esse local, porque isto é um terreno que era da Câmara, certo?
Certo.
E que a Câmara também ajudou para chegar ao financiamento da construção deste lar, mas há aqui uma organização também de pensionistas e reformados que está a tentar dinamizar isto e está a tentar organizar toda esta estrutura do lar, mas há muito papel da Câmara, só que parece não estar a avançar.
Pronto, o que se passa é que estes projetos foram todos integrados naquilo a que chamou o programa PART e do PRR. Alguns avançaram, outros não, e este avançou. Mas o problema é que este avançou com 2 milhões de euros. Agora é aqui à direita.
Sim, vamos a isso.
Este avançou com 2 milhões de euros de apoio da Segurança Social, 600 mil euros de apoio da Câmara, mas o problema é que o lar já vai em 4,5 milhões de euros. Portanto, esta instituição vai ter muitas dificuldades em conseguir terminar a obra. E agora com um problema acrescido, que é o IVA, que era suposto ser de 6%, agora recebeu a informação que vai ter que pagar em vez de 23%. Portanto, o que isto quer dizer? Quer dizer que esta instituição está a tentar dar uma resposta que devia ser uma resposta dada pelo Estado, lar, creche.
Aqui à direita.
Aqui à direita. E que não consegue. A administração central demite-se do problema, a Câmara Municipal dá aquele apoio e fica por ali, e isso não pode ser. Nós vamos ter que apostar fortemente nas respostas sociais, vamos ter que trabalhar com o governo e com as instituições sociais no terreno para criar 250 novas vagas de lar e mais 500 novas vagas-
Já a contar com este lar?
Sim.
Já a contar com este.
Sim. E 500 novas vagas de creche, que é um dos maiores problemas do nosso conselho, que é a falta de respostas para as crianças.
A nível social, a nível público.
Sim, claro.
A nível privado há essa resposta.
Não, também não se consegue. Há muita gente que não consegue ter essa resposta neste momento. É evidente, nós temos aqui o problema da Creche Feliz, que há muita gente que fica de fora do projeto da Creche Feliz porque não há vagas.
Estamos aqui a falar deste terreno aqui.
Aqui à frente, sim.
Portanto, este terreno, aqui está ele, cedido pela Câmara, já lá vão uns quantos anos. Temos aqui uma obra que está em construção. Isto já vai algum tempo. A primeira pedra foi lançada o ano passado, está aqui em construção. Há de estar para terminar, entretanto, esta construção também. Mas foi vereador desta área, da área social também. Habitação, educação, mas a área social era uma das suas áreas.
E foi nessa altura que nós falámos com as instituições e conseguimos trabalhar com elas para elas apresentarem cerca de 15 projetos destes, de lar, de centro de dia, de creche, ao programa PART e PRR. Depois é que vieram as eleições, houve mudanças, e houve uma série destes projetos que ficaram na gaveta e as instituições gastaram dezenas de milhares de euros em projetos. E portanto, nós vamos ter que dar um tipo de resposta diferente, porque isto é daquelas questões que as pessoas precisam de respostas. A Câmara tem que ajudar a dar estas respostas às pessoas. Porque se as pessoas não têm respostas, se as pessoas sentem que não têm lugar para o seu filho na creche, que não têm lugar para o seu pai ou para a sua mãe ter uma resposta de qualidade-
Vamos entrar aqui num beco sem saída.
Não, é daqui para baixo.
Tem que ir ali para baixo. Vamos tentar dar aqui a volta. Sim, para terminar.
Isso é aquilo que alimenta o discurso também da extrema-direita. Porque a extrema-direita não está, de facto, interessada em resolver os problemas das pessoas, pelo discurso que se vê. É um discurso onde não há propostas, onde não há ideias. Mas assenta numa questão que é verdadeira, que é As pessoas não veem os seus problemas resolvidos, as pessoas não sentem que os poderes públicos estão preocupados em resolver os seus problemas. É isso que nós precisamos demonstrar. Estamos, que é possível, e a partir do momento em que as pessoas vejam que é possível, "afinal consegui ter um lugar de creche pro meu filho ou pra minha filha", isso é que vai ajudar a ultrapassar este problema na sociedade que temos atualmente das fortíssimas injustiças que a maior parte das pessoas sentem, porque sentem que ninguém olha por elas.
Nós passamos ali a zona de Sacavém, que tem uma zona por onde passa o trânsito, onde chegamos ao final da Nacional 10, que está a ter algumas obras de recuperação. Nós entramos, entretanto, aqui, viemos sempre com o Rio Trancão ao nosso lado e estamos a entrar já pra zona interior de Loures, a afastar-nos da zona ribeirinha, mas começamos aqui a subir para uma zona que nos vai levar ao bairro do Talude Militar. Muito poucas pessoas saberiam identificar o que é o bairro do Talude Militar ou que problemas poderia ter até há pouco tempo. Historicamente, é uma zona que tem problemas de construção de barracas e que espelha um pouco aquilo que são os problemas de habitação da área metropolitana de Lisboa, aquilo que a pressão no setor da habitação leva à construção de barracas, à criação de habitação precária. Mas eu estava aqui a carregar na palavra historicamente, porque o município de Loures sempre teve problemas, é óbvio que houve ali períodos em que os problemas acabaram por desaparecer um pouco, mas depois voltaram. Problemas com construção precária, construção ilegal, construção de barracas. E isto acontece agora com o bairro do Talude Militar, mas já aconteceu anteriormente. Isto é um problema crónico?
É um problema que não foi completamente resolvido e que a crise da habitação só veio agravar.
Mas podia ter sido resolvido antes dessa crise da habitação que veio agravar?
Vamos lá ver. A primeira coisa que é preciso dizer é que o bairro do Talude é apenas a ponta do iceberg.
Sim, eu estava a focar nisso mesmo. Há mais bairros, há mais construções. Estamos a falar deste agora.
Sim, mas não era nesse sentido que eu dizia. A ponta do iceberg dos problemas de habitação, porque estas pessoas que estão aqui no bairro do Talude, vivem naquelas condições porque de fato não têm condição econômica nenhuma e não têm redes familiares aqui no país. São pessoas que trabalham cá, mas que vieram de outros países e que não têm, a maior parte delas, rede. E por isso, a crise da habitação sente-se mais forte nestas pessoas, mas a crise da habitação é geral. Agora, quanto melhor a condição econômica, menos ela é sentida. Por isso é que existem também problemas relacionados com as rendas e com os preços das casas, que fazem com que muita gente tenha que sair. E é por isso que nós dizemos que, de fato, é um problema cíclico, porque enquanto a crise da habitação não esteve tão forte, o problema esteve mais ou menos controlado. Mas a partir do momento em que há mais dificuldades em ter habitação, os problemas aumentam para todos, excluindo aqueles que têm muito boas condições financeiras. E esse problema depois tem várias variantes. As pessoas que têm que sair da casa onde viviam há 30 ou 40 anos e irem mudar porque já não conseguem pagar a renda, as pessoas que perdem a casa porque não conseguiram pagar a sua habitação, o seu empréstimo, e depois estas pessoas, que são aquelas que têm mais dificuldades e que acabam por arranjar esta solução muitíssimo mais precária.
Mas que solução é que há para este bairro?
As soluções que temos não é para este bairro, é isso que eu estava a tentar dizer. Nós temos que ter uma solução integrada.
Eu sei, eu sei, eu sei que são as soluções integradas. O bairro do Talude Militar, como disse, tem uma situação diferente de outros, tem especificidades próprias. Portanto, para esta situação, construção ilegal em territórios da Câmara, em zona que a Câmara tem poder, portanto, pode tomar aqui decisões. Que soluções é que podemos ter? Se é uma solução imediata ou não.
A primeira questão que temos que fazer, e que a Câmara não fez, é: se a Câmara afirma que, como afirmou três ou quatro dias depois de iniciar as demolições.
Viramos aqui à direita.
Se a Câmara afirma que entre março e julho de 2025 aumentaram em 152 o número de habitações deste bairro, então o que a Câmara tinha e devia ter feito, que aliás, que é o que nós fazíamos na Câmara. As demolições não começaram agora, sempre houve.
Já houve demolições quando você era CDU.
Eu quando era vereador da CDU na área da habitação, demolimos centenas de barracas. Só que nós fazíamos mal a construção se iniciava.
Está a dizer que aqui a situação arrastou-se?
Então, a própria Câmara afirma que desde março até julho, aumentou em 152 as habitações.
Mas encontra razões para isso ter arrastado? A CDU não alertou a Câmara? É vereador da Câmara Municipal.
Não, a Câmara é que afirma isso. Como justificação para atuar, afirmou: "Isto aumentou muitíssimo." E então aquilo que se pergunta é: então e por que a Câmara não deu orientações políticas para: "há uma barraca, deita-se abaixo a barraca imediatamente para que o problema não ganhe outro tipo de proporções." E por que só aparecem no mês de julho a tomar esta decisão?
Está me a colocar, o que você vai dizer? Está a falar de uma situação eleitoralista?
Exatamente, porque foi uma decisão que teve em conta as eleições de outubro, porque o Partido Socialista sentiu que estava a ser penalizado e tentou desta forma captar algum eleitorado, no fundo, eleitorado que poderia estar a fugir para o Chega.
Temos aqui a entrada no bairro.
Mas pode entrar.
Sim. Eu estou mais preocupado aqui com a capacidade deste veículo em que estamos, por causa dos buracos que temos aqui na entrada.
Está bem, mas vamos devagar.
Vamos devagarinho e acho que vai funcionar.
E portanto, é evidente que esta decisão que foi tomada, é uma decisão a pensar nas eleições E as pessoas foram utilizadas para fins eleitorais. É isso que nós dizemos, porque senão, se a câmara estivesse, de facto, preocupada, em março, abril ou maio, tinha vindo tratar dessa situação.
Voltando atrás.
Pronto.
A CDU, perante esta situação, o que me está a dizer é que tentava resolver mais cedo, assim que soubesse da situação, mas era também para demolir.
Não, claro, mas sem as pessoas cá estarem. O problema que nós temos é que aquilo que aconteceu aqui, nunca aconteceu no Conselho de Loures. Demolições sempre houve, mas as pessoas ficarem lá sem alternativa durante mês e meio, já dois meses quase, isso nunca aconteceu, que é o que está a acontecer lá. Se nós agora formos lá, vocês vão ver que as pessoas estão lá a viver. Por quê? Porque fizeram ali a sua vida e foram feitas demolições sem qualquer alternativa, coisa que nós não fazíamos.
Está aqui outra situação. O que me está a dizer é que se isto se arrastou dessa forma, se essas construções se arrastaram dessa forma, isto levou certamente a problemas de saneamento, problemas de segurança, estamos a falar de construção ilegal.
Certo.
Está a dizer que a autarquia escurou tudo isso ao longo de todo este tempo e que a CDU nunca foi sabendo que essas construções aqui estavam também dessa dimensão?
Não, você está a ver onde é que é isto.
Estou, certamente. Mas certamente há juntas de freguesia.
Camarate.
Não têm conhecimentos?
Não sei. A Junta de Freguesia de Camarate também é do Partido Socialista.
Mas a CDU não tem conhecimento do que se passa em Camarate, por exemplo?
Nós não temos eleitos aqui. Eleitos na Junta de Freguesia. A Junta de Freguesia é só do Partido Socialista. Portanto, essa questão, para nós, é clara, de que houve essa ação para tentar ir buscar esses votos. Agora, como é que isso se resolve? Não é o problema destas pessoas, mas é o problema do geral.
Eu estava a fazer-lhe perguntas de saneamento e de segurança, porque, de facto, saneamento dificilmente será nas melhores condições nessa zona. Segurança, acredito que seja um tópico importante para esta zona aqui também, porque construção ilegal, mesmo para quem está na vizinhança deste bairro do Talude Militar, pode ter essas questões. Nós não vimos nenhuma força de segurança, nenhum polícia, nada, desde que passamos lá embaixo até cá acima. A autarquia tem falado algumas vezes que a segurança nesta zona também foi reforçada. Sente que falta, que há trabalho a fazer também?
Aqui não há problemas de segurança maiores do que noutros sítios do Conselho, por causa disso. Portanto, não é esse o principal problema da população com este bairro que aqui está. O principal problema é mesmo as condições indignas em que as pessoas estão ali. E, portanto, aquilo que nós precisávamos de ter feito era ter aplicado a estratégia local de habitação que a CDU deixou em 2021. Deixámos uma estratégia que permitiria ir ao PRR buscar 150 milhões de euros e 950 novas casas públicas. Aí é que está a solução para o problema.
Nós continuamos a ver aqui muita construção ilegal, muito tipo de construção neste bairro.
Certo, mas que esta não tem nada a ver com aquilo que está lá embaixo.
Não está lá embaixo. Mas um ponto é: vamos imaginar, a Câmara Municipal do Partido Socialista está a avançar com a solução com demolições. A CDU acredita que deve ser seguido outro tipo de estratégia para esta zona. De hoje para amanhã, a CDU, vamos imaginar que chega à autarquia, novamente à governação, e lida novamente com este problema. Começam as construções outra vez, como disse, isto é recorrente.
Mas temos que fazer como fazíamos na nossa altura, que é mal se inicia a construção, temos que atuar imediatamente.
Mas a dimensão é tal, neste nível de construções, que de um momento para o outro, sem qualquer conhecimento até de partidos que possam estar na oposição, há uma construção desta dimensão, há resposta para dar a todas essas pessoas.
Vamos lá ver uma coisa. Uma coisa tem a ver com as respostas de falta de habitação. Outra coisa tem a ver aquilo que acontece no território. Portanto, a Câmara, no momento em que sabe que está a haver construções ilegais, tem que atuar. E não fez isso. E nós fizemos isso em muitos sítios. Depois, tivemos também sítios onde havia barracas e nós assumimos que aqueles bairros, como por exemplo, o Bairro da Torre, aqui em Camarate, fomos nós que acabamos com o Bairro da Torre, em que as pessoas que lá estavam foram todas realojadas, na altura. Um bairro já muito antigo, já tinha décadas aquele bairro de barracas ali no Bairro da Torre. Portanto, existem aqui várias formas de atacar o problema. Quando deitámos casas abaixo ou demolimos, tivemos situações complicadas onde tivemos que realojar uma ou outra pessoa. Por quê? Porque, de facto, percebemos que nunca deixámos ninguém na rua, esta é que é a verdadeira questão. Ninguém está contra as demolições. Agora, deixar as pessoas na rua como deixaram, não pode ser. As pessoas estão ali, continuam a viver ali debaixo de tendas e algumas já reconstruíram, inclusive as barracas, porque assim estão mais protegidas do que estavam. Portanto, a solução tem que passar pela construção de habitação. Habitação pública para várias respostas.
Loures tem esse problema que vai existindo em muitos municípios, que é a questão da habitação. O preço da habitação está caro, 3200, 3300, quase 3400, creio, o metro quadrado na zona de Loures. Há respostas que são necessárias dar pela Câmara, há também o licenciamento para novas construções. Há pouco já nos tinha dito que em Loures não falta habitação, não falta construção, falta é a capacidade das pessoas conseguirem comprar casa.
Ou casas que as pessoas possam comprar ou arrendar.
Exato. Portanto, o que a autarquia pode fazer mais e o que a CDU pode fazer nesse aspeto, por exemplo, a nível de habitação social, tem um valor daquilo que possam propor à população?
Sim. Nós, neste momento, o mínimo que temos no nosso programa eleitoral são 550 novas habitações no próximo mandato.
550 novas habitações no espaço de quatro anos.
Quatro anos. Não quer dizer que não possam ser mais.
Mas isso novas, nós estamos a falar então de recuperadas.
Não, casas que neste momento não estão a ser utilizadas para habitação. Pode ser reabilitação, pode ser novas. Portanto, estamos a falar de 550 novas habitações, entre habitações De arrendamento apoiado, que é para as populações com mais dificuldades financeiras, como por exemplo, aquele que vimos agora aqui no Talude, mas também com uma fatia para a população que, embora seja um pouco mais desafogada, não consegue fazer frente aos gastos que neste momento tem como habitação.
Mas para a população que vive e trabalha em Loures, que viva apenas em Loures, há critérios para tudo isso?
Vamos lá ver. É evidente que nós gostaríamos de dar prevalência a quem vive e trabalha em Loures, mas não podemos pôr isso sequer como critério, isso legalmente não é possível. Dizer quem já vive em Loures é que vai. Não é possível. Agora, isto é só um princípio. Depois temos que atuar também de outras formas junto dos privados, porque os privados têm 6 mil fogos devolutos em Loures. São 6 mil fogos que estão devolutos em Loures. Portanto, nós precisamos trabalhar com eles para que eles comecem a recuperar também alguns.
O que é trabalhar com eles?
Trabalhar com eles é arranjar incentivos fiscais, no sentido de eles recuperarem esses edifícios, no sentido de porem esses fogos depois também no arrendamento acessível. A Câmara pode fazer isso em conjunto com o governo, que existem programas de arrendamento acessível do governo que podem e devem ser utilizados. Agora, também muitas vezes, o governo não gosta muito de utilizar esses programas.
A CDU perdeu a autarquia para o Partido Socialista nas últimas eleições autárquicas. Propõe-se avançar agora para reconquistar esta autarquia, com as críticas todas que já fez a esta governação do Partido Socialista, mas há o grande elefante na sala. Há o Chega que cresceu em Loures nas legislativas de forma gritante. Portanto, surge aqui como uma grande força política, avança para a Câmara Municipal num terreno onde André Ventura até já chegou a ser candidato pelo PSD, chegou a ter bons resultados. Agora, André Ventura está no Chega, o Chega avança com Bruno Nunes. E isto deixa a CDU numa luta de votos muito difícil, por causa do crescimento deste partido. A CDU acha que tem mesmo condições a nível político nesta altura e a nível daquilo que nos vão dizendo as sondagens e os resultados das últimas eleições, acredita que consegue chegar à liderança desta autarquia?
Para já, que eu saiba, não há nenhuma sondagem para o Conselho de Loures, que eu conheça, pelo menos. E, portanto, independentemente das sondagens, aquilo que nos interessa é que nós temos um projeto completamente diferente de todos os outros. E a acrescentar a isso, como disse há pouco, o Partido Socialista é que está muito preocupado com a ascensão do Chega, razão pela qual toma posicionamentos que tentam ocupar esse espaço político. Como costumamos dizer, eles estão mais ou menos a cutuclar uns aos outros para ver quem é que consegue ocupar o espaço político. Quando digo eles, é o PS, o PSD e o Chega.
Percebendo a questão do espaço político, as pessoas estão a votar, neste caso, no partido Chega, que já votaram anteriormente na CDU. Estamos a falar de uma resposta autárquica.
Algumas terão votado, mas também muitas terão votado no PS. Agora, nós temos é que perceber por que isso acontece. Por quê? Porque as pessoas não têm respostas no seu dia a dia. E é isso que nós estamos a dizer, e que vamos dizer às pessoas, é que nós temos respostas concretas. Na habitação, já disse, 550 novas casas, nas creches, 500 novas vagas de creche, nos lares, 250 novas vagas de lares. Na escola, o pré-escolar. Há muitas crianças que não têm lugar na escola neste momento com três anos, vão ficar de fora. E o PS no outro programa de Câmara diz assim: "Nós estamos confortáveis com a rede". Pois é, mas quando os pais não tiverem lugar para as crianças agora quando abrir o ano letivo, não vão ficar nada confortáveis com as situações.
Acha que a população, há quatro anos, na última eleição, estava no poder, portanto, estava com o Bernardino, era praticamente o número dois de toda essa autarquia. A população disse: "Oito anos de governação CDU, não queremos mais esta governação, queremos agora governação do Partido Socialista". Acha que passados esses quatro anos, há uma tendência para voltarem a querer a CDU? Tem percebido isso na rua? Acredito que já tenha iniciado uma pré-campanha, nesta altura.
Eu já fui apresentado publicamente em dezembro do ano passado. Há muitos meses.
Exato. Além de fazer o seu dia a dia todo aqui no município.
Claro. E portanto, aquilo que nós sentimos é: o PS teve a sua oportunidade. As pessoas quiseram experimentar o PS, muito bem. Quatro anos depois, o PS tomou as suas iniciativas e neste momento as pessoas vão julgar essas opções políticas. Mas mais do que julgar as opções políticas, vão julgar as propostas que cada força política tem para responder aos seus problemas. Nós vamos focar-nos nisso. Nós não estamos agora preocupados com aquilo que aconteceu há oito anos ou há quatro anos. O PS teve o seu papel. As pessoas agora vão julgar esse papel. E nós vamos dizer assim: nós estamos cá para dar oportunidade a todos neste conselho. Neste momento, este conselho não dá oportunidade a todos. As pessoas sentem que não têm oportunidades para a sua vida, para resolver os problemas da sua vida. E é isso que vai fazer a diferença, porque a partir do momento em que as pessoas sintam que de facto é possível e que de facto nós somos os portadores dessa possibilidade de resolver esses problemas do dia a dia, as pessoas vão nos dar essa confiança, porque de facto, os outros partidos não têm essas preocupações nestas matérias que eu acabei de dizer. Têm outras, e responderão a outras matérias, que não nos parece que sejam aquelas que neste momento preocupem mais as pessoas, porque as pessoas sentem-se, de facto, injustiçadas, porque trabalham, fazem os seus descontos, fazem sacrifícios e depois sentem que tudo se vai desmoronando na saúde, na educação, nas respostas sociais. E nós precisamos dizer que temos que alterar esse caminho. E é isso que vai fazer com que essas pessoas que estão descontentes e que muitas vezes vão no discurso Fácil. Como eu dizia há pouco, o Chega tem um discurso que é: está mal, as pessoas não têm médico, etc. Mas depois soluções? Soluções é que não há.
Certo.
Portanto, nós temos que demonstrar que há soluções e é isso que vamos tentar fazer.
Gonçalo, quando a governação de Bernardino chegou aqui ao poder, a CDU conquistou, Bernardino estava no poder, criou-se depois, a nível de governo e a nível de país, uma maior votação à esquerda. A geringonça acabou por surgir no governo, o Parlamento todo inclinado mais para a esquerda. Criaram-se ali algumas condições, a CDU foi ganhando força em alguns territórios, Loures foi um desses territórios, e a máquina também era outra. A estrutura também era outra, dada essa dimensão, porque correspondia àquilo que os votos a nível nacional e autárquico davam à CDU. Não é isso que temos tido nos últimos anos. Tivemos uma viragem à direita duas vezes, portanto, em duas eleições legislativas. Aqui na autarquia virou para o Partido Socialista, sendo que a máquina da CDU está mais enfraquecida nesta altura para dar condições aos candidatos autárquicos.
Eu sinto que os camaradas, todos que estão nesta campanha, estão todos com muita força e com vontade de mudar a situação do conselho nas freguesias. Isso eu sinto.
Desculpe lá, sinto que já me enganei aqui no caminho.
Não, está tudo bem. Se tivesse enganado, eu já lhe tinha dito.
Diga. Sim, temos aqui uma rotunda.
Isso é uma questão importante. Depois há uma outra questão importante que tem a ver com o facto de nós termos conseguido. Tivemos aqui uma preocupação muito grande de renovar as nossas listas. E quando digo renovar, não é só com pessoas que nunca tinham participado, isso é verdade, mas com pessoas novas.
Não é o caso do Gonçalo. O Gonçalo já estava na governação anterior, não é?
Não, claro. Sim.
Sente que está a rejuvenescer.
Sim, exatamente. Aliás, foi uma preocupação que nós tivemos na construção das listas, que é: nós precisamos de renovar, de pôr pessoas novas de idade e novas de participação, que deem aqui o sangue novo que nós precisamos e das novas ideias que nós precisamos. Isso é claro, para nós isso foi absolutamente determinante. E conseguimos. E conseguimos também fazer um equilíbrio que mais ninguém conseguiu, porque não foi um equilíbrio montado, foi assim, calhou assim. Temos cinco candidatos mulheres às Juntas de Freguesia e temos cinco candidatos homens à Junta de Freguesia. É um equilíbrio perfeito. O candidato à Câmara sou eu, sou homem, e a candidata à Assembleia Municipal é uma mulher. Portanto, esta participação também das mulheres nas listas da CDU, que é também um sinal, porque, como nós sabemos, a situação em Portugal é difícil, afeta muito mais até as mulheres do que os homens, por várias razões, e o facto de elas estarem mais disponíveis para participar na CDU, para nós também é um fortalecimento. Portanto, isto para dizer o quê? Que, de facto, existe aqui uma viragem à direita, isso é evidente. Temos é que perceber por que isso aconteceu.
Certo, só que estamos a um mês das eleições.
Não. Temos que perceber por que isso aconteceu e isso entronca com a nossa estratégia. Por que isso aconteceu? Porque o PS no governo não deu resposta aos problemas das pessoas e por isso abriu a porta a que a direita e a extrema-direita pudessem entrar. É isso que nós fizemos de diferente.
A culpa do decréscimo da votação à esquerda é toda do Partido Socialista?
Não é toda do Partido Socialista, porque o PSD também esteve no governo muitos anos.
Eu acho que aqui só falo especificamente do Chega. Estou a falar de o voto à esquerda caiu.
Sim.
Portanto, é a Aliança Democrática que está no poder. Caiu a votação no Partido Socialista, no PC, no Bloco, o único em crescimento é o Livre, porque também vinha de valores muito baixos, é um partido recente. Portanto, a minha pergunta é se a culpa, queda do voto à esquerda, é toda do Partido Socialista.
Não, não era isso que eu queria dizer. Eu estava a responder-lhe de outra forma, o porquê de haver aqui uma extrema-direita a crescer. Mas agora, de facto, a queda do voto à esquerda tem várias razões. Quer dizer, nós estamos a viver na Europa um caminho em frente. Estamos a viver na Europa um caminho para a extrema-direita. Isso aí acho que é claro. No leste da Europa, mesmo em países como a França, em países como a Alemanha, a Europa caminha para a direita e para a extrema-direita. E Portugal não é imune a toda essa pressão ideológica que é feita neste momento na Europa. Isso é muito difícil de combater. Agora, essa é uma das razões. De facto, nós vivemos, neste momento, numa fase de ascensão da direita e da extrema-direita, que faz com que a esquerda tenha mais dificuldades. Agora, a esquerda só se vai conseguir afirmar se as pessoas sentirem que é ela que tem as soluções para os problemas do dia a dia dessas pessoas, porque a direita e a extrema-direita não têm. Agora, é isso que nós temos que afirmar, que as pessoas têm que acreditar e ter confiança que nós conseguiremos fazê-lo. É isso que nós temos tentado fazer desde dezembro, mostrar esse novo caminho que é preciso fazer, e que vamos tentar fazer neste mês, que é isto que precisamos para que Loures seja um concelho melhor, mais equilibrado e que seja um concelho para todos. E depois veremos.
Nós estamos a chegar aqui, nós já passamos ali um pouco pelo centro de Loures, em parte. Ali uma zona muito mais urbana até do que aquela zona ribeirinha. E estamos a chegar a Santo Adão dos Cavaleiros.
Que é o prédio da Fidelidade.
À torre da Fidelidade. Estou aqui a entrar num parque de estacionamento, isto é um beco sem saída.
Havia aqui torres que eram da Fidelidade. A Fidelidade, em 2018, pôs todos os seus prédios em Loures e em Lisboa à venda Numa tentativa de vender todos esses prédios. Os moradores destes edifícios, mas em particular deste edifício, denunciaram a situação e a Câmara atuou em conjunto com eles, foram à Assembleia da República, o que é que se conseguiu? Estes prédios aqui foram retirados dessa venda. Só que agora, em 2025, a Fidelidade pôs à venda o prédio e vendeu por €4 milhões, pouco mais, o que dá €80 mil por apartamento, o que quer dizer €80 mil é uma pechincha aqui neste local.
É o preço do metro quadrado.
Exatamente. Portanto, foi um negócio que foi feito dessa forma. A Câmara podia ter acionado o direito de preferência, decidiu não o fazer.
Mas se fosse a CDU, tinha acionado?
Tínhamos ponderado. Então, quer dizer, €4 milhões por um prédio com mais de 40 apartamentos, pudessem a seguir ser postos como arrendamento acessível.
Se tivesse acionado, depois mantinha as rendas que estão agora da mesma forma?
É arrendamento acessível.
Por exemplo, uma pessoa que tivesse agora um contrato de arrendamento que tivesse a pagar, vamos imaginar, €100 ou €150. A Câmara comprava ao privado, mantinha essa renda?
O arrendamento acessível tem regras. Agora, aquilo que aconteceu aqui foi que os preços das rendas não passaram para preços de arrendamento acessível. E esse é outro problema, que era isso que eu queria também referir, que é o problema da lei das rendas. O problema da lei das rendas é que faz com que tenhamos problemas enormes neste momento. Por quê? O que é que aconteceu aqui? O novo proprietário, como a lei das rendas permite, fecha a possibilidade de manter os contratos, diz assim: "Eu não vou querer renovar o contrato consigo. Mas podemos negociar." E a seguir apresenta uma proposta em que aumenta brutalmente a renda. E algumas pessoas mantiveram a casa, mas com muito sacrifício, porque a gente pode cortar em muita coisa, mas a casa é das últimas coisas em que se corta. Mas houve outros que não, que tiveram que sair mesmo. E esta situação que aqui está é uma situação geral do país, em que não há habitação pública que resolva o problema, em que não há Câmara que resolva o problema. Quem tem que resolver este problema e impedir que a especulação imobiliária, que grassa por todo lado no país, mas também aqui em Loures, não tenha estas proporções, é o governo.
Mas o problema já está criado, já foi vendido. E agora?
É verdade, o problema não é para estas pessoas. Estas pessoas agora não têm solução.
Não têm solução, não há solução para mim?
Não, as pessoas ou pagam agora a renda que a nova proprietária lhe impôs, e algumas vão pagar, mas com sacrifícios enormes, e outras já se estão a ir embora, já estão à procura de novas casas. Há alguns que já saíram. Por quê? Porque não conseguiram fazer face ao aumento brutal da renda que lhes foi imposto. E aquilo que é necessário para que isto seja controlado é, de facto, haver uma alteração da lei das rendas, porque enquanto isso não acontecer, estas pessoas vão estar sempre, pessoas como não estas, mas pessoas nesta situação, vão continuar a existir e vai piorar ainda mais. Por quê? Porque a especulação imobiliária, neste momento, está em roda livre, não há qualquer controle.
Nós estamos a chegar aqui ao município, estamos a chegar ao último ponto desta viagem. Se vencer estas eleições, qual é que será a primeira medida, o que terá como primeiro objetivo fazer à frente do município?
A primeira medida será trabalhar no diagnóstico de habitação que não foi mexido nestes quatro anos, que nós deixámos, e atualizá-lo rapidamente, e depois aplicar as medidas que estão já previstas no terreno, mas reunir com o governo. Vamos ter que reunir com o governo, porque nós vamos ter que adaptar os programas que exigem do governo para dar respostas na habitação à população aqui do concelho. Essa será, sem dúvida, a primeira medida que iremos tomar quando chegarmos à Câmara Municipal.
Gonçalo, estamos a chegar ao final da nossa viagem. Agradeço, desde já, esta participação no Carpool do Observador. Paramos aqui em frente à Câmara do Município, que se propõe a liderar e vai a eleições no próximo dia 12 de outubro. Obrigado, Gonçalo.
Obrigado eu e espero que também tenham conhecido melhor um pouco o nosso concelho, tem muita coisa boa e temos que ajudar a potenciá-la.