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E aqui estamos na Rádio Observador para celebrar os dois anos do PiscaPisca.pt. Para isso junta-se a nós o diretor da marca, Paulo Figueiredo. Paulo, bem-vindo. Muitos parabéns, para começar.

Olá, bom dia. Obrigado.

Dois anos. É um bebê que diremos que não anda de gatas, mas anda a quatro rodas, pelo menos. Com certeza já deve ter respondido a muitas perguntas parecidas com a que lhe vou fazer. Mas lançar uma empresa na mesma altura em que rebenta uma pandemia, não há de ser fácil, também não é para muitos. Queria que nos contasse, Paulo, como foi lançar uma plataforma numa altura particularmente sensível, até porque teve que haver muita adaptação pelo meio, antes de começar, sequer.

Sim, claro. Nós temos a feliz coincidência, por um lado, como nós dizemos, de nós lançarmos a plataforma exatamente no dia em que foi detectado o primeiro caso de Covid em Portugal. E portanto, exigiu da nossa parte uma adaptação enorme, porque nós estávamos não só a lançar a plataforma e a campanha, mas a desenvolvê-la em simultâneo. Para dar um exemplo concreto, tivemos que arranjar uma coisa tão fácil como colocar 40 programadores que estavam a trabalhar "live" na plataforma, em casa. Isso é um desafio enorme. Mas tivemos também, ao mesmo tempo, entender que nós éramos uma resposta muito necessária para os nossos parceiros, porque os stands de automóveis fecharam portas, lockdown, e nós éramos a montra desses parceiros. Isso foi um desafio muito interessante.

E olhando também para o início, ninguém ficou indiferente à primeira grande campanha PiscaPisca com Ruth Marlene. Foi também uma forma, essa campanha, de chegar às pessoas que teve repercussões que foram visíveis no imediato. Mesmo quem não estivesse interessado em comprar um carro, estava familiarizado com a campanha.

Sim, foi muito engraçado, porque nós desenvolvemos a marca primeiro, ou seja, o nome, o PiscaPisca apareceu inicialmente. Nós desenvolvemos com a nossa agência criativa, que é a McCann, e queríamos algo que fosse ligado ao setor automóvel, a um carro, claro, mas também que nos desse a ideia de mudança de direção, porque era um mercado que nós queríamos entrar, era um mercado monopolista, onde tinha um líder único há muitos anos, um pouco cinzento e masculino, como nós dizíamos, e nós queríamos mudar de direção. Então, mudar a direção, surgiu o PiscaPisca. Depois do nome, alguém, e lembro-me perfeitamente, teve a ideia. As pessoas não se apercebem que já tinha 30 anos, é uma música com muito tempo, mas que estava gravada, como nós dizemos, num chip na memória de todos nós. E foi muito interessante. Nós atingimos, para ter uma ideia, nas duas, três primeiras semanas de campanha, um índice de notoriedade espontânea acima de 65%.

É uma daquelas mesmo vencedoras, que fica mesmo no ouvido, já cá estava, retornou. Foi uma belíssima campanha. Entretanto, passados dois anos, é possível determinar qual é que foi o impacto da pandemia no PiscaPisca. Houve esse desafio inicial, mas também ao longo do tempo que foi passando a pandemia, teve efeitos. Também não haverá grande termo de comparação, porque trabalharam nessa base, mas há pelo menos uma maneira de entender como é que as coisas poderiam ter sido se não fosse a pandemia e como é que foram.

Sim, eu acho que a pandemia claramente aquilo que nos trouxe foi um acelerar daquilo que era a transformação, até de muitos dos nossos parceiros, porque este setor é composto por grandes grupos. Mas depois também temos uma vasta, uma enorme gama de pequenas e médias empresas, familiares até algumas, cujo processo de digitalização não estava tão acelerado quanto isso. E a pandemia obrigou a eles e a nós, a plataforma já tinha esse objetivo, a acelerar esse processo. Novamente, tinham as lojas fechadas, tinham os stands fechados. Se queriam apresentar carros ou vender carros, tinha que ser no digital. E nós tivemos que acompanhar e, no fundo, ajudar esses parceiros nesse processo de digitalização e, ao mesmo tempo, desenvolver e ir percebendo. Porque esta pandemia teve também um impacto grande na forma como eu, consumidor, ou como nós, compramos coisas, vemos coisas. Nós temos aquilo que nós chamamos os novos migrantes digitais, pessoas acima de 60 anos que não usavam o digital e que passaram a usar por força das circunstâncias. Houve aqui um conjunto de mudanças que fez com que este caminho se fizesse um bocadinho descobrindo, desbravando ao mesmo tempo, porque nós fomos de lock-in, lockdown, depois abre, depois fecha, depois adapta, depois regras.

Muita incerteza ao longo do caminho.

Muita incerteza. Tivemos que ter esta, eu chamo de flexibilidade e capacidade de adaptação, mas também, no fundo, sempre acompanhando os nossos parceiros, que era o essencial. Eu acho que sem pandemia, honestamente, o nosso desenvolvimento teria sido muito mais lento, porque tivemos que acelerar, nós e o mercado.

E o panorama depois da pandemia, sobretudo também na venda de automóveis, passou a ser digital. Acha que o panorama hoje em dia está mais centrado aí?

Está mais. Nós já tínhamos uma tendência em que o comprador, o consumidor, iniciava a sua jornada no digital. Aliás, há dados que a própria Google partilha que diz que 90% das pessoas iniciam a sua jornada de compra no digital. Que fazem a procura, a pesquisa, carros é que há, que preços é que há, e depois a vão completar no offline. Mas isso foi claramente acelerado. Inclusive, nós temos parceiros hoje em dia que já durante a pandemia, e hoje mantêm essa solução, que Tem um processo que permite fazer a compra do carro, o financiamento do carro, a entrega do carro em casa. Portanto, a pessoa não tem sequer que se deslocar a um estande para comprar um carro, que se calhar há dois anos e meio falar disso era completamente irreal ou não era sequer possível. Houve claramente essa aceleração para o digital, embora se perceba que quanto mais nós vamos normalizando, esse digital tem uma maior fatia, mas há uma componente do offline que nós achamos que se vai manter durante mais algum tempo.

E o Pisca Pisca tem por mote dizer que ajuda os clientes a encontrar o carro ideal. Como é que sabem que cumprem essa promessa?

Essa é uma excelente questão, porque para nós o desafio era como é que nós podemos ter uma plataforma que novamente seja diferente, não tão cinzenta, não tão masculina e nós pela marca, pelo fúcsia, pelo azul eletrizante, pela forma como permitimos que quem perceba de carros ou não perceba nada de carros, faça a pesquisa daquilo que anda à procura, era um ponto essencial para nós. Eu diria que nós tivemos a resposta de que estamos a conseguir cumprir essa demanda quase no início deste ano, porque os consumidores e os portugueses deram-nos o prémio Cinco Estrelas, que para nós foi uma surpresa enorme. Achamos que veio cedo, relativamente a que estávamos à espera. Não é isso, porque foi antes do segundo aniversário. Era um prémio que nunca tinha sido ganho por outra plataforma, senão pelo monopolista existente no mercado. Portanto, isso deu-nos a confirmação de que o caminho está correto e que esta abordagem, que eu chamo de simplista, mas de segura, certificada, de confiante, porque era um espaço que nós queríamos trabalhar, está no caminho certo.

E na plataforma tem havido grande procura pelos elétricos? Quais são os carros mais vendidos no Pisca Pisca? O mercado já se virou para o digital, está também a virar-se para o sustentável?

Sim, nota-se claramente que há uma maior procura de carros elétricos e carros híbridos, teve um aumento exponencial. Não são os mais vendidos ainda, obviamente, porque até em termos de oferta, nós temos mais de 41 mil carros na plataforma, a grande maioria ainda de combustão tradicional, e os carros mais vendidos são claramente, e continuam a ser, aquelas marcas que tradicionalmente já o eram: Renault, Peugeot, Mercedes. E isso continuam a ser os mais procurados, mesmo em termos de usados. O que notamos, claramente, porque nós temos um filtro não só para elétricos como para híbridos, é que temos aumentos na casa dos 30, 40% relativamente à procura de carros elétricos e híbridos e à venda. Portanto, a tendência está lá. Depois tem muito a ver também com aquilo que será o desenvolvimento do próprio ecossistema, porque muitos dos clientes que nos procuram e nos dão feedback, dizem-nos: "Eu estava disposto a ter um carro elétrico, por exemplo, mas ainda não tenho um ecossistema de carregamento na minha zona, na minha residência, na minha área, que permita ter essa flexibilidade". Mas estamos convictos de que claramente será a megatendência nos próximos anos.

E Paulo, você estava a falar dos clientes. Olhando para o perfil do cliente, como é que foi traçado esse perfil? Já sabemos, já tínhamos mais ou menos uma ideia dessa mudança de direção por causa da campanha, que também não só o mercado é exclusivamente masculino, mas foi traçado também um perfil mais alargado para chegar a mais clientes do que aquilo que é habitual.

Sim, sem dúvida. Esse era um dos grandes objetivos da marca, que era não ser um marketplace como os outros instalados, que era mais dedicado ou, se quiserem, mais fácil para quem tem um grande entendimento técnico sobre carros. E nós queríamos facilitar completamente essa pesquisa, desde a pessoa que está à procura do primeiro carro, até à pessoa que está à procura de um carro específico, por exemplo. Por isso é que a plataforma introduzimos a possibilidade de fazer a pesquisa por surf ou por família ou por cães, porque são pessoas que num determinado momento da sua vida necessitam de fazer a mudança do veículo por essa razão, porque tiveram mais um filho, porque vão mudar para o campo, porque querem um carro para levar as pranchas. E portanto, ao introduzirmos esses mecanismos de pesquisa e também que já falámos, o carro ideal, que através de cinco perguntas muito fáceis nos dão um conjunto de soluções para aquilo que estamos à procura, muitos quilómetros, poucos quilómetros, na cidade, fora da cidade, ampliamos claramente a gama de pessoas para quem conseguimos dar a solução. E isso tem se vindo a traduzir no nosso tráfego crescente mês a mês, no negócio que estamos a gerar para os nossos parceiros e o caminho e a inovação que queremos continuar a trazer é exatamente por aí. Arranjamos mais ferramentas, mais soluções para quem procura um carro usado.

E por falar em soluções, por falar também em ferramentas, são tudo coisas criadas para desenvolver uma relação de confiança com os consumidores, mas há também aqui uma parceria com a DECO Proteste. Que parceria é esta e como é que ela também incrementa a confiança dos consumidores?

Isso encaixa exatamente naquilo que era a estratégia definida para a marca, ou seja, nós sempre, desde o início, dissemos que os carros que vão estar na plataforma, no Pisca Pisca, têm que ser reais e obrigamos a que os profissionais do setor introduzissem os carros pela matrícula ou pelo VIN, para que os dados técnicos fossem automaticamente preenchidos. Não há ali manipulação de dados, as fotos são reais, os parceiros são certificados. Lançámos também agora há pouco tempo, um programa de certificação de carros com a Associação Portuguesa do Comércio Automóvel, que faz com que quem vá procurar um carro usado tenha um relatório técnico de uma entidade terceira externa a certificar o estado do veículo, ou seja, os profissionais do setor certificados, os veículos certificados, mas depois queríamos completar este ecossistema com o suporte a quem compra. Quem compra um carro usado está a tomar uma decisão importante. Muitas vezes é um investimento grande. Costumamos dizer que é o segundo maior investimento que fazemos a seguir à casa. E portanto, queríamos que tivessem o conforto de um parceiro, que para nós é estratégico e neste caso a DECO O Proteste é claramente um parceiro que dá a confiança de que se algo correr bem, ótimo, se algo não correr bem, eu tenho aqui a minha defesa do consumidor a trabalhar e a dar-me todo o suporte. E temos, inclusive, uma linha de apoio ao comprador que dá não só todas as informações, que direitos eu tenho, que deveres é que o stand tem. Portanto, no fundo, que contribui para esta confiança e para a transparência do processo de compra e venda nos usados, que para nós é fundamental.

E também no equilíbrio dessa relação entre vendedor e comprador há de ser importante. O online continua a facilitar o melhor encontro entre quem vende e quem compra, neste caso, também fugindo à lógica da entidade centralizada.

Sim, seguramente. Há aqui esta facilidade de eu poder ir ao PiscaPisca.pt e encontrar mais de 41 mil carros, fazer as pesquisas que eu quero, entender que tipo de preço, que tipo de carros, que tipo de soluções é que eu tenho, fazer a minha escolha, fazer a minha mini seleção, como nós dizemos, o meu top três, o meu top quatro, contactar esses parceiros online, enviando uma coisa tão simples como uma mensagem ou ligando ou vendo no mapa onde é que eu estou. Portanto, tudo isso são facilitadores deste processo, que muitas vezes, sim, depois desaguam naquilo que nós vemos que é o offline, porque nós ainda temos muito a lógica de "eu quero ir ver o carro e buscar o carro ao stand". E aqui há um ponto muito interessante que é: nós sempre soubemos e entendemos que as senhoras, por exemplo, têm um peso muito grande no processo de decisão final. E o engraçado é que 42% das nossas visitas são visitas de mulheres. E, portanto, temos toda esta componente, todo este orgânico que queremos trazer e que a marca traz e que facilita muito, claramente, o digital como a solução para encontrar.

E por falar em encontrar, não é só na plataforma do PiscaPisca que o PiscaPisca pode ser encontrado e dado a conhecer aos consumidores. Tem um blog, presença nas redes sociais. Qual é a importância desta aposta na comunicação também mais próxima com o consumidor, não só na ótica do site onde está disponível o serviço?

É fundamental. Aqui o conjunto de parcerias que nós temos e começando desde já pela casa onde estamos, pelo Observador, que é um parceiro estratégico para nós, é claramente o nosso media partner, chamemos assim, generalista, com quem fazemos actions e com quem também temos não só os carros do Pisca disponíveis no Observador, mas muitos conteúdos também do Observador que são amplificados pelo PiscaPisca News, que é o nosso blog, como referiu, e bem. Temos uma parceria também com a Razão Automóveis, especialista no setor. Portanto, o blog tem, no fundo, a função de completar este ecossistema de quem anda à procura de um carro usado, não só ter a solução dos carros, mas ter acesso à informação, às novidades, a tudo o que se passa no setor, muitas vezes a alterações legislativas e legais que têm impacto no próprio processo de compra. E, portanto, aqui a ideia é completar este ecossistema para que o PiscaPisca não seja só, como nós dizemos, a plataforma onde eu vou procurar o meu carro usado, mas que seja a marca, e queremos construir essa marca de referência, que quando eu penso em carros e carros usados, é o sítio onde eu vou para procurar informação e depois, claro, contando sempre com um meio tão importante como o Observador para nos ajudar nesta tarefa.

Paulo, olhando aqui também para a trajetória do negócio, que nestes dois anos fazem acreditar nada menos do que num caminho de crescimento, parece que não vai ficar por aqui. O que é que esperam para os próximos meses, para os próximos anos? Há um plano de crescimento para o PiscaPisca?

Sim, nós neste momento, em termos de setor, estamos a passar num momento que eu diria que é único, porque a pandemia trouxe aqui um efeito que é, se calhar, pela primeira vez, há muitos anos, para não dizer desde sempre, temos o fenômeno de existir procura. Portanto, há compradores para carros e há uma escassez de carros usados enorme, que advém da escassez de carros novos. Portanto, que este ecossistema sempre foi montado numa lógica de que os carros novos eram produzidos, as marcas vendiam, abasteciam as gestoras de frota, as rent-a-cars, etc, que depois abasteciam o mercado de usados. E este snowball effect que nós temos, que parou com a pandemia, fez com que hoje em dia haja uma forte escassez de carros usados e, portanto, os nossos parceiros têm alguma dificuldade, alguns deles, em encontrar esses mesmos carros. E estamos aqui numa altura muito importante, onde temos que desenvolver ferramentas para além daquilo que é o tradicional do mercado, também para ajudar os nossos parceiros profissionais a fazer esse sourcing de veículos, a encontrar esses carros, portanto, a ir comprar carros, seja de particulares, seja outras fontes. E o nosso caminho de crescimento vai ser não só continuar a desenvolver ferramentas para que quem quer comprar um carro usado encontre o carro certo, certificado, com segurança, com apoio, mas também um foco muito grande, e este ano 2022 é um desafio que queremos claramente abordar e atacar, sermos a marca que suporta o mercado profissional em tudo aquilo que necessita para continuar a manter a rede de pequenas e médias empresas, que no mercado nacional são fundamentais e que nós queremos continuar. E, portanto, é por isso que nós dizemos que nós estamos a trabalhar com o mercado e para o mercado.

E por isso também algum reconhecimento nestes primeiros dois anos, sobretudo com esse prêmio a cinco estrelas. Paulo Figueiredo, parabéns pelos dois anos do PiscaPisca. Até à próxima. Um bom trabalho e um bom futuro, que vai ser certamente.

Muito obrigado. Até à próxima.

Até à próxima.