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Vamos a isso?

Vamos a isso, vamos ver se ele nos vai atender, não é?

Olá, Maria.

Olá, Rita.

Estamos muito entusiasmadas. Não é todos os dias que damos um presente deste gabarito.

É a minha primeira vez, na verdade.

Também é a minha.

É?

Sim, entregar um prêmio destes, duas semanas no Japão.

É extraordinário.

Conta desde o início. Isto é a propósito de um passatempo que esteve a decorrer durante os últimos dois meses.

Exatamente, entre "O Observador" e a Pinto Lopes Viagens, 12 anos de Observador, 12 mil quilômetros de viagem até ao Japão. Portanto, bastava ser assinante do Observador e responder à questão: se ganhasse uma viagem ao Japão, o que é que mais gostava de visitar com o olhar de quem valoriza a informação independente? E já temos um assinante do Observador selecionado. Vamos ligar-lhe?

É o vencedor, porque ele escreveu um texto lindíssimo. Se tivermos oportunidade, já nos vai explicar tudo. Vamos ver se ele atende. Estamos aqui a apanhá-lo numa hora de almoço, não é?

Sim.

Vamos a isso.

E ele não sabe que vamos ligar.

Ele não faz ideia. Vamos ver se consegue descobrir.

E vamos esperar uma boa reação. Vamos a isso.

Eu ficava em êxtase.

Eu não ia acreditar.

Sim.

Há muitas burlas assim.

Pois é. Será que ele vai acreditar em nós? Vamos ver. Está a chamar.

Boa tarde.

Olá, muito boa tarde, Nuno Santos?

Sou o próprio.

Sou a Rita Cambarneri, Maria Nunes, da Rádio Observador. Tudo bem?

Olá, Nuno, boa tarde. Como está?

Bem, obrigado.

Consegue imaginar por que estamos a ligar?

Consigo. Penso eu que sim.

Então, conte-nos tudo.

Participou num passatempo há uns tempos, não foi?

Correto.

E escreveu um texto lindíssimo.

É verdade. Eu partilhei esse texto com algumas pessoas e ficaram emocionadas.

E queremos dizer-lhe que está de parabéns.

Ganhou a viagem ao Japão!

Vai conosco e com a Pinto Lopes Viagens passar duas semanas ao Japão. E tem que nos contar tudo. Fale-nos um bocadinho sobre a história que o levou a partilhar aquele comentário conosco.

Eu e minha mulher éramos donos de um bar de praia, o Búzios, em Santa Cruz. Estivemos oito anos, vendemos este ano, agora em abril. E durante esse tempo que nós tivemos, nós saímos da praia, saímos da praia do centro, das barraquinhas, e tivemos conosco, durante estes oito anos, um senhor, o mestre Zé, que era o meu anjo da guarda na praia, que me tratava das barracas, que me tratava de toda a logística.

Como é que ele se chamava?

Zé Reis. Eu chamo ele mestre Zé. É o mestre Zé.

Sim.

Nós falávamos muito. Ele tem 81 anos, fez 81 anos este ano, e é um homem cheio de vida. E, entretanto, ele contava histórias, e há uma história que ele conta de ter ficado muito próximo do Kazuo Dan, que foi um escritor que viveu em Santa Cruz durante algum tempo e que, de alguma forma, conviveu com eles, ou seja, ficou íntimo dele e do irmão. Um tal Joaquim, que ele refere alguns textos, já faleceu. Ele já perdeu este irmão. Mas ele contava algumas histórias naqueles momentos que nós tínhamos mais tranquilos, contava umas histórias dos jantares que fazia lá em casa, do que ele fazia. E este Kazuo Dan estava muito ligado à embaixada, inclusive ele chegou a levá-lo, a ele e ao irmão, para Lisboa, num carro limousine, para irem aos Fados. Portanto, ele contava histórias muito interessantes sobre o Kazuo Dan e eu sempre fiquei fascinado com essas histórias. E, de alguma forma, o carinho que eu tenho por ele, acabei por me lembrar quando surgiu esta questão do Observador, acabei por me lembrar dessa história.

Sim, culminou num texto lindíssimo e numa viagem durante duas semanas ao Japão. Eu vou aqui destacar parte do seu texto. Fala então de Kazuo Dan, um escritor que viveu em Santa Cruz, onde Nuno Santos também vive aí, certo?

Sim, eu vivo próximo. Eu vivo aqui perto, não vivo mais, mas nós fizemos a nossa vida durante estes últimos oito anos em Santa Cruz.

E este escritor também viveu em Santa Cruz durante alguns anos e diz no texto que talvez o que o seduziu, a este escritor, não tenha sido a diferença, mas as semelhanças, a mesa partilhada, o peso da comunidade, a tradição, a sensação de que ninguém existia sozinho.

É muito bonito. O que o Nuno faz?

Eu sou formado em gestão hoteleira, eu e a minha mulher, e nós tínhamos este negócio. Nós vivemos de hotéis e de restaurantes durante a nossa vida toda. E nos últimos oito anos, tivemos este bar de praia, este apoio de praia, que era mais que um bar, com as barraquinhas, e foi uma experiência muito intensa, muito interessante, que tivemos grandes memórias. Enfim, este tem sido o nosso percurso, foi essa gestão deste apoio de praia, da Praia de Santa Cruz.

E vendeu este ano, é isso?

Foi. Nós vendemos a empresa agora em abril, maio. Vendemos a empresa e agora estamos a lançar outro projeto, mas com mais tranquilidade.

Bem, isto serve de-

Esperemos não mais sedutor. Não mais sedutor que este, que este foi muito sedutor.

Sim.

E diga-me uma coisa, o Nuno já era assinante do Observador? Assinou o Observador?

Já.

Então valeu a pena assinar.

É mais que merecido.

É verdade. Indo agora aqui ao encontro daquela que foi a sua resposta na participação. O que é que o Nuno não vai poder perder no Japão?

A cultura. Essa frase é algo que me surgiu porque nós estamos falando de uma pessoa que amava a liberdade, que contrariava tudo aquilo que era o conservadorismo do Japão, a forma tradicional de fazer as coisas, e era uma pessoa que lutava contra isso E aquilo que ele depois realça em Santa Cruz, naquela altura, uma altura ainda do Estado Novo e da ditadura, foi precisamente algumas das coisas que são comuns à tradição, à partilha, aos valores. E é uma das coisas que me seduz e que tenho uma grande expectativa em relação ao Japão, que tem a ver com essa parte da cultura, das pessoas. Seguramente a diferença que existe neste momento entre aquilo que são os mais novos e aquilo que é aquela tradição japonesa, tem a ver com esta cultura. Essa é que é realmente o meu fascínio e aquilo que eu procuro depois nessa viagem.

E já sabe quem é que vai levar consigo. Olhe que eu e a Rita falamos muito bem japonês. Seríamos boas companheiras de viagem.

A minha mulher também diz obrigado muito bem em japonês.

Exato, e vai com a sua mulher, seguramente. Ainda mais neste ano, depois de vender um negócio e agora estarem a começar outro, isto é o presente ideal. Isto é perfeito!

É perfeito.

Foi para as mãos perfeitas.

Obrigado. Eu já ouço o Observador há alguns anos. Nós vivíamos em Inglaterra. Eu penso que foi na altura em que estávamos aqui em Inglaterra que me lembro que foi quando comecei a ter muito interesse no Observador, porque era diferente de todos os outros. Tudo aquilo que eu ouvia era aquilo que fazia a diferença, porque abordava as coisas de uma outra forma. Hoje, obviamente, tem outra maturidade, tem outra projeção.

Esteve conosco desde pequeninos, desde o início.

Seduziu-me muito a vossa forma de estar.

É mais conhecido este prémio.

Ó se é.

Olhe, vou ensinar-lhe aqui uma frase em japonês, que é para começar a treinar antes da viagem. É: "Gyoko ga tarimashita, arigatou, Observador", que significa: "Ganhei uma viagem. Obrigada, Observador".

Uau!

Obrigado, Observador. Muito obrigado.

Obrigada, Nuno. Depois queremos receber fotografias.

Por favor, partilhe fotografias conosco.

Sem dúvida, eu assim partilho.

Para ouvinte@observador.pt. Muito obrigada, Nuno. E não sei se está a almoçar, mas bom almoço.

Bom almoço, se for o caso.

Não estou, mas obrigado e um bom almoço também para vocês e todos no Observador.

Muito obrigada, Nuno. Depois nós tratamos dos pormenores.

Claro que sim. Agradeço.

Muito obrigada. Um bom dia para si.

Um bom dia também. Obrigado.

Muito obrigada. Ai, Rita, sou tão bem.

Isto é lindo! Isto soube muito bem, eu habituava-me a isto

Sabes que eu nunca ganhei nada na vida.

Uma pessoa quando dá, quase parece que também está a ganhar um bocadinho.

Pois é. E vamos ganhar, porque vamos receber fotografias, é quase como se estivéssemos lá.

Olha que bela história, vão em casal, um casal que vendeu este ano um negócio de praia.

Arriscou tudo.

Sim, arriscou tudo. E agora serve bem de motivação estas duas viagens. Duas viagens, não. É duas, porque são duas pessoas.

Sim. E são duas semanas no Japão. Extraordinário.

É incrível.

Vale a pena ser assinante do Observador.

Ai, vale. Só tem pena de nós não podermos ser concorrentes, mas não faz mal.

Quem me dera poder ligar para ti, Rita, e dar-te este prémio a ti. Levavas-me a mim, ficávamos satisfeitas, não discutíamos com mais ninguém. Mas olha, Rita, tenho o dia feito.

Também eu.

Estou de coração cheio.

Vamos despedir-nos também dos nossos ouvintes, sabendo que pode ser um dia, um dia pode lhe calhar a si.

É verdade.

Por isso é só continuar a seguir-nos, claro.

A ficar desse lado, aconteça o que acontecer.