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Bem-vindo, Nuno Piteira Lopes.
Bom dia.
Candidato da coligação PSD/CDS à Câmara de Cascais. Vamos começar esta nossa viagem. Espero que seja em perfeita segurança.
Vai ser, com certeza.
É inevitável começarmos por aqui. Escolheu como ponto de partida da nossa viagem a Câmara Municipal de Cascais. Não é segredo para ninguém que o candidato natural, pelo menos falou-se muitas vezes disso, seria Miguel Pinto Luz, que entretanto, em 2024, foi para o governo. Sente-se, de alguma forma, uma segunda escolha?
Não, nada disso. Aliás, julgo que é uma escolha natural do próprio partido. Eu trabalho há 20 anos na Câmara de Cascais. Trabalhei com o Miguel Pinto Luz, trabalhei com o Carlos Carreiras, trabalhei com o António Capucho. Há 20 anos que eu trabalho em Cascais e, portanto, eu acho que esta escolha é o reflexo daquilo que é o trabalho, daquilo que é a resiliência, daquilo que é o empenho, que eu dediquei durante estes 20 anos a Cascais e por isso acaba por ser uma escolha natural, a meu ver.
Mas não ignora que existia essa conversa sobre a sucessão do Carlos Carreiras e que Miguel Pinto Luz era frequentemente apontado como herdeiro natural.
Certo, mas na política não há herdeiros naturais, nem príncipes predestinados para serem algo. As coisas acontecem naturalmente. Na política acontecem muito rapidamente e às vezes o que é hoje não é amanhã e por isso eu acho que eu ter conseguido chegar aqui ao final de 20 anos e de ser o candidato escolhido pelo partido, representa isso mesmo, a resiliência, o esforço, o trabalho, a dedicação, que ao longo destes 20 anos eu dediquei a Cascais.
Há muito quem aponte Cascais como um exemplo errado da sucessão dinástica na política, de escolhas feitas sempre em circuito fechado. Não lhe pergunto, naturalmente, se concorda com essa avaliação, até porque já disse que não se revê nessa crítica. A pergunta é o contrário: o que fará de diferente em relação a Carlos Carreiras? Em que medida, aliás, é diferente de Carlos Carreiras?
Relativamente à primeira parte da questão, eu acho que é importante esclarecer que não há sucessões, nem dinastias em Cascais. O partido tem órgãos próprios, o partido reúne, o partido faz as suas escolhas. Aliás, é pena que alguns militantes do partido, que inclusivamente agora estão disponíveis para ser candidatos a Cascais, não tenham nunca aparecido numa reunião em Cascais, num plenário em Cascais, nunca tenham discutido Cascais. Aliás, eu compreendo, porque provavelmente estavam mais focados para os lados da estrela, mas a sucessão foi feita, a escolha foi feita, a indicação foi feita de acordo com os estatutos do partido. E eles foram plenamente cumpridos, como não podia deixar de ser.
Só para quem nos está a ouvir perceber, está a referir-se a João Maria Jonet, é isso?
João Maria Jonet, sim. É militante do partido ou era militante do partido. Nunca, nos últimos 12 anos, nos últimos 10 anos, veio a uma reunião em Cascais, a um plenário em Cascais, nunca participou na vida do PSD em Cascais, e por isso não podia sequer ser ponderado na escolha do candidato a Cascais, porque efetivamente não é militante em Cascais, nunca foi, nunca participou na vida do partido em Cascais.
Mas perguntava-lhe em que medida é diferente de Carlos Carreiras ou em que medida quer deixar uma marca diferente da de Carlos Carreiras.
Em primeiro lugar, dizer que eu tenho muito orgulho em ter feito parte dos executivos de António Capucho e de Carlos Carreiras. O caminho da coligação Viva Cascais, o projeto da coligação Viva Cascais, não me envergonha em nada e sou solidário com tudo o que foi feito pela coligação Viva Cascais. Mas eu sou Nuno Piteira Lopes, o Carlos Carreiras é o Carlos Carreiras, António Capucho era o António Capucho, e cada pessoa é diferente só por si. Eu não sou o Carlos Carreiras, eu sou o Nuno Piteira Lopes. Eu irei apresentar no dia 5 de setembro aquilo que é o meu contrato geracional para os próximos 12 anos. Irei apresentar um programa a 12 anos. Eu não me candidato para gerir o dia a dia de Cascais. Eu candidato-me com um projeto a 12 anos, um projeto onde ao fim de 12 anos, eu quero deixar um Cascais mais verde, um Cascais mais uno, um Cascais mais solidário, um Cascais mais participativo, mas acima de tudo, um Cascais onde todos os cascalenses tenham orgulho e possam implementar os seus sonhos, os seus projetos de vida no conselho onde nasceram, onde estudaram, onde residem. E é isso que eu vou fazer. E é essa oportunidade que eu irei dar a toda uma geração, uma geração de jovens que certamente irá encontrar em Cascais um sítio para viver e para implementar o seu projeto de felicidade.
Antes de chegarmos aí, tem, naturalmente, vencer as eleições, faz parte do jogo democrático. Acredita que pode vencê-las? Naturalmente que dirá que sim, mas acha que pode ter maioria absoluta?
Isso, neste momento, é uma questão que não me preocupa. O objetivo é ganhar as eleições. E numa Câmara Municipal de Cascais, ganha as eleições quem tiver mais um voto do que o adversário que ficar.
Portanto, não ter maioria absoluta não seria para si um drama, é isso?
Eu sou democrata e, portanto, nós temos que aceitar aquilo que são os resultados das eleições. O povo é sábio e o povo saberá interpretar aquilo que cada um dos candidatos irá apresentar, saberá interpretar o projeto que cada um irá apresentar e depois a decisão está nas mãos do povo. Nós, enquanto políticos, temos que saber interpretar aquilo que é a decisão do povo e gerir de acordo com aquilo que é a vontade do próprio povo.
E se precisar, eventualmente, de um parceiro da governação, escolherá Partido Socialista ou o CHEGA?
Não se trata de se escolher um ou de escolher outro.
Tem preferências, é claro.
Eu acredito, estou convicto e estou muito confiante de que a coligação Viva Cascais irá assegurar a maioria absoluta. É certo que nunca vivemos um período como o período que estamos a viver hoje. Em 2001, António Capucho, quando se candidatou pela primeira vez, não tinha a quantidade de partidos nem de candidaturas no mesmo espaço político do que aquelas que existem hoje.
Há uma grande fragmentação.
Carlos Carreiras, quando se candidatou, não tinha a quantidade de candidaturas no mesmo espaço político. Por isso vai ser uma batalha difícil, mas ainda assim eu acredito que com o trabalho que foi feito pela coligação Viva Cascais, por aquilo que concretizamos no terreno, no dia a dia, para as pessoas, eu acredito que é possível manter a maioria absoluta.
Mas num cenário acadêmico, se quiser, não ter maioria absoluta, não tem um parceiro preferencial, é isso?
Vai depender muito do número de vereadores que cada um dos partidos eleger, porque muito mais importante do que se é com o PS ou se é com a Iniciativa Liberal ou se é com o CHEGA, é a qualidade dos eleitos que fizerem parte do executivo. Isso é o mais importante na política, é a qualidade das pessoas que integram o executivo.
Estamos a passar aqui junto ao mar. Este é o cartão de visita da vila e do Conselho de Cascais. Uma das críticas recorrentes à gestão política do Conselho é a enorme desigualdade que existe nesta zona e no interior do Conselho. Esse é um legado, é uma marca negativa da governação social-democrata em Cascais?
Não é uma marca negativa por uma razão.
Mas reconhece que existe essa desigualdade?
Reconheço, obviamente. Aliás, eu só estou a dizer que não é uma falha desta governação, porque se nós compararmos aquilo que era a freguesia de São Domingos de Rana, aquilo que era a freguesia de Alcobadeces, portanto, as duas freguesias mais a norte do Conselho de Cascais. Se compararmos aquilo que eram em 2001, aquilo que eram em 2013, face àquilo que são hoje, não tem comparação possível. Nós hoje andamos e percorremos as ruas de Alcobadeces, julgo que vamos lá passar, andamos e percorremos as ruas de São Domingos de Rana, e já não tem nada a ver com aquilo que era o antigamente. Aquilo que me preocupa não é o facto de Cascais, Turil, Pareia de Carcavelos, estarem muito bem. Aquilo que me preocupa é como é que eu consigo e o que eu vou continuar a fazer para aproximar cada vez mais aquilo que é Alcobadeces e São Domingos de Rana das outras.
Mas repare, o PSD já governa o Conselho há um tempo considerável. Essas desigualdades continuam a existir. Não há aqui uma responsabilidade de quem liderou a Câmara?
As diferenças continuam a existir. O que é um facto é que são cada vez menos. Nós não conseguimos, em quatro anos ou em oito anos, recuperar tudo aquilo que não foi feito nas últimas décadas. Isso é humanamente impossível de fazer. Aquilo que é conhecido, reconhecido e factual é que Alcobadeces e São Domingos de Rana estão hoje muitíssimo melhores do ponto de vista de equipamentos desportivos, do ponto de vista de espaços verdes, do ponto de vista de equipamentos de saúde, muito mais bem equipadas e muito mais aproximadas daquilo que existe nas outras freguesias.
Estamos também a chegar ou a aproximar-nos de dois empreendimentos que têm dado muito que falar. A construção de uma cadeia hoteleira por parte do Hotel Hilton e depois a tão polêmica e tão antiga Quinta dos Ingleses. Começando pelo primeiro exemplo, pelo primeiro caso, a tal cadeia hoteleira, esteve na origem de buscas na Câmara de Cascais. Se eventualmente for constituído arguido por causa desse processo, admite colocar o cargo à disposição? Claro, num cenário de vir a ser eleito, naturalmente.
Claro que não. Aliás, o Hilton é um não assunto, eu até trouxe aqui para depois lhe deixar. Aquilo que foi passado para a perceção pública é completamente diferente daquilo que aconteceu na realidade. Diz-se que a Câmara vendeu um terreno com 800 metros quadrados para construir o Hotel Hilton. Isso é absolutamente falso. Por uma razão. O terreno do Hilton, como pode ver, agora não vai acontecer, mas depois eu vou lhe deixar.
Não quero colocar em risco a integridade da nossa instituição.
Mas eu vou lhe deixar. O terreno do Hilton tem 15 mil metros quadrados. A Câmara vendeu 800 metros quadrados. Oitocentos metros quadrados onde não é possível colocar um tijolo 800 m² onde não é sequer considerado esses 800 metros para o índice de construção do próprio hotel. Era um terreno que iria ficar encravado na marginal. E aquilo que a Câmara fez foi, aquando do licenciamento do hotel, obrigou o promotor a comprar aquele terreno que não ia servir pra nada. Depois, outra situação que é completamente deturpada. Não estamos a vender um terreno onde se pode construir uma moradia, onde se pode construir um metro quadrado. Estamos a vender um terreno em Reno que iria ficar encravado. A avaliação feita pelo perito avaliador era de cerca de 87 mil € a avaliação. O valor patrimonial do terreno da caderneta, o valor sobre o qual se paga o IMI, todos nós, era de 320 mil €. E a Câmara alienou o terreno, não de acordo com a avaliação do perito avaliador oficial, que seria o normal, mas por o valor patrimonial, pelos 320 mil €. Portanto, a Câmara não ficou minimamente prejudicada. Aliás, do ponto de vista de gestão do território, ficará muito melhor integrado aquele pedaço de 800 m² num total de 15 mil, do que ficaria ali aquele terreno abandonado.
Nós sabemos como as investigações são e deixe-me insistir na pergunta. Se eventualmente for constituído arguido, pra si não é uma condição para colocar o cargo à disposição.
Não, ser constituído arguido é um procedimento normal em qualquer processo de investigação. Aquilo que eu irei fazer, e irá constar do programa, é precisamente o contrário. Estas investigações, estas buscas, todos estes processos partem sempre, normalmente, de quatro em quatro anos de denúncias anônimas, onde ao fim de muitos anos, há um conjunto de investigadores, e bem, que perante essa denúncia, vão aos municípios e fazer as respectivas buscas. Aquilo que eu irei propor, se for ou quando for ao dia 12 de outubro, quando serei eleito presidente de Câmara, é propor ao senhor primeiro-ministro que possa existir, dentro das Câmaras Municipais, equipas especializadas da Polícia Judiciária, do Tribunal de Contas, da Inspeção Geral de Finanças, do Ministério Público, todos aqueles que tenham intervenção na investigação, possam todos os dias que o entenderem, fazer o acompanhamento presencial diário nas Câmaras Municipais, porque não é ao fim de quatro anos ou ao fim de cinco anos que se vai fazer uma busca que pode surtir qualquer efeito. Se efetivamente existe suspeita, se existe irregularidade, ela deve ser combatida na hora. E por isso, com equipas que possam diariamente estar a trabalhar nas Câmaras Municipais, eu acho que aí, sim, era um contributo muito grande que podíamos dar à transparência e a todos estes processos e a todas essas suspeitas que de quatro em quatro anos se levantam.
Olhe, estamos a passar, temos aqui mesmo à nossa esquerda a tão famosa Quinta dos Ingleses. Não temos tempo para passar em revista todos os detalhes do processo. As perguntas são relativamente mais simples. Concorda com a utilidade deste empreendimento? Acha que é isto que faz falta ou fazia falta ao Conselho?
Eu acho que é preciso fazer, em primeiro lugar, um enquadramento histórico.
Bem sei que se arrasta há muito tempo, não é uma decisão exclusiva desta gestão.
Estamos a falar de um projeto em terrenos exclusivamente privados, que obtiveram os seus direitos de construção na década de 70.
Precisamente. Daí eu perguntar-lhe a sua opinião sobre a utilidade desta obra.
E não fugindo à pergunta, porque eu vou responder, mas fazendo um enquadramento. Aquilo que eu tenho, de facto, pena, é que desde 1970 até hoje, nenhum presidente de Câmara que tenha passado pelo exercício de funções tenha decidido, porque o que se quer de um presidente de Câmara é que ele decida. E todos os presidentes de Câmara anteriores, aquilo que fizeram foi empurrar com a barriga um processo que vem desde 1970. Hoje poderia estar construído este projeto. O que originou que todo este adiamento e todas estas indecisões de todos estes presidentes que passaram pelo plano de promotor de Carcavelos, levassem a que houvesse um dia em que um juiz disse: "Ou a Câmara licencia, ou a Câmara tem que indenizar o privado". Indenização no valor de 350 milhões de euros, o equivalente quase a um orçamento municipal. O que não é, de todo, viável. Aquilo que eu posso também dizer é que o plano de promotor de Carcavelos, se eu tivesse uma folha em branco, certamente que faria diferente daquilo que foi licenciado. Contudo, devo recordar que no final da década de 90, aquilo que estava previsto pelo presidente José Luís Judas, eram cerca de 2500 fogos. Depois, no período do António Capucho, foi possível reduzir, de acordo com o promotor, para cerca de 2100 fogos. E aquilo que eu licenciei foram 885 fogos. 885 fogos A recuperação de toda a ribeira, a construção de um parque verde urbano com 11 hectares, que vai ficar disponível e aberto para a população, os estacionamentos aqui junto à praia de Carcavelos, que vão ficar entregues ao município para usufruto da população. E por isso eu diria que, no final do dia, quando o projeto e o plano de prenúncio de Carcavelos estiver concluído, ficaremos com espaços públicos abertos para a população, e não o terreno totalmente privado como é hoje, com parque verde urbano, com a ribeira recuperada, com estacionamentos de apoio e acesso à praia. E por isso, no final do dia, eu acredito que foi a solução possível, de acordo com as condicionantes todas que existiam.
Ainda que reconheça que não.
Olhe, aqui a Quinta dos Junqueiros, todos estes prédios foram licenciados muito depois do plano de prenúncio de Carcavelos, estão construídos, aqui também era um pinhal e hoje, muitas das pessoas que criticam o plano de prenúncio de Carcavelos, gostam de viver aqui na Quinta de São Gonçalo.
E uma última questão sobre a Quinta dos Ingleses. Reconhece que, numa altura de grande carência de habitação a custos controlados, um empreendimento daqueles possa chocar?
Reconheço. E por isso mesmo é que a Câmara Municipal de Cascais e eu próprio, em 2022, aprovamos a estratégia local de habitação. Portanto, em 2022, nós não acordamos para o problema da habitação hoje. Nós, em 2022, aprovamos a estratégia local de habitação, que prevê a construção de 3600 novas soluções de habitação pública no Conselho de Cascais, que serão todas elas para arrendamento. Não será alienado, não será vendido nem um fogo de habitação pública municipal, precisamente para dar resposta a todos aqueles que hoje não conseguem aceder ao mercado imobiliário no Conselho de Cascais, para dar resposta aos jovens, para dar resposta a uma classe média, média baixa, que hoje tem dificuldades em aceder ao mercado de habitação em Cascais.
Mas perguntava pela questão da segurança, perdão, porque muitas vezes ouvimos notícias e relatos sobre distúrbios, por exemplo, na zona de Carcavelos. Há algum tipo de problema? Não querendo usar uma expressão exagerada, mas há ali um barril de pólvora?
Não, não há barril de pólvora. Há situações pontuais que hoje em dia, com as redes sociais, com os algoritmos das redes sociais exponenciarem tudo o que tem a ver com extremismo e tudo o que tem a ver com populismo.
É a questão da percepção. Voltamos sempre a ela.
Atingem proporções. Olhe, por exemplo, uma coisa que era feita e que deixou de ser feita e que deveria imediatamente voltar a ser feita, é que antigamente, nos períodos não letivos, a Polícia de Segurança Pública acompanhava muitas vezes grupos de jovens que vêm de outros locais da área metropolitana de Lisboa, que utilizam transportes públicos, utilizam caminho de ferro para chegar até aqui à praia de Carcavelos. Essa monitorização, esse acompanhamento deixou de ser feito e tem que urgentemente voltar a ser feito. Nós não podemos controlar estes fenômenos apenas no seu destino. Nós devemos acompanhar estes fenômenos desde a sua origem até ao seu destino, porque é muito mais fácil de conseguir controlar e é muito mais fácil de conseguir identificar estas situações. Que, aliás, serão certamente mais fáceis de acompanhar a partir de setembro deste ano, quando o sistema de monitorização e videovigilância que está a ser implementado pela Câmara Municipal de Cascais, são cerca de 444 câmaras distribuídas ao longo de todo o Conselho, nos pontos que foram identificados pela PSP e pela GNR sensíveis, onde vai ser possível haver uma monitorização e um acompanhamento de todo este tipo de situações.
Estamos a chegar à zona de Sassoeiros. Foi um dos locais que decidi escolher para esta nossa entrevista. Pedia-me que me guiasse aqui nesta zona.
É mais fácil darmos a volta.
Eu sei que nos quer mostrar um exemplo de habitação a custos controlados. Peço imensa desculpa. Mas a pergunta aqui, e vamos já ter a oportunidade de ver o sítio escolhido. A pergunta aqui é: já estamos relativamente longe da praia, da zona nobre do Conselho?
Eu não sei se estamos longe.
Do centro da vila.
Não sei se estamos longe da praia. Nós estamos a um quilômetro em linha reta da praia. Se nós estamos longe da praia, o que é que dirão as pessoas que moram na Covilhã, na Guarda ou em Castelo Branco?
É sempre relativo, obviamente.
Agora à esquerda.
À esquerda. Mas é uma inevitabilidade?
Agora vamos subir aqui, pela Avenida Gonçalves Zarco.
Perguntava, é inevitável, no seu entender, que a classe média, classe média baixa, se desloque do centro da vila, do centro dos conselhos com mais pressão imobiliária para estas zonas mais exteriores do Conselho?
É uma tendência não apenas de Cascais, é uma tendência de toda a área metropolitana, de Lisboa, do Porto, de Portugal, da Europa, até do próprio mundo. Continuamos em frente. Ou antes de termos um problema, nós percecionarmos o que é que vai acontecer e começarmos a trabalhar nas soluções, que é isso que nós temos feito. Nós não ficamos à espera do PRR, não ficamos à espera que houvesse uma crise para começar a trabalhar. Como lhe disse, a estratégia local de habitação foi aprovada em 2022, agora aqui à direita. Nós, a partir de 2022, começamos a adquirir terrenos, porque não se pode construir se não houver terrenos. Começamos a lançar projetos, começamos a preparar o financiamento desses projetos, independentemente de sabermos se viríamos ou não a ter acesso a fundos do PRR, a fazer os concursos públicos, continuamos em frente, fazer os concursos públicos para as respectivas obras, a adjudicar os concursos, a pedir os vistos do Tribunal de Contas e hoje temos cerca de 500 fogos a ser feitos em vários sítios. Nós vamos visitar aqui este empreendimento de habitação pública, mas temos empreendimentos de habitação pública a ser construídos em Talaíde, que ficarão prontos até setembro. Temos na Abóboda dois empreendimentos diferentes, temos no bairro Machal Carmona, temos no bairro da Cruz Vermelha, temos vários empreendimentos de habitação pública no terreno. Nós não estamos a dizer que vamos construir ou não temos um PowerPoint a dizer que vamos fazer. Não, eles estão a ser feitos no terreno. Estão neste momento em concurso público, está a decorrer o concurso público, mais quatro empreendimentos que vão permitir a construção de mais 250 fogos. E por isso, eu diria que o problema da habitação vai ser resolvido em Cascais. Porque eu digo-lhe uma coisa, eu nasci em Cascais, eu estudei em Cascais, estudei nos Salesianos e depois estudei numa escola pública, a Escola Secundária de Alvide. Eu fui tirar a minha licenciatura a Lisboa, em Economia. Comecei a trabalhar em Cascais em 2001 e implementei o meu projeto de cidade em Cascais. Tenho a sorte de trabalhar em Cascais. Eu não admito que nenhum jovem hoje em Cascais seja obrigado a sair de Cascais porque não consegue implementar o seu projeto de vida em Cascais. E por isso, uma garantia, um compromisso geracional que eu deixo é de que todos estes jovens no qual nós investimos na sua educação, nós investimos nas suas licenciaturas, com as bolsas que atribuímos também para todos os que vão para a universidade. Todos esses cascaenses que nasceram e vivem em Cascais vão conseguir implementar os seus projetos de felicidade no Conselho de Cascais.
Tem algum número mágico em matéria de construção habitacional e de número de fogos?
Olha, aqui estamos a ver o empreendimento de habitação pública, como se pode ver, com uma qualidade e com uma arquitetura muito acima daquilo que muitas vezes se podia esperar de projetos de habitação pública. São 54 apartamentos que vão ficar prontos até o final do ano para jovens de Cascais.
Com custos controlados, é isso?
Com rendas diferenciadas de acordo com os rendimentos de cada uma das pessoas que se candidata para a habitação pública. Número mágico, nós temos número mágico. São os 3600 fogos que estão neste momento aprovados, com projetos feitos, com concursos a decorrer, em construção e que serão construídos nos próximos dois anos, totalmente com financiamento garantido.
Vamos prosseguir a nossa viagem, vamos para o Aeródromo de Tires. Qual é o seu projeto para aquela infraestrutura?
O Aeródromo de Cascais é um ativo estratégico do nosso conselho. É pela esquerda. Nunca devemos virar à esquerda, mas neste caso, para não entrarmos na autoestrada, vamos virar à esquerda. O Aeródromo de Cascais, aquilo que eu posso garantir é que não vai existir um centímetro de aumento da pista. A pista vai ter o tamanho que tem, a pista tem o tamanho que tem e irá ficar precisamente com o mesmo tamanho que tem. Portanto, quanto a isso, expansão da pista, alargamento da pista, aumento da pista é um não-assunto. E por isso, o Aeródromo de Cascais, sendo um ativo estratégico, tem que viver do ar, mas os aeroportos hoje vivem do ar, mas também muito daquilo que se passa em terra. E a Câmara Municipal de Cascais, tendo ativos, tendo terrenos nas imediações junto ao Aeródromo de Cascais, entende que é possível investir nesses terrenos. Investir onde? Investir juntamente com a Universidade Nova de Lisboa. Nós já trouxemos a nova SBE para Cascais, um sucesso.
Neste intervalo, podemos voltar ao projeto que tem para aquela infraestrutura, mas aproveitando isso que me está a dizer. Há quem questione e quem critique o facto de não se utilizar aquele terreno disponível para construir mais habitação. Reve-se nessa crítica?
Mas vai ter habitação.
A crítica que se faz é que poderia haver mais.
Claro. Os mesmos que criticam que poderia haver mais são aqueles que criticam que não há espaços verdes e que não investimos em espaços verdes. Quando em Cascais, em 2005, nós tínhamos 5,7 m² de espaços verdes por habitante. Nós, em 2023, tínhamos 7,8 m² por habitante e vamos chegar ao final deste ano de 2025 com 12,4 m² de espaços verdes por habitante. Aquilo que é o indicador ideal, aconselhado por vários organismos europeus e nacionais, é de 10 m² de espaços verdes por habitante. Portanto, nós vamos chegar ao final deste ano com uma transição de 5,7 m² para 12. Vamos estar acima daquilo que é a média. Portanto, essas críticas são muitas vezes pouco fundamentadas de quem anda hoje ainda a conhecer Cascais, de quem anda hoje a conhecer os projetos de Cascais, de quem anda hoje a conhecer as instituições de Cascais. Mas eu tenho uma vantagem muito grande, é que, ao contrário dessas pessoas, isto não se aprende num dia. E mais, o ChatGPT não consegue criar estes momentos.
Eu estou a resistir muito a perguntar a quem é que se refere, porque eu já sei que não quererá revelar. Mas quem é o candidato ChatGPT?
A minha vida de 20 anos em Cascais é junto das pessoas, é a trabalhar com as pessoas. Eu conheço rua a rua do Conselho de Cascais, de cada freguesia, de cada bairro. Conheço as pessoas que trabalham nas instituições sociais, nas escolas, nas IPSS, nas associações de moradores, nas coletividades, nos clubes desportivos. Eu já tive todos estes pelouros.
Eu não quero insistir, mas está a referir-se a João Maria Jonet, é isso?
Eu conheço as pessoas e conheço os problemas. Não é só João Maria Jonet. Os candidatos, na sua generalidade, não estão preparados, não conhecem Cascais, não conhecem as pessoas, não conhecem as instituições como eu conheço, porque eu há 20 anos que trabalho para elas, há 20 anos que trabalho com elas.
Incluindo o candidato do Partido Socialista? É ele o seu maior adversário nesta corrida eleitoral?
São todos meus adversários.
Isso é uma verdade.
Não há adversários melhores ou piores. Quem vai decidir se os adversários são melhores ou piores são os eleitores.
O histórico das instituições no Conselho.
O candidato do Partido Socialista, o doutor João Ruivo, é uma pessoa que eu conheço há muitos anos, andou na mesma escola do que eu, já foi vereador em executivos do Partido Socialista, dos quais eu também fiz parte, é deputado da Assembleia Municipal, é uma pessoa que conhece Cascais e, portanto, não é certamente o candidato João Ruivo a quem eu me estava a referir.
Ainda sobre o aeródromo, e porque é uma crítica também que se vai fazendo aos projetos que existem para aquela infraestrutura. E a crítica é a seguinte: ter uma infraestrutura daquela natureza, essencialmente vocacionada para jatos privados, jatos executivos, surge em contraciclo com tudo aquilo que se vai dizendo sobre o bem-estar das pessoas que vivem naquele local, sobre o impacto ambiental desse tipo de transporte. É esse o caminho?
Não, o caminho é precisamente o mesmo daquele que já existe hoje, daquele que existe há décadas. Os aviões que aterram em Tires hoje são aqueles que vão continuar a aterrar em Tires no futuro.
Pode garantir que não vai haver um grande aumento de tráfego?
Se não há aumento de pista, como é que pode haver aumento de tráfego ou aumento de capacidade dos aviões que ali aterram?
Teme que o Chega, pelo resultado que teve nas últimas legislativas, possa fazer mossa na sua candidatura?
Nós temos que saber interpretar aquilo que é hoje a política nacional, aquilo que é hoje a política local, e não podemos continuar a assobiar pro lado e a fingir que nada se passa. De facto, temos que admitir que o Chega é um partido que rapidamente chegou à segunda maior força política em Portugal, que o Chega hoje é líder da oposição e, portanto, se o PSD, se o próprio Partido Socialista, se todos os partidos continuarem a assobiar pro lado e a fingir que o Chega não existe, têm, ou estão a ter, uma interpretação completamente errada daquilo que é a realidade.
E não existe esse risco em Cascais?
O risco existe sempre. Aquilo que eu posso dizer é que, em Cascais, o Chega, há quatro anos, elegeu um vereador, agora vamos virar à direita, o João Rodrigues dos Santos, que, aliás, é novamente candidato. Um vereador que demonstrou seriedade, um vereador que é competente naquilo que são as análises que faz das propostas que são feitas pelo executivo, que critica quando tem que criticar, que apoia quando tem que apoiar. Aliás, o vereador do Chega no executivo em Cascais, mais de 80% das propostas do executivo foram votadas a favor pelo partido Chega. E, portanto, uma coisa é a política nacional, outra coisa é a política local. E não há muito que nos possa dividir naquilo que é uma política autárquica.
Portanto, vê-se a trabalhar perfeitamente com Rodrigo Santos no caso de ser eleito, é isso?
Um lugar que não existe formalmente nos municípios, mas que existe no governo, é o ministro dos Assuntos Parlamentares. Nas Câmaras não existe o vereador dos Assuntos Parlamentares, mas há uma pessoa que é responsável por fazer a ligação entre aquilo que é a Câmara Municipal de Cascais e a Assembleia Municipal, que é o órgão que fiscaliza. Agora para a direita. Que é o órgão que fiscaliza a Câmara. Eu, durante os últimos 16 anos, tenho sido o vereador dos Assuntos Parlamentares. Vou às comissões todas da Assembleia Municipal, nas mais diversas áreas. Eu tenho que dialogar com o Bloco de Esquerda, tenho que dialogar com o Partido Comunista, tenho que dialogar com a Iniciativa Liberal, tenho que dialogar com o Chega e consigo falar com todos. Eu sou uma pessoa que gosta de ouvir. Eu sou uma pessoa agregadora, sou uma pessoa que gosta de juntar, que gosta de agregar. Eu não perco tempo com coisas tóxicas, como já lhe disse, nem com divisões. Eu gosto de juntar porque eu acredito genuinamente que no final do dia, independentemente do partido, todos queremos o mesmo. É servir bem os nossos munícipes, é servir as pessoas, é resolver o problema dos cidadãos, é resolver o problema de todos aqueles que habitam no conceito de Cascais. Depois, em matérias mais complexas, mais estratégicas, estou a falar de orçamentos, estou a falar de impostos, é natural que cada um dos partidos possa ter opiniões diferentes sobre o caminho a seguir. Mas na esmagadora maioria dos temas, não há muita coisa que nos divida. Antes pelo contrário, temos conseguido, porque não é só o Chega, o próprio Partido Socialista, mais de 80% das propostas que vão à Câmara vota ao lado daquilo que são as propostas do Executivo, porque reconhece de facto que são propostas boas para as IPSS, para os clubes, para os agrupamentos de escolas, para servir aquilo que são os munícipes de Cascais e para resolver aquilo que são os problemas, que é fundamental.
Não teme, portanto, entrar numa situação de...
Agora vamos pela direita e vamos ter aqui, em todo o nosso lado esquerdo, os terrenos da Quinta da Carreira, um bairro onde também tem uma associação de moradores muito presente, muito ativa, e onde foi possível também, com a colaboração da associação de moradores, resgatar todos estes terrenos que estavam previstos para este relvado lindíssimo, com espaços de lazer, com campos de jogos, aqui mesmo ao lado da escola de São João do Estoril.
Estava lhe a perguntar, não teme entrar, no dia seguinte às eleições, numa situação de ingovernabilidade da Câmara? No caso de não conseguir.
Não, não vejo que exista qualquer questão quanto a isso.
Em frente.
Em frente.
Há uma pergunta que ainda não lhe fiz, mas tenho de a fazer. Se perder as eleições, assumirá o lugar de vereador?
É uma pergunta complexa de responder, porque esse cenário não está de facto em cima da mesa e eu não vou perder as eleições.
Nem esperava que dissesse outra coisa.
Eu assumo sempre aquilo que são as minhas responsabilidades. Ao longo destes 20 anos, sempre assumi tudo aquilo que foram as minhas responsabilidades, tudo aquilo que foram as minhas decisões. Assumi-o sempre de cabeça erguida e irei continuar sempre a assumir aquilo que são as responsabilidades daquilo que é o resultado do meu trabalho. Como espero que todos os adversários, obviamente, também as assumam e também assumam a responsabilidade de ocupar, de facto, cada um dos lugares de acordo com aquilo que forem os resultados das eleições.
E agora, ajuda-me aqui.
Agora vamos dar a volta à rotunda para irmos para o centro de saúde.
Nós começamos a nossa entrevista em que nos disse que o seu objetivo é governar a cidade durante 12 anos.
A vila.
A vila, peço desculpa, é um hábito terrível, é a vila. 12 anos. E depois, tem ambições nacionais, vê-se a fazer outra coisa?
Vejo, aliás, há muito tempo que está na minha cabeça. Todos os meus amigos sabem, é um projeto que eu já partilhei há muitos anos e que partilho frequentemente com várias pessoas. Daqui a 12 anos, quando eu sair da Câmara Municipal de Cascais, irei abrir o meu restaurante, onde irei ter a possibilidade de continuar a receber todas aquelas pessoas que durante estes 32 anos, os 20 mais 12, se cruzaram comigo aqui por Cascais e onde eu poderei continuar a partilhar bons momentos com todos eles à mesa do meu restaurante.
A parte boa é que ter um restaurante é compatível com a política. E a minha pergunta é nesse sentido: tem ambições políticas para o pós-ciclo de 12 anos em Cascais?
Ao contrário daquilo que se costuma dizer, que é nunca digas nunca, eu sei aquilo que sou, sei aquilo que faço, conheço as minhas capacidades e aquilo que eu gosto mesmo de fazer é levantar-me todos os dias e saber que todos os dias eu vou resolver o problema de alguém que mora aqui no conceito de Cascais. Porque a política autárquica tem esta capacidade, tem esta proximidade. Eu saber que vou conseguir resolver o problema da pessoa que tem um problema motor e não consegue estacionar à porta da casa. Saber que há um conjunto de população num bairro que quer um parque infantil e não tem. Saber que é preciso resolver um problema de acesso ou de rede viária e como é que eu vou resolver e como é que eu os tenho resolvido. É isto que me motiva todos os dias. Eu não me vejo Com todo o respeito que eu tenho por outros cargos políticos, porque todos eles nos devem merecer respeito. Aliás, eu acho que hoje em dia, por culpa de muitos políticos, respeita-se pouco aqueles que fazem política e respeita-se pouco aqueles que ainda estão disponíveis para fazer política todos os dias. E por isso eu respeito todos eles, mas não me vejo a fazer outra coisa que não política autárquica, política no terreno. E por isso, quando terminar o meu mandato, daqui a 12 anos, irei abrir o meu restaurante, que é um sonho que tenho há muitos anos.
Estamos a aproximar-nos do centro, correto?
É aqui à direita, já o conseguimos ver. Será inaugurado também na primeira quinzena de setembro.
E agora em direção à câmara.
Podemos virar aqui à direita também.
Então tenho ainda mais três perguntas.
Assim passamos aqui pelo centro histórico. Vamos passar pela Rua Amarela.
Tenho ainda mais três perguntas.
Força. Eu tenho tempo.
Para si. A primeira, porque já falou tantas vezes no candidato ChatGPT, que eu insisto. Está a referir-se exatamente a quem?
Eu não estou a referir ninguém em especial. Estou a dizer que hoje gostamos muito de pensar que o ChatGPT ou que a inteligência artificial, ou que uns livros e umas conversas com umas pessoas muito eruditas, nos conseguem ensinar num mês aquilo que demora muitos anos a aprender. À direita. E só por isso é que eu falo nisso. Não que esteja a referir-me a ninguém.
Não me vai dar esse título, portanto.
Não que eu esteja a pensar em ninguém em concreto.
Desisto, não vou conseguir.
Olhe, passamos agora pelo terreno do antigo hospital, onde vamos fazer um parque de estacionamento público com quatro pisos enterrados, para dar ainda mais mobilidade a todos aqueles que visitam, em frente, o centro de Cascais, o centro histórico.
A segunda pergunta que eu tenho para si é sobre a sua equipa e as pessoas que o vão acompanhar. Vem aí uma grande renovação ou vai manter a linha de continuidade?
Não, a renovação é grande, já é conhecida. Agora à direita. Do atual executivo, apenas o Frederico Nunes se mantém em quinto lugar. Irei contar com a experiência do Pedro Morais Soares, um autarca que durante anos e anos a fio foi presidente da maior junta de freguesia do país, a junta de Cascais Estoril, agora à esquerda, e que se vai juntar à minha equipa. Irei contar com a arquiteta Ana Rita Coimbra, em frente. Uma arquiteta que já trabalhou no privado, que já trabalhou e trabalha no público, que conhece todos os dossiês das obras municipais do urbanismo da Câmara Municipal de Cascais, que é uma independente e que é a número três. Esquerda. O engenheiro Luís Capão, com provas dadas na área do ambiente em Cascais e na área da sustentabilidade, presidente da Cascais Ambiente. Com a Diana Vale, uma centrista que atualmente ocupa e tem competências na área da educação e na área social. Com a Rita Venâncio, uma pessoa com experiência na área da comunicação, na área da cidadania, na área da participação, que também é um bom exemplo de uma funcionária municipal que, com o seu trabalho, chegou à chefia da Câmara Municipal de Cascais, que saiu da Câmara Municipal de Cascais para ter uma experiência no privado e que regressa à Câmara Municipal de Cascais para ocupar o cargo de vereadora. Um bom exemplo daquilo que é a mobilidade e o elevador social que todos queremos para o nosso conselho. Pessoas que possam, com o seu trabalho, com o seu empenho, com a sua dedicação, poder subir e não ficarmos naquele elevador que toda a gente gosta de falar, mas que normalmente só tem o botão do piso zero. Não, o elevador social aqui em Cascais, e aquilo que eu quero em Cascais, é que as pessoas possam subir do zero até ao um, até ao dois, até ao três, até ao quarto, até ao quinto, até ao sexto, até àquilo que os seus sonhos e que o seu trabalho os conseguir levar.
Por que sentiu a necessidade de fazer essa renovação?
Senti a necessidade de ter comigo pessoas experientes, que conheçam o funcionamento da Câmara, que conheçam os dossiês, para que no dia 13 de outubro, no dia a seguir às eleições, não seja preciso continuarem a estudar, continuarem a preparar-se para resolver os problemas ou para entrar dentro daquilo que são os projetos que estão em andamento, porque são muitos os projetos que não podem parar, que têm que continuar no dia a seguir. E, portanto, são tudo pessoas que conhecem, que sabem e que estão aptas a, no dia seguinte, continuar a levar estes projetos todos pela frente.
Portanto, não há aqui nenhum dissabor em relação às pessoas que saem ou que não continuam?
Não há nenhum dissabor em relação às pessoas que saem, nem às pessoas que continuam. A nossa equipa é forte, é coesa. Cada um sabe perfeitamente o que tem que fazer, o que pode fazer e mesmo até a nível dos próprios apoiantes do PSD, do CDS, dos independentes, que apoiam o Nuno Питеira Lopes ou não apoiam o Nuno Питеira Lopes. Eu, de facto, tenho pena de os meus pais, quando me registaram, terem colocado Питеira só com um T. Tenho a certeza absoluta que se eu fosse Питтейра com dois T, conseguiria angariar um nicho de votos aqui de Cascais que provavelmente irão apoiar outras candidaturas. Mas a vida é assim e tenho muito orgulho no meu nome Питеira. Inclusivamente os meus filhos todos têm dois apelidos precisamente para que o Питеira não desapareça da família.
Última pergunta, estamos mesmo a terminar. Qual é a sua especialidade na restauração, na cozinha?
A minha especialidade é fazer pratos de caça. Tenho muitos amigos meus que caçam e que eu tenho muito prazer em juntá-los todos à mesa e de ser eu a cozinhar pratos de caça. Uma boa perdiz com couve lombarda e cogumelos, dizem eles que é uma das minhas maiores especialidades.
Nuno Питеira Lopes, muito obrigado por ter vindo ao Carpool Observador.
Obrigado, Leo.
E até à próxima e boa sorte para a campanha.
Espero que me convidem outra vez daqui a quatro anos.